Terça-feira, 30 de Setembro de 2008
por Daniel Oliveira
Entrevista do DN à constitucionalista Isabel Mayer Moreira, retirada daqui:

É autora de um dos pareceres entregues no Tribunal Constitucional (TC) no âmbito do recurso interposto por duas mulheres cuja tentativa de casamento civil, em 2006, foi recusada. Por que decidiu escrever esse parecer?
Por imperativo de cidadania. Escrevi-o pro bono [a título gratuito], e por saber que podia pôr os meus conhecimentos de Direito Constitucional ao serviço de uma causa que me parece essencial não ser adiada mais tempo.

Tem-se repetido muito que esta causa não é prioritária...
Os direitos fundamentais são sempre prioritários. As conquistas dos direitos das minorias nunca foram vistas, à data das mesmas, como preocupações da maioria da sociedade. Basta pensar o que aconteceu com a escravatura, com os direitos das mulheres ou com a igualdade entre raças, que também não eram questões vistas como prioritárias. Mas à luz da dignidade da pessoa humana há questões que por natureza são sempre prioritárias.

Aceita o rótulo que tem sido aposto a esta causa, de "fracturante" e "radical"?
Acho excessivo, porque a questão me parece excessivamente simples. Defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é, ao contrário do que acreditam muitos conservadores, atacar visões mais tradicionalistas da família. Há lugar para todos. É apenas defender o alargamento da titularidade do casamento. O que se pretende é que haja mais família, mais casamento.

Que pensa que vai acontecer no TC?
O ideal seria um dos projectos de lei, o do BE ou o de Os Verdes, ser aprovado no Parlamento no dia 10 de Outubro e a lei entrar em vigor antes de o tribunal se pronunciar. A decisão seria assim tomada pelo órgão democrático por excelência, que é o Parlamento. A não ser assim, ainda tenho a esperança de que o TC leia a Constituição.

Como vê a argumentação do PS, que afirma não ter legitimidade para votar a favor?
Não colhe. Em primeiro lugar, porque está no programa do PS remover todas as discriminações fundadas na orientação sexual; mas, ainda que não estivesse no programa, cumprir a Constituição não tem de estar nos programas eleitorais, é um imperativo constitucional. Por fim, concretizar um direito fundamental não pode estar dependente do que ditam conjunturalmente maiorias, opiniões, etc. É nesse sentido que se aponta para uma vocação contramaioritária dos direitos fundamentais.

O seu pai, Adriano Moreira, é uma das figuras tutelares da direita portuguesa. O que acha da sua luta?
Teria muita pena que eu a não tivesse. Porque me conhece e espera que me mantenha fiel àquilo em que acredito.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira



A decisão da RTP de, por pressão da ERC, diminuir o tempo do programa de Marcelo Rebelo de Sousa e de, nos momentos de opinião, "dar espaço aos outros partidos durante o ano eleitoral que aí vem" para compensar a sua presença, é absurda. Os militantes de partidos não são obrigatoriamente representantes de partidos e o comentário político, mesmo que alinhado, não é um tempo de antena. O que vão fazer quando Marcelo criticar o PSD? Descontar o tempo como se não fosse ele a falar?

A RTP tem obrigação de garantir o pluralismo de opiniões. Mas nem isso se faz com um cronómetro na mão (estou à vontade, já que o último relatório da ERC dava ao partido onde milito muito menos tempo de cobertura do que a outros com igual importância eleitoral), nem o pluralismo se esgota nos partidos políticos. Existe mundo político fora dos partidos, existem opiniões pessoais, mesmo da parte de quem é militante partidário, e o pluralismo é um pouco mais do que a mera medição de tempos.

A ERC quer transformar o jornalismo do serviço público televisão numa repartição pública. Os partidos políticos têm direito a protestar quando se sintam prejudicados na cobertura das suas acções ou no excesso de cobertura das acções do governo. E aí não lhes tem faltado matéria para protesto. Não só os partidos. Também os sindicatos (que representam o maior movimento social português e têm um tempo de cobertura mínimo) e as associações. Todos. Mas há uma diferença entre jornalismo e tempo de antena. E há uma diferença entre regulação e avaliação burocrática. A ERC parece conhecer apenas a segunda e está a transformar-se na ASAE da democracia portuguesa. No pior que isto possa significar.

PS: Os Gatos Fedorentos sairam a tempo da RTP. Um dia destes tinham de passar a cumprir quotas nos alvos das suas piadas.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales



O PNR colocou hoje um novo outdoor contra os suspeitos do costume: os estrangeiros. Curiosamente, foram copiar um cartaz de um partido suiço.


por Pedro Sales
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por Pedro Sales



O PNR colocou hoje um novo outdoor contra os suspeitos do costume: os estrangeiros. Curiosamente, foram copiar um cartaz de um partido suiço.


por Pedro Sales
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O PNR colocou hoje um novo outdoor contra os suspeitos do costume: os estrangeiros. Curiosamente, foram copiar um cartaz de um partido suiço.


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por Pedro Sales


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por Daniel Oliveira
José Luís Arnaut, presidente da Comissão de Relações Internacionais do PSD, considerou esta quarta-feira que o republicano John McCain é o candidato à presidência dos Estados Unidos que garante mais segurança e menos riscos num contexto internacional de grande instabilidade, noticia a Lusa.

«Vivemos um momento de grande instabilidade e insegurança na cena internacional e, qualquer situação que não dê estabilidade, é um risco. McCain é alguém que já conhecemos, é alguém que conhece bem o papel da América no mundo e que, pela experiência política e de vida que tem (¿), mostrou que é uma pessoa de convicções fortes», disse o deputado à Agência Lusa.

José Luís Arnaut fez estas declarações num contacto telefónico da Lusa para Saint Paul, Minnesota, onde está a participar na Convenção Republicana na qualidade de

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Estamos a falar do primeiro de todos os direitos: o de sermos iguais perante a lei. Se isto é fracturante não sei o que será consensual em democracia. Quem acha mal que pessoas do mesmo sexo se casem tem bom remédio: não se casa com uma pessoa do mesmo sexo. Quando é que vamos perder o hábito de querer que a lei decida o que é melhor para a vida pessoal de cada um?

Já online, no Expresso, e é lá que se pode comentar.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
por Daniel Oliveira
No inquérito sobre qual a melhor forma de combater e prevenir crises financeira, 76% dos leitores defenderam maior regulação dos mercados financeiros, 14% menor regulação dos mercados financeiros e 10% consideram que se deve deixar tudo como está.

Agora deixemos as frivolidades e vamos a assuntos mais importantes para a humanidade: Quem deve beneficiar de uma habitação municipal em Lisboa? É ir votar.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales



O envelhecimento e progressiva desertificação do centro de Lisboa nos últimas décadas é o que torna mais difícil de “engolir” o escândalo do património disperso da Câmara de Lisboa. Lisboa perdeu 250 mil habitantes desde 1981. São milhares e milhares de jovens que, perante o preço do mercado imobiliário, se refugiaram nos subúrbios. Esse fluxo migratório tem consequências na vida da cidade. A cidade torna-se mais insegura, o trânsito insuportável, o planeamento urbano caótico, o comércio e transporte nocturno uma miragem. Há anos e anos que não há candidatura autárquica que se preze que não prometa “repovoar” Lisboa com jovens.

Ora, pelo que agora se sabe, para além dos fogos da habitação social, a câmara dispõe de 3200 casas espalhadas pela capital. E durante as três décadas em que a cidade se foi envelhecendo e desertificando, os sucessivos executivos preferiram distribuir apartamentos a amigos, directores municipais, da polícia, jornalistas, vereadores e sabe-se lá a quem mais. Algumas das casas terão sido certamente entregues a quem precisava, não duvido. Mas a questão de fundo mantém-se. Sem critérios claros, a distribuição destas casas foi casuística e nepotista. Pior. A câmara hipotecou o principal instrumento de que dispunha para influenciar os preços do mercado e para chamar jovens em início de carreira, efectivamente necessitados de rendas controladas, para o centro da cidade. Escolheu a via mais fácil. A inexistência de regras, permitiu a quem pôde entregar casas a todos quantos se sabiam movimentar nos corredores do Paços do Concelho.

É por isso que as declarações hoje proferidas por Ana Sara Brito são uma afronta aos milhares de jovens que, querendo continuar em Lisboa, passam horas e horas nos transportes para conseguir trabalhar na capital. Diz a vereadora da habitação que, tendo uma casa cedida por Krus Abecassis, o contrato sempre foi legal e a renda foi sendo actualizada ao longo destes 20 anos. Não duvido. Mas, verdade verdadinha, é que quando deixou a casa, em 2007, pagava cento e cinquenta euros por mês. Se o contrato não é de favor, o preço não engana. Ana Sara Brito, com um salário certamente superior a 90% dos lisboetas, vivia numa casa ao lado da principal artéria da capital, pagando um renda que não dá para alugar um simples quarto na periferia.  Ana Sara Brito está a mais no cargo que ocupa. Se não o percebe, o mais certo é que os lisboetas acabem por o fazer por si.

PS: António Costa solicitou solicitou um parecer à Comissão Nacional de Dados para divulgar a lista do património disperso da autarquia, quem o ocupa e as rendas praticadas. Fez bem. Perante o avolumar da história não há nada como divulgar todos os nomes. Até porque, como se tem visto, tudo o que sai na imprensa vem da mesma fonte. Está na altura de conhecer toda a história, e não apenas a que mais convém a Santana Lopes e Helena Lopes da Costa.
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O envelhecimento e progressiva desertificação do centro de Lisboa nos últimas décadas é o que torna mais difícil de “engolir” o escândalo do património disperso da Câmara de Lisboa. Lisboa perdeu 250 mil habitantes desde 1981. São milhares e milhares de jovens que, perante o preço do mercado imobiliário, se refugiaram nos subúrbios. Esse fluxo migratório tem consequências na vida da cidade. A cidade torna-se mais insegura, o trânsito insuportável, o planeamento urbano caótico, o comércio e transporte nocturno uma miragem. Há anos e anos que não há candidatura autárquica que se preze que não prometa “repovoar” Lisboa com jovens.

Ora, pelo que agora se sabe, para além dos fogos da habitação social, a câmara dispõe de 3200 casas espalhadas pela capital. E durante as três décadas em que a cidade se foi envelhecendo e desertificando, os sucessivos executivos preferiram distribuir apartamentos a amigos, directores municipais, da polícia, jornalistas, vereadores e sabe-se lá a quem mais. Algumas das casas terão sido certamente entregues a quem precisava, não duvido. Mas a questão de fundo mantém-se. Sem critérios claros, a distribuição destas casas foi casuística e nepotista. Pior. A câmara hipotecou o principal instrumento de que dispunha para influenciar os preços do mercado e para chamar jovens em início de carreira, efectivamente necessitados de rendas controladas, para o centro da cidade. Escolheu a via mais fácil. A inexistência de regras, permitiu a quem pôde entregar casas a todos quantos se sabiam movimentar nos corredores do Paços do Concelho.

É por isso que as declarações hoje proferidas por Ana Sara Brito são uma afronta aos milhares de jovens que, querendo continuar em Lisboa, passam horas e horas nos transportes para conseguir trabalhar na capital. Diz a vereadora da habitação que, tendo uma casa cedida por Krus Abecassis, o contrato sempre foi legal e a renda foi sendo actualizada ao longo destes 20 anos. Não duvido. Mas, verdade verdadinha, é que quando deixou a casa, em 2007, pagava cento e cinquenta euros por mês. Se o contrato não é de favor, o preço não engana. Ana Sara Brito, com um salário certamente superior a 90% dos lisboetas, vivia numa casa ao lado da principal artéria da capital, pagando um renda que não dá para alugar um simples quarto na periferia.  Ana Sara Brito está a mais no cargo que ocupa. Se não o percebe, o mais certo é que os lisboetas acabem por o fazer por si.

PS: António Costa solicitou solicitou um parecer à Comissão Nacional de Dados para divulgar a lista do património disperso da autarquia, quem o ocupa e as rendas praticadas. Fez bem. Perante o avolumar da história não há nada como divulgar todos os nomes. Até porque, como se tem visto, tudo o que sai na imprensa vem da mesma fonte. Está na altura de conhecer toda a história, e não apenas a que mais convém a Santana Lopes e Helena Lopes da Costa.
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O envelhecimento e progressiva desertificação do centro de Lisboa nos últimas décadas é o que torna mais difícil de “engolir” o escândalo do património disperso da Câmara de Lisboa. Lisboa perdeu 250 mil habitantes desde 1981. São milhares e milhares de jovens que, perante o preço do mercado imobiliário, se refugiaram nos subúrbios. Esse fluxo migratório tem consequências na vida da cidade. A cidade torna-se mais insegura, o trânsito insuportável, o planeamento urbano caótico, o comércio e transporte nocturno uma miragem. Há anos e anos que não há candidatura autárquica que se preze que não prometa “repovoar” Lisboa com jovens.

Ora, pelo que agora se sabe, para além dos fogos da habitação social, a câmara dispõe de 3200 casas espalhadas pela capital. E durante as três décadas em que a cidade se foi envelhecendo e desertificando, os sucessivos executivos preferiram distribuir apartamentos a amigos, directores municipais, da polícia, jornalistas, vereadores e sabe-se lá a quem mais. Algumas das casas terão sido certamente entregues a quem precisava, não duvido. Mas a questão de fundo mantém-se. Sem critérios claros, a distribuição destas casas foi casuística e nepotista. Pior. A câmara hipotecou o principal instrumento de que dispunha para influenciar os preços do mercado e para chamar jovens em início de carreira, efectivamente necessitados de rendas controladas, para o centro da cidade. Escolheu a via mais fácil. A inexistência de regras, permitiu a quem pôde entregar casas a todos quantos se sabiam movimentar nos corredores do Paços do Concelho.

É por isso que as declarações hoje proferidas por Ana Sara Brito são uma afronta aos milhares de jovens que, querendo continuar em Lisboa, passam horas e horas nos transportes para conseguir trabalhar na capital. Diz a vereadora da habitação que, tendo uma casa cedida por Krus Abecassis, o contrato sempre foi legal e a renda foi sendo actualizada ao longo destes 20 anos. Não duvido. Mas, verdade verdadinha, é que quando deixou a casa, em 2007, pagava cento e cinquenta euros por mês. Se o contrato não é de favor, o preço não engana. Ana Sara Brito, com um salário certamente superior a 90% dos lisboetas, vivia numa casa ao lado da principal artéria da capital, pagando um renda que não dá para alugar um simples quarto na periferia.  Ana Sara Brito está a mais no cargo que ocupa. Se não o percebe, o mais certo é que os lisboetas acabem por o fazer por si.

PS: António Costa solicitou solicitou um parecer à Comissão Nacional de Dados para divulgar a lista do património disperso da autarquia, quem o ocupa e as rendas praticadas. Fez bem. Perante o avolumar da história não há nada como divulgar todos os nomes. Até porque, como se tem visto, tudo o que sai na imprensa vem da mesma fonte. Está na altura de conhecer toda a história, e não apenas a que mais convém a Santana Lopes e Helena Lopes da Costa.
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por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira
um dos meus dias favoritos do ano é aquele em que recebo na caixa do correio a cartinha da câmara municipal de lisboa referente ao pagamento da tarifa de esgotos. serve para lembrar a natureza da minha (nossa) relação com o município de há uns anos para cá.

por Pedro Vieira
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por Pedro Sales


O mais espantoso nesta história das casas da CML é o sepulcral silêncio que envolveu um esquema com esta dimensão. Durante mais de 30 anos, foram entregues 3200 casas a título excepcional e sem critérios definidos. Façamos as contas. Uma em cada sessenta famílias a viver em Lisboa tem uma casa, loja ou sobreloja entregue pela câmara a preços de saldo. Tão espantoso quanto o sucesso deste silêncio, e revelador do esquema bem português que foi alimentando esta rede de cumplicidades, é o desplante que os visados revelam nas respostas à imprensa. Pedro Feist diz que o poder discricionário do vereador da habitação ”é uma realidade histórica”, o que parece tornar a prática aceitável. Como é normal entre nós, não há nenhum arrendatário desta criteriosa prebenda que não ande na rua de cabeça erguida e sem vergonha de ninguém.


Baptista Bastos recusa-se mesmo a revelar quanto paga de renda, dizendo apenas que quando precisou de casa pediu. É um assunto privado, claro, como é que podia ser de outra forma beneficiar de uma casinha com uma renda de favor, subsidiada com os impostos dos restantes lisboetas? Que isso nunca o tenha impedido de escrever aquelas insuportáveis crónicas invocando uma intangível superioridade moral que só a ele assiste, dá a dimensão perfeita de como o descaramento pode render frutos entre nós. A começar pela casinha.


PS: Passado o torpor do escândalo, interessante mesmo era conhecer a listagem dos restantes três mil e tal inquilinos e os critérios que presidiram à atribuição de cada casinha. Talvez desse para perceber melhor algumas comissões de honra...


por Pedro Sales
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O mais espantoso nesta história das casas da CML é o sepulcral silêncio que envolveu um esquema com esta dimensão. Durante mais de 30 anos, foram entregues 3200 casas a título excepcional e sem critérios definidos. Façamos as contas. Uma em cada sessenta famílias a viver em Lisboa tem uma casa, loja ou sobreloja entregue pela câmara a preços de saldo. Tão espantoso quanto o sucesso deste silêncio, e revelador do esquema bem português que foi alimentando esta rede de cumplicidades, é o desplante que os visados revelam nas respostas à imprensa. Pedro Feist diz que o poder discricionário do vereador da habitação ”é uma realidade histórica”, o que parece tornar a prática aceitável. Como é normal entre nós, não há nenhum arrendatário desta criteriosa prebenda que não ande na rua de cabeça erguida e sem vergonha de ninguém.


Baptista Bastos recusa-se mesmo a revelar quanto paga de renda, dizendo apenas que quando precisou de casa pediu. É um assunto privado, claro, como é que podia ser de outra forma beneficiar de uma casinha com uma renda de favor, subsidiada com os impostos dos restantes lisboetas? Que isso nunca o tenha impedido de escrever aquelas insuportáveis crónicas invocando uma intangível superioridade moral que só a ele assiste, dá a dimensão perfeita de como o descaramento pode render frutos entre nós. A começar pela casinha.


PS: Passado o torpor do escândalo, interessante mesmo era conhecer a listagem dos restantes três mil e tal inquilinos e os critérios que presidiram à atribuição de cada casinha. Talvez desse para perceber melhor algumas comissões de honra...


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por Pedro Sales


O mais espantoso nesta história das casas da CML é o sepulcral silêncio que envolveu um esquema com esta dimensão. Durante mais de 30 anos, foram entregues 3200 casas a título excepcional e sem critérios definidos. Façamos as contas. Uma em cada sessenta famílias a viver em Lisboa tem uma casa, loja ou sobreloja entregue pela câmara a preços de saldo. Tão espantoso quanto o sucesso deste silêncio, e revelador do esquema bem português que foi alimentando esta rede de cumplicidades, é o desplante que os visados revelam nas respostas à imprensa. Pedro Feist diz que o poder discricionário do vereador da habitação ”é uma realidade histórica”, o que parece tornar a prática aceitável. Como é normal entre nós, não há nenhum arrendatário desta criteriosa prebenda que não ande na rua de cabeça erguida e sem vergonha de ninguém.


Baptista Bastos recusa-se mesmo a revelar quanto paga de renda, dizendo apenas que quando precisou de casa pediu. É um assunto privado, claro, como é que podia ser de outra forma beneficiar de uma casinha com uma renda de favor, subsidiada com os impostos dos restantes lisboetas? Que isso nunca o tenha impedido de escrever aquelas insuportáveis crónicas invocando uma intangível superioridade moral que só a ele assiste, dá a dimensão perfeita de como o descaramento pode render frutos entre nós. A começar pela casinha.


PS: Passado o torpor do escândalo, interessante mesmo era conhecer a listagem dos restantes três mil e tal inquilinos e os critérios que presidiram à atribuição de cada casinha. Talvez desse para perceber melhor algumas comissões de honra...


por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira
Alertado por um comentador, descobri que o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas pediu esclarecimentos a um blogger por causa de um texto seu. Sendo o blogger em causa jornalista, apesar do seu post não ter sido escrito num órgão de comunicação social, será interessante saber se se lhe aplica neste caso o Código Deontológico. Não sei, talvez sim, talvez não. Será um novo campo a explorar. Independentemente do teor do post em causa, o que perturba mesmo, por ser mais um sinal do divórcio entre os que tratam da regulação e da auto-regulação na comunicação social e as novas realidades de comunicação, é o começo da carta enviada ao blogger em causa:

"Exmo.Sr/Camarada, o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas recebeu, no passado dia 13 de Setembro, uma queixa relativa ao comentário que assinou no blog Bola na Área, a cujo Conselho de Administração também pertence".

Ainda não chegámos ao terreno das dúvidas éticas e deontológicas, a partir do qual o debate se pode fazer. Ainda estamos na fase da ignorância pura, em que a reflexão ainda não é possível.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Harold Bloom
Genio
Ediciones Anagrama

Herberto Helder
R. D. Pedro I, 361, 1º C
2750-432 Cascais
Portugal

por Daniel Oliveira
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por Arrastão
Aderiram ao Santa Aliança mais cinco blogues, passando assim a ser 22 os agregados. São eles: Samuel Cantigueiro, Esquerda Republicana, Vento Sueste, Rui Tavares e Avatares de um Desejo. Esperamos anunciar esta a semana mais alguma novidade.

por Arrastão
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por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
Entram para o Santa Aliança mais cinco blogues, passando assim a serem 22 os blogues agregados. São eles: Samuel Cantigueiro, Esquerda Republicana, Vento Sueste, Rui Tavares e Avatares de um Desejo. Esperamos anunciar esta a semana mais alguma novidade.

por Daniel Oliveira
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Domingo, 28 de Setembro de 2008
por Daniel Oliveira
Há dois anos, estive, com outros militantes do Bloco, envolvido no nascimento do Esquerda.net. Tratava-se do primeiro portal de informação de um partido nascido em Portugal, separado dos tradicionais sites partidários. Já sem qualquer actividade na coisa, vejo com alegria que o projecto cresceu muito para além das melhores espectativas em visitantes, em maturidade e em qualidade. O Esquerda.net conseguiu criar um novo tipo de comunicação política. Menos propaganda, mais informação, tendo o Bloco percebido muito cedo que, num país sem espaço comercial para a publicações de informação alternativa, esse é o espaço onde um partido pode apostar. O Esquerda continua a ser para mim uma excelente fonte de informação. Não apenas as notícias diárias e os artigos de opinião, mas os seus programas de rádio, os seus dossiers temáticos de fim-de-semana, a revista digital Vírus, as fotogalerias, as entrevistas em suporte vídeo e a recente relação mais próxima com a blogosfera. Próximos passos, na minha opinião: mais alguma reportagem em vídeo e a capacidade de alguma interactividade com os leitores, através do "jornalismo cidadão".

Para os meus camaradas que diariamente mantêm o esqueda.net, alguns deles com larga experiência de jornalismo, ficam os meus parabéns pelo magnífico trabalho. Mesmo sendo um portal partidário, é uma excelente ferramenta para qualquer pessoa, esteja próxima ou distante do Bloco. E era isso que queria ser.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales
“O meu filho é que mora lá, não tenho dinheiro para lhe comprar uma casa nova”. “É a minha casa de reserva, se amanhã tiver de me separar outra vez para onde vou?”

José Bastos, director do departamento de apoio da CML, justificando a casa em Telheiras que a câmara lhe cedeu há 20 anos e pela qual paga uma renda de 95 euros. Expresso, 27 Setembro.

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Luís Naves diz que fiz uma análise apaixonada do debate entre Obama e McCain. Só há uma forma objectiva de determinar quem venceu um debate: num primeiro momento ler as sondagens e saber quem é que as pessoas acharam que ganhou. E num segundo momento ver nas sondagens o efeito que essa vitória teve nos votos.

Em todas as sondagens que vi até agora, uma larga maioria dos americanos que viu o debate atribuiu a vitória a Obama. Poderão dizer que a maioria dos telespectadores eram democratas. Mas as sondagens que li também dizem que Obama ganhou entre os independentes (43%-33%). Mais: 30% afirma ter melhorado a sua opinião sobre o Obama, contra apenas 14% que terá piorado; 21% dizem que melhoraram a sua opinião sobre McCain e 21% que pioraram. Melhorou opiniões e ganhou nos independentes. E estes eram, como é evidente, os seus objectivos. Esta é a forma objectiva de analisar vitórias e derrotas num debate.

Ainda é cedo, mas os primeiros dados indicam que McCain ficou na mesma na intenção de votos. Como vai com um atraso e esta era a sua possibilidade de inverter a queda, perdeu. Ainda mais quando a política internacional e de defesa era, dizia-se, o melhor tema para ele. Os próximos debates parecem ser menos favoráveis.

Para quem viu o debate na CNN, e acompanhou o gráfico de aprovação dos telespectadores democratas, republicanos e indepententes, não será dificil perceber onde, para lá dos temas, perdeu McCain. Perdeu exactamente onde parece julgar que venceu: na arrogância e nos ataques ao oponente. A estratégia de humildade seguida por Obama só ajudou a acentuar a imagem professoral de McCain. E são geralmente estas coisas, mais do que o conteúdo do debate (em que os analistas com menos experiência em preparação de debates tendem em concentrar-se para encontrar vencedores e derrotados), que dão vitórias e derrotas. Mais: é relativamente indiferente se a maioria dos que via o debate eram democratas (só demonstra que estes estão mais mobilizados). O facto de todas as sondagens, no dia seguinte, terem dado a vitória a Obama, desmobiliza ainda mais o campo republicano. E isso tem efeitos nos indecisos que, geralmente, preferem votar em quem vai ganhar.

Estranhamente (lá terão os seus dados), a campanha de McCain insiste em usar a humildade de Obama contra ele:



Uma boa estratégia para os convencidos, mas uma estranha táctica para os restantes que acentua ainda mais a arrogância do candidato republicano. O pior que têm para dizer sobre Obama é que ele concorda com McCain? Será que acham (parece que sim) que essa é uma demonstração de fraqueza? Será que os americanos acham? Tenho todas as dúvidas e os resutados bastante expressivos das sondagens pós-debate indicam exactamente o contrário.

Noutro registo, sobre a sabedoria de McCain em matéria internacional, é interessante ter ouvido o senador supostamente veterano nestes temas a afirmar que o Paquistão era, antes Musharraf, um "Estado falhado". Pode dizer-se que é, no minimo, orginal. A não ser que o candidato não saiba o que quer dizer este termo.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Como o Pedro Sales é um gajo modesto, já sei que não vai dizer nada. Aqui fica a entrevista que ele deu hoje ao Pedro Rolo Duarte, na Antena 1, como distinto escriba do Arrastão. Aqui ou directamente aqui.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Assinando com o seu nome seguido de "conselho regulador da ERC", Estrela Serrano resolveu, ao que parece, estender as suas competências à blogosfera. Julga ter direito, não apenas a comentar os posts como os restantes cidadãos, mas a exigir que o seu comentário seja publicado como post num blogue, neste caso o Blasfémias. Estrela Serrano deixa claro que o seu "direito de réplica" é feito enquanto "membro de uma entidade sobre qual (Gabrile Silva) escreveu sem audição prévia”. Ficam algumas dúvidas:

1. Foi a resposta de Estrela Serrano, escrita enquanto membro da ERC, aprovada pelos restantes mebros da Entidade Reguladora?
2. Se sim, quer isso dizer que a ERC decidiu estender a sua acção à blosgosfera? Quando? É que lendo o artigo 6º do Estatuto da ERC tenho todas as dúvidas sobre a possibilidade dos blogues estarem no âmbito desta entidade. E lendo o artigo 24º dos Estatutos da ERC, não consigo enquadrar este "post" em nenhuma das competências legais do conselho regulador da ERC.
3. Se não, com que autoridade envia Estrela Serrano "réplicas" para blogues assinando em nome do Conselho Regulador da ERC?

É que começa a ficar um pouco estranha a forma livre e improvisada como os membros deste conselho regulador da ERC, e em particular a dr. Estrela Serrano, nomeados para funções específicas, entram em polémicas, enviam artigos para jornais, participam em debates televisivos, e agora, ao que parece, escrevem posts para blogues sem qualquer mandato ou limitação de funções. Devo recordar que a ERC tem poderes muito alargados e que a desobediência a algumas das suas decisões constitui crime. Por isso, está na altura de alguém começar a questionar onde começa e acaba a autoridade dos membros da ERC, os métodos que utilizam e a forma informal como parecem agir. Em Portugal há leis e regras a cumprir. Estrela Serrano não escreve a título pessoal como membro de uma entidade pública, muito menos como mebro de uma entidade com o tipo de poderes que a ERC detém. As suas responsabilidades e poder exigem um dever de cumprimento de formalismos legais.

Exige-se por isso que, sem falta, se torne pública a acta da reunião da ERC onde a sua réplica para o Blasfémias foi aprovada e a argumentação jurídica para alargar o âmbito de actividade da ERC aos blogues. Apesar de por vezes parecer, Portugal não é uma República das Bananas, onde as pessoas usam o lugar que ocupam num organismo público para escrever para jornais ou blogues a sua opinião pessoal. Ou Estrela Serrano escreve em nome da ERC, e isso quer dizer que abriu um precedente nas funções daquele entidade, ou escreve em nome pessoal e usou abusivamente o nome da instituição para a qual foi nomeada no texto que enviou para um blogue, como uma forma de pressão para que ele fosse publicado. Exigem-se explicações.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


"The Hustler", 1961


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
...ir à Luz na companhia de uma benfiquista para sofrer dois golos e fingir, no fim, que não se levou a mal.

por Daniel Oliveira
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Sábado, 27 de Setembro de 2008
por Pedro Vieira

Kelis - Milkshake | Music Videos | SPIKE.com




há gente que deixa lastro, imenso dele, e nessa gente incluem-se indivíduos como breton, buñuel ou dalí, éluard ou magritte, que cobriram várias áreas da criação com o cunho do surrealismo, com excepção da nobre arte da música. para tal estava guardada a americana kelis, talento rn'b com elevada taxa de penetração na cadeia bershka, também conhecida como "boca do inferno" por um ou outro segmento da população. atenção, eu gosto da kelis, e dos seus generosos caracóis. e da escrita desconcertante. atente-se na letra cantarolada no video suprapublicado.

My milkshake brings all the boys to the yard,
And their like
It's better than yours,
Damn right it's better than yours,
I can teach you,
But I have to charge


o batido, que traz a rapaziada para o pátio. e o que eles gostam dele. e eu ensinava-te este banana-split mas só se pagasses. aqui aceito uma certa lógica se aceitarmos a premissa anterior, de que os banana-splits arrastam mesmo a malta para o pátio. pague-se então esta sabedoria, vivemos num mundo sem almoços grátis e nunca pensei escrever um post que aludisse simultaneamente à kelis e ao joão césar das neves. alguém me alerta para o facto de yard também querer dizer verga, mas julgo que em contexto de marinhagem. talvez o batido os faça embarcar, seja como for eles hão-de gostar dele de uma forma melhor do que a tua. han?

kelis não está só nestas andanças. cá no rectângulo também outros navegaram pelo manto surrealista, nomeada e mormente assim

se eu fosse um dia o teu olhar
e tu as minhas mãos também


também o quê?

não identifico o autor porque embirro com indivíduos que nunca tiram os óculos em público, sinal de que nunca enfardaram com um petardo de um chavalo do bairro da boavista, no pátio (yard) da escola. sem querer, mas que faz voar as lunetas para parte incerta. a bem da pureza autobiográfica adianto que o dito chavalo joga hoje no atlético de madrid, mas este não é um post sobre futebol, embora haja dicionários de sinónimos que o equiparem à filosofia de breton e compinchas.

portugal está portanto bem equipado para não deixar morrer as diatribes artísticas ancoradas nas terapias psicanalíticas. e depois temos o sentido estratégico de um luis filipe menezes, indivíduo apostado em alastrar o conceito à também nobre arte da política. capricha no batido, rapaz, estamos quase todos a vir para o pátio, sulistas, elitistas e liberais e todos os outros.

por Pedro Vieira
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por Pedro Sales


Num dos momentos mais desconcertantes d”As faces de Harry”, um dos personagens, interpretado por Robin Williams, sofre de uma estranha doença que o vai tornando progressivamente desfocado. Ao seu lado, colegas, amigos e familiares vão dizendo que ele se encontra “out of focus”. Sem saber o que fazer para resolver a sua situação, obriga toda a família a usar óculos para que o possam ver correctamente. Perante a radical solução, uma mulher acaba por reclamar: ''You expect the world to adjust to the distortion you've become!''



Manuela Ferreira Leite está cada vez mais parecida com o personagem de Woody Allen. Depois de garantir que as suas aparições seriam poucas, para maximizar o impacto de uma mensagem centrada “apenas nas questões que verdadeiramente preocupam os Portugueses", as energias do PSD têm sido gastas com o voto dos emigrantes e o Estatuto dos Açores, dois assuntos que suspeito importarem tanto aos portugueses como a secreta vida sexual das sardinhas em lata de conserva.

Há dois dias, na terceira declaração de Manuela Ferreira Leite nos últimos dois meses, as suas palavras foram destinadas à opulência do comício do PS e ao relevante facto de José Sócrates fingir que não lia o discurso quando o fazia através de um power-point (sic!). Código de trabalho, desemprego, OE, preços da gasolina ou o impacto da crise financeira e do BCE nos juros que vão comendo o orçamento das famílias portuguesas, isso, claro, são assuntos que ainda não mereceram uma palavra do PSD. Como, ao contrário dos filmes de Woddy Allen, as pessoas teimam em não querer mudar para fazer a vontade aos outros, a resposta parece vir na volta do correio, e concentrar cada vez mais à esquerda a oposição ao governo.
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por Pedro Sales
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por Arrastão
A partir de hoje, se quiserem partilhar os posts do Arrastão com alguém só têm de clicar na opção "Share This", que está no fim de cada post. Lá terão todas as opções: através da Social Web, transformando-os em posts ou enviando via mail.

por Arrastão
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por Daniel Oliveira




Mais tarde irei mais longe. Mas, sobre o debate entre McCain e Obama, pode-se começar por dizer algumas coisas:
1 - O pior momento para tratar assuntos com a complexidade da política externa, onde quem ouve sabe tão pouco e quem fala tem de ter isso em conta, são campanhas eleitorais. Nada passa do básico.
2 - Apesar de discordar de metade do que Obama disse sobre política externa, esta deve ser a campanha em que há diferenças mais profundas entre os candidatos republicano e democrata.
3 - McCain representa uma continuidade quase absoluta da administração de George W. Bush em política internacional (ainda mais do que se poderia prever), Obama está longe de representar uma revolução, mas representa o regresso ao período pré-Bush.
4 - Segundo todas as sondagens que vi até agora, os americanos consideraram que Obama ganhou o debate, quer no que toca à política externa, quer no que diz respeito à economia. Este era o debate mais dificil para Obama, aquele onde a sua inexperiência mais pesava. E esta era a vitória que McCain mais precisava, quando está no seu pior momento. A percepção de que Obama venceu é excelente para o candidato democrata.
5 - McCain perdeu mais onde mais precisava de ganhar: na economia. E é disso, e não do Iraque ou do Afeganistão, que os americanos vão falar nos próximos dias.


Quem quiser ver o debate completo clique no link em baixo.














por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008
por Pedro Vieira



um vídeo de apoio eleitoral ao cavaliere, encontrado no Blogue Malandro. os meus destaques vão para a felicidade dos jovens trabalhadores de call-center (felgueiras, does it ring a bell?) e a apoteose final em frente ao palazzo della civiltà del lavoro, legado arquitectónico do saudoso benito à cidade de roma e ao povo italiano. isto anda tudo ligado, já dizia o outro.
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por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira


Via Peão


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Ia eu outro dia na carreira 9 da Carris quando reparei com espanto que, no meio de encontrões, um senhor segurava num portátil e lia o Insurgente. Virou-se para mim e disse: "este senhor (ele usou outra termo mas por educação não repito), sabe quem é?" Olhei e assinava o RAF. "O gajo não disse que não lia mais o Público?", perguntou o homem na casa dos 70 e que me contou, enquanto agarrava o portátil em desequilíbrio, ser torneiro mecânico aposentado. Uma senhora de porte imponente e com uma bata listada, que devia andar pelos 50, lá do fundo do autocarro, confirmou: "É verdade! É verdade!" "Parece que agora tem conversas com desconhecidos que lêem os artigos que ele se recusa a ler e que acham sobre o que lêem exactamente o mesmo que ele acharia se os tivesse lido", continuou o homem. "Pois é", respondi eu, um pouco baralhado, enquanto sentia um cotovelo de uma senhora no meu abdómen. "E o mais engraçado", continuou com um riso talvez exagerado tendo em conta que um miúdo acabara de bolçar em cima do teclado do seu Mac, "é que é logo alguém com uma vida inteira dedicada aos mercados financeiros, de prestígio intocável, que assim dá uma especial autoridade técnica às suas opiniões".

"Mas o mais interessante, posso mesmo dizer que se trata de uma possibilidade num milhão", disse, enquanto enfiava o portátil num saco do Minipreço, "é que, noutro dia, o cunhado de uma prima minha que vinha de comboio para Lisboa viu um tipo a ter uma conversa parecidíssima com esta - ficou atento por ele estar a falar da bolha do imobiliário, que é uma coisa que lhe interessa imenso. Estava toda a gente boquiaberta a olhar para ele. É que a cadeira ao lado dele estava vazia, com um jornal pousado". "A sério?", perguntei eu, já mais interessado, apesar de ter a cara a esborrachar-se num varão por causa de um grupo de adolescentes que queria sair no Rato. "Sabe o que eu lhe diria, se deixasse um comentário no Insurgente?", gritou ele, já do lado de fora do autocarro, na rua Alexandre Herculano. Eu aproximei-me da janela, com o autocarro em andamento, para o ouvir. E ele gritou: "Get over it!".

Apesar de um ou outro pormenor ser romanceado (o miúdo não chegou a bolçar), juro por tudo, tudo, tudo o que há de mais sagrado que esta conversa aconteceu nestas circunstâncias e mais ou menos nestes termos. Um dia destes tenho de vos contar a conversa que tive com Ben Bernanke e Henry Paulson à porta de um bar no Bairro Alto. Foi interessantíssima.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira


© rabiscos vieira


e agora é cruzar os dedos e confiar que a relação com o meu administrador seja boazinha, que o emprego dá-me um jeito danado e há que pagar as prestações.


por Pedro Vieira
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