Arquivo 20 de Janeiro 20e 2007

Sem vento, a minha voz secou
aqui, neste parque de cedros quietos.
Tudo é como ontem era, mas a minha
voz, na minha face, calou-se,
porque só o vento me trazia a fala,
vinda de algures, com notícias de alguém,
indo para além, para outros ouvidos, num país.

No julgamento da Maia (ao contrário do que tem dito a campanha do “não”, quando foi possível apurar o tempo de gestação tinham menos de 10 semanas de gravidez) foram arguidas seis desempregadas, duas operárias, uma cozinheira, uma costureira, uma cabeleireira, uma recepcionista e três empregadas do comércio. Estas são as vítimas desta lei. E [...]

«Entendo que a única questão que está em causa neste referendo é saber se a resposta que a sociedade tem para dar a uma mulher que pratica aborto é a prisão. E é o único momento, devo dizer, em que não tenho nenhum tipo de dúvida: não, não é!»
«Fala-se na liberalização do aborto mas liberalizado [...]

Diz-se que já não há abortos de vão de escada. Há o Cytotec, usado como método abortivo e sem acompanhamento médico. Com enormes riscos para a mulher.
Também publicado no Sim no Referendo.

Gentil Martins não quer que a mulher seja condenada quando faz um aborto. Quer que seja condenada quando faz dois.
Também publicado no Sim no Referendo.

César das Neves diz que vai haver mais aborto. Será tão banal como um telemóvel». Não fosse o assunto sério e a frase demonstrar um preocupante autismo social, diria que já falta César das Neves nesta campanha.
Fica a informação para César das Neves: na Alemanha, de cerca de 180 mil interrupções de gravidez registadas em [...]

É difícil não reparar que os mesmos que se querem impedir a despenalização do aborto são o que se opõem ao acesso fácil a métodos contraceptivos e se opuseram à lei para facilitar a reprodução medicamente assistida. A questão, para eles, mais do que qualquer outra, é recusarem a ideia de que a mulher (e [...]

O Sim no Referendo já está hiperactivo. E, como sempre, foi um convertido o que maior incómodo mostrou pelo desvio à ortodoxia. Árduas são as provas que tem de ultrapassar quem quer ser aceite numa nova seita. Nunca os desiludir, nunca os desiludir.

Sim, é possível adaptar Moby Dick para teatro. Sim, é possível que fique excelente. A prova está no São Luiz, o louco que se meteu nisto foi o encenador António Pires. E Miguel Guilherme volta a mostrar o que só os distraídos não tinham notado: é muito mais do que um actor de comédia. É [...]