Vale a pena ver, ou rever, este excepcional momento televisivo. Até há dois dias estes três minutos retratavam o momento, único e excepcional, em que um dos participantes da Quadratura do Círculo se indignou com a participação de Pacheco Pereira neste programa. Mas isso era antes de conhecermos os verdadeiros contornos do absurdo contrato assinado pela câmara de Lisboa com a Red Bull. Depois disso, só muito dificilmente se consegue olhar para a “indignação” de António Costa e não ver no seu registo o retrato perfeito da dissimulação e da encenação política.
Quando os cidadãos de Lisboa, Oeiras e Cascais vão pagar mais de 9 vezes (sim, nove) o montante pago pelas câmaras do Porto e Vila Nova de Gaia para ver os aviões passar por baixo da ponte 25 de Abril, torna-se confrangedor, para ser simpático, ouvir o presidente da CML dizer que o evento”não custará em Lisboa nem mais um cêntimo do que custou o ano passado no Porto”. António Costa argumenta agora que tudo se deveu a uma má interpretação de uma cláusula do contrato redigido em inglês. Está visto. O inglês técnico é mesmo um problema bicudo para os lados do largo do Rato.
PS: Não deixa de ser sintomático ver a forma enérgica e vigorosa como António Costa, que ficou mudo e calado quando o prolixo deputado do PSD teve o seu momento Carlos Candal sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, se insurge quando alguém coloca em causa o seu papel à frente da CML. Nem quando, como é o caso, os números desmentem categoricamente as suas afirmações.