Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
por Daniel Oliveira

"Há uns dois anos almocei num simpático restaurante da Ilha de Luanda com um diplomata português. Antes de chegarmos à sobremesa já ele me dava conselhos: "Você só tem problemas porque fala de mais", assegurou-me. "Escreva os seus romances mas não ataque o regime. Não há necessidade." Depois disso tenho escutado conselhos semelhante vindos de editores, empresários e políticos portugueses. (...)

Mais extraordinário é perceber como um regime totalitário consegue exportar o medo. Não já o medo de ir para a cadeia, é claro; ou o medo de ser assassinado na via pública durante um suposto assalto. Trata-se agora do medo de perder um bom negócio. Do medo de ofender um cliente importante.

Ver dirigentes políticos portugueses, de vários quadrantes ideológicos, a defenderem certas posições do regime angolano com a veemência de jovens aspirantes ao Comité Central do MPLA seria apenas ridículo, não fosse trágico. Alguns deles, curiosamente, são os mesmos que ainda há poucos anos iam fazer piqueniques a essa espécie de alegre Disneylândia edificada pela UNITA no Sudeste de Angola, a Jamba, vestidos à Coronel Tapioca, e que apareciam em toda a parte a anunciar Jonas Savimbi como o libertador de Angola.

José Eduardo dos Santos decidiu fazer-se eleger pelo parlamento, por mais cinco anos, por mais dez anos, troçando da democracia, por uma razão muito simples: porque pode. Porque já nem sequer precisa de fingir que acredita nas virtudes do sistema democrático. Enquanto Angola der dinheiro a ganhar, aos de fora e aos de dentro, e mais aos de fora que aos de dentro, como sempre aconteceu, ninguém o incomodará. Para isso, para que Angola continue a dar dinheiro, exige-se alguma estabilidade social, sim, mas não democracia. Democracia é um luxo."

José Eduardo Agualusa

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010
por Daniel Oliveira
Uma coisa que me comove é ver gente que esconde o seu nome à procura do nome dos outros no "Diário da República". Uma coisa que me comove é ver gente que não mostra o seu curriculo para poder escrever o que entende a esfregar na cara dos outros o currículo dos outros por causa de coisas que os outros escrevem. Se há coisa que me comove é a coerência de quem exibe o passado dos outros enquanto esconde o seu presente. Quem dá o nome por uma denúncia merece resposta. Quem o esconde é apenas um bufo e como bufo deve ser tratado. E esta pequena diferença faz toda a diferença.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Lê o blogue e assina a petição aqui.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Por causa de conversas no Facebook a TAP resolveu enviar nove pilotos da empresa para um “curso de ética” sem que um processo disciplinar tivesse ainda tido lugar. O sindicato garante que os comentários destes funcionários “não constituíram a violação de qualquer dever laboral”.

Durante o último século tememos a omnipresença do Estado. Que vigiaria cada um dos nossos passos e trataria da nossa reeducação de cada vez que nos desviássemos do caminho certo. E boas razões tivemos para os nossos temores. As tiranias, muito dadas a eufemismos que escondam a banalidade da repressão, deram e dão e às seus prisões o bondoso nome de “campos de reeducação”.

No próximo século o Big Brother será outro. É na empresa que se decidem todos os pormenores das nossas vidas: as horas que nos restam para viver, se podemos ou não ter filhos, a roupa que vestimos, as opiniões que podemos ter. E também elas trataram dos seus eufemismos. Os trabalhadores são colaboradores. Um despedimento é uma dispensa de serviços. Vários despedimentos são uma reestruturação. Uma punição é um “curso de ética”. Em inglês soa melhor: “corporate crew resource management”, disse fonte oficial da TAP à Lusa. O 1984 e a sua novilíngua aí estão. Em 2010.

Em stereo com o Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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por Arrastão
Com quase dois mil votantes, foram estas as respostas dos leitores do Arrastão à pergunta "Qual o melhor candidato para vencer Cavaco Silva ou outro candidato de direita nas próximas eleições presidenciais?" Manuel Alegre (35%); Fernando Nobre (14%); Manuel Carvalho da Silva (10%); António Guterres (9%); Jorge Sampaio (7%); Jerónimo de Sousa (6%); Jaime Gama (5%); António Vitorino (5%); Francisco Louçã (4%); Mário Soares (3%); António Costa (2%)

Novo inquérito: Que avaliação faz do primeiro ano do mandato de Obama? Em várias área: Afeganistão, Iraque, América Latina, Palestina e Israel; crise económica; regras na banca; sistema de saúde americano; direitos civis e combate ao terrorismo; e ambiente e aquecimento global. As respostas são, evidentemente, múltiplas.

por Arrastão
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por Daniel Oliveira


"E, mais importante, quantos dos eleitores do BE depois de dada uma legitimação de esquerda a Sócrates, vão votar PS nas eleições seguintes?" A teoria do Nuno Ramos de Almeida sobre o apoio da esquerda a Manuel Alegre não é nova. O cordão sanitário à esquerda de quem teme, com a indefinição de fronteiras e o fim de alguns tabús, perder votos para o lado de lá tem sido, aliás, na minha opinião, uma das tragédias da esquerda nacional. Os resultados desta estratégia não foram famosos. Até porque se esquece de um pormenor: o cordão sanitário não impede apenas a passagem para lá. Trava a passagem para cá. É exactamente o facto do eleitorado socialista mais à esquerda poder fazer campanha por um candidato comum à esquerda que faz com que a esquerda à esquerda do PS deixe der ser vista como uma adversária natural pela maioria do "povo de esquerda". O fim do pecado da mudança de voto e o derrubar das barreiras à esquerda não é mau para a esquerda que quer crescer. Só é péssimo para a que se quer limitar a sobreviver e perigoso para quem hoje tem uma posição hegemónica à esquerda. Para quem quer mudar o cenário político é mesmo a única estratégia possível.

Devo confessar que tenho alguma dificuldade em respoder a este post do Zé Neves. Se estamos a falar de eleições (e é mesmo disso que estamos a falar), o sentido de voto dos eleitores dificilmente pode ser tratado como um pormenor. Não é tudo. Mas ajuda a perceber de que estamos a falar.

por Daniel Oliveira
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por João Rodrigues


Na semana passada, as negociações com a direita avançaram a "bom ritmo", segundo Teixeira dos Santos. Diz-me com quem negoceias o documento que fixa a orientação da maioria das políticas públicas e dir-te-ei várias coisas: quem vai pagar a crise, os interesses que privilegias e, logo, quem és ideologicamente.

O congelamento dos salários da função pública e a continuação dos cortes no investimento público orçamentado, cujo peso no PIB não cessa de cair, indicarão que a austeridade é tão permanente quanto assimétrica: o fardo do ajustamento deve recair sobre os assalariados. O aumento do desemprego e a existência de algumas centenas de milhares de desempregados que se arriscam a continuar ou a ficar sem quaisquer apoios, dada a recusa em mexer nas regras do subsídio, contribuem para o aumento do medo, que facilita as tarefas do capitalismo medíocre.

A crónica no i pode ser lida e comentada aqui.

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira
"Abstenção construtiva"

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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Domingo, 24 de Janeiro de 2010
por Sérgio Lavos


Jacques Audiard, o realizador de Um Profeta, não se cansou de dizer, nas entrevistas a propósito da estreia do filme, que este pretendia ser um retrato da França actual. Costumo desconfiar de intenções moralizadoras e de filmes cujo objectivo seja retratar a actualidade; é por isso que não gosto da obra de Alejandro Inãrritu ou de certos filmes de consciência liberal que a indústria americana por vezes produz. Não é uma questão de resultado final, mas de vontade: quanto mais um realizador se esforça por trazer para o ecrã as suas preocupações de ordem ética mais corre o risco de esquecer a forma. As excepções são sempre obras-primas, e penso em alguns filmes de John Ford (As Vinhas da Ira, O Vale Era Verde) ou em O Couraçado Potenkin, de Eisenstein, ou no acto de contrição de Elia Kazan depois da traição à classe que se chama Há Lodo no Cais - devo confessar que eu seria um dos que aplaudiriam Kazan naquela cerimónia dos Óscares em que a metade liberal da Academia se manteve quieta, mas percebo a razão desta.

Pensar a sociedade francesa actual, imagino que será uma tarefa difícil - portanto, entrei na sala de cinema na expectativa.  O filme é um drama passado na prisão e acompanha um jovem delinquente magrebino, El Djebena (Tahar Rahim), quando este é sentenciado a quatro anos. O mais interessante é o que o filme não tem de denúncia social - a relação que Djebena mantém com outro condenado, Luciani (Niels Arestrup), mafioso corso que o inicia e o passa a proteger depois de o obrigar a matar alguém que lhe é incómodo. O pai ausente renasce em Luciani - o olhar que nos é oferecido é o de Djebena: onde nós vemos crueldade ele vê algum afecto, mas cedo começa a perceber que Luciani olha para ele como um criado, um objecto das suas maquinações criminosas. A candura inicial de Djebena vai desaparecendo, há uma evolução que nos vai mostrando de que modo nasce um criminoso; ou, a leitura mais interessante, Djebena simplesmente abraça o seu destino - ele é o Profeta - e a ingenuidade do início é aparente, uma forma de conseguir sobreviver à vida em clausura.

Se é verdade que Audiard é bem sucedido no que toca à caracterização das personagens - existe uma evolução de Djebena, o cliché do delinquente não está sequer em causa - há, contudo, certas ratoeiras que bem podiam ter sido evitadas: na prisão, apenas vemos magrebinos, africanos subsarianos, ciganos e corsos. Dei por mim a pensar se não existirão brancos do continente condenados em França. Eu sei que é um pormenor, mas é também uma espécie de paternalismo incomodativo, como se a realidade francesa de integração dos imigrantes, que passa pelo crescimento de guetos fora do espaço habitado pelas classes mais abastadas, tivesse perfeita demonstração na obra de Audiard - o país que este pretendeu retratar será tão separador de águas como a obra por ele criada. Audiard mostra não ter sentido verdadeira empatia pelo universo que decidiu criar, e isso foi para mim muito mais evidente ao rever Casa de Lava, de Pedro Costa, pouco tempo depois de ter visto Um Profeta - é indesmentível (e confessado em entrevistas) o amor que Costa tem aos cabo-verdianos, aos imigrantes e aos desenraizados que acompanha em registo quase documental - Costa foi um habitante do bairro das Fontainhas enquanto lá filmou Ossos e No Quarto da Vanda, foi um irmão de Ventura em Juventude em Marcha. Audiard limita-se a ser um simples observador das mudanças que vão ocorrendo. É pouco.
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por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Do último "Eixo do Mal"

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Intenção de voto dos eleitores do BE em Manuel Alegre: 81,9% (Aximage). É neste momento, de longe, a maior em todos os partidos.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

Foto da BBC. Haiti

por Daniel Oliveira
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Sábado, 23 de Janeiro de 2010
por Sérgio Lavos


É uma curta coluna no caderno Actual, do Expresso, e, julgo, nem sequer está disponível em linha. Textos compactos, densos, inteligentes como quase nada do que se escreve nos jornais portugueses. Chama-se Ao Pé da Letra, o espaço ocupado pelo crítico literário António Guerreiro; e vale sempre, mas sempre, a pena lê-lo. Esta semana, fala de "um ministro" que anseia pelo TGV para Lisboa se tornar a praia de Madrid. Tão certeira dissecação do provincianismo dos nossos políticos é um prazer que deveria ser obrigatório:

Sobre a alta velocidade e a pequena burguesia

Quando um ministro diz que, graças ao TGV, Lisboa pode tornar-se a praia de Madrid, as suas palavras têm o poder de nos fazer lembrar três figuras que um filósofo italiano, comentando a teoria do carisma de Max Weber, eleva a categorias: o demagogo, o imbecil instintivo e o palhaço carismático. Mas mais importante do que projectar tais palavras em quaisquer categorias é percebermos que a política pertence hoje inteiramente àqueles que se convencem daquilo que dizem. É  aí que reside todo o segredo do discurso político. Mas as palavras deste ministro ilustram também outra coisa: que, no horizonte dos governantes, o único modelo de classe que existe (ou em que todos se devem transformar) é precisamente uma classe que não chega a sê-lo: a pequena burguesia universal, cujas bases materiais de existência assentam num modelo de vida que se manifesta em duas dimensões: o consumo e o tempo livre. Lisboa como praia de Madrid, Caparica como praia de Lisboa: trata-se sempre do mesmo tropismo - marítimo e litoral - que define o movimento a alta velocidade de uma massa que nunca gozará do luxo da lentidão.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
por Pedro Sales
Uma versão do tetris com elevado teor de alcoolémia, fazendo lembrar a velha máxima: se não consegues rodar as peças, roda o cenário.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales


Bem sei que o João Rodrigues escreve, aqui mesmo em baixo, sobre as parcerias público privadas, mas não resisto a destacar um ponto sobre o trabalho hoje feito pelo Jornal de Negócios:

“Por vezes acontece mesmo ser o Estado a pagar os serviços de consultoria prestada ao lado privado em quantidades avultadas”.

Isto já não é o capitalismo sem risco, ficando este sempre reservado para os cofres do Estado, isto já é mesmo gostar de ser roubado.

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira
António Vitorino está preocupado com a possibilidade de um candidato da área socialista às próximas eleições presidenciais ser mais do que um porta-voz de José Sócrates. Quer que Manuel Alegre dê provas de fidelidade. Mário Soares quer ganhar tempo, talvez na ilusão de que saia da cartola socialista um candidato que impeça a entronização do principal responsável pela sua derrota de há quatro anos.

Mas há dois pormenores a ter em conta. Primeiro: a esquerda vale 55%, o socratismo vale 36%. Há vida na esquerda para lá de José Sócrates, mesmo que a sua claque julgue que depois dele virá o dilúvio. Segundo: a ideia de ter o PSD no Governo com Cavaco Silva na presidência assusta muito eleitorado do socialista.

Se a direcção PS pensar para lá do umbigo do seu líder circunstancial, não terá outro remédio senão apoiar um candidato que não escolheu mas que está melhor colocado para vencer. Se não for capaz, estará a dar Belém a Cavaco Silva. Será que é isso que quer? Não me espantaria muito.

Em stereo com o Expresso Online

por Daniel Oliveira
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por João Rodrigues


Das estradas aos hospitais, não há área da provisão pública que esteja a salvo da voragem dos negócios. O Tribunal de Contas tem feito saber, para quem esteja interessado em ler os seus relatórios, que as parcerias público-privadas, cujo peso no PIB é o maior da Europa, assentam em contratos opacos e em frágeis mecanismos de monitorização.

O interesse público e a transparência orçamental são sacrificados: os privados investem, controlam equipamentos públicos e têm lucros garantidos, talvez rendas seja uma expressão mais adequada, e o Estado paga muito mais a prestações e assume os riscos.

Neste contexto, vale a pena ler a entrevista que Rui Peres Jorge do Negócios fez a Carlos Moreno, juiz jubilado do Tribunal de Contas e uma das pessoas que acompanhou mais de perto o crescimento das parcerias e de outros mecanismos de captura do Estado por uma burguesia crescentemente parasitária: “O Estado não tem força suficiente para se defender da pressão dos bancos nas parcerias público-privadas.”  

Apesar de todas as perversidades, estes esquemas têm uma vantagem: mostrar que o discurso sobre o “monstro” do peso do Estado faz parte de um romance de mercado pouco informativo sobre a real orientação das políticas públicas no medíocre capitalismo nacional.

por João Rodrigues
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010
por Daniel Oliveira
Hoje parece ser dia de bola. Por princípio não falo sobre escutas que não estejam em processos já públicos. Infelizmente ouvi as que hoje estão a dar que falar. Preferia ter ficado na ignorância. Pelo contrário, fiquei completamente esclarecido sobre a arbitragem, os dirigentes desportivos e até alguns jornalistas portugueses.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

Conheço e gosto de Vítor Gonçalves e desejo-lhe as melhoras. Sei que não tem qualquer responsabilidade por esta notícia. Julgava é que as televisões de notícias tinham critérios informativos. Dezenas de milhares de mortos no Haiti. Lembram-se? O jornalista não é a notícia. Aprenderam? Ainda mais quando se trata de um ferimento sem gravidade. Ainda mais quando estamos a falar do Haiti. Ainda mais quando é a notícia de abertura de um bloco noticioso.
Via A presença das formigas

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

© rabiscos vieira



cheira-me que isto vai valer bem a pena



por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira


Em “A Estrada”, de John Hillcoat (adaptado do livro de Cormac McCarthy), pai e filho caminham para Sul no meio da destruição de um Mundo em agonia. Para a criança os homens que sobram do Apocalipse dividem-se entre bons e maus. Mas depressa perceberá que até o seu pai vacila. No entanto, quando tudo o que parece garantir a humanidade dos homens desaparece, quando nada sustenta a civilização, a solidariedade não chega a desaparecer. Não porque seja clara a fronteira entre a crueldade e a sobrevivência. Mas porque o sentido de comunidade é tão natural ao homem como o egoísmo.

Bem sei que a pilhagem e o caos passam bem na televisão. Mas no meio do caos há quem, no apocalipse que se abateu sobre o Haiti, faça com que a auto-organização ocupe o lugar deixado vago por um Estado falhado. Como mostrou uma reportagem da Al-Jazeera, em muitos bairros de Port-au-Prince vizinhos sem nada organizam-se para se ajudarem uns aos outros. Bem sei que o cinismo em relação à condição humana vive mal com a naturalidade da solidariedade. Mas estas histórias são tão reais como as pilhagens. E o que leva pessoas comuns a apoiarem-se não é nenhum idealismo, até porque a fome deixa pouco espaço para isso. É a luta pela vida. E tão humana como a violência.

Em stereo com o Expresso Online

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira
em cada Liedson, um Artur Jorge

por Pedro Vieira
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por Bruno Sena Martins
[caption id="" align="alignnone" width="420" caption="Foto: Diário de Notícias"][/caption]

Com raras excepções, a narração de um jogo de futebol na TVI ou na  SIC ilustra com acuidade aquilo que comummente se designa por suplício. Facto prosaico facilmente explicável, primeiro, pela menor qualidade dos intervenientes quando comparados, por exemplo, com os elevados padrões oferecidos pela RTP (já a Sporttv demora a perceber que não basta cicrano  ter um passado ligado ao futebol para conseguir estar 90 minutos ligado ao comentário de um jogo), em segundo, pela instrumentalização do relato dos jogos para a publicitação dos programas que se seguem na grelha (enquanto o Aimar se dirige isolado para a baliza sai  um oportuno teaser sobre o Caminho das Índias).

Como se isto não bastasse, e longe de mim sufragar a expressão acusatória "jornalistas de Lisboa", o facto é que almas conspirativas como esta que vos fala não conseguem deixar de reparar num certo "viés regionalista" comum aos narradores de serviço nas estações em apreço -  e quem teve o azar de ver/ouvir o Belenenses-Porto de ontem saberá do que estou a falar. Sinceramente, a libido clubística daqueles senhores é tão exuberante que deve incomodar o mais anti-portista dos espectadores .

Crítica fácil, já sei. Há que propor soluções, concordo. Pois bem, com o intuito de uma fachada de isenção, proponho à TVI que ministre uma acção de formação aos seus narradores de futebol, consistiria esta em  três módulos: I "Como disfarçar a extrema alegria que nos assalta quando o Porto está a perder"; II "Como disfarçar a extrema tristeza que nos assalta quando o Porto ganha";  III "Como lidar com a tristeza continuada".

Publicado também em Avatares de um desejo.

por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Sim, o BPN é um caso de polícia. Mas as virtudes do capitalismo financeiro, da desregulação e da ganância como motor da economia que nos vendem há anos são um caso de política. E aí, nada parece ainda ter mudado. O desabafo de Jorge Palma na música que servia de banda sonora à reportagem da SIC continua a fazer sentido para lá do BPN: "quero o meu dinheiro de volta, tanta gente a dar-me a volta, não foi para isto que eu vim cá".


Ler texto completo e comentar aqui.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Para o Parlamento voto em quem representa os meus pontos de vista. É um orgão representativo e a ele cabe dar voz à diversidade política do país. No Parlamento Europeu e Assembleias Municipais a mesma coisa. Na Câmara Municipal há poder e oposição. Elejo, antes de mais, vereadores. A Presidência da República é o único cargo unipessoal deste país. Não há oposição. Há um Presidente. E é por ter percebido isto que a esquerda (PCP e mais tarde pequenos partidos extra-parlamentares) apoiou logo na primeira volta Eanes contra Soares Carneiro e Sampaio contra Cavaco Silva. Nada de novo, então. Apenas se evita a rábula do falso candidato que acabará por desistir.

Não apoiei Sampaio por me rever na personagem. Também não me arrependi, apesar de ser então muito mais um candidato do PS do que é Alegre, porque acabaria sempre por votar nele. Outras fossem as circunstâncias políticas e se existisse um outro candidato capaz de dar corpo político a um movimento social, mesmo sem ganhar (poderia ter sido assim com Pintasilgo, que não apoiei), e outra seria a minha posição. Não é o caso e é em circunstâncias concretas que se tomam decisões políticas. Aliás, por mais dificil que seja de o compreender, Alegre é, como se viu nas últimas Presidenciais, o que se afasta mais da mera aritmética das escolhas partidárias.

Não voto com estados de alma. Voto com racionalidade. Perante a possibilidade de ter Cavaco, e ainda mais Cavaco com um governo do PSD, voto no candidato que o pode derrotar. Perante a possibilidade de ter um presidente que seja um prolongamento de José Sócrates, quero o candidato que podendo derrotar Cavaco se opôs a Sócrates. Perante a possibilidade de ter um candidato oficial do PS escolhido pela direcção do PS, voto no candidato que podendo derrotar Cavaco e não sendo a escolha querida de Sócrates assusta António Vitorino. Perante a possibilidade de um Jaime Gama ou sucedâneo para chegar ao centro-direita tomando a esquerda à esquerda do PS como garantida na segunda volta, voto no candidato que podendo derrotar Cavaco, não é a escolha querida de Sócrates, assusta António Vitorino e precisa do empenhamento de toda a esquerda logo à primeira.

As razões são todas melhores do que a minha simpatia ou atimpatia por Manuel Alegre. São todas melhores do que a pureza imaculada do meu voto. Há "revolucionários" que julgam que o seu voto lhes dará um lugar no céu. Nem um reformista como eu leva a coisa tão a peito. Para mim é um instrumento. Uso a cabeça e apenas ela para o usar. Não tapo caras nem tomo Guronsan no dia seguinte. O que tem de ser faz-se. Sem dramas nem azias.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
por João Rodrigues


Através de um estudo da OCDE (via economia.info), fiquei a saber que, entre os 26 países da OCDE que têm rendimento mínimo, Portugal é dos menos solidários. Através do Negócios, fiquei a saber que o Estado gastou, em média e por mês, 313 euros por desempregado entre 2006 e 2009, o que compara com um gasto médio de 404 euros entre 2001 e 2005. Já sabemos quem é sempre sacrificado.  

Através do eurostat, fiquei a saber que o risco de pobreza em Portugal está acima da média da UE e que os 10% de trabalhadores a tempo inteiro que auferem rendimentos mais elevados ganham 5.3 vezes mais do que os 10% que auferem rendimentos mais baixos. Estamos bem acompanhado pela Roménia e pela Letónia entre os mais desiguais. Na Dinamarca, na Finlândia ou na Suécia – países de “invejosos”, onde não se “premeia o mérito” e onde, já se sabe, também não existem “incentivos para a inovação” – os trabalhadores mais ricos ganham, respectivamente, 2.3, 2.4 e 2.5 vezes mais do que os trabalhadores mais pobres. Níveis de qualificação mais elevados e acessíveis a todos, maiores taxas de sindicalização e relações laborais ainda enquadradas por mecanismos centralizados de negociação entre patrões e sindicatos ajudam a explicar estes resultados mais igualitários.  

Portugal é um país desigual, com uma percentagem de trabalhadores a tempo inteiro com salários baixos (20.3%), ou seja, com remunerações iguais ou inferiores a 2/3 do salário mediano nacional, acima da média da UE (17.2%). Um país que também é muito pouco generoso para com os mais vulneráveis. Tudo isto resulta de escolhas políticas e institucionais. Entretanto, o PS negoceia o orçamento com o CDS.

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira


A partir de amanhã o presidente não eleito de Angola, no poder há 31 anos, tem a certeza de que nunca terá de ir a votos. A revisão da Constituição garante que bastará encabeçar a lista de deputados do seu partido para ter o lugar. "Suponho que o regime angolano compreendeu que já nem sequer necessita de fazer de conta que é uma democracia. Enquanto a economia for crescendo, por pouco que seja e com todas as distorções que toda a gente conhece, continuará a ter o apoio do Ocidente", disse José Eduardo Agualusa. O MPLA percebeu que quando o Ocidente fala de democracia não está realmente a falar de democracia. Está a falar da democracia que se exige a Hugo Chavez e a Evo Morales, presidentes eleitos, e de que se dispensa a China e Angola, com chefes de Estado que nunca foram a votos. Desde que o dinheiro continue o a rolar e a vontade do povo não se meta no caminho estamos todos muito satisfeitos.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Um ano depois, as indecisões de Obama (de que a falta de firmeza com a banca foram exemplo) resultaram numa derrota: perdeu a maioria que precisava no Senado para fazer passar a reforma da saúde. No plano externo, prepara-se para se enterrar no Afeganistão, ainda não fechou Guantánamo e não se decidiu a fazer parte da solução e não apenas de carro atrelado de Israel no Médio Oriente. Se Obama quer chegar longe tem de perceber uma coisa que a direita americana percebeu há muito: que a indecisão e o centro são um não lugar político. Há que tomar decisões e não temer a oposição. Quem governa com medo está condenado a ser derrotado. E essa tem sido a história do centro-esquerda na Europa e nos EUA: vive a pedir desculpas pelas suas convicções.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Tenho muito para vos contar sobre Gaza e ainda mais umas coisas a escrever sobre o Haiti. Por enquanto, fica apenas o anúncio de que a partir de hoje tenho uma coluna diária no Expresso online. Algumas coisas que por lá escreverei farei em stereo com o Arrastão. Outras não. O primeiro texto é sobre Gaza. Para esta semana fica prometida uma reportagem sobre tudo o que por lá vi e ouvi.

por Daniel Oliveira
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Domingo, 17 de Janeiro de 2010
por Bruno Sena Martins
Sei-me incapaz de votar num Manuel Alegre próximo (ainda que remotamente) daquele que se apresentou a votos nas últimas eleições presidenciais. É verdade que Alegre foi obrigado a encontrar o seu espaço entre as candidaturas de Cavaco Silva, Mário Soares, Francisco Louçã e de Jerónimo de Sousa. Com o território à esquerda tão densamente povoado, é lícito supor uma adaptação às circunstâncias no modo como a campanha viria a transformar Alegre numa insólita miscelânea de populismo anti-partidos,  nacionalismo saudosista e memória anti-fascista (versão  narcisista).

Se acaso a votar em Manuel Alegre nas próximas eleições será porque a vontade de me despedir de Cavaco Silva encontrou respaldo na capacidade de esquecer o Manuel Alegre de 2006. Não depende de mim.

por Bruno Sena Martins
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por João Rodrigues


Teixeira dos Santos declarou que as negociações com o CDS avançam a “bom ritmo”. A pressão das inenarráveis agências de notação serve para ajudar a convergências políticas nada neutras na sua justificação e nos seus efeitos. As decadentes elites económicas podem estar descansadas. O seu investimento mediático também está a dar resultados. Isto significa apenas que a reforma fiscal, necessária para aumentar a justiça fiscal e a autoridade democrática face aos grandes interesses financeiros, vai ser, uma vez mais, adiada.  O seu princípio, em sede de IRS, é simples e foi enunciado por Manuel Faustino, fiscalista e membro do Grupo de Trabalho para o Estudo da Política Fiscal: “O rendimento é todo igual, tem todo o mesmo valor. Venha ele do trabalho, das acções, dos juros de depósitos ou dos dividendos.” O Grupo propôs que o governo atenuasse o regime de excepção para os ganhos de capital, através de uma modesta tributação das mais-valias bolsistas em 20%, na linha do que se passa na generalidade dos países da OCDE. O governo prepara-se, claro, para meter esta recomendação na gaveta.

A redução da opacidade do sistema fiscal e a protecção dos serviços públicos também obrigariam a desbastar uma parte dos regressivos e onerosos benefícios fiscais, que beneficiam sobretudo a “classe média”, ou seja, os 10% mais ricos. Para além disso, a situação de excepção fiscal da banca em sede de IRC deveria ser corrigida. Seguindo os cálculos de Eugénio Rosa, se a banca pagasse uma taxa de IRC semelhante à da generalidade dos outros sectores económicos (25% em vez de uns efectivos 15%), entre 2005 e 2008, o Estado teria arrecadado 1,3 mil milhões de euros de impostos a mais. É por estas e por outras que eu fico sem palavras perante a lata de gente como João Salgueiro, ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos e um dos economistas-2012 patrocinados por Belém, que perora sobre as “dificuldades” como se tivesse acabado de chegar ao país.    

Sabemos, por outro lado, que o subsídio de desemprego vai ficar na mesma, ou seja, algumas centenas de milhares de desempregados arriscam-se a continuar ou a ficar sem quaisquer apoios. São escolhas políticas. Entretanto, estou certo que o Estado Penal se vai reforçar, ao mesmo ritmo que se atrofia o Estado Social: mais investimento na segurança que não é social, num país que já gasta bastante em segurança pública e privada (na linha do que acontece nos países mais desiguais), e mais monitorização dos mais pobres, os que auferem o Rendimento Social de Inserção, num país que redistribui muito pouco e que desconfia de quem está numa posição mais vulnerável. São elevados os custos sociais dos enviesamentos de direita do governo, que, aparentemente, prosseguem a bom ritmo. Juntem os cortes no investimento público orçamentado, a par da manutenção das parcerias público-privadas desorçamentadas e da pressão para a continuação da privatização de monopólios naturais, como a REN, ou de infra-estruturas públicas, caso dos aeroportos, e temos o capitalismo de desastre a reforçar-se à boleia da crise e das escolhas políticas que são feitas neste contexto.

[Publicado, em simultâneo, no Ladrões de Bicicletas]

por João Rodrigues
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por Sérgio Lavos


Em 1908, Henry Ford inventou o modelo T, o carro do povo, mais barato, fabricado em série, que esbatia as diferenças de classe e permitia à classe média americana aceder a um artigo que até então era privilégio da burguesia abastada. Já ouvi dizer, a propósito do preço dos combustíveis em Portugal, que é bem feito que paguemos mais do que no resto da Europa. Mas ter carro não é, não deve ser, um luxo. Como Ford provou, a generalização do uso do automóvel permitiu uma maior igualdade entre as pessoas. Se há qualidade que o liberalismo económico pode ter, é esta. Numa economia não estatizada, a livre concorrência permite que os produtos cheguem mais baratos ao consumidor. Mas Portugal é um caso: temos empresas semi-privadas que operam sozinhas no mercado, como a EDP, e continuam a aumentar os preços mesmo em tempos de inflação negativa, e num bem de primeira necessidade, que não faz sentido que não tenha os preços controlados pelo Estado; temos um ramo da economia onde existe um simulacro de concorrência, com dezenas de empresas a fornecer o mesmo produto e a praticar preços semelhantes; e temos uma Autoridade da Concorrência que fecha abusivamente os olhos à evidente concertação de preços praticada por essas empresas. Bem pode vir a Galp dizer que a culpa é dos impostos que tem de pagar (leia-se a notícia do Público para se perceber claramente que a empresa distorce a realidade de maneira quase cómica) - não é normal que num país com um nível de vida que está muito abaixo da média na União Europeia sejam praticados preços na área dos combustíveis que nos põem em quinto lugar no ranking dos países europeus. Se a Autoridade da Concorrência não consegue provar que existe concertação de preços entre as gasolineiras, que se regresse ao passado e volte o preço dos combustíveis a ser controlado pelo Estado. Como está agora, é que seguramente não está bem - ou temos um liberalismo económico a funcionar em pleno, com todos os defeitos e qualidades, ou não temos, e nesse caso, tudo o que seja produto essencial deveria ter preços controlados pelo Estado. E como provou Ford há mais de cem anos, não há como não achar que os combustíveis não sejam um bem de primeira necessidade. Seria tão fácil fazer com que o mercado funcionasse - bastava um boicote generalizado à empresa que monopoliza o mercado - a Galp - e era ver os preços a baixar...

por Sérgio Lavos
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Sábado, 16 de Janeiro de 2010
por Daniel Oliveira
Olhando para a frente vejo apenas o pequeno porto e a praia sem luz. Se não olhar para trás pode ser uma qualquer vila de pescadores. Se não vir a miséria, a destruição, o pó e as ruínas de guerras e do bloqueio. Falta pouco para partir. Comparando com 2005, quando aqui vim, está tudo pior. O cimento não pode passar as fronteiras. Quase nada foi reconstruido depois da ultima guerra. Depois conto o que vi nesta prisão com um milhão e meio de almas onde é hoje tão difícil entrar. O que vi em Gaza.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales


O Rui Bebiano já aqui escreveu sobre o conflito da Google com a China. Não se percebe bem o que terá estado na origem da mudança de atitude da multinacional, que parece pouco disposta em continuar a colaborar com a "muralha da china" criada para bloquear a informação considerada indesejável pelo regime.

Mas qual é a extensão da censura informática na China? O information is beautiful, um site que trabalha graficamente todo o tipo de informação, apresenta uma infografia com os sites e palavras-chave bloqueadas pelo regime chinês. O resultado é desconcertante. O maior país do mundo tem uma rede minúscula, onde pouco ou nada tem a ver com a forma como a conhecemos e usamos. Mesmo existindo sucedâneos locais para grande parte do conteúdo barrado, a verdade é que as principais redes sociais -  como o Youtube, Facebook, ou Flickr - e motores de busca (incluindo o Sapo) estão fora do alcance dos cidadãos chineses. A obsessão com o controlo político sobre o que é permitido ler ou consultar, leva a ditadura a banir palavras ou conceitos como "democracia", "reeducação pelo trabalho" ou "Tibete", mas também os aparentemente anódinos sites da Disney, Nintendo ou do jornal desportivo Marca.

Curiosamente, os sites de algumas das empresas, como a Apple ou a Sony, que inundam os mercados com produtos made in China, não podem ser consultados pelos mesmos trabalhadores que fabricam milhões de iPhones ou televisores lcd. Mas o regime parece conhecer os seus limites. Gerontocracia é uma das palavras banidas. É justo.

por Pedro Sales
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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010
por João Rodrigues
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"Como republicano, quero uma República moderna, escola pública, serviço nacional de saúde, protecção social, direitos políticos individuais articulados com os direitos sociais, culturais e ambientais. Como socialista, acredito na possibilidade de construir uma sociedade mais justa e solidária, através de serviços públicos geridos, não pela lógica do lucro, mas pela realização do interesse geral, e através de um novo modelo económico onde se conjuguem planeamento e concorrência, iniciativa pública e iniciativa privada. Como democrata, penso que o espaço e a intervenção da cidadania são o sal da vida pública e que a democracia participativa é indispensável à renovação da democracia representativa."

Manuel Alegre, disponível para ser candidato à Presidência da República, em discurso na cidade de Portimão.

Adenda: aproveito para deixar aqui uma crónica que escrevi no i sobre Manuel Alegre e a sua plataforma política - Opinião e apelo socialistas.

por João Rodrigues
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por João Rodrigues


“Todas as comunidades políticas decidem, através do debate interno e do processo político, quais devem ser os aspectos da provisão estatal, ou seja, aquilo de que o Estado deve necessariamente prover todos os cidadãos. Isso pode incluir a segurança, a informação, o ensino, a saúde e muitas outras coisas. Mas a questão de saber quais os bens ou serviços que devem fazer parte da provisão colectiva é sempre de natureza política e nada tem a ver com concorrência desleal.”

João Cardoso Rosas, jornal i.

Gostaria de acrescentar três perguntas a esta importante crónica. Quais são os bens que devem estar disponíveis, sem barreiras de preço, para que todos possam participar, em condições de efectiva igualdade, no debate interno e no processo político? Será que não existem limiares de desigualdade económica a partir dos quais a ideia generosa de uma comunidade política democrática se transforma numa fraude, dada a muito maior capacidade, exibida por certos grupos sociais, para converter riqueza em poder político? Será que o alastramento da retórica da concorrência desleal não é inerente ao romance de mercado que nos pretende convencer que a provisão pública não cria riqueza, não passando de um “monstro devorador de recursos”?

Enfim, o Estado cria riqueza: bens com valores de uso, ainda que não necessariamente com valor de troca. Para as primeiras duas perguntas as respostas só podem ser vagas. Mas, como dizia Keynes, mais vale estarmos vagamente correctos do que rigorosamente errados. Existem sinais e relações – desigualdades económicas elevadas, fraca participação pública ou enviesamentos cognitivos de classe (por exemplo, os que estão por detrás da ideia de que somos todos de classe média, sei lá…) – que parecem indicar que estamos a pagar um preço elevado pela crença, que subjaz à acusação, bem desmontada por Cardoso Rosas, de que o Estado faz concorrência desleal aos privados. O que eles querem sei eu. Há uma outra pergunta que está relacionada com isto: o que acontece quando tudo tem um preço?

Nota bibliográfica: acho que uma parte do trabalho do filósofo Michael Walzer também nos pode ajudar a pensar moral e politicamente sobre todas estas questões. Hei-de voltar a ele. Fiquem, por agora, com este curto texto. Em português está disponível, em edição da Presença, um livro de Walzer, que é importante neste campo e que deve ser lido por todos os que estão interessados em traçar linhas políticas e morais entre o que se pode vender e comprar e o que não se pode, ou não se deve, vender e comprar: As Esferas da Justiça.

por João Rodrigues
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por Pedro Sales


Vale a pena ver, ou rever, este excepcional momento televisivo. Até há dois dias estes três minutos retratavam o momento, único e excepcional, em que um dos participantes da Quadratura do Círculo se indignou com a participação de Pacheco Pereira neste programa. Mas isso era antes de conhecermos os verdadeiros contornos do absurdo contrato assinado pela câmara de Lisboa com a Red Bull. Depois disso, só muito dificilmente se consegue olhar para a “indignação” de António Costa e não ver no seu registo o retrato perfeito da dissimulação e da encenação política.

Quando os cidadãos de Lisboa, Oeiras e Cascais vão pagar mais de 9 vezes (sim, nove) o montante pago pelas câmaras do Porto e Vila Nova de Gaia para ver os aviões passar por baixo da ponte 25 de Abril, torna-se confrangedor, para ser simpático, ouvir o presidente da CML dizer que o evento”não custará em Lisboa nem mais um cêntimo do que custou o ano passado no Porto”. António Costa argumenta agora que tudo se deveu a uma má interpretação de uma cláusula do contrato redigido em inglês. Está visto. O inglês técnico é mesmo um problema bicudo para os lados do largo do Rato.

PS: Não deixa de ser sintomático ver a forma enérgica e vigorosa como António Costa, que ficou mudo e calado quando o prolixo deputado do PSD teve o seu momento Carlos Candal sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, se insurge quando alguém coloca em causa o seu papel à frente da CML. Nem quando, como é o caso, os números desmentem categoricamente as suas afirmações.

por Pedro Sales
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por Arrastão


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por Arrastão
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