A visão do emigrante português:
"No caminho de 50 minutos até Portomar, para mais uma cantata dou boleia a 4 senhoras da Igreja da Cova. No banco de trás discute-se política americana e já todas decidiram que irão à Embaixada votar no Obama para presidente.
Comunidade fustigada pela fome nos anos 60/70, da Cova Gala emigraram para a pesca nos Estados Unidos muitas famílias. Agora muitos anos depois na Cova Gala muitas pessoas têm dupla nacionalidade e fidelidade. A América é a terra de todas as possibilidades. «Antes o mal da América do que o bem de Portugal», comenta-se. Na America ganharam os dólares, criaram-se os filhos, tem-se subsídios, assistência médica, muda-se de emprego quando se pode ganhar mais, conseguiram orientar a vida. «Aqui a fominha era muita, pastora! Não se conseguia criar os filhos! Mas lá na América, lá é um país de Deus.» Sofreram muito ao princípio, saíram daqui com carta de chamada, mas sem saber dizer uma palavra em inglês - na verdade alguns nem sabiam ler ou escrever. Muitos dos portugueses que lá viviam tinham vergonha de o ser e fingiam que não falavam português, então era difícil fazerem-se compreender. «Agora já há tudo em português: há supermercados, restaurantes, hoje nem é precisos falar inglês para viver na América! Ahahahah - dizem divertidas - Os portugueses agora, já não têm vergonha de falar português.» Na América sentiram pela primeira vez que trabalhar não era vergonha, e que embora fizessem os últimos trabalhos da escala social, não deixavam de ser pessoas - «Lá os 'supervisors' têm coração e tratam-nos como gente, aqui éramos muito mal tratadas nas fábricas e pelas patroas!» E outra acrescenta: «Ai mulher! Nem me quero lembrar da miséria que aqui passei antes de ir para a América!!!» ... que teria sido desta gente se tivessem de ter feito o exame de inglês para obter cidadania?
texto encontrado por acaso em http://mulheresestejamcaladas.blogspot.com/