Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010
por Daniel Oliveira


"E, mais importante, quantos dos eleitores do BE depois de dada uma legitimação de esquerda a Sócrates, vão votar PS nas eleições seguintes?" A teoria do Nuno Ramos de Almeida sobre o apoio da esquerda a Manuel Alegre não é nova. O cordão sanitário à esquerda de quem teme, com a indefinição de fronteiras e o fim de alguns tabús, perder votos para o lado de lá tem sido, aliás, na minha opinião, uma das tragédias da esquerda nacional. Os resultados desta estratégia não foram famosos. Até porque se esquece de um pormenor: o cordão sanitário não impede apenas a passagem para lá. Trava a passagem para cá. É exactamente o facto do eleitorado socialista mais à esquerda poder fazer campanha por um candidato comum à esquerda que faz com que a esquerda à esquerda do PS deixe der ser vista como uma adversária natural pela maioria do "povo de esquerda". O fim do pecado da mudança de voto e o derrubar das barreiras à esquerda não é mau para a esquerda que quer crescer. Só é péssimo para a que se quer limitar a sobreviver e perigoso para quem hoje tem uma posição hegemónica à esquerda. Para quem quer mudar o cenário político é mesmo a única estratégia possível.

Devo confessar que tenho alguma dificuldade em respoder a este post do Zé Neves. Se estamos a falar de eleições (e é mesmo disso que estamos a falar), o sentido de voto dos eleitores dificilmente pode ser tratado como um pormenor. Não é tudo. Mas ajuda a perceber de que estamos a falar.

por Daniel Oliveira
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13 comentários:
Antonio Cunha
Alegre nunca será presidente, escreva o que lhe digo.

deixado a 25/1/10 às 11:21
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Pukte Pareu
O "complexo de esquerda" a vir à tona!!!
Enquanto a direita se une para tudo o que for necessário, inclusive o poder, a esquerda diverte-se a bradar ciencias de agrado ao povo, prometendo mais ao eleitorado do que alguma é possivel oferecer e depois dá nisto.
A partir da altura em que MA é candidato do BE, ou do Louçâ ainda não sei bem, divide o PS na suas próprias contradições em tudo identicas às das anteriores eleições e empurra o PC para o seu habitual umbigo.
Alguém pensa que o PC vai apoiar MA? É óbvio que, como sempre, vai apresentar um candidato porque tem de agradar ao seu eleitorado!
Esta psicose de nunca queremos deixar de "parecer" de esquerda provoca o embrutecimento histórico português na falta de união alargada e efectiva da esquerda em torno dum candidato, ou dum governo ou dum poder qualquer.
MA nunca será um candidato da esquerda, quanto muito será um candidato contra Cavaco.
Ora esta (in) utilidade de voto contraria cada vez mais a luta verdadeira e o assumir de responsabilidades preferindo lutarem pelo "espaço" um dos outros.
Onde ficam as convicções e as ideias em que acreditamos?

deixado a 25/1/10 às 11:30
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Flanger
Este apoio ao MA vai fazer com que o pessoal à esquerda fique a pensar assim:
" se o próprio BE apoia um candiadto do PS, doravante eu como simpatizante do BE vou começar a votar no PS sempre que me der na gana. Estava mortinho para arranjar uma desculpa para deixar de votar no BE, agora o Louçã deu-ma de mão beijada. "

Eh,eh,eh..... o NRA é um pândego!

deixado a 25/1/10 às 12:49
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rev
“Louçã é um Cavaco do avesso. Estou farto das lições de moral. Não aceito a direcção espiritual de Louçã que parece ter errado a vocação. Ele deixou de combater Cavaco Silva e persiste em combater as forças de esquerda. Ele anda aqui atrás de uns dinheiros e de uns votozinhos. Eu sou de outro campeonato. Eu tenho um passado político de luta e de resistência, Louçã não sei se tem.”
Manuel Alegre na campanha eleitoral de 2006.

Manuel Alegre votou no dia 14 de Outubro de 2006 a favor da proposta de Lei de Nacionalidade do Governo que negava a nacionalidade automática aos filhos de imigrantes nascidos em Portugal.

O orçamento do queijo limiano” do Governo Guterres foi aprovado à custa do vergonhoso negócio da compra do voto do deputado Campelo. Manuel Alegre podia ter impedido esta nódoa se tivesse juntado os seus votos aos dos dois deputados bloquistas.

Manuel Alegre foi sempre deputado desde que há eleições livres em Portugal. Com o 25 de Abril foi nomeado coordenador da RDP cargo que suspendeu em 1975 com a eleição para deputado. Em mais de trinta anos por ser deputado nunca mais exerceu funções na rádio continuando contudo a efectuar descontos como funcionário. Não trabalhava mas fazia descontos. Por essa razão teve direito a uma reforma vitalícia de 3 219,95 euros que agora acumula com a reforma de deputado. Manuel Alegre, questionado, disse desconhecer que estava a descontar para essa reforma. Manuel Alegre, diga-se, não cometeu nenhuma ilegalidade, mas este processo não o honra.

Manuel Alegre votou o aumento da idade da reforma, a alteração da fórmula de cálculo das aposentações (um aposentado em 2005, com a nova fórmula, perdeu 10% na sua pensão – eu perdi 13% – e as gerações que entraram agora no mercado de trabalho vão perder quase 50%) sem cuidar de olhar para quem estava à porta da saída. Votou ainda por duas vezes contra as propostas do Bloco e do PCP pela reforma aos 40 anos de idade, independentemente da idade. Votou o aumento do IVA. Apoiou as privatizações no sector energético.

Parece que Manuel Alegre votou contra o código do trabalho quando era certo e sabido que a lei passaria com ou sem o seu voto. Parece também que telefonou a Sócrates antes de anunciar a sua candidatura a PR_2011. De que terão falado? Do último jogo do Benfica???

deixado a 25/1/10 às 12:35
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Antónimo
A mim Zé Neves parece-me claro e Daniel Oliveira defende aquilo com que eu brincava já há mais de uma dezena de anos com os meus colegas do Técnico: A Democracia referendária por SMS.

Um dia não seria preciso Governo mas apenas um gestor de comunicações electrónicas que colocasse as propostas diferentes em referendo instantâneo.

Ao eleitor bastaria mandar um sms e o Estado ainda lucrava com o envio da mensagem de valor acrescentado que dividia com as operadoras telefónicas.


(declaração de intenção tomada antes de esta discussão ter começado nas semanas que antecederam a entrevista de alegre ao Expresso: o mais certo é eu vir a votar no "poeta", de quem não gosto. Mas apesar da convergência eleitoral a discussão interessante sobre presidenciais está longe de se fazer no Arrastão. Muito bem antes pelo contrário, cheira demasiado a mercearia)

deixado a 25/1/10 às 14:22
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LAM
Não sei, Daniel, se a teoria do Nuno é assim tão descabida (se Sócrates vier a apoiar mesmo Alegre). É que, da forma como vejo pintado o "eleitor tipo" do bloco num post aí mais abaixo, isso não é de desprezar...

deixado a 25/1/10 às 18:03
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DSC
O post do ze neves esta tao bem esgalhado que o deus da blogosfera, o maradona, dedicou/lhe um post comovente. Por isso e que e complicado responder.

deixado a 25/1/10 às 18:11
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Não vi o post do maradona. Foi complicado pela razão aqui apontada.

deixado a 25/1/10 às 18:55
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LAM, eu não disse que era descabida. É a mesma que levou o PCP e a extrema-esquerda a manter-se sempre no seu canto. É menos arriscada, de facto. Não leva é muito longe.

deixado a 25/1/10 às 19:00
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escorpiãovermelho
Daniel Oliveira, Prémio Nobel da Literatura em 2010, livro mais marcante deste autor: «O milagre de acabar com a sociedade de mercado dentro de uma economia de mercado.»

deixado a 27/1/10 às 11:26
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