Segunda-feira, 31 de Maio de 2010
por Pedro Vieira

© rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos


Alguma direita revela-se nos momentos críticos. Quando podia finalmente tomar uma posição que fortalecesse o apoio que costuma dar a Israel, criticando o sanguinário erro das forças israelitas, como tanta gente por esse mundo fora fez, da esquerda (Obama, Zapatero) à direita (Merkel, Sarkozy), decide hastear bandeiras, mimetizando um hábito provocatório recente, fazer pungentes declarações de amizade luso-israelita (certamente bastante apreciadas pelo governo de Netanyau) ou assobiar para o lado publicando vídeos de horrorosos empurrões para o mar ou fotografias de muçulmanos empunhando adagas, a mais perigosa arma de ataque conhecida pelo Homem.

Mais de dez mortos. Trinta feridos. Um barco cheio de ajuda humanitária a caminho de uma região fechada ao Mundo interceptado em águas internacionais. E eles não só tomam o partido do mais forte como querem-nos convencer de que este é o mais fraco. Esta direita não age em função de uma amizade ou afinidade cultural, como tanto gosta de apregoar. Os verdadeiros amigos apontam os defeitos, dizem as verdades, denunciam quando é caso disso. Esta direita age de acordo com algo muito mais primitivo: o preconceito anti-islâmico. Que esse preconceito sirva um Estado opressivo - Israel - surgido como resposta ao pior genocídio da História, não é apenas irónico; é, sobretudo, trágico. O povo judeu pode dispensar este tipo de amigos.

por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Via Ladrões de Bicicletas.

por Daniel Oliveira
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por João Rodrigues


Uma imagem da semana passada diz muito sobre os sombrios tempos que correm: Teixeira dos Santos, rodeado de alguns dos milionários gestores dos grandes grupos económicos com poder político e de mercado em Portugal, onde se destacam os banqueiros do costume, toca o sino que abre o dia de negócios em Wall Street: é "dia de Portugal" na praça norte-americana. O governo age cada vez mais como se fosse o comité-executivo dos negócios do capital financeiro (para retomar e adaptar a caracterização de Marx e Engels). Privatizações maciças e austeridade orçamental socialmente selectiva, que atinge sobretudo as classes populares, fazem agora parte do esforço para seduzir precisamente os que causaram a última crise global.

O resto da crónica no i pode ser lido aqui e a petição da ATTAC pode ser subscrita aqui.

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira


O raid de forças israelitas contra um navio turco da frota de activistas que transporta ajuda humanitária para Gaza provocou mais de 19 mortos. Os barcos, onde viajavam vários eurodeputados, foram atacados em águas internacionais. Espera-se a campanha de contra-informação do costume para tentar justificar mais uma grosseira ilegalidade.

Entretanto, a ONU já se mostrou "chocada", a UE "pede" o fim do bloqueio e os embaixadores israelitas são chamados para demonstrações de protesto pelos Estados. Mas na Turquia o sentimento foge um pouco ao repetitivo ritual do "coque" e dos "pedidos" e o governo deste país na NATO diz que Israel pagará por o que fez.

Várias organizações, entre as quais o Comité de Solidariedade com a Palestina, convocaram uma concentração para hoje, às 17h30, frente à embaixada de Israel.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Os médicos do Reino Unido querem proibir de fumar nos carros que transportem crianças. É evidente que não se deve fumar com uma criança num carro. É uma questão de bom senso. Mas o bom senso não pode passar a ser lei. Sei que isto é, nos dias que correm, difícil de explicar, mas nem tudo o está errado deve ser proibido. E nem tudo o que manda o bom senso deve ser obrigatório.

Porque se, em defesa da saúde de terceiros, proibimos adultos de fumar nos seus carros, o passo seguinte - e ele virá - será proibir os cidadãos de fumar em casa. Porque não?

E o tabaco está longe de ser a única coisa que faz mal a uma criança. A alimentação, todos sabemos, é decisiva para o seu desenvolvimento. Fará sentido a lei impor uma determinada dieta que os pais estariam obrigados a dar aos seus filhos? Quem sabe, publicada semanalmente em "Diário da República".

O combate ao tabagismo tem servido como excelente desculpa para um retrocesso civilizacional que dá ao Estado poderes que até há uns anos seriam inimagináveis numa democracia. Defendo leis moderadas, que dêem aos não fumadores o direito de não o serem. Mas há leis que, mesmo parecendo acertadas nos resultados práticos que delas se esperam, abrem portas muito perigosas.

A ideia de que devemos defender os menores dos erros dos adultos é correcta. Mas tem como limite não regulamentarmos a vida das pessoas para além do estritamente necessário. E acreditarmos que, em algumas matérias, a mudança de mentalidades pode fazer o mesmo que uma lei com muito menos riscos para a nossa liberdade. Nunca devemos esquecer que hoje são os fumadores, amanhã...

Para quem julgue que se trata apenas de defender os menores, Luís Rebelo, Presidente da Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo, diz, entusiasmado, que não se trata de uma medida isolada. "Faz parte de um plano concertado de ataque ao tabagismo no Reino Unido". O objectivo será diminuir em cerca de 40 ou 50 por cento da taxa de fumadores nos próximos quatro ou cinco anos . Ou seja, mais do que proteger terceiros, quer-se, através de proibições, obrigar as pessoas deixem de fumar.

O mais curioso é notar que à medida que o Estado se demite de funções sociais (incluindo na saúde) mais regulamenta o modo de vida dos cidadãos. Parece contraditório mas é coerente. Quanto menos quer gastar mais precisa de proibir.

Publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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por Arrastão
E chegam ao fim os posts do “Arrastão dos comentadores”. Foi assim que comemorámos os 4 anos do blogue. E a coisa superou as expectativas na qualidade do que aqui foi publicado. Teve ainda duas vantagens: nós descansámos um pouco e alguns comentadores experimentaram por uns dias o que é ter a comentar os seus posts os leitores mais massacrantes da blogosfera nacional. Bem feita! Para nós foi divertido assistir de camarote.

Com o devido agradecimento a todos os que aceitaram participar na ideia, ficam as nossas desculpas aos que cumpriram o pedido de limite de mil caracteres, coisa que não sucedeu com todos, e aos que viram os seus posts publicados no fim-de-semana, quando, evidentemente, há menos leitura. Os posts foram publicados por ordem de recepção. Para o ano a coisa será feita com mais tempo, mais convites e mais rigor nas regras.

Foram 16 posts de 16 comentadores. Uns mais genéricos, outros específicos, uns mais polémicos outros mais informativos. E aqui ficam os links para cada um deles:


Um post de direita (Tonibler)
O sono é a antecâmara da morte (Carlos Correia, cafc)
O tango da tanga (Graça Maciel, GMaciel)
Comunismo, o grande flop do século XX (António Cunha)
Raiz da desconfiança (Rui Miguel Fialho, Rui F)
Orwell (José Manuel Faria)
Apetece-me (Leandro Fialho, Bolota)
Se não estudas estás tramado (Maria Henriques, maria**)
Temos uma esquerda dextra (A.R.A)
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (Isabel Teixeira, isagt)
TDT Televisão Demasiado Triste (Mário Borges)
Irmão de Sancho (José M. Silva, José)
O maior dos nossos desafios (Pedro M. Lourenço)
A liberdade contínua, outra vez (Carlos Marques)
Por um mundo com mais estúpidos (Manuel Rodrigues)
Comboios e aeroportos – as decisões para o Futuro (Júlio de Matos)

por Arrastão
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por Arrastão
Texto de Júlio de Matos



Agora dizem-nos insistentemente que há uma grande crise económica e, sobretudo, financeira, que será mesmo até “a Crise”, mas a grande verdade é que o tempo nunca pára e, mesmo em alturas de crise (ou sobretudo nelas), é sempre necessário tomar decisões sobre os assuntos do Futuro, muito em especial quando elas já são “para ontem”.

Há quem defenda que os recursos nacionais, sendo escassos, devem ser canalizados nesta altura apenas para o que é prioritário, ou mesmo urgente. Também concordo. Mas, se é assim, então temos uma fortíssima razão para defender a construção imediata do novo Aeroporto de Lisboa (NAL), que já vem sendo estudado e é considerado necessário há mais de vinte anos! Não que os problemas da Saúde, o investimento na Educação e na Investigação Científica, a modernização da Administração Pública, ou a melhoria muito significativa da Justiça não sejam igualmente prioritários. Não devem é prejudicar, muito menos excluir liminarmente, o investimento reprodutivo em sistemas básicos de grande impacte económico, como é o caso das infra-estruturas de transporte de âmbito e importância nacionais.

Destas, avultam na actualidade portuguesa, para além das sempiternas questões rodoviárias, as problemáticas do NAL e do Comboio de Alta Velocidade (CAV), também conhecido pela sua sigla em Francês (TGV).

Parece todavia consensual que, em termos da rentabilidade dos investimentos necessários, o NAL é significativamente mais importante e urgente do que o TGV, senão mesmo o único viável dos dois (pelo menos nos próximos anos).

Continuar a ler no link em baixo




E todos sabemos que um Aeroporto, hoje em dia, já não é um “bem de luxo” (também o transporte aéreo se “democratizou”…), mas sim uma infra-estrutura crucial para o desenvolvimento económico das Regiões fortemente dependentes das actividades terciárias de nível internacional, sobretudo do Turismo. O Algarve e a Madeira (em particular o Funchal) que o digam. E penso ser inquestionável que o actual Aeroporto de Lisboa se encontra já muito para além do que seria uma utilização desafogada e com perspectivas de expansão para o crescimento da procura nas próximas décadas.

Por outro lado, um Aeroporto internacional é também um centro comercial muito lucrativo, pelo que o investimento que requer será, em grande medida, investimento privado e não público. E acresce que, sendo embora o retorno deste investimento mais lento do que no caso de um centro comercial convencional, também será garantido por mais décadas.

Assim sendo, não me parecendo haver hoje grandes questões reais a resolver quanto à necessidade, oportunidade e, até ver, quanto à localização do NAL, sobra apenas aquela perguntinha que continua a causar calafrios às pessoas mais conscientes e verdadeiramente preocupadas com o Futuro de Portugal e que, aliás, é uma questão comum a qualquer decisão importante sobre obras públicas: e será que as opções tomadas em concreto, sobre os aspectos fulcrais, foram as mais adequadas?

Porque não cabe analisar tudo num só Artigo, proponho que nos detenhamos apenas na questão da acessibilidade ao NAL, presumindo que será mesmo construído nos terrenos do actual Campo de Tiro de Alcochete.

Sendo esta actualmente uma zona de características ainda algo rurais (e até naturais), relativamente mal servida de rodovias de capacidade adequada para o efeito e com um único acesso importante próximo, constituído pela A12 (e pela sua continuação para Lisboa, pela Ponte Vasco da Gama), a opção pela ferrovia como meio preferencial de acesso parece-me bastante acertada, a todos os títulos.

O único problema é que terá de se tratar de uma infra-estrutura totalmente nova, uma vez que ainda não existe nenhuma Linha férrea que sirva a zona do NAL. Problema agravado pela necessidade e importância da sua ligação à margem Norte do Rio Tejo, onde se localiza a esmagadora maioria da procura dos utentes do transporte aéreo, ou seja, implicando a construção de uma nova Ponte sobre o Tejo em Lisboa.

No entanto, tendo supostamente tudo isto sido ponderado na avaliação comparativa, efectuada pelo L. N. E. C., entre Alcochete e a única alternativa de localização tecnicamente viável, a Ota, parte-se do princípio de que esta nova Ponte, com traçado previsto entre Chelas e o Barreiro está justificada.

Deste modo, a única questão que permanece discutível é mesmo a amarração desta nova ligação ferroviária à questão do TGV.
Não tendo ainda consultado os elementos técnicos disponíveis ao público sobre esta problemática, parece-me para já ser um erro metodológico associar estes dois empreendimentos distintos, o que provoca logo à partida uma menor flexibilização das decisões a tomar sobre cada um deles.

Simplificando, se a única ligação ferroviária prevista ao futuro Aeroporto, a partir de Lisboa, estiver integrada na rede de alta velocidade, ficaremos “obrigados” a construír o TGV ao mesmo tempo do que o NAL, para podermos aceder convenientemente a este, desde o início do seu pleno funcionamento! Sendo que, quanto a mim, teria sido preferível optar por uma ligação ferroviária convencional entre Lisboa e o novo Aeroporto e construir depois, ao lado do mesmo, uma Estação Terminal para o TGV, quando se decidisse avançar com o mesmo.

Significaria isto que a nova linha Alcochete–Lisboa, sobre a futura Ponte Chelas–Barreiro, poderia assim servir quer para garantir a ligação entre a Área Metropolitana de Lisboa/Norte e o NAL, quer futuramente para proceder à distribuição dos passageiros oriundos do TGV, das Linhas do Porto e de Madrid, pelas Estações da Linha de Cintura, situadas já dentro de Lisboa, bem como, preferencialmente, às Linhas suburbanas de Sintra, de Cascais e da Azambuja (e, subsidiariamente, também às Linhas do Oeste e do Norte – a qual, com o TGV, passará a ter uma utilização de cariz mais vincadamente regional).

Em termos de acesso ao Aeroporto, trata-se pois de uma solução perfeitamente normal, que funciona bastante bem, por exemplo, em Roma, no ainda considerado “novo” Aeroporto Leonardo da Vinci (que se situa a mais de trinta quilómetros de Roma e veio substituir o velhinho “Fiumicino”).

Em termos puramente ferroviários, implicaria a necessidade de os passageiros oriundos, por exemplo, da Linha de TGV Lisboa–Porto efectuarem um transbordo em Alcochete, para os últimos quilómetros da viagem até Lisboa (e caso não fosse de todo viável, na nova Ponte, a convivência do TGV com os comboios convencionais), o que não me parece grandemente prejudicial para a qualidade global da viagem, pois de qualquer modo quem viaja hoje de Lisboa para o Porto, e vice-versa, não viaja propriamente entre as zonas de Santa Apolónia e de S. Bento, nem sequer entre as zonas urbanas de Campanhã e do Parque das Nações.

Ou seja, para quem se desloque, por exemplo, da Azambuja, ou do Pragal, mas igualmente de Alvalade, de Queluz, ou de Algés, para Coimbra, Aveiro, ou o Porto também já tem, hoje em dia, que apanhar um outro transporte, eventualmente também ferroviário (comboio ou metro), para poder apanhar o Alfa, ou o Inter-cidades…

O sistema inicial seria, então, constituído por uma ligação em comboio dito convencional entre Lisboa e o novo Aeroporto, tal como acontece em Roma, com um serviço de qualidade e extremamente pontual, o qual, a prazo, serviria então igualmente como ligação ao Terminal das Linhas do TGV, igualmente localizado em Alcochete, mesmo ao lado do novo Aeroporto.

Júlio de Matos.

por Arrastão
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Domingo, 30 de Maio de 2010
por Daniel Oliveira


Os assessores de Sócrates fizeram saber que Chico Buarque quis conhecer José Sócrates. Mais uma mentirinha. Palavra a Chico Buarque: "Foi o vosso ministro quem pediu o encontro. Nem faria muito sentido eu pedir um encontro e o primeiro-ministro vir ter à minha casa".

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


"Intervenção da polícia agrediu cerca de 15 pessoas há momentos na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa. Os agredidos integravam a manifestação de protesto convocada para hoje pela CGTP. Segundo apurou o SOL a confusão começou devido a um desentendimento entre um cliente de um café e um empregado desse mesmo estabelecimento que chamou de imediato a polícia. Logo de seguida chegaram cerca de 20 polícias, incluindo elementos do corpo de intervenção, armados com carabinas, para tentarem apaziguar os ânimos. No entanto, no local encontravam-se centenas de pessoas que tinham participado na manifestação contra o Governo, convocada pela CGTP do dia de hoje, e após algumas trocas verbais, a polícia começou a agredir manifestantes.

Os membros do corpo de intervenção da polícia começaram a agredir as pessoas presentes no local com bastões e alguns elementos da polícia à paisana agarraram em alguns manifestantes, atirarando-os para cima de esplanadas e contra as montras dos restaurantes. Cerca de 20 minutos depois da confusão se ter instalado, a polícia chamou reforços de modo a ajudar as restantes forças políciais a se retirarem do local. A maior parte dos polícias no local não se encontravam identificados."

Do Sol (notícia e foto)

Como estava numa das esplanadas das Portas de Santo Antão com amigos e familiares a comer uma boa de uma salada de polvo (não naquela onde a cena terá começado) e, com aquela curiosidade bem tuga, fui assistir ao episódio (que aconteceu a poucas dezenas de metros do lugar onde eu estava), posso confirmar pelo menos a segunda parte da notícia. Quanto à primeira, não dei pelo desentendimento inicial, por isso não sei. O que vi foi uma força policial demasiado nervosa para lidar com uma multidão atónita e moderadamente revoltada (mas pacífica) com o excesso de aparato para um episódio tão corriqueiro. A facilidade com que começaram à bastonada (no lado oposto ao que eu estava) foi reveladora de falta de sentido das proporções perante gente que não reagiu com qualquer sinal de violência.

Apesar de ter assitido à cena não lhe dei especial importância - a manifestação é que conta. Até ter visto o que a RTP (que filma o fim dos incidentes) disse sobre o episódio. E isso sim, revoltou-me. Eu, que tenho tudo menos simpatia por supostos "extremistas infiltrados na manifestação" e pelo uso da violência em manifestações, não tenho qualquer dúvida em afirmar que esta notícia da RTP é uma aldrabice pegada.

Assim, a PSP e a RTP conseguiram transformar aquilo que deveria ter sido um pequeno problema numa esplanada, mais de uma hora depois da manifestação ter terminado, quando as pessoas petiscavam e bebiam as suas cervejas, num incidente de contonos políticos. Só depois de ver a notícia e a forma como as fontes da PSP a descreveram ficou para mim mais clara a provável razão para tamanho aparato num episódio tão idiota e a estranha facilidade com que começou a bastonada. Nada como assustar as pessoas para evitar grandes protestos.

Fica apenas a nota: a notícia do Sol terá sido escrita por um jornalista presente no local que, pelo que diz, fez perguntas às pessoas. A da RTP limita-se a aceitar, sem mais, a versão da polícia. Não hesitanto em catalogar, por procuração, as pessoas agredidas (que não conheço). Bom serviço.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Conselho aos artistas de todo o Mundo
Quando um senhor chamado Sócrates vos quiser conhecer, recusem. Ele vai tentar transformar-vos em fãs.

por Daniel Oliveira
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por Arrastão
Texto de Manuel Rodrigues

A informação e a liberdade aumenta a estupidez. Ou, pelo menos, o uso apropriado do adjectivo "estúpido". Considero isso muito positivo.

Exemplificando:
Defendo que as pessoas deviam ser livres de consumirem qualquer tipo de droga, em locais apropriados onde seriam devidamente informadas sobre os seus efeitos.
Assim, quem fosse viciado em droga não era rebelde, não era doente, não era vítima da sociedade: era, pura e simplesmente, estúpido.

Defendo que na escola, desde cedo, falassem em termos claros e concretos, como se fazem bebés, descrevessem os diversos contraceptivos, incluindo a pílula do dia seguinte, as suas limitações e falhas. O aborto seria livre, mas quem o praticasse, na maioria das vezes, não seria outra coisa senão estúpido.

Estou farto de vítimas. Quero mais estúpidos e menos vítimas! Viva a estupidez! Mais informação e liberdade!

por Arrastão
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por Sérgio Lavos


Não terei visto muitos filmes com Dennis Hopper, mas bastariam dois para ele ficar na história do cinema: Easy Rider, maravilhoso manifesto libertário que ele filmou como se fosse um western no asfalto, acompanhado de Peter Fonda e de Jack Nicholson. E Veludo Azul, de David Lynch, onde faz o papel do maníaco Frank Booth. E ainda há Apocalypse Now. Que descanse em paz.
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por Sérgio Lavos
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por Arrastão
Texto de Carlos Marques

Se me perguntarem se sou livre, pergunto à pessoa o que entende por liberdade. A palavra liberdade é, na minha opinião, a mais bela, a que todos desejam conhecer, mas ser livre tanto pode querer dizer não ser um escravo, como poder escolher uma de entre todas as marcas de automóveis, como não dizer o que me passa pela cabeça, como fazer o que me apetece, como poder fazer o que devo, como tratar a boa da liberdade como se fosse um troféu e não uma entidade que precisa de respirar, cercá-la por palavras sinistras, sobrecarregá-la com ideologias bem-intencionadas, ou pérfidas desde o início, e insistir em revoluções que mudem o mundo, acabando mais cedo ou mais tarde por tentar controlar até a natureza do que nos é mais íntimo – a liberdade de pensar. Em nome dela se cometeram atrocidades, muitos se enganaram, muitos desesperaram ou desapareceram para sempre nos absolutismos diversos que começaram a dizer que era por ela, que era tudo ou nada por ela. Com todas as mutações e apesar do que já lhe fizeram, a liberdade continua a resistir, está no meio de nós, tem a força de nos fazer sentir que uma coisa é amá-la, defendendo-a do desrespeito pela liberdade dos outros, e outra muito diferente é querer impor à sociedade o que alguns de nós pensamos dela. Vivemos tempos em que a única certeza é a morte e mais impostos, mas estamos vivos, graças a Deus.

por Arrastão
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por Daniel Oliveira
"Manifestação começou às 16:00 com centenas de pessoas"
TSF

Para que fique claro: eu estava lá às 15.00 e às 16.00 também. Não há forma deste título ser apenas pouco rigoroso.

por Daniel Oliveira
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Sábado, 29 de Maio de 2010
por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Arrastão
Texto de Pedro M. Lourenço

“Celui qui ouvre une porte d'école, ferme une prison” Victor Hugo

Devemos à República o início de uma campanha de alfabetização em larga escala – revigorada no pós 25 de Abril – que permitiu a Portugal seguir no encalço da civilização ocidental no que concerne ao desenvolvimento social e humano. Num país onde ainda 7% da população acima dos 15 anos é analfabeta, cuja taxa de abandono escolar é ainda elevada, em que apenas 60% da população tem como escolaridade o ensino secundário, cujos fluxos migratórios trazem milhares de pessoas e em que o endurecimento das condições de vida ceifa a mínima perspectiva de futuro, o maior desafio que hoje nos é apresentado é a educação.

A escola e a educação constituem o derradeiro trunfo, mas a sua magnitude esbate-se em razão da implementação de políticas erradas e perniciosas. A mercantilização do ensino, os cortes no apoio às famílias, as respostas ineficazes à indisciplina nas escolas e o desmantelamento do ensino público fazem um país mais pobre, menos ciente dos seus direitos e deveres, suas capacidades, mais instável e inseguro, logo mais vigiado e menos tolerante, menos justo e igualitário.

Quis apresentar algo que não fosse demasiado datado, restando-me a esperança de que, se em 100 anos esta minha humilde colaboração no aniversário deste blogue for resgatada da poeira cibernética, não lhe dêem valor por se encontrar desactualizada. Seria excelente!

por Arrastão
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por Daniel Oliveira


A lei, que penaliza ainda mais os automobilistas apanhados com álcool no sangue, passou com 449 votos a favor... entre os 88 parlamentares presentes. VIa Sprectum

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Arrastão
Texto de José M. Silva (José)

Sendo o Arrastão um blogue de substância política, decidi abordar um tema totalmente diferente. José Sócrates.
Partilho a convicção da maioria dos portugueses: Sócrates é um grande filho de Afonso Henriques. Filho mesmo, não restrito ao sentido de que todos nós também o somos.

Em meados do século passado, um grupo de arqueólogos terá descoberto o vestido usado por uma secretária estagiária da corte do primeiro Rei de Portugal. Deste extraíram a Real semente que utilizaram para fecundar uma voluntariosa mulher. Estava dada continuidade à linhagem da primeira dinastia, devido ao consequente nascimento do nosso agora também primeiro, não rei, mas ministro.

Pressinto a crítica dos mais cépticos: "Huumm, e a semente, mesmo de tão ilustre proveniência, conservava-se durante 800 anos?". Confesso que também me soa estranho, mas homessa, um país cheio de portugueses parece-me bastante mais improvável de aguentar tanto tempo e afinal cá estamos.

Há algo mais que sustente esta afirmação? Obviamente que sim. Se até Saramago tem Pilar que o suporta, esta bem mais simpática tese tem toda uma estrutura a alicerçá-la.

Afonso Henriques foi um grande homem que edificou um país de Norte a Sul. "Ahh, faltou-lhe o Algarve..." relembram as pessoas de mau feito. Não, respondem as mais clarividentes. Neste caso, acompanhadas pelo autor do texto. Esse, o Algarve, não o autor, tal como as ilhas nos saudosos boletins meteorológicos, sempre foi algo à parte.

Provavelmente ninguém se lembra do tempo em que os meteorologistas diziam "Irá fazer sol em Portugal e na Madeira", mas com certeza têm frescas as palavras daqueles que se intitulavam "Rei de Portugal e dos Algarves".

Onde está a evidência da ascendência directa, real e afonsina de Sócrates? - insistem os espíritos quezilentos.
Recapitulando, Afonso Henriques, no espaço de uma vida, construiu um País inteiro. Como é sabido, quando os pais já tudo construíram, aos filhos só resta destruir.

Nota final: Há esperança? Existe quem se agarre à ideia de Afonso Henriques ter sucumbido pouco tempo depois de Portugal ter recebido a bênção do Papa.

por Arrastão
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por Arrastão
Texto de Mário Borges



A televisão digital (TDT) emite em Portugal há mais de 1 ano. Implementou-se uma rede de última geração com a mais recente tecnologia de emissão e compressão de sinal. Mas quase ninguém sabe que existe. Em França, Itália, Suécia etc, já funciona e Espanha é o exemplo acabado de como foi feita a transição do analógico para o digital. Regulamentou-se a Lei da televisão, legalizaram as televisões piratas e digitalizaram tudo. As televisões nacionais, autonómicas e as locais estão praticamente todas atribuídas. Cada espanhol em média tem acesso a 28 canais em TDT gratuitos.

Por cá temos 4! A RTP, SIC e TVI são as únicas empresas de televisão de sinal terrestre a emitir em Portugal e também em TDT e agem como monopolistas. Não existe uma única televisão regional ou local, caso único no sul da Europa. E claro, deu confusão o concurso para o 5º canal de televisão a emitir no digital. Está suspenso! A PT recusou activar a rede codificada de canais e incorrendo em incumprimento ainda teve a lata de pedir a devolução da caução! Podia-se ter mudado o panorama audiovisual português. Mas mais uma vez ficou-se pela mediocridade de sempre...

por Arrastão
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por Sérgio Lavos


Hoje é dia de manifestação nacional contra o PEC, contra o actual estado de coisas, contra a crise perpétua que aflige os de sempre, os mais desprotegidos. Podemos repetir isto quantas vezes quisermos, nunca será demais. Porque, ao contrário do que afirmam os coveiros da desgraça nacional, a culpa não é nossa; sobretudo, não é de quem tinha um rendimento baixo e deixou de o ter porque perdeu o emprego ou poder de compra. A culpa não é nossa, mas é também de quem diariamente tenta convencer a opinião pública de que o país chegou a este ponto porque gastou aquilo que não tinha.

A crónica de Vasco Pulido Valente, ontem no Público, é mais do mesmo; desculpa a imoralidade do despesismo do Estado com mordomias que apenas favorecem uma elite, culpando quem entrou na onda de sobreconsumo que o país abraçou a partir do momento em que começaram a entrar os fundos estruturais no país. O problema é que a "normalização da economia", atribuída a cavaco por VPV, foi conseguida graças aos fundos estruturais na sequência da entrada na CEE, e apostando nas áreas da economia que nos levariam inevitavelmente à cauda da Europa: as obras públicas e os sectores entretanto tornados obsoletos em consequência de políticas irmanadas da comunidade. Simultaneamente, o incentivo ao crédito privado e ao endividamento das famílias tornou-se marca de um país a avançar no sentido errado. Não se pode ser ingénuo ao ponto de achar que os portugueses fizeram mal em acreditar nas promessas de riqueza a curto prazo; o país dependia da confiança ilimitada nas virtudes do capitalismo, que incluem, obrigatoriamente, a crença num sistema financeiro que, como viemos a descobrir, inundou o mercado durante anos de dinheiro virtual e, pior, tóxico. Não, os portugueses que compraram casa a crédito, mudaram de carro todos os anos e investiram as suas economia em produtos de risco vendidos por bancos como o BPN ou o BPP, não são os culpados da crise que vivemos; eles limitaram-se a acreditar na felicidade imediata, a ilusão de que o sistema capitalista depende para continuar a funcionar.

Para além destes, dos portugueses que Pulido Valente culpa, há aqueles que nunca acederam a estes simulacros de bem-estar e que, já se sabe, agora ainda vivem pior do que antes. Quem nunca conseguiu comprar uma casa a crédito mas ainda mantinha o seu emprego recebendo o ordenado mínimo e agora está no desemprego; quem andou a estudar, incentivado pelo desenvolvimento futuro, e agora está há anos a passar falsos recibos verdes; quem está a entrar no mercado de trabalho e encontra as entradas na Função Pública vedadas e vê os privados a aproveitarem-se da crise e a oferecerem ordenados muito abaixo do razoável e contratos a termo certo que nunca serão renovados; quem apenas consegue arranjar emprego através desse veneno do liberalismo económico que são as empresas de trabalho temporário, que não se importam de colocar precários com contratos mensais consecutivos em lugares que antes eram ocupados por gente entretanto despedida. Vasco Pulido Valente está à vontade para assumir a sua quota-parte da culpa na crise nacional, mas eu, e seguramente grande parte dos setecentos mil desempregados portugueses (registados) não posso aceitar que o bico do prego aponte sempre para os mesmos. A manifestação de hoje tem de ser apenas o princípio.

por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
por Pedro Vieira


via facebook da joana lopes

por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos
Gosto quando senhoras aparentemente respeitáveis começam a sonhar com falos e os hábitos sexuais dos outros - reforça o meu optimismo geral no que diz respeito aos avanços civilizacionais do nosso tempo.

por Sérgio Lavos
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por Arrastão
Texto de Isabel Teixeira (isagt)

No País real onde vive o cidadão comum, aumenta o desânimo, a desilusão, a repugnância ou desdém pelos seus líderes políticos e entidades governamentais, onde as elites vivem entrincheiradas, só preocupadas com o seu prestígio, dinheiro e uma falsa ilusão de que tudo vai bem mas, sempre, tentando matar toda e qualquer ideia de mudança ou, pior, de atentar contra a nossa liberdade de expressão que será, sem dúvida, o nosso bem mais precioso.

A corrupção está na ordem do dia e, nem sequer, é um problema da Administração Central porque a Local ainda consegue ser mais corrupta.

Quem toma as decisões, parece andar aos ziguezagues, conforme sopra o vento, sem saber para onde vai, onde nunca faltam os clichés da moda, mas onde as decisões prioritárias que o cidadão tanto anseia, não chegam ou vêm atrasadas.

Uma montanha de legislação, alguma à la minute mas que não funciona e, assim, um governo que devia servir para estabilizar, acaba por fazer precisamente o contrário. Temos um sistema político absoleto onde o cidadão, se sente cada vez mais afastado das grandes decisões mas que, sem dúvida alguma, irão influenciar toda a sua vida e o futuro dos seus filhos.

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Sentindo-se cada vez menos representado, especialmente, pelos partidos políticos que se fecharam e que já não o conseguem satisfazer mas que, inevitavelmente, vai provocando o aumento da abstenção e, não deve estar longe o dia, em que o voto nada significará.

Outros, seus iguais, vão escolhendo entre o que consideram ser, o menos mau, sem conseguirem imaginar outra alternativa, olhando tristemente para uma esquerda dividida, de costas voltadas, olhando para o seu próprio umbigo, poupando nas pontes da união.

Finalmente chegamos ao cidadão comum mais perigoso que anseia voltar à falsa eficiência autoritária, com desejos de um líder megalómano, forte e salvador que tenha todas as soluções, ora, actualmente, numa época de tanta diversidade e complexidade, para arrefecer os ânimos, precisaríamos do oposto, um líder avesso à autoridade e que tivesse uma, extraordinária capacidade de saber escutar os outros porque o grande drama actual é a falta de consenso, mas que, também, já não nos poderá servir de muito porque as centenas de grupos em que a sociedade está dividida, sejam os transportadores, agricultores, professores, médicos, reformados,... estarão sempre mais preocupados com a defesa dos seus próprios interesses e qualquer coligação, será sempre difícil e provisória.
Apesar de haver forças que tentam travar as mudanças, tenho a esperança de que elas terão de acontecer e, com ou sem dor, só serão possíveis, com a participação de Todos e para isso, será, cada vez, mais urgente, ideias totalmente novas e radicais.

Uma ideia que, por acaso, já é velha e que na altura me fez sorrir, começa a fazer mais sentido quando olho para os miúdos, tão à vontade, com as novas tecnologias e, conseguir ver, por aí, a possibilidade de milhares de cidadãos se representarem a eles próprios, poderem pensar e decidir em conjunto, num tipo de referendos directos, onde as grandes decisões virão de baixo e não de cima. Como somos nós que pagamos, presumo que os patrões somos nós e eles os funcionáríos ;)

Com acesso a uma verdadeira transparência de números, sem máscaras e sem serem, constantemente, alterados ou "massajados" pelos chico-espertos, estaremos certamente mais habilitados a poupar ou investir onde for necessário, pois quem, senão nós, fazemos autênticos milagres com o pouco que nos pagam.

por Arrastão
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por Bruno Sena Martins
"Se as eleições fossem hoje, o PSD estaria perto da maioria absoluta"

A densificação do cenário que poderá levar o PSD a aspirar a uma maioria absoluta diz-nos três coisas:

1- É altura do PS começar a pensar a sério no sucessor de Sócrates (dado o deserto criado pelo seguidismo ao Primeiro, não há vivalma "socialista" com um perfil minimamente insuflado, convém, por isso, que os ratos comecem a pensar em abandonar o barco a fim de voltarem com aquela réstia de dignidade que se reconhece aos que desertam antes de iniciar a a grande tempestade);

2- É altura de a esquerda acertar agulhas pensando numa coligação capaz de travar o tresloucado deslumbramento neoliberal de Passos Coelho (coitado, leu Friedrich Hayek quando o mundo não lhe podia dar menos razão, sortudo, leu Friedrich Hayek quando Portugal deixou de se importar);

3- É altura de Paulo Portas perceber que enquanto Passos Coelho estiver no PSD apenas lhe restam restam duas missões: a gloriosa tafefa de malhar nos emigrantes; a missão histórica de compor o épico nostálgico sobre o tempo em que os gays não podiam casar e em que as mulheres não podiam abortar. Enfim, cada época tem o Camões que merece.

por Bruno Sena Martins
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por Arrastão
Texto de A.R.A



Somos o resultado actual do nosso passado recente e ao relembrar-mos estes 36 anos de democracia, facilmente nos deparamos com a resistencia militante de todos os sectores da sociedade à mudança, muito por culpa, é certo, de uma crise constante bem mais velha do que a nossa propria democracia mas da qual, tal o habito comodo da situação em não querer mudarmos as coisas, até já ganhamos uma certa afinidade sentimental com a propria palavra "crise".

Mas a grande mudança, a tal que me leva a escrever estas toscas palavras, é aquela que acontecerá quando a Esquerda Nacional se deixar de fraticidios no depurar ideologico e assumir tambem a sua quota de responsabilidade na constante rotatividade centralizada do poder e fazer um Mea Culpa na velha maxima perversamente invertida «Dividir para ... perder» que desmobiliza por completo qualquer intenção de esperança no cidadão que anseia verdadeiramente por uma mudança de fundo no aparelho governativo deste país.

Já houve, é certo, alguns esboços de uma possivel aproximação das esquerdas mas o resultado demonstrou que estamos com mais de 30 anos de atraso na construção de uma frente unida na luta comum e enquanto perdurar esta incessante fricção contra-producente que se perde nos promenores, jamais nos poderemos orgulhar de pertencer-mos a uma Esquerda util a lutar em pról do povo enquanto cada partido se fechar em si e enveredar pela inconsequencia romantica em gritar palavras de ordem contra um muro que cada vez engorda mais a custa, também, do péssimo trabalho de uma Esquerda cada vez mais Dextra que se vai perdendo em «fait divers» acusatorios de quem é que cedeu mais aos caprichos da Direita.

O melhor exemplo do que falo, são os constantes candidatos de esquerda que povoam o universo eleitoral para as presidenciais.

Deixo à discussão a minha pessoal visão do nosso Modus Operandi governativo: A Direita age sem pensar e a Esquerda pensa sem agir, ou melhor, a Direita estagnou no principio e a Esquerda insiste em começar pelo fim.

por Arrastão
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por Arrastão
Texto de Maria Henriques (maria**)



E depois da festa e dos devidos parabéns ao arrastão, cá voltamos nós de novo ás tristes realidades nacionais.se não estudas estás tramado, ora nem mais

O Blogue o Arrastão está de Parabéns.
O seu quarto aniversário está próximo e para o celebrar a ideia não podia ter sido melhor.
Convidaram 15 dos que por ali passam a comentar-lhes os postes, o que demonstra que o respeito pelas ideias diferentes e pela liberdade de expressão é mesmo algo para ser levado à séria .Ora esta realidade, aplicada ao universo bloguístico é rara e deve ser reconhecida, porque não são muitos os sítios onde essa mesma liberdade de expressão é respeitada, sendo que são quase sempre os que defendem ideias iguais aqueles que se sentem bem vindos na maior parte dos blogues por onde passo.
O Arrastão está pois de Parabéns, porque desde o começo da sua existência sempre usou como prática a abertura aos mais diferentes pontos de vista, aceitando até ( e eu sou disso testemunha) muito comentário provocador e até menos educado de gente cuja única intenção era a de agredir e não a de colaborar.

Ora neste nosso universo nacional , seja por causa da crise internacional , seja por causa das crises nacionais e pessoais , é muito mais fácil encontrar gente que agride que gente que colabora.
Exemplo desta intransigente atitude é toda aquela gente que critica não aceitando a diferença , e que exige dos outros aquilo que nunca dá. É creio eu uma questão de educação.
Alguns de nós são educados para o optimismo e para a tolerância, outros são educados para o pessimismo e para a intolerância. Alguns de nós vêem nos outros e nas diferenças de opinião, uma riqueza e um ponto de partida para uma melhor procura da integração de todos na sociedade; outros sentem toda a diferença como um ataque à sua realidade procurando asfixiar-lhe tantos os príncipios como a expressão.

Verdade seja dita que quanto mais alguns uivam a propósito de liberdades próprias , tanto mais tentam limitar as liberdades alheias , criando assim um universo recheado de hipocrisia, mais dada à protecção dos mais inconfessáveis interesses, que à justiça que deve existir para o bem estar da comunidade a que pertencem. A propósito desta coisa da educação, das liberdades e das comunidades ouvi o magnífico depoimento do Dr.Marçalo Grilo, ex-ministro da Educação e pessoa que para além de saber muito bem o que quer das realidades que o cercam parece também ser alguém muito capaz de dizer aquilo que quer sem insinuações nem tibiezas.

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Marçalo Grilo foi muito directo.
E na conversa havida com o Jornalista Mário Crespo disse com imensa clareza aquilo que os tais pessimistas e intolerantes mais destestam ter que ouvir.
Disse que as Escolas em Portugal melhoraram imenso e que muitas existem hoje de grande qualidade seja no Ensino Público como no Privado ; que o Ensino deve ser dirigido no caminho da simplicidade e não no caminho das dificuldades inúteis que só transtornam o pensamento tanto do que ensina como daquele que aprende, que a Juventude Portuguesa tal como o Ensino, melhorou imenso e que esta história do bullying outra coisa não é afinal, senão a expressão medíocre dos que sendo pessimistas e intolerantes, se transformam em gente incapaz do diálogo e da aceitação, usando da violência pela impotência do uso da inteligência.
Ou seja ; e isto digo eu;-gente que não exercitando a inteligência fica incapacitada na sua sensibilidade, impedida de evoluir para um estado mais humano , logo superior estado de consciência.

" Se não estudas, estás tramado" é pois o título do livro que o Professor Marçalo Grilo foi apresentar ao Sic Mário Crespo e foi um prazer ouvi-lo.
Porque num País onde certos Ex Ministros de má consciência, passam a vida em diatribes contra a Juventude e contra o Ensino, num País onde certo tipo de pessimistas mais não fazem senão tentar deitar abaixo as energias colectivas , arrogando saberes que não possuem e que são apenas feitos de sombras e de desejos muito controversos, é muito bom ficar a saber que também existe boa gente de inteligência e espírito aberto aos outros, capaz de ver neles o melhor e não o pior, apontando um caminho de esperança e optimismo, assente no melhor que este País já produziu e que tanto e tão bom já ofereceu a todos os que por cá lutam e labutam e que cada vez mais precisam de ouvir a esperança que possa calar um pouco mais a ignorante arrogância de tantos que se julgam melhores que os outros.

Assim; ter ouvido a excelência do conhecimento deste Ex Ministro, compensou de certo modo toda a gritaria e toda a histeria daqueles que se estudaram se calhar estudaram mal, ou que tendo tido o privilégio de estudar num tempo em que o estudo estava proibido a todos os que não fossem de determinadas classes sociais, se esqueceram completamente que do estudo, o que de melhor se pode guardar é o respeito pelo outro , seja esse outro igual ou diferente de nós.

Na verdade -” Se não estudas estás tramado”. Grande verdade e tão a propósito.
Parabéns pois a todos aqueles que estudaram e não esqueceram o que de melhor lhes foi ensinado.
Porque é com esses que se constrói o Futuro.

por Arrastão
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por Arrastão
Texto de Leandro Fialho (Bolota)



Apetece-me dizer NÃO…À Filósofos da tanga
Apetece-me dizer NÃO… À Europa do Tratado de Lisboa
Apetece-me dizer NÃO… Ao apelo patriótico
Apetece-me dizer NÃO…Ao voto útil
Apetece-me dizer NÃO…Às maioria absolutas
Apetece-me dizer NÃO…Ao politicamente correcto
Apetece-me dizer NÃO…A políticos de aviário
Apetece-me dizer NÃO…À politica da cabala
Apetece-me dizer NÃO…A ladrões de gravadores
Apetece-me dizer NÃO… Aos Freeports, Face oculta e afins…
Apetece-me dizer NÃO…A pretensos candidatos de esquerda às Presidenciais
Apetece-me dizer NÃO… Ao F de FOME que em democracia tivemos de acrescentar aos Fs de Salazar.
Apetece-me dizer NÃO… Ao absurdo dos valores envolvidos na alta-roda do futebol, quando a maioria dos clubes, mesmo os grandes estão falidos
Apetece-me dizer NÃO…Aos pasteis e rissóis marados que dentro de todas as normas…e as minhas migas e as cabidelas ???
Apetece-me dizer NÃO, NÃO e NÃO…A tudo a que os arautos do saber (governação) se propõem e me querem impingir.

Porque me apetece dizer NÃO?? Porque NÃO sou filósofo, politico ou ladrão…sou povo, sou livre, sou eu.

por Arrastão
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por Pedro Vieira

© rabiscos vieira


Os desempregados, mesmo os mais desfavorecidos, também serão chamados a contribuir para a redução do défice das contas públicas.


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
"O Conselho de Ministros de 27 de Maio aprovou um diploma que visa regular a eliminação de algumas medidas que tinham sido adoptadas transitoriamente no auge da crise económica internacional" . É assim que se anuncia, no portal do governo, a eliminação de vários apoios sociais. Reparem que foi no "auge da crise económica internacional" que as medidas agora eliminadas foram decididas. Das duas uma: ou tudo que temos ouvido resulta de um delírio colectivo ou há um estádio depois do auge que nós desconhecemos. E que tem como principal característica dispensar, apesar de ser mais grave, qualquer tipo de medidas.

Entre várias mediadas extintas , todas relativas ao apoio aos desempregados, acaba-se com a majoração de dez por cento no subsídio de desemprego para agregados desempregados com crianças a cargo. Todos temos de fazer sacrifícios e é de pequenino que se torce o pepino.

Como os números do desemprego ainda não são suficientemente consistentes, acaba-se com o programa qualificação-emprego, com a redução de três por cento da taxa social única para as pequenas empresas que empreguem trabalhadores com mais de 45 anos, com o programa de incentivo ao emprego de jovens licenciados e com a linha bonificada de apoio à criação de empresas por desempregados. Quando o governo quer reduzir despesas sociais e no momento em que o desemprego aumenta, nada parece mais adequado do que acabar com todos os incentivos à criação de emprego. Serão, assim, ainda mais os candidatos ao subsídio de desemprego e menos os trabalhadores a contribuir com os seus impostos para os pagar.

Já se percebeu que ninguém está a pensar no que anda a fazer. Perante a enfermidade o governo já só trata da extrema unção. Quando for o velório o serviço estará completo. Só o facto do governo anunciar que vai acabar com as medidas anti-crise para fazer frente à crise deveria chegar para se perceber ao absurdo a que chegámos. O suicídio assistido passou a ser política de Estado.

Publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 27 de Maio de 2010
por Arrastão
Texto de José Manuel Faria



Há muitos anos atrás um velho marquês, ultraconservador e de mente perversa, aproveita-se duma jovem inocente e (…), (letra dos Mão morta).

Desde que o Homem se conhece, duma forma ou de outra, de posição X a Y, com mais ou menos movimentos, este sempre se foi safando na arte de fazer sexo.

Houve momentos que a mão da Hierarquia social, política, religiosa, económica e cultural do nosso Reino, ordenava contenção. Nessas “alturas” gloriosas confundia-se sexo com reprodução, reprodução com casamento, casamento com posições bem definidas e portanto só se fazia amor – executava-se, pois, o que a Santa Lei fixava -, e se possível, ou melhor, obrigatório um filho, muitos filhos (tratava-se de elemento familiar importante, mais dois braços vinham mesmo a calhar), o casal tinha de estar bem documentado, senão, vinha aí mais um enjeitado.

Idades do domínio do sexo sem prazer feminino, do escondido, do pecado mortal: as insinuações, as brejeirices, o sexo anormal entre dois homens ou entre duas mulheres, andavam de mãos bem entrelaçadas, bem escondidas e não faladas.

No Portugal pós–25, abriu-se um porco cinema, jornal e revista de consequências mortíferas (sida). As perversidades inexistentes brotam como relâmpagos em noites diabólicas – a bestialidade, o sadomasoquismo e pior, o orgasmo múltiplo feminino é elevado a ícone de uma nova Eva.

Estava assim preparado o caldo pornográfico de ataque a um reduto angelical/branco de vestes virginais: a Escola. O lugar sagrado da instrução, do saber contar/ler, da botânica e geografia dos insectos é invadido pela educação sexual informativa quiçá leccionada por amigos/as das crianças. O fim do mundo é para ontem, afirmavam a pés juntos os pais preocupados com as máquinas de látex.

- Parem as máquinas! Gritavam a todo o fôlego os manifestantes agrupados por género e classe social. E não é que pararam mesmo!

Mais uma promessa furada, esta do ano da Graça de 1984, o ano da previsão tornada realidade pelo vigilante de Orwell.

por Arrastão
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por Arrastão
Texto de Rui Miguel Fialho (Rui F)



Agradeço desde já ao arrastão a oportunidade que me deu de poder “postar” no blog.
Eu já tinha aflorado a questão.
O país é desconfiado e tem razões para isso.
Os piores exemplos – na sua esmagadora maioria vêem de cima – acompanhados de uma justiça que pura e simplesmente não funciona (ou se funciona, é inclinada em desfavor das classes de menos recursos e formação) são a realidade.
Esta desconfiança torna o país atrasado, tacanho, sem solução e condenado ao eterno fracassado.
Aparentemente, o Português de uma maneira geral, só se liberta com os estrangeiros ou em pequenas comunidades. Lá fora na estranja, ombreia com todos os povos e em todos os campos do saber, de igual para igual. Porque será? Numa reflexão simplista e despretensiosa, enumero as razões que na minha opinião estão na origem do problema:
- A desigualdade social. É a pior da OCDE.
- A mobilidade social mal existe, ou seja, só uma ESCASSÍSSIMA minoria de pessoas das classes desfavorecidas pode almejar a ter uma vida melhor.
- O compadrio, a cunha, o tráfico de influências são banais e condição para ter emprego, trabalho, abrir um negócio por conta própria, ter subsídios da UE, e estar melhor informado.
- A oligarquia é o sistema que domina a sociedade.

por Arrastão
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por Pedro Sales

por Pedro Sales
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por Pedro Sales

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira


São enormes as expectativas dos migrantes chineses que chegam das aldeias a Shenzhen, para trabalhar na fábrica da Foxconn, onde são produzidos os iPhones. Mas parece que é grande a desilusão. O trabalho é repetitivo e longo, a fazer lembrar os tempos Modernos de Chaplin. Diz um estudioso que conhece a fábrica: "A rapidez é muita e não se pode abrandar, pelo menos durante dez horas. Percebe-se que alguém possa ficar dormente e se transforme numa máquina". São pelo menos 60 horas semanais, mas há relatos de muitos trabalhadores a fazerem horas extraordinárias para aumentar o salário de 106 euros. Precisavam de alguns meses para comprar um iPhone.

Resultado:
[Error: Irreparable invalid markup ('<a [...] http://jornal.publico.pt/noticia/27-05-2010/fabricante-do-iphone-na-china-enfrenta-vaga-de-suicidios-19487598.htm">') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

<object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2B3HGY_zLKk&hl=en_GB&fs=1&rel=0&color1=0x5d1719&color2=0xcd311b"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/2B3HGY_zLKk&hl=en_GB&fs=1&rel=0&color1=0x5d1719&color2=0xcd311b" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object>

São enormes as expectativas dos migrantes chineses que chegam das aldeias a Shenzhen, para trabalhar na fábrica da Foxconn, onde são produzidos os iPhones. Mas parece que é grande a desilusão. O trabalho é repetitivo e longo, a fazer lembrar os tempos Modernos de Chaplin. Diz um estudioso que conhece a fábrica: <a href="http://jornal.publico.pt/noticia/27-05-2010/fabricante-do-iphone-na-china-enfrenta-vaga-de-suicidios-19487598.htm">"A rapidez é muita e não se pode abrandar, pelo menos durante dez horas. Percebe-se que alguém possa ficar dormente e se transforme numa máquina"</a>. São pelo menos 60 horas semanais, mas há relatos de muitos trabalhadores a fazerem horas extraordinárias para aumentar o salário de 106 euros. Precisavam de alguns meses para comprar um iPhone.

Resultado:<a href=""http://jornal.publico.pt/noticia/27-05-2010/fabricante-do-iphone-na-china-enfrenta-vaga-de-suicidios-19487598.htm"> já houve nove suicídios desde o princípio do ano</a>. Os jornais de Hong Kong garantem que a empresa está a pedir aos funcionários para assinarem documentos a garantir que não se vão suicidar, informação que é desmentida pela própria.

A má publicidade que resulta destas notícias obrigou a uma reacção. Melhores condições de trabalho? Redução de jornada de trabalho? Aumento do salário? Ou seja: reduzir o fosso entre o que os jovens trabalhadores esperavam e o que têm? Não, que dinheiro é dinheiro.

A Foxconn optou por chamar monges budistas para afastar maus espíritos, contratar dois mil psicólogos, cantores e bailarinos, abrir uma linha telefónica de ajuda, criar um centro de libertação de stress onde os operários podem esmurrar a fotografia do superior e erguer, junto aos dormitórios dos 400 mil operários, redes para tentar travar as quedas. E mostrou o seu serviço aos jornalistas.

A dimensão destas fábricas, as condições em que nelas se trabalha, a forma de produzir e os efeitos que a passagem de uma economia de subsistência para a industrialização de trabalho intensivo são uma viagem no tempo. Não há monges e bailarinos, para consumidor europeu e americano saber, que resolvam isto.

A verdade é que competimos com o passado. O crescimento da China vive deste hiato de tempo. Cresceu, mas, em muitos casos, ainda vive no século XIX. E o passado atira-se da janela porque não aguenta, como os nossos antepassados não aguentavam, ver-se transformado numa máquina. Os nossos operários organizaram-se e exigiram mais. A ditadura trata de garantir que em vez da greve os seus operários escolham a morte. Adocicada por linhas de apoio e terapias contra o stress. Para não chocar demasiado as almas sensíveis do Ocidente.

<strong>Publicado no <a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?button=Voltar&p=stories&op=view&fokey=ex.stories%2F585183">Expresso Online</a></strong>

por Daniel Oliveira
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por Bruno Sena Martins



Perante uma estrutura avassaladora como a do Porto, perante um presidente creditado como Pinto da Costa, o erro de Jesualdo foi não ter sido capaz de um mínimo de narcisismo: em momento algum se preocupou em ser uma figura de estilo, jamais se insurgiu publicamente contra os caprichos de uma direcção que cumpriu a irónica tripleta de lhe estilhaçar a equipa em 3 anos consecutivos. Ganhou três títulos e nunca fez menos que os oitavos de final na Champions (soçobrou perante o Shalke numa eliminatória embruxada pelo Manuel (Neuer) e perante o Chelsea em Stamford Bridge, com um frango do Helton), e chegou ainda aos quartos de final onde só perdeu com o Manchester United (o golo do ano de Ronaldo lixou-nos depois do empate em Old Trafford).

Eu teria apostado em Jesualdo por mais uma época, mas entendo que a ingratidão dos adeptos portistas tenha criado um clima anímico insustentável (pergunto aos céus que fazer num período histórico em que  um treinador é avaliado pela qualidade da gola, pela sua telegenia, pela apetência pró-fílmica e pela  capacidade de encarnar uma personagem para cuja consistência caracterológica o plácido adepto esteja pré-disposto (a partir daquilo que vai vendo nas novelas): o sargento mandão, o grisalho de sobretudo, o giraço de camisa, o bronco que subiu a pulso, o totó simpático, o giraço com apetência para seduzir a mulher do adepto, o mandão com risco ao meio, o Tony Ramos, etc.

Jesualdo rescindiu com o Porto e foi convidado para ser director técnico de todo o futebol. Para já, não, diz.   Quer treinar mais 2 ou 3 anos mas é muito provável que volte ao Dragão. Na ordem da tragédia isto é, ainda assim, o mais airoso que se consegue. Na minha maturidade táctica (hoje em dia percebo mais disto que o Toni, que o Valdemar Duarte, que o Rui Santos,  que o João Querido Manha, que o José Eduardo e o que Jorge Baptista juntos), na minha maturidade táctica, dizia,  Jesualdo foi o melhor treinador que vi treinar o Porto a seguir a Mourinho, e como fenómenos metafísicos não são para aqui chamados, cabe reformular: foi o melhor treinador que vi treinar o Porto.

por Bruno Sena Martins
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por Pedro Vieira


© rabiscos vieira


esta quinta-feira lança-se na Buchholz da duque de palmela o novo livro de Carlos Brito em volta de Álvaro Cunhal. é às 18h30.


por Pedro Vieira
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por Arrastão
Texto de António Cunha



Outubro de 1917: o golpe de estado bolchevique significou bem mais do que a queda do czarismo e a subida ao poder de um grupo de políticos idealistas. A revolução liderada por Lenin tornou-se o ícone que representaria o começo de uma nova era para a humanidade, anunciando uma sociedade mais justa e um homem mais consciente de sua relação com seu semelhante. Mas não foi nada disso que se passou, bem pelo contrário. Em todos os países em que os comunistas chegaram ao poder nasceram regimes totalitaristas que não olharam a meios para alcançar os seus objectivos e implementar a sua doutrina. Entretanto morreram mais de 100 milhões de pessoas.

Mesmo depois de o embuste ter sido desmontado continuam a existir vários tipos de pessoas que acreditam piamente na farsa. Em Portugal alguns continuam ligados ao PCP, outros demarcaram-se do partido mas continuam a professar a ideologia e depois existem os mais perigosos de todos, os que se mudaram para o circulo do poder. Só no PS estão várias dezenas de ex-comunistas.

Não me canso de citar um ex-comunista Brasileiro e autor chamado Jorge Amado: “A esquerda em geral não é democrata. Posso dizer porque fui comunista. Lutávamos confessadamente pela ditadura do proletariado, que resultou em ditaduras pessoais e violentas. Democracia não tem nada a ver com ideologia. Ou se é ou não é”.

por Arrastão
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por Sérgio Lavos


Sem a pressão de ter de escrever um texto para o Arrastão - os nossos comentadores valem mesmo muito - dedico o serão a ouvir velhos êxitos dos Beatles, como costuma dizer-se, a banda da nossa geração. Da minha, que nasci em 1975, da anterior e das que virão - tanto tempo passado e continuam a ser a última novidade. De Rubber Soul em diante há poucas canções que não sejam melhores do que noventa e nove por cento do que se produz actualmente, mas a diferença nem é esta divina contabilidade. Até chegarmos aos Beatles, a música era uma cómoda com gavetas onde cabiam os vários géneros, de forma muito arrumada e certinha. Havia o blues, havia o jazz, havia o country, havia a folk. Eles pegaram nisto tudo, misturaram, cortaram e copiaram, ampliaram a experiência musical das massas e revolucionaram o mundo. Existe praticamente uma música dos Beatles inspiradora de cada género surgido depois, da pop das harmonias vocais ao punk (Revolution), ao heavy-metal (Helter Skelter), à britpop e ao shoegazing, etc, etc. Pode-se afirmar, sem exagero, que há um pouco de Beatles em quase toda a música pop posterior, mesmo naquela que recusa a herança da banda.

Para além da música, a mitologia associada. O assassinato de John Lennon por um leitor de J. D. Salinger, a suposta morte e substituição do Paul McCartney original, a aproximação a Ravi Shankar e ao hinduísmo - a melhor letra dos Beatles foi escrita por George Harrison (neste momento estou a ouvir Revolution 9, uma cacofonia de ruído aleatório que inclui a música original tocada de trás para a frente, e é um arrepio na espinha) e chama-se Within without you - a intromissão de Yoko Ono, as letras escritas sob a influência de drogas, as visitas à Rainha.

O idealismo pacifista e cínico que John Lennon mostra em Revolution continua a fazer todo o sentido nos dias que correm; acredite-se ou não em revoluções, tudo vai ficar bem.

por Sérgio Lavos
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