Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011
por Daniel Oliveira

A narrativa oficial já prepara as razões para o falhanço do que foi decidido ainda ontem: um dos países, que nem sequer é do euro, não assinou a alteração ao tratado e assim os mercados desconfiam. Tudo serve para não ver que o problema está no essencial e não nos pormenores. 


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

Este texto do Luís M. Jorge. Com uma especial dedicatória (minha) a alguns comentadores aqui do Arrastão. Não preciso de dizer quem são.

Para alguma coisa há-de servir lermos Júlio Dinis: sempre nos dá um retrato do Portugal caciqueiro, sabujo e vil que antes de gritar merda repara no lado de que a merda vem.

 

Assistir ao comportamento da opinião pública nestes dez ou vinte anos em que foi passando das mercearias para os blogs e dos terços a Salazar para as invectivas em economês é um exercício doloroso e acabrunhante.

 

Os que fustigaram Cavaco por ser um parolo novo-rico, autoritário e rodeado de corruptos foram os mesmos que perdoaram a Sócrates a saloiice de fatinho laroca, o despotismo e a máfia que agora ocupa os conselhos de administração dos empreiteiros.

 

Não se espere mais consciência cívica dos apoiantes deste Governo. Às suspeitas sobre ministros respondem com um assobio para o ar, ao saque dos lugares públicos com um sorriso amarelo, às incursões ansiosas nos media com um encolher de ombros, às privatizações que se preparam sabe deus como dedicam silêncios fecundos, ao abuso das polícias uns considerandos filosóficos.

 

A única ética que sensibiliza a opinião pública lusitana é a que se pratica no comentário aos jogos da Liga: os nossos filhos da puta são melhores que os filhos da puta dos outros. Eis o seu credo e o fundamento da sua razão prática.

 

Que uma democracia sobreviva e frutifique entre gente assim é um milagre. Mas os milagres não existem, não se merecem nem, como veremos, costumam ser eternos.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

Não queira saber, prezado Schmidt, quanto pagou o seu Estado para manter as nossas terras improdutivas, as nossas fábricas fechadas e os nosso barcos de pesca atracados no porto. Produzimos pouco e importamos quase tudo o que consumimos. Na realidade, o nosso Estado gasta incomensuravelmente menos do que o seu. Os nossos direitos sociais são uma anedota. Os nossos salários são miseráveis. As nossas reformas mal dão para os medicamentos e para a comida. Mas, mesmo assim, estamos endividados. Porque foi essa a vontade dos principais países europeus: pagar para consumirmos o que o meu caro Schmidt produz. Disseram então que éramos o "bom aluno europeu". E, orgulhosos, ficámos com as autoestradas, que também foram pagas por si, e com os bancos, que nos emprestaram dinheiro para continuarmos a viver.

 

Depois entrámos no euro. Uma moeda feita para si, mas não para nós. Demasiado forte e sobre a qual nada poderíamos dizer. Com uma supermoeda para uma microeconomia, as exportações tornaram-se ainda mais difíceis e as importações mais tentadoras. Não referendámos nem Maastricht, nem o euro, nem o Tratado de Lisboa. Porque não discutimos a autoridade da União e o seu prestígio, não discutimos o diretório e a sua moral, não discutimos a glória do euro e o seu dever. Somos, como disse um representante vosso na troika, "um povo bom".

 

Quando os resultados da lição que tão bem aprendemos nos explodiu nas mãos, quando nos revelámos tão vulneráveis ao abalo financeiro internacional, explicaram-nos que andámos a viver acima das nossas possibilidades. Que não produzimos o suficiente para manter um Estado Social que, não saberá o senhor Schmidt, é uma amostra daquele a que o senhor tem direito.

 

Não quero que pense que o culpo a si. Era o que mais faltava. A culpa é nossa. Seria uma conversa longa, mas a nossa afamada simpatia esconde um enorme complexo de inferioridade. Para nós, "lá fora" é um lugar mítico. E estamos convencidos que qualquer burocrata de quinta linha que nos venha dar ordens sabe, melhor do que nós, o que devemos fazer. Seremos, mais uma vez, bons alunos. Destruiremos o poucos a que temos direito, venderemos a saldo as empresas públicas que restam, afundaremos por muitas décadas a nossa economia. E a celebração das exéquias estará a cargo de uma incompetente em quem o meu caro Schmidt poderá ter votado mas que eu nunca elegi para coisa alguma. Restará ao meu País a praia e o sol, que não podem ser deslocalizados. Como vamos passar a trabalhar quase de borla, aproveite para vir cá no verão. Verá que somos gente que não se mete em confusões. Sempre pronta a servir. De bandeja na mão, pano no braço e cabeça baixa.

 

Acontece que, ao criarmos o euro, fizemos uma jura de sangue. A tragédia começa a chegar às portas de Brandenburgo. E essa parte, tenho de lhe dizer, é culpa de quem o governa a si. Teremos sido, demasiadas vezes, bons alunos. Mas somos alunos de um péssimo professor. Que, como se verá em Bruxelas, nem perante todas as evidências desiste de velhos manuais que já deveria ter rasgado. A minha desgraça será a sua desgraça. Não o digo com satisfação. Digo-o com a leve esperança de que isso sirva para o meu amigo Schmidt despedir a reitora desta escola de maus costumes. E de que nós abandonemos esta degradante postura de aluno submisso. Podemos aprender todos um pouco com isto. O seu povo, alguma humildade. O meu, algum amor próprio.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

É curioso como o regresso de José Sócrates aos jornais e à televisão se transformou na notícia do dia, relegando a "histórica" cimeira de Bruxelas para segundo plano. Em apenas dois dias fez mais pelo PS e pela oposição do que Seguro em 3 meses - arrisco dizer, mais do que este alguma vez fará. O homem pode até estar quase sempre errado*, mas não deixa de ter um apelo muito mais veemente do que o inenarrável Seguro ou o vil e apagado Coelho.

 

* Neste caso, não está; é absurdo pensar-se na inexistência de dívida pública ou externa. Apenas os países com economias fechadas (Coreia do Norte) ou primitivas (as ilhas do Pacífico, por exemplo) conseguem aproximar-se desse objectivo.

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por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Eu estava para escrever sobre a dança das cadeiras que o Governo promoveu desde que tomou posse: 3 nomeações de boys por dia, só para os gabinetes. Contas sobre os lugares ocupados em todos os organismos que dependem dos diversos Ministérios, ainda não há. O Ricardo Santos Pinto, no 5 Dias, antecipou-se e já fez um apanhado dos boys do ministério da Cinderela da lambreta que se transformou em Audi A7, o mesmo que há uns meses, no parlamento, vociferava contra a instrumentalização pelo PS do Ministério da Segurança Social. Sem vergonha, com toda a lata e despudor. Uma ofensa a todos os que estão a sofrer com os sacrifícios. Criminoso.  


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

 

Max Schrems é um estudante de direito, austríaco, de 24 anos. Por curiosidade, fez o que a nenhum de nós ocorreu:quis saber que informações tinha a empresa Facebook sobre ele, mesmo depois de ter deixado de ser membro daquela rede social. Ou seja, depois de sair da rede, o que lá tinha ficado.

 

Os seus piores receios foram largamente ultrapassados pela realidade: estava lá tudo. Depois de muitas pressões e ameaças recebeu, talvez por desleixo, diretamente da Califórnia, um CD com toda as informações que a empresa mantinha: 1.200 páginas (quando impressas) de dados pessoais, divididos por 57 categorias, recolhidos ao longo dos três anos em que esteve na rede. Como o próprio recorda, nem a CIA ou o KGB alguma vez tiveram tanta informação sobre um cidadão comum.

 

Até mensagens trocadas com outros utilizadores, que ele entretanto apagara e julgava terem desaparecido, lá estavam, guardadas na base de dados da empresa. É como se um Estado abrisse toda a correspondência dos seus cidadãos e fosse guardando todas as informações. Tudo, desde que alguma vez tenha sido referido (em público ou em mensagens privadas), podia ser encontrado. Desde a orientação sexual à participação em manifestações políticas. Basta procurar através de palavras-chave. Multipliquem isto por 800 milhões de utilizadores em todo o Mundo. E lembrem-se que a timeline recentemente criada por Zuckerberg reduziu ainda mais a privacidade destas pessoas.

 

É claro que tudo isto viola as leis europeias para bases de dados. Não seria um problema para a empresa, já que as leis americanas dão menos garantias na defesa do direito à privacidade dos cidadãos. Acontece que o Facebook tem, provavelmente para fugir aos impostos (que na Irlanda são muito "simpáticos" para as empresas), uma segunda sede em Dublin. Ou seja, pelo menos os usuários europeus estão defendidos pelas leis da União. Por isso, o jovem Max recolheu, na sua página Europe versus Facebook, 22 queixas contra a empresa e enviou-as à Autoridade Irlandesa de Proteção de Dados. E tem uma base legal sólida: nenhuma empresa pode guardar informação que foi apagada pelos seus detentores legais (que é cada um de nós). E a prova de que o faz tem Max Schrems naquele CD. Garante a empresa que terá sido um engano. O comissário irlandês para a proteção de dados está a investigar se aconteceu a extraordinária coincidência da única pessoas que conseguiu a informação armazenada sobre si ter recebido tão exaustivo material sobre a sua própria vida.

 

Diz-se, com razão, que manter uma ditadura é mais difícil na era da Internet. Basta ver a recente onda de liberdade que varreu o mundo árabe para o confirmar. A censura (recordo a Wikileaks, que também mostrou as enormes fragilidades da segurança e da privacidade na Internet) é mais difícil, assim como a manipulação política. Mas tudo tem o reverso da medalha. Se é verdade que a liberdade de expressão nunca teve tão poderoso instrumento nas mãos, as tentações securitárias também não. Nem a STASI, uma das mais meticulosas polícias políticas da história, conseguiu alguma vez saber tanto sobre os cidadãos como algumas das empresas em que parecemos depositar tanta confiança.

 

A esmagadora maioria das empresas não se regem pelo respeito pela democracia, pelos direitos cívicos ou por quaisquer valores políticos e morais. E estão dispostas a abdicar de quase tudo se o seu lucro estiver em perigo. Basta recordar como, durante demasiado tempo, a Google colaborou com a censura na China e como só a pressão de muitos "clientes" a levaram a recuar para não depositar grandes esperanças nestas multinacionais da era moderna. Não sei se alguma vez as informações que o Facebook tem sobre centenas de milhões de cidadãos serão fornecidas a Estados, anunciantes ou seguradoras. Sei que o mesmo poder que recusamos a Estados democráticos, sujeitos a leis e ao escrutínio público, temos de recusar, por maioria de razão, a qualquer empresa.


É claro que já não dispensamos o uso da Internet e das redes sociais. Mas temos de aprender a viver com elas.Obrigando estas empresas a cumprir as mesmas leis que exigimos a todos e deixando de viver na ilusão de que estes espaços públicos, detidos por empresas, são privados. Ou um dia ainda nos arrependeremos amargamente da nossa tonta boa-fé.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Há meses que se vêm multiplicando opiniões e artigos repetindo a mesma ideia: as acções de Merkel e de Sarkozy estão a levar ao fim do Euro e, na pior das hipóteses, da integração europeia. Há quem sugira até que a paz do continente, construída sobre os escombros da Segunda Guerra Mundial, também está em risco. Basta olhar para a História para se perceber que não será uma ideia completamente absurda. A ascensão de Hitler na Alemanha foi precedida por uma instabilidade política crescente na Europa e por uma crise financeira de proporções mundiais, semelhante à de 2008. A instabilidade social será cada mais acentuada e as convulsões políticas irão suceder em catadupa. Isto numa área geográfica onde continuam a existir países - a Espanha, a Itália, a Bélgica, as nações da antiga Jugoslávia - assentes em frágeis uniões políticas de povos e culturas muito diferentes. Um barril de pólvora.

 

Mas Merkel não quer saber disso. A Alemanha - e o seu superavit - vai crescendo à conta dos défices dos países em dificuldades (sobre o tema, ver este esclarecedor artigo de Paul Krugman). A crise, de natureza sistémica, alastra progressiva, inevitavelmente, sem poupar economias fortes e consolidadas. A culpa não é, definitivamente, dos PIIGs. Nem sequer das dívidas públicas ou dos défices dos Estados. As agências de notação, como Helena Garrido faz notar neste artigo, já perceberam qual a origem da doença e ameaçam baixar a classificação dos países mais ricos da UE. O problema já não é financeiro, muito menos económico. É político. Como sempre foi, de resto - a economia não é uma entidade independente da vontade dos políticos, das decisões que os Governos tomam. Não adianta colocar tecnocratas não-eleitos nos países mais facilmente controláveis. Mais cedo ou mais tarde, as contradições de um rumo errado e perigoso irão bater à porta dos seus responsáveis.

 

O problema da União Europeia é simples: Merkel e Sarkozy, estranhamente recordando alianças franco-alemãs de outras eras. Não queria ir ao ponto de comparar esta dupla com a dupla Hitler-Pétain. No fim de contas, Merkel e Sarkozy foram eleitos democraticamente (sim, eu sei que Hitler também foi). E, dentro de pouco tempo, serão os dois corridos do lugar que ocupam. Mas as semelhanças não deixam de ser extraordinárias: um líder alemão forte e um francês fraco, que capitula perante a vontade e o poder germânicos, apesar de, potencialmente, a França ser tão importante como a Alemanha no mapa mundial. Se, durante algum tempo, poder-se-ia pensar que a condução desta dupla era simplesmente incompetente, agora podemos ter a certeza que as decisões são intencionais, têm um objectivo bem definido: os bancos alemães e franceses continuam a lucrar com as crises dos periféricos e com as regras de funcionamento do BCE, que impede que os países possam obter empréstimos directos a 1%, e as economias dos dois países são robustas. Os dois pouco têm a perder, qualquer que seja o desfecho da crise: se o Euro sobreviver, acontecerá sempre sobre o diktat alemão; se a moeda única desaparecer dos países incumpridores, e ficar restringida a um núcleo duro no Norte e Centro da Europa, melhor, acabam-se os problemas com os "indisciplinados do Sul"; e, se tudo implodir, incluindo a UE, das cinzas se reerguerá uma moeda alemã fortíssima.

 

Não, não é erro, não é uma desastrosa condução da crise; é intencional, deliberado, uma jogada de génio na óptica dos interesses franco-alemães. Criminoso. Os países mais fracos já deveriam ter começado a fazer o que se impõe: recuperar a soberania e, sobretudo, o orgulho nacional. Tem de haver limites para a humilhação que um país e o seu povo podem sofrer.

 

Adenda: Este texto de Luís Menezes Leitão fez-me lembrar de alguém que deveria ter estado no meu pensamento ao escrever o post. Não esteve porque politicamente é inexistente, esta figura. Chama-se José Manuel Barroso, e parece que é presidente de um qualquer órgão importante na UE. Portanto, temos um Coelho que amocha por cá e um Cherne que se cala e anui por lá. Nunca a expressão "membro passivo" se aplicou tão bem a um país, o nosso belo Portugal.

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por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

Até que ponto somos europeus?


por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira

Quando, no dia da Greve Geral, sindicatos e manifestantes dispersos informaram da presença de agentes infiltrados na concentração em frente à Assembleia da República, a PSP e o ministro da Administração Interna desmentiram. Perante as imagens captadas por anónimos e jornalistas de um polícia à paisana a espancar um cidadão, a polícia informou que se tratava de um cidadão alemão procurado pela INTERPOL. Revelou-se uma imaginativa falsidade. Se fosse verdade seria muito grave, já que a pessoa em causa saiu em liberdade, por ordem do tribunal, no dia seguinte.

 

Saltando de mentira em mentira, o assunto foi morrendo nos jornais. Mas as imagens de vídeo e de fotografias (assim como a pesquisa das imagens de televisão transmitidas naquele dia) começam a deixar clara uma coisa muitíssimo mais grave: tudo aponta para a existência de agentes provocadores naquela manifestação. Ou seja, agentes à paisana que instigaram a atos de violência, que insultaram e provocaram os seus colegas, fazendo-se passar por manifestantes (tudo convenientemente próximo da comunicação social), e que até estiveram na primeira linha do derrube das barreiras de segurança. Ou seja, que acicataram os manifestantes mais exaltados, fazendo-se passar por seus "camaradas", e que criaram o ambiente que justificaria, de alguma forma, uma intervenção policial em direto nos canais de notícia, ofuscando assim a greve geral.

 

A confirmarem-se todas as informações documentadas por imagens que vão chegando à Internet (a polícia já confirmou que dois homens que aparecem em fotografias a envolverem-se em desacatos contra os seus colegas são agentes) isto tem de ter consequências. Como cidadão pacifico e cumpridor da lei, quero exercer a minha liberdade de manifestação, consagrada na Constituição, sem correr o risco de me ver no meio de uma guerra campal. É essa, supostamente, a função das forças de segurança. Se elas trabalham no terreno para causar os distúrbios (justificando uma intervenção que ajuda a criminalizar o protesto e ofuscar os objetivos das manifestações), elas passam a ser um factor de insegurança e de ilegalidade.

 

Claro que não acredito que aqueles agentes, a confirmar-se o que as muitas imagens que por aí circulam indiciam de forma tão esmagadora, tenha agido por mote próprio. Por isso, quero saber quatro coisas:

 

1. Se está garantida uma investigação independente - é para isto que serve a Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) - para saber quem são aqueles homens que ora aparecem a insultar e provocar polícias ora aparecem a ajudar a prender manifestantes?

 

2. Caso se confirmem as suspeitas, de onde veio a ordem para ter agentes à paisana numa manifestação com o objetivo de criar um ambiente violento naquilo que deveria ser uma manifestação pacifica?

 

3. Caso essa ordem tenha vindo da direção-geral da PSP (seria ainda mais assustador perceber que a polícia está em autogestão), o que pretende fazer o ministro com o seu diretor-geral? Deixar à frente das forças de segurança pública um agitador que espalha a desordem nas manifestações?

 

4. Caso a ordem tenha vindo da direção-geral da PSP com o conhecimento do ministro, o que pretende fazer o primeiro-ministro? Deixar no seu lugar um político apostado a criar um clima de insegurança nas manifestações e assim violar um direito constitucional?

 

Por mim, como cidadão, não desistirei deste tema até as imagens que estão disponíveis serem devidamente esclarecidas e, caso se prove o que elas indiciam, os responsáveis por este ato contra a paz social e a liberdade sejam politicamente, disciplinarmente e criminalmente punidos. E pelo menos nisto, junto-me ao Sindicato do Ministério Público e ao Bastonário da Ordem dos Advogados que exigem esclarecimentos e as devidas medidas de punição para os responsáveis.

 

Nada tenho contra a PSP. Nem contra a instituição, nem contra os seus profissionais, que também são vítimas da austeridade. Considero que a polícia, quando faz o seu trabalho, garante a nossa liberdade. Incluindo a liberdade de manifestação, impedindo que provocadores ou idiotas se aproveitem de protestos pacíficos para espalhar a violência. Mas quando a polícia serve (ou é usada pelo poder político) para criar um ambiente de medo e um clima de violência que justifique a limitação das liberdades fundamentais, não posso, como cidadão, ficar em silêncio. Nem eu, nem todos os que acreditam e defendem a democracia.

 

Do muito que está disponível, podem ver este vídeo, estas fotos e esta notícia.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Uma espécie de serviço público de propaganda proporcionado pelo seu programa preferido, o Prós e Contras, lixo televisivo pior do que a Casa dos Segredos - porque muito mais perigoso. Um combate entre o privatizador da Saúde contratado pelo PS, Correia de Campos, e o privatizador da Saúde contratado pelo PSD, Paulo Macedo. Ambos com uma impecável folha de serviços por conta de empresas privadas ligadas à área que acabaram por vir a tutelar, o primeiro no Governo Sócrates, o segundo no Governo proconsular do Coelho. Uma democracia de fachada, meus senhores, é isto. 

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por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

Via 5 dias

 


por Bruno Sena Martins
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por Bruno Sena Martins

Não sabemos exactamente quando, mas houve um momento em que o discurso do governo substituiu a convicção ideológica na austeridade pela presunção moral do castigo. Ninguém desdiz as malfeitorias de aproveitamento e esbanjamento dos sucessivos governos PS/PSD, mas há algo que deve ficar claro: Passos Coelho não tem que se arrogar a emissário de um Deus castigador, tampouco insinuar que agora cabe ao povo português sofrer pelos desmandos dos seus governantes. Agracedecemos, portanto, que o discurso do sofrimento merecido fique acoitado nas fantasias pessoais de cada qual e que não seja usado como insulto para tantos que padecem imerecidamente as consequências de uma crise que é, em larga medida, internacional e sistémica. 


por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira

 

A relação da segurança social com os trabalhadores precários é das coisas mais escandalosas a que assistimos neste País. E resume-se assim: os precários não têm direito a quase nada. Nem a subsídio de desemprego, nem a baixa. A insegurança das suas vidas é absoluta e o Estado não lhes garante nada. Mas, na hora de cobrar, não se esquece deles. Cobra-lhes os descontos que apenas servirão, se quando lá chegarem ainda existirem, para as suas miseráveis reformas. Muitas vezes cobra-lhes ainda mais do que aos trabalhadores com vinculo laboral que têm, e muito bem, direito a alguma segurança em caso de doença ou desemprego. Na realidade, segundo o novo código contributivo, o assalto será ainda maior.

 

Depois de muita insistência dos movimentos de precários e de ter dito que esses números não estavam disponíveis, o ministro Pedro Mota Soares lá cedeu. Ficámos a saber quantos trabalhadores a recibos verdes estão a braços com cobranças coercivas: cem mil. Cem mil pessoas que, na sua maioria, vivem na corda bamba, sem saber se amanhã ainda comem, sem poderem assumir compromissos ou ter filhos com o mínimo de paz de espírito, sem direito a nada do Estado, com o Estado à perna para lhes tirar a casa ou o pouco que tenham. Infelizmente, em muitos casos, não têm mesmo nada que lhes possa ser tirado.

 

O mais grave é que a esmagadora maioria destes cem mil trabalhadores não é, na realidade, fornecedor de serviços. São trabalhadores por conta de outrem roubados duas vezes. Roubados pelos seus empregadores, que para fugirem a qualquer obrigação - incluindo o pagamento da sua parte das contribuições para a segurança social -os contratam com recurso a uma ilegalidade: os falsos recibos verdes. Uma ilegalidade tolerada pelo Estado. Quando não mesmo promovida. Não é o Estado um dos principais prevaricadores, com milhares de trabalhadores a recibos verdes? Não teve o Partido Socialista um dos principais dirigentes (Vitalino Canas) como provedor pago pelos traficantes negreiros a que damos o pomposo nome de Empresas de Trabalho Temporário? E roubados depois pelo Estado, que lhes desconta no magro salário o que não lhes devolve em caso de necessidade.

 

Ou seja, o mesmo Estado que não garante nenhuma segurança a estas pessoas, que não fiscaliza as empresas e as obriga a cumprir a lei, que ele próprio a viola de forma descarada, diz "presente" quando chega a hora de cobrar o dinheiro. Sabendo que parte desse dinheiro deveria ser cobrado às empresas, não hesita em pôr estes desgraçados à beira do precipício para depois dar o empurrão final. Quanto às empresas que ficaram com o dinheiro que deviam ter descontado, continuam a sua vida e a contratar mais gente de forma ilegal. Com os precários ainda mais aflitos, com mais esta dívida imoral para pagar, talvez os possam contratar um pouco mais baratos ainda.

 

O Estado não quer saber se aquela dívida é, na realidade, daqueles trabalhadores ou se, pelo contrário, resulta de uma forma ilegal dos empregadores fugirem às suas responsabilidades. Mas ameaça com penhoras e até com a prisão as vítimas do abuso. Forte para os fracos, fraco para os fortes. É este o padrão de comportamento do Estado português. 

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Domingo, 4 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Lars Von Trier conseguiu. Outra vez. Criar um mastodonte pretensioso, caricato e obcecado com o seu próprio umbigo. Melancolia é isto, em tons sépia, como convém num filme sobre o fim do mundo - ou lá o que é -, uma obra sobre cortar os pulsos que quase nos impele a isso. Desprovido de subtilezas - mas o realizador nunca se preocupou com isso -, repetindo temas anteriores, um grito na cara do espectador com a densidade filosófica do correio sentimental da revista Maria. 

 

Em tempos, gostei de Ondas de Paixão - mas admito que, se eu o revisse, talvez mudasse de opinião. Dogville é excelente, por conseguir chegar a um nível de abstracção que o transforma num objecto que reflecte sobre a sua própria importância, um ensaio metaficcional sobre o mal e as suas consequências, uma obra conceptual sobre os limites da artificialidade e do naturalismo da representação cinematográfica. O contrário de Dogville é Melancolia: indigesto e farto, depósito de citações de pintores - Pré-Rafaelitas, Românticos alemães -, uma espécie de paródia involuntária ao cinema da contemplação metafísica - como se fosse um Malick de quinta categoria ou um Tarkovsky superficial, sem espessura - e manifesto da neurose pessoal do realizador dinamarquês. Só se safa mesmo Kirsten Dunst, que parece ter conseguido fazer melhor figura que outras mártires do cinema de Von Trier, como Björk ou Charlotte Gainsbourg (fraquíssima - o que é uma pena, tendo a conta a linhagem da qual descende).  

 

A polémica do último festival de Cannes - o elogio provocatório e infantil a Hitler - é uma nota de rodapé, perante o desastre preguiçoso e auto-contemplativo que é Melancolia. Prémio de Melhor Filme Europeu do Ano? Não quero saber quem seriam os outros concorrentes...

 

 

(Publicado inicialmente no Auto-retrato.)

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por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

"Quando os países são indisciplinados e colocam em risco outros, é natural que os que geriram bem as suas economias e emprestam dinheiro queiram receber garantias em como o que emprestam será bem utilizado. Esse governo económico que precisamos de construir na Europa é essencial para que a Europa possa ser solidária. (..) “Era bom que, aqueles que contribuíram por acção ou omissão para esta dívida e esta ilusão, tivessem a humildade de reconhecer que a culpa do que se está a passar em Portugal não é do senhor Sarkozy, nem da senhora Merkel, nem da Europa. Foi de todos quantos prosseguiram um modelo de desenvolvimento que não era realista nem ajustado nem justo.” Passos Coelho

 

Passos Coelho, ministro alemão para os assuntos portugueses, insulta o povo português com gosto reiterado. Mas devemos perdoá-lo: não conhece a história do século XX e está sinceramente convencido  que esta crise era evitável à escala da intervenção nacional. Até Merkel tem mais pudores (e neurónios). 


por Bruno Sena Martins
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por Sérgio Lavos

 

Morreu um dos grandes da minha geração, o meu preferido do Mundial que me levou a gostar de futebol, Espanha 1982. Doutor Sócrates, descanse em paz.

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por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

Finalmente, os media começam a noticiar os sérios abusos cometidos pela polícia no dia da Greve Geral, sobretudo na manifestação que desceu até ao Parlamento.

 

Hoje, o Jornal de Notícias dá voz aos protestos de João Palma, líder sindical do Ministério Público: "A confirmarem-se os agentes provocadores, é grave". E a Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados: actuação da PSP foi "vergonhosa e indigna" e "Devem ser exemplarmente punidos os comandantes policiais ou membros do Governo que permitiram essas práticas".

 

Os indícios de que terá havido ordens superiores para que agentes infiltrados fingissem provocar os seus companheiros fardados são evidentes e tanto o director da PSP, Guedes da Silva, como o ministro da tutela, Miguel Macedo, têm de responder por estes abusos.

 

(Via 5 Dias).

 

Adenda: mudei a imagem (retirada daqui) para que quem anda entretido com cortinas de fumo perceba bem o que é um agente infiltrado e provocador. Mas podem continuar a assobiar para o lado - eu é que não tenho tempo para desconversas e tonterias.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Este documentário de 2009 é uma adaptação do livro com o mesmo título da activista canadiana Naomi Klein. Uma relato da ascensão das ideias de Milton Friedman e da Escola de Economia de Chicago (inspiradas por Hayek*) em países como o Chile de Pinochet, a Argentina de Videla, a Inglaterra de Thatcher e o Iraque ocupado pelos EUA. Mais do que nunca, um filme obrigatório: temos o nosso próprio "rapaz de Chicago", Vítor Gaspar, a liderar o processo de empobrecimento do país. Um grande admirador de Friedman não pode deixar o seu legado morrer.

 

*Esta informação aparece no documentário mas não corresponde exactamente à realidade. Apesar de Hayek ter ensinado na Universidade de Chicago nos anos 60, não o fez no departamento de Economia. No entanto, é reconhecida a influência das ideias de Hayek na teoria económica de Friedman, tendo este inclusivamente citado Hayek no seu discurso de aceitação do Prémio Nobel. Encontra-se bastante bibliografia na Net sobre o tema. Este ensaio, por exemplo, ou este vídeo.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Até matar o doente. Preto no branco, claro como a água. Pedro Passos Coelho, na entrevista de ontem, não poderia ter revelado mais. As medidas de austeridade provocam recessão? É verdade. O que fazer? Repensar as medidas, atenuar o seu impacto na economia, chegar a quem mais pode pagar - a banca, os ricos, as mais valias financeiras - e fazê-los pagar mais? Não, aplicar as mesmas medidas ainda a mais gente. Começa a não ser apenas teimosia, incompetência ou ideologia: chegamos ao foro criminal. Quem, deliberadamente, leva milhões à pobreza e o país à destruição, terá de ser julgado, mais cedo ou mais tarde. Que a entrevista sirva para memória futura.


por Sérgio Lavos
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