16 de Maio: Estende-se o movimento grevista a mais de 50 empresas: entre elas, a Renault de Flins e a Renault-Billancourt, a principal instalação fabril do país. A Academia Francesa é ocupada.
Fonte

Os comunistas franceses e o Maio de 68: um artigo interessante do Nouvel Observateur.

1981 - Play Back - Carlos Paião

Bonito, bonito seria Edwards para vice

Afinal sobrevivem ainda uns restos da memória comunista em Vital Moreira. Infelizmente não é a defesa da segurança social ou dos direitos dos trabalhadores. Nestas matérias, Vital Moreira rendeu-se aos encantos do “realismo” socrático. É a simpatia pelo MPLA, a caracterização idílica que faz de uma “democracia ” sem presidente eleito e à espera de eleições legislativas há 17 anos (se quer comparar com outros países africanos pode começar pelos restantes PALOP) e a repetição da velha fórmula simplista para caracterizar quem diz o óbvio sobre a situação em Angola. Vital Moreira está enganado e sabe-o. Não são apenas os velhos amigos da UNITA ou os saudosistas do colonialismo (pela minha parte, não me incluo seguramente em nenhum dos grupos) que sentem repulsa por o que se passa em Angola. Na verdade, qualquer pessoa com alguns valores de esquerda (ou apenas algum sentido da decência) sabe o que vê quando vê José Eduardo dos Santos e a sua trupe.

Câmara de Lisboa suspendeu montagem da Feira do Livro e pondera cancelamento do subsídio. Por causa da novela entre editoras Lisboa arrisca-se a perder a Feira do Livro. Numa cidade que perdeu quase tudo, é só mesmo o que falta. Um disparate sem nome e, a confirmar-se, um erro grave da Câmara Municipal.

Parece que entretanto se caminha para uma solução. É-me indiferente qual, desde que a Feira se realize.

Fez ontem 50 anos o general Humberto Delgado foi recebido por uma multidão no Porto. Faz amanhã 50 anos que chegou a Lisboa e o povo da cidade foi brutalmente reprimido. O General Sem Medo foi eleito presidente pelos portugueses. A fraude roubou-lhe a vitória. A ditadura acabou por o assassinar. Segundo uma nova biografia, foi morto por espancamento. Tivesse sido diferente e teríamos ganho muitos anos. Pagamos ainda hoje o atraso.

15 de Maio: Estudantes ocupam o teatro Odéon. Os operários das fábricas Renault, em Cléon, decretam a greve e ocupação ilimitada, hasteando bandeiras vermelhas. O movimento estende-se a numerosas fábricas da região.
Fonte

Flausino Torres, pai do arqueólogo Cláudio Torres e militante comunista, assistiu à chegada dos tanques soviéticos esmagando a Primavera de Praga. Aqui fica, recuperado do esquerda.net, um extracto do que escreveu na altura.

LER NO LINK EM BAIXO

Continue a ler ‘Sous les pavés, la plage [15]‘

1980 - Um Grande, Grande Amor - José Cid

Via Zero de Conduta

O primeiro-ministro José Sócrates pediu hoje desculpa por ter fumado no voo que transportou a comitiva governamental para a Venezuela. Em declarações aos jornalistas, na Venezuela, o primeiro-ministro diz que desconhecia que estava a violar a lei. José Sócrates adiantou ainda que decidiu deixar de fumar em definitivo, na sequência da polémica.

Vai deixar de fumar e anuncia? Mas o que raio temos nós a ver com o facto de Sócrates fumar? Fumar é legal e é lá com ele. Quanto ao resto, o importante é saber se Sócrates pagará a coima respectiva, como qualquer cidadão. E que fume o que quiser nos lugares onde o pode fazer.

Aqui está o Eixo do Mal que provocou esta reacção do jornal do governo angolano.

Via PF TV

Hugo Chavez tem como referências fundamentais na sua vida Deus, Nossa Senhora de Fátima - que parece que impediu o golpe de Estado contra ele - e José Saramago.

Texto de Mario Vargas Llosa publicado no El Pais, em 2005, via 5 Dias

“Si el conflicto palestino israelí no existiera, o hubiera sido ya resuelto de manera definitiva, el mundo entero vería en Israel uno de los éxitos más notables de la historia contemporánea: un país que en poco más de medio siglo -nació como Estado en 1948- consigue pasar del tercer al primer mundo, se convierte en una nación próspera y moderna, integra en su seno a inmigrantes procedentes de todas las razas y culturas -aunque, por lo menos en apariencia, de una misma religión-, resucita como idioma nacional una lengua muerta, el hebreo, y la vivifica y moderniza, alcanza altísimos niveles de desarrollo tecnológico y científico, y se dota de armas atómicas y de un ejército equipado con la infraestructura más avanzada en materia bélica y capaz de poner en pie de guerra en brevísimo plazo a un millón de combatientes (la quinta parte de su población).

CONTINUA NO LINK EM BAIXO

Continue a ler ‘Luces y sombras de Israel’

Texto publicado há dois dias transportado para aqui no dia em que Israel faz 60 anos.

Israel nasceu há 60 anos. Devia ser um momento de festa. O povo judeu, perseguido durante séculos em quase todos os pontos do planeta, encontrou um espaço para se sentir seguro e aí defender a sua própria identidade. Ao contrário de muita esquerda e de muita direita, defendo a existência de um Estado de Israel e sei que nenhuma Nação nasceu com facilidade ou sem erros. E mesmo se esta não fosse a minha posição de sempre, o Estado de Israel existe e esse é um facto irreversível.

Recuso-me a discutir o direito de um povo a viver num lugar centrando o debate em argumentos de legimitidade histórica. Isso só me poderia levar a ter uma posição diferente daquela que tenho em relação à imigração, por exemplo. Esse é um debate que não me interessa.

Mais: muitos dos que criticam o Estado de Israel não o fazem por causa do comportamento dos seus governos em relação aos palestinianos mas por um ancestral racismo anti-judeu. Desses, quero distância. Não há racismos toleráveis e o racismo contra os judeus tem uma longa e monstruosa história. Do lado oposto (na realidade o lado é o mesmo), não tem faltado quem use a história do sofrimento do povo judeu para dar largas ao seu próprio racismo, desta vez contra os muçulmanos, como se o racismo fosse mais aceitável por procurar a sua legitimidade no sofrimento passado de outros. Desses, quero distância. Não há racismos toleráveis e o racismo contra os muçulmanos é o anti-semitismo do século XXI. Só nos poderá levar à mesma tragédia.

Infelizmente, o Estado de Israel e o sionismo (que teve originalmente correntes generosas, igualitárias e até de cariz socializante) foi tomado por um nacionalismo xenófobo e militarizado. O desrespeito pelo povo palestiniano, pelos seus direitos e pela sua liberdade, os crimes continuados e até a repetição de algumas formas de acção contra os palestinianos (criação de guetos, punições colectivas, roubo de propriedades, bestialização do outro) que no passado foram usadas contra os judeus, mancha de forma insuportável a história de Israel.

60 anos depois, é contraditório o balanço. O povo judeu deixou de ser a vítima e não aceitou mais a perseguição. Conquistou a sua dignidade e a sua liberdade. E isso, para gente decente, só pode ser motivo de alegria. Mas o Estado de Israel, ao transformar-se em carrasco, ao ceder ao anti-semitismo (desta vez contra os outros semitas), desrespeitou a memória do seu povo.

Felizmente, entre judeus e israelitas, há gente que não esquece de onde vem e bate-se por outra narrativa. Conheci vários em Israel. Gente generosa e com raízes fortes na sua própria história de sofrimento. Felizmente, entre palestinianos, há quem não ceda à violência e saiba que a resistência pacifica é o único caminho que pode levar a algum lado. Conheci vários na Palestina.

A uns e outros raramente o Mundo dá ouvidos. Mas é por causa deles que me resta esperança. Esperança de que mais cedo do que tarde os palestinianos celebrem alguns anos da fundação do seu próprio Estado e da sua dignidade, em paz com o seu vizinho e com condições de decência mínima. E que judeus e muçulmanos descubram que as dificuldades das suas histórias são o que os une. Porque são muito mais próximos do que os racistas contra uns e contra outros julgam. Talvez um dia se possa finalmente festejar sem esquecer nenhuma vítima e sem premiar nenhum carrasco.

14 de Maio: Iniciam-se greves espontâneas: na Lorena (fábricas Claas), em Nantes (Sud-Aviation, com ocupação e sequestro do director), etc. O Presidente da República, general De Gaulle, parte em visita oficial à Roménia. O PCF e a FGDS apresentam na Assembleia Nacional uma moção de censura ao governo.
Fonte

Sauvageot apresenta as reivindicações dos estudantes e o apoio de Jean-Paul Sartre.

1979 - Sobe, Sobe, Balão Sobe - Manuela Bravo

Para acompanhar o que se vai escrevendo sobre os candidatos à liderança do PSD vale pena ir visitando este agregador de textos publicados na blogosfera e noutros sites de referência da Web. Organizado por Hugo Neves da Silva.

Os meus dois artigos do “Expresso” já estão na página respectiva. Com uma nova actualidade, aqui fica o artigo sobre Angola, semelhante a parte do que disse no “Eixo do Mal”:

«A relação do governo português e das empresas nacionais com o regime angolano é mais do que diplomática. É de cumplicidade permanente e consciente. Os tentáculos da família de Eduardo dos Santos já chegaram a Portugal, com os seus negócios e o seu dinheiro, fruto de um roubo pornográfico ao Estado de Angola e ao povo angolano. Por cá, o silêncio. Um receptor agradece e não faz perguntas. Em Angola, as empresas portuguesas servem-se da quadrilha que governa o país para aproveitar as oportunidades de negócio. Estão lá todos: BPI, BCP, CGD, Soares da Costa, Mota-Engil, Teixeira Duarte. E o governo português trata de zelar pelos interesses nacionais, mesmo que para isso tenha de fechar os olhos ao crime e à rapina.

O mundo é assim, diz-se. Quem se mete em negócios não escolhe os regimes e tem de apertar a mão a quem a tem manchada de sangue. Negócios são negócios, mesmo quando causam sofrimento a um povo. Tretas. Os angolanos mais miseráveis não podem escolher. Mas quem tem poder e dinheiro tem sempre opção. E se decide sacar o seu quinhão às custas de um regime criminoso é uma escolha que faz.

O Grupo Espírito Santo, que através da Escom tem livre trânsito nos corredores do poder político e económico angolano (que são o mesmo), quer estar de bem com Deus e com o Diabo. Faz negócios com criminosos e associa-se ao convite feito a Bob Geldof para este perorar sobre África e direitos humanos. O mais revoltante não é a amoralidade. O que mais indigna é este charme humanitário. É serem sonsos. Esteve bem Geldof: estragou a festa. O jornal do regime angolano disse que Geldof foi ‘malcriado’. O Banco Espírito Santo demarcou-se da inconveniência. Uma coisa é falar de direitos humanos, outra é falar de humanos concretos, países concretos, casos concretos, negócios concretos. Inconveniente, o senhor. Malcriado, pois claro. Geldof não se sabe comportar num salão. Ainda bem.»

13 de Maio: O tribunal da Relação coloca em liberdade provisória os condenados do dia 5 de Maio. A Sorbonne é aberta e, de imediato, ocupada pelos estudantes. A greve geral é um facto em todo o país. No Festival de Cannes, todas as projecções de filmes são suspensas. Há manifestações em toda a França. Em Paris, desfilam mais de 800.000 pessoas entre a gare de l’Est e Denfert-Rochereau e, no final, os estudantes não aceitam a decisão de dispersar tomada pelos dirigentes sindicais e continuam até ao Champ de Mars.
Fonte

Montagem de extractos do documentário do Instituto Nacional Audiovisual Francês

1978 - Dai Li Dou - Gemini

Segundo o Sol, por terem sido marcadas audiências no tribunal para depois da data limite para a prisão preventiva de Mário Machado, este saiu hoje da prisão. A libertação acontece assim antes do prazo limite. Mário Machado fica proibido de se ausentar da freguesia da residência. Se é a lei que se está a cumprir, que se cumpra. Nenhum comentário a fazer.

O “Diário Económico” usou uma fonte anónima da PT para dar conta das críticas à CMVM. Escreveu: «Fonte da PT disse ao Diário Económico que “a CMVM está a tratar de forma desigual a PT nesta temática de fundo”». A CMVM pôs um processo à PT por “ofensa a organismo que exerce autoridade pública”. O jornal não divulgou a sua fonte, apesar de uma jornalista (não a mesma que assinara o trabalho) do DE ter dito ao Rádio Clube Português, sobre a OPA, que “para já, ficamos com estas acusações de Henrique Granadeiro, presidente da PT”, dando a entender que era ele a fonte, o que foi negado pelo próprio. O DE recusa-se a dizer quem é a fonte e a CMVM quer que seja levantado o sigilo profissional, coisa que a nova lei, aprovada pelo PS num conjunto de mudanças legislativas atentatórias da liberdade de imprensa, permite.

Três coisas sobre este assunto:
1 - O DE usou de forma pouco deontológica a figura da fonte anónima. As fontes anónimas servem para dar informações impossíveis de obter por outra forma. Não servem para dar opiniões. Uma opinião sem assinatura não tem qualquer valor jornalístico. Uma fonte da PT que critica a CMVM não vale nada. Quem acha? O Presidente do Conselho de Administração? Um quadro da empresa? O porteiro?
2 - Depois disto, o DE foi pouco profissional, revelando ele próprio (ou dando a ideia de que o estava a fazer) a sua fonte.
3 - O sigilo profissional dos jornalistas é um elemento fundamental para a garantia de um valor central na democracia: a liberdade de imprensa. Para a defesa desse valor os jornalistas não devem temer a lei e devem defender, até às últimas consequências, esse valor que é superior a qualquer alteração legislativa. A regra imposta pelo PS é anti-democrática e atentatória de um valor constitucional.

Há quatro profissões que estão defendidas pelo sigilo profissional: médicos, advogados, sacerdotes e jornalistas. Apesar da mesma garantia estes quatro sigilos profissionais pretendem defender valores diferentes.

O dos médicos e advogados pretende defender a relação de confiança entre a pessoa que presta um serviço e o seu cliente/paciente. Trata-se de um valor fundamental mas conseguimos recordar-nos de vários que lhe são claramente superiores. A lei define por isso vários casos em que esse sigilo pode ser levantado.

No caso dos padres, está em causa um valor mais importante do ponto de vista constitucional: a liberdade religiosa. A lei não define qualquer excepção para a defesa do segredo do que é dito em confissão e deixa ao sacerdote a decisão de o revelar ou não.

Pois quanto ao jornalista o valor é também de primeira importância. A defesa do sigilo profissional dos jornalistas não tem como objectivo defender a fonte. Não tem como objectivo defender o jornalista. Nem sequer tem como objectivo defender a relação entre jornalistas e os seus leitores, que são os seus “clientes”. Sem sigilo profissional o trabalho dos jornalistas é impossível e fica posta em causa a própria liberdade de imprensa e com ela a democracia.

Ao contrário dos médicos e advogados, os jornalistas não têm, nem devem, na minha opinião, ter (mas isso é outro debate), uma ordem profissional. Ou seja, não pode ser entregue a uma Ordem a decisão de permitir ao jornalista levantar ou não o sigilo, o que o deixa entregue a si próprio e à sua consciência. O poder político aproveitou esta fragilidade e abriu a porta à vontade quase aleatória dos juízes que, como se sabe, dão, em Portugal, pouco valor à liberdade de imprensa. Na realidade, temos no nosso país vários exemplos de sentenças que mais não fazem do que usar o jornalista e as suas fontes como elemento de investigação policial, tentando através das suas fontes chegar ao que não se conseguiu em investigação criminal. Foi o caso de Manso Preto, que acabou bem.

Assim, defendo que o jornalista só deve ser obrigado a levantar o sigilo profissional (pode sempre faze-lo voluntariamente quando ache que esse é o comportamento acertado) quando essa seja a única e última forma de prevenir um crime muito grave iminente (que envolva a integridade física ou vida de alguém).

O sigilo profissional dos jornalistas não é um problema dos jornalistas. É o problema de toda a sociedade. Muitos casos de corrupção, abuso de poder ou mesmo crimes só chegam ao conhecimento de todos porque existe sigilo profissional. Sem ele estamos mais vulneráveis aos abusos de poder e a nossa democracia ficará mais pobre. No caso exposto, o jornal procedeu duas vezes mal. Quando usou indevidamente fontes anónimas, fragilizou, ele próprio, a defesa do sigilo profissional. Quando quase a revelou mostrou não ser digno deste instrumento. Mas, mesmo neste caso, a defesa deste valor tem a força da defesa da liberdade de imprensa, que não pode ser deixada ao sabor dos humores de juízes. Se não é assim com os padres, porque há de ser a dos jornalistas?

Já ficou lá para baixo, mas vale a pena ler o texto que José Manuel Pureza escreveu para o Arrastão sobre a crise alimentar.

12 de Maio: Pompidou promete a libertação de todos os detidos durante as manifestações. Entretanto, grupos de jovens operários juntam-se às manifestações estudantis.
Fonte

A ocupação das fábricas