O Governo polaco vai proibir a discussão da homossexualidade nas escolas de todos os níveis, fazendo votos de que idêntica medida seja adoptada pela UE. (Público) Ao mesmo tempo o Estado polaco tem feito campanhas contra o uso do preservativo.
O primeiro vereador negro flamengo deu que falar mal foi eleito. Três casais recusaram-se a tê-lo a dirigir o seu casamento. Houve reacção política e havia quem quizesse processar os idiotas. Ele não deixou. Cada um sabe de si. O resultado foi o melhor. De todo o país (e de fora dele) veio a resposta. 553 casais casarão hoje na praça principal de Sint-Niklaas tendo Wouter Van Bellingen como chefe de cerimónias.
(Ver notícias do "Público" aqui em baixo)
Toda a gente quer ser casada por Wouter Van Bellingen Kathleen Gomes
Três casais "boicotaram" o vereador belga por ser negro. Agora, outros 553 de vários países fazem questão que seja ele a casá-los
No início do ano, Wouter Van Bellingen apareceu em tudo o que era jornal da Bélgica flamenga porque se tornara no primeiro vereador negro da Flandres. Mas comparado com o último mês, isso não passou de uma "mini-mini-miniatenção mediática", dizia ao telefone com o PÚBLICO, entre risos. Hoje, se tudo correr como previsto, ele deverá cumprir outra proeza: tornar-se no mais casamenteiro dos vereadores flamengos.
Haverá foto de casamento, buffet de sobremesas multicultural e, naturalmente, baile. Toda a gente de Sint-Niklaas - cidade de 70 mil habitantes próxima de Antuérpia - e arredores foi convidada. "Arredores" é eufemismo: os 553 casais que deverão encher a maior praça de Sint-Niklaas esta tarde vêm "de todo o lado", diz o mestre da cerimónia. "De toda a Flandres, de Bruxelas, mas também da Holanda, França, Inglaterra, Alemanha..." O número de casais inscritos tem crescido todos os dias, a todas as horas. O objectivo não é serem recordistas do Guinness. É passar uma "mensagem clara: o futuro é a cores e isso é bom", diz por telefone Jozef De Witte, director do Centro belga Para a Igualdade de Oportunidades e Luta Contra o Racismo.
A boda colectiva está marcada para hoje não por ser Primavera, mas porque é o Dia Internacional Contra o Racismo.
Wouter Van Bellingen mal tinha assumido funções na Câmara Municipal de Sint-Niklaas (cabendo-lhe, entre outras coisas, a responsabilidade de formalizar casamentos civis) quando se soube que três casais da cidade tinham cancelado o seu matrimónio por não quererem que fosse oficializado por um negro. Van Bellingen diz que isso não o surpreendeu. Só não esperava que acontecesse tão cedo.
O primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt, afirmou-se "indignado" pelo incidente. "A nossa sociedade não tolera uma atitude racista tão estúpida", declarou em Fevereiro, quando o episódio se tornou público e a imprensa belga começou a falar de uma vaga de racismo na Flandres.
O Centro para a Igualdade de Oportunidades, organismo governamental, propôs processar os três casais, mas Van Bellingen não quis. "Para Van Bellingen, era muito claro que os três casais eram vítimas do seu próprio acto", explica Jozef De Witte. "Uma vez que tanto ele como o presidente da Câmara de Sint-Niklaas [o socialista Freddy Willockx] dizem que está fora de questão substituí-lo e outra pessoa celebrar os casamentos, ele considera que, de certa forma, o problema é deles."
Além disso, nota De Witte, habitualmente os casos de racismo têm a ver com a recusa de um serviço a alguém. "Aqui é o cliente que não quer ser servido. E a legislação europeia sobre racismo e discriminação nada diz sobre isso. Quando recuso ir a uma padaria marroquina e prefiro uma padaria vulgar, o problema é meu. Se a marroquina é a única que está aberta ao domingo, não posso comer pão nesse dia", ri-se.
Sim, a serenidade, o não-confronto de Van Bellingen talvez tenha sido a melhor política, diz o presidente do centro belga. Até porque a "condenação pública belga" do episódio foi muito expressiva e clara.
Van Bellingen recebeu mais de dois mil e-mails e cartas de apoio. "De momento, é-me impossível responder a todos." Pouco depois de o incidente se tornar público, o vereador de 34 anos mencionou numa entrevista que algumas pessoas lhe diziam que gostariam que ele as casasse, embora não fossem de Sint-Niklaas. Foi o rastilho. "Todos os outros jornais reproduziram isso, algumas associações locais acharam que era óptima ideia e propuseram organizar um casamento colectivo", conta.
Lembra-se do seu filho de cinco anos voltar da escola um dia e dizer: "Papá, todas as crianças querem que tu as cases..."
Nascido em Antuérpia, filho de pais ruandeses, Van Bellingen foi adoptado por uma família de brancos belgas. O seu nome é do mais flamengo que há. Já se sentira discriminado antes? "Sim, como qualquer pessoa de cor - não apenas na Flandres mas em toda a Europa. Se não, não estariam a ligar-me de Portugal." Frank Vanhecke é o presidente do partido de extrema-direita flamengo, Vlaams Belang (Interesse Flamengo)
Como já nos explicaram várias vezes, no Blasfémias não seu usa levianamente a palavra "fascismo" quando se fala de Salazar. Guarda-se com rigor para lâmpadas ecológicas.
Como é que num partido que se diz conservador ninguém se entende em relação às regras internas, todos alteram a interpretação que fazem delas conforme as conveniências e passam um mês a pô-las em causa em público?
Como é que num partido que se diz conservador ninguém se entende em relação às regras internas, todos alteram a interpretação que fazem delas conforme as conveniências e passam um mês a pô-las em causa em público?
Alguém me explica porque raio um procurador proibe que os jornalistas o filmem e o fotografem na Assembleia da República? Alguém me explica porque raio os deputados se prestam a comunicar aos jornalistas os caprichos do senhor? Alguém me explica porque é que os jornalistas aceitam? Alguém me explica porque seria ofendida a privacidade do senhor se fosse fotografado depois de responder a um órgão de soberania? Alguém me explica onde estava a preocupação do senhor João Guerra com o direito à privacidade quando dirigiu uma investigação que exibiu de forma descarada, em todos os jornais e televisões, através da publicação de escutas telefónicas, a privacidade alheia? Alguém me explica porque parecem ter os magistrados, neste país, direito a um tratamento de excepção?
Tariq Ramadan é detestado por fundamentalistas, pelas ditaduras árabes e pelos neo-conservadores. Muçulmano suiço, académico e polémico, foi convidado por Blair para fazer parte de uma comissão para estudar a integração dos muçulmanos na sociedade britânica. Muita gente não gostou até porque não falta quem ache que o debate sobre os muçulmanos na Europa não é um assunto em que os muçulmanos tenham grande coisa a dizer. Mesmo que sejam europeus. O seu visto para trabalhar nos EUA, onde dava aulas, foi-lhe retirado pelo Departamento de Estado. Goste-se ou não, vale a pena ouvi-lo. Amanhã estará no ISCTE, em Lisboa, a convite do Grupo de Esquerda Europeia (GUE), numa Conferência Internacional sobre Democracia, Integração e Urbanismo ("A Cidade é de Todos") organizada pelo Bloco de Esquerda. É às 16.00 e o tema deste painel será "Migrações, Discriminação e Identidade Urbana"
Em PDF, fica aqui o programa da Conferência. Vale também a pena ouvir, às 14h00, Jordi Borja, um dos mais interessantes urbanistas da Europa, o homem que preparou Barcelona para para as Olimpíadas de 1992, para falar de Democracia e Serviços Públicos.
Tariq Ramadan é detestado por fundamentalistas, pelas ditaduras árabes e pelos neo-conservadores. Muçulmano suiço, académico e polémico, foi convidado por Blair para fazer parte de uma comissão para estudar a integração dos muçulmanos na sociedade britânica. Muita gente não gostou até porque não falta quem ache que o debate sobre os muçulmanos na Europa não é um assunto em que os muçulmanos tenham grande coisa a dizer. Mesmo que sejam europeus. O seu visto para trabalhar nos EUA, onde dava aulas, foi-lhe retirado pelo Departamento de Estado. Goste-se ou não, vale a pena ouvi-lo. Amanhã estará no ISCTE, em Lisboa, a convite do Grupo de Esquerda Europeia (GUE), numa Conferência Internacional sobre Democracia, Integração e Urbanismo ("A Cidade é de Todos") organizada pelo Bloco de Esquerda. É às 16.00 e o tema deste painel será "Migrações, Discriminação e Identidade Urbana"
Em PDF, fica aqui o programa da Conferência. Vale também a pena ouvir, às 14h00, Jordi Borja, um dos mais interessantes urbanistas da Europa, o homem que preparou Barcelona para para as Olimpíadas de 1992, para falar de Democracia e Serviços Públicos.
Estreou nos EUA a 22 de Fevereiro. De Rory Kennedy, mostra como as torturas em Abu Ghraib resultaram de um pouco mais do que da acção de umas ovelhas tresmalhadas. Ghosts of Abu Ghraib foi nomeado para o Festival de Sundance,
Estreou nos EUA a 22 de Fevereiro. De Rory Kennedy, mostra como as torturas em Abu Ghraib resultaram de um pouco mais do que da acção de umas ovelhas tresmalhadas. Ghosts of Abu Ghraib foi nomeado para o Festival de Sundance,
Durão Barroso mostra uma camisola com o seu nome oferecida pelo novo presidente da UEFA, o ex-internacional francês Michel Platini, numa cerimónia que decorreu na sede da comissão, em Bruxelas. Foto: François Lenoir/Reuters.
Durão Barroso mostra uma camisola com o seu nome oferecida pelo novo presidente da UEFA, o ex-internacional francês Michel Platini, numa cerimónia que decorreu na sede da comissão, em Bruxelas. Foto: François Lenoir/Reuters.
Para quem ficou muito chocado com imagens eróticas de dominação em publicidade devia ter passado ontem por um inenarrável concurso: "A Bela e o Mestre". Uma espécie de "Big Brother". De um lado, raparigas supostamente belas (os gostos não se discutem, lamentam-se) que estiveram a vida inteira enfiadas numa cave e por isso nunca ouviram falar de Fidel Castro, de Putin, de Gorbachev ou de fosse quem fosse. O estereótipo boneca-boa-burra-mimada-infantil. O apresentador vai gozando com a inesgotável ignorância das meninas (ao pé das quais até ele parece ser dotado de alguma massa cinzenta) e o público diverte-se com as asneiras das cachopas. Os medíocres entram em delírio quando encontram alguém pior do que eles. Do outro, uns "nerds" supostamente inteligentíssimos, mas flácidos, feios, desajeitados e tímidos, mostram a sua humilhante falta de virilidade, compensada por cursos de ciências em Coimbra. Elas burras e giras, como se quer. Eles feios e cultos, como se espera.
O programa, que se deve julgar muito moderno e até feminista, vai tentar que, por osmose, as mulheres fiquem mais espertas e os homens mais belos. No fim, teremos a igualdade. Se era para provar que as duas coisas se ensinam, porque não ocorreu a ninguém misturar na brincadeira uns belos-burros e umas feias-espertas? Porque seria insuportavelmente humilhante para uns e outros. E não teria graça. Como se vê pelo apresentador, as audiências até aguentam homens pouco dotados de neurónios, mas não suportam mulheres feias. E não costa que o "shares" aumentem quando uma mulher inteligente abre a boca.
O programa, por si só, nada tem de mal. É só a alarvice do costume. Talvez só tenha impressionado quem, como eu, não descia há muito tempo do canal 5. Mas não consigo deixar de ficar perplexo ao perceber que, em 2007, ainda haja gente que queira ver isto. Para quem este estereótipo, mesmo como estereótipo, ainda funcione. E, mais extraordinário, que Rui Zink e Clara Pinto Correia estejam lá para abrilhantar a festa.
E já agora, fica aqui um vídeo que postei há dois meses. A programação da TVI consegue transcender o melhor humor:
Para celebrar a véspera do dia em que o seu ex-líder usou o terrorismo e a mentira para tentar vencer eleições, os apoiantes do PP manifestaram-se em Espanha, mostrando que entre eles a vergonha não abunda. Não gostam da política de Zapatero contra o terrorismo. E acham, vá-se lá saber porquê, que a do seu partido resultou melhor. O que é estranho é que façam a manifestação contra a política de Zapatero para o País Basco na véspera do aniversário de um atentado da responsabilidade de fundamentalistas islâmicos. Insistem na mentira?
Fica apenas uma dúvida: quando Espanha viver finalmente sem o terrorismo etarra, de que viverá a direita espanhola?
Para celebrar a véspera do dia em que o seu ex-líder usou o terrorismo e a mentira para tentar vencer eleições, os apoiantes do PP manifestaram-se em Espanha, mostrando que entre eles a vergonha não abunda. Não gostam da política de Zapatero contra o terrorismo. E acham, vá-se lá saber porquê, que a do seu partido resultou melhor. O que é estranho é que façam a manifestação contra a política de Zapatero para o País Basco na véspera do aniversário de um atentado da responsabilidade de fundamentalistas islâmicos. Insistem na mentira?
Fica apenas uma dúvida: quando Espanha viver finalmente sem o terrorismo etarra, de que viverá a direita espanhola?