Sábado, 20 de Setembro de 2008
por Pedro Sales



Numa reportagem ontem apresentada pela SIC a propósito da crise financeira internacional, e o colossal financiamento público para segurar a seguradora que tem em carteira a reforma de 74 mihões de americanos, o vice-presidente do PSD, António Borges, não pestanejou e mesmo assim continuou a defender a privatização da segurança social portuguesa. E ainda há quem diga que António Borges é um sisudo tecnocrata. O mundo financeiro a ruir à sua volta, e o homem quer entregar as reformas dos portugueses às seguradoras. Em todo o caso, e como não se sabe o que Manuela Ferreira Leite tem a dizer sobre este assunto, é justo pensar que o vice-presidente do PSD expressa a opinião do seu partido e que este continua a defender o disparate (que já deu estes lindos resultados no Chile) que apresentou no Parlamento há três anos. É esta a vantagem dos dogmas. Escapam à necessidade de se confrontar com a realidade.

por Pedro Sales
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19 comentários:
A ruir? Ontem eu vi muita gente a ganhar dinheiro...

deixado a 20/9/08 às 20:17
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News Corp. chairman and CEO Rupert Murdoch said he doesn't regret the New York Post endorsing John McCain …I like Sen. Obama very much…But his policy of anti-globalization, protectionism, is going to be -- and card checks -- are going to do two or three things. It's going to give us a lot of inflation. They're going to ruin our relationships with the rest of the world.”

Coloca-se este pequeno extracto para que as pessoas, os pobres inocentes portugueses, que pensam que os jornais americanos são como os portugueses se desenganem.

Por outro lado é horrível ver que quando o capitalismo ruiu por completo como o senhor Pedro Sales nos ensina, as bolsas de todo o mundo estejam a subir.

deixado a 20/9/08 às 20:51
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Fado Alexandrino,

Onde é que disse que o capitalismo ruiu? Nem uso a palavra capitalismo, veja lá.

Quando à subida das bolsas, não sei se reparou mas foi porque o Estado, sim o Estado, injectou somas astronómicas de dinheiro para nacionalizar uma parte significativa do sector financeiro. Se acha que o pior já passou, compre a Economist de hoje para ver que não ando a ensinar nada a ninguém. O título é sugestivo "quem é o próximo?"[a ir abaixo, claro]

deixado a 20/9/08 às 21:07
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E já agora, o governo americano não injectou dinheiro, quem o fez foi o BCE. O governo americano usou dinheiro da reserva federal.

deixado a 20/9/08 às 21:22
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Só um reparo, o Pedro meteu um tag a dizer "Estes liberais são uns brincalhões", logo, falou do capitalismo.

Depois, a proposta de António Borges é possível. Não estou a dizer que concordo com ela, até porque não sei se concordo, teria de pensar bem no assunto, mas a verdade é que o Estado é pura e simplesmente uma seguradora muito grande que pode ir abaixo tal e qual uma seguradora privada. Para além disso, mesmo que a seguradora fosse à vida (coisa difícil no nosso Portugal), o dinheiro das pessoas não iria à vida, dado o facto de o estado repor esse dinheiro às pessoas. Não sei se numa situação como a actual em que a ruptura do sistema de segurança social tal como o conhecemos é iminente, a privatização do sistema (ou uma situação híbrida, não sei) não seria vantajosa...

cumprimentos,

TMR

deixado a 20/9/08 às 21:22
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Tiago Moreira Ramalho,

1. Nunca disse que o capitalismo está a ruir. O que esta crise representa, no meu entender, é a queda do credo liberal de que o privado é sempre mais eficiente do que o sector público.

2. O Estado não repõe o dinheiro das pessoas quando uma seguradora vai à falência. Garante até 25 mil euros. A partir daí, azarex.

3. Se no fim do dia, é o dinheiro dos contribuintes que tem que garantir a solvência dos fundos privados que estoiraram quantias loucas em prémios para os seus gestores quando o barco se estava a afundar, por que razão não ficamos por um sector público que até apresenta taxas de rentabilidade semelhantes e garante mais dinheiro para os pensionistas? Qual é a vantagem do privado? Injectar dinheiro nos mercados de capitais, aumentando a espiral que transforma estas empresas em "monstros" que depois não podem cair por causa do efeito domínó que geram na economia mundial?

4. Nunca disse que o governo americano injectou dinheiro. Falei do Estado, do qual a reserva federal faz parte.

5. O plano do PSD significava, para além do mais, o aumento da dívida pública em mais 9000 milhões de euros para financiar os primeiros anos - altamente deficitários - da transição do sistema.

deixado a 20/9/08 às 21:47
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Quando se critica a intervenção estatal, que não foi nem nada que se pareça com uma nacionalização, estão a esquecer-se que os maiores beneficiados são, tcham! O povinho.
Este povinho divide-se em dois sectores muito importantes.

Um que simplesmente aposta, não esquecer este termo, em produtos de bolsa e ou investimento onde o risco é uma certeza.
Não me consta que quando ganhem venham todos a correr dar uma parte dos lucros a obras de beneficência.

O outro é aquele que entregou parte ou a totalidade das suas reformas a fundos de pensão geridos por uma miríade de instituições.
Estes sim são dignos de pena, e foram estes que o Governo Federal salvou.

O problema das pensões em Portugal, cujos reguladores parecem ser mais eficientes, pode explicar-se no seguinte:

Parte da reforma seria sempre assegurada pelo estado que receberia a competente dedução nos vencimentos.
A outra parte seria aplicada pelo empregado da maneira que o mesmo entendesse, sendo que aplicada num produto financeiro do estado, o mesmo garantiria o seu reembolso com juros no prazo acordado.

Lembremo-nos entretanto do seguinte.
Joe Berardo pediu centenas de milhões de euros para comprar acções do BCP.
Estas acções desvalorizaram-se, creio que certa de setenta por cento.
Temos portanto que ele estaria na situação de pagar uma dívida sempre a aumentar tendo por seu lado um capital sempre a diminuir.
Estará ele preocupado?
Não.
Porquê?
Eis uma boa pergunta.


Como é óbvio nada disto prenuncia a morte do liberalismo ou capitalismo.

deixado a 20/9/08 às 22:37
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Fado Alexandrino,

Não critico a intervenção estatal. Critico a desregulação dos mercados que levou a que a única solução possível, para salvar a economia e as poupanças de milhões, tenha sido a injecção de capitais públicos para não deixar cair "monstros" que são demasiado grandes para poder ir abaixo.

deixado a 20/9/08 às 22:51
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Caro Pedro

Se a opção da Segurança Social é puramente redistributiva, o estado chega.

Se há uma opção por capitalização, ser o estado ou serem os privados a gerir é indiferente. O estado tem que aplicar os fundos que gere nas mesmas empresas que os privados.

Acha que o Fundo de Capitalização da Segurança Social está imune aos mercados internacionais?

deixado a 20/9/08 às 22:54
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JCD,

O fundo de capitalização da segurança social não pode investir mais de 25% nos mercados internacionais, investimento maioritariamente em títulos do tesouro, encontrando-se assim muito mais protegido das flutuações bolsistas. Mesmo assim, ou talvez por isso, desde o virar do século que apresenta taxas de rentabilidade ao nível, ou superiores, às dos melhores fundos privados.

A escolha não é indiferente. O Estado garante mais dinheiro aos pensionistas, como se pode ver pelo exemplo chileno.

deixado a 20/9/08 às 23:16
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