Sábado, 31 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

Um sortido rico de grandes músicas e/ou grandes vídeos dedicado a todos os colaboradores, fregueses e amigos do Arrastão. Que seja um 2012 melhor do que os Maias previram. Mesmo que seja muito pior do que as previsões do Álvaro. 

 


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011
por Miguel Cardina

 

 

Um trabalho de Nuno Oliveira. Clique aqui para ver em tamanho aumentado.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

 

O relatório da Unesco sobre o projecto de construção da barragem do Tua, no Aventar. Pronto há seis meses, até agora nenhum jornal o tinha publicado (que surpresa) e tanto o ministério do Ambiente como a secretaria de Estado da Cultura se mantêm silenciosos sobre os pormenores do mesmo. A história de uma barragem que vai produzir apenas 0.6% da energia nacional destruindo irreversivelmente a paisagem envolvente e a histórica Linha do Tua, classificada como Património Mundial pela Unesco. Para além de incontáveis hectares de terra para a produção de vinho do Porto. Tudo para que uma empresa privada (neste momento, a 100%), a EDP, possa ter um lucro de dezasseis mil milhões de euros e os seus gestores recebam os prometidos bónus. Um caso exemplar do modo como funciona a rede de interesses económicos das empresas privadas e da sua relação com os partidos do arco do poder, PSD, PS e CDS. O problema não é haver excesso de Estado, como é evidente; é o Estado funcionar como canal de financiamento de projectos privados duvidosos que prejudicam os contribuintes e enchem os bolsos dos accionistas das empresas que deles beneficiam, assim como os dos gestores, quase sempre antigos governantes ou políticos destes três partidos.

 

(Via 5 Dias.)


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

A lei das rendas tinha de mudar. Apesar de, ao contrário do que se diz, elas já não estarem congeladas há muito e de, do meu ponto de vista, a tendencial liberalização de preços não ser a melhor solução.

 

O mercado de arrendamento está há muito doente. E, como resultado dessa doença, temos a expulsão dos jovens dos centros da cidade, excesso de endividamento para a compra de casa (com efeitos letais para a nossa economia) e situações de injustiça gritante. O pecado veio de longe. E depois de décadas de congelamento das rendas - uma medida do Estado Novo para garantir salários baixos que a democracia nunca conseguiu resolver - não é fácil mudar as coisas sem riscos sociais graves.

 

O Estado podia ter começado por tomar algumas decisões prévias.

 

A primeira: colocar no mercado de arrendamento milhares de fogos que são propriedade sua, sobretudo na capital, que tivessem um efeito nos preços exorbitantes que são praticados nos novos arrendamentos.

 

A segunda: reabilitar os centros urbanos, o que, para além de ser um excelente instrumento para a dinamização da economia (volto a repetir que o papel do Estado, em tempo de crise, é o oposto do que tem tido), valorizaria os centros das cidades.

 

A terceira: penalizar fortemente, através do IMI, os proprietários de fogos devolutos. Quem não tem capacidade financeira para manter um imóvel em condições para o arrendar ou para o ocupar tem de o vender a quem o pode fazer. Quem faz especulação imobiliária com prejuízo para o resto da sociedade tem de pagar caro por isso. Em várias cidades da Europa e dos EUA os impostos sobre fogos devolutos são de tal forma penalizadores que ninguém se dá ao luxo de ter uma casa vazia. Há cerca de 700 mil fogos devolutos no País. E este é também um factor decisivo na distorção do mercado de arrendamento.

 

A quarta: criar, em grande empreendimentos, uma percentagem de casas a rendas controladas. A solução é conhecida e permite uma regulação moderada por parte do Estado. Por fim, tenho muitas dúvidas se um momento de crise profunda será o melhor para mudar a lei das rendas.

A lei das rendas é complexa e as propostas estão ainda frescas. Por isso, é arriscado dar opiniões definitivas sobre elas. Ficam as ideias gerais, sujeitas a correção futura.

 

Parece-me correto que agilize o despejo quando há incumprimento prolongado (cinco rendas sucessivas ou intervaladas no espaço de um ano parece-me demasiado, tendo em conta os problemas sociais que vivemos), mas que este não seja automático. Sem alguma segurança os senhorios ou não põem fogos no mercado ou só os arrendam a quem dê garantias à cabeça. Resultado: os mais pobres, mesmo que cumpridores, têm dificuldades acrescidas em arrendar. Parece-me inteligente que a indeminização por despejo resulte de uma média entre a proposta do senhorio e do inquilino para a atualização. Isto obriga o primeiro a não fazer uma proposta demasiado alta e o segundo a não fazer uma proposta demasiado baixa. Despejos arbitrários e de borla, como, na prática, queria a Associação dos Proprietários, seriam um convite à arbitrariedade. Deixar tudo entregue a anos de luta jurídica, com demoras que levam um senhorio que cumpra as suas obrigações e não sejam rico à penúria, parece-me um convite à irresponsabilidade. Inquilinos e senhorios são cidadãos.

 

Parece-me acertado que se criem limites à atualização tendo em conta os rendimentos das famílias (10% de taxa de esforço para famílias que recebam até 500 euros, 25% por cento para famílias que recebam entre os 2.000 mil e os 2.500 euros). Só não percebo porque não se definem limites para escalões um pouco acima disto, que dariam, ainda assim, rendas bem decentes.

 

Parece-me justo que estas regras sejam diferentes para inquilinos com mais de 65 anos ou portadores de deficiência. Parece-me errado que obras de fundo resultem numa atualização automática. Fazer obras é uma obrigação do senhorio.

 

Preferia uma solução que passasse pela tabelação de preços - que existe em vários países europeus - e não pela liberalização do mercado. Recordo que temos vários mercados fortemente regulados. O das rendas deveria ser um deles. O que não significa nem pode significar que os senhorios sejam quem garante - com prejuízo seu ou com uma degradação do edificado - um direito que cabe ao Estado garantir. Entre a lei que temos e a liberalização há um mundo de possibilidades que não foram exploradas. Nem a habitação pode ser tratada como um qualquer outro bem e serviço (é um direito), nem os senhorios são o garante do Estado Social. E muito menos, como acontece em várias zonas urbanas mais envelhecidas, podem ser os jovens arrendatários a pagar por todos os inquilinos. Porque o resultado é a opção pela compra. E ela endivida os jovens e o País.

 

Não conhecemos a lei e ainda podemos ter muitas surpresas. Fico à espera dos pormenores para ter uma opinião definitiva. Mas confesso que esperava pior. Ela vai no sentido liberalizador e não encontro soluções por parte do Estado para, nos casos que acabem mal (e muitos, tendo em conta a crise social a que assistimos, vão acabar mal), garantir o direito à habitação. Não houve a coragem para o Estado fazer a sua parte para influenciar o mercado e para garantir o óbvio: que as rendas sejam mais baixas que a prestação que pagamos ao banco quando somos proprietários de uma casa. Mas também não alinho com quem acha que a lei das rendas podia continuar como estava. O preço social que temos pago por ela é demasiado alto para assobiar para o ar.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011
por Bruno Sena Martins
A ode ao empreendedorismo sob a mistificação da 'crise como oportunidade' labora no vício neoliberal da competição individualista, do 'salve-se quem puder'. A crise é uma oportunidade, isso sim, para acabar com a lógica predatória cumprida e incitada pelo empreendimento capitalista. Uma oportunidade para a revolução. Empreendedorismo o caralho.

por Bruno Sena Martins
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por Bruno Sena Martins


por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira

 

Hoje, quinta-feira, às 18.30, no Jardim de Inverno do São Luiz, em Lisboa. A última sessão das desconferências sobre o "fim da crise". Depois do amor e do dinheiro, a política. Coordenada por este vosso criado, contará com a participação de Viriato Soromenho Marques e Pedro Marques Lopes. O encerramento cabe a Ricardo Araújo Pereira. A saúde da democracia em Portugal e na Europa no meio desta crise. É mais ou menos à volta disto que andará a discussão.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

 

 

O fim do sinal analógico e a transição para a Televisão Digital Terrestre, que começa a 12 de Janeiro e acaba a 26 de Abril, não podia calhar em pior altura. Muitos dos portugueses que não têm televisão por cabo e compraram o seu aparelho antes de 2009 - geralmente os que têm menor folga financeira, onde se incluem muitos idosos - terão de pagar um aparelho descodificador. São 77 euros mais IVA, com reembolso de 22 euros pela PT para os pensionistas com menores rendimentos e algumas pessoas mais desfavorecidas. Uma coisa chocante para os senhores da ANACOM: 55 euros é muito dinheiro para quem tenha reformas abaixo dos 300 euros ou para quem esteja desempregado. Pior: quem tenha um televisor sem tomada de interface SCART ou HDMI terá mesmo de comprar uma televisão nova ou um modulador de sinal RF, não comparticipado. E não podemos esquecer todos os que vivem nas zonas não cobertas pela TDT (cerca de 13% da população) que terão de de usar o satélite.

 

Não ponho em causa as vantagens da TDT para a modernização do sector. Mas elas não se farão sentir, de forma evidente, para a maioria dos consumidores. O sinal poderá ser melhor mas continuarão, apesar da despesa, a ter direito aos mesmíssimos quatro canais do costume.

 

Se a transição tecnológica não traz serviços novos e relevantes porque têm de ser os cidadãos a pagá-la?Parece, a quem tenha alguma noção das situações dramáticas que se vivem, no meio desta crise, por este país fora, que esta é uma despesa prioritária para as famílias? Se obrigam as pessoas a isto não seria normal darem-lhes qualquer coisa em troca? Um exemplo: se já pagamos a RTP nos nossos impostos não seria uma boa solução aproveitar as potencialidades da TDT e oferecer no pacote gratuito os restantes canais da televisão pública?Porque temos de pagar duas vezes (nos impostos e na subscrição por cabo) a mesma coisa?

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

 

A semana que antecedeu o Natal foi um ver se te avias do Governo PSD/CDS, desmultiplicando propaganda pelos meios de comunicação: foi uma grande entrevista a Passos Coelho na TV; uma pequena entrevista a Paulo Portas também na TV; inúmeras solicitações a jornais e revistas de ministros e secretários de estado, incluindo algumas entrevistas de fundo de governantes que têm passado por questões polémicas, como Paula Teixeira Cruz (ao Público). Mas quem bateu aos pontos o bombardeamento dos colegas - para alguma coisa têm de servir as centenas de boys assessores plantados nos ministérios - foi o ubíquo e profícuo Miguel Relvas. Diariamente numa televisão perto de si, em conferências de imprensa, grandes entrevistas, visitas ao telejornal da RTP... enfim, para quê ter uma estação pública para a propaganda quando as agências de comunicação e os assessores de imprensa conseguem pôr a imagem de Relvas em todos os ecrãs e primeiras capas de jornais deste país?

 

Uma das entrevistas de fundo foi dada ao Expresso por esta criatura. Esta semana, uma carta de uma leitora a desmentir a afirmação de que o ministro da Propaganda tem vida além da política. Sabemos que a miríade de lugares ocupados em empresas privadas durante um percurso na política não é caso único, mas caramba, é preciso ter alguma lata para vir dizer que "tem vida além da política". A desvergonha é tanta que tudo é feito às claras. Surpreendente foi que Portugal apenas tenha baixado um lugar no índice democrático do Economist. Estamos em plena carburação de um período de nojo nacional. É fartar, vilanagem!

 

(Via Câmara Corporativa.)


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
por Daniel Oliveira

 

 

"A Adidas estaria preparada para regressar às moedas locais". A frase é de Herbert Hainer, patrão da empresa alemã de equipamento desportivo. Claro que teve o cuidado de, logo depois, transmitir uma mensagem de otimismo. Mas a frase, impensável há uns meses, já é dita por grandes empresários em entrevistas públicas. O fim do euro já não é um absurdo inimaginável. Já não é um tabu. É uma possibilidade real. E anda muita gente a fazer contas a essa possibilidade.

 

O ano que começa no fim desta semana e o que se lhe segue decidirão o futuro deste continente. E esse futuro está pendurado no de uma moeda. Há passos que depois de serem dados não têm retorno. A União Europeia teria continuado a existir sem euro, mas depois dele ter sido criado é a União Europeia que morrerá se ele desaparecer. E se a UE morrer a Europa voltará, em plena crise, aos seus piores momentos. Todos os fantasmas do passado - que julgamos sempre, e sempre com engano, que foram ultrapassados - poderão regressar. Este pequeno continente, com demasiada história e ex-potências imperiais, não aguentará uma crise profunda em paz se cada um tratar de si.

 

Mas a Europa vive um dilema: salvar o euro sem mudar a sua arquitetura e sem democratizar a União terá o mesmíssimo efeito que deixá-lo. Se alimentarmos a ilusão que podemos salvar a moeda destruindo a economia e as democracias nacionais o fim será o mesmo, mas ainda mais destrutivo. Quem julga que pode sacrificar tudo em nome do euro não percebe o que tem de salvar ao salvar o euro. Só uma reconstrução das instituições europeias e da política económica e monetária da União poderá salvar a Europa do buraco em que se enfiou.

 

O que está em causa, neste momento, é muito mais do que a economia. É muito mais do que o modelo social europeu. É até mais do que a democracia. São 65 anos de paz. O que me espanta é que perante tamanhos perigos os povos europeus, sem exceção, insistam em eleger, um após outro, pigmeus políticos. O que me impressiona é que, sendo ainda possível travar a desgraça e havendo tanta gente consciente da sua iminência, caminhemos todos para o abismo como se a caminhada fosse inevitável.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011
por Miguel Cardina

Diz o Tiago Mota Saraiva com muita clareza e ainda mais acerto:

 

Camilo Lourenço é apenas mais um que tenta demonstrar que levámos uma “vida fácil”, neste caso, “vida de alcoólicos”.
Nos meus momentos mais bonzinhos tendo a pensar que esta visão é toldada pelas dificuldades em ver o país a partir das janelas do seu automóvel de vidros fumados. Será que Camilo Lourenço não se apercebe que a maioria contraiu empréstimos para garantir necessidades básicas, como por exemplo, a habitação? Será que não se apercebe que um empréstimo não é um favor que a banca presta, mas uma prestação de serviços? Será que não se apercebe que durante o período que classifica de bebedeira havia centenas de milhar de pensionistas que não auferiam o valor mensal mínimo para se alcoolizarem condignamente? Será que não se apercebe que a maioria dos portugueses tão ou mais qualificados que Camilo Lourenço não auferem por ano o que um banqueiro aufere por semana?

 


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

 

 

Há uma enorme indignação com a greve dos maquinistas da CP. No caso, fizeram uma greve total para impedir os processos disciplinares contra alguns dos que aderiram à greve anterior. A CP não pode ficar refém dos maquinistas, diz-se. E os maquinistas podem ficar reféns do autoritarismo da administração da CP?

 

Confesso que não me deixo de espantar com a esquizofrenia argumentativa que se instalou no nosso País. Quando se fala de leis laborais, abandona-se o discurso moral e ético. As coisas são como são e nós temos de ser competitivos. Quando se fala da dívida também só há pragmatismo. Devemos a quem devemos e eles têm a faca e o queijo na mão. Quando se fala da Europa é a lei do mais forte que conta: eles mandam e nós obedecemos. Quando se fala dos mercados não vale a pena tentar negar a realidade. Quando se fala dos trabalhadores o discurso moral aparece como por milagre. E já interessa saber não apenas o que é mas o que devia ser.

 

Vou usar a mesma lógica que parece ser aceite como indiscutível: sem maquinistas os comboios não andam. Como é uma profissão que exige especialização, não podem ser substituídos de um dia para o outro por um qualquer avençado a recibos verdes. Tudo isto dá-lhes força. E eles usam esse poder em seu favor. Não é assim que as coisas funcionam?

 

Claro que sou dos que acham que os sindicatos não devem representar corporações profissionais dentro de uma empresa. Independentemente da razão que assiste aos maquinistas, defendo um sindicalismo de classe. Ou seja, em que a solidariedade faz com que os trabalhadores, com mais ou com menos peso negocial, lutem juntos por todos os grupos profissionais de uma mesma empresa ou sector. Até porque as lutas isoladas de trabalhadores com mais peso negocial tendem a criar injustiças e desigualdades dentro de cada empresa. Mas eu tenho autoridade para o escrever.Quem defende a inevitabilidade da lei do mais forte só tem de aguentar. Não gostam da luta dos maquinistas? Aprendam a conduzir comboios.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011
por Ana Mafalda Nunes

 

 

O conceito ”boxing day” aparece em Inglaterra algures na Idade Média e das trevas . Ao 26º dia de Dezembro as classes altas encaixotavam as sobras da luxúria natalícia e doavam-nas aos criados e aos pobres. Enquanto a plebe se deleitava com a folga e os restos, os senhores celebravam o Santo dia do Estêvão e da abertura das caixas de esmolas, pavoneando-se em jogos, corridas de cavalos, caçadas, etc.

 

É certo que os tempos que mudam, fazem também mudar a aparência das tradições. Hoje nem a caridade é o que parece, nada se oferece, apenas se troca ou se vende. Nos nossos dias, é o povo quem engorda as caixas dos Senhores. A obscura origem das coisas permanece… sempre o capital, que como um polvo alastra e estende os tentáculos para fora das fronteiras de origem.

 

Na maior parte dos países anglófonos, Boxing day é sinónimo de folga, também conhecido como feriado dos bancos, o descanso da extenuante actividade de extorsão bancária. A tradição dos jogos mantém-se, é o ponto alto da liga Inglesa, do desporto milionário, que gera milhões batendo todos os recordes do ano em audiências televisivas. E é ainda o dia dos restos, que não se dão, as grandes cadeias comerciais promovem chorudos descontos, ou sob outro ponto de vista, margens de lucro menores, como chamariz para estimular o consumo e escoar os excedentes.

 

Ora, o nosso país que sofre de imunodeficiência consumista, não tardou a contrair a febre do “dia do caixote” que pode também ser “black Friday”, ainda que a data não coincida, ou como diria o papa na homilia da hipocrisia, consumerist delirium (delírio consumista). Esta tarde, a ver pelas filas para o estacionamento e pelo corrupio nas portas do castelhano corte inglês, cheguei, sarcasticamente, a questionar se teria havido uma tolerância de ponto de ultima hora, ou se teria soado a sirene do fim da crise e eu não teria escutado... afinal, tratava-se da celebração do júbilo do capital, o derradeiro culminar do consumismo barrigudo, de barbas brancas e barrete vermelho.  

 


por Ana Mafalda Nunes
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por Daniel Oliveira

"Confesse lá, leitor. Há quanto tempo queria ler uma entrevista com a hipopótamo mais famosa de Portugal? Ah, pois é. Mas só mesmo dois pesos pesados do jornalismo, como o DN e o JN, teriam coragem de a fazer. Em tempo de Natal, a Popota abriu-nos o coração. Falou da infância, dos sonhos e de televisão. Só faltou deitar-se nas palhinhas..."

 

A não perder esta grande entrevista. Publicidade imbecil e não identificada feita por pessoas com carteira profissional de jornalista. Um gajo já só encolhe os ombros. 


por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Miguel Cardina

A ler: Uma entrevista de Éric Toussaint ao Público.


por Miguel Cardina
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por Miguel Cardina

Passos Coelho na mensagem de Natal: "esforço vai valer a pena".


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

O Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) da Universidade Nova de Lisboa está, como quase todos os centros de investigação, sem dinheiro. Os cortes cegos do ministro Crato, que tanta gente parece elogiar, foi a gota de água num copo cheio de problemas antigos e começa a fazer-se sentir no mais básico dos básicos. Resultado: o sofisticado sistema de refrigeração do edifício do ITQB, fundamental para o funcionamento das máquinas ali utilizadas, não podia ser renovado depois de uma avaria dos chillers. Se nada se fizesse perder-se-iam centenas de milhares de euros em equipamento e o trabalho científico ficaria paralisado.

 

Para resolver o problema o diretor da instituição fez um apelo pouco usual aos trabalhadores: que os funcionários doassem dinheiro, tendo mesmo sugerido, talvez meio a brincar, que prescindissem da metade que restava seu subsidio de Natal e o entregassem para pagar uma despesa de manutenção que cabe ao Estado. É também para este trabalho, fundamental para o nosso desenvolvimento, e não para o BPN e para cobrir benefícios fiscais à banca, que pagamos impostos. Apesar de não serem obrigados a faze-lo, 342 doadores (na sua maioria trabalhadores, colaboradores e bolseiros) entregaram 69 mil euros ao ITQB. As funcionárias responsáveis pela lavagem de material e equipamento, que não tinham folga para isso, fizeram rifas e conseguiram mil euros.

 

Sobre este assunto, quero apenas dizer duas coisas:

 

Não é suportável para quem trabalha continuar, para além de todos os sacrifícios que já lhes são exigidos, a retirar o pouco que lhes sobra para poderem continuar a trabalhar. Não é justo que sejam os investigadores a pagar aquilo de que todos beneficiamos. Não é justo que trabalhar já seja visto como um privilégio pelo qual temos de pagar. Não é saudável que os trabalhadores deem parte do seu salário, mesmo que voluntariamente, até porque nunca saberemos como será a reação do empregador quando disseram que já não podem dar mais. Não é assim que as coisas devem funcionar.

 

Seja como for, este é mais um exemplo para mostrar quem, neste País, está disposto a tudo para nos tirar da crise. Não é a banca, que não hesita a despachar os seus fundos de pensões para o Estado e, depois disso, a receber em troca créditos fiscais, pagando ainda menos impostos do que paga. Não são as grandes empresas nacionais, como a EDP, que apesar de lucros brutais carrega, ano a após ano, ainda mais a nossa factura energética, obrigando-nos a pagar a eletricidade mais cara da Europa. Ou como a PT, que muda a data de distribuição de dividendos para não pagar impostos. Não é o governo, que no País mais desigual da Europa exige sacrifícios aos que já não têm folga e continua a encher o Estado de boys sem currículo. Os únicos patriotas são os trabalhadores, os desempregados e os reformados. Os únicos com amor suficiente ao que fazem para oferecer o que lhes pertence para tentar salvar o futuro de Portugal.

 

Num tempo em que os portugueses se dedicam à autoflagelação ou que são diariamente insultados na televisão - como se tivessem tido, nos últimos anos, uma "vida fácil" -, vale a pena recordar que não é por causa dos trabalhadores portugueses que temos problemas de produtividade. Que não é por causa do contribuinte que estamos endividados. Que não é por causa de nós que a nossa economia é ineficiente. Que não é por causa dos funcionários públicos que o Estado funciona mal. Que não é por causa dos professores que a Escola Pública está aquém do que podia ser. Que não é por causa dos médicos e enfermeiros que o Serviço Nacional de Saúde tem problemas de gestão financeira. Que não é por causa dos investigadores que não somos competitivos. Os trabalhadores do ITQB mostraram mais uma vez que os trabalhadores que temos não merecem as elites que os comandam.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Domingo, 25 de Dezembro de 2011
por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

 

Não será coincidência que, nesta época de solidariedade hipócrita e de caridadezinha cristã, quando os ricos aliviam a sua consciência pesada ofertando migalhas aos pobres, seja anunciado que a quebra na duração dos subsídios de desemprego, numa altura em que este cresce em flecha, poderá chegar aos 75%. A medida é burra e completamente errada em termos económicos. Mas é sobretudo uma afronta a quem andou anos, décadas, a contribuir para a Segurança Social, e se vê no desemprego. E é um crime, cometido em nome de uma ideologia neoliberal assassina. Não poderá haver desculpa. Espero que, mais cedo ou mais tarde, o povo demonstre a estes criminosos inspirados por ideias económicas extremistas que há limites para o delírio em que o país parece ter entrado. E seria melhor que fosse mais cedo. Antes que seja demasiado tarde.


por Sérgio Lavos
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Sábado, 24 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

‎"O Tribunal de Execução de Penas negou a Mário Machado o pedido de liberdade condicional. (...) Ao que o JN apurou, o juiz que decretou a sentença apoiou o parecer do conselho técnico - que realiza o relatório social do recluso -, que por unanimidade negou tal intenção à defesa do líder conotado com movimentos de extrema direita. O juiz fundamentou ainda a decisão com o facto de Mário Machado ter pendente um cúmulo jurídico, referente a uma condenação que ainda não transitou em julgado e também devido à ausência do pagamento da indemnização a Daniel Oliveira, num processo em que foi condenado por ameaça ao jornalista."


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

 

Sufjan Stevens lançou em 2006 aquele que será um dos melhores álbuns de Natal de sempre, "Songs for Christmas", uma caixa com cinco EP's que reúnem canções gravadas ao longo de cinco anos para oferecer a familiares e amigos nesta época. Versões de canções tradicionais e canções originais, cantadas e tocadas à maneira se Sufjan, melancólicas e delicadas, um manual para aprendizagem de um Natal alternativo. "O Come O Come Emmanuel" é uma das versões. 


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

Governo espanhol confirma mudanças na lei do aborto “para preservar a vida”. 

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por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

 

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por Miguel Cardina


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

 

O Presidente da República disse uma mentira e uma verdade. Disse que os portugueses beneficiaram do euro e tiveram uma "vida fácil". É falso. E que negligenciámos a produção de bens transacionáveis. É verdade.

 

A primeira mentira resulta da inversão entre causa e consequência. Vamos partir do princípio que a acusação de "vida fácil" não é dirigida a maioria dos portugueses. Se for o caso, o Presidente não vive no mesmo País que eu. Vamos então dar o beneficio da dúvida e achar que se refere à nossa economia. Não é verdade que a nossa economia tenha beneficiado com o euro. Pelo contrário, todos os dados económicos (é ver a balança comercial e a dívida externa a partir de 2000) demonstram o oposto: com uma moeda forte as importações foram facilitadas. Mas exportar tornou-se extraordinariamente difícil. Essa dificuldade começou, aliás, um pouco antes: com a convergência com o marco, que começou depois de Maastricht e antecedeu a adesão à nova moeda. Resultado: o País perdeu liquidez e endividou-se no exterior.

 

A aposta em bens não transacionáveis, em serviços e na distribuição de produtos importados não resulta de uma negligência dos "portugueses". As privatizações de empresas de serviços, que canalizaram enormes investimentos privados, terão ajudado à subversão das prioridades. Mas a principal razão é a que já referi: com uma moeda forte e tendo perdido um dos argumentos competitivos que as economias fracas têm, os empresários procuraram outros negócios. Se exportar é caro e importar é barato, a escolha fica fácil. Importa-se em vez de se produzir. Por cá, dedicamo-nos ao que está, apesar de tudo, menos exposto à concorrência externa, por depender mais da proximidade.

 

A verdade é esta: o euro foi mau para a nossa economia porque inverteu todas as prioridades. A "negligência" a que se referiu o Presidente resultou de escolhas empresariais racionais. E essas escolhas resultaram de uma adesão ao euro mal preparada e mal negociada.

 

Os únicos portugueses que viram a sua vida facilitada foram os que viajam para o estrangeiro e os que importam bens e serviços. Não foram uns malandros sem escrúpulos. Apenas fizeram o lógico. Ficaram a perder os exportadores e os que, produzindo para o mercado nacional, deixaram de conseguir competir com produtos importados. Mesmo as nossas empresas que se internacionalizaram fizeram-no sem incorporar produtos ou mão de obra nacional. Ou seja, sem grande vantagem para a nossa economia. Em alguns casos, como o da EDP, com desvantagens óbvias.

 

Sim, foram cometidos erros por parte dos sucessivos governos: a aposta quase exclusiva nas obras públicas (mais protegida da competição externa) e nos serviços; as privatizações feitas sem critérios de interesse nacional; a multiplicação de grandes superfícies que centralizaram a distribuição e esmagaram os produtores; ou odesinvestimento (apoiado pelo Europa) na indústria, na agricultura e nas pescas. Tudo foi feito para consumirmos importado em vez de produzirmos para exportar. Esses erros não resultam da nossa adesão ao euro. São anteriores. O euro apenas os acentuou. E neles, o ex-primeiro-ministro Cavaco Silva deu o mote para os que lhe seguiram.

 

O problema do discurso moralista sobre os portugueses e infantil sobre a economia que agora está em voga - "vida fácil", "viver a cima das nossas possibilidades" ou "viver com o que se tem" - é que não tem qualquer rigor económico. Vende uma narrativa para impor sacrifícios aos que nunca viveram com desafogo. Desta narrativa resultam falsos culpados e falsos inocentes. Os culpados são "os portugueses", que, apesar de viverem no País mais desigual da Europa, são tratados como uma massa uniforme de privilegiados e gastadores. Os inocentes são os sucessivos governantes, onde está seguramente incluído o homem que governou na nossa primeira década europeia.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011
por Miguel Cardina
O governo de direita vende o que detinha da EDP aos chineses, o PS nunca se incomodou muito em fazer negócios com os angolanos e em conviver na Internacional Socialista com Mubarak, o PCP envia condolências no momento da morte do rei comunista da Coreia do Norte. Moral da história: o capital é internacional e os internacionalistas capitulam?

por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

Aos indignados com as condolências do PCP na morte de Kim Jong-il: qual é a diferença entre a ditadura norte-coreana e a ditadura chinesa? Se agora viesse a empresa (estatal) de electricidade norte-coreana comprar a participação do Estado português na EDP, já se poderia dizer que é o normal funcionamento dos mercados e portanto o PCP estaria desculpado? Será que um partido não pode enviar uma saudação a um povo que perdeu o seu líder mas um Governo pode ceder o património do Estado a uma empresa pública de uma ditadura? E, já agora, como explicar esta venda a uma empresa com capitais 100% públicos no âmbito da política de privatizações - obrigatórias, de acordo com o credo neoliberal - deste Governo? Ah, a indignação selectiva dos nossos "liberais" - e alguns conservadores - de direita... um primor de hipocrisia. 

 

Adenda: No Blasfémias, alguém fica contentíssimo com a entrada da ditadura chinesa na economia europeia, sobretudo porque compra uma empresa em vez de financiar o diabo do "estado social". Ah, estes bravos defensores do capital são espectaculares. A democracia, a liberdade? Pormenores, grãos de areia na fantástica engrenagem neoliberal. Quem diria que o modelo chinês - um país, dois sistemas - seria o escolhido para o capitalismo do futuro?

 

Adenda 2: Os comunistas portugueses são obtusos. OK. E os chineses, serão o quê?

 

Adenda 3:  Vamos todos ignorar o "detalhe" da China "estar longe de ser uma democracia". Vamos! E a seguir, 'bora lá ignorar o "detalhe" da Coreia do Norte "estar longe de ser uma democracia" - deve haver com certeza alguma empresa pública nossa em que o Kim Jong-in esteja interessado.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Até agora, os privados detinham 78,65% e o Estado português 21,35% da EDP, empresa sem concorrência no mercado português e detentora de um sector estratégico da economia nacional. Hoje, a réstia de monopólio desse sector foi vendida a uma empresa detida a 100% pelo Estado chinês. Está certo. O mercado livre a funcionar significa, neste caso, um Estado estrangeiro - e por acaso, apenas por acaso, uma ditadura - comprar uma parte importante da nossa economia e abdicarmos da nossa soberania neste sector. Deve ser a isto que os nossos "liberais" chamam "desregulação radical"...


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

A catadupa de notícias do outro mundo não pára. Cada dia, parece que o país bate mais fundo. Hoje, é a história relatada no Correio da Manhã pelo subdirector Manuel Catarino: um mail dirigido a meia dúzia de jornalistas pelo porta-voz da PSP, Paulo Flor. Recorde-se, o mesmo que assegurou que o tal alemão anarquista era procurado pela Interpol (por falar nisso, por onde andará ele?). É preciso ler a notícia. Contado, é demasiado incrível para se acreditar.

 

" O porta-voz da Direcção Nacional da PSP, comissário Paulo Flor, enviou a meia dúzia de jornalistas amigos um amável e-mail com timbre oficial.

 

Dirige-se-lhes com a informalidade que um pingo de pudor aconselharia a evitar: "Caros amigos de jornada". Pede--lhes, em nome da PSP, o maior "destaque" à detenção de dois suspeitos do roubo e sequestro de um director da RTP, Fernando Alexandre, e do vice-presidente da Caixa, Norberto Rosa – casos tratados no CM. Não se ficou por tão pueril pedido.

 

Termina com um apelo aos "amigos de jornada". Fala-lhes ao coração: "O vosso contributo é essencial para que as medidas de coacção sejam o mais lesivas possíveis para os suspeitos". O comissário Flor, além de um atrevimento censurável, revela um entendimento canhestro sobre a função e os limites da PSP. Atreve-se, em nome da PSP, a sugerir aos "amigos de jornada" que pressionem os magistrados para prenderem os suspeitos – e desconhece que a prisão preventiva não é uma espécie de pena inicial. A PSP há-de dizer – imagino – que o porta-voz falou por sua conta e risco."

(Via Jugular)


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

Mais uma vez, o programa Combate de Blogs promove uma votação online sobre os melhores blogs do ano. Seguindo o link, dá para ver a lista prévia por categorias, dar conta da sua preferência e observar os resultados até ao momento.


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

 

O otimismo de Passos Coelho, que acha que irá a eleições em 2015 e espera por esse ano mágico para baixar os impostos; o seu conselho aos professores, para que estes emigrem (e Paulo Rangel quer a coisa organizada por uma agência de exportação de portugueses); e a fé de que as nossas exportações vão aumentar porque a crise internacional vai acabar brevemente eram um bolo a precisar de uma cereja. Na sucessão de disparates que o desnorteado primeiro-ministro nos tem oferecido, veio mais uma: daqui a vinte anos as reformas vão valer metade.

 

Primeira dúvida: em que estudo se baseou Pedro Passos Coelho para fazer esta afirmação que, como é evidente, cria angústia em milhões de cidadãos? Não sabemos. E confesso que, do que fui lendo sobre a matéria, não encontro rigorosamente nada que autorize esta previsão. Ou seja, o primeiro-ministro de Portugal faz, com um assunto tão sério e delicado, conversa de café.

 

O que Passos Coelho consegue com estas infelizes declarações é fácil de imaginar: instalar o sentimento de insegurança. Um medo que pode resultar, perante tão deprimente cenário, num aumento da fuga aos descontos para a segurança social. É que o sistema vive de uma ideia simples: pagamos as reformas de hoje porque acreditamos que pagarão as nossas no futuro. Se essa confiança se quebra com umas "bocas" irresponsáveis de um primeiro-ministro o sistema fica em risco.

 

Vem então a segunda dúvida: o que pretende o primeiro-ministro com esta declaração? Três possibilidades. Asimples: respondeu a uma pergunta de um jornalista sem pensar nas suas consequências. A absurda: Passos Coelho não se contenta em preparar os portugueses para o pior, precisa de os deprimir para as próximas décadas. Mesmo na parte que não dependerá dele e sobre a qual não tem condições para fazer previsões à distância de duas décadas. Não é apenas incapaz de apontar para um horizonte próximo de esperança. Prepara o País para décadas de miséria. A cínica: o primeiro-ministro está apostado em instalar o medo para que todas as medidas que impõe ao País pareçam inevitáveis e até excelentes, quando comparadas com o futuro que nos espera. É provável que seja um pouco das três. E todas elas são coerentes com a sucessão de declarações estapafúrdias que tem feito.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

Cairo, esta semana. Os militares não largarão o poder sem sangue. A democracia que hoje parecemos desprezar não se conquista sem muito sofrimento.


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

"O processo Portucale cujo principal arguido é o ex-dirigente do CDS, Abel Pinheiro teve origem em suspeitas de tráfico de influências tendo em vista o abate de sobreiros na herdade da Vargem Fresca, em Benavente, para a construção de um projecto turístico-imobiliário da empresa Portucale, do Grupo Espírito Santo (GES), por força de um despacho conjunto dos ministros do então Governo PSD/CDS Nobre Guedes (Ambiente), Telmo Correia (Turismo) e Costa Neves (Agricultura).


Segundo a acusação a entrada de mais de um milhão de euros nos cofres do CDS/PP ficou por explicar pela falta de documentos a comprovar a sua origem e perante recibos falsificados."


por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

 

Sobre a forma ligeira como em Portugal foi tratado o caso Javi garcia-Alan, vale a pena ler este texto do Fred  em torno do análogo britânico: 

 

 "Em Portugal, Javi Garcia terá alegadamente proferido declarações racistas (e assassinas) contra Alan e Djamal. O que se faz? Absolutamente nada, e condena-se Alan por ter falado em X vez de Y horas, debatendo-se ainda o conceito de insultos racistas reduzindo-o o mais possível. Em Inglaterra, Luís Suaréz terá feito semelhante a Evra. Abriu-se um inquérito, ouviram-se os dois jogadores em tempo útil e decidiu-se penalizar o avançado uruguaio com 8 jogos de suspensão. Não estou a dizer que a suspensão é certa ou errada, se o uruguaio realmente fez o que se alega ou não. Aliás, no seu caso até parecem existir algumas atenuantes, com declarações que lh são favoráveis por parte da própria vítima. Estou apenas a sublinhar e a louvar o facto de se ter investigado seriamente o assunto, por se considerar que o racismo é condenável e deve ser erradicado dos campos de futebol. Ao invés do que sucede em Portugal, em que se faz de conta que nada acontece, se tenta disfarçar a coisa e esperar que passe sem que ninguém se lembre. Relembro que em Inglaterra Suaréz não é o único: John Terry, capitão da selecção inglesa, também foi investigado num caso similar este ano, chegando mesmo a ser interrogado pela polícia britânica. Isto diz muito não apenas da capacidade, utilidade e competência das instituições que regulam o futebol de um e de outro país, mas sobretudo da forma como um e outro país vêem algo tão grave e condenável como o racismo." Fred, FootyElegance

 


por Bruno Sena Martins
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por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

 

O PCP enviou condolências ao povo norte-coreano pela morte de Kim Jong-il. Apesar de nunca festejar a morte de ninguém, nunca me ocorreria dirigir condolências, mesmo que apenas diplomáticas, pela morte de um ditador lunático que recebeu o seu lugar por ordem dinástica à sua principal vítima: o povo que ele oprimiu.

 

Poderá ter-se tratado de uma mera formalidade. Mas não deixa de ser extraordinário que os comunistas portugueses continuem a manter relações de amizade com um partido unifamiliar e monárquico que dirige uma das mais desvairadas ditaduras do Mundo.

 

Também daqui envio as minhas condolências ao sofrido povo norte-coreano, que conhece a miséria e o isolamento como poucos: soube que o lugar de ditador já está reservado para o filho de Kim Jong-il e neto de Kim Il-sung, o jovem Kim Jong-un, sobre o qual pouco se sabe (nem a idade) a não ser que é adepto dos Chicago Bulls. Sabendo que esta dinastia sofre de uma loucura degenerativa, que tende a piorar de geração para geração, serão mais umas décadas de trevas para aquele povo. Com a bênção do PCP.

 

No estado em que Portugal está, a esquerda precisava de uma regeneração urgente. Podíamos começar por estas idiossincrasias mais absurdas e pitorescas. Para passarmos depois para as que realmente nos interessam. É que já nem os mais ortodoxos dos militantes comunistas podem deixar de se sentir incomodados com tão arrepiantes amizades.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Dois corruptores alemães. Um ministro da Defesa grego corrompido. Um cônsul honorário em Munique corrompido. Multas pesadas para os dois responsáveis da Ferrostaal e para a empresa. Multa para o cônsul. Tudo bate certo, não é? Pois, parece que o negócio da venda dos submarinos a Portugal se fez por magia, numa transação que envolveu apenas os dois responsáveis e o cônsul. Parece que não foram Durão Barroso, primeiro-ministro à altura, e Paulo Portas, ministro da Defesa, os governantes que decidiram a compra corrupta. Parece. Os corruptores pagaram luvas mas, apesar da empresa ter acabado por ganhar o concurso, parece que os corrompidos não as chegaram a receber por cá. Parece. Isto é o país do faz-de-conta. E os inimputáveis tomaram conta de tudo.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

"A única forma de o governo dar esperança neste momento é mentindo. Gorvernantes que mentem e iludem para dar esperança foi uma das causas dos nossos actuais problemas." - Comentário do João Miranda (olha quem) apanhado num post do Blasfémias.

 

Mais um "liberal" que salta em defesa de Passos Coelho sacando do trunfo "falar verdade aos portugueses". Para o João Miranda, com amor, uma reprise do vídeo produzido pelo Aventar

 

No mesmo blogue, José Manuel Fernandes reproduz um gráfico catita com a percentagem no PIB português das remessas dos emigrantes desde 1975. Esquecendo-se que, a partir de 1978, duas coisas muito simples aconteceram: os portugueses que tinham emigrado durante o Salazarismo começaram a voltar; o país estabilizou politicamente e a economia começou a crescer, e, consequentemente, a percentagem das remessas no PIB baixou. Para além disso, imagino que José Manuel Fernandes também deva esperar que esta fornada de emigrantes tenha a bondade de enviar o dinheiro que ganham no estrangeiro para bancos portugueses. Aconselho-o a esperar sentado. O investimento que o país fez na educação destes novos emigrantes vai ter uma recompensa: eles são suficientemente inteligentes para abrirem contas e investirem nos países de acolhimento. Alguém informe o José Manuel Fernandes - e, já agora, o senhor que diz ser o nosso primeiro-ministro - desta inevitabilidade. Não é fácil, ser cretino.


por Sérgio Lavos
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