Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

 

“O FMI disse-me que se livraram dele [António Borges] porque não estava à altura do trabalho e agora chego a Lisboa e descubro que está à frente do processo de privatização. Há perguntas que têm de ser feitas”

 

Esta frase do jornalista Marc Roche, correspondente do Le Monde em Londres e autor do livro recentemente editado em Portugal O Banco - Como o Goldman Sachs Dirige o Mundo, resume bem as intenções deste Governo no que diz respeito às privatizações. António Borges, o outrora salvador do PSD - uma facção laranja clamava em tempos por este burocrata forjado pelo Goldman Sachs - chegou ao país depois de ser despedido pelo FMI, pelos visto por pura incompetência, e Passos Coelho entregou-lhe o sensível dossier das privatizações. Um dos tentáculos menores da instituição financeira que domina o mundo actual, Borges servirá de fiel cangalheiro das empresas públicas portuguesas. Não será Papademos, o burocrata de transição não eleito na Grécia, Mário Draghi, o presidente do BCE, ou Mário Monti, outro burocrata de transição governando a Itália, mas é aquilo a que temos direito: um homem de mão do poder financeiro que controla os destinos do país e que certamente tirará partido da situação económica frágil para saldar o que é valioso a compradores financiados pelo banco americano. Conspiração? Brincadeira de miúdos, se comparado com antigas operações, incluindo as que levaram à crise financeira de 2008 e a que mascarou as contas da Grécia quando esta entrou no Euro. A política já não tem a ver com o governo do povo: é uma rampa de lançamento para oportunistas ou meio de controle financeiro pelos grandes grupos. À nossa escala, temos o Borges que merecemos: um tecnocrata incompetente escolhido a dedo para um trabalho sujo. 


por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

 

 

 

Músicas da “Rua Sésamo” usadas como forma de tortura em Guantánamo


por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos

Lembram-se da efusividade com que foi recebida uma quebra menor na receita fiscal divulgada há umas semanas, quando sairam os dados relativos à execução orçamental dos primeiros quatro meses do ano? Que afinal tinha havido um extraordinário crescimento de 0,2 % da receita fiscal mais segurança social? Lembram-se? Esqueçam isso, não era nada assim. Parece que, devido a uma incorrecção - ou, de acordo com a terminologia gaspariana, um lapso - nas contas do Orçamento, houve na realidade uma quebra de 2,3% nessa receita. Coisa pouca? Não tenhamos dúvidas: o ponto de viragem está quase, quase, mas quase a ser atingido. E os 7,4% de défice registado durante este período de tempo um minúsculo escolho no caminho. Viva a austeridade além da troika.


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

Os dados ainda são poucos. Mas sabe-se que a Polícia Municipal de Lisboa e a PSP invadiram hoje São Lázaro, ao que parece sem qualquer documento que confirme uma acção de despejo e ignorando uma providência cautelar (mais informações aqui). Está já marcada uma manifestação às 18 horas no Porto, entre a Es.Col.A do Alto da Fontinha e os Aliados. Em Lisboa é no Martim Moniz, às 19 horas.


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

 

No princípio, Miguel Relvas quase não conhecia Silva Carvalho. Depois, afinal, já se tinha cruzado com ele em lugares públicos um número razoável de vezes mas apenas debatiam assuntos de atualidade e de política internacional. Lamento que as conversas não tivessem sido ainda mais públicas, porque adivinho debates interessantíssimos sobre o futuro do planeta. Por fim, soubemos ontem, pela sua boca, porque Relvas sabia que a notícia iria sair na "Visão", que teve reuniões empresariais com o ex-espião. Onde, supomos, não discutiram a situação no Médio Oriente. Argumento: se havia nove num encontro isso não conta. A não ser, claro, quando se fala de festas de aniversário com 70 pessoas, porque isso prova que Relvas só estava com o senhor quando, azar dos azares, tropeçava nele em festas e hotéis.

 

Reuniões de negócios não são fortuitas. Na sede da Ongoing não estava a acontecer um evento social. E lá não se discutiu actualidade e política internacional. Ou seja, Relvas mentiu. Relvas disse que o sms que recebeu de Silva Carvalho não tinha nomes de agentes e não correspondia a segredos de Estado. Afinal recebeu, por sms, o nome de dois agentes a promover. Ou seja, Relvas mentiu. E fico-me pelas poucas perguntas a que Miguel Relvas resolveu responder na comissão parlamentar de ontem.

 

Não é pecado conhecer gente pouco recomendável. O próprio Jorge Silva Carvalho já me escreveu impressivo email - protestando com o meu último artigo sobre a sua pessoa -, cujo o conteúdo não revelarei (nada de especial tem para revelar, apesar de não tratar de assuntos de atualidade e política internacional), porque não tenho os hábitos de que este senhor é acusado e respeito a privacidade da correspondência. O problema é a mentira. É problema por duas razões. A primeira, é um facto: Relvas mentiu a uma comissão de inquérito e isso não se recomenda. A segunda é uma dúvida: porque mentiu, sucessivamente, sobre a sua verdadeira relação com Silva Carvalho? E porque razão devemos acreditar que está agora a dizer a verdade?

 

Miguel Relvas usou, como é costume em algum género de pessoas, o seu cordeiro para sacrifício, demitindo o seu adjunto que, acredita quem quiser, manteve contactos com Silva Carvalho sem que o seu ministro o soubesse. Mas não me parece que isso chegue para desistirmos de perceber a intensidade da sua relação com alguém que se dedicava a espiolhar a vida dos outros.

 

No porreirismo nacional, muitos pensarão que este é um assunto menor. Mentir, mesmo com o à vontade com que o faz, fingindo que sempre disse o que de novo nos informa, já nem é grave quando se trata de um responsável político. Acontece que ou Miguel Relvas é um mitómano, e mente sem qualquer necessidade de o fazer, ou a sua ligação a Silva Carvalho é bem mais profunda do que ele quer que nós acreditemos. E se é, tendo em conta o lugar político que Relvas ocupa e os casos em que Silva Carvalho está envolvido, temos direito a sabê-lo. Precisamos de saber se essa relação vai até ao ponto a estar a par das informações que este ia recolhendo.

 

Ontem, Pedro Passos Coelho empenhou a sua credibilidade nas palavras, sempre em evolução, de Miguel Relvas. Anota-se. Para mais tarde recordar.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

Miguel Relvas já se demitiu? Ou um café e um almoço no Hotel Ritz são "reuniões profissionais"?  Terão usado avental, nesses convívios? Ah, é verdade: parece que Relvas se comportou com "correcção e transparência", de acordo com o primeiro-ministro que também conhece apenas de vista o ex-espião tóxico. Eu diria mesmo: Relvas passou com distinção no exame e entregar-lhe-ia minha vida, sem falar em comprar-lhe um carro. Bela "elucidação assertiva" do Coelho - no dizer do untuoso molusco de serviço. Só falta saber: quando é que uma mentira passa a ser realmente uma mentira? Estamos em pleno domínio da novilíngua, não tenhamos dúvidas. Fogo lento.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Enquanto que por cá um ministro que mentiu várias vezes em público sobre matérias gravíssimas que dariam direito a demissão e julgamento em qualquer país com um mínimo de respeito por si próprio ainda ocupa a sua cadeira de governante, em Espanha o Governo, com o apoio do BCE, prepara-se para subsidiar mais parasitas do Estado; não, não estou a falar de artistas (pelo menos na vulgar acepção da palavra), mas sim do Bankia, dirigido até ao naufrágio por um antigo dirigente do PP espanhol. O Rato foi o primeiro a abandonar o navio, mas nem por isso os buracos da instituição financeira deixarão de ser tapados por Rajoy, tudo em nome da manutenção de um capitalismo predatório que não se exime a cortar nos rendimentos disponíveis da classe média e dos pobres e que luta para manter os privilégios da banca e do um por cento com maior rendimento. A Comissão Europeia, cumprindo o seu papel de garante deste estado de coisas, já veio dizer que a Espanha não terá de cumprir o objectivo do défice para este ano. Os milhões que irão ser injectados no Bankia - um valor superior ao que Espanha irá ganhar nos cortes previstos na Saúde e na Segurança Social - irão fazer mossa nas contas, mas como estamos a falar da manutenção do status quo, abre-se uma excepção. Já que parece que o nosso Governo também não vai conseguir cumprir o objectivo do défice, não haverá por aí um outro BPN para convencer a troika a facilitar um pouco as coisas?


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Sicília.

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por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

William Randolph Hearst, que inspirou Orson Welles, em Citizen Kane, construiu o primeiro verdadeiro império da imprensa americana (que ainda hoje, apesar de ser uma sombra do que foi, sobrevive), fazendo tremer o poderoso Joseph Pulitzer. Um império que foi usando em beneficio próprio e que, na passagem do século XIX para o século XX, fez nascer o "jornalismo amarelo", dirigido às classes trabalhadoras e apostado no sensacionalismo. Com a sua máquina de propaganda, Hearst não conseguiu apenas ser eleito, pelo Partido Democrata, para vários cargos políticos. Empurrou os Estados Unidos para uma guerra com Espanha, no que seria um importante impulso para o expansionismo americano (o seu papel é descrito, em pormenor, por Gore Vidal, em "Império").

 

Hearst não esteve sempre do "lado errado" da história. Foi, no início, um fervoroso apoiante do New Deal e os seus jornais foram, quando isso ainda não era habitual, dos mais ativos na denúncia da perseguição nazi aos judeus. Mas o principal papel que Hearst teve na história dos EUA e do mundo foi o de criar uma imprensa dirigida às massas, mais destinada à pura manipulação e ao entretenimento do que a qualquer tipo de objetivo informativo. Hearst não ficava à espera da notícia, inventava a notícia. Nos seus jornais havia vinganças, censura, serviços a interesses económicos e políticos, falsos correspondentes que se limitavam a copiar notícias publicadas na imprensa estrangeira. Um pequeno crime e uma mudança política fundamental valiam o mesmo. E o reforço do seu poder valia mais do que qualquer um deles.

 

Se alguém se pode considerar um herdeiro de Hearst, nos métodos e nos objetivos, é Rupert Murdoch. Apesar dos escândalos, o seu poder, da Fox News à imprensa sensacionalista britânica, parece manter-se mais ou menos intocado. Só que passou mais de um século desde que Hearst construi esta nova forma de poder. A classe média é, hoje, no ocidente, muito mais numerosa. Existem a Internet e infinitas formas de recolher informação. Temos décadas de manipulação mediática, o que deu aos leitores e aos telespectadores um pouco mais de cinismo em relação ao vão lendo na imprensa e vendo na televisão. Todos os estudos académicos indicam que as pessoas são muito mais críticas e desconfiadas do que se imagina em relação à informação que recebem dos media. Ao contrário do que muitos acham, os magnatas da imprensa não chegam para construir e destruir governantes.

 

Na verdade, o mundo de Hearst está a desmoronar-se. Por tudo o que já referi e por mais um pormenor: a democracia está, ela própria, em agonia. O poder dos interesses financeiros, num mundo globalizado finalmente livre das amarras do controlo dos Estados, só marginalmente precisa da comunicação social. Faz cair eleitos sem ter de inventar notícias ou mobilizar as massas. Cria um ambiente de terror e medo sem precisar de manchetes e telejornais. Na dividocracia, que lentamente substitui a democracia, os Randolph e os Rupert são dispensáveis. Escrevi-o quando o todo poderoso Silvio Berlusconi caiu para dar lugar ao cinzento Mario Monti, sem que se fosse a votos. Nem a extraordinária máquina de propaganda de Il Cavaliere o salvou. Os populistas e a sua manipulação já não são precisos porque o povo já não conta. Na era dos tecnocratas, jornalistas e políticos estão a transformar-se num simples adorno.

 

Tony Blair, um exemplar representante da rendição da política a todos os poderes, manteve durante anos uma relação umbilical com a imprensa sensacionalista de Murdoch. Uma relação "de trabalho", como ele a definiu, e pessoal: Blair é padrinho de uma filha de Murdoch. Mas, acima de tudo, uma relação de interdependência, que permitiu ao magnata continuar o processo concentração da propriedade de meios comunicação social no Reino Unido e deu ao ex-primeiro-ministro proteção mediática e o bónus de alguns ataques aos seus opositores. Tony Blair explicou-se, perante uma comissão inquérito: "Você estava numa posição em que lidava com pessoas muito poderosas que tinham enorme impacto no sistema político. (...) Se estiverem contra si, estariam contra si em todas as questões." Nunca ninguém resumiu tão bem o raciocínio de um cobarde pragmático.

 

A atitude de Blair é só o lado de lá da mesma moeda que leva Miguel Relvas a ameaçar jornalistas. Por um lado, a incapacidade para travar os combates políticos de forma limpa. Assumindo que há imprensa séria e menos séria. E que se respeita o trabalho da primeira - mesmo quando não se gosta - e se compram todos os combates necessários, seguindo as regras da lei, com a segunda. Por outro, a incompreensão de que, nos novos tempos que vivemos, o poder dos media é, na cabeça dos políticos, sobrevalorizado. Na realidade, uns e outros - políticos e empresários da comunicação social - vivem hoje numa ilusão. O que conta, o que realmente vai determinar o nosso futuro, é decidido nas costas de quem vota nuns e de quem compra os jornais dos outros. Claro que não é aqui que a história acaba. Mas a reviravolta, estou seguro disso, dar-se-á fora do campo mediático tradicional e das instituições políticas tradicionais. Será para melhor? Quem me dera sabê-lo.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
por Andrea Peniche

 

No passado dia 6 de março uma delinquente foi identificada e constituída arguida sob a acusação de crime de desobediência. O hediondo crime ocorreu à porta do Centro de Emprego do Conde Redondo, em Lisboa, e foi, segundo reportou a polícia, uma manifestação organizada por um perigoso bando de quatro pífias pessoas.  

 

Para a polícia, e bem, um grupo de quatro pessoas que distribui panfletos e contacta com desempregados, exatamente no Dia Mundial do Desempregado, constitui uma manifestação não autorizada e representa um enorme perigo para a manutenção da ordem pública. Na verdade, estas não eram umas quatro pessoas quaisquer, eram desordeiros de um movimento social, o Movimento Sem Emprego.

 

À primeira vista esta situação poderia configurar um torpe ataque à liberdade e uma (mais uma) demonstração do poder autoritário na tentativa de normalizar a perseguição e criminalização dos movimentos sociais. Mas nem tudo o que parece é.

 

Precisamente ontem, estes tratantes juntaram-se novamente à porta do mesmo Centro de Emprego para fazerem precisamente a mesma coisa: distribuir panfletos e contactar com desempregados. Desta vez a polícia já não teve o mesmo entendimento, o que é perfeitamente justificável: é que, contra o bando dos quatro de 6 de março, desta vez juntaram-se cerca de 20 arruaceiros. E isto, bem vistas as coisas, pode e deve ser entendido como prelúdio de uma outra qualquer coisa que pode estar no horizonte.

 

Myriam Zaluar, a marginal identificada a 6 de março, recebeu ontem, quando se preparava para ir causar mais distúrbios para o Centro de Emprego, a notificação do tribunal que a convida a pagar uma multa de 125 euros ou a cumprir 240 dias de trabalho comunitário.

 

Parece é que esta tratante tem pelo na venta, pois não só foi novamente para a porta do Centro de Emprego como já veio dizer que se recusa a pagar a multa e está disposta a ir a tribunal para que se faça justiça.

 

Estes fogachos poderão não ficar por aqui. O que me tranquiliza é saber que temos um governo com pulso, uma polícia instruída e um ministério da administração interna que não sofreu cortes, pelo contrário, no seu orçamento.

 

Nota: como tudo isto se passou no dia 28 de maio, este post foi um exercício do que poderia ter sido escrito se tudo isto se tivesse passado no ano da graça de 1926 (ou nos 48 anos que se lhe seguiram).


por Andrea Peniche
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por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos

 

O João Miranda, na ânsia de convencer os amigos liberais d'O Insurgente de que é a mesma coisa reduzir o défice pela via do aumento de impostos ou pela via do corte das despesas, e que falar da Curva de Laffer no reajusmento em curso não faz sentido, faz um breve apanhado do que era Portugal quando chegou a troika. O outrora liberal João Miranda ganhou um súbito apego à política deste Governo, que no fundo decidiu empobrecer o país sem tocar nos interesses instalados ao longo de décadas. Como decidiu fazê-lo? Aumentando impostos sobre o consumo - quando se calhar faria mais sentido aumentar os impostos sobre o rendimento - e cortando nas despesas sociais. A primeira medida levou a uma queda acentuada no consumo, o que por sua vez levou à diminuição da receita fiscal - e lá se foi o objectivo do aumento da receita do estado. A segunda medida, que poderia ter como efeito uma efectiva redução da despesa pública, foi contrariada pela pressão sobre a economia e o consumo interno; a recessão levou ao aumento acelerado do desemprego, o que, como seria expectável, levou não só a uma redução das contribuições sociais (ao que parece, os desempregados não contribuem para a Segurança Social) mas também, claro, a um aumento do pagamento das prestações sociais - subsídio de desemprego, RSI, reformas antecipadas. Tudo somado, as despesas sociais estão a aumentar, levando a um acentuado crescimento da despesa no subsector Estado.

 

Um ano depois, o que temos:

 

- Estado sem crédito, pagando muito mais pela colocação de dívida, e uma banca a precisar de ser recapitalizada - é para isso que serve grande parte do dinheiro emprestado pela troika.

 

- Orçamento com um défice imprevisível, mas certamente acima do previsto, 4.5%, e conseguido muito à custa de receitas extraordinárias - corte nos subsídios de Férias e de Natal e privatizações de áreas fulcrais da economia.

 

- Economia com um sector de dimensão significativa dependente de obras públicas e do défice - portanto, exactamente igual ao que era antes, ou será que as PPP's já foram erradicadas?

 

- Economia alavancada e dependente do crédito - o regresso aos mercados em 2013 é o grande desígnio deste Governo.

 

- Economia ainda dependente da despesa pública - a história dos salários da Função Pública acima da média é uma chalaça do João Miranda, para quem qualquer coisa acima do nível de salários da China já é um gasto excessivo. Ainda bem que ele não é funcionário público...

 

- E, acrescento eu, um desemprego real de mais de 20% (1 milhão e 200 000 pessoas); quase 2 milhões de pessoas pobres ou no limiar da pobreza; dezenas de empresas a fechar todos os dias; crescimento exponencial das desigualdades sociais (acesso aos cuidados de saúde, educação, etc.); crescimento da dívida pública - já ultrapassa os 120%.

 

Resumindo, esta é sem dúvida a melhor receita e estamos a caminho de nos tornarmos um exemplo para o mundo. A recessão e o empobrecimento são, claramente, inevitáveis, como diz o João Miranda. E não vejo como isso não possa ser uma coisa boa...


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

A senhora Lagarde, que recebe 380 mil euros por ano e não tem de pagar impostos, mandou os gregos pagarem os seus. A senhora Lagarde, que é uma das mulheres que melhor veste no mundo, com a preciosa contribuição de dinheiros públicos, diz que não se preocupa muito com as crianças gregas. Preocupam-na mais as da Niger, que o coração da burocrata não tem espaço para demasiada gente. A senhora Lagarde, na sua profunda cretinice, fez um favor ao Syriza ao insultar os gregos. É bom haver pessoas como ela. Como não vão a votos, tendem para a incontinência verbal e dizem às claras o que alguns eleitos até em conversas privadas evitam confessar: que se estão nas tintas para os que estão a sofrer com esta crise.

 

O senhor Cavaco gosta de agradar a gente como a senhora Lagarde. Em Sidney, explicou que o único problema que existe neste momento na União Europeia chama-se Grécia. Anda o mundo a discutir a fragilidade do euro e a inépcia das instituições europeias, que podem levar todo o planeta para uma crise económica de larga escala, e o senhor Cavaco pensa que tudo começa e acaba em Atenas. Como Portugal gosta de imitar os crescidos, o Presidente lá deu a sua achega para a pressão geral sobre os gregos: "Portugal deseja que a Grécia permaneça na zona do euro, mas essa decisão depende do povo grego e essa decisão será com certeza manifestada nas eleições gregas que vão ter lugar a 17 de junho". É tão giro ver o pequenito a fingir que é fanfarrão.

 

A forma como a Europa está a tratar o povo grego poderá ter (e espero que tenha) uma resposta no dia 17. É possível que os gregos achem que a senhora Lagarde deve enfiar as suas preocupações e conselhos na sua mala Louis Vuitton e que desconheçam quem seja o senhor Cavaco. É até plausível que os gregos sejam diferentes dos portugueses e não sintam grande simpatia por quem fala com eles com paternalismo e arrogância.

 

Anda por aí muito esperto que, não tendo grande respeito pela democracia, sonha com uma punição dos gregos depois de dia 17. Para que os restantes povos percebam que, nos dias de hoje, a democracia não passa de uma encenação. Descobrirão com espanto que a Grécia está longe de ser o único ou até o principal problema da Europa. Mas que o euro, para o mal ou para bem, está amarrado ao destino do primeiro país que for atirado borda fora. O que os povos perceberão nesse dia é outra coisa: que a União Europeia é um projeto falhado e que dele se queiram ver livres o mais depressa possível. Regressados então à velha Europa dos nacionalismos agressivos, poderemos agradecer à mais medíocre geração de políticos que a Europa conheceu desde do fim da Segunda Guerra. O nosso maior erro é sempre este: subestimar o enorme poder da estupidez humana.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

Tudo o que sabíamos dos serviços secretos do Estado português, Jorge Silva Carvalho e a Ongoing chegava e sobrava para uma ação exemplar, em que não ficasse pedra sobre pedra. A informação de que Silva Carvalho e outros ex-agentes do SIED, a trabalhar para Ongoing, recolheram e fazeram divulgar informações sobre a vida privada de Francisco Pinto Balsemão, dono da Imprensa, com quem a empresa empregadora do ex-espião mantém um contencioso (que, para que fique claro, não me diz respeito), já está para lá do que se poderia imaginar.

 

Se tudo o que temos sabido for verdade, ninguém está a salvo. Qualquer um que critique Silva Carvalho ou ponha em causa os interesses da Ongoing pode ver, de um dia para o outro, a sua vida privada devassada. Como em qualquer ditadura, o poder desta gente sustentar-se-á no medo.

 

Tudo isto começa a atingir proporções tão assustadoras que não pudemos fechar os olhos. Se a Ongoing e Silva Carvalho fizeram o que se escreve que fizeram, todos os responsáveis por isto têm de acabar atrás das grades. E todos os seus cúmplices políticos têm de ser responsabilizados. Porque com a nossa liberdade não se brinca.

 

Por enquanto, estamos perante uma nebulosa. É tudo demasiado escabroso e reles para parecer verdade. Mas isto não é mais um escândalo. Que se cuidem os que, tendo um envolvimento direto ou indireto nisto, estão só à espera que a coisa passe. Se ainda nos consideramos um Estado de Direito, não pode passar. Confirmando tudo o que se tem escrito, estamos perante gangsters. E a lei tem de saber como lidar com gangsters e com os seus cúmplices.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

"À espera dos comentários do professor Marcelo, lá papo uma reportagem da TVI sobre a educação d'antanho. Vinte ou trinta carquejas com o diploma da quarta classe recitam títulos das obras de el rey Duarte e feitos da dona Barbuda de Guimarães. O subtexto da coisa é cristalino: os meninos antigamente sabiam mais que os doutores agora, e tal.

 

Esta entronização da parolice é a moda da saison desde que o ministro Crato decidiu apresentar às criancinhas as virtudes da lavoura. Pouco importa que os jovens de 2012 saibam programar em PHP e JavaScript, que conheçam países sem entrarem neles a salto e dominem razoavelmente o inglês: para milhões de pategos lusitanos, muitos deles atarantados com os comandos da TV, a única educação que presta é a de Oliveira Salazar.

 

E isto seria apenas grave, se alguns não estivessem no Governo."

 

Luís M. Jorge.


por Sérgio Lavos
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Sábado, 26 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

O Relvas ainda é ministro? E Passos Coelho, ainda não admitiu que também trocou umas ideias sobre espionagem e negócios com Silva Carvalho?


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Para quem possa ter dúvidas sobre o grau de solidariedade do capitalismo predatório, personificado pela espécie de coisa Christine Lagarde, líder do FMI:

“Penso mais nas crianças de uma escola numa pequena aldeia no Níger que têm duas horas de aulas por dia e têm de dividir uma cadeira por três”, comparou Lagarde quando questionada sobre como conseguia não pensar nas mães que não têm acesso a parteiras ou em pacientes que não conseguem obter medicamentos de que precisam para sobreviver. “Tenho-as sempre na minha mente, porque acho que precisam mais de ajuda do que as pessoas em Atenas.”

 


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2012
por Daniel Oliveira

 

Carta aberta aos Presidentes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional

 

Nas eleições de 6 de Maio o povo grego exprimiu democraticamente a sua vontade, manifestando a sua oposição às condições impostas pelo programa de assistência financeira. Essas condições lançaram os gregos no desespero e na miséria. Pela sua brutalidade, as medidas do programa estão a dilacerar a sociedade grega, provocando rupturas incompatíveis com uma recuperação social e económica que salvaguardem padrões de vida aceitáveis para a dignidade de todo o povo. 

 

Goradas as negociações para a constituição de um governo, os gregos vão regressar às urnas no próximo dia 17 de Junho. Trata-se de uma decisão enquadrada nas regras democráticas daquele país. Porém, está a assistir-se da parte dos mais altos representantes das instâncias internacionais a declarações que em nada facilitam uma solução ajustada à situação que se vive naquele país. Pelo contrário, as tomadas de posição já conhecidas vão no sentido de influenciar e condicionar a liberdade de escolha e decisão dos gregos, ao colocar na agenda política, ao arrepio dos tratados europeus, a sua saída da zona euro com todas as consequências daí decorrentes.

 

Por outro lado, no mesmo sentido da consulta eleitoral na Grécia, os resultados das consultas eleitorais realizadas recentemente em França, na Alemanha, em Itália e no Reino Unido deram um sinal inequívoco de que também naqueles países as populações estão a rejeitar as medidas de austeridade que lhes querem impor em nome de um ajustamento orçamental cujos exemplos já conhecidos em nada estão a contribuir para melhorar as economias, nem sequer se revelam úteis para atingir o apregoado objectivo de resolver o problema das suas dívidas públicas.

 

Por estas razões, os signatários desta carta aberta entendem que nas actuais circunstâncias se deve expressar todo o apoio e solidariedade ao povo grego, exigindo o cancelamento das medidas de austeridade que lhe foram impostas. Entendem também que os governos europeus não devem poupar esforços junto da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu para serem encontradas soluções que aliviem a tensão vivida em toda a Europa. Exigem, finalmente, que sejam respeitados os resultados das eleições de 17 de Junho enquanto escolha democrática do povo grego.

 

LEIA EM BAIXO OS SUBSCRITORES E ASSINE AQUI

 


por Daniel Oliveira
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por Miguel Cardina

A ciência em Portugal encontra-se - para utilizarmos uma linguagem algo eufemística - numa encruzilhada. A situação agrava-se a cada dia que passa e configura um projecto claro de desinvestimento e precarização que não é de agora mas que se tem vindo a agravar substancialmente. Por isso assinei a carta aberta que segue abaixo:

 

CARTA ABERTA AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA,
PROFESSOR DOUTOR NUNO CRATO

Exmo. Senhor Ministro da Educação e Ciência,
Portugal atravessa a maior crise económica e social desde a conquista da democracia. Esta crise traduz-se em níveis preocupantes de desemprego e da precariedade laboral, no aumento do preço de todos os bens e serviços essenciais às famílias e numa redução brutal, e sem precedentes, dos apoios sociais aos mais desfavorecidos.
Consideramos que a aposta na Ciência configura uma das soluções mais eficazes para a saída da crise, promovendo o desenvolvimento do país e a qualificação cultural, científica e social dos seus cidadãos, o que, a par do desenvolvimento da tecnologia, permitirá relançar a economia nacional e criar emprego.

Para que esta solução se concretize impõem-se algumas medidas imediatas.
O aumento da “fuga de cérebros”, fruto da ausência de oportunidades e da degradação das condições para realizar investigação em Portugal, representa um impensável desperdício económico em época de crise: é o investimento de décadas na Educação que agora abandona o país.

Sabemos que concorda connosco.

É aos bolseiros de investigação científica que se deve o recente impulso no conhecimento científico e tecnológico português. O incremento da produção científica e tecnológica nacional, em quantidade e em qualidade, que tem sido reconhecido e premiado a nível nacional e internacional, deve-se à dedicação de milhares de bolseiros e investigadores nos últimos dez anos. Os bolseiros asseguram a maior fatia da investigação produzida, asseguram uma parte substancial das necessidades de docência das universidades, muitas vezes a título “voluntário”, e asseguram uma série de outras funções, incluindo administrativas.

Apesar disso, os bolseiros de investigação científica são um alvo geralmente invisível da precariedade laboral. Os bolseiros de investigação são jovens recém-licenciados, mas são também investigadores altamente experientes de pós-doutoramento. São mães, pais, jovens e menos jovens, que vivem com “contratos” de bolsa a 3, 6 ou 12 meses. Em Portugal, os bolseiros, não progridem na carreira (porque a carreira não existe), não têm direito a contrato de trabalho e os seus vencimentos não são atualizados há mais de 10 anos. Os bolseiros não estão protegidos socialmente quando as bolsas terminam.

Somos, simultaneamente, a população mais qualificada de sempre e, por comparação, a mais precária: nunca os licenciados e doutorados representaram uma percentagem tão elevada dos desempregados. O nosso futuro é incerto e muito abaixo das legítimas expectativas de quem procurou na educação uma ferramenta para se tornar um cidadão e um profissional mais competente, servindo com isso o país. Não fomos nós que falhámos: foram as governações pautadas pela ausência de políticas de incentivo, fiscal ou outro, à criação de um mercado laboral capaz de absorver estas competências que falharam – falhando-nos a nós e ao país.

Não pedimos que resolva tudo isto de imediato, apenas que dê resposta às questões mais urgentes.

Neste último ano tem-se verificado um aumento de situações gravosas para os bolseiros de investigação afetos a projetos financiados pela Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT), que decorrem de irregularidades no fluxo financeiro entre a FCT e as entidades gestoras dos projetos.

Este facto levou à situação inédita de se renovarem contratos de bolseiros de projeto a 3 meses, em projetos aprovados pela FCT para períodos iguais ou superiores a 12 meses: é o que acontece atualmente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Não é possível planear ciência a 3 meses em projetos pensados e aprovados para períodos superiores. Principalmente, não é possível pedir a mães e pais e filhos que vivam a três meses.

A diminuição dos fluxos de pagamentos da FCT para as entidades gestoras tem condicionado também a execução dos projetos, impedindo a sua plena concretização, penalizando a produtividade dos grupos de investigação e as avaliações futuras dos seus elementos.

Assiste-se, paralelamente, a um agravamento dramático em relação aos anos anteriores dos atrasos no pagamento de novos contratos de Bolsas Individuais de Doutoramento, que já se fixa em quase 6 meses; assiste-se a atrasos nas renovações anuais de bolsas de doutoramento e de pós-doutoramento; e, finalmente, assiste-se a atrasos substanciais nos reembolsos dos pagamentos das prestações do Seguro Social Voluntário.

Os investigadores, bolseiros de investigação, presidentes de Centros de I&D e restantes cidadãos consideram que esta situação não é compatível com a dignidade, o esforço e o mérito daqueles que asseguram a investigação científica e tecnológica do país, e sublinham que ela inviabilizará, a curto prazo, uma condição fundamental para a sua recuperação económica e social: a produção científica e tecnológica. Por esse motivo, os signatários desta carta consideram fundamental que sejam tomadas as seguintes medidas:

1. A regularização do fluxo de verbas da FCT para as entidades gestoras, de forma a permitir a plena execução dos projetos;

2. Que a FCT dê prioridade à análise da rubrica "Recursos Humanos" (Bolsas), quer para Bolsas Individuais, quer para as bolsas associadas a projetos, dado que essas verbas se encontram autorizadas e orçamentadas desde a aprovação do Projeto/Plano de Trabalhos;

3. Que se proceda aos pagamentos em atraso do Seguro Social Voluntário imediatamente;

4. Que se melhore o serviço de atendimento telefónico e de correio eletrónico da FCT, permitindo àqueles que não residem em Lisboa resolver os seus problemas com celeridade;

5. Que o Senhor Ministro da Educação e Ciência interceda junto do governo, para que este assuma como prioritária uma política de incentivos conducente à criação de emprego que absorva a mão-de-obra altamente qualificada e o seu saber.

 

...............

 

Clique para ver os signatários ou assinar a petição.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

"(...)Recorde-se que em entrevista à SIC Notícias a 9 de maio, questionado sobre quem pagaria a fatura da campanha do 1.º de maio, o presidente do Grupo Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, afirmou categoricamente: "Não vamos apresentar nenhuma fatura e não entramos em contacto com nenhum fornecedor".

 

Pingo Doce: produtores pagam fatura do 1.º de maio. - Notícia de 25 de Maio.

 

Moral da história: desconfiar sempre de quem se apresenta como exemplo moral para os outros. E claro, a mentira tem sempre perna curta.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

Uma parte dos portugueses gosta de falar para mandar calar os outros. É o caso do senhor reitor da Universidade do Porto, que, numa entrevista, disse: "Acho que se estivéssemos seis meses todos calados, não criássemos mais problemas do que os que já existem e deixássemos as coisas correr, daqui a seis meses, trabalhando, veríamos que as coisas até evoluíram melhor do que o que pensámos." Outros são os que, indo a debates vários, desancam nos que vão a debates vários, porque se fala muito neste país e nada se faz. Não faltam anónimos que, em caixas de comentários, redes sociais e fora virtuais, passam o dia a dar o mesmo conselho: calem-se todos. Todos menos eles, que têm, obviamente, coisas interessantes para nos dizer.

 

Se formos simpáticos, esta ideia nasce de uma outra: a de que a palavra é oposto da ação. É um erro. Sem discussão, discordância, argumentos e conflito pela palavra não se acerta na solução e a ação é pior que não fazer nada. A palavra faz parte da ação. Ela mobiliza, questiona, analisa, põe em causa, promove. Sem ela estamos condenados ao disparate. Palavra que não age é inconsequente, é verdade. Mas ação que não se questiona é irresponsabilidade.

 

Para além de mandar calar os outros, uma parte dos portugueses passa o seu tempo a mandar os portugueses trabalhar. É um hábito nacional que parte desta estranha presunção: tirando eu, a minha família e, no caso de haver alguma educação, o meu interlocutor, ninguém trabalha neste país. Pior: que o bom trabalhador é o que não questiona e não contesta. São todos preguiçosos, queixinhas, piegas, fala-baratos. Enquanto quem o diz, claro está, se mata a trabalhar. Todos fogem aos impostos. Tirando quem o garante, como é óbvio. Todos são aldrabões. Tirando quem acusa, claro está. Endividaram-se porque foram irresponsáveis. Tirando quem o afirma, evidentemente.

 

Tenho uma proposta a fazer: que nunca mais ninguém parta do princípio que a maioria dos portugueses é pior do que a própria pessoa que fala sobre os portugueses. A maioria trabalha, é honesta, vive com dificuldades e tem direito à sua opinião. Se pararmos de fazer generalizações idiotas, que servem apenas para atirar para os que mais sofrem a culpa desta crise, e se nunca mais nos atrevermos a mandar calar os outros, como forma de impor o que defendemos sem nos darmos ao trabalho do contraditório, seremos obrigados, finalmente, a discutir o futuro deste país em vez de nos dedicarmos à flagelação de todo um povo. Nesse momento, os verdadeiros responsáveis por esta crise terão um problema.

 

Publicado no Expresso Online 


por Daniel Oliveira
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por Bruno Sena Martins


Polga emocionou-se na despedida. Depois de tantos anos receberá poucas elegias saudosas. Fim aziago: tornou-se insubstituível por sucessiva inépcia dos putativos substitutos. De tanto suster os alicerces contra a ruína cristalizou-se como ruína à vista de todos. A minha única tristeza na final da Taça mais feliz da minha vida é que Polga não a tenha podido erguer. E claro, emocionei-me na despedida de Polga, mesmo sabendo que não é a mim que ele diz adeus.

por Bruno Sena Martins
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

 

 

Sem querer procurar uma relação causa-efeito, não deixa de ser curioso que, no dia a seguir ao primeiro-ministro português ter-se oposto às Eurobrigações na reunião informal entre os líderes da UE, assumindo uma posição que objectivamente vai contra os interesses de Portugal, os juros da dívida portuguesa tenham disparado nos mercados secundários

 

Depois da reunião, marcada pela divisão entre lideres favoráveis às obrigações - Hollande à cabeça, seguido pelos primeio-ministros italiano e irlandês, assim como Mario Draghi e Herman van Rompuy - e aqueles que estão contra - Merkel, o líder finlandês, o Governo interino holandês e os amestrados Rajoy e Passos Coelho - quem fica a ganhar são a Alemanha, cuja solidez da economia permanece intocada, qualquer que seja a posição de Merkel, e a França, que parece estar a ganhar bastante com a personalidade do seu presidente - um contraste absoluto com a tibieza de Sarkozy.

 

Mas até Merkel concede que as Eurobrigações serão um possível ponto de chegada, o que mostra como a opinião da Alemanha se flexibilizou com o aparecimento do contrapoder francês. Notável é a posição de Passos Coelho, denotando que a política prosseguida em Portugal tem mais a ver com o posicionamento ideológico extremista do Governo - a "austeridade para além da austeridade" - do que com as imposições da troika. Não é de estranhar que, já por várias vezes a troika e o FMI tenham alertado o Governo para o excesso de medidas de austeridade e para as consequências que esse excesso poderá ter na economia portuguesa. O primeiro-ministro arrisca-se um dia a ser único na UE a defender posições que, em primeiro lugar, prejudicam Portugal, o que seria extraordinário. Já não se trata de uma questão de incompetência, mas sim de fanatismo ideológico - e o pior que nos poderia acontecer, durante eeste período de empobrecimento acelerado, seria sermos governados por um grupo de fanáticos neoliberais que pusesse acima do interesse nacional uma qualquer agenda ideológica impraticável. Mas talvez, mais cedo do que tarde, a perda de soberania venha a funcionar em nosso favor. Aguardemos. 


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

 

 

Os subsídios à cultura têm três funções: desenvolvimento económico, defesa da liberdade de escolha e promoção da soberania cultural.

 

Comecemos pelo desenvolvimento económico.

 

Quando andei pela Islândia a preparar a reportagem que a revista do "Expresso" publicou há 15 dias visitei uma empresa que se tem saído muito bem nesta crise. A CCP, criada em 1997 por três jovens, é responsável por um jogo online com tanta gente registada como toda a população da Islândia. Como as suas receitas são em moeda estrangeira, não foi afectada pela desvalorização da coroa. Como tudo o que faz é exportar um serviço, não foi afectada pela crise no mercado interno. Como exporta um bem imaterial, o isolamento do país não a afecta. Como tudo o que precisa é de uma mão de obra altamente especializada, tem na Islândia o excelente lugar para trabalhar.

 

A CCP é hoje a maior empresa instalada no porto de Reiquiavique e tem escritórios em Atalanta, Xangai e Newcastle. É maior do que as maiores empresas de pescas do País, o ganha pão mais seguro dos islandeses. Compreensivelmente, o Presidente da Islândia, Ólafur Grímsson, deposita muitas esperanças neste sector. Disse-me, na entrevista que então lhe fiz: "Vemos jovens a abrir empresas, a fazer investigação, a trabalhar nas artes, na música, no design, no cinema, na literatura, na tecnologias de informação, e percebemos que temos uma vida mais vibrante nos últimos três anos do que nos anteriores. O sucesso das economias no século XXI não dependerá do sector financeiro, mas dos sectores criativos."

 

Também por cá, o sector da tecnologias de informação e do entretenimento é tratado, em discursos de circunstância de muitos políticos, como fundamental para termos algum futuro económico que não dependa de salários baixos. Regresso então à sede da CCP, onde tive uma interessante conversa com um dos responsáveis pelas relações públicas da empresa. Dizia-me Eldor Astthorsson: "A indústria IT não cresce num país onde não haja muita atividade cultural tradicional. É a ela que vamos buscar os músicos, os guionistas, os estilistas, os desenhadores e os realizadores que fazem os nossos jogos. Os computadores não chegam para garantir a indústria de entretenimento".

 

E isto não se aplica apenas à indústria dos jogos de computador. Não há indústria do calçado, do têxtil ou do mobiliário que sobreviva sem bons designers. E não há bons designers sem bons artistas plásticos. Não há desenvolvimento das telecomunicações, dos novos media e do entretenimento sem conteúdos. E não há conteúdos sem desenvolvimento das artes. Não há turismo competitivo sem atividades culturais. E não há atividades culturais, incluindo as do puro entretenimento, sem cinema, teatro, literatura. Não há cinema comercial sem o experimentalismo do cinema de autor. Não há marketing sem publicidade, não há publicidade sem realizadores e guionistas.

 

O sector cultural e criativo representava, em 2010, 3,4% do comércio mundial. Em Portugal gerava 2,8% da riqueza e dava emprego a 126 mil pessoas. Neste sector estão incluídas muitas atividades, que vão do património à publicidade. Mas o combustível desta gigantesca indústria em crescimento são as atividades culturais nucleares: o cinema, a literatura, o teatro, a dança. Sem elas, o motor para. E a criatividade que pode alimentar a economia também.

 

Se os sucedâneos comerciais das atividades criativas têm retorno quase imediato, o mesmo não acontece com as atividades culturais de que se alimentam. Todos os países desenvolvidos do mundo, EUA incluídos, têm financiamento público à criação artística. E se isto é verdade em países com mercados de alguma dimensão, em países do tamanho de Portugal deveria ser indiscutível. Assim como o apoio público à Investigação e Desenvolvimento não tem retorno imediato mas é central para o desenvolvimento económico e social de qualquer país, o apoio à cultura é prioritário para quem não queira condenar uma sociedade ao subdesenvolvimento económico, social e cultural. Os subsídios à cultura não são uma esmola. São um investimento. Um pequeníssimo investimento, para dizer a verdade. Talvez dos investimentos públicos onde a relação entre o que é gasto e o retorno final é mais favorável.

 

Quanto à defesa da liberdade de escolha, a coisa é ainda mais simples de perceber.

 

O Estado não tem gosto. Não escolhe o que é bom e o que é mau. Sabe apenas uma coisa: se deixarmos a cultura apenas ao mercado só teremos acesso ao que tenha retorno financeiro imediato. E o que tem retorno imediato é o que agrada ao máximo de pessoas pelo mínimo investimento possível. E, acima de tudo, o que represente menor risco. A produção com intuitos meramente comerciais é, por natureza, conservadora e avessa ao risco. Inova pouco porque se dirige ao gosto mainstream. Isso não tem mal nenhum. Eu gosto de filmes comerciais. Mas se ficarmos por aí nem os filmes comerciais sobrevivem.

 

É comum dizer-se que devem ser as pessoas a escolher o que querem ler, ouvir e ver. Assino por baixo. Não tenho a arrogância de pensar que o que eu gosto é melhor do que o gosto dos outros. Apenas sei que se não houver uma política pública para garantir a diversidade ela morre. E eu, como todos os outros, deixo de ter a possibilidade de escolher. Apenas posso ler, ouvir e ler o que a maioria quer ler, ouvir e ver.

 

Ponho a coisa assim: sem investimento público (seja de Estados, seja de monarcas ou instituições mais ou menos públicas), não teríamos podido ouvir Bach ou contemplar grande parte do nosso património arquitectónico. E sem isso, até a nossa música comercial e arquitetura mais acessível seriam hoje muito mais pobres. Resumindo: o investimento público na cultura é a única forma, sobretudo num país da dimensão de Portugal, de garantir a liberdade de escolha que os absolutistas do mercado dizem defender.

 

Por fim, a soberania cultural.

 

Talvez não se saiba, mas, depois do futebol e das praias, a literatura e o cinema portugueses são, de longe, os melhores embaixadores do País. Fica bem desprezar Manoel de Oliveira e João César Monteiro. Mas vão por essa Europa fora e ficarão a saber que são bem mais conhecidos do que a esmagadora maioria das nossos banqueiros ou estadistas. Claro que saem mais caros que um Saramago ou um Lobo Antunes. Apenas porque o cinema exige um investimento dispensável na escrita. Mas um país sem criadores é um país que não existe. Porque nada tem a acrescentar a um mundo globalizado. Não existe na economia, não existe na política, não existe na diplomacia.

 

O cinema português assistiu a um corte de 100% de investimento público. Nenhum outro sector vive tal sangria. Neste momento, nenhum dinheiro público (que resulta de taxas sobre a publicidade e não, como muitos julgam, do Orçamento do Estado) está a ser canalizado para a produção cinematográfica. Assistimos, na música (os membros da Orquestra Metropolitana de Lisboa estão hoje em greve, garantindo eventos culturais à população de borla), noteatro e na dança ao mesmo tipo de desinvestimento público que está a levar a criação cultural à penúria absoluta. O estado de falência é generalizado. Dirão: no meio desta crise económica, o que interessa? Interessa tudo. Isto, claro, se alguma vez quisermos sair do subdesenvolvimento político, económico e social que nos atrasou e nos deixou tão vulneráveis a esta crise.

 

Tenho lido, pacientemente, muitos disparates sobre os subsídios ao cinema e à cultura. Muito resulta de puraignorância. Noutros casos, trata-se de ressentimento social e cultural. Noutros ainda, de populismo barato, num país onde a palavra "intelectual" é usada como insulto. Sobre os prémios internacionais recebidos pelos realizadores João Salaviza e Miguel Gomes, houve mesmo quem tivesse escrito que se tratavam de subsidiodependentes de "chapéu na mão" incapazes de captar investidores internacionais para o seu trabalho. Dá-se o caso de "Rafa" e "Tabu" terem conseguido, antes dos prémios que receberam, financiamento francês, alemão e brasileiro. Porquê? Porque há países que sabem o que andam a fazer. Passaram, por assim dizer, à fase da maioridade. Investir na cultura (incluindo na produzida por estrangeiros) é visto como uma indiscutível prioridade política. Aqui, pelo contrário,desprezar os artistas e tratá-los como pedintes mimados rende muito aplauso fácil. Pagaremos cara tanta ignorância atrevida.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

 

Talvez com medo de que o ministro fizesse uma figura parecida à que fez na comissão de inquérito às secretas, lá teve a maioria parlamentar PSD/CDS de chumbar a sua ida à Assembleia para esclarecer a razão da chantagem, das ameaças e das contradições no caso Público/Relvas. Tudo bem. Simboliza uma escolha: o Governo decide proteger um dos seus pontos mais fracos, arriscando um longo período de fogo lento na opinião pública. Lá terá as suas razões. Mas, e se as razões forem, na realidade, as melhores possíveis? E se na origem de tanto zelo estivesse o papel do próprio primeiro-ministro no problema que dá pelo nome de Silva Carvalho? E se Miguel Relvas estiver a expor o peito às balas para proteger Passos Coelho? No fim de contas, foi o próprio Público que noticiou as reuniões entre o ex-espião e Passos Coelho, há pelo menos um ano*. Talvez até tenha sido Relvas a proporcionar o bonito encontro de espíritos entre Silva Carvalho e Passos Coelho - via loja Mozart - mas a partir do momento em que o produto tóxico tocou as mãos do primeiro-ministro, tudo terá ficado contaminado. E que relação terá este bonito ménage à trois com a notícia do Público que o ministro da propaganda conseguiu abafar com os seus exaltados telefonemas? O amor é verdadeiramente uma coisa bonita - e ainda agora a história começou.

 

*Actualizado com link - obrigado ao comentador Joe Strummer.


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina


por Miguel Cardina
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por Pedro Vieira

 

 

 

rabiscos vieira

Portugal vai ter de adoptar mais medidas de austeridade para cumprir metas da troika

 


por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos

Enquanto o Governo PSD/CDS vai cortando em tudo o que consegue tocar - o Estado Social e os contribuintes privados - o verdadeiro cancro que foi corroendo as contas públicas ao longo dos anos continua a crescer. Durante o primeiro trimestre deste ano, o Estado gastou mais 324 milhões de euros com as PPP's - um aumento de 28.8% - face ao mesmo período de 2011. Não admira que o centrão dos interesses esteja em sintonia em quase tudo e que a oposição de Seguro seja uma anedota, uma farsa pseudo-democrática; valores mais altos se levantam, quando chegamos às empresas que dependem da teta do Estado para prosperar. O capitalismo corporativista luso é um fenómeno que está para durar. Custe o que custar... ao bolso dos portugueses mais pobres.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

 

"Um grupo de cerca de 15 indivíduos afectos às milícias pró-governamentais, armados com pistolas, catanas e varas de ferro, atacou esta noite o núcleo de jovens que tem liderado a organização de manifestações anti-Dos Santos, desde Março de 2011.

 

Pouco depois das 22h00, os atacantes irromperam, de surpresa, a residência do rapper Casimiro Carbono, no Bairro Nelito Soares, em Luanda, onde se encontravam reunidos 10 jovens.

 

De pistolas em punho, os atacantes espancaram violentamente Gaspar Luamba, Américo Vaz, Mbanza Hamza, Tukayano Rosalino, Alexandre Dias dos Santos, Jang Nómada, Massilon Chindombe, Mabiala Kianda, e Explosivo Mental. O anfitriao, Casimiro Carbono, escapou aos ataques por ter saído pouco antes para atender a um telefonema.

 

Afonso Mayanda “Mbanza Hamza”, 26 anos, explicou como os agressores, mal abriram a porta, executaram, de forma profissional e rápida, os ataques. “Bateram-me com uma vara de ferro na cabeça e em todo o corpo, e apontavam as pistolas para não reagirmos à pancadaria”, disse Mbanza Hamza. O jovem sofreu fracturas na cabeça, que levou 12 pontos, e no braço direito.

 

Gaspar Luamba também foi severamente atingido na cabeça com vara de ferro, tendo levado oito pontos, e ficou com os membros inferiores fracturados com a pancadaria. Um dos delinquentes pró-regime também assestou uma barra de ferro na cabeça de Jang Nómada, causando-lhe grande ferimento, para além da pancadaria que recebeu por todo o corpo.

 

Por sua vez, o rapper Jeremias Manuel Augusto “Explosivo Mental”, 25 anos, ofereceu resistência aos ataques na cabeça e acabou com os braços inflamados, um dedo da mão direita fracturado, e hematomas por todo o corpo.

 

Massilon Chindombe, que procurou refúgio no quarto, contou como um dos assaltantes lhe apontou a pistola quando tentava fechar a porta. “Gritámos que estávamos a chamar a polícia e ele riu e respondeu ‘qual polícia’?” O activista conta que, após o ataque levaram as vítimas ao Hospital Américo Boavida. “O Luamba e o Mbanza Hamza perderam muito sangue e estavam semi-conscientes. No hospital um dos enfermeiros começou a suturar o Luamba sem anestesia ou cuidados básicos de higiene. Tivemos de ir para uma clínica privada”, explicou.

 

Esta é a segunda vez que a milícias invadem a residência de Carbono Casimiro. A primeira aconteceu a 9 de Março passado, tendo os agressores atacado, com barras de ferro, o anfitrião, os activistas Liberdade Sampaio, Catumbila Faz-Tudo “Caveira”, Nelito Ramalhete e António Roque dos Santos. Estes planificavam um protesto anti-Dos Santos para o dia seguinte. A 10 de Março, os atacantes dispersaram violentamente uma concentração de cerca de 30 manifestantes, no Tanque do Cazenga, em Luanda, tendo causado sérios ferimentos, entre outros, ao rapper Luaty Beirão “Ikonoklasta”, ao secretário-geral do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, que teve de ser operado na Alemanha. A Televisão Pública de Angola (TPA) deu amplo espaço, a 12 de Março, a um suposto “Grupo de Cidadãos Angolanos pela Paz, Segurança e Democracia na República de Angola” que reivindicou os ataques e prometeu mais actos de violência contra todos aqueles que se manifestem contra o regime.

 

A censura e o controlo da informação na TPA são monitorados de forma minuciosa pelo Executivo do Presidente José Eduardo dos Santos e a leitura de um comunicado, em que um grupo desconhecido, se vangloriava de ter cometido um crime, em circunstância alguma teria passado sem o aval das autoridades. Os extremistas pró-governamentais inspiraram-se no modelo de comunicados de organizações fundamentalistas árabes para transmitir a sua imagem de terror.

 

Ao retirarem-se do local do crime, as milícias, segundo várias testemunhas oculares, efectuaram três disparos para afugentar a vizinhança que se começava a reunir na rua, e o fizeram em viaturas Land-Cruiser alegadamente atribuídas a oficiais da Polícia Nacional. Em várias manifestações, reprimidas pela Polícia Nacional, o grupo de agressores realizava sempre os seus actos de violência com protecção policial. Alguns dos seus membros são identificados como oficiais desta corporação.

 

Desde a passada segunda-feira, os organizadores das manifestações contam com um programa radiofónico bi-semanal na Rádio Despertar, onde pretendem promover a liberdade de expressão e falar de protestos. Segundo Carbono Casimiro, a reunião, que sofreu o ataque, “visava traçar novas estratégias para o nosso programa de rádio, e estávamos também a discutir outros problemas de organização interna e projectos”. A Rádio Despertar emite, desde 2006, como parte dos Acordos de Paz que permitiram, à UNITA, a transformação da sua então estação emissora Voz do Galo Negro (Vorgan) em rádio comercial. Esta emite em Luanda apenas, em Frequência Modelada (FM), e tem vindo a aumentar a sua audiência pela sua linha editorial marcadamente anti-regime."

 

Retirado de Maka Angola (de Rafael Marques), Fotos retiradas do blogue Central Algola 7311


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

Uma empresa (Ambição Internacional Marketing) exigiu, em tribunal, que os comentários a um post do blogue do movimento Precários Inflexíveis fossem apagados. Primeiro facto: o texto em causa era sobre uma outra empresa (Axes Market). Na realidade, os nomes de várias empresas vão-se sucedendo, sempre com a mesma morada, e é por isso provável que seja sempre a mesma. Eles lá sabem porque não gostam de ser identificados. Note-se: não se pediu para ser apagado o post original ou qualquer comentário específico considerado injurioso. Todos os 360 comentários, falassem daquelas duas empresas, deviam desaparecer.

 

Com base no direito da empresa "a ver respeitada a sua honra", o tribunal não mandou apagar tudo, mas muitos dos comentários, mais uma vez incluindo os que nem sequer a referiam. Ou seja, de forma arbitrária, o tribunal decidiu, sem a análise de qualquer matéria de prova de que havia ali qualquer injúria, o que era ou não aceitável escrever. As denúncias de atropelos à legalidade por parte desta empresa, feitas por várias pessoas que nãõ~se conhecem e que com ela trabalharam, até podem ser todas verdadeiras. Mesmo que a empresa viole o tribunal decidiu que, em defesa da sua honra, que essas violações devem ser ocultadas.

 

A Ambição International Marketing, que avançou com o processo, nunca pediu direito de resposta aos Precários Inflexíveis ou contactou o movimento. Não avançou com qualquer queixa relativa ao conteúdo de qualquer comentário, que permitiria aferir se estes eram ou não injuriosos. Não se tratou, assim, de saber se o que foi escrito nestes comentários era falso ou verdadeiro. Era negativo para uma empresa, ela exige censura e o tribunal manda aplicar.Saber se, com esta decisão, está a ser cúmplice com a ocultação de violações da lei não parece ter preocupado o juiz que tomou esta brilhante decisão.

 

Porque não aceito que a justiça possa ser um instrumento de censura a pedido de quem não gosta de ser criticado,publico aqui alguns dos comentários que o tribunal mandou apagar, já que a providência cautelar apenas diz respeito àquele blogue específico e não se aplica a este espaço ou a qualquer outro. Mostrando a estes senhores que, quando tentarem calar os outros, apenas se habilitam a ampliar-lhes a voz. Que esta censura, com a inacreditável cumplicidade de um tribunal que parece desconhecer o valor constitucional da liberdade de expressão, tenha o efeito exatamente oposto ao pretendido.


"Eu fui lá ontem,e achei que a empresa era séria,agora chama-se International Marketing Lda e encontra-se na Rua dos Fanqueiros Nº277 2ºesq,chamaram-me para ir lá hoje passar o dia e não sei o que fazer, sei que disseram-me o mesmo que vós disseram, mas não parece que estejam a enganar. mas hoje vou tirar isso a limpo com a Ana Santos"


"Boa tarde,

Fui a primeira entrevista ontem na rua dos fanqueiros e confirmo tudo o que está aqui, uma espanhola a falar a mil, fui "selecionado" para passar um dia com eles na segunda-feira, podem me explicar em que consiste o trabalho??"


"É para vendas porta-a-porta ou "peditórios", conforme a campanha com que estejam actualmente. É 100% à comissão, logo não tens direito a nenhum subsídio, ou seja, pagas a tua alimentação, roupa (que tem que ser formal!) e deslocações para o "escritório", e daí para o local para onde te enviem. Espera-se que trabalhes 12h/dia, de segunda a sábado.

Ah, e quando te vais embora não te pagam sequer as comissões das vendas que fizeste, que foi o que me aconteceu a mim."


"Olá a todos. Obrigada pelos vosso comentários. Recebi um mail de resposta à candidatura para o INTERNATIONAL MARKETING LDA, mas achei estranho a forma como estava redigido, centrando-se muito na "sorte" que se teve ao ser-se um dos escolhidos entre muitos. Também achei estranho o facto de termos de ser nós a telefonar-lhes e não oposto. Fui procurar na net informação sobre a empresa e não encontrei nada, deparei-me apenas com os vossos testemunhos.

Isto assusta-me muito. na realidade já existem empregos em que o patrão se aproveita do trabalhador perante a garantia do seu desespero em manter-se empregado. Questiono-me se não nos fizermos respeitar onde é que as injustiças laborais vão parar. O esquema dessa empresa parece-me um futuro negro que se pode multiplicar e tornar a realidade. Obrigada a todos."


"Só queria dizer, que fui a essa BF Group, e também passei o dia das 10h as 19h, com eles porta-a-porta, e rejeitei o que eles me pediam. Tou desempregado, mas hj vi um anuncio de emprego para essa international markting portugal, e obrigado pelos vossos testemunhos, mas assim ja n vou la fazer nada....."

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

Portugal vai ter de adoptar mais medidas de austeridade para cumprir metas da troika.

 

Desemprego continuará a subir em Portugal até aos 16,2% em 2013.

 

O Titanic segue de vento em popa. E aquilo já ali à frente - branco, gigantesco e frio - não é um icebergue.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 22 de Maio de 2012
por Andrea Peniche

Foi hoje decretada uma providência cautelar sobre o blogue dos Precários Inflexíveis que os obriga a apagar os comentários surgidos a propósito de um post (de 10 de maio) onde se dá eco a um testemunho de uma pessoa burlada por uma empresa que faz da fraude o seu modo de vida, a Axes Market. Esta denúncia suscitou mais de 350 comentários onde é relatada a experiência de pessoas que esta e outras empresas com a mesma forma de atuação burlaram.

 

Uma delas, a Ambição Internacional Marketing, decidiu apresentar uma providência cautelar argumentando que os comentários criaram dificuldades acrescidas no recrutamento de novos profissionais. Quem esperava que estas denúncias pudessem suscitar uma investigação sobre a forma de atuação destas empresas, desengane-se. Aquilo que o Tribunal determinou foi a suspensão ou ocultação dos comentários, estipulando ainda uma multa diária de 50 euros por cada dia de atraso no cumprimento da deliberação.

 

Curiosamente, nenhuma das empresas denunciadas nos comentários avançou com processos contra quem os escreveu, nem tão pouco contactou ou solicitou o direito de resposta ao blogue. Quando não há argumentos, silenciar parece ser o caminho que resta. Os Precários Inflexíveis, em comunicado, prometem reagir judicialmente por não aceitarem que a Justiça seja instrumentalizada.

 

Também hoje o reitor da Universidade do Porto, Marques dos Santos, apelou ao silêncio «para não criar mais problemas» ao país. Segundo ele, «se estivéssemos seis meses todos calados, se não criássemos mais problemas do que os que já existem e deixássemos as coisas correr, daqui a seis meses, trabalhando, veríamos que as coisas até evoluíram melhor do que o que pensámos».

 

Entre tudo isto e a concretização da suspensão da democracia proposta em tempos pela Manuela Ferreira Leite, a distância é cada vez mais curta.

 


por Andrea Peniche
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por Sérgio Lavos

O Rodrigo Moita de Deus, na ausência de uma coluna vertebral e do mínimo sentido de decoro, decidiu dedicar-se a jogos florais e a outras brincadeiras de criança. Compreendo: é a vidinha, contra ela não há "gritos de liberdade" que resistam.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Pergunta de uma jornalista do "Sol" dirigida aos responsáveis pela discoteca Trumps:

"Boa noite, 

sou jornalista do Semanário Sol e estou a fazer um artigo sobre a morte da Donna Summer. Gostaria, se possível, que me explicassem porque é que ela é considerada um ícone gay e de saber em que medida a música dela influenciou a vossa discoteca. 
Aguardo resposta. 

Obrigada. 

Cumprimentos, 

Rita Osório."

Resposta da discoteca Trumps:

"Pergunte ao seu diretor, que é a pessoa que melhor sabe analisar o fenómeno gay no Mundo inteiro a começar na FNAC do Chiado."

 

Retirado da página de facebook do Trumps


por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira



por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

Miguel Relvas não é um ministro qualquer. É o ministro que tutela a RTP e toda a política de comunicação social do governo. Confirmando-se que ameaçou a jornalista Maria José Oliveira de revelar pormenores da sua vida privada, fazendo chantagem sobre a comunicação social, estamos perante um caso que não pode ser apenas mais um episódio mediático que passará com o tempo. É simples: se Miguel Relvas faz isto junto de órgão de comunicação social sobre o qual não tem qualquer poder, imagine-se o que fará com a rádio e televisão pública que tutela. Não precisamos de imaginar. Sabemos o que fez no caso de Pedro Rosa Mendes.

 

Segundo o artigo 38º da Constituição da República Portuguesa o Estado está obrigado a assegurar "a liberdade e independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico". Se é o próprio ministro com a responsabilidade de dirigir a política do Estado para a comunicação social a pôr em causa, de forma tão descarada e primitiva, a liberdade e independência da comunicação social, como pode a República mantê-lo neste lugar? Das duas uma: ou Relvas não fez tal ameaça e a jornalista, por uma qualquer estranha razão, resolveu inventar tão mirabolante história, ou Relvas fez aquilo de que é acusado e resta-lhe demitir-se (ou ser demitido) das suas funções. O que está em causa não é um pormenor. É um valor constitucional de primeira importância.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

 

O vendedor de t-shirts retratado acima está preocupado com juízos apressados e classifica de ruído o caso Relvas. Hoje, numa televisão perto de si. Lata não falta a esta gente. Tudo o resto - competência jornalística, espinha, vergonha na cara - já se foi há muito tempo. Pocilga, verdadeiramente uma pocilga.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

A direita europeia tem passado as duas últimas semanas a chantagear o povo grego e a demonizar o líder do Syriza, Alexis Tsipras; e reafirmando um poder de soberania que manifestamente os gregos não admitem. Desde Merkel até Lagarde, passando pelo inefável José Manuel Barroso, todos parecem querer ter uma palavra a dizer sobre o destino da Grécia.

 

Não se pode negar que tenham. O que preferem querer esquecer é que ao destino de Grécia está intimamente unido o futuro do Euro e da União Europeia. Por isso não se percebe a posição de força desta direita que oscila entre a cegueira ideológica e a orgulhosa teimosia. Todos os dias se repetem as ameaças: as medidas de austeridade são para cumprir. Ignorando que foram essas medidas de austeridade que levaram ao descalabro económico da Grécia e, estranhamente, de acordo com as belas cabecinhas pensadoras desta gente, à ascensão dos partidos de protesto nas legislativas. É como se a Europa estivesse a seguir disparada em direcção ao abismo, ignorando todos os sinais alertando para o fim da linha.

 

Ao ouvirmos o discurso extremista, violento, xenófobo destes líderes europeus - os ministros dos Negócios Estrangeiros e das Finanças alemães conseguem ir mais longe do que Merkel, neste aspecto - quase que nos surpreendemos com a articulação e sensatez do líder da esquerda radical grega. Tsipras tem aproveitado o foco mediático para fazer passar a sua mensagem. Não só internamente - estando a conseguir convencer os gregos a votarem útil no Syriza - mas sobretudo no exterior. Fluente na língua inglesa, tem concedido várias entrevistas a jornais e televisões um pouco por todo o lado. E o que tem dito ele? O evidente. Que a crise na Grécia é também europeia e que uma eventual saída do Euro irá provocar um efeito dominó de imprevisíveis proporções; que a criminosa austeridade imposta aos gregos não leva a lado nenhum e está a provocar uma crise humanitaria no país; e que sem crescimento económico, a Grécia nunca conseguirá pagar a sua dívida. Reafirmando a sua condição de europeísta e de defensor da moeda única, recusando a via argentina da suspensão total do pagamento da dívida, Tsipras vai aplicando cirurgicamente bofetadas de luva branca nos líderes europeus que enchem hipocritamente a boca de "espírito europeu" mas fazem o contrário do que esse espírito significa.

 

As lições de Tsipras poderão não vir a ser aplicadas na Grécia - não é garantido que o Syriza venha a formar Governo - mas a verdade é que os gregos estão ensinar ao resto da Europa como deve funcionar a democracia, evocando a famosa frase de Abraham Lincoln, "a democracia deve ser o governo do povo, pelo povo, para o povo". Quando mais de 23% da população está desempregada, mais de metade na pobreza e deixa de haver esperança num futuro, que sentido fará para o povo grego continuar a votar em quem apenas consegue prometer a continuidade deste empobrecimento? Parece tão simples, não é?

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por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

A perspectiva correcta, pelo Ricardo Alves:

 

O Ministério Público ordenou que fossem apagados os ficheiros armazenados nos telemóveis do ex-diretor do SIED, que incluiam milhares de contactos de figuras públicas e políticas, nomeadamente, aspetos da vida privada e orientação sexual dos visados» (Expresso).

 

«Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista (...) de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara (...) O PÚBLICO perguntou ao ministro Miguel Relvas se apagara as mensagens electrónicas que recebera do antigo director do SIED, Silva Carvalho» (Público)."

É necessário não perder de vista o que está na origem do fedor.


por Sérgio Lavos
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