CausasPerdidas
Manuel Monteiro, "olhe que não" essa do António Chora ser o "herói de todo o comentador burguês e do patronato". Para tal, lembre-se da campanha feita na imprensa a acusar a CT da Autoeuropa de pretender "fechar a empresa" durante todo o período de negociações. E compare, já agora, os direitos conquistados no entretanto pelos trabalhadores da Autoeuropa com as congéneres... à custa dessas "cedências" votadas pelos plenários.
Reconheça que a CT não fez "chantagem" após a decisão do plenário em desacordo com o que havia sido negociado com a administração - apesar da uma margem mínima mas a respeitada pela CT, e não podia ser de outra forma. Olhe que quem escreve isto sabe bem o que é isso de sofrer chantagens do género "ou transferes-te para ali ou ficas sem emprego".
Por outro lado, como perceber que a posição votada em plenário seja contrária à da CT , tendo esta o apoio da maioria dos trabalhadores?
Uma explicação que me constou foi a de que os defensores do acordo não se preparam para o plenário a não ser os que da mesa tiveram a responsabilidade de o apresentar. Deixaram o protagonismo à minoria da CT - os tais que a meio de uma reunião de CT ligam para o partido para saber o que votar.
De um lado o PCP bem organizado no plenário (depois de uma campanha caluniosa que decorreu em paralelo com as negociações e as "pressões" de presidentes, belmiros e tudo o que são comentadores encartados do país) do outro a CT convencida que a "razão" lhes bastava.
Independemente da justeza ou não do pré-acordo - este é um debate a fazer de forma séria, a partir do princípio que todos trabalham na mesma fábrica, da Classe, e não apenas a partir do símbolo que cada um traz na lapela -, o que fica revelado é a fraqueza do trabalho sindical/laboral que o BE faz. A forma como o BE pretende continuar não organizado nas empresas leva a situações destas, só se pode queixar dele próprio.
Há uma outra coisa que gostaria de dizer sobre o assunto. A Classe Trabalhadora nunca teve um partido, teve sempre vários partidos. Sempre que passou a ter um só partido a coisa deu para o torto. Não raras vezes os trabalhadores libertaram-se da canga capitalista para virem a ser subjugados pelo totalitarismo mais execrável: o que é feito em seu nome.
O facto de um partido como o PCP ter pela sua antiguidade um papel determinante na organização da luta dos trabalhadores não faz dele um "predestinado" em relação à matéria, e infalível nas suas análises. O enfraquecimento do movimento sindical só se deve ao desemprego e ao divisionismo da UGT? E o papel da burocracia sindical no desarticular de qualquer iniciativa dos trabalhadores que passasse por fora do aparelho sindical/partidário? E as alterações de estatutos nos sindicatos que preconizaram a centralização, quando antes se defendia exactamente o contrário, para impedir a emergência de direcções locais?
Um sindicato não representa a linha ideológica de um partido, representa a Classe. Os partidos têm todo o direito de terem militantes nos sindicatos, mas os assuntos dos sindicatos são resolvidos pelos seus sócios dos sindicatos, não pelos directórios partidários.
Para quem acha que o debate é recente, lembro um célebre debate em que Lenine se opõe a Trotsky na "Questão dos Sindicatos". Eram os tempos da Guerra Civil e Trotsky pretendia militarizar os sindicatos como parte do esforço de guerra. Lenine opôs-se porque a independência dos sindicatos era importante para manter a capacidade crítica e autónoma do movimentos dos trabalhadores. Mesmo em relação ao Estado Revolucionário! A História veio a dar razão a Lenine: a degenerescência do Estado de transição para a barbárie capitalista e a perda dos direitos sociais adquiridos pelos trabalhadores deu-se sem a mínima capacidade de resposta da Classe Trabalhadora Soviética, porque as suas organizações há muito tinham perdido a sua autonomia, poder crítico e capacidade de mobilização. Tinham-se tornado num refúgio de burocratas dependentes dos ditames da nomenclatura do partido.
Já agora, o debate político que acabei de referir, entre o principal responsável do Estado Soviético, Lenine, e Trotsky, comandante do Exército Vermelho, dá-se à vista de todos, nas páginas do "Pravda", em plena Guerra Civil. Se houve época em que o jovem Estado Soviético esteve mais em perigo foi nessa, mesmo assim o debate político no interior do partido era feito às abertas e discutido pela sociedade. Percebe onde quero chegar?
V.P.O, o seu colega do PSD nunca poderá ser castrado, mais desemprego menos desemprego. Porque não se pode cortar o que não se tem.
O contrário para se ser do BE ou do PCP numa empresa nos dias de hoje. Não refiro a ideia de deixarem de andar a ver quem os tem maiores... bom seria, no caso concreto, que um dos lados reconhecesse que o outro também os tem.
Cumps.