A melhor equipa do mundo é boa em quase tudo.
Grécia exclui hipótese de ceder a sua soberania orçamental à UE.
Esperemos que a resistência grega seja duradoura. Mas a questão aqui é: o que irá acontecer quando Merkel se virar para o controlo da nossa soberania? Teremos um Governo à altura das suas, das nossas, responsabilidades? Ou continuará Passos Coelho a ser o caniche do directório franco-alemão?
O que é mau para Portugal é mau para a Madeira. O aumento do IVA, prazos de pagamento muito curtos e uma redução do investimento público (talvez na Madeira bastasse alguma razoabilidade) terão efeitos na economia da Madeira e, a curto prazo, nas suas contas públicas. Maus efeitos, claro está.
Há algumas diferenças em relação à situação nacional. Agora que conhecemos finalmente as contas de 2011, ficámos a saber que o "desvio colossal" se deveu sobretudo à queda das receitas. Ficaram mais de 2.300 milhões de euros abaixo do previsto. Já a despesa ficou 440 milhões abaixo do que se contava. Ou seja, não foi, ao contrário do que insistentemente se diz, a despesa galopante que desequilibrou as contas públicas, mas a perda de receitas, sobretudo nos descontos para a segurança social e no IVA. Foi a crise, muito mais do que despesismo. Na Madeira, pelo contrário, as despesas, sobretudo em ano de eleições regionais, foram sempre astronómicas.
Ainda assim, o resultado da austeridade (e não da disciplina, que, com ou sem dinheiro, nunca acontecerá com Jardim a governar) será o mesmo que no Continente: mau para a economia, mau para as receitas, mau para as contas públicas.
Só que Jardim pretende fazer um paralelo inaceitável com o conjunto do País (que inclui, recorde-se, a Madeira). Quer parte das receitas da privatização da TAP, da ANA e dos CTT. Algumas perguntas: porque hão de os madeirenses receber duas vezes pela mesma coisa (como portugueses e como madeirenses)? Quanto dinheiro o governo regional da Madeira investiu nas duas últimas empresas (a primeira não pode receber fundos do Estado)? Que participação teve na sua valorização financeira? Ou Jardim defende a solidariedade nacional na hora de receber quando ela nada lhe diz na hora de pagar?
Resta então a questão política. Há uma grande diferença entre a "negociação" com a troika e esta. A primeira aconteceu com um governo demissionário. E que assim ficou por se ver obrigado a pedir uma intervenção externa e a assinar um memorando desastroso para o País. Ainda antes de pedir este dinheiro José Sócrates considerou que tinha de voltar a ver sufragada a sua legitimidade. Perdeu as eleições. Alberto João Jardim esperou para depois das eleições para acordar medidas de austeridade. Os madeirenses foram a votos sem saber ao certo o que lhes esperava. E isso é inaceitável. Houve quem defendesse, na Madeira, durante a campanha, que as eleições deviam ser adiadas para depois deste acordo - que se saberia que acontecia. Assim não aconteceu.
Se Alberto João Jardim pensasse em mais do que a sua própria sobrevivência política - que explica, em grande parte, o estado das contas públicas madeirenses - faria o mesmo que anterior primeiro-ministro fez. Faria o mesmo que ele próprio fez quando Sócrates mudou as regras de financiamento da Madeira. Precisava então de legitimidade reforçada? E agora, não precisa? A resposta é simples: antes podia acusar o governo da República pelas suas desgraças, agora teria de assumir as suas responsabilidades.
Publicado no Expresso Online
O Wall Street Journal diz que Portugal terá de receber um segundo "resgate". Se o fizer, digo eu, quer dizer que a sua irresponsabilidade ultrapassou os limites da normalidade e alguém, de alguma forma, terá de pôr um travão nesta loucura. Não podemos continuar a pedir emprestado para pagar dividas e juros absurdos e, ainda por cima, em troca de medidas recessivas que tornam o pagamento dessa dívida numa miragem.
Na Grécia este filme já vai mais avançado. O que é uma vantagem para nós. Foram "resgatados" e só agora, com a economia definitivamente em ruínas, estão a renegociar a dívida. Tarde demais, para dizer a verdade. Já de pouco serve. Só mesmo porque já não há onde ir sacar mais é que fizeram o que há muito deveriam ter feito. Agora é provável que já só lhes reste preparar a saída do euro.
Perante estas duas noticias - o artigo no WSJ e a renegociação grega - Passos Coelho, a braços com um risco de bancarrota acima dos 67%, diz que "não pediremos tempo nem dinheiro". Ou Passos é ainda maisinconsciente do que parece ou é mentiroso. Espero que seja mentiroso. Sempre é menos trágico para o futuro do país do que sermos governados por um lunático.
Publicado no Expresso Online
O Arrastão está nos cinco finalistas da votação que está a decorrer no Aventar na categoria de "Actualidade Política". Do que é que está à espera para votar?
Alguém sabe se a censura a Pedro Rosa Mendes está a ser noticiada nos canais televisivos, sejam eles privados ou públicos?
O silêncio e o assobio para o lado reinam para as bandas dos indignados com a "asfixia democrática" socratista. Nem o Crespo porta-voz do Governo, nem os monárquicos Vaders. Bem podemos esperar por uma manifestação em frente à assembleia. Sentados, como os assessores do Relvas que denunciam crónicas de jornalistas e produzem comunicados para abafar a censura. No pasa nada.
Adenda: a última crónica de Raquel Freire, uma das cronistas do programa, a quem estão a ser dirigidos os mais soezes ataques de carácter, o habitual argumento dos fracos.
É oficial: a censura foi reimplementada em Portugal. Com uma ajudinha dos nossos amigos angolanos, que percebem muito da poda. A brincadeira do Prós e Contras em Angola não foi um acidente de percurso.
A Vera (o nome é fictício, a pessoa e os factos aqui relatados não o são) trabalhou durante três anos numa empresa, tendo uma função qualificada e criativa. Acabado o período máximo de duração do contrato e esgotadas as renovações a termo foi, como é habitual nestes casos, dispensada. A empresa não a queria no quadro. Pediu o subsídio de desemprego a que tinha direito. Recebeu-o por um período de 18 meses.
Enquanto o recebia procurou emprego. Em meados de 2007 foi a uma entrevista de trabalho numa empresa de trabalho temporário. Começou a trabalhar como administrativa. Passados 15 dias enviou um fax à segurança social informando da sua nova condição e solicitando a suspensão do subsídio de desemprego. Pouco tempo depois, recebeu de volta uma carta da segurança social, informando-a que poderia solicitar subsídio social de desemprego desde que os seus rendimentos mensais fossem inferiores a 80% do valor da retribuição mínima mensal garantida. Logo depois, uma outra carta informando-a que teria recebido indevidamente 638,87€ e solicitando a restituição do mesmo.
Perante a confusão, foi ela mesma à segurança social, numa Loja do Cidadão, com toda a documentação. Aí, foiinformada que não se deveria preocupar, pois o mais certo seria que, quando o seu contrato de trabalho temporário acabasse voltaria a receber subsídio desemprego e, nessa altura, o valor recebido a mais seria descontado. Vera achou aquilo pouco ortodoxo e enviou uma carta registada à segurança social explicando o sucedido. E aí pedia, porque o seu salário era baixo, para começar a restituir o dinheiro já, mas em prestações. Nunca recebeu nenhuma resposta. O tempo passou sem que a situação se resolvesse.
A resposta veio este mês, quase cinco anos depois. Dava à Vera trinta dias para pagar o que ela sempre quis pagar. E ameaçava-a com uma cobrança coerciva.
A Vera não compreende porque pediu um pagamento a prestações, há cinco anos, e nunca teve resposta. A Vera não compreende porque tentou, como cidadã cumpridora que é, pagar o que devia, e não a deixaram. A Vera não compreende porque a tratam agora, cinco anos depois, como uma caloteira, a ameaçam e dão-lhe um prazo tão curto para pagar o que nunca quiseram receber. Perante a falta de resposta, a Vera julgou que a sua situação estava esclarecida e que a segurança social a tinha encerrado. A Vera cometeu o "erro" de pensar que estava a lidar com uma pessoa de bem, o Estado, e que não tinha de dedicar a sua vida a persegui-lo para lhe pagar o que lhe devia.
A Vera, como milhares de portugueses, é agora tratada como alguém que viveu à conta do Estado, pendurada nos seus subsídios. Serve para o discurso populista deste governo, sempre implacável com os mais fracos e benevolente com os mais fortes. Um governo que trata os erros dos serviços que dirige como responsabilidade dos cidadãos. Um Estado que trata todos os cidadãos como suspeitos, mesmo quando o seu único crime foi não terem conseguido chegar ao fim de um insuportável labirinto burocrático. A Vera é uma das pessoas de quem falava Marco António Costa, numa amena cavaqueira de um "clube de pensadores", em Vila Nova de Gaia. Um número para parangonas. Um "sound bite" para o mais rasteiro dos populismos sobre a "subsidiodependência" dos trabalhadores. A Vera é mais uma das cidadãs que este governo não merece. E que não merece este governo.
Publicado no Expresso Online
"Uma crónica crítica em relação a Angola, do jornalista Pedro Rosa Mendes, terá levado a RDP a acabar com o espaço de opinião "Este Tempo", da Antena 1. (...) O jornalista Pedro Rosa Mendes confirmou, em declarações ao PÚBLICO, ter sido informado, por telefone, que a sua próxima crónica, a emitir na quarta-feira, será a última da sua autoria. “Foi-me dito que a próxima seria a última porque a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola”, diz o jornalista, por telefone, a partir de Paris."
Cavaco Silva é olhado com desdém pelos seus vizinhos da Quinta da Coelha. É desprezado pelos ex-administradores do BPN. Os que foram para a EDP não o respeitam. Para cavaquista, Cavaco Silva é um pelintra. Vamos auxiliar este pobre reformado. Dia 24 de Janeiro, às 17h30, em frente ao Palácio de Belém, participa numa "flash mob" solidária. Traz uma moeda para o Presidente.
Arrastão.org
Há seguramente existem alguns portugueses que não estão na situação do Presidente da República. Haverá quem não acumule duas reformas. Acredito que até haja quem não receba cerca de mil euros por mês. Apesar dele não saber bem quanto ganha. Provavelmente alguns invejosos não sofreriam muito se tivessem de dispensar o salário de Presidente da República em troca das suas reformas. Alguma gente mal intencionada pensará que, ao comparar-se com os restantes reformados a quem têm sido pedidos sacrifícios, o Presidente denuncia um total alheamento da realidade nacional.
Compreendo estes argumentos mas acho que resultam de um erro de perspetiva. Sou uma pessoa de esquerda, por isso um incorrigível relativista. Sei que não há meninos maus. É o meio que molda os seus comportamentos. Por isso, sei que temos de olhar para o contexto em que vive e viveu, nos últimos anos, Aníbal Cavaco Silva. Sem isso, não compreendemos as suas palavras.
O presidente Cavaco Silva dá-se, como cada um de nós, com os seus amigos. Gente com um percurso de vida semelhante ao seu. É aí que faz a sua socialização. É essa a realidade que ele melhor conhece. E o que vê Aníbal à sua volta? Vê os seus vizinhos e velhos amigos da Quinta da Coelha com dachas maiores que a sua. Vê os seus ex-companheiros de partido saírem de um banco falido melhor do que entraram. Talvez com a exceção de Oliveira e Costa, outro injustiçado. Vê os seus ex-ministros espalhados por empresas privadas e públicas. Todos com salários e rendimentos que fazem dele um reles pelintra.
Será justo que as criaturas vivam melhor que o criador? É aceitável que Eduardo Catroga, Mira Amaral, Ferreira do Amaral, Dias Loureiro, Braga de Macedo e tantos outros vivam como uns nababos e ele ande aos caídos com míseros dez mil euros mensais? Cavaco Silva, que está para os políticos espertalhões como Júlio Isidro esteve para os novos talentos musicais (foi ele que descobriu quase todos), tem ficado para trás. E é agora obrigado a socorrer-se das suas poupanças.
Aqui vai um apelo: vamos auxiliar Aníbal Cavaco Silva. É pegar no que vos sobrou do 13º mês (ou já estouraram tudo?) e entregar-lhe em mão. Vamos fazer dele o mais rico dos cavaquistas. É um objetivo ambicioso, bem sei. Mas se tomarmos isto como um desígnio nacional, iremos conseguir.
Publicado no Expresso Online
Cavaco diz que as reformas dele não chegarão para pagar despesas.
Palavras para quê? É um artista português. Pode-se bater mais fundo? Todos os dias se confirma que sim.
Adenda: para quem acredita ainda em fadas. As reformas de Cavaco totalizaram 10042 euros por mês em 2009. Portanto, mentiu descaradamente. Outra coisa extraordinária na declaração de Cavaco é ele ter sugerido que abdicou de forma benemérita do seu salário de presidente, sendo apenas um mísero reformado. A expressão popular adequa-se: parem de gozar com a cara das pessoas.
Juros das obrigações a dez anos continuam a bater recordes nos mercados secundários.
Actividade económica e consumo com queda recorde no mês do Natal.
Superintendentes da PSP em revolta.
O Economist avisa que a austeridade não é solução.
Um tipo que agora estuda em Paris também anunciou várias vezes "pontos de viragem" e o "fim da crise". Foi o que se viu. Pena é que o delírio desta gente vá ter como resultado a destruição do país. Mas enfim, vivemos no melhor dos mundos.
A constitucionalista e deputada independente pelo PS Isabel Moreira, os deputados do Bloco de Esquerda e pelo menos nove deputados do PS, a que se deverão juntar os deputados do PCP e do PEV, vão requerer a verificação sucessiva da constitucionalidade do Orçamento de Estado. A iniciativa conta com a oposição de Seguro. A alguma coisa o homem se há de opor, bolas!
Esta é uma excelente notícia, pela substância e pela forma.
Qualquer pessoa atenta não duvida que a Constituição da República está a ser violada quotidianamente e que o Orçamento também a desrespeita. Como o Tribunal Constitucional é também o órgão político, muito vulnerável ao ambiente que se vive no País, é provável que decida ignorar as suas funções. Não seria a primeira vez. Parece ter-se instalado um estado de emergência não declarado, em que a lei e o Estado de Direito foram suspensos.
Ainda assim, a iniciativa não é meramente simbólica. Ela obriga a um debate e devolve às instituições democráticas a sua função, em crise ou fora dela.
Por outro lado, o facto de uma parte do PS, o BE e o PCP se conseguirem juntar para qualquer coisa de útil dá algum sinal de esperança. Quer dizer que os partidos à esquerda do PS aceitam que o ataque sem precedentes ao Estado Social exige todas as convergências necessárias e que a construção de uma oposição democrática à ditadura da mais bárbara das austeridades os obriga a ultrapassar as muitas discordâncias que têm. E quer dizer que há, no PS, mesmo que poucos, quem não aceite a degradante submissão dos socialistas à agenda mais violenta que alguma vez a direita tentou impor ao País. Uma posição que contrasta com a "abstenção violenta" impõe ao PS e a vergonhasa rendição de João Proença.
Independentemente do resultado final desta iniciativa, é bom, pelo menos por uma vez, saber que está a acontecer alguma coisa à esquerda. Esperemos que sirva de lição para o que tem de ser feito na oposição. Todos são poucos para resistir a esta gente.
Actualização: ao contrário do que é dito, o PCP não se associou à inicativa. É pena. A notícia deixa de ser tão boa.
Publicado no Expresso Online
«Serviços de internamento cheios obrigam a pôr doentes nos corredores do Sta. Maria.
Uma fonte próxima da principal unidade do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN) disse mesmo ao PÚBLICO que “o Hospital de Santa Maria virou um autêntico hospital de campanha” nos serviços de internamento, “porque é o cenário que mais se assemelha à realidade vivida nestes serviços nos últimos tempos”
“Além dos 21 utentes que podem receber em camas no internamento, quase todos os serviços estavam com 10 utentes internados ao longo do corredor numa maca”
José Pinto da Costa apontou ainda a crise como outra razão para o excesso de afl uência ao hospital, que levou a que muitas pessoas deixassem de ter um seguro de saúde.»
De realçar o falhanço da estratégia do antigo gestor da Medis, Paulo Macedo, para convencer os utentes a recorrerem aos serviços de saúde privados, destruindo assim o SNS. Por causa da crise, e mesmo com um agravamento brutal das taxas cobradas pelos serviços de saúde públicos, não há dinheiro para CUF's ou Hospitais das Luzes. Só os ricos continuam a poder ter esse privilégio. Em tempos de acelerado empobrecimento, as desigualdades sociais crescem ainda mais no país mais desigual da UE.
Ao abandonar o navio Costa Concordia antes de pôr a salvo tripulação e passageiros, o comandante Francesco Schettino não se limitou a violar um código de honra sagrado nos mares. Entregou à sua sorte milhares de vidas. É por isso acusado de homicídio involuntário múltiplo. O que leva um adulto que tem à sua guarda milhares de homens, mulheres e crianças a fugir do navio e a esconder-se num rochedo? E garantir ao indignado responsável pela capitania de Livorno que regressaria ao barco sem no entanto o fazer?
Confesso que me fascinam as fraquezas do Homem. Só por isso me espanto com as suas grandezas. E entre todas as fraquezas, a que mais me perturba é a cobardia. O que leva um homem a ser um cobarde - até ao rastejante comportamento deste comandante - é fácil de imaginar: o medo. Esse bicho estranho que nos toma conta do corpo e da alma e desfaz num sopro todo um edifício ético que julgávamos sólido. Quem leia relatos das atrocidades cometidas contra civis em cenário de guerra percebe isso mesmo: acossado pelo medo, um homem moralmente são pode transformar-se na mais vil das criaturas.
Na verdade, a pergunta é a oposta: de que é feita a nossa coragem? O que nos leva a arriscar a nossa vida (ou até a aceitar a morte certa) pela vida, a liberdade ou a dignidade de outros? Ou apenas por valores que julgamos transcenderem a nossa própria sobrevivência? Pode ser, claro está, a inconsciência, o fanatismo ou até o pouco apego à nossa própria vida. Mas, na maioria das vezes, será a vergonha. E a vergonha é um importantíssimo regulador moral. A insuportável vergonha de sermos vistos como este comandante é agora visto por todo o mundo. Vergonha de como a comunidade nos vê, aqueles de quem gostamos nos veem, nós próprios nos vemos. Vergonha da nossa memória, mesmo depois de mortos, viver para sempre na lama. É por isso que temo seres pouco sociais. Daqueles que dizem não se interessar (e que realmente não se interessam) pela opinião que os outros fazem de si. É por isso que temo os irremediavelmente solitários. É por isso que temo os que se têm em tão baixa estima que nada de heróico esperam de si próprios. É por isso que me assusta o individualismo e o pragmatismo extremo que levam alguém a querer viver sem propósito, um dia de cada vez.
Regressando ao Costa Concordia, que também eu abandonei neste texto. Tenho, perante o comandante Schettino, sentimentos contraditórios. Os mesmos que tenho perante a cobardia. Talvez por ser o defeito que mais me repugna num ser humano. Aquele que mais gosto de imaginar longe dos meus atos passados e futuros. E, ao mesmo tempo, um dos mais compreensíveis. Quando o medo vence a vergonha, olho para o cobarde com nojo e compaixão: nojo pela sua cobardia, compaixão pela solidão que carregará na única vida que terá. E até depois dela. Haverá quem, depois de um ato hediondo, não a sinta? Claro. Assim se comportam os sociopatas, diagnosticados ou não. Mas pelo que sabemos do comportamento do homem que se escondeu, acocorado, num rochedo, não parece ser o caso. Schettino já sentia vergonha. Mas, na hora da verdade, o medo foi mais forte. Carregará para sempre o insuportável peso da solidão. Que nunca a vida me ponha de tal forma à prova. Porque poderia descobrir, enojado comigo próprio, que não sou quem julgo ser.
Publicado no Expresso Online
Esta quarta-feira, às 18h30, na Almedina do Saldanha (Lisboa), apresentarei o livro "Desigualdades em Portugal", coordenado por Renato Miguel do Carmo.
"Isto dá que pensar! Eu deixei a política ativa há cerca de 8 anos. Porque será que se continua a achar que, estando fora da política ativa, estou na política. Deve haver um fenómeno qualquer, que eu desconheço e não compreendo, para se continuar a laborar neste erro. Mas enfim...como dizia uma pessoa minha amiga, ser mulher em Portugal ainda é difícil...!" Foi isto que Celeste Cardona escreveu no seu facebook, a propósito das críticas à sua nomeação para a EDP, talvez irritada com o incómodo do senhor que lhe fez companhia, Eduardo Catroga.
Numa entrevista ao "Expresso", Eduardo Catroga foi claro: "Eu nem sou do PSD". Voltou a insistir, numa entrevista à RTP, que era "independente".
Lê-se, numa notícia do Expresso online, que o nome de Maria Celeste Cardona aparece como vogal da Comissão Política Nacional do CDS na página oficial do partido. Das três uma: ou há duas marias celestes cardonas no CDS, ou a girl honorária do partido considera que ser eleita para uma comissão política não é estar na política ativa ou está a mentir. Deixemos de lado a vitimização que só pode dar a volta ao estômago a qualquer verdadeira feminista.
Recordava-se, numa notícia do "Público" recente, que, para comemorar mais um aniversário do PSD, o então líder do partido, Marques Mendes, tinha anunciado a adesão de 33 vários novos e notáveis militantes. Entre eles, Eduardo Catroga. Das três uma: ou o anúncio foi falso e Marques Mendes filiou Catroga à revelia, ou Catroga abandonou, entretanto, o partido, ou está a mentir.
O problema mais grave já nem é a mentira. O mais grave nem chega a ser o insulto aos partidos de que fazem parte e perante os quais, na hora de receber o prémio, demonstram tão grande ingratidão. O mais grave é esta gente achar que a promiscuidade entre empresas privadas e os partidos políticos se resume à existência de um cartão partidário. E que ela se resolve com a sua entrada na clandestinidade. Ou seja, que a indignação perante as suas nomeações resulta de um ódio geral aos partidos políticos e não lhes diz diretamente respeito.
Que fique claro: sou militante de um partido. Levo isso a sério e a ideia de alguma vez o negar parece-me tão absurda, desonesta e sintomática da pouca seriedade com que certas pessoas se envolvem na vida partidária, que tudo isto é incompreensível para a minha cultura política. Sendo militante de um partido, mesmo que sem qualquer responsabilidade de direção (de topo ou intermédia), nunca me passaria pela cabeça dizer que estou fora da vida política ativa. Ainda mais se fosse membro de uma comissão política.
Mas o problema é outro: a rede de influências e o tráfico de lugares (seja no Estado, seja nas empresas privadas) não se resume à existência de um cartão partidário. A razão porque as pessoas continuam a achar que Celeste Cardona está na política não tem nada a ver com a sua atividade partidária. Uma pessoa envolver-se na vida da sua comunidade, através da militância num partido, só pode merecer respeito. É porque Celeste Cardona está ligada ao pior da política: aquela que dá aos que nela se envolvem uma carreira que o seu currículo não justifica.
O problema não é Eduardo Catroga ter o cartão do PSD. É ter, em nome do PSD, negociado com a troika o memorando que assinámos e ter eito o programa eleitoral do partido (as duas coisas comprometem-no muito mais com o PSD do que o simples pagamento de quotas), onde constava a privatização da parte do Estado da EDP e, no fim, lucrar pessoalmente com isso.
O problema, caros Eduardo e Celeste, não é serem ou não militantes ou dirigentes de partidos políticos. É darem tão pouco à política que nem a vossa militância levam a sério. E, no entanto, não se esquecerem de cobrar à política o sucesso das vossas carreiras.
Publicado no Expresso Online
Mário Crespo, uma das vergonhas do jornalismo (?) nacional, é demolido pelo sindicalista Arménio Carlos. Ou como a inteligência e, sobretudo, a razão derrotam por KO a untuosidade bolorenta destas criaturas que apenas existem para servir quem está no poder.
Adenda: o primeiro vídeo publicado não era o correcto. Agora sim, o debate entre o "jornalista" e o sindicalista.
7 dias. 56 horas. De trabalho escravo por ano. Mais a possibilidade do empregador escolher quando são as férias do empregado. E uma maior flexibilização dos despedimentos, permitindo na prática que o patrão possa despedir quando muito bem entender. Foi isso que o Governo ofereceu aos patrões, com a conivência activa da UGT. O desplante do Álvaro, deslumbrado por ter ido além da troika, significa na prática um retrocesso de algumas décadas no que diz respeito a direitos dos trabalhadores. O sorriso do empreendedor do pastel de nata é cínico e revoltante. Quem esteve bem foi Costança Cunha e Sá: a CGTP teve razão ao abandonar as negociações com o Governo. Antes isso do que fazer como João Proença, que, apesar de ser contra todas as medidas acordadas - deve ser isto, a tal "abstenção violenta" de que falava Seguro -, emergiu como parceiro deste ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores.
À margem: mais um senador do regime a pedir trabalho como na China. Daniel Bessa, antigo ministro de Guterres, "admira a persistência" do Álvaro e a "coragem da UGT". Mas de que buraco sai esta gente? Mais importante, não se poderá exportá-los para uma qualquer instituição parceira em Angola?
Os jornais dão conta de mais uma proposta do governo: os desempregados que aceitem um emprego com um salário inferior ao seu subsídio poderão manter até 50% desta prestação social nos primeiros seis meses de trabalho e até 25% durante os seis meses seguintes. À primeira vista a proposta parece boa. O desempregado regressa ao mercado de trabalho sem reduzir os seus rendimentos, o desemprego reduz-se e, no fim, o Estado até é capaz de poupar. Mas não é.
O subsídio de desemprego, que pertence por direito ao trabalhador, já que para o receber descontou enquanto trabalhava, tem duas funções. A primeira é óbvia: socorrer o desempregado num momento de aflição. Deste ponto de vista, sendo a aceitação desta proposta voluntária (isso ainda não é claro nas notícias), estamos perante uma solução aceitável. Mas o subsídio de desemprego tem outro objetivo: impedir que o aumento do desemprego resulte numa redução geral de salários. O Estado, através dos descontos para a segurança social, garante que o trabalhador desempregado não é obrigado a aceitar salários cada vez mais baixos. O trabalhador desconta para, se perde o emprego, não se transformar numa insuportável e imediata pressão para a redução do salário dos que trabalham e dele próprio, no futuro.
Ou seja, impede que o desemprego sirva para uma redistribuição dos rendimentos ainda mais injusta entre o trabalho e o capital. Vai contra a mera lógica do mercado? Claro que vai. Mas é essa é uma das funções das leis laborais ou do Estado Social: contrariar a dinâmica intrinsecamente injusta das regras do mercado para a parte mais fraca.
O que faz esta proposta? Usa o dinheiro da segurança social para financiar a redução dos salários. Não sendo, a curto prazo e para cada um dos desempregados, negativa, ela é péssima para o conjunto dos trabalhadores. Retira ao subsídio de desemprego a sua função reguladora do mercado. Ajuda a uma pressão geral para a redução salarial. E fá-lo usando os descontos dos próprios trabalhadores. Ou seja, põe os trabalhadores a subsidiar a sua própria desgraça. Faz mais do que isso: convida, através deste subsídio à redução do salário, o empregador a baixar a média salarial que pratica.
Quem olhe para o Estado Social como um mero instrumento de caridade e quem acredite que o mercado garante um equilíbrio virtuoso, dificilmente entende este ponto de vista. Quem, pelo contrário, defenda que o Estado Social deve ser um regulador do mercado não pode aceitar esta proposta. É que ela será paga com um empobrecimento geral dos trabalhadores e um aumento da desigualdade na distribuição de rendimentos. Que é, devo recordar, a principal doença deste país.
Publicado no Expresso Online
Hoje, às 21h00, numa RTP1 perto de si.
Juro que quando vi o post do Gabriel Silva pensei que fosse uma piada. Mas não, é verdade. Miguel Relvas e o seu séquito de invertebrados irão estar em directo no principal canal público, lambendo cus a empresários amigos do ditador de Luanda, patrocinados pela inenarrável Fátima Campos Ferreira. Está bonito, isto.
15 de Fevereiro de 2011: "Ministério do Trabalho nomeou 41 'boys' do PS para cargos de chefia, acusa o CDS."
16 de Janeiro de 2012: "Saem boys do PS, entram os de Direita."
A Cinderela da Vespa que se transformou em Audi A7 no seu melhor.
O canal Discovery pediu ao cineasta Werner Herzog um documentário sobre a Antártida. Espantado, este aceitou mas avisou: "não vou fazer um documentário sobre pinguins". O aviso fazia sentido. Depois do sucesso de "A Marcha dos Pinguins" e do "Happy Feet", não queria participar na corrida para o filão de mais um documentário delico-doce. Mas, apesar de "Encounters at the End os The World" se concentrar nas estranhas personagens humanas que ali trabalham, Herzog dedica alguns minutos aos pinguins. Entrevista o cientista marinho David Ainley. Ele conta que alguns pinguins, desorientados mas não enlouquecidos, fazem caminhadas intermináveis para o interior do vasto continente. Aí encontrarão morte certa. Mas a perturbação é persistente. Mesmo que um cientista pegue no animal e o devolva à sua colónia, para que ele sobreviva, ele de novo se dirige para as montanhas. As vezes que for necessário. Até encontrar o suicídio mais do que certo. Herzog pergunta: "Mas porquê?" Não há resposta.
Esta é a melhor imagem que me vem à cabeça para descrever o comportamento do nosso País e da Europaperante a crise que enfrentamos. Já não há, neste momento, ninguém que, no seu perfeito juízo, não perceba que a austeridade é um erro. E, no entanto, por mais que se insista em contrariar esta "caminhada suicida", nenhuma evidência a trava.
O Banco de Portugal apresentou as previsões para o próximo ano. Elas são esclarecedoras sobre os efeitos económicos e financeiros desta opção. Mas nem precisávamos de tanto. A mesma receita, na Grécia, destruiu qualquer otimismo que pudesse existir sobre os efeitos da "ajuda" que lhe foi dada. Agora, a Sandard & Poor's estima que a probabilidade de recessão na zona euro é de 40% e prevê uma contração da economia em 1,5%. Quanto a Portugal, a sua dívida é "lixo" (já me perdi, de tantas vezes que esta novidade nos foi dada). Os que antes viam as agências de rating como meros "mensageiros" tratam-nas agora como opositores políticos da Europa. E concluem:Portugal tem continuar o caminho que foi definido. Como os pinguins de Herzog.
Ao contrário dos senhores que agora nos governam, não mudei de opinião sobre estas agências. Não são analistas, são atores de um processo especulativo e de um ataque ao euro e às dívidas soberanas. Já o eram antes e continuam a sê-lo agora. Mas é a Europa, e não S&P, que define as regras do euro e o deixa vulnerável aos especuladores e às agências que os servem. Mas é Portugal, e não a S&P, que teima num caminho sem futuro.
O discurso da inevitabilidade é o discurso da irracionalidade política. O poder destas agências, a fragilidade do euro e a opção pela austeridade e emagrecimento do Estado em plena crise não resultam de qualquer cataclismo natural. São as escolhas de políticos - e daqueles que os elegem - que poderiam, se assim o quisessem, inverter a situação.Não sei se enlouquecemos ou estamos desorientados. Sei que a nada nos parece desviar desta caminhada para a morte. Mas porquê? Não tenho uma resposta evidente. Talvez as vésperas da segunda guerra e talvez ali esteja a resposta. Nunca devemos desprezar a irracionalidade humana e a sua extraordinária capacidade autodestrutiva.
Publicado no Expresso Online
A Maria João Pires aplicou a expressão certa: "publicidade miserável". Depois do jornal i ter feito aquela capa em que nos convidava a ir trabalhar no dia da greve geral, temos agora o Expresso na mesma linha do "desempoeire-se, faça-se à vida e deixe lá essa coisa da política e dos sindicatos". No meio disto tudo - e talvez porque se trata de oferecer umas Vespas - lembrei-me de uma conhecida gradação do Nanni Moretti, que tomei a liberdade de reformular: até ontem achava que nos fazia falta um jornal de esquerda; hoje já me contentava com um jornal minimamente decente. Ainda para mais sabendo que a grande maioria dos jornalistas é bem melhor do que as chefias que têm de aturar.

O Giamatti de Sideways (2004) seria insuperável não fosse o caso de termos que considerar o Giamatti de Barney's Version (A Minha Versão do Amor). Poucas vezes a graça imerecida terá sido tão bem retratada como no abismo que entrevemos entre o terno 'accent' de Miriam (Rosamund Pike) e a sinceridade auto-destrutiva de Barney.
Publicado em Avatares de um Desejo
Estranhamente, as medidas de austeridade do Governo PSD/CDS não estão a merecer a confiança dos "mercados". Terão estes tido conhecimento da venda da EDP e do pacote de boys que ela implicou?
Curioso é também ver que a vitória da direita teve como consequência a descida de dois níveis em Espanha. E o Governo de salvação nacional de Itália também levou o mesmo tratamento. Bem, querem lá ver que a crise é mesmo sistémica e a solução não passa pelo diktat de Merkel e Sarkozy (by the way, adieu, rating AAA)?
Sabemos que Braga de Macedo foi ministro das Finanças de Cavaco Silva e que é militante do PSD, pelo qual foi deputado. Sabemos que foi nomeado por Passos Coelho para definir a política externa económica deste governo, à qual Paulo Portas não ligou pevide. Sabemos que depois disso foi escolhido, com Eduardo Catroga, Celeste Cardona e Paulo Teixeira Pinto, todos do PSD e do CDS, para o Conselho de Supervisão da EDP. Sabemos que é Presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT). Não sabemos, nem em princípio teríamos nada que saber, que tem uma filha, Ana Macedo, que é artista plástica.
Ana Macedo fez, em Julho do ano passado (só agora tive acesso a essa informação) uma exposição em Maputo. "Caras e Citações: uma interpretação estética sobre Universidade, Cultura e Desenvolvimento". A exposição teve o apoio do Instituto Camões. E, coisa rara, não foi no seu centro cultural, mas na bonita estação de caminhos-de-ferro (que tive oportunidade de conhecer) . Teve o apoio do Instituto Camões. Continuo a não ter nada para dizer. É excelente que o Instituto Camões apoie e divulgue os artistas plásticos portugueses (deixo de fora deste texto qualquer consideração sobre a qualidade da exposição, que aqui não vem ao caso, até porque só vi as fotos da dita). E o facto da artista ser filha de quem é não a deve prejudicar. Portugal é pequeno e a probabilidade de alguém ser filho de alguém com responsabilidades em alguma área não é pequena.
O problema vem depois. Além do Instituto Camões, outra instituição do Estado apoiou o acontecimento. Sim, já adivinharam: o Instituto de Investigação Científica Tropical. O mesmíssimo que o pai da artista plástica dirige. Garante um português que vive em Maputo há quinze anos e que conhece bem a vida cultural da cidade que nunca o IICT patrocinou algum acontecimento cultural em Maputo.
Alertado por este post, fui investigar a coisa. Bataram uns telelefonemas e umas buscas na Net. Tudo é feito às claras, como se se tratasse da coisa mais natural do mundo. O apoio do IICT a esta exposição e a esta artista já vem de Lisboa, com uma parceria entre a Faculdade de Letras (no âmbito do seu centenário) e este laboratório do Estado, através do seu projeto "Saber Continuar". Na altura, a artista agradeceu "por esta oportunidade de criar um projeto que se tem revelado propício à partilha de metas comuns de desenvolvimento cultural". Mas mais ainda: outra exposição Ana Macedo, em Março de 2010, agora sobre Jorge Borges de Macedo (pai do presidente e avô da artista - fica tudo em família), contou com o apoio desta instituição pública, mais uma vez no âmbito do tal projeto "Saber Continuar". E parei aqui a investigação, com a certeza que iria encontrar muito mais nesta frutuosa relação familiar com dinheiros públicos.
É natural que Braga de Macedo goste da sua filha e a tente ajudar na sua carreira. Assim fazem todos os pais. Não é natural que use os nossos recursos para o fazer. O IICT não lhe pertence nem é uma fundação ou empresa privada.É-me desconfortável falar da vida familiar de qualquer pessoa. Até porque odeio que falem da minha. Mas é quem usa o que é de todos para ajudar os seus que expõe a sua família ao escrutínio público. Faz mal duas vezes: a nós e a quem quer ajudar.
Caberá a Braga de Macedo explicar este comportamento eticamente inaceitável. Com que critérios usou dinheiros do Estado (pouco ou quase nada, tanto faz) para apoiar a carreira da sua própria filha? Como explica o mais despudorado dos nepotismo na gestão da coisa pública? E mais não digo, que começo a ficar cansado de tanto desplante.
Publicado no Expresso Online
Foto roubada ao bolgue ma-schamba
Portanto, Passos Coelho afirmar de forma compugida que não houve interferência nas nomeações da EDP e que as das Águas de Portugal tiveram em conta exclusivamento o mérito profissional de Manuel Frexes e Álvaro Castelo Branco vale o que vale: menos que zero. Mas o que chega a ser verdadeiramente estarrecedor é a lata que esta gente tem, fingindo-se ofendida com as acusações de partidarismo. Mentir, tudo bem, que até é de político. Mas depois ainda vir mostrar indignação pela exposição da mentira, é preciso pintar a cara muitas vezes. E, mesmo assim, não chega. Estamos por tudo, deixou de haver limites para a indecência.
(Imagem daqui.)
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