Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
por Daniel Oliveira

Enviado por o leitor João Gato

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

por Daniel Oliveira


Dia 1 de Maio :: 13h :: Largo Camões em Lisboa
Dia 1 de Maio :: 13h :: Praça dos Poveiros no Porto

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Daniel Oliveira


No IC19, em Queluz. Roubada ao Spectrum.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

por Daniel Oliveira
O governo vai cortar no subsídio de desemprego sem fazer a mínima ideia de que efeito isso terá no orçamento. Quando custa aos outros é fácil ser ligeiro. Já percebemos: os desempregados são o cordeiro a sacrificar perante a ira do Deus Mercado. Sócrates diz que a medida é justa. Porque "há pessoas no desemprego que precisam de ter o incentivo certo para trabalhar". Ao pé deste rapaz, Paulo Portas já é de esquerda.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (35) | partilhar

por Daniel Oliveira
"A Manif do 1º de Maio custa 80 mil euros", diz o Expresso (notícia da Lusa). Dinheiro ques os trabalhadores sindicalizados  acham, extraordinariamente, mais útil gastar com a sua luta e com os seus interesses do que noutras coisas. Gente sem gosto, está bem de ver. Aquilo em prémios para António Mexia seria muito mais bem empregue.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (45) | partilhar

por Daniel Oliveira
O que está a dar é a conversa de merceeiro. E a coisa foi promovida a ciência económica. Enquanto por esse mundo fora, da Economist ao Finacial Times, de Paul Krugman e George Soros, se fala da cegueira da Alemanha e de como o euro se tem de defender de uma ofensiva especulativa, por cá repete-se até à náusea que não podemos viver acima das nossas possibilidades, como se a maioria dos portugueses não vivesse bem abaixo do que seria admissível.

O problema é a dívida, diz-se. Uma notícia: está longe de ser a maior da Europa. A belga está 21 pontos percentuais acima da nossa e a estabilidade não é a mensagem que tem sido enviada para o exterior - estão mais uma vez sem governo. Estão o sofrer o mesmo ataque que nós? Não. A de Itália está 29 pontos percentuais acima da nossa e eles lá se safam.

Os nossos problemas são dois: sermos uma economia periférica e por isso fácil de atacar para atacar o euro - os especuladores sabem que a irresponsabilidade da senhora Merkel pode deixar-nos cair - e uma economia estagnada há anos. O nosso problema é a dívida, mas apenas porque não crescermos. Qualquer solução que se concentre apenas na dívida e esqueça o crescimento só servirá para nos enterrar ainda mais.

Para resolver o problema são necessárias políticas de Estado que favoreçam o crescimento. Como a crise não é apenas nossa as exportações não chegam. Como temos o défice que temos não é possível baixar muito os impostos. Resta-nos alimentar o mercado interno através do investimento público. Quem nos diga que temos de crescer e investir menos está a brincar com as palavras.

As obras públicas são fundamentais. O debate que vale a pena fazer é se estamos a apostar nas obras certas. Se estas são reprodutivas. Por mim, prefiria investimento na reabilitação de equipamentos públicos e dos centros urbanos do que grandes obras públicas que são pouco descentralizadas e não têm qualquer efeito nas pequenas e médias empresas, que são o motor da nossa economia e as que mais emprego criam, aliviando assim as despesas sociais. Resumindo: se cortarmos no aeroporto e no TGV eles terão de ser para o substituidos por outros investimentos.

Se a solução for apenas a de cortar cegamente para os mercados verem o sangue que exigem as receitas fiscais vão ressentir-se ainda mais (é por isso mesmo que o nosso défice aumentou) e não cresceremos. E se não crescermos ninguém sabe bem como pagaremos a dívida. E os mercados pedirão ainda mais sangue. Até morrermos da cura.

Publicado no Expresso Online

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (55) | partilhar

Quinta-feira, 29 de Abril de 2010
por Daniel Oliveira
Pensar que, havendo, como diz George Soros (e se ele sabe do que fala...), um ataque especulativo ao euro, as nossas acrobacias orçamentais acalmarão os mercados é de uma ingenuidade enternecedora. Ou é apenas fazer passar a agenda às cavalitas da crise. Recordo que a aprovação do PEC iria melhorar a coisa. A coisa piorou. A aprovação em Bruxelas iria melhorar a coisa. A coisa piorou. A solução está na Europa, estúpidos!

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira
Recordar uma notícia de há alguns dias: Segundo e-mails e outros documentos, publicados pelo Senado, os “ratings” positivos atribuídos a títulos complexos de crédito à habitação e a outros títulos de dívida, foram algumas vezes usados nas negociações entre os bancos e as agências de notação financeira, segundo o “Financial Times”. Entre elas está a tão falada Standard & Poors.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (38) | partilhar

por Daniel Oliveira
A pergunta é uma provocação. Serve apenas para tentar que se perceba que o nosso problema não é apenas a dívida. E que ou discutimos a Europa ou estamos a perder o nosso tempo



O euro é uma moeda forte. E isso, sendo excelente para as importações, é trágico para as exportações de um país sem grandes argumentos competitivos. E isso é mau para as nossas melhores empresas e para o nosso crescimento. Na verdade, se não estivéssemos no euro é provável que fosse mais fácil responder à crise. Quer com os instrumentos monetários tradicionais, quer com as vantagens de uma moeda mais fraca. Por fim, é uma moeda cega às necessidades das periferias.

Quando entrámos para o euro ele apresentava uma vantagem: a integração plena no espaço económico europeu. Mas havia uma condição: a solidariedade absoluta dentro deste espaço. Nenhum país frágil pode ter uma moeda forte e que não controla, um mercado escancarado e, ao mesmo tempo, ser deixado à deriva quando os ataques especulativos acontecem.

Se os "pigs" (os países do Sul), que, graças aos preconceitos dos mercados (os mercados não são racionais - são compostos de pessoas com as mesmas dificuldades de percepção que todas as outras), servem de carne para canhão quando as coisas apertam o melhor que têm a fazer é sair do euro.

Por isso, repito a pergunta: e se saíssemos do euro? Parece uma tragédia. Provavelmente seria e por isso não o defendo. Mas se é para termos os prejuízos de uma moeda forte, os riscos de um mercado aberto e a fragilidade da nossa pequenez, mais vale sermos nós a decidir o nosso futuro. Se é para servirmos de alvo aos ataque ao euro mais vale voltarmos à estaca zero.

Por agora, só posso concluir uma coisa: a Europa está a falhar em toda a linha. E o seu coveiro tem um nome: Angela Merkel. Por causa de umas eleições regionais tem andando aos ziguezagues. No jogo da especulação, ninguém aposta o seu dinheiro num cavalo com vitória segura. Ninguém aposta num cavalo com derrota segura. É a instabilidade e a incerteza, que o comportamento da Alemanha em relação à Grécia alimentou, que cria o caldo para esta ofensiva especulativa. Se isto continua o euro é um péssimo negócio para os países periféricos. E a provocação que aqui faço deve passar a ser para levar a sério.

Publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (69) | partilhar

por Bruno Sena Martins

por Bruno Sena Martins
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

por Daniel Oliveira
Parece que Gordon Brown está tramado. Terá dito, depois de ouvir uma eleitora do seu partido a falar mal dos imigrantes de leste, que ela seria uma "mulher preconceituosa". Isso chegou para ser enterrado vivo pela imprensa e se considerar que este foi o seu toque de finados. Institui-se a ideia de que toda a gente pode dizer o que pensa menos um político. Estes estão obrigados a gostar de toda a gente e a achar todos os comentários aceitáveis. Por mim, só tenho pena que não lhe tenha dito a coisa directamente e que tenha depois vindo pedir desculpa. Porque é que a senhora merece mais respeito do que os imigrantes de leste?

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (29) | partilhar

por Sérgio Lavos


É realmente bom ter memória.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (28) | partilhar

por Pedro Vieira

© rabiscos vieira


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quarta-feira, 28 de Abril de 2010
por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

por Sérgio Lavos


Como ser mais perigoso rematando 2 (?) vezes à baliza, tendo 25% (??) de posse de bola e fazendo para aí dez vezes menos passes do que a equipa adversária. E com o árbitro a tentar levar "a melhor equipa do mundo" à final. Parecia andebol, mas sempre com a mesma equipa a atacar. Temos pena.

*Dizer com sotaque inglês, à maneira de Bobby Robson.

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

por Daniel Oliveira

"Não rema mais, porquê?" "Você surpreende-me, Fernandez..."
"Estamos ou não estamos no mesmo barco?"
Via Ladrões de Bicletas

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (26) | partilhar

por Daniel Oliveira


Quando o bando de saqueadores passa pela aldeia os aldeões entregam-lhe o que têm. Fazem por manter a compostura e a humildade para lhes agradar. Talvez assim partam mais depressa e escolham outra vítima do saque. Assim se comportam os Estados perante os salteadores da modernidade.

Primeiro foi a Grécia. Agora é Portugal. O Reino Unido, com uma situação económica que esteve, em termos relativos, pior do que a nossa, manteve-se, mesmo depois da falência quase generalizada dos seus bancos, com a sua avaliação intocável. Porque será? Porque é um jogo mais pesado. O facto da correcção dos ratings da Grécia e de Portugal serem feitos no mesmo dia encaixa na narrativa que foi construída. Quem tem dúvidas que estas notações fazem parte dos ataques especulativos às dívidas dos países mais frágeis da União vive num Mundo de fantasia - não há fé mais ingénua do que a fé no equilíbrio purificador do mercado.

Dirão que exagero. Que as agências de rating não inventam a realidade. Falso. A realidade não precisaria delas quando falamos de contas que são públicas e auditadas, como são as dos Estados (recordo que em Portugal não houve, ao contrário do que aconteceu com a Grécia, encobrimentos oficiais do défice). Os números estão aí para quem os queira analisar.

Estas agências constroem narrativas para os especuladores (ou, na melhor das hipóteses, em vez de darem informação rigorosa, limitam-se a devolver aos mercados a sua própria histeria, acabando por criar, através das suas previsões, aquilo que anunciam). E isso basta para que o virtual se torne real. Os especuladores só querem saber se na realidade virtual em que jogam terão ganhos. Como percebemos com o que nos levou a esta crise financeira internacional, enquanto for possível alimentar o jogo for desmentido no jogo a realidade não interessa para nada.

Dirão que exagero. Que as agências de notação são competentes e que se não fossem deixariam de ser ouvidas pelos investidores. Falso. Devo recordar que a mesma Standard & Poor's, que agora corrige em baixa o rating português, foi obrigada, a quando do começo da crise, a corrigir num só dia a notação de mais de 90 activos financeiros ligados ao imobiliário. Tinha falhado em todos. Porque o jogo obrigava a alimentar a ilusão. Como falhou na AIG e na Lehman Brothers.

Vale a pena recordar que foram estas agências que só se aperceberam da catástrofe financeira do Dubai quando ela chegou aos jornais. Que deram uma excelente nota à Islândia na véspera do país ter entrado em falência. Que avaliaram com um triplo A o que agora chamamos de activos tóxicos. E aí estão a dar conselhos aos investidores sobre a credibilidade das contas dos Estados.

Dirão que, mesmo assim, a vida é como é e devemos fazer sacrifícios para lhes agradar. Elas querem sangue. O discurso sacrificial diz bem ao ponto a que deixámos que o capitalismo financeiro, que nada produz, nos levasse. Mas, ainda assim, nada chegaria para contrariar a profecia. As mesmas agências que já ameaçavam cortes no rating se o PEC não fosse suficientemente austero também ameaçavam cortes no rating se ele não apostasse para o crescimento económico. E ameaçavam cortes no rating se prometêssemos as duas coisas e tal não fosse credível, coisa que nunca poderia ser. Somos uma carta marcada a quem só resta esperar pela sua sorte.

Dirão que exagero. Que as agências de rating são independentes. Falso. Elas dependem dos investidores que têm dinheiro empatado no jogo. Elas estão dependentes de vários interesses no mercado que lhes pagam os serviços. No dia em que a Europa decidir, como já prometeu, avançar com uma estrutura dependente do Banco Central Europeu que possa ser árbitro e não apenas agente, talvez haja um contrapeso neste jogo viciado.

Entretanto, com uma Europa cega e disposta a ver as suas aldeias (todas da periferia - porque será?) a serem saqueadas sem uma reacção à altura, teremos de aceitar resignados o triunfo da política da aparência - tem de parecer que vai haver sangue -, do capitalismo financeiro improdutivo e da acção sem rosto dessa entidade etérea à qual chamamos "os mercados". Tudo é virtual menos os estragos que a os salteadores deixam à sua passagem.

Há dois anos todos os políticos juraram, perante a irresponsabilidade dos negócios financeiros imobiliários, em que estas agências tiveram o papel de promover lixo tóxico, que alguma coisa teria de mudar. Também essa vontade era uma ilusão. Os aldeões continuam entregues aos caprichos dos saqueadores.

Publicado no Expresso Online

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (131) | partilhar

Terça-feira, 27 de Abril de 2010
por Sérgio Lavos

(Ilustração de Henri Cartoon)

Os obrigatórios discursos nas datas que o regime comemora são sempre tratados pela generalidade de imprensa como aquilo que não são, como processos de intenção ou indicações sobre o rumo que o futuro tomará. Não é à toa que as figuras que discursam sejam marginais ao poder executivo. Falo, claro está, do Presidente da República ou do Presidente da Assembleia da República, a que se pode juntar os líderes dos grupos parlamentares em dias como o 25 de Abril. O que acabamos sempre por ouvir, nestas ocasiões, é uma oratória mais ou menos inspirada que se centra nas grandes questões sem nada aprofundar - as decisões são quase sempre tomadas nos gabinetes dos ministros, e não precisam de retórica para avançar.

Sabendo isto, é fácil de perceber a euforia instalada na direita depois da intervenção de Aguiar-Branco no parlamento. Bem, é ponto assente que terá sido o melhor discurso que ele alguma vez proferiu, mas a esta questão não será alheia a recente derrota nas eleições internas do seu partido. Vamos lá ver as coisas como elas são: a verve irónica demonstrada por Aguiar-Branco não passa de mais um fenómeno circunstancial; o discurso é uma boutade inofensiva que, apesar do que muitos querem fazer crer, nada mostra de diferente na atitude do PSD em relação ao 25 de Abril, e acaba por ser apenas uma provocação infantil à esquerda e aos seus valores - um bobo fica sempre bem em qualquer corte. Mais, a verdade é que todas aquelas citações (parece que o name dropping informal está a fazer escola no PSD, depois daquela célebre entrevista de Passos Coelho) serviram apenas um propósito politiqueiro e obviamente dirigido: a defesa de uma revisão constitucional que torne a lei fundamental do país mais de acordo com o espírito da direita. Os cravos na lapela, que tinham deixado de ser exibidos pelos parlamentares do PSD no tempo de Cavaco Silva primeiro-ministro, regressaram ao partido, desta vez espalhando em redor o distinto fedor da hipocrisia. Não se trata aqui de achar que os valores da Revolução são exclusivo da esquerda - mas aquela referência vagamente subtil à tal nova Constituição, supomos que liberta da canga ideológica que tanta comichão provoca na direita, esvazia de qualquer seriedade o discurso de Aguiar-Branco.

Ao pé de tanta virtude de casta donzela, até poderia soar menos cínico o discurso do Presidente da República, instigando o Governo a apostar nas "indústrias culturais" - o palavreado tecnocrata até provoca arrepios - e no Mar enquanto destino - à moda de Camões e Pessoa. Poderia, escrevi, mas não soa: continua tão cínico como todos os discursos solenes anteriores de Cavaco. O homem que pôs Santana Lopes à frente da Secretaria de Estado da Cultura e acabou com a frota pesqueira nacional não deve ser o mesmo que, sorriso estampado no rosto, incita o país à inovação cultural e a um investimento na nossa mais importante matéria-prima, o mar. Esta ligeireza que parece esquecer o passado é mais um sintoma do vazio instalado na política. Que regularmente regresse, nas datas importantes do regime, é a confirmação da doença - o vazio galga terreno, e ninguém parece preocupado com isso.

(Actualizado)

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (31) | partilhar

por Pedro Sales


Osvaldo de Casto, presidindo à comissão parlamentar de inquérito sobre a TVI, interrompe os trabalhos para interpelar um dos deputados. O assunto, como se pode ver, tem tudo a ver com a condução dos trabalhos...

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (43) | partilhar

por Daniel Oliveira


Na América Latina dois países têm lidado de forma diferente com os crimes passados das sua ditaduras. O Chile consentiu que Pinochet e os seus torcionários entregassem o poder que ilegitimamente detinham em troca da impunidade. Acordaram tarde para o seu erro. Hoje, no país e fora dele, é possível insinuar, sem escândalo geral, que Pinochet se tratou de um mal menor.

A Argentina, pelo contrário, fez questão de julgar os crimes da ditadura militar e fazer justiça à memoria das vítimas. Em alguns casos, demorou tanto quanto foi necessário. Mas, esta semana, não hesitou em condenar o general Reynaldo Bignone, o último ditador, agora com 82 anos, a 25 anos de prisão.

Em Espanha, por via de uma queixa dos fascistas da Falange, é o juiz Baltasar Garzón que está a ser julgado por, supostamente, ter violado a lei de amnistia negociada com os franquistas no processo de transição. Dá-se o caso da amnistia ter sido aprovada (com a oposição dos partidos de direita) como objectivo garantir que, não havendo um processo revolucionário, aqueles que combateram à ditadura estariam a salvo do que sobrevivesse da repressão franquista.

Extraordinariamente, uma organização residual, entretanto afastada do processo , conseguiu, com ajuda de um dos juízes que vai julgar Garzón, virar as coisas ao contrário. Assim, quem quis aplicar as leis internacionais e garantir o julgamento de crimes contra a humanidade acabará sentado no banco dos réus enquanto os assassinos e os seus herdeiros reescrevem a história.

Compreende-se que num processo de transição se evitem julgamentos do passado. Com as feridas ainda frescas é difícil garantir o direito de defesa e é fácil resvalar para os abusos que se condenaram nos outros. Mas, passado algum tempo, é essencial que seja feita justiça. Não apenas por respeito às vítimas e aos seus familiares, mas sobretudo como prevenção para o futuro. Os ditadores e aqueles que aceitam ser autores materiais dos seus crimes têm de saber que a justiça pode tardar, mas não falha. Têm de saber que podem estar protegidos pelo terror das ditaduras que alimentam, mas que quando as coisas mudarem pagarão pelas mortes e pelo sofrimento que causaram. Não pode continuar instituída a ideia de que os valores fundamentais ficam suspensos na nossa consciência quando a arbitrariedade chega ao poder.

Os julgamentos cumprem também outra função: a da deslegitimação do branqueamento das ditaduras. A África do Sul, por exemplo, seguiu um caminho que, sendo arriscado por poder ser visto como demasiado brando, teve virtualidades: as comissões verdade e reconciliação, que organizaram uma espécie julgamentos sem pena em que os autores dos crimes mostravam o seu arrependimento à sociedade, impediram que a história fosse reescrita. A sociedade, incluindo os autores dos crimes, deixava assim claro que não tolerava o branqueamento dos crimes do passado.

Em Espanha (mas também no Chile, na Argentina, na África do Sul e em vários países do leste europeu em que os agentes de ditaduras passaram directamente para o poder democrático sem responderem pelos seus crimes) isto é um debate. Em Portugal nunca foi. Porque a nossa ditadura não chegou a ser tão sanguinária como a franquista? Provavelmente. Porque durante demasiado tempo os que a ela se opuseram activamente foram uma pequena minoria e o país preferiu não ter de se ver ao espelho? Talvez. Porque, apesar de tudo, não reencontramos políticos do Estado Novo na democracia portuguesa, coisa que não se pode dizer de Espanha? Também. Porque a guerra civil espanhola deixou feridas que demoram décadas a curar? Seguramente. Mas não deixa de revolver o estômago saber que tantos torturadores da PIDE viveram o resto das suas vidas descansados, sem que nunca tivessem de responder pelos seus crimes. E que as suas vítimas tivessem de engolir esta humilhação em seco.

A ausência de julgamentos permitiu que, com o tempo, as barbaridades do Tarrafal e das prisões políticas e os crimes da PIDE/DGS (o marcelismo não foi meigo com a oposição democrática) fossem apagados da nossa memória colectiva. E com este branqueamento passou-se a ideia de que a nossa ditadura não foi bem uma ditadura. Ao ponto de haver quem tenha o desplante de comparar 48 anos de ditadura a uns meses de agitação política pós-revolucionária que, quando comparada com outras revoluções, foi de uma brandura quase comovente. Qual é o problema? É que quando se falha na memória não se aprende com o passado. E aumenta o risco de, depois da memória viva da ditadura acabar, se criar o caldo necessário para tudo voltar a acontecer.

O julgamento de Garzón, não nos dizendo directamente respeito, é importante para nós. Se o juiz fosse condenado os saudosistas dos fascismos ibéricos teriam uma enorme vitória. A democracia não só não condenaria os seus crimes, como ainda os premiaria pelo seu comportamento. No Supremo espanhol não é Garzón que está no banco dos réus. São todos os que ousaram resistir. O insulto ao seu legado seria um crime tão grave como os que foram praticados pelo franquismo. Era como se os resistentes morressem pela segunda vez.

Publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (80) | partilhar

por Daniel Oliveira
Os trabalhadores estão a reagir mal ao PEC. Há greves. Pode-se atacar os trabalhadores e dizer que isto é mau para a economia. Mas as coisas são mesmo assim e o governo tem de ter em conta este facto.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 26 de Abril de 2010
por Daniel Oliveira
Esta reacção ao texto de Isabel Stweil, em que a colunista avisa para os perigos da degradação da democracia e de um discurso autoritário vingar, mostra como algumas pessoas têm dificuldade em interpretar as coisas que lêem. Independentemente da concordância ou discordância em relação ao texto, a ideia de que citar seja quem for é um acto desprezível é das mais absurdas que já me foi dada a ler.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira


Os cravos nas lapelas de Aguiar-Branco e Passos Coelho provam apenas que a direita portuguesa precisou de 36 anos para se libertar da sua relação complexada com a ditadura e fazer as pazes com a revolução. Não foi a esquerda que tomou aquele símbolo como seu, foi a direita que o renegou durante anos. O que não espanta, não tivesse sido o PSD (muito mais do que o CDS) a casa de acolhimento dos quadros locais e intermédios do Estado Novo que procuraram protecção debaixo da asa dos homens da Ala Liberal. Quem se lembra da vitória da Aliança Democrática, no final dos anos 70, lembra-se de como nas bases da AD surgia com tanta facilidade um tom saudosista e revanchista.

Mais recentemente, foi a intelectualidade de direita (e sobretudo os seus novíssimos historiadores) que andou a tentar convencer o portugueses que a coisa até ia bem lançada para chegarmos à democracia de forma "civilizada" e sem baderna na rua.

Em vez de se encaixar no sentimento popular em relação à data a direita passou mais de trinta anos a tentar reescrever a história. Nunca percebeu que, ao mostrar, sobretudo por ressentimento social, tanto incómodo com uma data que a esmagadora maioria dos portugueses lembra com alegria, se condenava a representar um país decadente e anacrónico.

Por ser tão tardio (e ainda não chegou ao Presidente da República), o gesto simbólico e concertado dos dirigentes do PSD denuncia o problema de identidade em que o partido viveu até hoje. Por ter acontecido mostra inteligência táctica da nova direcção: o cravo na lapela transforma o 25 de Abril numa comemoração consensual e retira-lhe a carga ideológica que realmente tem. Faz o corte com o passado. 36 anos depois, o PSD pôs o ressentimento na gaveta.

Não por acaso, fá-lo no momento em que pede mais uma revisão constitucional (a citação de Lenine, por ser apenas provocadora, tirou força ao gesto). Ou seja, assume-se o símbolo para o colocar na prateleira da história e retirar-lhe força política. Assume-se o cravo para se poder renegar definitivamente a herança ideológica da revolução, fazendo passar a ideia de que as suas propostas representam o futuro e não um ajuste de contas com o passado.

Extraordinário que não tenham percebido há mais tempo que esta era a táctica mais inteligente. Durante anos ofereceram à esquerda o imaginário da esperança, da festa e da liberdade. Coisa que, com a história da direita portuguesa, foi mais do que justa. Mas facilitaram tanto...

Texto publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (69) | partilhar

por Daniel Oliveira
Esta reacção ao texto de Isabel Stilwell, em que a colunista avisa para os perigos da degradação da democracia e de como um discurso autoritário pode vingar nestas circunstâncias (usa como exemplo Salazar e o final da I República), mostra como algumas pessoas têm dificuldade em interpretar as coisas que lêem. Pode dizer-se que o simplismo do texto leva a fazer paralelos com pouco sentido e que a sua falta de rigor histórico não tem em conta as forças sociais que então estavam em confronto e as complexas contradições internas em cada um dos campos, incluindo no golpista. Mas a ideia de que citar seja quem for é um acto desprezível, mesmo quando não se manifesta qualquer simpatia pelo citado, é das coisas mais absurdas que já me foi dadas a ler.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (26) | partilhar

Domingo, 25 de Abril de 2010
por Sérgio Lavos


Olho para as imagens da Revolução, do 25 de Abril e do que se lhe seguiu, as fotografias que foram tiradas, quase todas, por anónimos à procura do melhor momento no meio da multidão, e adivinho os mesmos sentimentos em quase todos os rostos: alegria, claro, mas alívio também, como se o ar durante tanto tempo sustido pudesse finalmente ser liberto. A ditadura, para além de ter capturado o país numa bolha que o manteve isolado do mundo, de ter perseguido e assassinado quem contra ela ousou levantar a voz, de ter sido responsável por uma guerra em várias frentes que matou milhares de portugueses – que seria deles, agora, se tivessem sobrevivido? -, de ter censurado, muitas vezes às cegas, o que a elite intelectual ia produzindo, de ter sido responsável pela criação de uma falange de parasitas e vampiros que explorou o povo português durante demasiado tempo – e a herança não foi, como sabemos, totalmente apagada -, a ditadura manteve suspensos de si próprios os portugueses, quase cinquenta anos de ensimesmamento, de passividade, de cansaço. Os milhões que vieram à rua depois dos militares terem finalmente avançado esperavam por aquele dia, esperavam pelo momento em que a pobreza deixaria de mostrar a sua face mais terrível: o pior meio de opressão do povo. Não pode haver dúvidas neste ponto: desiludam-se os pessimistas e saudosistas, a Revolução foi feita pelo povo, e a sensação de liberdade e esperança que sentimos naquelas fotografias foi, e continua a ser, avassaladora. O problema, claro está, é que quanto maior é a ilusão pior pode ser a queda. Trinta e seis anos depois, instalou-se a desconfiança, a desilusão, a sensação de fraude generalizada. Quem fez e viveu a Revolução ou se instalou no poder - os que repetem o mesmo discurso vazio em qualquer data importante ou ocasião solene - e nas mordomias a ele associadas ou se afastou dos centros de decisão, afundando-se na amargura e na falta de fé numa mudança. É transversal, este sentimento, mas é mais forte na gente de esquerda, os que se sentem traídos por uma Revolução que nunca se cumpriu. Pode-se compreender este baixar de braços, mas é mais construtivo questionar as razões da desistência. As gerações que se seguiram – a minha, geração rasca, as que virão – estão a sofrer na pele as consequências deste desânimo e acomodamento. O trabalho precário tornou-se regra, e não se vê qualquer vontade, em qualquer partido, de acabar com este estado de coisas. Os licenciados que ganham menos de 600 euros (geração 1000 euros, como em Espanha, o que é isso?) e trabalham a recibos verdes são o futuro do nosso país. Percebe-se onde isto vai, inevitavelmente, levar. O que fazem os pais, os que ainda têm a sorte de manter um emprego no Estado? Com muito boa vontade, continuam a alimentar os filhos até estes chegarem a uma idade em que se vêem perdidos na encruzilhada da sua própria derrota. Os antigos revolucionários, que exultavam com a vitória da liberdade, agora acomodam-se a uma classe política corrupta, incompetente, que parece pior a cada encarnação, adaptam-se às regras do liberalismo económico, que ainda por cima não funciona como devia: por cá, o capitalismo aproxima-se mais de uma espécie de corporativismo de fachada – é verdade, e é uma pena afirmar isto, mas neste aspecto não estamos muito longe do Estado Novo.

Há remédio, para este país? Não quero ser mais um daqueles velhos do Restelo que peroram do pedestal sobre a maldição em que se transformou Portugal. Cumprir os objectivos da Revolução obriga-nos a ser menos passivos e a não baixar os braços, lutar contra o estado de coisas actual, contra a normalização de todas as situações que achamos erradas. E todos sabemos quais são. Custará assim tanto, não deixar que o que é anormal, criminoso ou simplesmente ilegal, se torne a regra, aceitável? Estará o país tão moralmente falido que não consiga dar a volta?

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (26) | partilhar

por Sérgio Lavos

Fotógrafo desconhecido

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Sérgio Lavos

Fotógrafo desconhecido

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

por Sérgio Lavos

Fotógrafo desconhecido

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

por Sérgio Lavos

Fotógrafo desconhecido

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (29) | partilhar

por Sérgio Lavos

Eduardo Gageiro

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira



por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (57) | partilhar

Sábado, 24 de Abril de 2010
por Bruno Sena Martins
[caption id="" align="alignnone" width="620" caption="Manifestante em apoio de Baltasar Garzón EFE/Alberto Morante"][/caption]

por Bruno Sena Martins
link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

por João Rodrigues


Em tempos de crise surge com redobrada força o discurso do “estamos todos no mesmo barco”. Este discurso, que exprime uma ideia de destino comum, de solidariedade partilhada no sacrifício e na austeridade, deve ser levado a sério. Se for sério, o que se calhar é raro, só pode conduzir a reformas igualitárias profundas, dada a distância abismal que separa o ideal de uma comunidade política inclusiva da realidade socioeconómica de um país imensamente fracturado. É por estas e por outras que a edição portuguesa deste livro - O Espírito da Igualdade - Por que razão sociedades mais igualitárias funcionam quase sempre melhor - não podia ser mais oportuna (um excerto pode ser lido aqui).

Repito o que escrevi quando saiu a edição britânica. Richard Wilkinson e Kate Pickett, dois reputados especialistas internacionais na área dos determinantes sociais da saúde, não só sistematizam na obra décadas de investigação empírica, que há muito que indica que os países mais desiguais têm, globalmente e para os vários escalões sociais, piores resultados na área da saúde pública e níveis muito superiores de sofrimento social evitável, como alargam o leque das relações abordadas: da população prisional aos níveis de confiança, passando pelos resultados escolares.

Como bons cientistas sociais, os autores não confundem correlação com causalidade. A sua análise estatística mostra um padrão claro de associação entre cada um dos problemas abordados e as diferenças entre ricos e pobres, mostrando também que nenhuma outra variável exibe o mesmo comportamento. Este é um ponto de partida para uma detalhada exploração dos mecanismos causais que permitem dizer que as desigualdades de rendimentos são a principal causa dos problemas escrutinados.

Os autores dão uma grande importância à forma como as desigualdades de rendimento criam um filtro que dificulta as relações sociais entre os indivíduos, que aumenta a conflitualidade, o sofrimento, o consumo defensivo, a comparação invejosa, o preconceito de classe e que impede a descoberta de soluções cooperativas que substituam mecanismos de dominação, a descoberta de regras e de instituições comuns menos hierarquizadas, que são a base material do florescimento humano, da felicidade.

O Rui Tavares também escreveu sobre este livro. O sítio que Wilkinson e Pickett criaram está cheio de referências e de dados sobre os impactos sociais negativos da desigualdade económica. Quem quiser saber mais sobre a área dos determinantes sociais da saúde, pode ler o relatório da OMS: a injustiça social faz muito mal à saúde e as utopias de mercado que a geram também.

PS. Férias, finalmente. Um par de semanas sem escrever. Boas leituras.

[Publicado, em simultâneo, no Ladrões de Bicicletas]

por João Rodrigues
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

por Daniel Oliveira
[Error: Irreparable invalid markup ('<embed [...] 480">') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

<object width="600" height="480"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=3840757&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=3840757&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="600 height="480"></embed></object><p><a href="http://vimeo.com/3840757">"já não se fazem revoluções assim" - a imagem documental na construção da memória do 25 abril 1974</a> from <a href="http://vimeo.com/user144363">mab</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>

<p style="font:bold 23px/24px arial, sans-serif;letter-spacing:-0.5px;color:#333333;margin:4px 0 0;"><a style="padding-bottom:8px;" href="http://www.rtve.es/mediateca/videos/20090115/elecciones-celebradas-portugal-abril-1975/477837.shtml">Elecciones celebradas en Portugal en abril de 1975</a></p><br><object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="RTVEPlayer4044" width="425" height="300"><param name="movie" value="http://www.rtve.es/swf/v2/RTVEPlayer.swf?assetID=477837_es_videos&location=embed"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="allowFullScreen" value="true"/><embed src="http://www.rtve.es/swf/v2/RTVEPlayer.swf?assetID=477837_es_videos&location=embed" width="425" height="300" name="RTVEPlayer4044" allowFullScreen="true" allowScriptAccess="always" type="application/x-shockwave-flash"></embed></object>

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Sérgio Lavos
Bulhosa de Campo de Ourique

 

Rua Tomás da Anunciação, 68 b

Dia 24, Sábado, 16h

 

CONVERSAS DE BAIRRO

“Livros por debaixo da mesa”

história e estórias da censura em Portugal

 

Com Luís Alves Dias – Livreiro

Fernando Dacosta - Escritor

Moderação de Rui Duarte

 

Antes da Revolução dos Cravos, ler, ou vender alguns livros, podia dar em perseguição ou mesmo em prisão.

Um carismático editor e livreiro (Livraria Ler), que já antes do 25 de Abril combatia este culto da opressão e da ignorância (o que lhe custou muitas visitas da polícia política), encontra-se com Fernando Dacosta para uma troca de ideias sobre o tempo em que muitos livros só chegavam ao público através destas e de outras corajosas personagens.

Tempo idos de resistência literária que a Bulhosa ajuda a recordar.

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

por Daniel Oliveira
Um episódio está a aquecer o Parlamento. Nada tem a ver com os deputados. A semana passada um colaborador do grupo parlamentar do PSD foi apanhado em flagrante delito, às sete da manhã, em pleno acto com uma amiga que não trabalha na Assembleia. A coisa pode parecer apenas interessante contada assim. Mas é muito mais do que isso. O acto aconteceu na sala do plenário. Infelizmente, a interrupção não terá permitido ao arrojado casal levar a fantasia até ao fim. Há sempre um empata.

Antes que a coisa saia na imprensa e comecem as condenações morais, quero deixar clara a minha admiração pelos pecadores. Porque respeito quem faz tudo para cumprir uma fantasia. Porque deram um contributo para a dessacralização do poder, aproximando assim aquele órgão de soberania das verdadeiras preocupações dos cidadãos. E porque, por uma vez, aconteceu qualquer coisa realmente interessante naquela sala (infelizmente não consegui saber qual foi a bancada escolhida). Só lamento que, como de costume, quando realmente alguma coisa de construtiva começa ali a ser feita, seja deixada a meio. O meu abraço aos dois. Próxima aventura: Palácio de Belém?

*conhecida frase anarquista que enfeitou uma rua de Lisboa

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (44) | partilhar

Sexta-feira, 23 de Abril de 2010
por Daniel Oliveira
Estou a ouvir o presidente da Associação Sindical de Juízes. Perturbante perceber que alguém que foi formado para interpretar

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador