Segunda-feira, 26 de Abril de 2010
por Daniel Oliveira
Esta reacção ao texto de Isabel Stilwell, em que a colunista avisa para os perigos da degradação da democracia e de como um discurso autoritário pode vingar nestas circunstâncias (usa como exemplo Salazar e o final da I República), mostra como algumas pessoas têm dificuldade em interpretar as coisas que lêem. Pode dizer-se que o simplismo do texto leva a fazer paralelos com pouco sentido e que a sua falta de rigor histórico não tem em conta as forças sociais que então estavam em confronto e as complexas contradições internas em cada um dos campos, incluindo no golpista. Mas a ideia de que citar seja quem for é um acto desprezível, mesmo quando não se manifesta qualquer simpatia pelo citado, é das coisas mais absurdas que já me foi dadas a ler.

por Daniel Oliveira
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26 comentários:
Eu não sei o que é que vai na cabeça de Isabel Stilwell para citar Salazar.

Agora que ele é cada vez mais citado é um facto.
Deixem-me lembrar, foi esse mesmo homem que ganhou um concurso da RTP em que se perguntava, não quem era o melhor ou pior, o mais alto ou o mais baixo, mas sim o português mais importante do Século XX.
Quem é que pode por isso em dúvida?

E este homem tem ainda uma grande vantagem, é o culpado pelos cinquenta anos de fascismo e também é culpado por trinta e seis anos depois da revolução as coisas estarem más.
Palpita-me que daqui a um século ainda há-de ser culpado de tudo e até de alguma rua mal alcatroada.

Dá sempre jeito ter um fulano destes á mão.

deixado a 26/4/10 às 12:34
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Mouzinho
Fado Alexandrino,

Salazar foi considerado o mais importante, mas não do séc XX...de todos os séculos, ficando Afonso Henriques em 2º lugar

deixado a 26/4/10 às 15:17
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CausasPerdidas
O problema das citações é a sua descontextualização. Se além do Salazar, derem uma volta pelos discursos de Hitler e de Mussolini também encontrarão muitas coisas que "se aplicam"à orfandade ideológica que vai por aí... da Esquerda à Direita passando pelos daltónicos.

Noutra vertente e no mesmo sentido descendente, comparo o exercício das citações do discurso de Aguiar Branco ao engenho daqueles estudantes que procuram citações soltas na "net" para encherem os "chouriços" que descaradamente chamam de trabalhos.
O segredo do sucesso dos fabricantes de enchidos é a ignorância da maioria e a preguiça dos que sobram.

A imprensa escrita costumava reclamar o papel de "contextualização" do imediatismo da tevê e da rádio. Uma "missão" que só poder ser feita por pessoas com Cultura, digo eu e não estou a pensar no grau académico...
É que a imprensa, tal como muita coisa neste mundo, "já não é o que era". Por exemplo, até já é gratuita. Quem disse que "[...] há almoços de borla"?

deixado a 26/4/10 às 17:42
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Pedro Magalhães
Citar é legítimo. Ser directora de um jornal e assinar uma coluna de opinião em que dois dos três parágrafos que constituem o texto são citados, já me levanta outras questões. Mais valia ter assumido logo que cedia o espaço da sua coluna à transcrição das palavras de outro para assinalar a efeméride do 25 de Abril. Que jeito que dá o artifício do recurso à citação para mascarar o facto de não se ter nada para dizer!...
Por esta altura a senhora deve estar aos pulos de alegria. Nem ela, que faz questão de estampar a fotografia em todos os lugares que pode, deve ter imaginado que um texto tão simplista lhe havia de render tantos comentários. Para ela óptimo, é mais uma oportunidade para dar nas vistas:... "não interessa que seja para criticar ou dizer mal, mas falem de mim, por favor".
É triste mas é assim que passou a funcionar. Que interessa a falta de rigor e a superficialidade? O que interessa é que "gerou polémica", logo prova que se é lida e se é lida é porque é boa. Mais do que a citação, o seu teor e a sua intenção, o equivoco maior de todos parece-me ser este. E nele me incluo porque ao comentar estou a contribuir para alimentar a farsa.
Vão-me perdoar, mas mais do que saudades de bons textos sobre Abril é a saudade de directores capazes de textos dignos de serem considerados editoriais. Independentemente das ideias ou posições com que se identifiquem.

deixado a 26/4/10 às 17:53
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[...] Vi no excelente blog do nosso amigo Arrastão [...]

deixado a 26/4/10 às 18:24
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Pinto
“A economia liberal que nos deu o super-capitalismo, a concorrência desenfreada, a amoralidade económica, o trabalho-mercadoria, o desemprego de milhões de homens, morreu já.”


De quem é a frase? Do Jerónimo? Do Álvaro Cunhal? Do Vasco Gonçalves?

Não: foi de Salazar. Mas tantas vezes que foi e é repetida.
Como disse o jcd no blasfémias "as boas mentes comungam as boas ideias".


Acrescente-se à Constituição: "proibir citar Salazar, seja em que circunstâncias for".

deixado a 26/4/10 às 19:04
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Peço desculpa não está correcto.
Eu também não, julguei que se referia ao século XX.

António Oliveira Salazar foi a personalidade escolhida pelos telespectadores da RTP1 que participaram no concurso "Os Grandes Portugueses". O histórico líder do PCP Álvaro Cunhal e o cônsul Aristides de Sousa Mendes, que permitiu a fuga de 30 mil pessoas, sobretudo judeus, ao regime nazi durante a II Guerra Mundial, ficaram na segunda e terceira posição respectivamente.

deixado a 26/4/10 às 19:55
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Leo
Presumo que se refere a merdas deste tipo, certo?

http://convencaoextraordinaria.blogspot.com/2010/04/perguntas-e-respostas-e-perguntas-sem.html

deixado a 26/4/10 às 22:03
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CausasPerdidas
E daí? Quer que lhe arranje meia dúzia de citações de Hitler contra o capitalismo e outras tantas de Mussolini a favor do "socialismo"? Isso faz dos dois boas "mentes" para se "comungar" ideias?
A comparação dos liberais "blasfemos" procura misturar tudo... "se és antiliberal estás próximo de Salazar", sugerem, como aquela anedota do "se não tens aquário... Chama-se a isso desonestidade intelectual.

Quanto ao Salazar, deve-se citar quando for preciso e, acima de tudo, estudar - como fez Dacosta. Um tipo que está quarenta anos no poder deve ter alguma coisa para se estudar, tal como a psicologia do Povo que o deixou lá.
Resumindo a minha perspectiva: Bernard Law Montgomery, "Monty", deve ter sido dos que leu mais atentamente a obra de Erwin Rommel...

A Constituição da República Portuguesa não proíbe nenhuma leitura, foi uma das coisas boas que se conseguiu depois de acabar com o regime de Salazar.

Ai de quem não estuda o Passado, está sujeito a comprá-lo novamente embrulhado de Futuro.

deixado a 26/4/10 às 22:57
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Lisboeta
Eu quero é que essa senhora se vá lixar. Isabel Stilwell é uma tia pedante que se acha geneticamente pertencente a um povo superior. Para ela, os portugueses são uns coitadinhos...

deixado a 26/4/10 às 23:56
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