Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
por Daniel Oliveira

INQUÉRITO



Apesar de durar há apenas três dias, o inquérito sobre as eleições autárquicas já tem uma participação muito acima do que se esperava. Claro que alguns amigos teimam em tentar aldrabar, mas como está muita gente a votar a esperteza (que é na realidade um pouco idiota, já que o inquérito não decide quem ganha as eleições) acaba por se diluir. O Arrastão está a ter das semanas mais visitadas desde o seu nascimento, e isso ajuda à participação. Mas a publicidade feita por muitos blogues, a sobretudo regionais e locais, está a ser indispensável. Ficam os agradecimentos: Vida Breve, Ponto Digital (Madeira), O Bom Gigante (Beja), Denúcia Coimbrã (Coimbra), Madeira Minha Vida (Madeira), Famalicão e Política (Famalicão), Olhar para o Mundo, VIagra e Prozac (Beja), O Egitaniense (Guarda), Banco Corrido, Intervenção Maia (Maia), Avenida Central (Braga) e Colina Sagrada (Guimarães). A todos os que me escaparam as minhas desculpas. Os agradecimentos serão, é claro, actualizados. Continuem a votar.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Não é líquido que o Presidente da República aceite todas as combinações aritméticas que o número de deputados e partidos possa permitir para fazer uma maioria. Tem nisso um precedente em Mário Soares, que, após a moção de censura que derrubou o governo minoritário de Cavaco Silva, não aceitou a solução maioritária do PS+PRD que Constâncio lhe propôs.
José Pacheco Pereira

Nota: Mário Soares marcou eleições depois do fim de uma experiência falhada de governo minoritário e não umas semanas depois das eleições. Pacheco Pereira, não contente com a tragédia em que resultou a sua estratégia para o PSD, continua a querer provocar estragos ao seu próprio campo político.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Não assinei este apelo (também em baixo). Porque não é para mim muito claro o seu sentido exacto. Concordo ou não concordo com ele, dependendo do seu objectivo final. Se for o de uma coligação governamental de esquerda com José Sócrates (como não poderia deixar de ser) à cabeça, não posso concordar. Não por qualquer questão de princípio (já deixei há muito tempo claro que considero que a esquerda à esquerda do PS deve participar em soluções de poder). Mas por uma questão de conjuntura e de honestidade. Para tal acontecer, PS, BE e PCP teriam de trair o essencial dos seus respectivos programas eleitorais e, mais importante, os compromissos feitos na campanha.

Mais: a política faz-se com pessoas. E Sócrates é, na minha opinião, estruturalmente autoritário e convictamente mais próximo da direita liberal do que da esquerda social-democrata e socialista. Não tem assim condições (que outros no PS poderiam ter) para ser o protagonista de uma esquerda plural no poder. Infelizmente, nos melhores cenários políticos nem sempre aparecem os actores necessários.

Se, no entanto, o que está em causa é a defesa de um entendimento entre o Bloco de Esquerda e a CDU para formarem um bloco parlamentar capaz de pressionar ou negociar (sim, claro, negociar) com o governo mudanças legislativa, orçamentais e programáticas que garantam uma viragem política à esquerda e que impeçam que o poder seja entregue ao CDS, assino por baixo. Defendo que o próximo governo deve ser minoritário e que o poder de cada decisão deve ser devolvido a quem realmente o deve ter antes de todos os demais: o Parlamento. Na esperança de que a esquerda à esquerda do PS o queira usar.

E deixo claro que não me revejo no discurso de quem já se contenta com o conforto de entregar a faca, o queijo e tudo mais à direita populista. Gostava que o Bloco e o PCP se comprometessem com soluções que dêem esperança e vitórias às pessoas e não com derrotas eleitoralmente promissoras. E estou convencido que grande parte do meio milhão de eleitores que entregou o seu voto ao BE também.

Mas de tudo isto falarei no meu próximo texto no "Expresso". Por enquanto, fica aqui o apelo assinado por muita gente de esquerda. É com estas pessoas (e muitas mais) que a esquerda tem de contar nos próximos anos para impedir que à desgraça que foram os últimos quatro anos se junte a agenda de Paulo Portas. E para isso não vai bastar protestar.
Apelo no link em baixo.



"O resultado das eleições legislativas permite afirmar com clareza que os portugueses recusaram a hegemonia neo-liberal, dando o seu voto maioritariamente à esquerda. É por isso legítimo esperar que o futuro governo do país acolha novas políticas solidárias, relançando a prosperidade e a esperança no futuro.

A 27 de Setembro os eleitores revelaram uma inquestionável vontade de entendimento entre os partidos de esquerda. As votações alcançadas pelo Partido Socialista, pelo Bloco de Esquerda e pela Coligação Democrática Unitária são o resultado das fortes movimentações sociais ocorridas na legislatura passada, tendo contribuído decisivamente para gerar uma nova solução pluripartidária susceptível de encontrar respostas aos factores de crise e desigualdade social.

Os entendimentos entre as diversas forças de esquerda para uma solução de governo (coligação ou acordo de incidência parlamentar) são muito comuns na Europa Ocidental (por exemplo, no Chipre, em Espanha, em França, na Itália, na Suécia, na Dinamarca, na Noruega, na Finlândia, etc...).

Em Portugal, pelo contrário, há mais de 30 anos que as esquerdas continuam incapazes de se entender para gerarem soluções de governo. Contudo, vários estudos têm revelado que este elemento resulta de um crescente desfasamento entre os eleitores destes partidos (que desejam um entendimento) e os seus eleitos (que persistem na incomunicabilidade).

Os resultados de 27 de Setembro exigem que as esquerdas se encontrem e sejam capazes de explicitar o contributo que cada um destes partidos está disposto a dar para se encontrar uma solução estável de governo. Pelo menos essa tentativa de entendimento é devida ao povo português pela forma como demonstrou a sua vontade eleitoral.

Os subscritores do presente Apelo agem no sentido de que seja traduzido num programa de governo as lutas e anseios de amplas camadas da população que justificam celeridade na construção de respostas urgentes e adequadas para os problemas do seu quotidiano. Para servir este objectivo, deverão ser estudadas as bases para um Compromisso à Esquerda que reforce as conquistas democráticas, vinculando a acção governativa a um elenco programático."

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

© rabiscos vieira





por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
Depois de ouvir o discurso do Presidente

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira
foi desta que o CDS elegeu o Jacinto Leite Capelo Rego?

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
O discurso do Presidente foi recebido com humor, indignação ou estupfacção por todos os comentadores. Pior: para defender Cavaco Silva ficou Nuno Rogeiro.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
por Daniel Oliveira
Aqui fica, para memória futura, o discurso de Sua Excelência o Presidente da República que depois desta intervenção fica um pouco mais parecido com o presidente aqui da minha Junta da Freguesia. Este naco de prosa ficará na história ao lado de um outro também famoso feito em Almada pelo então primeiro-ministro Vasco Gonçalves.



Destaco esta frase: “E, pessoalmente, confesso que não consigo ver bem onde está o crime de um cidadão, mesmo que seja membro do staff da casa civil do Presidente, ter sentimentos de desconfiança ou de outra natureza em relação a atitudes de outras pessoas.”.

Vamos pôr esta frase um pouco mais clara e rigorosa: “E, pessoalmente, confesso que não consigo ver bem onde está o crime de um assessor do Presidente da República desconfiar, sem nenhuma prova, que o primeiro-ministro anda a vigiar o chefe de Estado e decidir contar isso a um jornalista para ele publicar, entregando-lhe até alguma documentação"

Assim, sem eufemismos como "um cidadão, mesmo que seja membro do staff da casa civil do Presidente", "sentimentos de desconfiança ou de outra natureza" ou "outras pessoas” será que o Presidente conseguirá perceber onde está o problema? Não? Então, por favor, deixem de lhe passar informações de Estado. Este homem não é de confiança.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Isaltino Morais quer que processo judicial não seja o centro da campanha em Oeiras.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Ao ouvir na SIC Notícia Luís Delgado e Nuno Rogeiro fico com uma dúvida: foi Luís Delgado qie melhorou muito nos últimos anos ou a queda de Nuno Rogeiro é tal que até Luís Delgado brilha. Ou será que aconteceram as duas coisas.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O Presidente não esclareceu coisa nenhuma. Não nos consegiu sequer dar uma certeza indispensável: se um assessor seu passou ou não a informação de que havia desconfianças de que o Presidente estaria a ser vigiado. Deu mesmo a entender que, se tal tivesse acontecido (coisa que duvidava, pelo menos com a utilização do seu nome), nenhum mal vinha ao mundo. Seria, veja-se bem, um desabafo. No entanto, apesar das dúvidas, manteve a pessoa em causa na Casa Civil.

Ou seja, em toda esta história, o Presidente não sabia de nada e nada continua a saber. Mas isso não o impede de, na declaração de hoje, alimentar ainda mais um pouco a ideia de que podia (e pode) mesmo estar a ser vigiado. Dizendo, coisa extraordinária, que o sistema informático da Presidência da República não é absolutamente seguro. Coisa que não tentou saber quando surgiram as notícias, mas apenas hoje, antes das suas declarações. Será inseguro, é provável. Todos os que existem no planeta o são. O que não é habitual é o Presidente dizê-lo ao país sem sequer se perceber porquê. Alguem leu os mails do Presidente? Quando? Quais? Quem? De que raio está ele a falar que já toda a gente se perdeu? O mail que foi publicado não era de Belém. Onde raio foi agora ele desencatar esta dúvida?

E as suspeitas que lança, não tendo certezas do que diz, são de uma irresponsabilidade sem nome. Na realidade, o Presidente está a comportar-se como um desestabilizador institucional permanete. Das duas uma: ou Cavaco Silva está a ser sincero em toda esta novela e então o seu grau de paranóia é bem superior ao que se julgava; ou está a tentar manipular opinião pública num assunto de uma enorme gravidade e teremos de concluir que o país colocou em Belém um homem perigoso.

Fica só uma dúvida: o que quer o Presidente com tudo isto? Ou nem pensa sequer nisso e está em roda livre. A julgar pelo absurdo da sua declaração de hoje, é o mais provável.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Valentim Loureiro está a dar convites para um concerto de Tony Carreira.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Este texto do Blasfémias sobre os eleitores fantasma e as repercussões políticas da sua permanência nos cadernos eleitorais.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O Departamento Central de Investigação e Acção Central estão a realizar buscas, esta terça-feira, a quatro escritórios dos advogados que terão estado envolvidos na compra de submarinos quando o líder do CDS-PP Paulo Portas era ministro da Defesa.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

Oh, The Temptation from Steve V on Vimeo.


por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira
que a comunicação de hoje à noite fosse sobre o estatuto dos açores.

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

INQUÉRITO


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por Daniel Oliveira
Cava Silva falará hoje à comunicação social sobre o caso das falsas escutas.

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
por Daniel Oliveira
Uma dúvida: como irão conviver os meus amigos Miguel Vale de Almeida e João Galamba com a possibilidade de um acordo de incidência parlamentar (ou acordos pontuais) entre o partido que agora representam e aquele que faz do ataque ao Rendimento Social de Inserção, aos imigrantes e à igualdade de todos os cidadãos perante a lei as suas principais bandeiras?

A resposta (provavelmente escrita ainda antes do meu post) do Miguel Vale de Almeida está em parte aqui e resume-se em três ideias: um acordo de coligação com o CDS seria trágico e contrário à vontade dos eleitores do PS e que fugiram do PS; não há condições para um acordo à esquerda; e o PS pode governar em minoria com acordos pontuais com todos os partidos. A minha opinião sobre o assunto darei no próximo texto do "Expresso". A não ser, claro, que Cavaco hoje fale do Estatuto dos Açores (ver post do Vieira mais acima) e eu tenha de me dedicar a esse tema.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Uma rádio e uma estação de televisão das Honduras, Rádio Globo e Canal 36, foram encerrados pelo Governo instituído após o golpe de Junho que depôs o Presidente Manuel Zelaya. Zelaya está há uma semana na embaixada do Brasil em Tegucigalpa e pediu à comunidade internacional que “reaja imediatamente, antes que algum dirigente seja morto”.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


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por Daniel Oliveira


Votem no inquérito do Arrastão


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O inquérito das autárquicas foi alterado e por isso esteve trancado na última hora. Já podem votar. Os concelhos passaram a estar separados uns dos outros. Os votos anteriores foram transferidos. Algumas percentagens aparecem maradas, mas isso pode acertar-se no fim. Agora e votem no vosso concelho e divulguem este inquérito. Para que o universo de votantes em cada concelho tenha algum significado. Obrigado.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
A CDU venceu, mas com o pior resultado de sempre desde 1949: 33,5%. Poderá governar com os liberais do FDP. O SPD ficou-se por uns humilhantes 23,5%, ficando mais uma vez provado que quando o centro-esquerda se alia à direita não faz mais do que pôr uma corda ao pescoço. Um dia compreenderão que o centro é um "não lugar" na política. O Die Linke é o vitorioso da noite, 12% dos votos. Os "Verdes" ficam com 10%. A esquerda à esquerda vale agora tanto como o SPD. Tal como é Portugal, a esquerda consegue capitalizar o descontentamento com o centro. Por essa Europa fora, os social-democratas e socialistas terão de pensar bem no significado destas duas eleições. Com derrotas ou vitórias, perderam para a esquerda quando governaram à direita. Alguém se espanta?

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira



Primeiro a crueza dos números. O PS ganhou as eleições. No sentido em que quem fica em primeiro é quem ganha e é quem é chamado para governar. Mas apenas isso. Porque, no que toca à evolução do voto, ele é, na realidade, o maior derrotado. Perdeu cerca de meio milhão de votos para todos os partidos. Deixou de ser o partido mais votado em vários distritos. Perdeu 8,5%. Perdeu 24 deputados. Perdeu, perdeu, perdeu. Poderá festejar, com legitimidade, já que foi o partido mais votado. Mas chamar a isto uma vitória extraordinária é que é uma coisa extraordinária. Basta dizer isto: José Sócrates teve um resultado pior do que Ferro Rodrigues, quando este perdeu as eleições acabado de chegar à liderança.

Do ponto de vista aritmético o PSD até subiu. Em deputados (6), votos (sete mil) e percentagem (0,4%). Pouco, mas subiu. Mas foi, de facto, o maior derrotado. Primeiro porque tal como o PS só pode aspirar a ser o partido mais votado. Segundo, mais importante, porque esta pequena subida é referente ao pior resultado da sua história. Ou seja, é quando é o PS que está no governo (em plena crise e rodeado de contestação) e quando este perde meio milhão de votos, que o PSD conquista o seu segundo pior resultado. Num momento em que tinha tudo para subir muito, sem grande esforço, em que os votos do PS se libertavam, o PSD cativa apenas mais uns poucos de milhares de votos. Pode agradecer à sua líder, é verdade. Mas nesta desgraça também teve uma boa ajuda do seu herói Aníbal Cavaco Silva.

Se estas eleições têm um derrotado ele é, claramente, o bloco central. Fora dele, estão as vitórias.

O CDS vence. Vence porque sobe de 7,26% para 10,46%. Teve alguma sorte na distribuição dos deputados (elegeu em vários casos os últimos), que lhe permitiu ter mais cinco deputados que o BE (com apenas mais 0,6% dos votos) enquanto o mesmo BE, com mais 2% do que a CDU, apenas conquistou mais um deputado do que os comunistas. Mas as eleições também têm disto e por uns momentos até se julgou que seria ao contrário: que o CDS teria mais votos e o BE mais deputados. Seja como for, o CDS teve uma importante vitória. Não tanto por ficar em terceiro lugar, que vale muito pouco quando joga num campeonato diferente do BE e da CDU, mas porque nesta distribuição de deputados consegue ter os suficientes para fazer maioria com o PS. E isso dá-lhe poder. Muito poder.

O Bloco vence. Aritmeticamente é o que vence de forma mais clara e expressiva. Tem 557 mil votos (quase mais 200 mil do que em 2005), o dobro dos deputados (mesmo tendo em conta a distribuição pouco favorável que lhe caiu em sorte) e consegue representação em nove distritos (o que num partido que começou por ser quase exclusivamente de Lisboa não é um pormenor). É, dos três partidos mais pequenos, aquele que tem resultados mais homogéneos no país. É quem (basta olhar para os resultados dos vários círculos com atenção para o perceber) realmente rouba a maioria absoluta ao PS. E ultrapassa a CDU. Ao contrário do que acontece numa disputa CDU/CDS (que mudaram muitas vezes de posição) ou BE/CDS, isto pode vir a ter algumas consequências políticas. O PCP e o BE batem-se pela hegemonia da esquerda à esquerda do PS. Até hoje, o PCP mantinha a sua intacta. E isso pode estar mesmo a mudar, com o BE já a uma distância de 2% do PCP.

A vitória seria total (e a luta pelo terceiro lugar é apenas um pormenor mediático, como o foi nas Europeias) não fosse a composição final do Parlamento. E nisso o BE pode queixar-se de algum azar: com mais 700 votos distribuidos por Lisboa, Setúbal e Porto o BE elegeria 19 deputados, suficiente para a maioria e mais próximos da sua votação real. Mas é a vida. E a verdade é que a queda do PS foi tal que ao contrário do que se previa nem com a subida do BE os dois partidos têm maioria. O que significa que a capacidade de influência da esquerda no governo socialista só pode acontecer numa acção combinada com o PCP. Foi na diferença de deputados, e não de votos, entre o CDS e o BE que as coisas se complicaram para o Bloco.

A CDU tem uma pequena vitória aritmética. Sobe 0,6% e 14 mil votos. Elege mais um deputado. Mais do que ser a quinta força, importante é que passa mesmo a ter de disputar com o BE a hegemonia da esquerda. O PCP vive da sua imagem de força. Não vale a pena fingir que a sua nova posição relativa na esquerda é irrelevante em consequências. E num momento em que há um enorme descontentamento com o PS e que este perde meio milhão de votos, o PCP pouco lucra com isso. Ou seja: confirma-se que o PCP é um partido com um eleitorado fiel, mas que mesmo em momentos de fácil expansão tem dificuldade em sair do seu espaço natural. Resiste melhor do que os outros à adversidade, mas ganha menos do que os outros com a bonança eleitoral.

O que realmente interessa é a situação em que agora nos encontramos. O PS está em minoria. Não haverá, estou seguro, nenhum governo de coligação – se o PS fizesse uma coligação com o CDS, alem de se partir internamente daria à esquerda (BE e CDU) mais um exército de descontentes para engordar os seus próximos resultados. Assim, tudo será aprovado à medida. Umas vezes as coisas serão simples: apoio do PSD em alguns assuntos de regime, apoio da CDU e do BE nas questões de costumes e em relação a algumas obras públicas. Mas há tudo o resto. No primeiro Orçamento, o PSD lá dará a borla. Mas depois o PS terá de negociar. E aqui é que a porca torce o rabo. Ou o Bloco de Esquerda e o PCP se entendem (em vez de se vigiarem para saber qual deles é o mais puro e intransigente) para terem vitórias e cedências negociadas do PS, ou tudo será decidido com o CDS. Ou se põem de acordo para qualquer negociação de coisas concretas ou darão todo o poder ao CDS.

Este cenário até acaba por ser de mais fácil gestão para CDU e Bloco, já que cada um deles, não tendo a faca e o queijo na mão, nunca será responsabilizado por uma reprovação ou aprovação de qualquer coisa. Mas pode ser autodestrutivo. Enquanto o CDS pode gerir sozinho o que faz ou não faz, CDU e BE tenderão a desresponsabilizar-se por sozinhos não garantirem maiorias. E isto preocupa-me.

Sobre as próximas eleições autárquicas (não se esqueçam de votar no inquérito autárquico do Arrastão - ver post abaixo) não vale a pena ninguém embandeirar em arco. O Bloco tem agora melhores condições do que tinha, mas não tem ainda a implantação dos outros. A CDU continua a ser um partido com maior influência autárquica do que tem noutras eleições. O CDS continua a ser um partido com pouquíssima influência neste sector da política institucional, tendo de se contentar em ir à boleia de 40 coligações. E PSD e PS vão disputar eleições locais independentemente destes resultados. Lisboa, na realidade, é das poucas incógnitas importantes nas próximas eleições. De resto assistiremos a imensas reeleições (algumas delas, por força de lei, serão as últimas), como de costume.

Resumindo: derrota do Bloco Central (com o primeiro lugar para um dos seus elementos, como é sempre inevitável), vitória do CDS e do Bloco de Esquerda e vitória muito curta da CDU. E um futuro que pode obrigar a esquerda a pensar em tudo aquilo que lhe é incómodo: a negociação com o poder, a relação com o PS e a coabitação entre BE e PCP que se terão de entender se querem determinar a política portuguesa. Passados os festejos, vêm tempos difíceis.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
É impossível fazer um inquérito sobre o voto em todas os concelhos portugueses. Assim, escolheu-se apenas os que têm mais de 100 mil habitantes e acrescentou-se as capitais de distrito e Regiões Autónomas que não cumpram esse requisito. Os concelhos estão por ordem alfabética e em cada um deles as candidaturas pela ordem de resultado que tiveram nas últimas eleições autárquicas. Com asterisco estão os candidatos que são actualmente presidentes de câmara. Em cada concelho só estão as candidaturas minimamente relevantes, porque seria impossível pôr todas e a recolha de informação passava a ser muito dificil. Espera-se que fiquem assim abrangidos grande parte dos leitores. Os que não são de nenhum destes quase 40 concelhos têm uma opção no fim do inquérito. Agora é votar. E, se não for pedir muito, para os que tenham blogues (sobretudo com mais leitores nestes concelhos), divulgar. Só com alguma participação o resultado terá alguma relevância. Se imaginassem o trabalho que isto deu... Algum erro, por favor avisem.

por Daniel Oliveira
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Domingo, 27 de Setembro de 2009
por Pedro Vieira

© rabiscos vieira





por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
Antes de uma análise mais fina, fico-me pelo BE: terá bem mais do que o dobro dos deputados, elege em 9 distritos, ultrapassará em muito o meio milhão de votos e quase duplica a percentagem. Passar de quinta para terceira força seria agradável mas tem um valor apenas simbólico. Até porque o CDS, que tem um bom resultado, sem o PSD no governo pouco poderá fazer com ele. Curiosidade: alguns blogues de direita dão o BE (o partido que de longe mais sobe em todos os indicadores, que atinge um resultado com o qual nem podia sonhar há 4 anos, e que, na oposição, mais facilmente determinará a governação) como derrotado. Apenas a prova de que há gente que tem desejos tão intensos que os tranforma em realidade na sua cabeça.

Este post ficou um pouco desactualizado com a distribuição de deputados e composição final do Parlamento.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Ao que tudo indica, uma coisa já pode ser festejada: a afluência às urnas está a ser superior à de 2005. Um excelente sinal. A abstenção, em percentagem, será, provavelmente, apenas um pouco inferior, já que há 600 mil novos inscritos. Mas vale a pena recordar que fora dos cadernos eleitorais estavam muito abstencionistas crónicos (que não estavam recenseados) que não entravam nas contas.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Um país da América Latina prepara um referendo para permitir um terceiro mandato para o Presidente eleito. Seriam de esperar inflamados editoriais e posts sobre as tentações ditatoriais de tipo chavista. Mas nada. Seria de esperar que houvesse até quem defendesse a legitimidade de um golpe de Estado de tipo hondurenho para pôr fim ao abuso. Mas nada. Porquê? Apenas porque não é nem nas Honduras nem na Venezuela. É na Colômbia. E se é na Colômbia, então a mesmíssima coisa passa a ser absolutamente natural para qualquer democracia.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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Sábado, 26 de Setembro de 2009
por Daniel Oliveira
Mais um intervalo na série de documentários sobre a Guerra Fria, para um outro sobre o golpe de Estado nas Honduras. E mais uma vez com atraso. O documentário é da televisão venezelana. Toma, como fica logo claro, partido no conflito. Algum do linguajar ideológico era dispensável e do ponto de vista cinematográfico não tem grande valor, mas vale a pena ver para ouvir alguns extraordinários actores anónimos envolvidos na resistência e numa luta que não é apenas política e institucional. É, como foi, independentemente de todos os erros, na Venezuela, uma luta pela dignidade num país onde a extrema desigualdade social é um insulto diário aos mais pobres. O golpe de Estado antidemocrático é apenas a tradução política dessa desigualdade. E a resistência popular a esse golpe também.




por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
A partir de um helicópetero e uma cisterna, os militares hondorenhos, ao serviço do regime de Roberto Micheletti, lançaram gases contra a Embaxada do Brasil em Tegucigalpa, onde se encontra refugiado o presidente Manuel Zelaya Rosales. (via 5 Dias)

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
por Daniel Oliveira
Sócrates avisa o país para o perigo das nacionalizações. O homem certo para falar do assunto já que sabe do que fala. Afinal de contas é dele a última nacionalização neste país. E boa que ela foi...

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira



Em Coimbra, mas também em Lisboa, vejo espectáculos de humilhação colectiva. Em muitos casos com o consentimento dos próprios. Vejo a boçalidade satifeita consigo mesma. Vejo a ignorância transformada em cerimónia. Desde que não seja dentro da faculdade, digo eu, é lá com eles. E repito: aventurados sejam os idiotas porque deles é o reino da terra. Aquilo é a "tribo" no seu pior. É a obediência no que ela tem de mais degradante. Na rua passam em fila indiana, como carneiros, a repetir frases e canções inventadas por analfabetos. A praxe é o que seria uma sociedade sem cidadãos. Sem indivíduos. Sem inteligência. A praxe é a prova de como um pequeno poder de meia dúzia de imbecis chega para que a imbecilidade se transforme numa instituição. Dizem que serve para a integração. E é verdade. Ficam todos os praxados integrados na bovinidade dos praxantes. E essa é a razão porque odeio a palavra "integração". Aquele que se quer diluir na mediocridade a nada mais pode aspirar do que a ser um medíocre. É por isso que só os inadaptados têm a corgem de resistir à barbaridade quando ela se impõe como natural. Dirão: que exagero, é apenas uma brincadeira. Não. É muito mais do que isso. É, como "tradição", um código de conduta. A seguir no emprego, na vida, na família. É muito mais do que uma brincadeira. É uma lição. Isto é que é apenas um desabafo.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira
(...) Tinha estudado em Oxford durante um ano, e depois, incompreensivelmente para Espinoza e Pelletier, mudara para Londres, em cuja universidade terminou os estudos. Era de esquerda, de uma esquerda possível, e, segundo Norton, numa ou outra ocasião tinha falado com ela sobre os seus planos, que nunca se concretizavam numa acção definida (...)

2666, pág 91, ed. Quetzal

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
Aqui deixo os textos que ao longo de um mês escrevi para o Expresso sobre os cinco principais partidos e/ou seus líderes. Foram escritos em momentos diferentes e por isso não acompanham a actualidade e alguns não têm em causa novos dados.

Antes disso, não será segredo para ninguém o sentido do meu voto. É um voto critico, como devem ser todos. Mas neste momento, devo dizer, é um voto ainda mais convicto. Por duas razões fundamentais: o pânico que um bom resultado do Bloco de Esquerda causou em alguns sectores causa-me, devo confessar, alguma satisfação; a possibilidade, mesmo que remota, de José Sócrates reconquistar a maioria absoluta torna imperativo um voto claro. Mais quatro anos de Sócrates, com o PSD em estado de coma pós-derrota e sem presidente, seria uma catástrofe para o país. Espero que o BE tenha um excelente resultado e que seja ele a impedir tamanho desastre. Depois começa um profundo debate na esquerda à esquerda do Partido Socialista. Seja como for, vontem em quem votarem, mas vão votar.

Aqui vão os textos, pela ordem em que foram publicados. O primeiro é de 22 de Agosto, o último de 19 de Setembro. Escritos em registos diferentes, são criticos (em diferente grau e dando mais tempo com uns do que a outros) em relação a todas as candidaturas. Eles não são o olhar de um analista. São opiniões. Injustas algumas, seguramente. Mas são as minhas. Arrisco-me por isso a não agradar a ninguém. Coisa com a qual, como saberão, vivo bem.

CDS: A solidão de Portas

Há quatro anos Paulo Portas abandonou a liderança do CDS porque ficou poucos votos à frente de "trostsquistas e comunistas". Dois anos depois, no meio de gritos e encontrões, Ribeiro e Castro foi corrido sem ter sequer chegado às urnas. Portas voltou e, nas últimas europeias, depois de ter ficado atrás dos mesmos "trotsquistas e comunistas", festejou com lágrimas. Porquê? Porque teve mais do que as sondagens anunciavam. E esta é a arte de Portas: cria narrativas improváveis.

Como um eucalipto, Portas foi aniquilando todos os quadros do seu partido. Primeiro os opositores, depois aliados e amigos. O pouco que restava de apresentável foi enviado para Bruxelas. É da sua natureza: Portas é a sua própria solidão. E fez do CDS o primeiro partido português verdadeiramente unipessoal. Sozinho, tem de encarnar todas as personagens da direita: o "Paulinho das feiras e da lavoura", o "ministro de Estado", o político "contra o rendimento mínimo, os imigrantes e os criminosos", o Portas "conservador e cristão", o Paulo "da direita liberal".

Anti-sistema nas campanhas, o CDS precisa, depois das eleições, de voltar aos "responsáveis" negócios de Estado. Sem mais personagens para representar, alguém acredita que Portas ficará mais quatro anos a perorar no Parlamento? E quem sobrará para o acompanhar em tão ingrata tarefa?

Bloco de Esquerda: A escolha

Quando nasceu, há 10 anos, o Bloco de Esquerda prometeu desbloquear a esquerda portuguesa. Não era apenas um jogo de palavras. Portugal tinha o partido comunista mais ortodoxo da Europa e, graças ao PREC, o Partido Socialista mais anticomunista da Europa. E, no meio, um enorme vazio. Mesmo que alguns, fora e dentro do Bloco, julgassem que estavam a assistir ao renascimento da extrema-esquerda, os principais dirigentes do BE sabiam que era esse espaço que teria de ser ocupado.

Como todos os partidos, o Bloco tem voto convicto e voto de protesto. Mas tem também, mais do que qualquer um, voto de expectativa depois da desilusão com os outros. E é com esses eleitores que o BE tem mantido uma relação ambígua. A maioria deles espera, um dia, ver o BE no poder. Saberá que, por razões evidentes, isso não acontecerá com Sócrates. Mas acredita que ao dar peso ao BE ele virá a ser um parceiro incontornável e determinará o próprio comportamento do Partido Socialista. O problema é que os principais dirigentes do Bloco ainda não disseram se estão ou não interessados no poder. Assim como não disseram se se vêem a si próprios como uma alternativa programática ao PS ou como alternativa ao PCP na defesa do património comunista. As duas escolhas são legítimas, as duas têm perigos, mas qualquer uma delas tem de ser clara.

Alguns sinais, apesar do crescimento à custa de um eleitorado moderado vindo do PS, apontam para a segunda possibilidade. Com mais peso eleitoral, o Bloco parece ser hoje um partido menos plural, mais ideológico, mais concentrado na figura do seu líder, com maior peso político do seu aparelho e mais parecido com o PCP do que era há dez anos. Alguns destes pecados eram inevitáveis. Outros não. Mas o Bloco está longe de ser monolítico. E nele não falta quem não tenha esta escolha como fechada.

Ao contrário do PCP, o Bloco não foi forjado na disciplina do centralismo 'democrático'. O seu crescimento eleitoral obrigará a escolhas difíceis e internamente dolorosas. Saberemos então se o Bloco desbloqueou realmente a esquerda e é um espaço onde socialistas desencantados se podem vir a sentir bem ou se mudou tudo para tudo ficar na mesma. Depois da alegria da vitória, virão tempos difíceis. Apenas uma coisa é certa: a nebulosa de uma escolha por fazer não poderá durar muito mais tempo. Porque nenhum partido com o peso que se espera que o Bloco venha a ter pode viver de mal-entendidos.

PCP: Jovens turcos

Desde que Jerónimo de Sousa e um grupo de quadros comunistas que até então se mantinha na segunda linha tomaram a liderança do PCP que este vive dois movimentos contraditórios: estancou a queda eleitoral e empobreceu drasticamente a qualidade dos seus quadros. Esse empobrecimento tem sido feito através de um rejuvenescimento dos dirigentes, é verdade. Mas esses jovens, quase todos com pouca experiência fora do aparelho partidário, representam o sector mais ortodoxo e menos preparado do partido. Longe vão os tempos em que Octávio Teixeira, Lino de Carvalho ou João Amaral esmagavam em eficácia, rigor e eloquência as outras bancadas parlamentares. Tirando uma ou duas assinaláveis excepções que sobreviveram à limpeza interna geral - onde a fidelidade à afirmação da nova liderança contou mais do que a qualidade -, o grupo parlamentar do PCP é hoje uma sombra do que foi. E o que se passa no Parlamento acontece noutros sectores fundamentais para o Partido Comunista.

Os atalhos políticos subterrâneos ou visíveis - de que o uso recente do 'caso Casa Pia' contra Ferro e Pedroso no jornal "Avante!" é apenas um exemplo -, o regresso quase explícito ao estalinismo oficialmente abandonado no final da década de 50 e a degradação da qualidade técnica e política dos novos quadros do PCP não afectam as suas votações. E Jerónimo não só devolveu o ânimo aos militantes como resistiu ao crescimento de um concorrente directo - o Bloco de Esquerda - num momento histórico difícil. Mas o caminho que está a seguir terá um preço. Basta saber quem eram Lenine, Gramsci, Carrilho, Castro ou Cunhal para perceber que nunca nenhum Partido Comunista se afirmou sem os seus intelectuais orgânicos e a sua própria inteligência. Sim, o PCP continuará a resistir nas urnas. Mas, dia após dia, está a perder o combate pela hegemonia ideológica que, nos tempos de Cunhal, conseguia travar à esquerda.

As opções que fez são compreensíveis perante os ventos de desagregação dos partidos comunistas europeus que se tentaram renovar. Mas oferecem ao PCP, que valoriza mais a luta social e ideológica do que os resultados eleitorais, um futuro incerto. Com a perda de influência dos sindicatos, a redução de peso nas autarquias e a falta de quadros qualificados, o que sobrará se a simpatia de Jerónimo deixar de render?

PSD: Chegará?

Manuela Ferreira Leite é inábil. E tenta fazer disso uma mais-valia. Demos de barato que a capacidade de persuasão não é um elemento central num político. Terá então, além da sua inabilidade, outros atributos relevantes? O rigor? Basta olhar para a sua desastrosa passagem pelas finanças, em que se limitou a procurar receitas extraordinárias para combater o défice, para perceber que não é por aí. A competência? Alguém recorda o seu legado como ministra da Educação? A firmeza? Não cedeu ao que de mais sinistro existe no PSD pondo António Preto nas suas listas? O espírito democrático? Querem melhor ilustração do que vale o seu combate contra a "asfixia democrática" quando um dos seus principais aliados no tema é Alberto João Jardim?

Na verdade, Ferreira Leite não tem nenhuma qualidade política e pessoal que a distinga, no fundamental, de José Sócrates. Restaria, para a salvar, o programa eleitoral do PSD. E esse, como sabemos, tirando as questões de costumes e algumas obras públicas a serem repensadas, pouco diverge do programa do PS. A única vantagem de Ferreira Leite parece ser, então, ter dificuldades com a língua portuguesa. Como primeira-ministra falaria menos do que Sócrates. A ideia não é desagradável. Mas chegará?

PS: O que falta a Sócrates

É a primeira vez que um primeiro-ministro em exercício corre o risco de não ser reeleito. Podem os socialistas encontrar todas as desculpas: as resistências das corporações, a crise económica, a má vontade da comunicação social. Nada disso seria novo. A verdade é que, sendo um hábil tribuno, falta a José Sócrates o que faz a diferença num líder: a predestinação política, a ponderação táctica e a sensibilidade humana.

Sócrates nunca teve um rumo porque nunca teve convicções políticas. Sem elas, mesmo que difusas, a obstinação transforma-se em teimosia. Parafraseando Lenine: não tem firmeza na estratégia nem flexibilidade na táctica. Fora uma vaga ideia de 'modernidade', nunca soube realmente o que queria. As suas guerras (com os professores ou os jornalísticas) foram sempre reactivas. Sem objectivos claros, não tinha como as ganhar.

Como em Sócrates o desnorte ideológico se alia a um temperamento irascível, quase todos os seus gestos políticos resultam de impulsos. Faltam-lhe os elementos estruturais que dão coerência à actividade de um governante: bases ideológicas, cultura política e firmeza ética. E falta-lhe também estrutura emocional: o que nele é espontâneo prejudica-o, o que nele é artificial denuncia-o.

Por fim, falta a Sócrates o dom de avaliar os seus 'soldados'. Para lidar com o barril de pólvora que é a educação escolheu uma ministra conflituosa. Para a pasta da saúde, a que mais envolve todas as ansiedades humanas, um homem arrogante. Para travar o combate eleitoral das europeias, que determinaria como o PS resistiria à pressão da esquerda, um dissidente com zero de empatia. Para ser um político não basta estar satisfeito consigo próprio. É preciso conhecer bem as fragilidades e qualidades dos outros.

Dirão que estão aqui apenas avaliações pessoais. Mas são elas, muito mais do que todas as teorias da cabala, que explicam porque não conseguiu José Sócrates levar até ao fim nenhuma das suas autoproclamadas reformas; porque ficou, mesmo com uma maioria absoluta, encalhado; porque é detestado à esquerda e à direita. Sócrates pode ter sido, por força do seu poder, senhor absoluto do Partido Socialista. Mas nunca foi um líder. E sem líderes não há vitórias. E sem vitórias não há políticas.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

© rabiscos vieira


mais pormenores aqui


* esta não é uma referência velada ao previsível resultado da Política de Verdade





por Pedro Vieira
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
por Daniel Oliveira
O dirigente do PS José Lello, e o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, são acusados de negociar cargos em troca de financiamento partidário com o empresário Licínio Santos envolvido na Máfia dos Bingos, adiantou hoje a TSF. A acusação partiu de Aníbal Araújo, outro membro do PS que foi cabeça-de-lista pelo círculo de Fora da Europa, nas legislativas de 2005.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O inquérito a que responderam 2.700 leitores do Arrastão não corresponde, como é evidente, à realidade nacional, como fica claro nas percentagens relativas ao voto em 2005. Mesmo a progressão da intenção de votos para estas eleições é influenciada pelo tipo de leitores do blogue e pela distorção no universo de votantes. Ainda assim, serve este inquérito como curiosidade e como mera observação de possibilidades de progressão.

Vamos então aos resultados. Primeiro em que partido votaram os leitores em 2005? Dos 2.700 leitores que responderam ao inquérito, 881 (32,6%) dizem ter votado no PS; 599 (22,2%) terão votado no Bloco de Esquerda; 315 (11,7%) na CDU; 307 (11,4%) no PSD; 157 (5,8%) no CDS; e 441 (16,3%) ainda não tinham direito a voto, abstiveram-se, votaram branco ou nulo ou votaram num outro partido.

Nestas eleições, 804 (29,8%) dizem que vão votar no Bloco de Esquerda; 739 (27,4%) no PS; 348 (12,9%) no PSD; 336 (12,4%) na CDU; 217 (8%) no CDS; e 256 (9,5%) ainda não têm direito a voto, vão abster-se, votar em branco ou nulo ou votar num outro partido.

O Partido Socialista teria assim uma forte queda (menos 142 votos). Os votos são perdidos para o Bloco de Esquerda (um saldo negativo de 92 votos - perde 216 e ganha 124), PSD (40 - perde 63 e ganha 23), CDS (20 - perde 29 e ganha 9) e CDU (19 - perde 37 e ganha 18). Só ganha mesmo na abstenção ou novos eleitores: 29 votos (perde 54 e ganha 83).

O Partido Social Democrata sobe 57 votos. A subida faz-se quase exclusivamente à custa do Partido Socialista (40 votos – ver PS). Ganha também votos ao BE (7), CDU (1) e abstenção (27). Mas uma parte dos ganhos perdem-se para o CDS: o PSD perde 40 votos para o partido de Paulo Portas e só lhe ganha 22 (perde assim 18 votos).

O Bloco de Esquerda sobe de 599 votos para 804. A subida faz-se à custa do Partido Socialista (92 votos - ver PS) e dos novos votantes ou abstenção (106 votos – ganha 130 e perde 24). O Bloco de Esquerda ganha 11 votos à CDU (ganha 66 e perde 55) e 3 ao CDS. Mas perde para o PSD (menos 7).

A CDU sobe 21 votos. Tal como o BE, mas com menor expressão, a subida faz-se à custa do PS (19 votos - ver PS) e da abstenção (17 votos - perde 5 e ganha 22). Os comunistas perdem um voto para o PSD e três para o CDS.

O CDS, que tinha 157 votos e passa para 217, sobe 60 votos. Esta subida faz-se à custa do PS (20 votos - ver PS), do PSD (19 votos - ver PSD) e da abstenção (22 votos – perde 7 e ganha 29). Ganha ainda três votos à CDU e perde três para o BE.

Talvez com a contribuição de novo eleitores que entretanto já podem votar, o número de pessoas que diz que se irá abster, não pode votar ou votará nulo, branco ou noutro partido baixa consideravelmente: 441 em 2005 para 256 em 2009 – menos 185. Quem ganha mais com esta transferência é o Bloco de Esquerda (106 votos). Depois, o PS (29), o CDS (22), a CDU (17) e o PSD (11).

E aqui ficam então os resultados. Valem muito pouco, tendo em conta a distorção do universo, algumas (poucas, desta vez) violações detectadas às regras da votação e a possibilidade de alguns dos inquiridos terem mentido sobre o seu voto anterior para dar uma ajudinha ao seu partido. Mas serve como curiosidade. Se alguma conta (feita à pressa) estiver errada, por favor avisem.

por Daniel Oliveira
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