Domingo, 27 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira



Tem razão o deputado Paulo Rangel (do PSD) quando escreveu, ontem no "Público", que esta intervenção de José Soeiro (do BE), concorde-se ou discorde-se dela, é das melhores que se fizeram nos últimos anos em comemorações do 25 de Abril. E cito Rangel porque ele foi autor, há dois anos, de outro excelente discurso sobre a qualidade da nossa democracia e os direitos cívicos. Aqui é Soeiro a ir para lá da espuma dos dias e a fazer uma intervenção de fundo sobre a escola e a democracia. Talvez a melhor resposta (involuntária) ao discurso beato de Cavaco sobre o suposto alheamento dos jovens em relação à política.

É importante repetir o óbvio: a democracia não é "assunto" pelo qual as pessoas se devam interessar. É uma prática diária. E quem, a cada momento, por razões de eficácia ou de saudosismo de uma autoridade perdida, quer reduzir a sua vivência nas escolas, nas empresas, no Estado ou no espaço público não se pode espantar quando os cidadãos (jovens ou não) tratam a democracia como uma coisa que lhes é estranha.

por Daniel Oliveira
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23 comentários:
O 25 de Abril 34 anos depois:

A notícia é do semanário Sol, onde se escreve que o advogado de Binyam Mohamed, um dos presos em Guantanámos, escreveu a José Sócrates, pedindo informações sobre a passagem pelos Açores, no caminho entre o Médio Oriente e a prisão americana instalada em Cuba. O gabinete do primeiro-ministro, porém, não confirma ter recebido a missiva e o próprio já adiantou que não conhece a carta. «Eu não posso comentar uma carta que não conheço e que não me chegou às mãos. Quando chegar responderei naturalmente», declarou o primeiro-ministro aos jornalistas. Sobre o tema, Sócrates reafirmou: «O que tenho a dizer sobre essa matéria é o que disse ao longo dos últimos meses: O Governo português nunca foi contactado pelo governo dos Estados Unidos para autorizar nenhuma passagem de aviões». Na carta divulgada pelo semanário, o advogado Clive Stafford Smith diz saber que «Binyam foi transportado para Guantánamo no dia 20 de Setembro de 2004, no voo RCH 947, a partir da base das Lajes, Açores». O pedido e simples, no sentido do Governo fornecer «documentos que revelem o total ou parcial conhecimento das autoridades portuguesas sobre o facto do sr. Mohamed e de outros em situação semelhante terem passado por jurisdição portuguesa». O objectivo é provar que o prisioneiro apenas confessou ligações à Al-Qaeda por ter sido submetido a tortura em Marrocos e nos Estados Unidos. Clive Smith, fundador da organização Reprieve e representante de mais de 500 prisioneiros de Guantánamo, quer também informações relativas a um voo associado à CIA, o N379P, alegando que transportou cinco agentes secretos para o Porto, onde pernoitaram por uma noite, a 17 de Setembro de 2002. Acrescenta ainda que estes agentes terão vindo de Marrocos. E tem indicações de que, a 14 de Setembro de 2002, os mesmos agentes participaram em torturas ao seu cliente. «Estou a escrever esta carta na tentativa de evitar que seja necessário recorrer judicialmente para avaliar a acção ou inacção do Governo português neste caso», refere Clive Smith. (http://diario.iol.pt/noticia.html?id=939465&div_id=4071)

Viva a democracia.

deixado a 27/4/08 às 14:11
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