Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

 

Ontem, um manifestante Vader foi agredido pela polícia presente no comício do PS; aqui há uns meses, uma vergonhosa acção da polícia, concertada com a CGTP, criou um cordão sanitário entre a manifestação anti-Nato e um grupo minoritário considerado mais perigoso. Há notícias que lemos falando de confrontos entre polícia e anarquistas, mas que no fundo se tratam de agressões brutais das forças policiais a quem democraticamente se manifesta. A tudo isto, os media dão cobertura, calando-se ou emitindo comunicados da própria PSP, sem terem a mínima vontade de ouvir a outra parte envolvida. Esta notícia do Correio da Manhã é um execrável exemplo deste jornalismo unicelular, que abdicou de pensar na informação que lhe foi passada. O que se aconteceu no 1.º de Maio em Setúbal foi um claro abuso da polícia, violência desmedida contra manifestantes que já tinham dispersado e que estavam apenas a conviver. Muito nervosismo dos agentes, ordens vindas não se sabe de quem para não dar tréguas, bastantes feridos, alguns em estado grave, o uso de balas de borracha à queima-roupa e de munições reais. Inadmissível. As imagens falam por si. Até quando vamos aceitar isto?


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

A subida da taxa de desemprego "estava dentro das expectativas", disse Valter Lemos, um secretário de estado da piolheira nacional. Também ficamos a saber que os "fluxos de passagem" das pessoas contribuíram para a subida e que "a metodologia do INE mudou" e por isso aumentou a taxa. Tudo bem. É o melhor possível, estamos no bom caminho. Agora só precisamos de aumentar a idade de reforma e reduzir o número de dias de férias para finalmente entrarmos no pelotão da frente da União Europeia. Não podia estar mais de acordo com a sra. Merkel, até porque em compensação o nosso ordenado mínimo vai subir até níveis alemães. Não, espera aí, com isto sonhei eu ontem. Qual é mesmo a realidade? Já não sei, tantos números, tantas expectativas defraudadas, o mundo a mudar todos os dias. Está tudo bem, o povo é sereno e nem precisa de votar para ser fodido. Amado. Dentro das expectativas, sempre.

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por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

 

Tenho um amigo que gosta de lembrar um erro frequente da esquerda: o de considerar que a incapacidade em fazer valer os seus pontos de vista resulta da falta de profundidade dos debates que lhe são constitutivos. A verdade é que frequentemente os problemas da esquerda são de outra natureza: não tanto intelectuais quanto políticos. Nesses casos, mais do que um esforço decidido de repensamento e reconfiguração, o que lhe falta é força política para tornar as suas ideias hegemónicas. Claro que ambas as coisas não estão desligadas, mas a pulsão autocrítica, sendo fundamental, leva por vezes a processos de autoflagelação nem sempre construtivos. E mais: esquece que frequentemente já temos as boas soluções vislumbradas. Falta apenas a tal força política para aplicá-las.

 

Um exemplo claro nos tempos que correm é a proposta de renegociação da dívida. No debate com Francisco Louçã, José Sócrates chamou-lhe a promoção do “calote”. Sócrates é um homem que “honra os seus compromissos”, está bem de ver, e que deste modo faz de advogado dos credores contra um país que entrará numa espiral recessiva e que, mais tarde ou mais cedo, terá mesmo de renegociar, como se prepara para fazer a Grécia. Foi curioso por isso ver Ricardo Costa nos seus comentários ao debate dizer que a renegociação, “a médio prazo”, até faz muito sentido. Ou descobrir agora, via Joana Lopes, que a proposta vai conquistando almas honradas e insuspeitas, como Medeiros Ferreira.

 

E chegamos assim ao drama actual do país: quem tem as propostas certas não parece vir a ter força política para as implementar; quem aparece melhor colocado nas sondagens não tem a visão política necessária aos próximos tempos. Um drama, valha-nos isso, que pode ter alguma resolução nas urnas. Assim a população seja mais corajosa do que os políticos do "grande centro" ideológico que nos tem desgovernado.


por Miguel Cardina
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por Andrea Peniche

 

Hoje em dia usa-se muito dizer que somos um País de proprietários, isto é, que todos nós temos a nossa casinha. Na verdade, somos um País de hipotecados. Eu, por exemplo, mantenho uma relação com o senhor Ulrich, que se manterá até aos meus 72 anos.

 

Acontece que há uns anos os salários não só não chegavam para pagar uma renda como praticamente não havia casas para arrendar. Mas os salários iam dando para pagar uma hipoteca ao banco. Neste País, nunca houve políticas de incentivo ao arrendamento. A escolha foi sempre a de facilitar o crédito. A banca agradecia e quando a banca está contente o País rejubila.

 

Gostava de dizer que eu não escolhi ser proprietária; eu escolhi emancipar-me e isso custou-me 40 anos de hipoteca.

 

Porém, tudo está a mudar. A troika, com a concordância do PS, PSD e CDS, decidiu animar o mercado de arrendamento. E decidiu fazê-lo castigando quem foi obrigado a comprar casa. Assim, no memorando da troika pode ler-se (a tradução é do Aventar, uma vez que o Governo ainda não teve oportunidade de a disponibilizar):

 

«O governo vai modificar a tributação da propriedade, com vista a equilibrar os incentivos para arrendar, face à aquisição de habitação. (4T 2011) Em especial, o Governo irá: i) limitar a dedutibilidade nos impostos sobre os rendimentos das rendas e juros das hipotecas a partir de 1 de Janeiro de 2012, excepto para as famílias de baixos rendimentos. O pagamento do capital não será dedutível a partir da mesma data; ii) gradualmente, reequilibrar a tributação sobre a propriedade imobiliária para o imposto recorrente (IMI) e dar menos importância ao imposto de transferência de propriedades (IMT), sempre tendo em conta os mais vulneráveis socialmente. A isenção temporária de IMI para habitação ocupada pelo proprietário será consideravelmente reduzida e o custo para propriedades devolutas ou não arrendadas será significativamente aumentado».

 

A juntar a isto, hoje, perante a suspeita de que o BCE poderá aumentar as taxas de juro, a Euribor subiu pelo quarto dia consecutivo e o Banco de Portugal decidiu autorizar a violação unilateral dos contratos estabelecidos entre os clientes e a entidades credoras. Assim, se houver «razão atendível» ou «variações de mercado», a banca vai poder fazer «repercutir nos clientes os efeitos da conjuntura desfavorável, ou seja, os consumidores serão sempre chamados a pagar as oscilações de risco da banca». Os encargos negociados, nomeadamente o spread, passam a ser letra morta sempre que os bancos assim o entenderem.

 

Como diz José Sócrates, para não contaminar todo o sistema financeiro, o Governo decidiu nacionalizar os prejuízos do BPN (mais de 6 mil milhões de euros); a banca, apesar dos lucros, continua a pagar menos impostos do que as empresas, sendo também responsável pela diminuição da receita fiscal em 2010; dos 78 mil milhões de euros do empréstimo a Portugal, 12 mil milhões de euros vão directamente para a dita «recapitalização da banca». 

 

A nós, que pagamos todos os impostos, directos e indirectos, é-nos exigido que continuemos a ajudá-los. Haja decência.


por Andrea Peniche
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por Daniel Oliveira

 

 

Não me vou meter nos alegados crimes de Dominique Strauss-Khan. Logo se verá se é culpado. Muito menos fazer tentadoras metáforas que misturem o sucedido com a atuação do FMI, que além de serem de mau gosto tendem a baralhar o que é política e o que está fora dela. Limito-me a imaginar algumas consequências do irremediável afastamento do francês, pelo menos por vários meses, da direção do Fundo Monetário Internacional.

 

Elas serão pelo menos duas: o provável endurecimento do FMI e a possível saída de europeus e americanos dos comandos da organização.

Temos chamado à intervenção da troika, por facilidade, de intervenção do FMI. A sigla traz uma memória impressiva que facilita o entendimento da natureza daquilo a que gente de má-fé (ou mal informada) chama de "ajuda externa". Não teria o mesmo efeito visual dizer "intervenção europeia". Na memória dos portugueses, FMI é austeridade, Europa é prosperidade.

 

Mas a verdade é bem diferente. Quem acompanhou as notícias que foram saindo sobre o processo negocial para o empréstimo a Portugal percebeu que houve uma tensão entre os dois lados europeus - BCE e Comissão Europeia - e o FMI. E que onde o FMI dizia mata, a Europa dizia esfola, tortura, trucida.

 

Do ponto de vista da receita económica para o País estiveram os três mais ou menos de acordo: privatizar, flexibilizar, liberalizar, desregulamentar. A receita, que sempre fez escola no FMI e que se impôs ao Mundo depois de Thatcher e Reagan, corresponde ao consenso da elite política ao serviço da elite financeira. E nem o facto de nos ter levado a uma crise financeira internacional de proporções extraordinárias abalou a fé dos seus promotores.

 

Mas pelo menos numa coisa a divergência era relevante para nós: foi o FMI a bater-se por condições menos penalizadoras no pagamento da dívida. Mais tempo para pagar, juros menos altos. Ou seja, dentro da desgraça, o FMI ainda tentou que ao menos se fingisse que as condições permitiriam o cumprimento do pagamento da dívida. A Europa, essa, pressionada pela cegueira económica e política da senhora Merkel e por uma opinião pública europeia intoxicada por discursos simplistas e populistas sobre as dívidas dos países periféricos, queria apenas uma coisa: sacar o máximo possível, o mais depressa possível, para dar tempo aos bancos do norte da Europa para se recapitalizarem antes da inevitável renegociação da dívida, lá para 2013. Enquanto o FMI tirou, apesar de tudo, uma ou outra lição do que se passou na Grécia, a Europa esteve-se olimpicamente nas tintas.

 

E se o resultado na imposição de políticas recessivas foi, ao contrário do que disse o primeiro-ministro, péssimo, nas condições ele poderia ter sido ainda pior. Fazendo as contas, o pagamento da dívida é impossível nestas condições. Portugal teria de conseguir, com quebra de receitas e crise económica e social, um excedente orçamental de 3,5 por cento do PIB até 2013. A verdade é que o Estado português já é insolvente. Mas o que a Europa queria era mesmo evitar qualquer renegociação antes de esvaziar os cofres. O FMI acabou, apesar de tudo, aplicar juros mais baixos. A diferença entre o FMI e a Europa resume-se, mais coisa menos coisa, a isto: o FMI mantém-se cego pela ideologia dominante, a Europa está pura e simplesmente enlouquecida.

 

Strauss-Khan não era um aliado de Portugal. Tinha sobre a intervenção externa a mesma visão punitiva e recessiva. Mas parecia ter alguma, mesmo que pouca, capacidade para aprender com os erros e com o descalabro que está a ser intervenção na Grécia. A ida para a liderança do FMI de alguém que esteja distante dos problemas europeus poderá significar o regresso da linha mais dura. Aquela que, há alguns anos, deixou um rasto de destruição na Argentina.

 

Independentemente das culpas de Dominique Strauss-Khan no caso do hotel de Nova Iorque, não há razão para festejar a sua desgraça. Sim, pode ser ainda pior. No estado em que está o Mundo não devemos nunca subestimar a estupidez das elites políticas internacionais.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
por Ana Mafalda Nunes

"Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura."

Eça de Queirós, in 'Correspondência (1891)'

 


por Ana Mafalda Nunes
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por Daniel Oliveira
Foram as declarações no primeiro vídeo que me deram direito ao quarto processo de Alberto João Jardim

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

 

 

 

Acabado de chegar da Madeira, depois de participar num debate sobre a liberdade de imprensa na região, trago, como sempre acontece quando lá vou, um conjunto de histórias extraordinárias. Histórias que o resto do País vai ignorando, enquanto sorri com as palermices do senhor Jardim.

 

Antes de mais, a história do "Jornal da Madeira". Um pasquim detido numa ínfima parte pela diocese do Funchal mas que é, na realidade, propriedade do Governo Regional da Madeira. Apesar de ninguém querer ler aquilo, já custou quase cinquenta milhões aos contribuintes. Tem o preço de capa de dez cêntimos mas é, na realidade, distribuído gratuitamente por toda a Madeira. Dizer que é um jornal de propaganda ao regime jardinista seria injusto para aquela coisa. Um recente relatório da ERC fez o levantamento de 15 edições. A esmagadora maioria das notícias era elogiosa para o presidente, secretários regionais e presidentes de câmara (todos do PSD). Uma pequena parte era neutra. Em nenhuma notícia (de centenas) havia uma qualquer informação que lhes fosse negativa. Todos os colunistas são da área do partido do poder, começando pela coluna diária "escrita" por Alberto João. A promoção do jornal é clara: "se quer conflitos inúteis, leia os outros". Ali não há conflitos, úteis ou inúteis. Todos falam a voz do dono.

 

Já não se critica o facto do governo regional pagar um órgão de propaganda descarada, onde nem sequer se simula o pluralismo. Já nem se critica que um jornal pago pelos contribuintes seja mero porta-voz de um partido político. Aliás, num relatório recente da Assembleia Legislativa da Madeira, o papel de divulgar o ponto de vista do governo é assumido, considerando-se que os problemas da liberdade de imprensa na região resultam da existências dos outros órgãos de comunicação social que, veja-se o desplante, também dão voz à oposição. O que se critica, veja-se ao ponto mínimo que se teve de chegar na exigência democrática, é que o Estado pague para ele ser distribuído gratuitamente enquanto os restantes, para sobreviver - apesar de terem muito mais leitores - têm de ser vendidos. O que se critica já é apenas a concorrência desleal promovida com o único objetivo de levar à falência a imprensa regional independente. Com especial atenção para o "Diário de Notícias" do Funchal, que, tendo muito mais leitores, não desiste de fazer jornalismo e de ser pago por isso.

 

Já veio uma decisão da ERC. Já veio uma decisão da Autoridade para a Concorrência. Aquilo tem de acabar. Mas, já se sabe, as leis da República não atravessam o Atlântico. Alberto João Jardim não cumpre a decisão. Porque não quer. E quando Alberto João Jardim não quer não se fala mais nisso. Se, quando foi à Madeira, o Presidente da República teve de se encontrar com os partidos da oposição clandestinamente, num hotel, já que foi proibido de ir à Assembleia Legislativa, como pode alguém acreditar que alguma vez alguém obrigará o senhor Jardim a acatar a Constituição? Se todos se vergam ao ditador, como podemos esperar que a lei chegue à Região Autónoma?

 

Os relatos sobre os atropelos à liberdade de imprensa e de expressão estão longe de acabar aqui. Jornalistas expulsos, com recurso à força, de conferências de imprensa, agressões, ameaças, insultos, tudo é banal no regime de Jardim. O presidente diz o que quer, nos termos que quer. Ameaça publicamente os seus opositores. Insulta. Recorre à calúnia. Está protegido pela imunidade, que ele confunde com impunidade. Mas se alguém lhe responde o processo é mais do que certo. Alberto João Jardim é recordista nacional de processos contra jornalistas, colunistas e políticos por abuso de liberdade de imprensa. Processos onde o governo regional envolve recursos públicos. Se os opositores também têm, como ele, imunidade, a coisa resolve-se sem problemas: o parlamento regional, onde o PSD domina, retira-lhes a imunidade. Ou seja, Jardim diz o que quer sem nunca ter de responder perante a lei. Essa, aplica-se a quem lhe responda. E os tribunais vão colaborando com a cobardia, condenando dezenas de pessoas por responderem ao inimputável Jardim.

 

Poderia falar do resto, para além da liberdade de imprensa. Da inexistência do regime de incompatibilidades (que vigora no resto do País) para os titulares de cargos públicos, que permite, como é aliás comum acontecer, que os beneficiários de uma medida participem na decisão que os envolve. Ainda recentemente um importante político do PSD foi brindado com a concessão, por mais de trinta anos, do Casino de Porto Santo. Jaime Ramos, um dos principais homens do jardinismo, é dono de meia Madeira. Se em todo o País se pode falar de promiscuidade entre política e economia, entre interesse público e interesses privados, seria absurdo falar nestes termos daMadeira. Ali, não há sequer qualquer tipo de distinção entre PSD, Estado e empresas. São uma e a mesma coisa. E o polvo jardinista está em todo o lado, manda em tudo e não se lhe pode fugir. Quem tem a coragem de se lhe opor ou tem rendimentos próprios que não dependam de negócios locais ou é bom preparar-se para a penúria e para o desemprego.

 

Visto tudo isto, e tanto mais que havia para contar, não deixa de ser curioso ver o PSD encher a boca com concorrência, menos Estado e liberdade de iniciativa no continente enquanto na Madeira institui um regime autoritário, onde o Estado está em tudo menos naquilo em que é necessário. Pedro Passos Coelho, os que o antecederam e os que lhe sucederão bem podem pregar sobre as suas convicções liberais. Onde o PSD está no poder há 35 anos não há nem social-democracia, nem liberalismo democrático. Há um regime que não respeita a liberdade, há um Estado clientelar, há a utilização dos recursos públicos para pôr a economia ao serviço do cacique local e dos seus amigos. Enquanto o PSD não afastar este homem das suas fileiras não tem qualquer credibilidade para criticar o que, de forma tão tímida quando comparada com o comportamento do senhor Jardim, se faz no continente. Não gostam os senhores do PSD de falar da sua coragem para tomar decisões difíceis? Provem-no. Comecem na sua sua própria casa.

 

Ainda não tinha aterrado em Lisboa e já tinha mais um processo de Alberto João Jardim. E vão quatro. Uma gota nas centenas de processos por difamação, atentado ao bom nome ou abuso de liberdade de imprensa com que Alberto João Jardim inunda o tribunal do Funchal. Um automatismo que é fácil para Jardim: não põe os pés no tribunal (um privilégio que os juízes lhe garantem sempre ) e quem paga o advogado e as custas são os contribuintes.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

Gosto da lufa-lufa das sondagens; do suspense; das ilusões; conquistadas e perdidas; dos erros por larga margem escamoteados pelo especialista da empresa que falhou (normalmente, aquele fulano de que não me lembro o nome e que aparece num desses programas de bola que costumo ver em noites de insónia). Gosto da publicidade em causa própria no início dos telejornais, dos anúncios bombásticos, das sondagens à boca da urna que apenas podem ser reveladas depois destas encerraram nos Açores. Um prazer culpado, acompanhar a maratona dos resultados ao longo da noite, ouvir os tribunos do costume perorar sobre o futuro de quem ganha, preverem o futuro de quem perde. Adoro a terrível falta de substância do espectáculo da partida, o mesmo prazer que procuro quando vejo futebol de outros campeonatos, mas com uma aproximação estética, digamos, menos ortodoxa. Gosto dos gráficos que sobem e descem, das análises de Pedro Magalhães - como todos sabem, o Luís Freitas Lobo das sondagens - do queixume dos partidos que andam cá por baixo e do regozijo indisfarçável de quem recupera - normalmente, Sócrates. Agora, o Público dedicou-se a uma rajada bi-semanal deste desporto nacional. Um delírio. Variações mínimas, cima abaixo, e a política transformada no jogo que nunca deixou de ser. Que interessa que os entrevistados não sejam os mesmos, de sondagem para sondagem (julgo que não erro nesta afirmação)? Nada a declarar, e tudo isto deverá ser visto como deve ser: um jogo, uma corrida, com competidores que jogam limpo, outros que passam rasteiras, debates intensos como combates na arena, sangue e suor, nenhuma lágrima no fim, porque ninguém perde eleições. O grande espectáculo da política, maravilhoso circo para o povo, feira das vaidades pátrias. E o país, parece que está quase na bancarrota, não é?


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
por Andrea Peniche

Em Março, o movimento «E o povo, pá?» colou cartazes nas agências do BPN que diziam: O vosso roubo custou 13 milhões de salários mínimos.

 

Esta madrugada, o mesmo movimento denunciou a humilhação por que passam os desempregados e desempregadas: o termo de identidade e residência imposto pelas apresentações quinzenais; a prova da procura activa de emprego feita através de uma colecção de carimbos mendigados e, não raras vezes, pagos; o acantonamento numa espécie de gueto onde são vistos como gente preguiçosa que vive à sombra do Estado. E por isso disseram: Não queremos subsídios, queremos emprego, reclamando para os desempregados e desempregadas a dignidade que lhes tem sido roubada: «Neste país há 700 mil trabalhadores sem trabalho e que querem trabalhar. Confundir a excepção com a regra é, deliberadamente, querer imputar a responsabilidade de não ter trabalho a quem o perdeu ou a quem o procura. Não aceitamos a mentira e exigimos respeito».

 

E o dito povo, de que se reclamam e a quem se dirigem, parece não só ter percebido a mensagem como também ter-se revisto nela.

 

O manifesto, que apresentam no blogue, explica a escolha dos Centros de Emprego como alvo: «Actualmente, num Centro de Emprego não se encontra emprego. Encontram-se fiscalizações sucessivas, propostas formativas muitas vezes desajustadas, encontra-se trabalho quase gratuito através dos contratos de emprego-inserção, encontram-se ameaças constantes de cortes nos subsídios. Mas não se encontra emprego». E atribuem este estado de coisas à desistência e ausência de políticas públicas de criação de emprego e de combate ao desemprego.

 

O escritor José Luís Peixoto foi o rosto que escolheram para amplificar o protesto. Citando Dante, diz o escritor que «"os lugares mais quentes do Inferno estão reservados para aqueles que durante a crise escolheram a neutralidade". Este é o momento para falar». Diz ele e digo eu.

 


por Andrea Peniche
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por Sérgio Lavos

 

A imagem exibida pela polícia americana do presidente do FMI merecia uma atenção demorada.Quatro linhas de reflexão, como diria o outro. Primeiro: O homem está algemado e rodeado por um número considerável de polícias(o campo foi reduzido). A acusação é de "acto sexual criminoso", segundo o Libération. Porque está algemado? Espera-se que salte para cima dos polícias e tente violá-los? Que tente furtar-se à justiça? Não, DSK é mostrado a todos os povos do mundo como símbolo da justiça americana, universal, não poupando os poderosos. Se o cadáver de Bin Laden podia chocar os bons cidadãos, tomai então este outro vilão. Segundo: A imprensa responsável da Europa já publica tudo: o passado intimo, a transcrição de tablóides, a citação de bloguers e o comentário anónimo de "pessoas bem informadas". Terceiro: Este homem, que umas horas antes era tudo, está agora desprovido de toda a dignidade. (aos justicialistas que acharem a frase excessiva aconselho que se façam algemar). Foi-lhe retirada a gravata e os atacadores. Ele, que convenceu tanta gente com a palavra, não pode recusar as câmaras assestadas sobre a face.Olhem a face de DSK: é a face de Saddam, o diabo iraquiano, no cadafalso de Bagdad.O lisboeta informado, humilhado pela troika há oito dias, pode agora exultar. Quatro: O presumível crime de DSK é pouco referido. Mas como é evidente, o homem não foi preso por administrar o FMI. O puritanismo hipócrita exulta e, desta feita, a imprensa europeia está toda sentada no chá americano.

 

Luis Januário, certeiríssimo, resume o que, para já, vou pensando deste assunto.

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por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

 

 

 

 

 

rabiscos vieira

 

Passos: "Casei com África" e "sou o mais africano de todos os candidatos"

 


por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira

 

 

 


por Pedro Vieira
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Domingo, 15 de Maio de 2011
por Andrea Peniche

por Andrea Peniche
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por Sérgio Lavos

A acusação que é feita ao todo poderoso DSK, as iniciais que são uma marca, pouco me interessa. Interessa-me mais saber por que razão a notícia foi complementada pela informação de que Strauss-Khan era quem est(ava) mais bem posicionado para derrotar Nicholas Sarkozy nas presidenciais francesas. E interessa-me porque adoro quando os media aludem as conspirações políticas, com ou sem fundamento, impelidos pela aversão que personagens como o pequeno napoleão provocam. Culpado ou não, não será demasiado para pensarmos em manobras de adversários políticos? O paralelismo com Julian Assange pode ser feito, mas as acusações contra este nunca se aproximaram da que é feita ao presidente do FMI. Esperemos para ver, e seria interessante vermos confirmado uma conspiração deste calibre. Dê por onde der, lá se foi a presidência francesa. 

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por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

 

Como escreve o Miguel Serras Pereira, o Prémio Camões está de parabéns por ter escolhido Manuel António Pina. Cronista lúcido, inteligente e elegante, escritor de livros para adultos que as crianças também gostam de ler, excelente poeta. A escolha foi um desvio à monotonia habitual deste tipo de prémios de carreira, e ainda bem.

 

Arte Poética 

 

Vai pois, poema, procura

a voz literal

que desocultamente fala

sob tanta literatura.

 

Se a escutares, porém, tapa os ouvidos,

porque pela primeira vez estás sozinho.

Regressa então, se puderes, pelo caminho

das interpretações e dos sentidos.

 

Mas não olhes para trás, não olhes para trás,

ou jamais te perderás;

e teu canto, insensato, será feito

só de melancolia e de despeito.

 

E de discórdia. E todavia

sob tanto passado insepulto

o que encontraste senão tumulto,

senão de novo ressentimento e ironia?

 

Poema incluído em Os Livros, ed. Assírio & Alvim, 2003

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por Sérgio Lavos
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por Andrea Peniche

 

Às primeiras horas deste 13 de Maio, o recém criado G13 - Grupo das Treze [queers, feministas, anticapitalistas], passeou estes cartazes pelas ruas de Lisboa.

 

Recorrendo ao humor e ao confronto directo com a Igreja Católica, este grupo vem reclamar o reconhecimento do trabalho sexual e exigir para as suas e os seus profissionais protecção e direitos sociais.

 

Sempre que se fala na urgência do reconhecimento do trabalho sexual, uma espécie de caixa de Pandora se abre. Entre os argumentos mais «obreiristas», ancorados numa ética do trabalho fato-macaco, ao discurso puritano e salvífico, que apenas percebe o trabalho sexual como exploração e olha as mulheres como desgraçadinhas e vítimas, cala-se o que falta dizer: o estigma e a complacência são insuportáveis.

 

Alexandra Oliveira, investigadora da Universidade do Porto, tem trabalhado este tema e desmontado os mitos recorrentes atribuídos ao trabalho sexual. Leia aqui.

 

 


por Andrea Peniche
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por Andrea Peniche

por Andrea Peniche
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por Daniel Oliveira

Depois de duas horas e meia em que Eduardo Catroga ficou à solta, em delírio perante os jornalistas, pensava-se que Passos Coelho tinha percebido que o barato sai caro. Que comprar em saldos na loja dos trezentos do cavaquismo não tinha compensado. Mas o senhor continuou a aparecer. Na terça-feita o putativo ministro das finanças laranja comparou José Sócrates a Hitler. Não faltará, nas caixas de comentários de blogues e jornais, quem aplauda a coisa. Mas esperávamos que o PSD ainda não se tivesse transformado num hospício. No mesmo dia, disse que os partidos e os media andam a discutir "pentelhos".

 

Não sou pessoa de se chocar com tão pouco, e pelos púbicos é coisa que todos os adultos conhecem. Mas a linguagem utilizada e a profusão de declarações mais ou menos disparatadas diz qualquer coisa do estado em que o senhor Catroga se encontra. Não está, parece evidente, em condições de se envolver no confronto político.

 

O Hitler e os "pentelhos" do senhor Catroga (salvo seja) não dizem grande coisa sobre as propostas programáticas do PSD. Essas, também um pouco fora da realidade, chegam para afundar o partido sem a ajuda de ninguém. Mas a sucessão de incidentes, mais comum em partidos que vivem o desespero da derrota provável do que em partidos mais bem colocados para vencer eleições, diz muito sobre Pedro Passos Coelho. Parece evidente que o novo líder do PSD não tem mão na sua equipa, se é que se pode falar de uma equipa. Que cada um diz o que entende, quando entende, como entende. E se é assim quando ainda nem governa, imagine-se à frente dos destinos do País.

 

O PSD tinha estas eleições ganhas. A crise económica e social e as mentiras sucessivas do primeiro-ministro chegavam. Passos nem precisava de abrir a boca. Vai conseguir perde-las. E apenas por culpa própria.

 

Diz-se, sobre a política nacional, que já ninguém ganha eleições. Há apenas quem as perca. Geralmente quem está há algum tempo no governo. Desta vez pode ser diferente. Porque enquanto o PS mata o País com a crise o PSD parece estar apostado a matar o País de riso.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
por Andrea Peniche


por Andrea Peniche
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por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira

 


por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira

 

 

© rabiscos vieira

 

Finlândia apoia resgate de Portugal

 


por Pedro Vieira
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
por Bruno Sena Martins

 

Gosto de Pedro Passos Coelho, isto é, agrada-me a cortesia com que se move, a verosímil franqueza que põe no que diz (excessos de honestidade incluídos) e a pessoa que transparece ser. Isto dito, como toda a gente, tenho por claro que esta campanha será inevitavelmente marcada pelo descalabro daquele que já foi o-mais-que-certo-futuro-Primeiro-Ministro.

 

Ora, acontece que o ex-futuro-Primeiro-Ministro, além de uma agenda ultra-liberal formada na elevação a ideologia dos fretes aos amigos ricos, o ex-futuro-Primeiro-Ministro, dizia, ao longo desta campanha tem dado provas de uma manifesta incapacidade para exercer algo parecido como uma liderança, para organizar uma estrutura coerente e para se afirmar como um tecnocrata minimamente competente. Passos Coelho nem domina o partido nem é capaz de se demarcar dos amigos que escolheu para chegar ao poder: Passos Coelho presta vassalagem à mediocridade que o rodeia e da qual pouco se distingue. Sócrates é um líder nato: sendo igualmente medíocre, conseguiu pôr ao seu serviço um partido de distintos vassalos.


por Bruno Sena Martins
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por Andrea Peniche


por Andrea Peniche
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por João Rodrigues

 

Um ano depois do que só com muita ignorância ou desfaçatez ainda se designa por “ajuda”, como está a Grécia? Quebra do PIB de 4,3%, desemprego galopante, que já vai nos 14,7%, défice e dívida revistos em alta. Os efeitos perversos da austeridade não têm fim. Rumores sobre saída do euro à parte, a verdade, como afirma Paul Krugman, é que antes desse cenário, e talvez em vez dele, está, neste contexto europeu, a inevitabilidade da reestruturação da dívida para reduzir o seu fardo. É a arma das periferias para forçar um mínimo de racionalidade nesta desunião. É claro que isto vai contra a lógica da austeridade, cujo propósito é salvar o sector financeiro, os credores, evitando que tenham perdas por agora, quando ainda se está frágil devido à última crise. Duas alternativas: a ameaça da renegociação ou o conselho do economista Mark Weisbrot no New York Times: “podem ter a certeza que as autoridades europeias ofereceriam à Grécia um melhor acordo perante uma ameaça credível de saída do euro”.

 

Portugal vê-se grego. Weisbrot de novo: “Portugal acabou de concluir um acordo que prevê mais dois anos de recessão. Nenhum governo deve aceitar este tipo de punição.” Os juros anunciados para o empréstimo da UE – algures entre 5,5% e 6% – são incomportáveis. É que, segundo um estudo do próprio FMI, o esforço de consolidação orçamental em curso tem impactos recessivos fortes. No contexto mais favorável, ou seja, quando é possível desvalorizar a moeda e descer taxas de juro, por cada 1% de consolidação orçamental, o PIB cai 0,5%. Num contexto como o das periferias, em que essas opções não estão disponíveis, cada 1% austeridade tende a gerar uma quebra do PIB de 1%. A redução prevista no défice é de 6% do PIB. Façam as contas e veremos que os 4% de recessão nos próximos dois anos, seguidos de tímida recuperação, podem bem pecar por ser optimistas. Jorge Bateira já fez as contas, com pressupostos mais benevolentes, e a dinâmica de insolvência com esta engenharia neoliberal é clara.

 

Responsáveis são então aqueles que respondem com realismo à principal questão: renegociar a dívida agora, quando ainda temos alguma força económica, ou renegociar montantes, prazos e juros mais tarde quando tivermos ainda mais exauridos por anos de capitalismo de pilhagem? Promova-se uma auditoria à dívida para preparar a sua renegociação e talvez alguma racionalidade, alguma decência, alguma clarividência, surja entre estas elites políticas. Tudo o resto é incompetência, irresponsabilidade e pilhagem. Tudo o resto é a política de bloco central.


por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira

 

 

As vitórias e as derrotas nos debates fazem-se, grande parte das vezes, com truques. E sobretudo truques visuais. No debate entre Portas e Sócrates isso foi evidente. Sócrates apresentou uma pasta vazia para mostrar o programa do CDS, Portas, que foi um dos pioneiros destes números em televisão, mostrou um gráfico com o aumento da dívida pública portuguesa em comparação com a dos restantes países europeus.

 

Cabe aos comentadores e aos jornalistas fazer mais do que avaliar a performance de cada um. Devem analisar o conteúdo para lá do foguetório. E mostrar o que o foguetório esconde. Um exemplo: no colorido gráfico de Paulo Portas, em que se analisava a evolução de 2005 a 2010, faltavam vários países europeus. Dirão que não podiam lá estar todos. Mas entre os que faltavam estavam, nem mais nem menos, a Grécia e a Irlanda. Só aqueles que, tal como Portugal, ficaram em pior situação nos últimos três anos, tendo sido por isso obrigados, como nós, a aceitar uma intervenção externa. E faltavam ainda, segundo o gráfico da Eurostat que ele copiou e alterou, o Reino Unido e a Letónia. Ou seja, Portas apagou da fotografia todos os que, tendo um aumento da dívida superior a Portugal, lhe estragavam o boneco. Este truque, que torna aquele gráfico imprestável para qualquer discussão séria sobre a situação do País e da Europa, foi elogiado por quase todos os comentadores.

 

Não é um exclusivo de Paulo Portas, apesar de não ser a primeira vez que manipula gráficos em debates. O problema é outro: não haver quem faça o escrutínio dos factos apresentados.

 

Portas pode ter sido habilidoso ao escolher tão bem os países que estavam naquele gráfico. Mas a sua habilidade não faz dele um bom político, no que de mais relevante tem a função. Nem é útil para os cidadãos formarem uma opinião sobre as razões do estado em que estamos e as melhores soluções para sairmos deste buraco.

 

Imagens roubada daqui.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
por Miguel Cardina

 

O comissário europeu Olli Rehn acabou de anunciar a aprovação do programa de empréstimo a Portugal. É uma ajuda muito especial: só em juros, o país pagará 4 mil milhões de euros, sensivelmente o valor que anualmente é arrecadado em impostos às empresas, o valor correspondente ao buraco estimado do BPN ou o equivalente a 400 euros por cada português. A taxa de juro, que andará entre os 5,5% e os 6%, é considerada insustentável por muitos especialistas. E tem um evidente carácter punitivo que diz muito sobre a consistência da tal "solidariedade europeia". O próprio comissário europeu avisou que Portugal terá de fazer "esforços" mas fez questão de dizer que, dado o apoio ao programa evidenciado durante a campanha, não haverá dúvidas sobre a sua implementação após 5 de Junho. Ou seja, não só a Comissão Europeia nos veio elucidar do papel uniforme do PS-PSD-CDS neste argumento como acabou de entrar explicitamente na campanha eleitoral. Só falta destacar aqueles senhores da troika para acompanhar os comícios de cada um dos três partidos do arco da austeridade. Seria bizarro mas seria mais honesto.


por Miguel Cardina
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por Bruno Sena Martins

Nada que comova o bom do Rui Rio:

 


por Bruno Sena Martins
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por Andrea Peniche

 

Está marcada uma manifestação internacional para o próximo dia 15 de Maio, sob o lema «Democracia Verdadeira, Já! Não somos mercadoria nas mãos de políticos e banqueiros!»

Toda a informação sobre esta iniciativa pode ser encontrada aqui.

 

Queremos uma mudança e um futuro dignos!

Os estudantes, os estagiários, os trabalhadores, os desempregados, os mal remunerados, os subcontratados, os precários, os intermitentes, os reformados, os pensionistas... enfim, todos nós estamos fartos de reformas anti-sociais que nos deixam desempregados, cansados dos bancos que provocaram a crise nos subam as hipotecas ou fiquem com as nossas casas, indignados por nos imporem leis que limitam a nossa liberdade em benefício dos poderosos. Responsabilizamos os poderes políticos e económicos pela nossa situação precária e exigimos uma mudança de rumo.

 

Reiteramos que não pactuaremos com actos e atitudes de violência, xenofobia, preconceito e/ou racismo. Não nos identificamos com tais actos e atitudes e faremos todos os esforços para que este seja um protesto criativo, pacífico, e impossível de ignorar. Convidamos todos os que se sentem ultrajados pela situação actual, todos os que pensam que podemos mudar, todos os que acreditam que podem contribuir para a mudança, a juntarem-se a nós. A mudança está nas nossas mãos, nas nossas vozes, nas nossas acções. A 15 de Maio, A Rua é Nossa... Juntos, temos mais Força. Convocamos todos a sair à rua no dia 15 de Maio pela 16h, sob o lema

"Democracia Verdadeira, Já!
Não somos mercadoria nas mãos de políticos e banqueiros!".


por Andrea Peniche
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por Andrea Peniche

 

 

Era uma vez uma antiga escola primária no Porto, a escola da Fontinha, que estava abandonada há, pelo menos, cinco anos. Um grupo de pessoas (ES.COL.A – Espaço Colectivo Auto-Gestionado do Alto da Fontinha) decidiu ocupá-la, reabilitá-la, recuperar o acervo abandonado da biblioteca e desenvolver, em conjunto com a população, um projecto educativo com as crianças do bairro (aulas de inglês, história e geografia; ateliês de xadrez, guitarra e ioga). A população recebeu bem os novos inquilinos, participou nas assembleias onde se discutiu o projecto e empenhou-se naquela nova vida que a escola foi ganhando.

 

Como todas as histórias, esta também tem um carrasco. O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, não apreciou a ousadia e tratou de mandar despejar os ocupantes e acabar com essa esquerdice de desenvolver projectos sociais e educativos com as populações, de devolver os espaços públicos às pessoas. E, por isso, hoje de manhã, os ocupas foram despejados e alguns deles detidos.

 

Evidentemente que a Câmara Municipal tem justificação para o sucedido, afirmando que a acção de despejo se deveu ao facto de estarem a «desenhar um projecto específico com outras instituições da cidade» para aquele edifício, mas que apenas poderá ser revelado o seu conteúdo assim que estiver tudo delineado.

 

Eu, que já sei do que a casa gasta, vou ali buscar o meu banquinho. As promessas de Rui Rio provocam-me varizes e, por isso, o melhor é mesmo esperar sentada.

 

A Assembleia da Escola da Fontinha é hoje, às 18h30, no Largo da Fontinha.

 

Actualização: Há uma petição em defesa da manutenção do projecto ES.COL.A. Pode assiná-la aqui.


por Andrea Peniche
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por Pedro Vieira

 

 

 

 

o ah, a literatura! desta semana saboreou contos carnívoros e la coca, estreou uma rubrica e transmitiu uma reportagem seinfeld sobre a feira do livro, ou seja, uma reportagem sobre nada.


por Pedro Vieira
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por João Rodrigues

 

“‘Troika’ manda cortar salários para aumentar produtividade”. Título de antologia do DN. Alguém me consegue explicar como é que reduzir salários, de forma directa ou indirecta, por exemplo através das contribuições para a segurança social, como propõe o PSD e como concordará o PS depois de 5 de Junho, aumenta a produtividade? Os trabalhadores ficarão mais motivados e qualificados? O padrão de especialização da economia portuguesa mudará com soluções que nem sequer discriminam entre os sectores que queremos promover e os sectores que queremos desencorajar? Os patrões terão incentivos para adquirir competências organizacionais e para inovar, sabendo que estas soluções medíocres sairão sempre da cartola dos economistas do bloco central? Alguém me consegue explicar por que é que se insiste numa fraude conveniente, como se os problemas de competitividade da economia portuguesa se devessem aos custos salariais excessivos? Saberão que estamos num país onde 50% dos trabalhadores ganha até 722 euros por mês e 75% até 1104 e onde o crescimento dos salários reais tem estado alinhado com a evolução da produtividade. Lembram-se quando o próprio Vítor Constâncio afirmou que "o crescimento acumulado da taxa de câmbio real em termos de custos de trabalho relativos foi mais baixo do que a média da área do euro, em particular devido ao seu crescimento moderado desde 2003 (4.4% contra 10.9%)”? Alguém percebe por que é que Teixeira dos Santos e o governo, pelo menos desde o último Orçamento de Estado de bloco central, já só esperam que os cortes salariais no sector público contaminem o sector privado? E será que não sabem que o IVA, graças a sucessivos aumentos, já tem, em Portugal, um peso muito acima da média europeia na estrutura de impostos e no PIB – o IVA representa 8,7% do PIB e o progressivo IRS 5,8% do PIB; na zona euro a média é de 7,5% e de 7,9%, respectivamente? Alguém me consegue explicar por que é que o bloco central não fala da inserção mal conduzida num euro disfuncional, dos défices de política industrial, do poder do sector financeiro e dos grupos económicos rentistas, que controlam sectores vitais, que ninguém quer disciplinar e que impõem custos adicionais? Por que é que se insiste em transferir todos os custos para o “factor trabalho”, recuperando a tenebrosa expressão de um Cavaco que sai sempre em apoio de soluções incompetentes? Alguém me consegue explicar por que é que esta gente não lê o parecer do próprio Conselho Económico e Social, que afirma claramente que os problemas de competitividade não se resolvem desta forma porque os salários não são o nosso problema económico? Será que as decisões de política pública continuarão a ser tomadas com base em puros preconceitos ideológicos, em preconceitos de classe? 


por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira

 

É uma originalidade portuguesa: vários partidos a querem colar-se aos resultados da intervenção externa da União Europeia, BCE e FMI. Na Irlanda e na Grécia foram vistos como vergonhas nacionais. Para além da perda de soberania, que os incomoda a eles mas nos descansa a nós, todos sabiam dos efeitos catastróficos que teriam as medidas impostas. Aqui, pelo contrário, temos três partidos a celebrar a coisa e a querer aparecer como pais de tão arrepiante criatura. Ao ponto dos membros da troika, talvez um pouco baralhados com tamanho entusiasmo com a sua obra, virem explicar que o memorando é duríssimo, coisa que os seus signatários nacionais parecem não ter percebido.

 

O PS diz que o acordo é bom. Igual ao PEC IV, diz Sócrates, mentido como de costume. A sua única desvantagem parece ser o vexame internacional. De resto, excelente. O CDS também diz que ele é bom, sim senhor. Mas melhor que o PEC IV. Por isso mesmo chumbou o do governo e aprovou este. Para o PSD é ótimo, melhor que o PEC, pois claro, mas pode ainda ser mais abrangente. E por isso acrescenta-lhe mais uma privatizações, ainda mais austeridade, ainda mais desigualdade na distribuição dos sacrifícios.

 

Havendo um absoluto consenso entre todos os que não vivem em Marte de que os efeitos sociais e económicos deste acordo são devastadores, confesso que ando intrigado com a razão deste delírio coletivo, em que alguns portugueses menos avisado estarão a embarcar. Das quatro uma: os três dirigentes partidários sabem que é o acordo é mau mas PS tem de dizer que é bom porque era ele que estava de plantão nesse dia e PSD e CDS têm de dizer que é melhor do que o PEC para justificar a sua mudança de posição; acham que o acordo é mau mas, tendo que o aplicar, preferem dourar a pílula; acham que acordo é bom porque não fazem a mais pálida ideia dos seus efeitos nos próximos anos; acham que o acordo é bom porque acreditam que só se reconstruirá este País sobre as ruínas da nossa economia. Qualquer uma das possibilidades revela uma assombrosa irresponsabilidade.

 

Vamos, por uns segundos, aceitar que este acordo é inevitável. É um debate que já tive e dispenso-me de repetir argumentos. Sendo inevitável e mau, será indispensável que quem o aplica o aceite como bom? Não. Descansaria um pouco, apesar de tudo, saber que quem o vai aplicar tem consciência do que nos espera. A partir desse ponto, estariam, talvez, a procurar, dentro do pouco espaço de manobra que sobra ao governo, almofadas sociais e económicas para a recessão, desemprego e contração de salários. E, quem sabe, a preparar o momento em que o que será verdadeiramente inevitável vai chegar: a renegociação da dívida. Talvez até, sendo muito otimista, a tentar que esse momento venha a tempo de nos salvar. A procurar - talvez agora esteja a ser irrealista em relação à natureza da nossa classe dirigente - aproximações de posições com os governos da Irlanda e da Grécia. Já não estou a pedir, se reparam, resistência a este suicídio assistido. Apenas, vá lá, algum realismo em relação ao buraco em que nos estamos a enfiar para que a queda seja menos violenta.

 

Aquilo que se percebe com estas reações é que nada será feito para minorar os efeitos da aplicação deste pacote violentíssimo. Estão tão ansiosos por ficar bem na fotografia que nem se apercebem do cenário dantesco que, atrás dos seus sorrisos, aparece no retrato.

 

Publicado no Expresso Online

 

Foto de Spencer Platt, vencedora do World Press Photo de 2006, no Líbano


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
por Daniel Oliveira

 

A crise financeira e económica, associada a cobardia de uma elite política, convida ao medo. E é no meio do medo que uma outra crise ganha forma: a crise do espírito critico e da exigência dos cidadãos. É nesse ambiente que o extremismo mais irresponsável costuma conseguir impor aquilo que, em momentos de maior normalidade, nunca seria aceite por ninguém de bom senso.   

 

Não vou analisar aqui, em pormenor, o programa do PSD. Trata-se de uma extraordinária exibição de demagogia, irresponsabilidade financeira e dogmatismo ideológico. Fico-me por duas da imensa lista privatizações: à já proposta para a REN juntou-se a das Águas de Portugal. A saída destas duas empresas do setor empresarial do Estado são o retrato do extremismo da atual direção do PSD e transformariam Portugal numa originalidade internacional.

 

Nenhuma destas empresas tem ou alguma vez terá qualquer tipo de concorrência. Nenhum cidadão terá qualquer possibilidade de escolha. São monopólios naturais. Mas são monopólios naturais com especial importância estratégica: quem os detém, detém a distribuição de dois produtos absolutamente indispensáveis para os cidadãos e para empresas. Com eles, manda-se em toda a economia. Vou mais longe: com eles, manda-se no País. Mesmo o mais radical dos liberais sabe que, num País da dimensão de Portugal, estas são empresas que estão no coração da nossa soberania económica.

 

Num momento em que já não temos soberania monetária, em que perdemos a soberania financeira e em que abdicámos da soberania política, seria natural que os partidos que aceitaram o suicida memorando da troika - que terá o mesmo resultado que teve na Grécia - ao menos não dispensassem alguns instrumentos que nos defendessem nos tempos que aí vêm - a CGD teria também, neste plano, um papel central. Quando o avião ameaça cair o PSD quer aliviar o peso livrando-se dos para-quedas.

 

Perante o brutal pacote de medidas do memorando, que será pago com sangue, suor e lágrimas pelos cidadãos - sobretudo pelos mais pobres -, seria normal que o pouco poder que restará ao próximo governo servisse para contrabalançar os seus efeitos económicos e sociais. Mas o PSD, exibindo qualquer coisa que estará entre a infantilidade ideológica e o sadismo social, festeja a desgraça e acrescenta-lhe mais uns condimentos de sua autoria. E, aproveitando o momento de desespero nacional, ameaça comprometer para sempre qualquer tipo de governo nacional.

 

É nestes momentos de medo que os extremistas, cegos pelas certezas da moda, provocam mais estragos. Passos Coelho é um homem inexperiente rodeado de radicais. Talvez nos salve a sua própria inabilidade, que se pode encarregar de o transformar em mais um líder passageiro do PSD. Talvez o salve a ele o péssimo legado de José Sócrates e a incapacidade do centro-esquerda se bater pelo seu próprio património ideológico. Uma coisa é certa: Passos Coelho, sendo um líder fraco rodeado de extremistas, é, neste momento histórico que vivemos, um homem perigoso.

 

Não é preciso qualquer apelo ao voto útil. Para impedir que estes lunáticos apliquem tamanhas irresponsabilidades basta garantir que a direita não tenha maioria no Parlamento. Sem ela, esta loucura, que dificilmente poderíamos remendar depois de decidida, não passará do papel. Não pode passar.

 

Publicado no Expresso Online

 

Ilustração do Pedro Vieira


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

Não sei se terá sido boa ideia seguir a convenção do BE através das gordas do Público on-line e da sempre equilibrada cobertura do Renato Teixeira, esse grande estudioso do fenómeno Bloco de Esquerda para esta segunda década do século, no 5 Dias, mas do que perdi não reza a história, nem a deste fim-de-semana nem a das eleições que se aproximam. A verdade cruel da queda nas sondagens não desmente as palavras dos seus líderes, mas convenhamos que pedir votos ao centro e à direita me parece prenhe de um patético wishfull thinking que nem a busca de parangonas desculpa. Também não sei o que será o "extremismo radical" de que fala Louçã; referir-se-à ele aos cartazes com ovelhas negras que eram colados nas paredes de Lisboa em meados da década passada? O caminho para o centro - parece ser esse - terá de se fazer sacrificando uns quantos anciões cordeiros, percebi bem? E onde espera o BE ir conquistar votos, ao volátil povo que tanto se lhe dá votar PS ou PSD, comprovando o chavão da esquerda de que estes são partidos sem diferenças? Certamente não aos leitores do CDS, que de tropeção em tropeção de Passos Coelho lá vai trepando em direcção a uma futura e novamente respeitável coligação, reeditando a união nacional magicada pela saudosa dupla Santana-Portas, que tanto deu ao país. Para dizer a verdade, ao currículo de Passos Coelho falta uma passagem pelo comentário televisivo, mas seguramente que a sua destreza na feitura de farófias e outras iguarias doces compensa esta ausência. Até porque de ideias, estamos conversados, e gosto de imaginar os cabelos arrepiados da classe média de crédito estourado ao ouvir o líder do partido da laranja afirmando que, seriamente dado que ele é um homem sério, seriíssimo, as medidas do trio FMI não são suficientemente penalizadoras e que ainda irá mais longe do que os bondosos samaritanos da troika, privatizando até à última réstia de empresa estatal, depenando definitivamente as empresas públicas que ainda vão alimentando os cofres do Estado, a CGD e a TAP. E a RTP, claro, não esquecer, que isso de ter uma estação pública deverá ser luxo apenas dos outros, incluindo o berço do capitalismo, os EUA. Pormenores. Ideias peregrinas não faltam certamente a Coelho e à sua trupe, e sempre insistindo na panaceia da manutenção dos impostos. Haverá capelas com mais fiéis onde ir pregar, mas convenhamos que é preciso concorrer com as medidas para tornar a economia competitiva propostas pelo PS; se estes baixam o IVA do golfe e aceleram a destruição dos serviços do estado, Coelho salta mais longe, e sonha com um país dominado pela selvageria do ultraliberalismo económico. Um utópico.

 

O problema é que a contramão perigosa por onde conduzimos parece ser, por vontade da única alternativa que nos resta - uma viragem à esquerda - o caminho provável. No limite, é verdade que ser retirada a responsabilidade de governação aos nossos políticos, apesar da lamentável perda de soberania, é uma solução com o seu quê de interessante. E como ninguém parece muito interessado em bater o pé a quem manda verdadeiramente no país, animemo-nos: a diversão da viagem está mais do que garantida.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011
por João Rodrigues

Perante escolhas políticas tão insensatas, talvez seja necessário repetir o óbvio: o desemprego é involuntário.


por João Rodrigues
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por Pedro Vieira

 

 

rabiscos vieira

 

Se as eleições de 5 de Junho fossem hoje, socialistas e social-democratas poderiam sair tecnicamente empatados do sufrágio. É o que revela hoje uma sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1, Diário de Notícias e Jornal de Notícias

 


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

Eduardo Catroga disse, sem se rir, que e o memorando era melhor que o PEC IV. Porque foi o PSD que o negociou. Horas depois, apesar deste ser, ao que parece, o seu acordo (algum respeito, não se riam) Pedro Passos Coelho meteu os pés pelas mãos numa entrevista à RTP e não conseguia dizer se o apoiava ou não. Na verdade, estava a guardar-se para outro momento. Decidiu anunciar que se comprometia a aplicar este memorando no "5 para a meia-noite", um programa de humor apresentado por Nilton. Tendo em conta a anedota que se está a transformar o PSD parece-me que a escolha foi acertada. Proponho que o programa económico de Passos seja apresentado no "Preço Certo", as medidas fiscais no "Agora é que conta" e a política social nos "Malucos do Riso".

 

Já José Sócrates, quando tinha de apresentar ao País um brutal pacote de austeridade que deixará os portugueses na penúria, anunciava as medidas que não vão ser aplicadas. Em vez de se dirigir aos cidadãos, dirigiu-se ao PSD para explicar que o memorando é menos mau do que as propostas da direita. Nem num momento desta gravidade consegue deixar de pensar na tática. Mas na tática, não haja dúvida, é um profissional.

 

Estes três dias foram um excelente retratos dos dois principais candidatos ao lugar de primeiro-ministro: de um lado, um profissional do disfarce, do outro, uma piada de mau gosto.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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