Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008
por Daniel Oliveira
Aconselho, se ainda não for lido, o capítulo 14 do Shock Doctrine de Naomi Klein. Aqui na Galiza, acho que como no resto dos países do ocidente, estão a presentar-se orçamentos de mínimos, o que, por outra parte, não deixou nunca de fazer-se nos tradicionais governos da direita que tivemos de padecer. Eu próprio sou trabalhador subcontratado da administração. O objetivo está certo: não é poupar despesas, é aprimorar benefícios.
Saúde.
m&m
há uma incompatibilidade entre linhas do interior, com poucas circulações diárias, custos de manutenção altos, receita comercial abaixo dos custos de exploração e a redução do passivo das empresas ferroviárias.
Não há meio termo: ou o país assume de vez esse passivo/deficit, investe nessas linhas e assume que a exploração ferroviária no seu todo não é lucrativa ou a tendência é poupar nos custos/manutenção com os riscos inerentes de multiplicar estes acidentes.
A culpa não é da refer, é uma questão de investimento público.
A privatização não resolve, a fertagus prova-o.
A Luta Continua!
Antes de mais, queria saudar o Oscar de Lis. É sempre bom lembrar ao pessoal do sul que existe uma nação a norte (a Galiza) com quem partilhamos a língua e, que ela resiste, mesmo apesar de toda a pressão uniformizadora castelhanista.
Voltando ao tema do post: essa obsessão pelo lucro com o mínimo de investimento é generalizada em quase todos os serviços que antes eram de facto públicos, e que agora não passam de meros negócios.
Manuel Leão
Este é o problema mais geral da subcontratação (outsourcing), que implica - para tarefas que exigem conhecimentos técnicos - uma perda de conhecimentos e de imagem, por parte das empresas que a isso recorrem.
E, no fundo, a maior parte das vezes a factura sai muito mais cara à empresa. O que acontece é que há quem fique com a diferença. Não o trabalhador subcontratado, que esse geralmente ganha mal.
Ricardo Alcobia
Esse tipo de situações foi aprofundado de uma maneira impressionante num livro sobre a refinaria de Sines, que ando de momento a ler.
Chama-se "Trabalhamos sobre um barril de pólvora" e é de um antropólogo chamado Paulo Granjo.
Dá para perceber como é que a mentalidade economicista nos põe todos em risco.
Eu aconselho.
Este post foi feito por um jornalista.
Usa uma conclusão que não é apoiada em nenhum facto concreto, retira-a do contexto e dá-lhe honras de própria notícia.
Antes de entrar no assunto deixem-me dizer que, embora o rigoroso inquérito seja muito cuidadoso em deixar mil e um hipóteses em aberto, aparentemente a culpa deve ser dividida entre a Refer e a CP.
E isto bastaria para aniquilar o post.
Quando cheguei aos CTT nos anos de 75 o saudoso engenheiro Viana Baptista anunciou-nos aquela que passou a ser uma frase mestra:
O nosso negócio é a transmissão e recepção de sinais de informação
E com isto ele queria dizer que todas as actividades acessórias, uma das quais a mais importante era a frota automóvel, deviam deixar ser mantidas nos activos.
Com isto ele contribuiu para que os CTT poupassem uma quantidade enorme de dinheiro em oficinas e tudo o que um parque automóvel daquela dimensão origina, deixou de ter problemas com carros que se avariavam e deixou de se preocupar com a idade da frota e ao mesmo tempo de tabela, fomentou a actividade das empresas de rent-a-car que passaram a fornecer o parque automóvel.
A “experiência acumulada que tem um século e meio” não desaparece por se fazer uma adjudicação externa.
Primeiro porque estes homens são sempre enquadrados por pessoal da casa.
E segundo porque é passar um atestado de incompetência a todos os outros.
Assim nunca ninguém conseguiria ter um século de experiência,
Nem uma semana.
João Pedro
Só uma coisa: como é que aquilo que é racional pode ser dogmático?
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