Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
Tomasia da Silva Costa vive em Portugal desde 2000 e quer ser portuguesa. Mas o facto de não saber ler nem escrever dificulta a sua capacidade de passar no exame de português, um dos requisitos obrigatórios para aceder à nacionalidade.

Segundo Simon Kamm, da agência Lusa, a cabo-verdiana de 48 anos vive em Portugal há quase oito, com o marido. Os três filhos, de 14, 18 e 19 anos, foram-se juntando a pouco e pouco à família, que vive numa casa própria no Cacém de Cima, Sintra.

Embora Tomasia queira obter a nacionalidade portuguesa e cumpra os requisitos para pedir a naturalização no quadro da nova Lei da Nacionalidade (vive há mais de seis anos em Portugal), a sua leitura fraca e o facto de praticamente não saber escrever impedem-na de o fazer.

por Daniel Oliveira
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17 comentários:
Por questões de igualdade, deveria ser retirada a nacionalidade aos nacionais que não passassem em exame semelhante.
Lá passavam os portugueses para 75% ou menos, havendo o perigo de os redactores de certas leis serem também excluidos.

deixado a 7/1/08 às 17:53
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Tomasia é o perfeito exemplo dos que em terra alheia nunca se integram.
Não sabe ler, não sabe escrever e claro que falará se falar um português péssimo.
Não é caso único e os subúrbios estão pejados de Batustões com os seus costumes, línguas, trajes e leis próprias.
Devemos respeitar as diferenças, dizem uns, mas também há o aforismo em Roma sê Romano.
Por acaso até estamos melhor que uma Alemanha uma França ou uma Inglaterra.
Mas, claro, que esta é uma forma proibida de ver o problema.

deixado a 7/1/08 às 17:43
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A visão do emigrante português:

"No caminho de 50 minutos até Portomar, para mais uma cantata dou boleia a 4 senhoras da Igreja da Cova. No banco de trás discute-se política americana e já todas decidiram que irão à Embaixada votar no Obama para presidente.
Comunidade fustigada pela fome nos anos 60/70, da Cova Gala emigraram para a pesca nos Estados Unidos muitas famílias. Agora muitos anos depois na Cova Gala muitas pessoas têm dupla nacionalidade e fidelidade. A América é a terra de todas as possibilidades. «Antes o mal da América do que o bem de Portugal», comenta-se. Na America ganharam os dólares, criaram-se os filhos, tem-se subsídios, assistência médica, muda-se de emprego quando se pode ganhar mais, conseguiram orientar a vida. «Aqui a fominha era muita, pastora! Não se conseguia criar os filhos! Mas lá na América, lá é um país de Deus.» Sofreram muito ao princípio, saíram daqui com carta de chamada, mas sem saber dizer uma palavra em inglês - na verdade alguns nem sabiam ler ou escrever. Muitos dos portugueses que lá viviam tinham vergonha de o ser e fingiam que não falavam português, então era difícil fazerem-se compreender. «Agora já há tudo em português: há supermercados, restaurantes, hoje nem é precisos falar inglês para viver na América! Ahahahah - dizem divertidas - Os portugueses agora, já não têm vergonha de falar português.» Na América sentiram pela primeira vez que trabalhar não era vergonha, e que embora fizessem os últimos trabalhos da escala social, não deixavam de ser pessoas - «Lá os 'supervisors' têm coração e tratam-nos como gente, aqui éramos muito mal tratadas nas fábricas e pelas patroas!» E outra acrescenta: «Ai mulher! Nem me quero lembrar da miséria que aqui passei antes de ir para a América!!!» ... que teria sido desta gente se tivessem de ter feito o exame de inglês para obter cidadania?

texto encontrado por acaso em http://mulheresestejamcaladas.blogspot.com/

deixado a 7/1/08 às 18:17
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Ser cidadão implica o exercício de direitos e deveres para com o Estado e a sociedade. Se estes têm uma língua oficial, conhecê-la é um instrumento indispensável para o exercício da cidadania. Se uma parte significativa dos portugueses nativos não dão o exemplo, a resposta não pode ser nivelar por baixo e suprimir o critério de conhecimento da língua: pelo contrário, deve-se aumentar a qualidade e o grau de exigência das escolas.

Em vez de criticar as regras de naturalização, o Daniel teria sido muito mais construtivo se perguntasse como é que alguém que vive em Portugal há quase oito anos permanece analfabeta. Onde está o sistema de ensino? Qual a situação laboral da senhora?

deixado a 7/1/08 às 18:30
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Em Portugal já só existem hoje 8% de analfabetos. Só ou ainda?
Ter entrado no 3º milénio, com um tão grande número de cidadãos incapazes de dominar as utensilagens básicas que são a leitura e a escrita, é uma realidade lastimável e uma mancha que marca de opróbrio um país que integra a UE.
Isto para não falar no nível de analfabetismo funcional, a iliteracia, de muitos outros portugueses, que nem sequer aflora os mais elementares instrumentos do conhecimento e que, de acordo com a OCDE, nos coloca na cauda de 41 países no que toca à leitura e compreensão de textos e no penúltimo lugar no ranking da iliteracia na Europa Comunitária.

Seria só o que faltava, recusar a naturalização a alguém que cumpre todos os requesitos de acordo com a lei vigente. A não ser que, simultaneamente, despachassem para o exílio cerca um milhão de portugueses, com a Cartilha de João de Deus numa das mãos e a tabuada na outra, até que aprendessem a ler e a contar, para readquirir a nacionalidade.
Talvez entre eles fossem ex-ministros (da educação) e actuais deputados...

deixado a 7/1/08 às 22:47
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Se fosse jogador de futebol estava o problema resolvido!

deixado a 7/1/08 às 22:59
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têm toda a razão . não se podem naturalizar analfabetos. para isso já bastam os que cá nascem .só não consigo entender como é que ainda há quem queira ser português .

deixado a 9/1/08 às 09:36
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José Corte-Real
O que não é dito aqui, como pode ser visto na íntegra da notícia, é que existem mecanismos alternativos para iletrados, passando por outro tipo de provas. Mas esta senhora diz que não tem tempo para estudar para esses exames. E mesmo que tivesse tempo, "já não tem cabeça". Pelos vistos, não é o sistema que é assim tão monstruoso!!

deixado a 7/1/08 às 23:40
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Se está tudo no artigo linkado, porque perguntam?
A "situação laboral da senhora" é sair de casa às 5 da matina para regressar às 10 da noite, pois tem dois "tachos" em serviços de limpezas.
Portanto, esse "bendito" sistema de ensino que se pergunta onde está, está aí: algures entre as 10 da noite e as 5 da madrugada, as 7 horas que a analfabeta tem para jantar, ver o marido e os filhos e dormir e... e... claro, ir estudar!!!

deixado a 8/1/08 às 00:54
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É claro que devem dar à Tomásia a nacionalidade portuguesa. Ela dá um contributo válido para o nosso país.

deixado a 8/1/08 às 02:10
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