Luís Naves diz que fiz uma análise apaixonada do debate entre Obama e McCain. Só há uma forma objectiva de determinar quem venceu um debate: num primeiro momento ler as sondagens e saber quem é que as pessoas acharam que ganhou. E num segundo momento ver nas sondagens o efeito que essa vitória teve nos votos.
Ainda é cedo, mas os primeiros dados indicam que McCain ficou na mesma na intenção de votos. Como vai com um atraso e esta era a sua possibilidade de inverter a queda, perdeu. Ainda mais quando a política internacional e de defesa era, dizia-se, o melhor tema para ele. Os próximos debates parecem ser menos favoráveis.
Para quem viu o debate na CNN, e acompanhou o gráfico de aprovação dos telespectadores democratas, republicanos e indepententes, não será dificil perceber onde, para lá dos temas, perdeu McCain. Perdeu exactamente onde parece julgar que venceu: na arrogância e nos ataques ao oponente. A estratégia de humildade seguida por Obama só ajudou a acentuar a imagem professoral de McCain. E são geralmente estas coisas, mais do que o conteúdo do debate (em que os analistas com menos experiência em preparação de debates tendem em concentrar-se para encontrar vencedores e derrotados), que dão vitórias e derrotas. Mais: é relativamente indiferente se a maioria dos que via o debate eram democratas (só demonstra que estes estão mais mobilizados). O facto de todas as sondagens, no dia seguinte, terem dado a vitória a Obama, desmobiliza ainda mais o campo republicano. E isso tem efeitos nos indecisos que, geralmente, preferem votar em quem vai ganhar.
Estranhamente (lá terão os seus dados), a campanha de McCain insiste em usar a humildade de Obama contra ele:
Uma boa estratégia para os convencidos, mas uma estranha táctica para os restantes que acentua ainda mais a arrogância do candidato republicano. O pior que têm para dizer sobre Obama é que ele concorda com McCain? Será que acham (parece que sim) que essa é uma demonstração de fraqueza? Será que os americanos acham? Tenho todas as dúvidas e os resutados bastante expressivos das sondagens pós-debate indicam exactamente o contrário.
Noutro registo, sobre a sabedoria de McCain em matéria internacional, é interessante ter ouvido o senador supostamente veterano nestes temas a afirmar que o Paquistão era, antes Musharraf, um "Estado falhado". Pode dizer-se que é, no minimo, orginal. A não ser que o candidato não saiba o que quer dizer este termo.
Os republicanos deverão tentar inverter as sondagens com o casamento (http://www.huffingtonpost.com/2008/09/28/report-mccain-camp-hoping_n_130025.html) da filha de Sarah Palin, a governadora que diz que humanos e dinossauros coexistiram (http://www.huffingtonpost.com/2008/09/28/palin-claimed-dinosaurs-a_n_130012.html) à seis mil anos.
Andas tão interessado nas eleições americanas que nem te apercebeste que hoje há eleições na Bielorússia, na Baviera e na Áustria, onde a extrema-direita chegou aos 30% dos votos. Espero que esse interesse tão grande pela eleição americana não te distraia das eleições do Canadá no próximo dia 14 de Outubro.
se o daniel me permite acrescentar uma coisa: a decisão sobre a vitória neste primeiro debate cabe ao eleitorado dos estados mais indecisos. por exemplo, vai inverter a tendência na florida (onde mccain começou a descer, depois de estar a ganhar com boa margem) ou na carolina do norte ou no colorado? estes são os locais onde é determinante o debate. e só dentro de alguns dias teremos valores de sondagens com o debate incorporado.
Já não me apetece opinar mais sobre as eleições nos Estados Unidos, já que estou muito confuso. Deixei de saber quem se situa mais à esquerda, se o Obama, o McCain ou o próprio Bush!!! Mas, no fundo, gostava que ganhasse o negrinho. Se para mais não fosse, para dar alguns conselhos de como tratar a azia a alguns fadistas do nosso burgo.