Terça-feira, 30 de Junho de 2009
por Daniel Oliveira
Helena Matos entrou no debate sobre as soluções para a crise e, sentada ao volante, depois de um olhar de soslaio para o taxímetro, fixou-se no retrovisor e atirou: "Quantos dos subscritores do manifesto dito pelo emprego já criaram postos de trabalho e tiveram de fazer contas para ver como no fim do mês pagam salários, cumprem obrigações fiscais, pagam a fornecedores e, claro, ainda investem na modernização do negócio/empresa?"

Helena Matos é jornalista. Que eu saiba (posso estar enganado), nunca criou uma empresa. Não sei como se atreve a ter opinião sobre o futuro do país e as grandes decisões do Estado. Como se sabe, a participação cívica deve ser exclusivo dessa nova classe de vanguarda que são os empresários. Os que, generosamente, até pagam salários (uma espécie de subsídio de beneméritos). E alguns ex-ministros, claro.

Mas fica a resposta à magna e sempre presente pergunta de Helena Matos: todos os que entre eles sejam competentes criaram emprego. Todos os trabalhadores que são produtivos criam emprego. Todos. Começa a ser um pouco cansativa esta ideia de que os empresários são os elementos activos da sociedade e que quem trabalha é um elemento passivo, à espera que o emprego seja criado, que o salário seja pago, que… Nesta novilingua, o trabalhador é, na realidade, um parasita. Trata-se de uma espécie de marxismo virado de pernas para o ar. Mas, cara Helena Matos, quem trabalha cria riqueza. E quem cria riqueza cria emprego.

por Daniel Oliveira
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20 comentários:
Borda-lo
O relacionamento patrão-empregador (ou empregador-colaborador) está minado à partida. O patrão parte do princípio que o trabalhador quer fazer o menos possível e ganhar o seu, o trabalhador assume que o patrão o quer explorar ao máximo (claro que existem casos em uma ou ambas as condições se verificam). Enquanto não houver alguma confiança de parte a parte, o "diálogo" será sempre este...

Só uma piquena estória: há uns tempos, numa acção de rua promovida por um partido, fui interpelado por um jovem que me quis convencer de que o MEU patrão apenas me queria explorar, e que não me dava os direitos que eu merecia. Quando ele acabou o discurso, lá lhe tive de explicar que eu era o meu próprio patrão, e que até nos dávamos muito bem...

deixado a 30/6/09 às 11:19
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1 Borda-lo

:)

deixado a 30/6/09 às 12:04
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Luís Vicente
Daniel - "Mas, cara Helena Matos, quem trabalha cria riqueza. E quem cria riqueza cria emprego."

Caro Daniel, olhe que não, olhe que não!

Se eu contratar alguém para fazer um buraco no meu quintal, e depois contratar outro alguém para tapar o buraco, dei trabalho a duas pessoas, fiz circular riqueza com o que lhes paguei, mas não criei riqueza nenhuma. Se tivesse dado o meu dinheiro a um estranho na rua o efeito era exactamente o mesmo.

Passando isto para o mundo real, veja-se o tão falado caso das minas no Alentejo, onde o Governo interviu para manter a trabalhar mineiros, embora o valor do que eles retiram da mina seja inferior aos custos de manter a mesma em operação. Um claro caso de trabalho que destroi riqueza.

Sim, a circulação de riqueza em si mesmo cria riqueza, por isso há algum potêncial de criação mesmo em empregos destes, mas é algo que tem de se ver caso a caso se vale a pena (e raramente vale) e que mesmo assim é menos eficiente do que simplesmente deitar o dinheiro "à rua".

deixado a 30/6/09 às 12:05
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João Costa
É assim tão difícil para o Daniel perceber o conceito de Valor Acrescentado? É que a criação de riqueza é capaz de ter a ver alguma coisa com isto. Digo eu...

deixado a 30/6/09 às 12:49
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Vítor Sousa
O exemplo da ignorância desta senhora, é o facto de eu gerir uma secção dos serviços prestados duma empresa e ter conseguido criar um serviço de qualidade com o apoio dos meus colegas de trabalho. A secção fechava se eu não a pusesse a funcionar em condições e os trabalhadores não fossem bons. Tanto que quando estou de férias, notam bem a falta que faço.

deixado a 30/6/09 às 14:02
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A.R.A
LUIS VICENTE

Essa do buraco............ então se não queria nenhum buraco no seu quintal porque carga de água contratou 2 trabalhadores para tal?

As minas do Alentejo têm a sua viabilidade e não é por mera "caridade" que se iria criar esses postos de trabalho só para andarem a abrir e tapar buracos para manter as pessoas ocupadas.

Se tem alguma noção do que fala, saberia de antemão que:
Minas da Panasqueira- Volframio que associado ao aço, confere-lhe alta resistência. A partir daí as suas aplicações são várias, desde o tungsténio (filamento das lâmpadas), às lâminas dos buldozzers, às brocas até à electrónica e a material cirúrgico e que tem subido a procura devido a variações positivas no mercado bolseiro do valor do volfrâmio, resultado da quebra da produtividade das minas de volfrâmio da China, a principal concorrente. Existe minerio para mais 2 a 3 gerações.
Minas de Aljustrel & Neves-Corvo - Situam-se na denominada Faixa Piritosa Ibérica, uma das maiores concentrações mundiais de jazigos de sulfuretos maciços, que se localiza entre Grândola (Portugal) e Sevilha (Espanha) onde a extracção de Zinco ficou suspensa pela quebra do valor bolsista deste minerio embora haja a possibilidade de continuar a extracção de cobre.

Ora os trabalhadores que andam a mercê da oscilação bolsista do minerio, se tivessem uma gestão cuidada por parte do patronato, teriam pelo menos nestas 3 minas toda a viabilidade de laboração se houvesse um acordo na redução momentanea do lucro por parte dos accionistas (atenção que não falo em prejuizos) para que numa consequente retoma as reservas do minerio extraido fossem uma mais valia para imporem o seu preço no mercado.

O mal é que os nossos empresarios da tanga são incapazes de perceber que, em certos casos, há que investir para se retirar os devidos dividendos a medio- longo prazo, ou seja, isto não é um mero exercicio de filantropia empresarial, é o de assegurar o lucro de minerios de valiosa importancia.

Até eu que sou contra esta mentalidade de mercado tenho a noção basica do modus operandi do sistema capitalista com as cotações em bolsa, faz-me um pouco de confusão como gente do neo-liberalismo se deixa cair sempre no ridiculo de culpar os trabalhadores pela deficiente gestão empresarial existente em Portugal, sendo eles os primeiros a quebrarem a ciclo da circulação de riqueza ao não investirem ou ao gerirem mal os seus investimentos.

Enfim, não atingem não é?

A.R.A

deixado a 30/6/09 às 14:06
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Antónimo
A mim parece-me que quer o que abriu o buraco quer o que o fechou terão dinheiro para fazer quaqlquer coisa.

deixado a 30/6/09 às 14:07
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Daniel,

Afinal aquilo que faltou aos planos quinquenais da União Soviética foi essa certeza.

deixado a 30/6/09 às 14:33
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Provavelmente ela queria dizer "empresas" e não "empresários" e os trabalhadores fazem obviamente parte da empresa.

deixado a 30/6/09 às 15:17
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A Helena Matos, tem alguma razão.

De facto, pela nossa realidade política, o Estado é incapaz de promover a produtividade, e enquanto esta regime estiver em vigor, é um facto consumado, uma realidade imutável.

Como tal, estamos dependentes dos empresários. Porém, se também estivermos contra eles, não vamos a lado nenhum, e as coisas só podem piorar.

deixado a 30/6/09 às 15:29
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