Tem razão o deputado Paulo Rangel (do PSD) quando escreveu, ontem no "Público", que esta intervenção de José Soeiro (do BE), concorde-se ou discorde-se dela, é das melhores que se fizeram nos últimos anos em comemorações do 25 de Abril. E cito Rangel porque ele foi autor, há dois anos, de outro excelente discurso sobre a qualidade da nossa democracia e os direitos cívicos. Aqui é Soeiro a ir para lá da espuma dos dias e a fazer uma intervenção de fundo sobre a escola e a democracia. Talvez a melhor resposta (involuntária) ao discurso beato de Cavaco sobre o suposto alheamento dos jovens em relação à política.
É importante repetir o óbvio: a democracia não é "assunto" pelo qual as pessoas se devam interessar. É uma prática diária. E quem, a cada momento, por razões de eficácia ou de saudosismo de uma autoridade perdida, quer reduzir a sua vivência nas escolas, nas empresas, no Estado ou no espaço público não se pode espantar quando os cidadãos (jovens ou não) tratam a democracia como uma coisa que lhes é estranha.
E o obvio pode ter a ver com as belas intervenção de José Soeiro que na pratica se traduzem, dormir com o inimigo.
Quanto ao apelo de Cavaco, dê ele o exemplo e se calhar os moços começam a encarar a politica de forma diferente. Com três reformas e um ordenado (desculpem se me enganei) lançar loas…porque lhe apetece. Será que o jovem que não se interessam por politica viu com bons olhos o seu papelão na Madeira?? Se calhar não…porque andavam entretidos a resolver o problema dos recibos verdes e a precariedade no emprego. Agora ao contrário, será que Cavaco se interessa pela situação de vida dos jovens??? Claro que sim…pela dos próprios filhos, todos montados em risonhas carreiras. Ainda com tempo para ter 4 netos apenas da filha, reputada académica.
O óbvio Daniel, é que de belissimos discursos está o povo cheio.