"E, mais importante, quantos dos eleitores do BE depois de dada uma legitimação de esquerda a Sócrates, vão votar PS nas eleições seguintes?" A teoria do Nuno Ramos de Almeida sobre o apoio da esquerda a Manuel Alegre não é nova. O cordão sanitário à esquerda de quem teme, com a indefinição de fronteiras e o fim de alguns tabús, perder votos para o lado de lá tem sido, aliás, na minha opinião, uma das tragédias da esquerda nacional. Os resultados desta estratégia não foram famosos. Até porque se esquece de um pormenor: o cordão sanitário não impede apenas a passagem para lá. Trava a passagem para cá. É exactamente o facto do eleitorado socialista mais à esquerda poder fazer campanha por um candidato comum à esquerda que faz com que a esquerda à esquerda do PS deixe der ser vista como uma adversária natural pela maioria do "povo de esquerda". O fim do pecado da mudança de voto e o derrubar das barreiras à esquerda não é mau para a esquerda que quer crescer. Só é péssimo para a que se quer limitar a sobreviver e perigoso para quem hoje tem uma posição hegemónica à esquerda. Para quem quer mudar o cenário político é mesmo a única estratégia possível.
Devo confessar que tenho alguma dificuldade em respoder a
este post do Zé Neves. Se estamos a falar de eleições (e é mesmo disso que estamos a falar), o sentido de voto dos eleitores dificilmente pode ser tratado como um pormenor. Não é tudo. Mas ajuda a perceber de que estamos a falar.