Olhando para a forma como reage a cada notícia desagradável e as suspeitas que lança sobre todos os órgãos de informação que não lhe prestam vassalagem, alguém acredita que o governo seria capaz de qualquer tipo de pressão sobre os investigadores do caso Freeport?
"A aldeia fica mais moderna e é uma forma de ficarmos mais próximos de tudo". Lourenço Caramelo, presidente da Junta de Freguesia de Ruivós, é um homem contente. Graças à iniciativa da Junta, os 100 habitantes desta pequena aldeia do concelho do Sabugal já têm acesso gratuito à internet através de uma rede sem fios. É verdade que os acessos são maus e não há saneamento básico, mas, caramba, já podem abrir uma conta no second life e simular uma nova aldeia. Quem sabe com saneamento básico.
Se a boçalidade marialva tem permitido a Alberto Gonçalves conquistar espaço regular na imprensa, para quê importunar os leitores do DN ou da Sábado com o vislumbre de um argumento racional? Diz o sociólogo Gonçalves que a lei da paridade permitirá que, “bem ensinadas, talvez as analfabetas do "x" aprendam a comportar-se devidamente no Parlamento”. Há tormentos bem mais pesados que o analfabetismo. Saber ler e escrever e nada mais conseguir demonstrar que a caricatura de uma argumentação lógica é uma delas. As colunas do sociólogo aí estão para o provar. É perfeitamente possível escrever na imprensa sem ter concluído o processo de alfabetização.
A lógica populista do jornalismo comercial transformou, aos olhos de todos, cada deputado no bombo da festa, no suspeito do costume, num parasita da sociedade, num cidadão sem defesa. Não sabem muitos jornalistas que ao rebaixar a dignidade dos eleitos estão a destruir todos os instrumentos que defendem a sua própria liberdade. E que a mediocracia para onde caminhamos será bem pior do que aquilo que temos.
“Nós providenciamos segurança”. Foi este o nome da operação da PSP que juntou mais de 1500 polícias na madrugada seguinte à divulgação do relatório de segurança interna. A PSP desmente qualquer ligação entre os dois factos, dizendo que as rusgas estavam programadas há vários meses. Pois. Foi uma coincidência, como já tinha sido uma coincidência em Agosto, quando ocorreu a última operação semelhante e os noticiários televisivos dedicavam metade do seu tempo a todo o tipo de crimes. Começa a ser um padrão. De cada vez que a insegurança toma conta da agenda política e mediática, o ministro da administração interna junta umas centena largas de policias, chama as televisões e manda fazer umas rusgas às tantas da madrugada. O resultado é o do costume. Quase nenhum. A PSP fala em 300 detenções, mas rapidamente se percebe que a maioria está relacionada com infracções de trânsito e posse de droga (que não é crime). Ou estas rusgas conduzidas para a encenação mediática são ineficazes, o que parece evidente quando se olha para os seus resultados, ou a actuação da PSP parece nortear-se por um estranho critério: providenciar segurança e tempo a um ministro acossado.
José Sócrates parece não ter percebido nada do que se passou ontem no CCB e o que levou uma sala em peso a vaiá-lo. Ao mandar dizer que chegou às 21h10 ao CCB, ficando 20 minutos à espera do seu homólogo cabo-verdiano, José Sócrates assume que viveu despreocupadamente com a decisão de não iniciar a ópera sem a sua presença. Se estava no CCB, sabia que as portas continuavam abertas e as luzes acesas. Se estava no CCB, sabia que os organizadores estavam à sua espera para dar início à ópera. Se estava no CCB, sabia que mil pessoas, que tinham pago o seu bilhete, continuavam sem saber por que raio o espectáculo não começava. Sabia, mas nada fez para que a ópera tivesse início.
A questão nunca foi o seu atraso. É fazer mil pessoas esperar 30 minutos pela chegada de José Sócrates para que se inicie um espectáculo, tratando os espectadores como figurantes do primeiro-ministro. É a (falta de) urbanidade que está em causa. Da administração do CCB, que parece julgar que vivemos numa monarquia, e de um primeiro-ministro que reage com naturalidade à ideia de que mil pessoas estejam meia hora à sua espera para que se inicie uma ópera. Compreende-se as vaia e entende-se a indignação. Lá por a ópera se chamar Crioulo não é caso para tratar espectadores como escravos coloniais à espera do senhor.
PS: mesmo sendo verdade, a forma com o primeiro-ministro não hesita em cometer a indelicadeza diplomática de responsabilizar o primeiro-ministro cabo-verdiano pelo incidente é todo um programa.
Se Marinho Pinto queria denunciar os métodos de investigação da PJ devia ter cuidado, ele próprio, com os métodos que utiliza para fazer as denúncias. Ficamos com a sensação de que quase tudo o que diz sobre a PJ poderia ser dito sobre o bastonário da Ordem dos Advogados.
Este post é escrito num blogue ligado a um partido que, extrarodinariamente, tem como segundo nome "socialista". Saberá esta gente alguma coisa da sua própria história ou da sua origem ideológica?
Avelino Ferreira Torres foi ilibado de todos os crimes. Se fosse condenado pagaria uns trocos, seria candidato à Câmara, venceria as eleições, falaria como se tivesse sido ilibado e escrevia cartas indignadas para o "Público" (como hoje fez Domingos Névoa).
A questão não são os "nossos" e os "outros", assim como em reacção à imigração, defender o direito à circulação não passa por defender a exploração dos imigrantes e que estes tenham menos direitos do que os nacionais para servirem como forma de pressão sobre os salários e os direitos laborais. Pelo contrário, como todos sabemos. Assim, o que está em causa para mim é a forma como as empresas se comportam na chantagem que vão fazendo aos Estados (todos eles) e aos trabalhadores (independentemente da sua nacionalidade). Elas sim, promovem o dumping social e fiscal. E é esta chantagem que costuma ser o argumento da inevitabilidade que os ultra-liberais usam internamente. É por isso natural que tentem associar a defesa de regras na circulação de capitais e de investimentos a xenofobia: dão ao capital a mesma (ou mais) dignidade que dão ao ser humano. Eu não dou.
Para que fique claro: a mim também não me agradam as empresas que saem da Alemanha e vêm para Portugal na condição de continuarmos com salários baixos, não fazermos greves e elas receberem apoio público e irem embora quando entenderem. Serei xenófobo em relação aos portugueses ou sou contra a competição por baixo à custa de direitos laborais e de dinheiros públicos? Eu quero que os portugueses tenham emprego, mas não à custa dos direitos sociais dos alemães. E o mesmo aplico aos eslovacos. Exactamente porque não distingo entre "nós" e "eles". Ou, nesta matéria (e não em todas), distingo: "nós" são os que trabalham por conta de outrem, "eles" são os que precisam do nosso trabalho.
Não tenho nada contra empresas que procuram estar próximo de matérias-primas, dos mercados ou da mão-de-obra especializada, dispostas a pagarem salários justos e a garantirem todos os direitos sociais. Estejam onde estiverem, vão para onde forem. Aí a competição entre países acontece da forma mais saudável: leva os Estados a prepararem bem os seus trabalhadores, a apostarem na educação e na formação, a investirem nas infraestruturas e no desenvolvimento económico. E com tudo isto, no desenvolvimento social. O que não quero é empresas que vivem do subdesenvovimento ecnómico e no recuo social e político. E acredito que, pelo menos no mercado interno europeu, é urgente um consenso político que imponha regras às empresas que possam beneficiar todos: alemães, portugueses, eslovacos. Claro que enquanto ninguém quiser impor nada a ninguém e, apesar de todas as evidências, se continuar a defender a liberdade total do dinheiro em impor todas as regras, se promove o "nós" contra "eles". E é disso que vivem estas empresas: da chantagem.
Ver vídeos em que os nossos empresários ensaiam para cantar nos 20 anos da revista Exame. Fernando Gil, que os está a dirigir, diz que quer "dar colo" a pessoas "com cadastro", o que me parece bastante desagradável.
sagrado e sabido, sou moço de andar ao ralenti, cada um é para o que nasce e daí os meus problemas com os amanhãs que cantam sobretudo porque estou sempre em dívida com o ontem e com o dia anterior, entre outros e por aí fora. Como tal já lá vai um ror de meses desde que saiu o disco dos Beach House e eu não tinha dado por ele, e nada melhor do que deixar chegar a primavera, o sol, os freaks, os cães, os guizos, os malabares, os diablos, as cervejas à litrada, as enchentes no miradouro do adamastor, pulga, mosca e festa com aromas marroquinos para começar a desfrutar em contra-ciclo de uma dúzia de canções etéreas e favoráveis à neblina e ao cortar de pulsos, que lindo é ver a hemoglobina salpicada no ipod e tal. Acresce que o disco está embebido em orgão mágico, instrumento da minha preferência, tão intenso como nos discos do Leonel Nunes, maduro que inclui em todos os cachets um garrafão de vinho, devorando-o em palco e ao vivo e a cores, dizia, o órgão mágico, um tudo-nada mais etéreo do que no opus "Cantar, Pular e Dançar" do dito Leonel, ainda assim capaz de dar corpo a canções de fino recorte, o amor como tema recorrente, que é como quem diz a condição humana, expressão que julgo ser obrigatório utilizar em qualquer referência a disco/filme/livro, os Beach House falam em passado, amores perdidos, o Leonel põe toda a epistemologia nos títulos, Porque não tem talo o nabo, entre outros clássicos, são gostos, aqui deixo o single Gila dos meninos de Baltimore, diz que não acompanha tão bem uma sandes de courato, enfim, fica ao vosso critério.
Ficam duas dúvidas: quando é que os ciganos passaram a ser "não-tugas" e quem é esse "preto" que é beijado por todas as filhas de todos os racistas de todas as etnias? Pressinto em Henrique Raposo alguma inveja de homem branco.
Nada que não soubéssemos, mas, para a nossa direita um trabalhador está ao nível de um par de meias. Compra-se sem pensar muito no assunto, mandam-se fora quando estão rotas (mandar coser sai muito caro, não compensa), desde que tapem os pés, é a mais barata que houver no mercado e o Estado não tem de se meter no assunto. Só ainda não fazem desconto à dúzia, o que é uma pena.
Trailer do documentário "Erased, wiped off the map" (que tem cerca de uma hora), de Alberto Arce, activista espanhol. Filmado durante a última intervenção de Israel em Gaza. Ainda não estreou.
Descobri esta semana que contrariar as deslocalizações é, para vários militantes e dirigentes do PSD e alguma direita avulsa, xenofobia. A tese é, convenhamos, original (gostava de os ver dizer isto em debates políticos com maior visibilidade), mas já se fez a habitual corrente pelos blogues de direita. Uns lançaram o disparate e vários papagaios, sem pensar muito no assunto, repetiram. Parece que não apreciar as empresas saltimbanco que vão saltitando e recebendo apoios sucessivos dos vários estados à procura de salários cada vez mais baixos é racismo. Tirando os ultra-liberais (que defendem a competição entre países na redução de direitos laborais, beneficios fiscais e salários baixos - e nisso são absolutamente coerentes), julgava que todos defendiam regras na instalação de empresas e no seu encerramento. Ou seja: que os trabalhadores que estas empresas contratam em cada país (seja qual for a sua nacionalidade) não são descartáveis. Afinal não. Diz que é xenofobia. Venha daí um SOS Racismo para as multinacionais.
Fossem tão lestos na defesa dos direitos dos imigrantes (alguma vez alguém os viu nessa luta?) ou dos direitos laborais e sindicais nos países mais pobres como são na defesa da liberdade absoluta e sem qualquer responsabilidade das empresas e isto estaria um pouco melhor. Infelizmente, a palavra nova que aprenderam está colada com cuspo. Vão esquece-la rapidamente.
Tendo como mote o livro de José Neves, "Comunismo e Nacionalismo em Portugal" (Prémio Victor de Sá de História Contemporânea 2008), a livraria Círculo das Letras organiza um debate entre o autor, Miguel Portas e Vitor Dias. É hoje, 26 de Março, às 19h, em Lisboa. A livraria Círculo das Letras fica na Rua Augusto Gil, 15 B, na esquina com a Óscar Monteiro Torres. Muito perto do Campo Pequeno.
Está um novo vídeo na coluna da direita. Um retrato cantado da Angola do milionário José Eduardo dos Santos, um homem que lidera um partido que já foi de libertação e que agora se dedica ao roubo organizado dos mais pobres. Que já foi o Partido dos Trabalhadores e que agora é de quem pagar mais. No link em baixo, a letra.
Nota: Depois de ter sido recebido como rei em Portugal, José Eduardo dos Santos impediu a entrada dos jornalistas da SIC e do Público em Angola na visita do Papa àquele país. E o governo nada disse. Já diz o povo: quem muito se baixa fica com o dito à vista.
Angola dos kota bué que tem que fazem E que tudo podem Angola dos inocentes, que na calçada morrem de fome Angola que p´ro angolano é rica, é boa e maravilhosa Angola que p´ro angolano é só desgraça ou vir da caixa Angola tu banga kiebe, casas de praia, carros de luxo Angola sukula zuata, estradas é buraco e casas sem tecto Angola que tem de tudo, que estende à mão e ajuda os outros Angola que não tem nada, está desgraçada e bwé rebentada
É minha angola É tua angola É minha angola É nossa angola (bis)
Angola do petróleo, do diamante e muita madeira Angola do paludismo, febre tifóide e muita diarreia Angola dos talé bosses comem sozinho e muita ambição Angola que é da gasosa, corrupção tapa visão Angola dos herdeiros que não fazem nada e tem bwé de massa Angola do kota honesto, que bumba bwé e não vê nada Angola das fezadas, bwé de emprego para as mesmais pessoas Angola da frustração, é só beber, roubar e matar
É preciso acreditar, é preciso não vacilar, É preciso, sim, trabalhar, para Angola, sim melhorar (bis) Esperança, orgulho!
Angola do crescimento, do investimento é só sucesso Angola que está no gesso, sem água e luz, só retrocesso Angola dos arrogantes, narizes em cima tipo não caga Angola cheio de poeira, bwé de lixeira até dá vergonha Angola dos condomínios, engarrafamentos e dores de cabeça Angola que quando chove quem não sofra baixa Angola do bajulador engraxador e sorriso podre Angola dos aeroportos, revista o mano, revista o pobre
É minha angola É tua angola É minha angola É nossa angola (bis)
É preciso acreditar, é preciso não vacilar, É preciso, sim, trabalhar, para Angola, sim melhorar (bis) Esperança, orgulho!
Angola dos anseios do crescimento de uma nação Angola do bloqueio do impedimento da geração Angola dos corajosos, dos empreendedores e mente aberta Angola dos invejosos, detractores visão limitada Angola das revistas, muitos sorrisos, lindos cenários Angola ecos e factos, muitos choros tudo ao contrário Angola do rico é rico, bwé de conceito com preconceito Angola do pobre é pobre, que nasce pobre e morre pobre
É minha angola É tua angola É minha angola É nossa angola (bis)
Soldados israelitas usaram um rapaz de 11 anos como escudo humano durante a guerra com o Hamas na Faixa de Gaza. No caso ontem mencionado na Comissão de Direitos Humanos da ONU, os soldados israelitas ordenaram ao rapaz que fosse à frente das tropas, que estavam a ser atacadas, num bairro da Cidade de Gaza, e fizeram-no ainda entrar em edifícios antes deles, numa altura de operações militares "intensas". O rapaz também recebeu ordens para abrir sacos de outros palestinianos antes de ser deixado pelos militares à entrada de um hospital, segundo a enviada da ONU para a protecção dos direitos das crianças, Radhika Coomaraswamy. Trata-se, acrescentou, de uma clara violação da lei israelita e internacional. O caso está descrito num relatório de 43 páginas ontem publicado, e foi uma de várias violações de direitos humanos pelo Exército israelita durante as três semanas de guerra em Gaza. "São apenas alguns exemplos das centenas de incidentes que foram documentados e verificados" por responsáveis da ONU no terreno, disse a relatora. "Houve violações todos os dias. São demasiadas para enumerar." (Público de hoje)
Dedicado aos que, durante a intervenção em Gaza, teimaram em olhar para este conflito como se fosse uma aventura de desenhos animados. À medida que "o trovão rompante de Israel como um Estado de apartheid" se aproxima, como escrevia Boaz Okon, colunista do diário israelita "Yedioth Ahronoth", mais infatins serão os porta-vozes do indefensável.
"Desde sábado o Sporting tem demonstrado uma total falta de fair play e mau perder” Comunicado do SLB
Esteve mal o Benfica, respondendo ao Sporting quando ninguém, até agora, o tinha atacado. Não lhe chega ficar com uma taça que não conquistou em jogo. Quer o aplauso de quem foi roubado.
Fica a nota: Pedro Silva pediu desculpa pelo disparate que fez. O árbitro não.