Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
por Daniel Oliveira



por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales
Uma oferta irrecusável

Não passou certamente despercebido ao mundo, e muito menos aos portugueses, que depois de Cavaco Silva ter iniciada a sessão de hoje em Wall Street, a bolsa não mais parou de crescer. Nos dias que correm não é coisa pouca. Deixo aqui, por isso, um compungido apelo. Em nome da economia mundial e da projecção internacional do país, fica por Wall Street.

Estou certo que, como Durão Barroso, o Presidente da República é um homem que não hesita em colocar os interesses do bem geral à frente dos seus. Valha-nos isso.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales
Hoje, depois do PSD ter participado na votação por unanimidade do Estatuto dos Açores, Paulo Rangel declarou que o seu partido vai solicitar a fiscalização sucessiva da sua constitucionalidade. É preciso reconhecer que esta é de génio. O PSD votou a favor de uma lei que não hesita em considerar inconstitucional. Entre as profundas convicções sobre a "crise de regime" e os "perigos para a separação de poderes" levantados pelo estatuto, o PSD fez as contas do costume e preocupou-se foi com os votinhos nos Açores daqui a três semanas. O resto é conversa para quem quiser ser enganado.

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira



Pode ler-se no Projecto de Teses do XVIII Congresso do PCP, sobre o período da queda dos regimes comunistas do Leste da Europa: "Perante os complexos problemas que se manifestaram na construção do socialismo na URSS, assim como noutros países do Leste da Europa o PCP, expressou compreensão e solidariedade para com os esforços e orientações que proclamavam visar a sua superação, alertando simultaneamente para o desenvolvimento de forças anti-socialistas e para a escalada de ingerências imperialistas, confiando em que existiam forças capazes de defender o poder e as conquistas dos trabalhadores e promover a necessária renovação socialista da sociedade. Mas certas medidas tomadas agravaram os problemas ao ponto de provocar uma crise geral. O abandono de posições de classe e de uma estreita ligação com os trabalhadores, a claudicação diante das pressões e chantagens do imperialismo, a penetração em profundidade da ideologia social-democrata, a rejeição do heróico património histórico dos comunistas, a traição de altos responsáveis do Partido e do Estado, desorientaram e desarmaram os comunistas e as massas para a defesa do socialismo, possibilitando o rápido desenvolvimento e triunfo da contra-revolução com a reconstituição do capitalismo."

Mas há esperança: "Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia."

Para quem acha que tenho uma fixação pelo PCP, vale a pena fazer uma busca nas teses do PCP e ver as inúmeras vezes que, a propósito ou a despropósito, o Bloco de Esquerda é referido nas teses. Fica apenas uma delas. Porque sou simpático, esta até é elogiosa: "Também o Bloco de Esquerda, com o seu denominado «europeísmo de esquerda», atrás do qual esconde o seu federalismo envergonhado, se confirma como uma das forças políticas favoráveis ao avanço do carácter supranacional da União Europeia, desvalorizando e menosprezando a importância central da preservação da soberania nacional como alicerce incontornável do desenvolvimento do País e instrumento indispensável para a luta por uma outra Europa." Se o "federalismo" é falso, tudo o resto, dando o devido desconto ao jargão do PCP, é verdadeiro. Porque o nacionalismo foi uma das mais graves doenças que afectou o movimento comunista, contrariando todos os fundamentos da sua génese.

E, nesta matéria, o PCP está cada vez mais só mesmo entre os seus congéneres europeus, como o próprio acaba por confessar: "Ainda muito marcado pelas negativas consequências das derrotas do socialismo, assiste-se, por um lado, a valiosos processos de resistência, afirmação e recuperação de Partidos Comunistas, mas, por outro lado, continuam a desenvolver-se tendências revisionistas e reformistas envolvendo processos de degenerescência, autoliquidação e diluição em frentismos de «esquerda», com o abandono das referências ideológicas e objectivos revolucionários que definem os comunistas como corrente revolucionária necessária ao fortalecimento da frente anti-imperialista, e insubstituível para a liquidação do capitalismo e para a construção de uma nova sociedade sem exploradores nem explorados. Neste sentido, o Partido da Esquerda Europeia , que o PCP não integrou pela sua lógica supranacional e natureza ideológica, não só se confirmou como uma falsa resposta ao reconhecidamente necessário reforço da cooperação das forças de esquerda anticapitalistas na Europa, como introduziu factores de divisão, afastamento e preconceito, que se manifestaram nomeadamente no Grupo da Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Verde Nórdica no Parlamento Europeu." Grande parte dos partidos comunistas europeus integra o Partido da Esquerda Europeia.

Se o PCP insite na sua vertente nacionalista, as outras doenças, as que realmente destruiram o "socialismo real", bem mais graves e criminosas, não merecem grande preocupação. E olhando para o primeiro parágrafo, percebemos que o PCP as vê como, na melhor das hipóteses, apenas um mal menor. E vendo que escolhe a "monarquia" coreana como um dos países que quer construir uma sociedade socialista, ficamos seguros que está pronto para repetir a tragédia. Agora em farsa.

E aqui estão todas as razões porque estou tão longe do PCP. Está hoje mais estalinista do que há quinze ou vinte anos atrás. E parecia impossível.

Todos os bolds são de minha responsabilidade.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira


© rabiscos vieira



facto incontornável: o MEC está de regresso aos livros, pela mão da eterna Assírio & Alvim. e graças às maravilhas da tecnologia, as primeiras páginas podem ser lidas aqui. bom apetite, então.

por Pedro Vieira
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por Pedro Sales
É compreensível que a maioria dos dirigentes socialistas não tenha apreciado sobremaneira as críticas de Ana Benavente ao PS, mas nada, mas rigorosamente nada, justifica a inqualificável resposta de José Lello aos microfones do Rádio Clube: "É uma loucura, são declarações de quem está mal com a vida e consigo própria, devia repensar a sua posição no partido. Não é um discurso político, é um discurso a necessitar de Lexotan”. 

Que José Lello não se aperceba do nível rasteiro da linguagem que costuma utilizar nas suas intervenções políticas é lá com ele, que o PS entregue a este senhor a expressão das suas posições já nos diz alguma coisa sobre a forma como este partido está mesmo a rapar no tacho.

por Pedro Sales
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por Pedro Vieira
o sucídio do escritor david foster wallace

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira



por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira
geldof e bono elogiam durão por ter dado um murro na mesa e querer apoiar áfrica.

Público, 24/09

por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira


© rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Pedro Sales



Slackers Uprising, o mais recente filme de Michael Moore, já pode ser descarregado na net. O documentário, que mostra os bastidores da “campanha” que levou Michael Moore a 62 cidades dos EUA para tentar convencer os jovens a votar nas eleições presidenciais de 2004, evitou a tradicional distribuição nas salas de cinema e estará apenas disponível para descarregar ou visionar, gratuitamente, na internet até ao dia 7 de Outubro - data em sairá o respectivo DVD. Infelizmente, o documentário só está disponível para quem viver no Canadá ou EUA. A não ser que...

...se instale este pequeno programa no computador. Depois de instalado, é só corrê-lo antes de escolher aqui a forma como se pretende ter acesso ao documentário. Autêntico dois em um. Depois de instalado o programa, pode-se enganar também o site de vídeos hulu.com. A qualidade de imagem é excelente, e, aturando muito menos anúncios do que em qualquer canal nacional, é possível assistir a grande parte das série americanas de maior sucesso no dia seguinte à da sua emissão nos EUA, como é o caso da nova temporada de Prison Break, mas também de velhos clássicos, como Alfred Hitchcock Presents.


por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira



por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008
por Daniel Oliveira
Num só dia, Sarah Palin reuniu-se com Karzai, Uribe, Manmohan Singh, Talabani, Asif Ali Zardari, Saakashvili, Yushchenko e Bono. Ai ideia é preparar-se para o debate com Joe Biden, que já presidiu o Comitê de Relações Exteriores do Senado e é um sénior nestas andanças. A candidata a vice quer ficar a saber um pouco mais sobre o Mundo do que a vaga ideia que tem de que a Rússia fica ali mesmo ao lado do Alasca. Já vi cursos intensivos ambiciosos, mas este ultrapassa tudo. Não sei se resulta.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales



É graças a momentos como este que a blogosfera é uma coisa que não pára de me fascinar. Uma pessoa diz o óbvio, ou seja, que é ao Estado que compete garantir o regular funcionamento de um modelo inter-geracional de reformas, prometendo que no fim da idade de contribuição existirá dinheiro para pagar aos pensionistas, e logo percebe o vasto campo que uma interpretação  literal dos textos permite ao Vasco Campilho, ou o a influência que 2500 anos da Poética de Aristóteles representam na forma como reagem os seus amigos insurgentes. Depois de umas quantas piadolas perguntando “em que cofre, em que conta, em que caderneta da Caixa?”, o Vasco Campilho deixa umas quantas considerações sobre o Estado não ser uma pessoa de bem, suspeitando-se que dedique essa honorável distinção aos gestores da AIG, esse magos da sustentabilidade financeira de um desastre privado suportado com o dinheiro dos contribuintes.

Mas tenho uma boa e uma má notícia para o Vasco Campilho. A má é que a contratualização de uma promessa ou garantia de dinheiro não é uma “genial” invenção “pós-moderna” do Pedro Sales, nem constitui uma autêntica revolução copérnica para a ciência monetária, sendo até um dos alicerces de todo o sistema financeiro. A boa é que são “concepções” como estas que permitiram inventar uns cartões que valem dinheiro sem que precisemos de os atulhar com notas e moedas dentro desse pequenino rectângulo de plástico (ou cartão, no caso da foto).

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira
John McCain suspendeu esta tarde a campanha. Diz que se quer dedicar às iniciativas contra a crise financeira que os EUA enfrentam. A suspensão inclui um pedido de adiamento do primeiro debate com Obama, marcado para sexta-feira. Apenas uma coincidência: o anúncio foi feito pouco depois de ser conhecida a nova sondagem do Washington Post e da ABC. Obama tem 52%, McCain 43%. Sarah Palin e a sua conversa beata deixou de valer um chavo. Agora fala-se de dinheiro a sério. E aí, os republicanos, do senhor Bush, começam a cair. E McCain arranja uma boa desculpa para ganhar tempo.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira


© rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira



"Se a RTP tiver coragem e os jornalistas que fazem estes noticiários também, desafio-os para um debate público (porque não na RTP?), com a passagem das peças antes, para todos poderem ver"

Ao desafiar um grupo de jornalistas para um debate consigo, Pacheco Pereira comunica-nos que atingiu o zénite da ego trip. Os jornalistas da RTP? Todos? Os que fizeram as peças? O director de informação? E porquê com Pacheco Pereira? A que título? Com que qualificações para fazer este debate? As de director de um jornal por um dia? E se são nenhumas, então em que estatuto? A de dirigente partidário que se sente lesado? Mas Pacheco Pereira não é dirigente de nada. A de crítico televisivo? Também não é. A de jornalista? Menos ainda. Se é nenhum, então porque escolheria o director de informação da RTP debater com ele? Quer realmente este desafio dizer alguma coisa ou JPP perdeu a completa noção da realidade?

Também acho que a RTP, agora como noutros momentos, faz fretes ao governo. Mas nem isso se resolve com debates, muito menos com jornalistas, nem o interlucutor para esse debate é Pacheco Pereira. Diz-se no "Público" de hoje que "o director de informação da RTP, José Alberto Carvalho, não quis comentar as críticas de Pacheco Pereira, alegando que recusa debater política com Pacheco Pereira ou com qualquer outro político." Como é evidente.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira
um só estudante finlandês consegue melhores resultados do que trinta gandulos de alhos vedros.

por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira
A Inspecção-Geral de Educação já está a averiguar a legalidade de documentos emitidos pela Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular e que dizem respeito a estudantes de escolas internacionais, como o colégio St. Julian ou o Frank Carlucci American International School of Lisbon.

Público, 23/09

por Pedro Vieira
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por Arrastão
Começam aqui as prometidas colaborações externas. O primeiro texto é de Luís Leiria, ex-emigrante português no Brasil, imigrante brasileiro em Portugal. Como queiram. Jornalista e vice-presidente da Casa do Brasil. Aqui escreve apenas a título pessoal, claro. A nosso convite. Um texto que vem a calhar quando os brasileiros, depois dos ciganos, se transformaram no novo alvo da histeria intermitente. A ilustração é de Pedro Vieira, evidentemente.




Texto de Luís Leiria

Deixem que me apresente: Luis Leiria, jornalista, nascido em Lisboa, brasileiro. Não, não sou filho de brasileiros – a minha mãe é madeirense e o meu pai era alentejano. O Leiria do meu apelido indicia vagamente origem cristã-nova e o Bettencourt materno vem de uma pioneira família de colonizadores franceses da ilha da Madeira. Mas se nasci em Portugal e sou filho de portugueses, por que digo então que sou brasileiro? É simples: sou brasileiro porque assim decidi. Foi uma opção consciente, e nesse sentido posso dizer que sou mais brasileiro que muitos brasileiros que apenas o são por acidente de nascimento.

Também sou português, é certo. O meu lado português é igualmente muito forte, mas não é por sentir correr o sangue de D. Afonso Henriques ou outros disparates que a canalha xenófoba gosta de proferir. O meu lado português é forte porque vivi intensamente o 25 de Abril. Se Portugal tivesse continuado a fenecer no cinzentismo salazarento que marcou a minha infância e início da adolescência, suspeito que me teria visto livre do lusitanismo como de uma peçonha que me agarrasse a pele.

Quando era mais jovem, gostava de dizer que sou um cidadão do mundo. Ainda gosto, mas estou consciente de que esse termo não passa de uma abstracção. Sou português e brasileiro, ou brasileiro e português, os países em que vivi muitos anos e que aprendi a conhecer e a amar.

Vivi no Brasil a maior parte da minha adulta. Foi lá que me fiz jornalista a sério. Participei de movimentos sociais, de lutas políticas, aprendi a amar aquele país e aquele povo que é também meu. A minha mulher e o meu filho são brasileiros. E olhem que nunca me naturalizei, porque não ligo muito para as formalidades. A igualdade de direitos civis e políticos bastou-me até agora. Mas, se amanhã não bastar, naturalizo-me.

Por outro lado, o meu lado português todos os dias sofre sérios abalos. O último foi dado pela famosa manchete do Correio da Manhã de sexta-feira dia 19 de Setembro a noticiar que a criminalidade violenta em Setúbal estava a aumentar porque os jovens das favelas do Brasil tinham vindo para Portugal criar uma organização criminosa, o Primeiro Comando Português, que seria uma filial do sinistro Primeiro Comando da Capital de São Paulo.

É em dias como esse que eu fico com vergonha de ser português (e de ser jornalista).

Como brasileiro, não consigo entender muito bem este crescimento da histeria xenófoba em Portugal. No Brasil, habituei-me a conviver com brasileiros negros, mulatos, brancos. Mestiços de branco com índio, de negro com branco, de negro com índio. Com brasileiros descendentes de italianos, de alemães, de japoneses. Com casais em que o marido é descendente de polacos e a mulher descendente de japoneses. Ou que o marido é descendente de portugueses e a mulher de judeus norte-americanos. Tenho pelo menos quatro amigos que são de origem judaica e que são a favor da causa palestiniana. Tenho amigos descendentes directos de famílias de escravos. É essa babel de povos, essa mistura fabulosa que fez do povo brasileiro um dos mais alegres e abertos à diferença do mundo.

Não idealizo, é certo. No Brasil existe racismo (muito) e xenofobia (pouca). Mas em 17 anos de Brasil, nunca ouvi dizerem-me: "Vai pra casa, portuga!" - como a minha mulher já ouviu aqui em Portugal: “Vai pra tua terra, brazuca!” Se no Brasil quisessem expulsar todos os estrangeiros, restariam uns punhados de índios não-mestiços para apagar a luz.

Portugal, pelo contrário, está muito longe dessa diversidade. Temos ainda um presidente que fala da raça portuguesa. Coitado, nunca lhe disseram que o conceito de raça está totalmente ultrapassado. E que, mesmo que não estivesse, não há raça portuguesa, não somos descendentes de Viriato, nem de Sertório, nem mesmo de D. Afonso Henriques. Raça lusitana? Só conheço de cavalos.

No início, os portugueses receberam muito bem os brasileiros. Gostavam da música, do futebol, das novelas, do português “doce”. Mas agora que a crise económica chegou em pleno, lá vão os portugueses arranjar bodes expiatórios: os brasileiros, pois claro. Eles estão a trazer as prostituas para cá, para “roubar” os nossos maridos. Eles estão a roubar os nossos empregos. Eles, que são tão violentos, estão a criar as filiais da suas organizações criminosas na nossa terra.

Não interessa que tudo isso não passe de fantasias. Nestas alturas ninguém se lembra que São Paulo e o Rio de Janeiro já foram a terceira e a quarta cidade de Portugal – depois de Lisboa e de Paris. Ninguém se lembra que cada família portuguesa tem pelo menos um ramo – quando não são mais – de emigrantes.

O que interessa é entrar na histeria. Precisamos de bodes expiatórios! Chega! Vão para a vossa terra. E toca de acreditar nas patranhas de "arrastões" e “Primeiros Comandos”. Junta a fome com a vontade de comer. Um jornal sensacionalista que quer vender mais. Jornalistas irresponsáveis que fazem tudo para terem direito a uma manchete. Está feita a receita. O caso do “Primeiro Comando Português” saiu deste caldeirão. Os autores do artigo fizeram uma “investigação” sensacional: foram ao Orkut e inventaram uma identidade para poderem ter acesso às fotografias dos jovens que tinham feito uma brincadeira há três anos. Acontece que qualquer um pode criar uma identidade no Orkut, não é preciso ser mestre em artes de espionagem. Os rapazes gabarolas davam a cara nas fotos. Mas que grandes criminosos deviam ser! Ninguém se preocupou com o simples detalhe que a situação das favelas brasileiras é irrepetível em Portugal, nem quando o general responsável pelo gabinete de segurança o disse. O homem foi ignorado.

A reportagem do Correio da Manhã não tinha ponta por onde se lhe pegasse. Era uma mistura de suposições sem nenhum fundamento real, com a intenção de provocar alarme. Uma violação ao código deontológico dos jornalistas e ao mais elementar bom senso.

Mas o Correio da Manhã lançou o alarme, e os outros foram atrás. Televisões, jornais, rádios. Quando a Casa do Brasil reagiu, no próprio dia, o Correio da Manhã ignorou. As rádios ouviram-nos – pelo menos a TSF, a Antena 1 e o RCP – e a SIC ouviu o presidente da Casa do Brasil – mas na Sic Notícias.

Na segunda-feira, a RTP pôs no ar uma mostra de que, apesar deste lamentável panorama, ainda se faz jornalismo em Portugal. Ouviu o fundador do “Primeiro Comando”, que disse que tudo não passava de uma brincadeira de rapazes então solteiros que tinham dificuldades de entrar nas discotecas portuguesas e que quiseram fazer as suas festas. O rapaz, que tem nome, fotografias e até o número de telefone no Orkut, negou terminantemente qualquer ligação com o crime. O “comando” de criminosos esfumou-se no ar. Mas, desta vez, nem jornais, nem as outras Tvs, nem ninguém acompanhou a RTP. Aquilo era a anti-notícia. Não era sexy. Não causava histeria. Não vendia jornais. O Correio da Manhã calou-se que nem rato. Já tinha feito o mesmo quando a inventona do "arrastão" foi desmascarada. No final, milhões de portugueses ficaram mesmo convencidos que os jovens brasileiros são um perigo. Talvez da próxima vez que se cruzarem com o meu filho, que está prestes a iniciar o seu doutoramento, mudem de passeio.

Com isto, o meu lado português morreu mais um bocadinho. E a minha vergonha de ser jornalista aumentou.

por Arrastão
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por Daniel Oliveira
Eu, alfacinha, brasileiro

Deixem que me apresente: Luis Leiria, jornalista, nascido em Lisboa, brasileiro. Não, não sou filho de brasileiros – a minha mãe é madeirense e o meu pai era alentejano. O Leiria do meu apelido indicia vagamente origem cristã-nova e o Bettencourt materno vem de uma pioneira família de colonizadores franceses da ilha da Madeira. Mas se nasci em Portugal e sou filho de portugueses, por que digo então que sou brasileiro? É simples: sou brasileiro porque assim decidi. Foi uma opção consciente, e nesse sentido posso dizer que sou mais brasileiro que muitos brasileiros que apenas o são por acidente de nascimento.
Também sou português, é certo. O meu lado português é igualmente muito forte, mas não é por sentir correr o sangue de D. Afonso Henriques ou outros disparates que a canalha xenófoba gosta de proferir. O meu lado português é forte porque vivi intensamente o 25 de Abril. Se Portugal tivesse continuado a fenecer no cinzentismo salazarento que marcou a minha infância e início da adolescência, suspeito que me teria visto livre do lusitanismo como de uma peçonha que me agarrasse a pele.
Quando era mais jovem, gostava de dizer que sou um cidadão do mundo. Ainda gosto, mas estou consciente de que esse termo não passa de uma abstracção. Sou português e brasileiro, ou brasileiro e português, os países em que vivi muitos anos e que aprendi a conhecer e a amar.
Vivi no Brasil a maior parte da minha adulta. Foi lá que me fiz jornalista a sério. Participei de movimentos sociais, de lutas políticas, aprendi a amar aquele país e aquele povo que é também meu. A minha mulher e o meu filho são brasileiros. E olhem que nunca me naturalizei, porque não ligo muito para as formalidades. A igualdade de direitos civis e políticos bastou-me até agora. Mas, se amanhã não bastar, naturalizo-me.
Por outro lado, o meu lado português todos os dias sofre sérios abalos. O último foi dado pela famosa manchete do Correio da Manhã de sexta-feira dia 19 de Setembro a noticiar que a criminalidade violenta em Setúbal estava a aumentar porque os jovens das favelas do Brasil tinham vindo para Portugal criar uma organização criminosa, o Primeiro Comando Português, que seria uma filial do sinistro Primeiro Comando da Capital de São Paulo.
É em dias como esse que eu fico com vergonha de ser português (e de ser jornalista).
Como brasileiro, não consigo entender muito bem este crescimento da histeria xenófoba em Portugal. No Brasil, habituei-me a conviver com brasileiros negros, mulatos, brancos. Mestiços de branco com índio, de negro com branco, de negro com índio. Com brasileiros descendentes de italianos, de alemães, de japoneses. Com casais em que o marido é descendente de polacos e a mulher descendente de japoneses. Ou que o marido é descendente de portugueses e a mulher de judeus norte-americanos. Tenho pelo menos quatro amigos que são de origem judaica e que são a favor da causa palestiniana. Tenho amigos descendentes directos de famílias de escravos. É essa babel de povos, essa mistura fabulosa que fez do povo brasileiro um dos mais alegres e abertos à diferença do mundo.
Não idealizo, é certo. No Brasil existe racismo (muito) e xenofobia (pouca). Mas em 17 anos de Brasil, nunca ouvi dizerem-me: "Vai pra casa, portuga!" - como a minha mulher já ouviu aqui em Portugal: “Vai pra tua terra, brazuca!” Se no Brasil quisessem expulsar todos os estrangeiros, restariam uns punhados de índios não-mestiços para apagar a luz.
Portugal, pelo contrário, está muito longe dessa diversidade. Temos ainda um presidente que fala da raça portuguesa. Coitado, nunca lhe disseram que o conceito de raça está totalmente ultrapassado. E que, mesmo que não estivesse, não há raça portuguesa, não somos descendentes de Viriato, nem de Sertório, nem mesmo de D. Afonso Henriques. Raça lusitana? Só conheço de cavalos.
No início, os portugueses receberam muito bem os brasileiros. Gostavam da música, do futebol, das novelas, do português “doce”. Mas agora que a crise económica chegou em pleno, lá vão os portugueses arranjar bodes expiatórios: os brasileiros, pois claro. Eles estão a trazer as prostituas para cá, para “roubar” os nossos maridos. Eles estão a roubar os nossos empregos. Eles, que são tão violentos, estão a criar as filiais da suas organizações criminosas na nossa terra.
Não interessa que tudo isso não passe de fantasias. Nestas alturas ninguém se lembra que São Paulo e o Rio de Janeiro já foram a terceira e a quarta cidade de Portugal – depois de Lisboa e de Paris. Ninguém se lembra que cada família portuguesa tem pelo menos um ramo – quando não são mais – de emigrantes.
O que interessa é entrar na histeria. Precisamos de bodes expiatórios! Chega! Vão para a vossa terra. E toca de acreditar nas patranhas de "arrastões" e “Primeiros Comandos”. Junta a fome com a vontade de comer. Um jornal sensacionalista que quer vender mais. Jornalistas irresponsáveis que fazem tudo para terem direito a uma manchete. Está feita a receita. O caso do “Primeiro Comando Português” saiu deste caldeirão. Os autores do artigo fizeram uma “investigação” sensacional: foram ao Orkut e inventaram uma identidade para poderem ter acesso às fotografias dos jovens que tinham feito uma brincadeira há três anos. Acontece que qualquer um pode criar uma identidade no Orkut, não é preciso ser mestre em artes de espionagem. Os rapazes gabarolas davam a cara nas fotos. Mas que grandes criminosos deviam ser! Ninguém se preocupou com o simples detalhe que a situação das favelas brasileiras é irrepetível em Portugal, nem quando o general responsável pelo gabinete de segurança o disse. O homem foi ignorado.
A reportagem do Correio da Manhã não tinha ponta por onde se lhe pegasse. Era uma mistura de suposições sem nenhum fundamento real, com a intenção de provocar alarme. Uma violação ao código deontológico dos jornalistas e ao mais elementar bom senso.
Mas o Correio da Manhã lançou o alarme, e os outros foram atrás. Televisões, jornais, rádios. Quando a Casa do Brasil reagiu, no próprio dia, o Correio da Manhã ignorou. As rádios ouviram-nos – pelo menos a TSF, a Antena 1 e o RCP – e a SIC ouviu o presidente da Casa do Brasil – mas na Sic Notícias.

Na segunda-feira, a RTP pôs no ar uma mostra de que, apesar deste lamentável panorama, ainda se faz jornalismo em Portugal. Ouviu o fundador do “Primeiro Comando”, que disse que tudo não passava de uma brincadeira de rapazes então solteiros que tinham dificuldades de entrar nas discotecas portuguesas e que quiseram fazer as suas festas. O rapaz, que tem nome, fotografias e até o número de telefone no Orkut, negou terminantemente qualquer ligação com o crime. O “comando” de criminosos esfumou-se no ar. Mas, desta vez, nem jornais, nem as outras Tvs, nem ninguém acompanhou a RTP. Aquilo era a anti-notícia. Não era sexy. Não causava histeria. Não vendia jornais. O Correio da Manhã calou-se que nem rato. Já tinha feito o mesmo quando a inventona do "arrastão" foi desmascarada. No final, milhões de portugueses ficaram mesmo convencidos que os jovens brasileiros são um perigo. Talvez da próxima vez que se cruzarem com o meu filho, que está prestes a iniciar o seu doutoramento, mudem de passeio.
Com isto, o meu lado português morreu mais um bocadinho. E a minha vergonha de ser jornalista aumentou.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008
por Daniel Oliveira



Agora anda tudo muito zangado com o facto do Magalhães permitir que se vá a sites marotos. Tenho uma novidade: desde que devidamente ligados à Internet, o Mac e todos os PC's que os pais ou os amigos das crianças têm em casa dão para o mesmo. A questão é: tem sistema de controlo parental? Tem. São os encarregados de educação a decidir o que activam (ver aqui). Se assim for, parece-me muitíssimo bem. Se são os pais que o pagam (mesmo que pouco) e se os computadores vão para casa, faria pouco sentido que fosse o Estado a decidir o que está interdito aos filhos dos outros em casa deles. A escola deve ajudar os pais a fazê-lo, não a decidir por eles. Espero que o faça e isso é que devia ser o debate: se os professores estão preparados para ajudar. Mas ainda assim, tenho ideia que a palavra "gata", a que a SIC se referiu, não será incluida nos filtros.

Já agora: as crianças só terão acesso à Internet em casa se os pais tiverem Internet. É só para não julgarem que chegámos ao marvilhoso mundo novo onde os putos andam à solta. Os problemas que existem com o Magalhães existiam com os outros computadores, sendo que este, ao que parece, até tem mais instrumentos de defesa. E quem, ainda assim, não quer correr riscos não o compra.

Dar acesso à Internet a crianças tem, como tudo na vida, vantagens e riscos. Mas devo lembrar uma coisa: só conheço uma forma de controlo parental, o controlo parental. Filtros, valem o que valem. Esta ideia de que se pode instalar um software e dormir descansado pode ser muito simpática, mas é só irresponsável. Não há programa que substitua os conselhos de um adulto e a sua atenção. Na Internet como no resto. Sem paranóia, já agora, que serve de pouco a não ser para os putos aguçarem o engenho. E garanto que aprendem bem mais depressa do que nós. Mas decidam-se: ou querem que as crianças usem a Net ou não. Talvez seja melhor não começar a tratar a coisa como se fosse o fundo dos infernos.

Grave é a Magic Desktop, o software destinado a crianças utilizado pelo Magalhães, usar para promover este serviço (não em Portugal) esta frase idiota: "let your PC act as babysitter!". Nunca o fará. Felizmente.

Eu até tenho dúvidas sobre esta operação e ainda mais quando vejo os ministros a fazer de delegados comerciais. Mas podiam pegar por outro lado.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales


Montagem do Luís Branco para o esquerda.net

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por Pedro Sales


Montagem do Luís Branco para o esquerda.net

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por Pedro Sales


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por Pedro Sales


A propósito das declarações do Daniel no “Eixo do Mal”, onde este saudou o facto das reformas dos portugueses não estarem entregues a privados, o João Miranda responde dizendo que “as reformas dos portugueses não poderiam estar entregues a privados porque (...)o dinheiro não existe” e que “a Segurança Social, se fosse um fundo de pensões, estaria falida. Como é pública sobrevive ligada à máquina fiscal e à pirâmide demográfica”.



O João Miranda tem a vantagem de responder a uma questão que ninguém coloca, com um argumento ainda por cima deslocado, e a desvantagem de nada indicar sobre a questão de fundo. Não faz nenhum sentido dizer que um sistema redistributivo estaria falido caso seguisse as regras de funcionamento de um sistema de capitalização puro. São modelos distintos e, ao contrário do que diz o João Miranda, o dinheiro da Segurança Social existe. É a promessa, politicamente garantida pelo Estado, de que a próxima geração pagará as reformas dos actuais contribuintes líquidos do sistema.

Já com o André Abrantes Amaral é mais uma questão de fé. “Não sabemos [o que aconteceria com um sistema privado]. E por este caminho, nunca saberemos porque o Estado não deixa.” É sempre reconfortante saber que existe quem, para provar uma tese, não hesite em arriscar o dinheiro da reforma dos portugueses. Mas o André esquece-se de uma coisa. Não foi testado aqui, mas já leva 30 anos no Chile. O resultado não é bonito. O caótico estado da segurança social privada do país foi “o tema” da última campanha presidencial. Compreende-se. Metade dos chilenos não tem cobertura pelo sistema privado e, destes, 40% luta para chegar ao valor mínimo da reforma, garantindo uma reforma 57% mais baixa do que se fosse garantida pelo Estado. Como as reformas são baixas, em parte porque as seguradoras arrecadam até um terço do dinheiro depositado para cobrir o seu funcionamento e lucros, o Estado gasta 5% do PIB (mais do que a despesa com saúde ou educação) para garantir a reforma dos chilenos que não têm posses, os custos de um processo de transição que se arrasta há 3 décadas e já treve que intervir duas vezes para compensar os cidadãos que começam a sentir-se lesados .

Mas resta a million dollar question, efectuada por Willem Buiter, no “esquerdista” Financial Times: "Se gigantes financeiros como a AIG são demasiado grandes e/ou demasiado interligados ao sistema financeiro para falirem, mas não são suficientemente capazes para evitar ficar em situações em que têm de ser resgatados pelas autoridades públicas, então porque motivo se permite à partida que essas actividades sejam conduzidas por empresas privadas?" (via ladrões de bicicletas)

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira

Terça-feira, dia 23

Não perca os 3
Pedro Mexia, Rui Tavares e Fernanda Câncio convidam João César das Neves
21h30 - Livraria Pó dos Livros, Av. Marquês de Tomar, 80, Lisboa
Org: Pó dos Livros



Quarta-feira, dia 24

Crónicas da Venezuela
Francisco Furtado e José Sousa, dois portugueses por terras de Hugo Chávez
21h00 - Casa do Brasil, Rua São Pedro de Alcântara, 63 - 1º direito



Quinta-feira, dia 25


Conferências às Quintas
«As exclusões na justiça», com o Juiz-Conselheiro Dr. Álvaro Laborinho Lúcio.
21.30 - Colégio do GILCO, Lrg. Dr. António Viana, em Campo de Ourique, Lisboa
Org: Le Monde Diplomatique e Grémio de Instrução Liberal de Campo de Ourique (GILCO)


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
No último inquérito, em que se perguntava quem é mais assustador, 71% (317 votos) escolheram Sarah Palin e 29% (132 votos) preferiram Dick Cheney. Novo inquérito: qual a melhor forma de combater e prevenir crises financeira? Maior regulação dos mercados financeiros, menor regulação dos mercados financeiros ou deixar tudo como está.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales
O João Miranda foi buscar um daqueles sites  para chamar a atenção,

Só que, como indica o El Pais, foi precisamente este mercado dtotalmente esregulado que originou a queda da AIG,

por Pedro Sales
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por Pedro Vieira


por Pedro Vieira
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por Pedro Sales



Um estudo de opinião ontem revelado nos EUA indica que apenas 19% dos americanos aprovam as políticas da administração Bush e que uns inimagináveis 0% (isso mesmo, zero, ninguém, nada, nem um para amostra) dos cidadãos acreditam que a economia está a melhorar. Para usar um argumento que tem sido recorrentemente utilizado neste cantinho à beira mar plantado, sempre que alguém de esquerda critica Bush e companhia, é caso para dizer que não há país com mais "anti-americanos primários" que a América.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales



Um estudo de opinião ontem revelado nos EUA indica que apenas 19% dos americanos aprovam as políticas da administração Bush e que uns inimagináveis 0% (isso mesmo, zero, ninguém, nada, nem um para amostra) dos cidadãos acreditam que a economia está a melhorar. Para usar um argumento que tem sido recorrentemente utilizado neste cantinho à beira mar plantado, sempre que alguém de esquerda critica Bush e companhia, é caso para dizer que não há país com mais "anti-americanos primários" que a América.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales



Um estudo de opinião ontem revelado nos EUA indica que apenas 19% dos americanos aprovam as políticas da administração Bush e que uns inimagináveis 0% (isso mesmo, zero, ninguém, nada, nem um para amostra) dos cidadãos acreditam que a economia está a melhorar. Para usar um argumento que tem sido recorrentemente utilizado neste cantinho à beira mar plantado, sempre que alguém de esquerda critica Bush e companhia, é caso para dizer que não há país com mais "anti-americanos primários" que a América.

por Pedro Sales
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por Pedro Vieira
consumo de antidepressivos é o triplo da UE

Público, 23/09

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira



O RAF, apesar de detestar comprar jornais quando vê que lá escreve gente de "extrema-esquerda" (em conceito alargadíssimo), lê o Arrastão, onde só encontrará escribas deste calibre, e, pior, vai ao blogue do colunista que não quer ler no "Público". Fica-se assim com a sensação que o problema do RAF não é ser obrigado a ler o Rui, é não querer que os leitores do "Público" o leiam. O protesto seria normal se, no jornal que ele compra, só escrevessem pessoas como o Rui. Só que me escuso de dizer como isso está longe de ser verdade.

Mas talvez a forma mais clara como o raciocínio liberal pretende, paradoxalmente, levar ao pensamento único e à censura por outro caminho, está expresso aqui: "Nada impede que o Daniel se junte ao Rui Tavares, peguem nos seu trocos, peguem no homem dos desenhos (que tem bastante jeito, por acaso) e façam um jornal."

Na prática, o que o RAF está a dizer é que o pluralismo da opinião deve estar dependente não da variedade de posições que devem ser conhecidas, nem sequer do número de leitores que cada colunista possa ter, mas do dinheiro que essas posições consigam angariar para os seus projectos. E isto sim, mais do que pluralismo ou a liberdade, corresponde ao pensamento desta "direita liberal". A liberdade e o pluralismo esgota-se na capacidade comprar essa liberdade e esse pluralismo. E de comprar o direito a difundir posições. Não está longe da verdade: sendo a "direita liberal" mais radical absolutamente marginal na sociedade portuguesa (eles próprios se queixam de não terem presença no espectro político) tem uma enorme presença nos jornais.

O ouro equivoco: os liberais dizem acreditar que só existem opiniões pessoais. Mas é o próprio RAF, sem saber se Belmiro de Azevedo concorda com as suas posições, a dizer que a Sonae não deveria deixar que o seu dinheiro desse voz a posições como as do Rui. Deixando de lado o debate sobre a ideia perigosíssima de que os proprietários dos jornais se devem imiscuir na escolha dos colunistas (faz sentido no ponto de vista do RAF, mas nenhum do ponto de vista da defesa do pluralismo informativo), conclui-se que o RAF depreende que as posições do Rui não correspondem às posições que interessam a uma empresa como a Sonae. Não é, por acaso, neste caso, verdade: os extremistas são estes liberais dogmáticos. A posição da esquerda é, no que se está a debater, tão moderada e recuada, que apenas está a dar argumentos para salvar o Capitalismo do colapso, repetindo o que está a ser escrito na imprensa económica de referência, como o The Financial Times ou a Economist. Mas RAF conclui isso e vamos partir do principio que ele tem razão.

Ele aceita que há interesses contraditórios na sociedade e que as empresas, em geral, estão de um dos lados. E como é contra a existência de uma comunicação social do Estado, acaba por defender uma coisa: que perante esses interesses contraditórios, quando há debate sobre estas matérias, só um dos lados pode ter voz pública. Não, ao contrário do que nos vem dizer agora, o problema não é apenas que aquele é o jornal que ele compra. Aí teria dito: vou deixar de comprar. Nem sequer é por causa da linha editorial que o jornal está a seguir (que nunca foi, desde a sua fundação, a do RAF). Aí teria dito: senhor director, faça qualquer coisa! O RAF fez o seu apelo a quem "patrocina" estas posições. E com razão, no seu ponto de vista.

O RAF não nos diz que o Capitalismo é tão maravilhoso que até o Rui, o Batista Bastos, eu, o Rúben de Carvalho, o Boaventura de Sousa Santos ou o André Freire (para quase esgotar os exemplos bastante diferentes entre si), que na sua cabeça querem destruir o mercado, têm espaço porque têm leitores e os leitores compram jornais para os ler dando assim dinheiro a quem investiu nos jornais. Ou seja, que o mercado é tão fascinante que garante o pluralismo, incluindo quem esteja contra o mercado, porque o pluralismo vende bem. Isto seria discutível. Falso, mas discutível. Mas não. O RAF acha que os empresários (partindo do principio que ele parte quando se refere à Sonae) devem intervir nos jornais para garantir que as suas posições são dominantes, mesmo que vendam menos.

Ou seja, o RAF não defende que o mercado funcione garantido o pluralismo e a liberdade de imprensa. O RAF defende que o poder do dinheiro imponha ao mercado da opinião, mesmo que com isso perca dinheiro, as suas posições. Lamentavelmente, o RAF está muito mais perto da verdade do que os liberais utópicos. E é por isso que este seu deslize, apoiado pelos seus compagnons de route, é tão útil para o debate. Ele mostra como para muita "direita liberal" a imprensa não deve ser mais do que a repetição do discurso da inevitabilidade e naturalidade das suas posições. E que este é o investimento que se exige aos empresários do sector. O retorno virá na política.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira
Um tribunal siciliano, em Itália, retirou a uma mulher a custódia do seu filho de 16 anos porque o menor se filiou no Partido da Refundação Comunista, que o juíz considera «extremista»

por Pedro Vieira
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