Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011
por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

Sabíamos que o homem mais rico de Portugal não era rico. Era apenas um trabalhador, nas suas próprias palavras. As Finanças foram ver as contas deste humilde trabalhador - o mesmo que, ainda a crise não tinha a começado, já estava a fazer despedimentos preventivos nas suas empresas - e descobriu umas irregularidades. Quer-lhe cobrar mais 750 mil euros de IRC. E ele, claro, que é apenas um trabalhador, recusa-se a pagar.

 

Parece que os Serviços de Inspeção da Direção de Finanças de Aveiro descobriram centenas de milhões de euros em despesas pessoais na empresa Amorim Holding2. Entre elas, viagens da família a destinos turísticos, massagens, contas de mercearia e tampões higiénicos que, só não sabe quem não passou por isso, são fundamentais para o desempenho profissional de Américo Amorim. Na empresa mãe deste simples trabalhador encontrou 3,1 milhões de despesas indevidas.

 

Quero manifestar aqui a minha solidariedade com Américo Amorim. É escandaloso que, com tanta gente rica a fugir aos impostos, vão atrás da arraia miúda. E nada escapa a este espírito pidesco. É que um homem nem pode passar por dias difíceis? Diz-se que os artigos de higiene feminina que usou para fugir ao fisco são de boa qualidade quando não se sentem e não se veem. É como os impostos do senhor Amorim: ele não os sente e nós não os vemos.

 

Publicado no Expresso Online

 

 

 


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Passam hoje dez anos desde que partiu para outras paragens aquele que é considerado, pelas melhores famílias, o mais genial Beatle. Não sei, ninguém pode saber, e pouco importa. All in all, é tudo um sonho. Apenas a maravilhosa claridade da guitarra de George Harrison é real. E eterna.


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

Director Nacional da PSP admite que a polícia possa ser mais dura com aumento da contestação.


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

 

Antes de mais, devo dizer que, em geral, me incomoda o debate político que se centra nas aparências. É preguiçoso. Quem leia os mails irados que por aí circulam fica convencido que os problemas financeiros do Estado e do País resultam de motoristas, gabinetes, secretárias, carros e assessores. Infelizmente, a nossa situação é bem mais complexa do que isso. Nem todo o parque automóvel do Estado chegaria para pagar as parcerias público-privado.Nem todos os assessores ministeriais chegariam para tapar o buraco do BPN. Nem todas as reformas vitalícias pagavam a fatura dos dois submarinos que comprámos e que um dia saberemos exatamente porquê. E nem todas as cruzadas contra o despesismo dos boys laranja e rosa resolveriam o nosso endividamento externo e as razões que a ele levaram.

 

Resumindo: acho importante a moralização do comportamento dos que resolvem entregar-se ao serviço público e estranho sempre a falta de cuidado com que tratam o dinheiro que nos pertence a todos. Deve ser debatido de uma forma séria e alargada. Mas incomoda-me que demasiadas vezes isso sirva para deixar o debate político que interessa de fora dos holofotes.

 

No entanto, este governo tem-se servido de um discurso populista para justificar o seu ataque sem precedentes ao Estado Social. Lança para cá para fora os salários de apresentadores de televisão para privatizar a RTP. Lança para a comunicação social mentiras sobre as férias dos trabalhadores da Carris (dizendo que têm 30 dias de férias e omitindo que na empresa o tempo de trabalho se mede por dias corridos, correspondendo essas férias aos mesmos 22 dias dos restantes trabalhadores) para justificar a sua criminosa política de transportes. Usa o descontentamento das pessoas com o clientelismo que PSD, PS e CDS alimentaram durante décadas para justificar os negócios que anda a preparar com o que é de todos nós.

 

E avança com medidas simbólicas para a moralização do Estado que, quando são escrutinadas, percebe-se que nunca chegaram realmente a acontecer - lembram-se das férias dos deputados? Ou demasiado patéticas para sequer merecerem a nossa atenção - lembram-se do fim das gravatas no ministério da Agricultura? Tudo serve para que os debates essenciais não se façam enquanto as medidas são tomadas.

 

Quando vi Pedro Mota Soares chegar de vespa a um Conselho de Ministros achei graça. Não pelo exemplo de desapego, que me pareceria fazer pouco sentido. Mas pela falta de pompa, que me agrada. Não acho que os ministros tenham de andar de transportes públicos para ser bons ministros. Tenho pouca paciência para esse moralismo. Mas acho que daria jeito que os ministros soubessem o que são os transportes públicos e espanta-me que seja tão difícil encontrar responsáveis políticos em lugares públicos. Assim como me espanta que o estatuto das pessoas seja avaliado, neste País (e não apenas no Estado), pela cilindrada do carro que têm.

 

Acontece que, afinal, a vespa de Pedro Mota Soares era, como quase tudo neste governo, fogo de vista. Ficámos a saber que, no seu trabalho, usa um carro de 86 mil euros. Alugado por quatro anos. Não esperaria que o ministro da Solidariedade se deslocasse pelo País, com uma agenda que seguramente é carregada, numa scooter. Não me incomodaria que ele se fizesse transportar num carro confortável onde pudesse ir trabalhando enquanto viaja. Mas é indispensável que o faça num carro tão caro? Quando o seu sensível Ministério levou um corte brutal, quando se tiram prestações sociais a tanta gente que passa dificuldades inimagináveis, não seria de bom tom manter alguma parcimónia nos seus próprios gastos?

 

Podia fazer as contas de quantas prestações sociais se poderiam ter poupado com este carro. Não o faço porque não acho que seja o debate que interessa. Não o faço porque, mais uma vez, o ataque ao papel social do Estado e a sua transformação em caridade para miseráveis não se evitaria com a devolução do carro de Pedro Mota Soares. Apenas me fico por isto: quer este governo continuar a fazer populismo com os direitos dos outros, passando a ideia de que se tratam de preguiçosos a viver pendurados no Estado? Se quer, cada um dos seus ministros, secretários de Estado e assessores acabará por ser apanhado numa qualquer despesa injustificada. Porque se é nesse patamar que colocam o debate político é nesse patamar que o terão.

 

Sim, um carro de 86 mil euros para um ministro que dedica grande parte do seu tempo a tirar aos que mais necessitam apoios sociais incomoda-me. Mas se Pedro Mota Soares andasse num carro bem mais barato, de autocarro ou a pé a minha opinião sobre as medidas que está a tomar não seria diferente. E isso é que conta.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

Claro que acabou. Alguém duvida? O que é que esperavam, com líderes assim?

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por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
por Miguel Cardina

Via 5 Dias, cheago ao comunicado do "grupo de apoio legal para o 24 de Novembro" sobre a brutalidade policial e as leituras que a têm procurado justificar. Aqui fica:

 


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

 

Quem gosta verdadeiramente de futebol gosta pouco ou nada de tudo o que é lateral ao jogo. Este fim-de-semana, houve um Benfica-Sporting bem disputado, futebol aberto, com bastantes oportunidades de golo. Um jogo emocionante. Para variar, até a equipa da arbitragem esteve à altura. Dois dias depois, do que é que se fala? Dos actos de um grupo reduzido de adeptos que decide pegar fogo às cadeiras do Estádio da Luz; da caixa de segurança - relembre-se, uma estrutura usada em vários estádios na Europa, aprovada pela Liga de Clubes e pelo próprio Sporting numa visita feita em meados de Novembro; das declarações dos dirigentes. Mais uma vez, lamentável. Quem costuma ir aos estádios sabe que, em jogos grandes, há dois tipos de adeptos: os normais, que convivem nas bancadas amistosamente com adeptos de clubes rivais, e os anormais, os que vão para os topos entoar cânticos de insulto a adversários e até a clubes que não estão em campo, os que deixam um rasto de destruição a caminho do estádio, os que destroem propriedade privada quando a frustração canina da derrota lhes tolda os poucos neurónios que ainda flutuam no enorme vazio que está no lugar do cérebro, os que agridem bombeiros que se preparam para fazer o seu trabalho, colocando em risco a sua própria vida e a dos inocentes que os rodeiam

 

Há quem diga que as claques são necessárias, que trazem animação ao estádio. Não nego. Mas também é verdade que são sempre elas que provocam distúrbios antes, durante e depois das partidas. E tem de se fazer alguma coisa em relação a isto. Em Inglaterra, a solução foi simples: tratar os hooligans como indivíduos e não como parte de uma massa de pessoas. A violência nos estádios praticamente desapareceu neste país porque os adeptos violentos identificados pela polícia e pelos clubes passaram a ser proibidos de assistir a partidas de futebol. E se a violência está intrinsecamente ligada a uma claque, ao seu conjunto - como é o caso do colectivo Sporting 1143, agremiação de skinheads que se dizem fãs de futebol - ela deverá ser simplesmente erradicada dos estádios de futebol.

 

Mas há quem não entenda algo tão fácil de perceber: que a violência não faz parte do jogo, que o ódio deve ficar à porta do estádio. Os dirigentes, que deveriam dar o exemplo, também entram demasiadas vezes neste esquema, incitando directa ou indirectamente à violência. Aconteceu este fim-de-semana com o vice-presidente do Sporting, Paulo Pereira Cristovão, que mal acabou a partida veio acicatar ódios e desviar as atenções da derrota que o seu clube acabava de sofrer. Ontem, também voltou a suceder o inconcebível: um jornalista da TVI foi insultado por Pinto da Costa e agredido por elementos da empresa de segurança do Estádio do Dragão. Não é a primeira vez que um dirigente - e em particular, que Pinto da Costa - anda metido nestas brincadeiras perigosas. Haverá consequências, no plano desportivo, disciplinar ou legal? Infelizmente, sabemos que não. A impunidade é a regra no mundo do futebol. Enquanto não existir uma estrutura que seja independente dos clubes mais poderosos para julgar estes casos e leis mais penalizadoras para os autores deste tipo de actos, as coisas continuarão na mesma. 

 

Há quinze anos, um adepto sportinguista morreu num estádio de futebol atingido por um very light. O autor do disparo, um membro de uma claque benfiquista, foi julgado e condenado. Mas este tipo de objectos continua a entrar nos recintos desportivos. Os clubes não querem controlar quem vai à bola com outra intenção que não seja ver o "belo jogo". Fecham os olhos à violência fora do estádio e vão atiçando os ânimos ao longo da semana. Acontecer outra morte para que alguma coisa mude não pode ser uma opção. O futebol, o jogo jogado, tem de deixar de ser considerado apenas um pormenor no grande esquema das coisas. Se assim não for, quem perderá seremos nós, verdadeiros adeptos do que se passa ao longo de noventa minutos dentro das quatro linhas.

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por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

A actuação da polícia na última greve geral merece repúdio veemente. Assobiarmos para o ar significa ignorarmos a lei e deixarmos todo o espaço à brutalidade policial. Há indícios muito fortes da presença de polícias à paisana procurando criar tumultos junto à escadaria da Assembleia. Com particular destaque para este agente encapuçado, agridiram violentamente um indíviduo com um bastão extensível. Uma das testemunhas do facto é a deputada Ana Drago, que aqui o refere. Apesar de afirmarem que um inquérito se encontra aberto, a polícia e o governo, através do MAI, têm ajudado mais a confundir do que a clarificar o que se passou. Vale a pena, por isso, ler as perguntas que a Shyznogud faz.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

 

Elucidativo, este vídeo que não passou nas televisões (se tivesse passado é que seria surpreendente). O ministro Álvaro é a imagem deste Governo: mal preparado nas matérias sobre as quais decide e guiado por uma agenda de privatizações que se aproveita da crise para entregar empresas rentáveis a amigos e conhecidos e empresas essenciais ao bem público a baixarem o nível de qualidade dos serviços prestados devido aos cortes cegos. Uma desgraça.

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por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

Crescido numa família de melómanos e de gente irritantemente dotada para a música, fui o "patinho feio" da família. Cantava, por assim dizer, normalmente. Ou seja, com a mediocridade mediana de quase toda a gente. Tinha, no entanto, em criança, uma voz rouca que permitia que cantasse o fado de uma forma cómica, que ajudava a desenjoar os serões familiares. Acabei, por essa idade, por me especializar no género. Até perceber - felizmente a tempo para não me envergonhar em público - que o fado exigia mais e não menos talento. Só que o meu handicap familiar acabou por ter a sua utilidade: descobrir um género com poucos adeptos, à altura, no meio em que cresci. Acabei por me tornar, pelas piores razões, mas que mal faz, num apaixonado pelo fado. Desde muito cedo. Junta-se a todas as razões uma outra: o fado é a voz da cidade onde tive o privilégio de nascer e viver. Uma das mais maravilhosas cidades do mundo.

 

Quando era criança e jovem o fado tinha-se tornado num género maldito em alguns meios. Nesse tempo, quase tudo, na nossa elite intelectual, se media pela bitola política. Uma bitola bem simples: o que era bom para a ditadura era péssimo para os novos tempos. Se a trilogia "Fado, Fátima e Futebol" era o Portugal de Salazar, então só podia ser sinal de atraso e alienação. Mais por gosto pela provocação do que por qualquer elaboração intelectual, acabei por me converter a dois dos três F's (um deles tardiamente). Safei-me, apesar de tudo, das peregrinações aos arredores de Ourém. E acrescentei um "t", esse sim, ainda hoje e cada vez mais uma heresia: a tourada. Fica para outra oportunidade.

 

Na verdade, a hegemonia cultural da esquerda - num tempo em que o posicionamento político era tragicamente determinante para a construção do gosto - provocou, por reação à mitologia salazarista em torno da identidade povo português, um enorme distanciamento entre a intelectualidade nacional e a maioria dos portugueses. O povo era, aos olhos de muitos intelectuais, o de Alves Redol e das excelentes recolhas de Miguel Giacometti. No caso do fado, a sua conotação política era especialmente idiota. O fado de Lisboa, nas suas várias categorias, não tem cor definida porque, como tudo o que consegue captar a "alma" de um povo (não gosto da expressão, mas não encontro melhor), tem todas elas. Foi marialva, foi aristocrata, foi anarquista, foi marginal, foi beato. Foi, nas suas origens, mal visto pela Igreja. É natural. Não é por acaso que a primeira fadista que conseguimos identificar era uma prostituta de origem cigana.

 

O tempo passou e, felizmente, a ideologia deixou de ter o insuportável ascendente sobre a cultura. Homens como José Mário Branco, que em tempos cantaram que "o fadinho choradinho só semeia ilusões", acabaram por se transformar em empenhados criadores e produtores da redescoberta do fado. Amália Rodrigues dera os primeiros passos, ao cantar grandes escritores. Mas foi a partir dos anos 90 que o fado saiu do gueto cultural em que o queriam enfiar. O triste desaparecimento de Amália (maltratada no advento da democracia), acabou por fazer o resto. Surgiram novas vozes e novas formas de interpretar. Para horror de alguns puristas do fado, ele foi mesmo reinventado. Fadistas como Camané, Carminho, Ana Moura ou Aldina Duarte (outros escolherão outros nomes, dependendo dos seus gostos) permitiram que o fado deixasse de ter de viver na sombra de Severa, Marceneiro, Argentina Santos ou Amália.

 

A escolha, por parte da UNESCO, do fado como património imaterial da humanidade é uma excelente notícia. Não por precisarmos de qualquer reconhecimento internacional, que estranhamente parece obcecar sempre tanta gente. Nem sequer, por favor não, porque assim alimentamos uma "marca" de Portugal para o exterior. Estou cansado que tudo seja sempre reduzido a tão pouco. Apenas porque talvez esta escolha nos ajude a dividir com mais gente esta forma sublime de nos definir como povo. Porque o fado, na sua extraordinária originalidade, não se limita a ser mais um contributo para o exotismo da "world music". É único.

 

Mas a nossa satisfação com esta escolha tem de nos obrigar a pensar no que andamos a fazer. Graças à Câmara Municipal de Lisboa - através do Museu do Fado -, a Carlos do Carmo e a Rui Vieira Nery, sentimos este orgulho repentino no meio de tanta depressão. Mas num momento em que nos domina um absoluto desprezo pela criação artística e pela cultura - que já começa a raiar o insulto -, talvez seja altura de recordar de novo óbvio: nenhum povo existe sem criação cultural (o fado de Lisboa é, se tivermos como medida a nossa história como nação, recente) e sem património que se reinvente. Hoje estou feliz. Porque daremos um pouco mais do que somos ao mundo. Mas não me esqueço, nem por um segundo, do mal que estão a fazer à criação artística, ao direito à sua fruição e ao nosso património cultural. Tratada sempre como parente pobre por todos os políticos, a nossa cultura é, na verdade, a única coisa que faz de nós um povo.

 

Desculpem começar por uma nota autobiográfica, que não me é habitual. Mas também é por causa dela que hoje sinto a satisfação que sinto. No vídeo, Aldina Duarte canta "Não vou, não vou".

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Domingo, 27 de Novembro de 2011
por Bruno Sena Martins

Um Método Perigoso, 2011.

 

 

O low profile de Cronemberg convence. O high profile de keira knightley permite perceber o seu imenso crescimento no labor de representação; no entanto keira é um daqueles casos: não consigo acreditar nas personagens que encarna, estou sempre a ver a actriz em esforço (aqui e ali, vagamente maravilhado).


por Bruno Sena Martins
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por Miguel Cardina

Vale a pena ler o que Francisco Louçã escreve sobre a suja associação que o Expresso desta semana procura fazer entre João Semedo e o BPN. Não nos podemos contentar com o jornalismo de sarjeta.


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

 

Passada a parvoeira que transformou o fado num símbolo político a abater (que ainda sobrevive em algumas cabeças ignorantes), intelectuais e artistas redescobriram esta sublime expressão da cultura portuguesa. E isso foi bom para o fado. Chegaram novos compositores, arranjistas e letristas desta originalidade universal que é o fado. E novos intérpretes, de que, na minha discutível opinião, Camané e Carminho são dos melhores exemplos que nos permitem não viver na sombra de Severa, Amália ou Marceneiro. A aprovação, por parte da UNESCO, por unanimidade e quase sem debate, do fado como património imaterial da humanidade vem no tempo certo. Porque, pelo menos nesta matéria, atingimos a maturidade para fazer dele mais do que um cartão postal para a noite de um turista. Para mim, amante do fado desde que me lembro de ouvir música, é um dia feliz. Não, não é orgulho. É saber que, a partir daqui, podemos dividir com mais gente esta coisa extraordinária que sobreviveu à plastificação de todos os nossos modos de vida. O fado, com a nossa lingua, são as nossas melhores contribuições para o mundo. Bem sei que, nos dias que passam, cultura é um luxo. Pois o fado é um dos nossos melhores luxos. Fica-nos a dívida a três dos obreiros desta candidatura: Rui Vieira Nery, Carlos do Carmo e a Câmara Municipal de Lisboa, através do Museu do Fado.

 

Carminho, filmada por João Botelho, canta "Estrevi o teu nome no vento" e "Fado da Sina", que se tornou popular pela voz de Hermínia Silva e é agora cantado por Camané.


por Daniel Oliveira
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Sábado, 26 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

"Se o Sporting ganhar na Luz é o principal candidato ao campeonato." - Eduardo Barroso.

 

(Parabéns aos jogadores do Sporting, que em vantagem numérica conseguiram dar luta.)

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por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

Christine Lagarde, a senhora que se seguiu no FMI. Eu avisei.

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por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

 No fundo, é isto.

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por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Se calhar, Marques Mendes, em vez de andar preocupado com os "condicionamentos" de Mário Soares a Seguro, deveria aconselhar o seu líder espiritual e presidente da choldra a não ser uma "força de bloqueio" do Governo PSD/CDS (não que me incomodem especialmente os recados do PR ao PM). Quanto é que valerá, em termos de auto-estima do PM, cada calduço dado pelo senhor da Coelha no Coelho? 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Hoje de manhã, na Antena 1, Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna, garantiu que não havia polícias inflitrados na manifestação de ontem. Mentiu. Para além dos relatos de pessoas que lá estiveram e viram elementos à paisana a proibir fotografias, há outros que afirmam haver elementos que estavam na manifestação apenas para provocar distúrbios. Há fortes suspeitas de que o incidente que se tornou a notícia principal dos telejornais tenha sido instigado por um infiltrado, alguém que, assim que foram derrubadas as barreiras, passou do lado dos manifestantes para o dos polícias fardados. E depois há este vídeo, de um outro infiltrado a sacar de um cassetete e a espancar brutalmente um manifestante que entretanto tinha sido preso por outros polícias à paisana. O polícia que acabou por ir parar ao hospital estava neste último grupo e tudo indica que terá sido ferido pelo seu próprio colega - vê-se isso no vídeo.

 

Os sinais são evidentes: o único ministério que viu o seu orçamento reforçado foi o da Administração Interna; regularmente, saem notícias para os jornais referindo "grupos anarquistas" que ninguém sabe quem são e que acabam, estranhamente, por nunca aparecer nestas manifestações; e começam a tornar-se regra hábitos de vigilância que Portugal não via desde o tempo da PIDE e dos seus bufos. Pior do que a mentira descarada do Governo, é o destino da nossa democracia. Os seis meses de suspensão pedidos por Manuela Ferreira Leite podem vir a tornar-se reais. E mais prolongados. Quem se preocupa?

 

Adenda: o vídeo original foi apagado do Vimeo. Não gosto de teorias da conspiração, mas que é muito estranho, é. Fica a versão que está no YouTube.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

O governo avançou, ondem ao fim da manhã, com números de adesão à greve geral - que qualquer pessoa com olhos na cara percebeu que foi superior há de há um ano - na administração pública: 3,6%. O relatório dos números era hilariante, com sectores inteiros de milhares de trabalhadores e fortes níveis de sindicalização com zero grevistas(é que nem os delegados sindicais fizeram greve, meus senhores). A preocupação deste governo com a sua própria imagem é tão baixa que nem se preocupa que a sua palavra possa ser facilmente posta em causa por aqueles que, nem tendo feito greve, sabem que colegas seus a fizeram. O rating da credibilidade deste governo está como o da nossa dívida pública: no lixo. Mas quem tem, no dia da greve geral, como seu principal porta-voz, uma figura como Miguel Relvas não precisa de se esforçar para se ridicularizar.

 

Depois atualizou os números: 10%. Não sei se, de madrugada, já tinham chegado a qualquer coisa que merecesse sequer a nossa atenção. Mas tenho um conselho para o governo: da próxima vez, nomeia um grupo de trabalho - talvez dirigido por João Duque- para analisar os números da greve. Com sorte, dizem uma coisa ainda mais estapafúrdia do que diria Miguel Relvas. Tem resultado: fazer encomendas a gente com ainda menos credibilidade do que ele para ele parecer apresentável.

 

Agora mais a sério. Dizia António Aleixo que "para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade". É que nem para aldrabar esta gente tem talento.

 

Mas o governo não fica sozinho na falta de rigor e na manipulação. O jornal I fez ontem uma capa onde se lia: "Bom dia Portugal e bom trabalho". A folha de couve em que se tornou aquele jornal apelava assim à não adesão à greve. Está no seu direito. Como por lá os colunistas escrevem à borla - há quem ache, lá saberá porquê, que é isso que vale o seu trabalho -, compreende-se o ponto de vista do ativista que dirige tão singular publicação: se vendemos o trabalho gratuito dos outros como poderíamos sequer tolerar a ideia de que quem trabalha faça exigências? Talvez por isso pouca gente compre a coisa. Com capatazes assim e "empresários" do mesmo calibre (Jaime Antunes, mandatário, nas últimas eleições, de Passos Coelho em Ourém, deve ser recordista de flops editoriais) percebe-se porque este país não anda para a frente.

 

As televisões também fizeram bem o seu trabalho. Às vezes nem percebo porque tentam os governos manipular os jornalistas. Nem precisam de se dar ao trabalho. É fazer figas (ou mais do que isso) para que haja um "incidente" e está feito o noticiário de uma greve. E o argumento: a austeridade é inevitável e só arruaceiros se opõem a ela. E, para falar da greve, Miguel Relvas e o presidente da CIP fizeram as honras da casa em televisões generalistas e por cabo. Ainda assim, a greve aconteceu. Como sabe quem conhece o País fora do telejornais e dos delírios do doutor Relvas.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

O ministro da propaganda, o ominoso Relvas, reservou um lugarzinho para si no Telejornal da RTP1, logo a seguir às reportagens sobre a greve. Se isto não é uma espécie de "Conversas em Família", não sei o que possa ser. O pior é que mudamos para a SIC, controlada por uma das principais figuras do PSD, e ainda é pior: a cobertura feita na SIC-N foi vergonhosa, de uma parcialidade imbecil e perigosa. A quantidade de apartes engraçadinhos e despropositados que a principal repórter a acompanhar a manifestação ia fazendo às declarações das pessoas presentes deveria figurar num manual de mau jornalismo. Por outro lado, a histérica repórter da RTP, Rita Marrafa de Carvalho, andou a tarde toda a clamar por "tumultos", e quando finalmente aconteceram (provavelmente instigados por um infiltrado da PSP), fugiu escadarias da Assembleia acima gritando "tumultos! tumultos" e reclamando junto dos polícias por estes estarem a agredir jornalistas (e aconteceu, um fotógrafo está hospitalizado)*. A TVI acabou por fazer a cobertura mais professional e imparcial. 

 

Seja pública ou seja privada, a televisão e os seus funcionários já têm o discurso ensaiado: as medidas de austeridade são necessárias, e quem se opuser é um agitador criminoso. Os repórteres destacados para acompanhar estes acontecimentos levam o disco formatado e não conseguem sair do guião, até porque estão a ser observados pelo patrão. Entre o sensacionalismo, a incompetência e o preconceito, acabam por levar a água ao moinho de quem dirige as estações. A excepção da TVI (que tinha já acontecido em anteriores manifestações) atenua um pouco este estado de coisas. Mas o panorama geral é desolador.

 

*Eu vi em directo a polícia a dar bastonadas em tudo o que se mexia, incluindo quem não tinha nada a ver com a invasão das escadarias e jornalistas que por ali estavam. Na RTP. Curiosamente, essas imagens não passaram na reportagem do Telejornal, nem a agressão a jornalistas foi referida. Mas claro, o ministro da propaganda já estava no estúdio. Não iam querer fazer má figura, certo?

 

Adenda: a Fernanda Câncio, sem ter visto a cobertura da greve nem ter estado nas manifestações (imagino eu) indigna-se com a minha generalização sobre o trabalho dos jornalistas destacados para este tipo de reportagens. Fica-lhe bem a defesa da sua classe, mas prefiro nem sequer responder a tal indignação mal-educada. Eu sei o que vi, e posso imaginar o que está por detrás daquilo; não devemos ser ingénuos: a maioria dos repórteres que acompanhou a manifestação, de cada vez que falava com um dos manifestantes ou directamente para a câmara, espumava de ideias feitas sobre a greve e as intenções de quem ali estava. Um dos exemplos foi a repórter da SIC a insistir com um dos manifestantes, Avenida abaixo, sobre a legitimidade de estar ali e da greve, tendo em conta a situação económica do país. Mas enfim, lá está, só quem viu ontem os canais noticiosos e os telejornais é que pode saber do que eu estou a falar...


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 Bela capa a de hoje, do jornal I, a marcar a sua posição enquanto basura dos jornais portugueses, sub-produto de um sub-capitalista que adquiriu há meses a publicação com a intenção de acabar com o pagamento aos colunistas. Sintomático.


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

 

Uma imagem respigada agora mesmo do facebook da Catarina Martins.


por Miguel Cardina
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por Miguel Cardina

No Público, Maria José Oliveira e Nuno Sá Lourenço foram para a rua e lançam dois olhares madrugadores sobre a greve. O jornal i acompanha a greve minuto a minuto. O Jornal de Notícias, o Expresso e o Público apresentam infografias com os índices de adesão por sector.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

Fitch corta rating português por causa do baixo crescimento.


por Sérgio Lavos
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por Pedro Sales

"A Autoeuropa vai fazer greve? Duvido", de Henrique Raposo

 

Segue então a resposta de António Chora, aqui no Arrastão. É coordenador da Comissão de Trabalhadores que Henrique Raposo parece tanto admirar. Se a conhecesse e não falasse de cor, talvez evitasse escrever disparates:

 

"Henrique Raposo colocou no Expresso um artigo onde pergunta se os Trabalhadores da VW Autoeuropa vão ou não fazer greve." Respondendo curto e grosso: só devemos escrever sobre o que sabemos ou pensamos que sabemos. Colocar perguntas destas em forma, num artigo, com o único objectivo de enxovalhar os trabalhadores, os seus representantes e/ou apoiantes, sejam eles sindicais sejam partidários, é algo que cheira a mofo. Cheiro que não vem da idade de quem pergunta mas do passado a que se agarra. Esta é uma pergunta do atual PREC (Periodo Reaccionário Em Curso). Os trabalhadores da VW Autoeuropa não vivem numa ilha. Têm familiares desempregados, são vítimas do roubo do 13º. mês, veem ser cortadas as condições de acesso à saúde dos seus familiares, são vítimas das propostas de alteração da legislação laboral. E, por isso, amanhã [nota: este texto foi escrito ontem, dia 23 de Novembro] , tal como no ano passado, não se vai construir um carro naquela fábrica. Pouco interessa para isso que a fábrica diga que a adesão à greve é de 9 ou de 90%. É o resultado que nos interessa. É esse que mostra a disponibilidade dos trabalhadores para lutarem contra estas medidas do governo. E o resultado será que, a dia 24 de Novembro de 2011, tal como no ano anterior, dos 625 carros construídos por dia nem um será feito em dia de greve."

 

António Chora


por Pedro Sales
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por Sérgio Lavos

 

A frase é do sr. Ministro da Defesa, Aguiar Branco. A ele, e a todos os que pensam como ele, dedico esta republicação do vídeo produzido pelo Ricardo Santos Pinto. Eu não votei no PSD, nem no CDS; mas quem votou, terá votado no Passos Coelho de antes das eleições ou no de agora? Se o Primeiro-Ministro mudou de ideias, por que é que não haveremos de mudar nós?


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

O argumento mais cretino que se pode avançar contra esta greve, contra qualquer greve que seja justa, é que ela irá prejudicar as pessoas a que a ela não adiram (ver aqui o tweet de um deputado da maioria que está a levar o país ao fundo que vai nesse sentido). Como se esse não fosse o objectivo principal de uma greve, a sua razão de ser: quebrar com a rotina laboral, introduzir um elemento de perturbação na relação entre empregado e patrão; por um dia apenas, interromper o contrato firmado entre quem explora e entre quem vende a sua força de trabalho. Se tudo estivesse bem, não haveria razão para fazer greve. Mas não está, e vai piorar. Tão simples como isso. A greve geral é mais do que justa; é essencial e patriótica. 


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011
por Miguel Cardina

 

Ouvir agora mesmo Pedro Passos Coelho dizer que a sua tarefa é mobilizar os portugueses para "transformar a sociedade" é significativo. A direita que nos governa é o lobo no covil: tem sobre a política um discurso tecnocrático que desconsidera a democracia. E mostra com despudor o seu programa de destruição do Estado social e penalização dos trabalhadores: os verdadeiramente convocados para pagar a crise. Daqui a nada começa a resposta. Que tem de ser gigantesca, construtiva, decidida. É a greve.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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por Miguel Cardina

Amanhã é dia de parar o país e encher as ruas e as praças com a nossa indignação. Na sexta e no sábado é dia de rumar até ao Auditório do CIUL, no Picoas Plaza, para assistir a um colóquio que é também uma homenagem a um dos nossos mais proeminentes intelectuais de esquerda, hoje injustamente esquecido: João Martins Pereira.


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

 

 

Notícias recentes dão-nos conta que 700 trabalhadores chineses de uma fábrica de calçado desportivo, em Yucheng, que fornece a Nike e a Adidas, entraram em greve. Resistem a despedimentos e à redução dos seus já miseráveis salários. Foram, como é evidente, ferozmente reprimidos. Como se sabe, o impressionante crescimento económico da China não tem sido acompanhado por aumentos salariais proporcionais. A sua miséria serve para acumular riqueza em meia dúzia de mãos.

 

Estes trabalhadores suspeitam que se prepara uma deslocalização. Mesmo sendo trabalhadores muito baratos há ainda mais barato que eles num outro lugar do planeta. E esta "contenção salarial", como agora se chama à escravatura, é garantida por um regime totalitário que os mantém ordeiros e obedientes. Não faltará quem lhes diga que o risco que correm com esta greve, para além da prisão, é a da empresa ir mesmo embora. Que o melhor que teriam a fazer era comer e calar. Porque a vida é mesmo assim.

 

Esta greve, e tantas outras que, apesar da repressão, se vão multiplicando na China, é uma esperança para todos nós. A luta social do chineses é o que mais facilmente pode travar a competição entre países para degradar a vida dos trabalhadores. E esta competição vem sempre com uma chantagem: ou aceitam, ou vão para o desemprego. E não falta quem tente mascarar isto de justiça global. Empobrecemos para os chineses viverem melhor. Chega então o memento em que os chineses ouvem o mesmo argumento: empobrecerão para outros quaisquer viverem melhor. Até, globalmente, vivermos todos pior. Menos os que lucram com esta concorrência pela miséria.

 

Os chineses que fazem greve são também uma lição. O risco que correm, ao fazer uma greve, é incomensuravelmente maior do que aquele que corremos. Por enquanto, ainda temos o direito à greve. Podemos perder o emprego? Sim, muitos dos que estão na situação laboral que este governo sonha para todos nós - sem segurança nem contratos -, podem. Podemos perder uma promoção? Sim, podemos. É o preço que se paga pela coerência e coragem.

 

Cada um decidirá se vale a pena. Se a defesa da escola pública para os seus filhos, dos hospitais para si e para os seus pais vale o risco. Se a resistência ao assalto aos seus salários, às indeminizações por despedimento, aos subsídios de natal e de férias, às reformas para as quais descontaram e aos seus impostos vale o risco. Se o nosso futuro como comunidade e se a defesa do Estado Social que nos garantiu, apesar da nossa pobreza, uma vida um pouco mais digna (é comparar os números de há quarenta anos e de hoje) merece esta luta. Sendo certa uma coisa:se a greve de amanhã não se justifica, nenhuma outra se justificará.

 

O argumento contra a greve é sempre o mesmo. É sempre a mesma chantagem. Que ela só piorará a nossa economia. Que precisamos "é de trabalho". Aqueles que vivem à custa do nosso esforço, do nosso trabalho e dos nossos impostos contam com isso. Contam os que esperam reduções salariais - que, como se vê pela China, nunca nos permitirão competir com ninguém, porque lá no fundo do poço há sempre quem receba menos para produzir mais - para aumentar ainda mais a desigualdade no mais desigual dos países europeus. Contam os banqueiros, que fazem exigências ao governo para determinar as condições para receberem o dinheiro que os contribuintes pagarão com juros. Conta o governo, que entre a troika e os banqueiros, tem de escolher a quem cede, sem nunca passar pela cabeça ceder a quem trabalha. Porque se quem trabalha não mostra o poder que tem não tem poder nenhum. Não conta na equação de governos avençados a interesses. Governos que só se lembram de onde vem a sua legitimidade em campanhas eleitorais. Campanhas onde nos prometem o que não tencionam cumprir.

 

Na vida, nada se consegue sem luta. Tudo o que temos - do Serviço Nacional de Saúde à Escola Pública, do salário mínimo às férias e fins-de-semana - custou demasiado a muitos para desistirmos sem resistir. Foram criados porque os que vivem apenas do seu trabalho foram suficientemente corajosos para mostrar que sem eles não há paz social, não há produção, não há riqueza, não há lucro. Que eram e continuam a ser eles que criam a riqueza. De tempos em tempos isso tem de ser recordado.

 

Vivemos um momento histórico. Tudo está em causa. Os nossos direitos são tratados, por uma elite que vive numa redoma social, como privilégios. A nossa dignidade é tratada como um luxo. Não falta quem nos explique que é de cabeça baixa e em silêncio que sairemos desta crise. Cada um por si. Cada país por si, cada trabalhador por si, cada cidadão por si. Paralisados pelo medo que nos vendem em horário nobre. Nunca foi assim que nenhuma sociedade evolui.

 

A greve de amanhã não nos tirará da crise. Nem arruinará o País. Mas, se ela correr mal, é um sinal que damos. Um sinal de desistência e resignação. Na sexta-feira, se isso acontecesse, estaríamos todos mais desesperados, sozinhos e derrotados. Prontos para perder tudo o que conquistámos com muito mais esforço do que aquele que nos é pedido para esta greve. Às vezes, não trabalhar é a única forma de mostrar a quem tem poder que é do nosso trabalho que o seu poder depende. Espero, por isso, que corramos um décimo dos riscos que os trabalhadores de Yucheng correram. Pela mesma dignidade a que eles julgam ter direito. Quem falta nos momentos históricos não se pode queixar da história. Porque ela é feita por nós.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Passados três meses, a super-assessora do super-ministério do Álvaro é afastada por não estar a conseguir passar a mensagem do ministro. O seu nome: Maria de Lurdes Vale, antiga jornalista do DN (e autora de várias pérolas jornalísticas, entre as quais uma entrevista ao seu futuro patrão Álvaro). Mas a promiscuidade não fica por aqui; ainda não tinha arrefecido o lugar que ela ocupava no gabinete ministerial e já transitava para a administração do Instituto de Turismo de Portugal, um organismo público que pertence à rede de interesses que serve os boys dos partidos do "arco da governação". Nada mal. De um precário emprego na redacção de um jornal em acentuada quebra de vendas para uma super-assessoria de 5 000 euros, e daí directamente para o conselho de administração de uma empresa pública. Um percurso notável - porém, longe de ser caso único. Quem poderá duvidar das capacidades comunicativas e dos conhecimentos na área do Turismo desta super-girl para todas as estações?


por Sérgio Lavos
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por Andrea Peniche

 

Entrevista de Ricardo Alexandre a João Pedro Martins, autor do livro «Suite 605: A história secreta de centenas de empresas que cabem numa sala de 100 m2».


por Andrea Peniche
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por Sérgio Lavos

A cambada de marretas que nos governa continua apostada em fornecer material de graça aos humoristas deste país. Um bem haja para Coelho, Gaspar e Companhia; não há pão, mas pelo menos circo vamos tendo.


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

Cerca de uma centena e meia de cientistas sociais do país assinaram um manifesto de apoio à greve geral do próximo dia 24 de Novembro. Aqui fica e o texto e os respectivos signatários:

 


por Miguel Cardina
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por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira

 

Os bancos nacionais continuam a apostar forte nos depósitos a prazo para conseguir captar clientes como forma de se financiarem.


por Pedro Vieira
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