Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

 

Duas pessoas decidem juntar-se à porta de um lugar público frequentado a distribuir folhetos. As pessoas passam, umas aceitam, outras recusam, algumas não chegam a parar. Se os folhetos forem de publicidade a uma cadeia de supermercados ou a uma loja de uma marca de luxo, essas duas pessoas poderão distribuir até ao fim a sua publicidade. O mesmo acontecerá com os distribuidores de jornais gratuitos, no meio do trânsito ou na rua. Se essas duas pessoas forem distribuir esses folhetos publicitários em frente a um Centro de Emprego, poderão fazê-lo à vontade, ninguém as incomodará. Mas se essas duas pessoas estiverem a distribuir folhetos com informação ao desempregados que entram e saem do Centro, informação sobre os seus direitos, sobre a melhor forma de se organizarem, então correrão o risco de serem identificadas pela polícia (que todos nós pagamos) e serem levadas a tribunal pelo crime de "manifestação sem a devida autorização". Isto aconteceu em Portugal, no dia 26 de Abril de 2012. A comissária Carla Duarte, porta-voz da PSP, veio dizer que um ajuntamento de duas ou mais pessoas já pode ser considerado uma manifestação. Trinta e oito anos depois de uma ditadura que proibia "ajuntamentos" por serem subversivos. Bem sabemos que à polícia muitas vezes falta bom-senso e, sobretudo, conhecimento da Constituição que é suposto defender. Mas este caso, que se soma a tantos outros acontecidos nos últimos meses, é mais um sinal de que alguma coisa insidiosamente preocupante começa a emergir neste país em plena suspensão da democracia. Porque o vulgar polícia de rua não aje desta maneira se não tiver as chefias do seu lado. E no topo da hierarquia está, uma vez mais, o ministério da Administração Interna, o único cujo orçamento foi reforçado para este ano. Miguel Macedo e o Governo PSD/CDS a que pertence sabem muito bem o que estão a fazer. Se isto não é gravíssimo e inadmissível, então começo seriamente a pensar que o limiar da decência há muito foi ultrapassado.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 29 de Abril de 2012
por Bruno Sena Martins

E a história não marcará, quem sabe?, nem um.* 


 


Parabéns, Porto. 

 

* Da 'Tabacaria', Álvaro de Campos.


por Bruno Sena Martins
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
por Daniel Oliveira

Fica aqui o texto que publiquei, hoje, no "Expresso", sobre o Miguel. Pela intensa amizade e cumplicidade pessoal, política e profissional que com ele mantive, nos últimos 22 anos, falta-me o distanciamento que consegui ler noutros, em textos muito mais claros e relevantes sobre o que foi a vida e o percurso do Miguel. Tentei, mas não consegui. Uma espécie de anestesia não me deixa. Mas era obrigatório passar para o papel (era no papel que o Miguel se entendia) o imenso carinho que tinha, que tenho, que sempre hei de ter por este ruivo que mudou, em muitas coisas, talvez em muitas mais do que ele julgava, a minha vida. Sinto falta dele, e isso impede-me de escrever com clareza. Ficam as minhas desculpas por isso. Mas, mesmo assim, tenho de deixar escrito.

 

 

 

Nada tenho a escrever sobre política. O Miguel não me perdoaria isto. Deixar passar uma semana sem me entregar ao que sei fazer. As duas coisas a que me dediquei na vida – a política e o jornalismo – fiz ao lado dele, com ele. E para ele, por pior que tudo corresse, a escrita e a política não esperavam pelos nossos estados de alma. Nessa matéria, era implacável. Mas tinha, apesar disso, uma fome de vida como nunca vi em ninguém. E desconfiava de quem só vivia para grandes causas. Como podemos nós compreender o que devemos fazer pelos outros se nada sabemos deles? Como podemos nós lutar pelo outro se ele não for mais do que uma abstração? O Miguel gostava de pessoas antes de gostar de uma ideia.

 

Não, não me preparo para um panegírico. Panegíricos fazem-se a heróis. E o Miguel não era um herói. Não era uma estátua. Sim, foi detido com 15 anos pela PIDE. Sim, foi militante comunista quando era difícil. Sim, viveu sempre dividido entre a lealdade à sua “tribo” e o imperativo de não defender aquilo em que não podia acreditar. Mas, da sua coragem, o que mais importava era o desplante. Ter organizado os primeiros concertos em Lisboa quando isto era um deserto. Ter lançado um jornal e uma revista de esquerda quando isso era impensável. Ter-se mudado para o Alentejo e para a serra algarvia para trabalhar em desenvolvimento local quando o seu “estatuto” não o obrigaria. Ter voltado ao jornalismo, várias vezes, para nos oferecer maravilhosos documentários e livros. Ser, e isso era uma das nossas muitas cumplicidades, um incurável viajante. Os seus olhos terem continuado, até ao último dia, a brilhar com cada coisa nova que descobria, com cada coisa velha que defendia. Dos seus míticos ataques de fúria passarem com a mesma inesperada rapidez com que chegavam. Com as mulheres, com os lugares, com a política, com o trabalho, com tudo, o Miguel era intenso.

 

O Miguel era irremediavelmente humano em todos os seus defeitos e qualidade. Não faço um panegírico porque o Miguel não era apenas meu camarada. Não era sobretudo meu camarada. Era meu amigo. Com fraquezas, erros, injustiças. Como com todos os amigos, que não o são apenas por hábito, claro que me zanguei tantas vezes com o Miguel como ele se terá zangado comigo. Fizemos sempre as pazes sem uma palavra, apenas voltando porque tem de ser. O tempo permite que a amizade viva com o que não precisa de ser dito. E ao fim de 22 anos de um imenso carinho, mais de metade da minha vida, onde em cada momento me aparece o seu rosto, a sua voz, o seu riso estranho e o seu desvairado otimismo, os seus defeitos passaram a ser tão indispensáveis como as suas qualidades. Parte de mim.

 

O Miguel morreu (custa escrever) indecentemente cedo. Cedo demais para toda a energia que tinha e que, até ao último minuto, nunca o abandonou. Cedo demais para todos, e éramos muitos, que dele dependiam, como se depende de uma casa que, mesmo com infiltrações, sempre foi a nossa. Mas uma coisa é certa: o Miguel teve uma vida cheia. E encheu as dos outros. E como ele não me perdoaria que não falasse de política, deixou a nossa muitíssimo mais pobre. Há pouca gente com a sua ousadia. Na política, mundo repleto de bonecos insufláveis, não há quase ninguém. Sim, talvez o País aguente todas as perdas. Talvez a esquerda supere esta. Para mim, para todos os seus amigos, é que é mais difícil tapar este buraco.

 

Publicado na eição de hoje do "Expresso"


por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

 

 

 

rabiscos vieira

 

Vítor Gaspar: “Evolução do desemprego é um estímulo para acelerar reformas estruturais”


por Pedro Vieira
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por Bruno Sena Martins

"40% dos jovens até aos 34 anos ganham menos de 600 euros"

A juventude passa com o tempo, costuma dizer-se; a precariedade, a menos que a esconjuremos, envelhecerá connosco.  


por Bruno Sena Martins
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por Pedro Vieira

 

 

 

 

hoje lança-se, 18:30, feira do livro de lisboa, espaço porto editora, independentemente do clima Assunção Vintage. 


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

 

Estive na Islândia a preparar uma reportagem para o "Expresso", que será publicada brevemente na revista. Se olharmos para os números, a Islândia nem está mal. Antes de mais, foi um exemplo de coragem. Através de dois referendos, recusou-se a pagar, com o dinheiro dos contribuintes, os desvarios dos seus bancos. Prometeram-lhes o dilúvio e o dilúvio não aconteceu. Julgou-se um ex-primeiro-ministro, que ouviu, esta semana, o verdito: inocente em três das quatro acusações. Na verdade, os próprios islandeses viam este julgamento como um processo político inconsequente. Mas prepara-se outro, inatacável e credível, para vários responsáveis por instituições financeiras.

 

A Islândia é hoje um exemplo de recuperação económica. Tem um desemprego de 7%, muito superior ao que está habituada, mas muito abaixo dos países em crise. Teve, o ano passado, um crescimento de 3%. Acima da maioria dos países europeus. Vários sectores da economia estão a saber aproveitar a queda da coroa. Tudo isto, três anos depois de ter vivido o 11º maior colapso financeiro da história mundial. Se olharmos para dimensão do País, a maior de sempre no Mundo Ocidental. Basta pensar nisto: os três bancos falidos correspondiam a oito vezes o PIB da Islândia.

 

E, no entanto, os islandeses estão furibundos. Com os banqueiros, claro. Com o anterior governo, evidente. Mas também com o atual. Com tudo o que cheire a política. Estão, pode dizer-se, depois de toda a esperança, perdidos. A principal razão é esta: as suas dívidas aos bancos. Não me alongo mais, porque as razões profundas, as contradições, a justiça e a injustiça desta revolta, poderão ler na reportagem, contadas pelos próprios. Apesar de terem visto, graças a decisões do governo e da justiça, impensáveis noutro país, as suas dívidas por empréstimo para a compra de casa reduzidas - depois do colapso tinham aumentado entre 40% e o triplo - continua a ser incomportável pagá-las. E é a dívida, e não a crise económica - que ali se sente muitíssimo menos do que aqui - que está a corroer a confiança dos islandeses nas suas instituições democráticas. Mesmo para os que, e são muitos, não as pagam há dois anos.

 

Só senti vontade de vos contar um pouco - muito pouco - da complexa situação islandesa - quase incompreensível para nós - quando li este título: "Deco recebe 15 pedidos de famílias aflitas com dívidas". O exemplo extremo da Islândia, onde as coisas atingiram, graças à deriva ultraliberal do anterior governo, proporções dantescas, e as feridas profundas que isso deixou na pacata sociedade islandesa, são uma excelente lição. A dívida tem uma natureza absolutamente diferente de todos os problemas sociais. Até em países que há muito não conhecem a pobreza e que, sejamos francos, continuam a nem a cheirar. Ela cria um ambiente de ansiedade insuportável. Mesmo quando não está a ser paga. E, mais importante do ponto de vista da saúde democrática, criam uma asfixiante sensação - a maioria das vezes é mais do que uma sensação - de perda de liberdade. É como viver com um cutelo sobre o pescoço. E ninguém é autónomo nas suas escolhas se passar uma vida à beira da morte.

 

A dívida e o desemprego são as duas mais eficazes armas sociais de destruição de uma democracia. Provocam, como a violência arbitrária e incontrolável, uma constante sensação de insegurança. Por uma questão de auto-preservação, têm de ser as duas principais prioridades de uma democracia.

O endividamento das famílias, das empresas e dos Estados tem servido para discursos simplistas, que ignoram a mutação que se operou no capitalismo desde os anos 80. Hoje, toda a economia e toda a sociedade vive para financiar a banca e os mercados financeiros em vez de acontecer o oposto. O que tem de acontecer para voltar a pôr as instituições financeiras no lugar que lhes tem de caber é global e exige uma extraordinária coragem política - aquela que nem aos islandeses está a chegar.

 

A dividocracia - socorro-me do título de um documentário sobre a Grécia - é, depois das ideologias totalitárias dos anos 30, o mais poderoso instrumento de subjugação dos cidadãos e dos Estados a poderes não eleitos. Vencer a chantagem do poder financeiro - que alimenta a dívida e se alimenta da dívida - é, neste momento, a primeira de todas as batalhas de quem se considere democrata. É aqui que se fará a trincheira de todos os combates políticos deste início de século.

 

Publicado no Expresso Online

 

Imagem minha de Reiquiavique


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012
por Bruno Sena Martins
7 anos depois, o 'quase' de Sá Pinto numa meia-final é mais grato para os sportinguistas do que o 'quase' de 'José Peseiro' numa final. No totalitarismo da sua medida, é o regime de expectativas que define as alturas do vivido.

por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

 

Desculpem se ainda não vos falo do Miguel. Há coisas que, para ficarem escritas e publicadas, precisam de tempo. Quando se trata de um amigo assim, tão importante para mim, pôr sentimentos preto no branco precisa de algum tempo. Será, talvez, na edição do Expresso. Tenho o texto aqui, já escrito, a ganhar coragem.

 

Acomodo-me então ao comentário da atualidade. E quero defender um homem que nunca foi da minha cor política. Em quem nunca votei e que a única vez que apoiei, era felizmente demasiado novo para me custar o que, na altura, sei que me custaria. Com Manuel Alegre e dezenas militares de Abril, Mário Soares não foi às comemorações oficiais do 25 de Abril.

 

Lá esteve Passos Coelho. Que usou, com todo o direito, porque o cravo não tem dono, uma flor ao peito. Digo uma flor, porque, na lapela do exterminador do Estado Social e da nossa soberania democrática, não pode ser mais do que isso. Como a bandeirinha que os ministros usam sempre que se vergam perante a senhora Merkel ou pedem aos jovens para emigrar. Sabemos que há símbolos que são tão mais necessários para quem os usa quanto menos sentido fazem. Lá esteve Cavaco Silva, a falar da imagem do País no exterior, como quem faz o papel de relações públicas de uma marca ou de uma banda pop. A falta de memória política e a profunda ignorância histórica do Presidente, que o torna incapaz de perceber o significado de cada data, seja ela o 25 de Abril ou, como um dia lhe chamou, o "dia da raça", já perderam a capacidade de me incomodar.

 

Mário Soares, com outros, não esteve lá. Logo surgiram algumas almas incomodadas pela falta de sentido de Estado do antigo Presidente da República. Por não respeitar as instituições e a data. É o contrário. Soares não é deputado. Como os militares de Abril, não ia falar naquela cerimónia. Como eles, a sua presença ou a sua ausência eram a única forma de expressarem revolta por o que a maioria eleita está a fazer a este País. Com este gesto, não põe em causa a democracia. O Parlamento lá está, com toda a legitimidade. Não precisa da sua bênção. Mas o 25 de Abril não é uma data sem conteúdo político. Exatamente: não é o 10 de Junho. Tem um significado. Sobretudo para aqueles que, como Soares, Alegre, os militares de Abril e tantos outros, nele tiveram um papel ativo. E há momentos em que escolhemos com quem os celebramos. E em que celebrá-los com quem tem pelos valores do 25 de Abril um evidente desprezo pode ser insuportável.

 

Mário Soares e Manuel Alegre fizeram o que lhes competia: em nome próprio, disseram o que tinham a dizer sobre a destruição deste país. Sem terem de abrir a boca. Os militares de Abril fizeram o que lhes competia: sem usarem o seu estatuto de militares, respeitando, como respeitaram desde que voltaram, por vontade própria, para os quartéis, deixaram claro que não se sentiam bem na companhia deste governo. E explicaram porquê.

Bem sei que há muita gente que gostaria de ver o 25 de Abril transformado numa data vazia. Ainda não é. Ainda muitos se lembram ou, não se lembrando, lhe dão um sentido mais profundo do que o golpe de Estado que fez cair a ditadura. Terão de esperar mais um pouco para que seja indiferente como e com quem se celebra este momento.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
por Bruno Sena Martins

"Activistas do movimento Es.Col.A reocuparam a Escola da Fontinha, no Porto, cerca das 17h45 desta quarta-feira."

 


por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira

O velório do Miguel terá lugar no Palácio Galveias este sábado, às 15h. No domingo realiza-se uma sessão evocativa no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, com início às 14h30.


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
por Miguel Cardina

 

(Fotos de Paulete Matos)


por Miguel Cardina
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por Pedro Sales

 

 Foto de Paulete Matos.


por Pedro Sales
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por Pedro Vieira

 

 

rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

A Escola da Fontinha era um edifício abandonado durante cinco anos, usado por toxicodependentes. Como é num bairro pobre, nunca Rui Rio se preocupou com isso. Um dia, um grupo de cidadãos resolveu fazer o que a Câmara não fazia: dar um uso àquele espaço. Arranjaram, limparam, pintaram. E durante um ano aquele edifício abandonado foi usado pela comunidade: atividades culturais, acompanhamento escolar para os miúdos, aulas. As pessoas que ali trabalharam faziam-no de graça. E isso Rui Rio nunca entenderá. Muito menos a ideia de um grupo de cidadãos se juntar, na "sua" cidade, sem a sua superior autorização, para fazer alguma coisa pelos outros. Muito menos para desenvolver qualquer tipo de atividade cultural que não passe pelo seu crivo provinciano. Rui Rio matou a vida cultural do Porto, transformando uma das mais vibrantes cidades portuguesas numa pequena cidade de província. Porquê? Porque Rui Rio é um verdadeiro autoritário. Abomina a liberdade dos outros, a criatividade dos outros, a opinião dos outros.

 

Mas a Escola da Fontinha carregava outro perigo: ao usarem uma ruina da incúria do poder local para fazerem qualquer coisa de útil para os outros, coisa que todos os vizinhos agradecem e aplaudem, aquelas pessoas exibiam, sem terem de abrir a boca, a negligência do presidente da Câmara. E passavam uma mensagem que Rio não aguenta: se quem te governa não cumpre, faz tu. Muito menos quando quem o faz não procura o lucro.

 

O despejo violento de gente que usa um espaço abandonado, ao qual o Estado se recusa a dar uso, para ajudar a comunidade, é um excelente retrato da cultura política e cívica o poder Estado português. Não serve para servir a comunidade. Serve para impor a vontade do governante. E para exibir o seu poder, não se importa de deixar um edifício emparedado no lugar onde alguém fazia alguma coisa de útil. O gesto autoritário do Presidente da Câmara, injustificável aos olhos de qualquer pessoa com o mínimo de sentido cívico, faz todo o sentido: não é Rui Rio que serve o Estado para este servir os cidadãos. É o Estado que serve Rui Rio para os cidadãos se vergarem ao seu poder. Querem saber porque somos um país atrasado e subdesenvolvido? Porque admiramos a autoridade de homens como Rui Rio. Como se a força bruta fosse a única forma de poder que entendemos.

 

Do meu lado, aqueles que fizeram a Escola da Fontinha só podem merecer o respeito, admiração e solidariedade. Eles são, com a sua vontade e generosidade, quem pode fazer deste país uma sociedade decente. Rio, na sua soberba autoritária, é apenas um reflexo da estupidez arrogante do poder que nos atrasa há séculos. E não encontro melhor data para escrever este artigo do que o dia 24 de Abril. 

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

 

Manifesto "Abril Não Desarma", da Associação 25 de Abril, recusando a associação dos militares de Abril às comemorações oficiais do Dia da Liberdade. Os Homens que trouxeram a liberdade ao país mostram que o actual triunvirato Troika-PSD-CDS é contrário ao espírito de Abril. Nem tudo pode passar. Nem tudo passará.

 

"Há 38 anos, os Militares de Abril pegaram em armas para libertar o Povo da ditadura e da opressão e criar condições para a superação da crise que então se vivia.

Fizeram-no na convicta certeza de que assumiam o papel que os Portugueses esperavam de si.

Cumpridos os compromissos assumidos e finda a sua intervenção directa nos assuntos políticos da nação, a esmagadora maioria integrou-se na Associação 25 de Abril, dela fazendo depositária primeira do seu espírito libertador.

Hoje, não abdicando da nossa condição de cidadãos livres, conscientes das obrigações patrióticas que a nossa condição de Militares de Abril nos impõe, sentimos o dever de tomar uma posição cívica e política no quadro da Constituição da República Portuguesa, face à actual crise nacional.

A nossa ética e a moral que muito prezamos, assim no-lo impõem!

Fazemo-lo como cidadãos de corpo inteiro, integrados na associação cívica e cultural que fundámos e que, felizmente, seguiu o seu caminho de integração plena na sociedade portuguesa.

Porque consideramos que:

Portugal não tem sido respeitado entre iguais, na construção institucional comum, a União Europeia.

Portugal é tratado com arrogância por poderes externos, o que os nossos governantes aceitam sem protesto e com a auto-satisfação dos subservientes.

O nosso estatuto real é hoje o de um “protectorado”, com dirigentes sem capacidade autónoma de decisão nos nossos destinos.

O contrato social estabelecido na Constituição da República Portuguesa foi rompido pelo poder. As medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável. Condições inaceitáveis de segurança e bem-estar social atingem a dignidade da pessoa humana.

Sem uma justiça capaz, com dirigentes políticos para quem a ética é palavra vã, Portugal é já o país da União Europeia com maiores desigualdades sociais.

O rumo político seguido protege os privilégios, agrava a pobreza e a exclusão social, desvaloriza o trabalho.

Entendemos ser oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar na nossa sociedade e proclamar bem alto, perante os Portugueses, que:

- A linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril configurado na Constituição da República Portuguesa;

- O poder político que actualmente governa Portugal, configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores;

Em conformidade, a A25A anuncia que:

- Não participará nos actos oficiais nacionais evocativos do 38.º aniversário do 25 de Abril;

- Participará nas Comemorações Populares e outros actos locais de celebração do 25 de Abril;

- Continuará a evocar e a comemorar o 25 de Abril numa perspectiva de festa pela acção libertadora e numa perspectiva de luta pela realização dos seus ideais, tendo em consideração a autonomia de decisão e escolha dos cidadãos, nas suas múltiplas expressões.

Porque continuamos a acreditar na democracia, porque continuamos a considerar que os problemas da democracia se resolvem com mais democracia, esclarecemos que a nossa atitude não visa as Instituições de soberania democráticas, não pretendendo confundi-las com os que são seus titulares e exercem o poder.

Também por isso, a Associação 25 de Abril e, especificamente, os Militares de Abril, proclamam que, hoje como ontem, não pretendem assumir qualquer protagonismo político, que só cabe ao Povo português na sua diversidade e múltiplas formas de expressão.

Nesse mesmo sentido, declaramos ter plena consciência da importância da instituição militar, como recurso derradeiro nas encruzilhadas decisivas da História do nosso Portugal. Por isso, declaramos a nossa confiança em que a mesma saberá manter-se firme, em defesa do seu País e do seu Povo. Por isso, aqui manifestamos também o nosso respeito pela instituição militar e o nosso empenhamento pela sua dignificação e prestígio público da sua missão patriótica.

Neste momento difícil para Portugal, queremos, pois:

1. Reafirmar a nossa convicção quanto à vitória futura, mesmo que sofrida, dos valores de Abril no quadro de uma alternativa política, económica, social e cultural que corresponda aos anseios profundos do Povo português e à consolidação e perenidade da Pátria portuguesa.

2. Apelar ao Povo português e a todas as suas expressões organizadas para que se mobilizem e ajam, em unidade patriótica, para salvar Portugal, a liberdade, a democracia.

Viva Portugal!

ASSOCIAÇÃO 25 de ABRIL"

Entretanto, Mário Soares e Manuel Alegre anunciaram que também não estarão presentes. A continuar... 

 

(Via 5 Dias.)


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Um verdadeiro rufia é aquele que, quando não está a roubar alguém, anda a procura de pretextos para andar à pancada. Uma boa definição deste governo, como fica claro pelo comunicado da direção da PSP, onde se avisa, num tom entre a provocação e a ameaça, que haverá tolerância zero com o 25 de Abril. Como se a falta de tolerância com o 25 de Abril fosse uma novidade para esta gente.


por Daniel Oliveira
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por Miguel Cardina

O DN de hoje informa na primeira página que "a PSP prepara tolerância zero nas manif's do 25 de Abril" (e do 1º de Maio), fazendo-se referência aos incidentes de 22 de Março. Se tivermos na mente o que então se passou - a intervenção policial desmesurada e as tentativas posteriores de branqueamento informativo, paulatinamente desmontadas na rede e em alguma comunicação social - torna-se clara a receita engendrada pela "ordem da desordem": insuflar o medo, iniciar a provocação, justificar antecipadamente a violência.


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

 

A vitória de François Hollande nas eleições francesas, com 28,8% dos votos, e uma possível vitória na segunda volta (não vale a pena fazer contas de somar, porque a extrema-direita nunca esteve, longe disso, no papo de Sarko - as sondagens indicam uma vitória do candidato socialista com 54%), abrem a porta para uma mudança na Europa.

 

Não me engano. Se vencer, Hollande não romperá com o consenso austeritário europeu. Talvez em França. Mesmo Sarkozy já tinha deixado claro que a austeridade, que é boa para os outros, não chegaria a Paris. Mas, como solução para os países periféricos, tudo indica que as coisas não mudarão radicalmente na Europa com estas eleições. Elas têm, no entanto, um valor simbólico indiscutível. A punição de Nicolas Sarkozy (26,1%), depois de se ter entregue, em grande parte do seu último mandato, ao triste papel de marioneta da senhora Merkel, pode ajudar a romper o eixo Berlim-Paris que durante anos garantiu a construção europeia e agora garantia a sua destruição.

 

Não é irrelevante o resultado de Jean-Luc Mélenchon, candidato da Front de Gauche - coligação entre comunistas e dissidentes de esquerda do PSF. Apesar de não ter chegado aos sonhados 15%, conseguiu uns reconfortantes 11,7%. Hollande vai precisar dos seus votos, o que pode implicar um referendo ao novo tratado. Um chumbo francês ao tratado pode ser o travão que tem faltado ao desvario autoritário alemão, que pretende não apenas impor limites burocráticos aos défices das Nações, mas um autêntico programa de governo vitalício, que destrói todo o sentido da própria democracia.

 

A alternativa a um governo que dependa da esquerda para governar ficou em terceiro lugar nas eleições. É opopulismo xenófobo de Marine Le Pen, com uns assustadores 18,5%, o melhor resultado de sempre da extrema-direita francesa. Já muitos tinham avisado: a decadência das lideranças europeias traria os velhos fantasmas de volta.

 

Como um candidato centrista François Bayrou se ficou pelos 8,8%, Sarkozy depende dos votos da extrema-direita para ser eleito. E é a esse eleitorado que vai dirigir o seu discurso. Todos conhecemos a face mais sinistra de Sarko. Não hesitará em mostrá-la. Tem apenas um problema: para tapar a cabeça com o cobertor ficam os pés de fora. O eleitorado de centro não o seguirá se se dirigir à França mais racista. A segunda volta pode ser incerta, mas será mais fácil para Hollande contar com o voto certo dos eleitores mais à esquerda do que a Sarkozy fazer o pleno da direita.

 

Como última nota, ficou um aviso para duas estratégias falhadas à esquerda: a da fraqueza de uma pré-coligação com os socialistas sem qualquer condição prévia e sem a força dos votos - a ecologista Eva Joly teve apenas 2,3% dos votos -, como se as alianças futuras não exigissem nem votos nem conteúdo; e a do isolamento auto-satisfeito da extrema esquerda - o candidato Philippe Poutou, do Partido Anticapitalista, teve apenas 1,2%. A unidade exige votos e ideias, os votos e as ideias conseguem-se combatendo o sectarismo.

 

Publicado no Expresso Online 


por Daniel Oliveira
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Domingo, 22 de Abril de 2012
por Miguel Cardina

Hollande bate Sarkozy por pouca margem. Mais à esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que fez uma campanha marcante, obtém um resultado positivo (entre 10,8 e 12%). Ainda assim, permanece aquém de algumas sondagens mais optimistas e vê o seu resultado ficar assombrado pela preocupante ascensão da extrema-direita de Marine Le Pen, que andará entre os 18%-20%. Lendo alguma coisa sobre as tendências de voto dos eleitores das candidaturas que não vão à segunda volta - e ouvindo já os apelos de Eva Joly e Mélenchon para que a 6 de Maio se derrote o "sarkozysmo" - não me parece claro que o actual presidente tenha a reeleição assegurada. Já seria uma pequena vitória. A juntar ao facto destas eleições terem visto emergir uma candidatura ampla de esquerda que soube resgatar um discurso como o que se pode ler nesta mensagem de agradecimento de Mélenchon:

 

Merci à tous ; chacun a donné le meilleur de lui-même dans cette campagne populaire. Et nous sommes fiers. Tous. Fiers d'avoir ouvert une brèche d'espoir dans cette Europe austéritaire qui méprise les peuples, fiers d'avoir relevé le drapeau du partage ! Les prémisses d'une grande et belle révolution citoyenne sont posées. L'insurrection civique ne fait que commencer ; tenez-le vous pour dit.

On lâche rien. Résistance.

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por Miguel Cardina
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por Miguel Cardina

...ler este texto detalhado e muito bonito da Gui Castro Felga.


por Miguel Cardina
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

 

O dia não tinha ainda chegado ao fim, e aí está mais um contributo para o previsto "ponto de viragem". A execução orçamental relativa ao primeiro trimestre é, numa palavra, miserável. As medidas do Governo PSD/CDS levaram centenas de milhar de portugueses ao desemprego e mais de dois milhões à pobreza; destruíram o tecido económico português, com milhares de empresas em todos os sectores a falirem ou perto disso; e começaram a desmantelar um futuro mais democrático, com saúde e educação para todos, e não exclusiva para os que podem pagar. E o resultado desta brincadeira? Um orçamento que tinha como principal objectivo a redução do défice e que, nem de perto nem de longe, se aproxima dessa meta. 5.8% de quebra de receitas e, pasme-se, 3.5% de crescimento da despesa do Estado. Não é preciso ter um doutoramento em economia, como Vítor Gaspar, para se perceber que algo está muito podre no reino. E o que é extraordinário é que qualquer criança com a 4.ª classe (do "eduquês") poderia ter previsto o descalabro. O empobrecimento do país iria sempre levar a uma contracção brutal da economia, com a consequente subida do desemprego, a quebra das receitas fiscais - em todos os impostos - e o aumento acentuado das despesas com as prestações sociais. A Curva de Laffer não é apenas um modelo teórico - como já terá notado o Governo. E ninguém, mesmo ninguém, pode estar contente com este desastre. Meus senhores, já chega.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Católica prevê que Portugal continue em recessão em 2013.

 

Morgan Stanley vê Portugal a pedir segundo resgate em Setembro.

 

Mas felizmente...

 

Cavaco Silva tem "esperança e confiança" no futuro da economia portuguesa...

 

... e Gaspar acredita que o masoquismo dos portugueses é ilimitado.

 

Tudo vai acontecer de acordo com o previsto.

  


por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins


por Bruno Sena Martins
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por Bruno Sena Martins

"É em momentos como o ontem vivido no Alto da Fontinha que Rui Rio revela o seu rosto de autocrata e a sua aversão a tudo o que lhe cheire a diferença, particularmente a todas a formas de cultura e cidadania que escapem à Kultura, ao papel "couché" e à rotina institucional." Manuel António Pina


por Bruno Sena Martins
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2012
por Bruno Sena Martins

 

Há sempre alguém que resiste.


por Bruno Sena Martins
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por Sérgio Lavos

"Filhos não contam para cálculo da isenção das taxas moderadoras.

 

Por exemplo, uma mãe solteira com três filhos que ganhe 630 euros por mês não está isenta do pagamento de taxas moderadoras por insuficiência económica. Encontra-se exactamente na mesma situação de uma mulher sem filhos que aufira o mesmo rendimento. Até poderia ter seis filhos que a situação seria igual. A isenção do pagamento de taxas moderadoras por insuficiência económica só é atribuída a quem tenha um rendimento mensal médio de 628,83 euros. "

Por onde anda o CDS-PP, o partido da família e da vida, quando precisamos dele? E a federação pró-vida, ou lá que como se chama, o da Dona Pegado, terá sido extinta?


por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, disse na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, que Portugal oferece “uma lição de moral” a todos aqueles que defendem o aumento da despesa pública para estimular a economia.

 

 O governo liderado por Miguel Relvas vê no Estado o pecado original. Oferecer Portugal como cordeiro sacrificial às chamas da austeridade é o mínimo que Gaspar pode fazer para apaziguar o Deus que professa. Co-cordeirinhos: aprumem-se que a fila anda depressa; acreditem ou não, o Deus deles anda nervoso.


por Bruno Sena Martins
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

 

Paulo Portas continua a brincar ao gato de Cheshire, aparecendo intermitentemente para dizer umas banalidades sobre a Síria ou sobre diplomacia económica. Ninguém sabe muito bem o que anda a fazer nem como, mas seguramente que a esperteza saloia que lhe permitu, ao longo do tempo, sobreviver politicamente, vai continuar a garantir que continuará a ter uma palavra a dizer nos destinos do país.

 

Nada o parece tocar. Nem os milhares de documentos guilhotinados nos últimos dias do Governo Santana Lopes, nem as suspeitas de financiamento ilícito do CDS-PP - ainda estamos para saber quem é Jacinto Leite Capelo Rego, o financiador secreto do partido de Portas na altura do despacho conjunto de três ministros, dois deles do CDS-PP, que autorizou o abate de sobreiros em zona protegida.

 

Mas a cereja no topo do bolo é o caso dos dois submarinos adquiridos por Portas quando era ministro da Defesa. Enquanto na Alemanha são condenados dois administradores da Ferrostaal por corrupção activa e na Grécia o antigo ministro da Defesa é preso por suspeitas de corrupção passiva na compra de submarinos à empresa alemã, por cá o processo convenientemente vai sendo arrastado. As últimas notícias do caso têm contornos de mau programa de humor. Às declarações de Pinto Monteiro, de que o atraso se deve à falta de dinheiro para as perícias necessárias, a ministra da Justiça respondeu que não houve, até agora, qualquer pedido de verbas por parte da PGR, acusando implicitamente o Procurador pelos atrasos no processo. A investigadora Cândida Almeida (quem mais) já veio dizer que as perícias nem sequer foram pedidas pelo PGR ao DCIAP, e as que foram acabaram por ser atendidas pela PJ em 2006.

 

No meio desta colossal trapalhada, duas coisas são certas: nenhuma das pessoas envolvidas irá demitir-se, apesar de, tendo em conta os desmentidos da ministra da Justiça e do DCIAP, esse fosse o caminho a seguir por Pinto Monteiro; e seguramente o processo irá continuar a ser eternamente protelado até expirar. Seja como for, o responsável pela compra dos submarinos nem sequer está indiciado. Uma vez mais, um crime que não terá castigo, um acto de corrupção no qual os corruptores são condenados (os administradores da Ferrostaal) e os eventuais corrompidos nem chegam a ser investigados. Suspensão da democracia? Ainda não tinham dado por ela?

 

(Via Insurgente.)


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Quando até os economistas entusiastas da austeridade recessiva, como José Gomes Ferreira, desconfiam da ideia peregrina da privatização de parte da Segurança Social, então sabemos - como se não soubéssemos já - quais são as verdadeiras intenções do Governo. Se não forem parados, não há-de restar pedra sobre pedra.

 

(Encontrado, o vídeo e o título, no Machina Speculatrix.)


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

"FMI avisa que demasiada austeridade pode ameaçar a retoma. (...)

Além disso, o FMI defende, sem referir nomes, que “várias outras economias da zona euro devem deixar permitir que os estabilizadores automáticos actuem livremente”. Ou seja, não devem reduzir o défice a todo o custo, sob pena de enfraquecer ainda mais a actividade económica e, inclusive, exacerbar os receios dos mercados face às perspectivas de crescimento." 

 

A destruição da economia portuguesa, alegre e desmioladamente levada a cabo pelo Governo PSD/CDS, afinal não é bem vista pelo FMI. O mesmo tipo de aviso tinha vindo há uns tempos dos outros membros do triunvirato, o BCE e a Comissão Europeia. A irresponsabilidade e a incompetência do Governo português têm como resultado uma contracção da economia muito acima do esperado pela troika, o que põe em causa inclusive o principal objectivo do programa de apoio, a redução do défice. Pedro Passos Coelho várias vezes repetiu que as medidas de austeridade estavam inscritas no programa do PSD - o que é verdade -, orgulhando-se de ir além da troika. A actuação criminosa do executivo não iliba de responsabilidades a União Europeia, mas a verdade é que os consecutivos relatórios e declarações das organizações que supervisionam o programa de resgate recolocam o foco no único responsável pela situação actual - um pais em pleno processo de afundamento - o Governo CDS/PP. Será que já chega, ou o país ainda pode ser mais espoliado de todas as conquistas de 38 anos de democracia?


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

 

Cristina Kirchner, insatisfeita com os investimentos da maior empresa petrolífera argentina no seu país, decidiu nacionalizá-la. A Espanha não gostou, porque a empresa é detida em parte pela Repsol. A resposta da Presidente argentina esteve à altura: "Esta Presidente não responderá a qualquer ameaça", disse ainda. "Sou um chefe de Estado, não uma vendedora de legumes", frisou. "Todas as empresas presentes no país, e mesmo que o acionista seja estrangeiro, são empresas argentinas". Simples e directo; em questões de economia, o interesse nacional terá sempre de se sobrepôr aos interesses estrangeiros, sobretudo quando se trata de sectores estratégicos. Qualquer semelhança com a realidade portuguesa é pura coincidência.

 

(No Ladrões de Bicicletas encontrei o documentário que relata os verdadeiros crimes contra o povo argentino cometidos inicialmente por Carlos Menem e continuados por Fernando de la Rúa em nome de um capitalismo predatório. A bancarrota argentina de 2001 foi o resultado dessas políticas que apostavam na privatização de toda a economia, incluindo a YPF que agora foi resgatada a mãos estrangeiras.)


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

A direita neotonta tem uma espinha entalada na garganta desde o ataque terrorista de Oslo. A pele de Anders Breivik é mais branca do que aquelas almas sensíveis conseguem suportar e vai daí desde o ataque que matou quase 90 pessoas que tentam passar ideia de que não houve qualquer motivação política no acto do norueguês ariano. Compreendo a frustração desta direita. Mas já se torna verdadeiramente preocupante fazer o que se faz aqui. José Manuel Fernandes, infelizmente Breivik é um branco norueguês racista e assassino, e sim, é de extrema-direita (o punho fechado também é uma saudação nazi). Get over it!

 

Adenda: Só agora reparei que os "liberais" do Insurgente também se insurgiram contra a caracterização do gesto de Breivik como sendo de extrema-direita. Pois claro: Blasfémias, Insurgente e um assassino em massa norueguês com tendências neotemplárias e ódio a islâmicos. Les beaux esprits se rencontrent?


por Sérgio Lavos
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Domingo, 15 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

Bestialidades.

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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
por Miguel Cardina

 

Documentário de Jorge Costa, baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Francisco Louçã, Luís Fazenda, Cecília Honório e Fernando Rosas (Afrontamento, 2010). Estreia na RTP2, na noite de 24 para 25 de Abril (cerca da 1.30).

Donos de Portugal é um documentário sobre cem anos de poder económico.
O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.
Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.
Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.


por Miguel Cardina
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por Miguel Cardina


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

 

 

A Espanha está por um fio. Com as taxas de refinanciamento a 6%, a crise, que ali resultou da explosão da bolha imobiliária, e que, como nos restantes países, foi piorada pelo imobilismo e cegueira europeus, o "resgate" parece cada vez mais provável. Há uma espécie de pacto de silêncio, para não espalhar o pânico, mas o fatídico dia, que Irlanda, Grécia e Portugal já viveram, parece estar cada vez mais próximo. Os receios por uma derrocada espanhola já se fizeram sentir em Itália, a pagar mais pelo seu financiamento.

 

 

Do ponto de vista egoísta, a coisa pode ser boa ou péssima para nós. Boa, se o colapso espanhol acordar a Europa. Como com Itália, não há dinheiro que chegue para salvar a poderosa economia espanhola. Independentemente da cegueira irresponsável da senhora Merkel, a Europa terá mesmo de mudar o seu comportamento. Serão exigidas medidas radicais para dar credibilidade ao euro. Pode ser péssima, porque a atenção que Espanha exigirá poderá levar à tentação de deixar cair os "pequenos problemas". Ou seja, Portugal. O efeito de contágio sentir-se-á imediatamente. E será seguramente mau para as nossas exportações, que têm em Espanha um mercado fundamental. O sonho absurdo de aniquilar o nosso mercado interno, substituindo-o por um impossível crescimento continuado das exportações, morrerá de vez.

 

 

Mas, se a assassina receita da "troika" chegar a Espanha, também teremos uma alteração do ambiente político na Europa. Os espanhóis não têm a brandura dos portugueses. Estão mais próximos dos gregos, sendo, ao contrário destes, uma potência económica e política na Europa. Ali as greves gerais são a sério. E com um desemprego a aproximar-se dos 25%, a contestação será a doer. Pode aguentar a Europa uma Espanha a ferro e fogo? Duvido.

 

 

Não desejo mal aos espanhóis e espero que o mau agoiro que agora se sente não se confirme. Mas é bom estar atento. Se o "resgate" vier, muita coisa vai mudar na Europa. E, claro, em Portugal.


 

Devido a uma viagem de trabalho para o "Expresso", a outro país que conhece bem a crise (a Islândia), não escreverei na próxima semana. Regresso a este espaço no dia 23 de Abril.

 

Publicado no Expresso Online

 

 

 

 


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

A cinderela da lambreta mentindo descaradamente sobre o tema preferido do desaparecido em combate Portas, o RSI. E sem um único jornalista a fazer o seu trabalho. No dia em que sai o vergonhoso veredicto que iliba os corruptos do caso Portucale, todos ligados ao CDS-PP. E também no dia em que na Grécia é preso o ministro da Defesa que esteve envolvido no caso da compra de submarinos à Ferrostaal. Por cá, nada se sabe sobre o caso semelhante que envolve Paulo Portas: o processo arrasta-se há anos e Portas nem sequer foi indiciado, apesar de ter sido responsável pela compra. Como o ministro grego. Mas enfim, em Setembro de 2013, o mais tardar, voltaremos aos mercados. E a vida sorri.


por Sérgio Lavos
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