Terça-feira, 31 de Julho de 2012
por Pedro Vieira

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por Daniel Oliveira

Nuvens, de Teresa Dias Coelho

Quando voltarmos de férias, aqueles que as têm, é certo que encontraremos uma Europa e um País diferentes. É impossível fazer grandes previsões. Mas sabemos algumas coisas: que a Grécia está a um passo de sair do euro, o que coloca Portugal no primeiro lugar da lista de espera; que a Espanha está à beira do colapso, o que seria um rombo sem remédio no euro; que a Itália se prepara para ser notícia séria nos próximos meses; e que a Alemanha não tenciona abandonar o seu autismo, bloqueando qualquer solução que salve o euro do seu próprio suicídio.

 

Quando voltarmos de férias, aqueles que as têm, começaremos o debate sobre uma mais que certa renegociação do memorando, o que, com este governo, pode significar um memorando ainda pior. Que o governo estará a tentar encontrar uma alternativa para a poupança que queria fazer através do roubo do dos subsídios de férias e Nataldos funcionários públicos. Roubando rendimentos, através de novos impostos, aos trabalhadores do privado, ou arranjando formas de desobedecer à decisão do Tribunal Constitucional, transformado, como noutros tempos, numa "força do bloqueio". Sendo certo que, mantendo o rumo que definiu desde que chegou ao governo, a crise económica nacional entrará numa nova fase bem mais grave do que a atual.

 

Quando voltarmos de féria, aqueles que as têm, saberemos que este foi o último Verão em que vivemos numa relativa, mesmo que precária, normalidade política e económica de Portugal e da Europa. Escrevi-o há dois anos e não foi por auto-inspiração: 2013 será o ano decisivo para o euro e, seguramente, para Portugal. É o ano que a própria Alemanha tinha determinado como o do tudo ou nada. Em que, na infinita irresponsabilidade que domina o seu governo, de que as declarações do seu ministro da economia sobre a saída da Grécia do euro são apenas mais um exemplo, se fará o redesenho dos equilíbrios europeus. Não o sabem os alemães, mas sabe quem não vive maravilhado com a imagem que lhe reflete o seu generoso espelho, poderá ser o ano em que o euro e, com ele, o projeto político europeu, entrará na sua derradeira fase decadente.

 

Posso estar enganado. Na realidade, perante tanta incerteza, toda a gente pode estar enganada sobre o que nos espera a todos. Mas o mais provável é que este seja o último Verão em que ainda só estaremos descontentes. Nos seguintes suspeito que estaremos a reaprender a viver sem a União que conhecíamos até hoje. E em Berlim pode erguer-se mais um dos tantos memoriais que a Alemanha dedica aos seus erros históricos: aqui morreu o projeto que garantiu meio século de paz e propriedade aos europeus.


Publicado no Expresso Online (a coluna do Expresso só regressa em Setembro)


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2012
por Pedro Vieira

Falsa ameaça de bomba com...geleira.


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

Portugal vive um momento único. Daqueles momentos fundadores de um novo tempo. O que ele será, nenhum de nós sabe. O provável é que sejamos surpreendidos e contrariados em todas as nossas previsões. A crise económica, a iminente, mas não certa, saída do euro e a segura degradação social e política produzirão os seus efeitos. Certo é que a minha geração e as gerações que a ela se seguem - as que não viveram ativamente os anos imediatamente posteriores ao nascimento da nossa democracia - estão a viver o período politicamente mais relevante das suas vidas. E é neste cenário que os vários atores políticos e sociais que se opõe ao saque do País vão ter de decidir que papel terão no futuro.

 

Por enquanto, todos parecem continuar a fazer tudo como antes. Como se nada de novo estivesse a acontecer. Como sempre, em todos os tempos e em todas as Nações, o País político e institucional rege-se pela inércia e pelo hábito. Mas alguma coisa acabará por ter de mudar.

 

A direita que não se sente representada pelo fanatismo ideológico que nos governa terá de fazer um corte com o deslumbramento de recém-estrangeirado e com uma cultura de subjugação ao poder financeiro, dando lugar a um pragmatismo patriótico que não a leve na enxurrada do descontentamento que virá. Apesar de uma direita mais autoritária não ter, desde o 25 de Abril, tradição no nosso País, não está escrito nas estrelas que sempre assim será. Se a direita conservadora com preocupações sociais e éticas não cumprir o seu papel, gente mais perigosa o fará.

 

O Partido Socialista, com a provável assinatura de um novo memorando, terá de abandonar a sua estratégia de sempre, quando está na oposição (já para não falar da que usa quando está no governo): a de basear o seu comportamento numa imagem de responsabilidade sem qualquer conteúdo político, que lhe retira qualquer utilidade como verdadeira alternativa. Já não basta arranjar um líder com mais carisma, apresentar-se como um mal menor e sacar à sua direita e à sua esquerda uns nomes que componham o ramalhete e criem uma "dinâmica de vitória". Não é só a esquerda fora do "arco de poder" que não tem sabido apresentar-se como alternativa credível. O PS há muito que não desempenha esse papel.

 

O PCP terá de compreender que, num tempo absolutamente novo, com uma realidade laboral e social completamente diferente, já não chega preservar uma memória de luta que o honra - e honra. Poderá, por falta de alternativas, manter intacta a sua fortaleza. Mas ela contará cada vez menos na luta social e política. Devemos aos comunistas coisas boas e coisas más. Soube representar um país de excluídos, enquadrado numa mundividência cada vez mais anacrónica. Um país social e uma memória que, se não fosse o PCP, estariam fora da representação institucional e política. Mas um país que conta cada vez menos nos conflitos sociais relevantes. Até porque, enconchado na sua própria autopreservação institucional e ideológica, essa mais-valia vive isolada dos outros, temendo ser contagiada por culturas e modos de agir diferentes.

 

O Bloco de Esquerda terá de sair da encruzilhada em que se encontra. O estado de graça que a novidade naturalmente lhe garantiu acabou. E construir uma alternativa depende da capacidade de, à esquerda, saber fazer todas as pontes, tendo na recusa do sectarismo a sua principal marca identitária. Aceitando o que muito dificilmente qualquer partido aceita: que, em tempos tão dramáticos, ele é muito curto para a construção de uma alternativa. E que a acumulação de forças, por via do descontentamento crescente, nem é provável, nem, mesmo que acontecesse, seria suficiente para que tivesse um papel útil no cenário que nos espera. Um partido que nasceu para desbloquear a esquerda portuguesa não pode transformar-se em mais um factor de bloqueamento, regressando à velha cultura de seita que condenou a esquerda redical portuguesa. Até porque, tendo em conta a juventude do BE e a natureza da sua base social, dificilmente, ao contrário de outros, sobreviverá ao seu próprio autismo.

 

Os empresários do sector produtivo têm de perceber que, neste momento específico, o capitalismo financeiro, que vive da especulação à custa da produção, é seu inimigo. E que, por isso, também são diferentes os seus aliados. Aceitarem manter-se reféns de quem nada produz é aceitarem o fim do seu próprio poder. Posso não me rever nas suas aspirações de sempre. Mas também posso aceitar que, vivendo momentos dramáticos, há interesses circunstanciais que nos são comuns. Mas para que isso seja possível é fundamental abandonarem a cultura rentista, que vive do tráfico de influências no Estado. Até porque, neste novo mundo, ela apenas beneficiará os novos senhores do dinheiro. E eles não são os barões da indústria. É a banca que, aos poucos, suga os recursos toda a atividade produtiva das Nações. Entre a ética do capitalista tradicional e a ética do especulador apenas a legitimidade do lucro lhes é comum. Tudo o resto os afasta.

 

Os sindicatos terão de reaprender quase tudo. Adaptar-se a uma nova realidade laboral, onde a maioria da população ativa ou está desempregada ou tem vínculos laborais ultra-precários. Isto não significa abandonar a defesa dos direitos dos que ainda têm contrato. Cada direito que aí se perde não é um direito que os precários e os desempregados ganham. Pelo contrário, é uma vitória de quem quer que o trabalho volte a ser tratado como uma mera mercadoria. Conseguir representar dois mundos - o das relações laborais que a democracia social nos garantiu e o da semi-escravatura em que a esmagadora maioria dos jovens vive - não é nada fácil. Mas é a única forma de impedir que se alimente um confronto geracional que apenas serve a quem quer dividir para reinar. Em Portugal, o primeiro desafio ao movimento sindical - o único movimento social realmente estruturado no País - é mais prosaico: libertar-se das tutelas partidárias que limitam a sua força e a sua representatividade.

 

Os pequenos movimentos sociais dispersos têm de ultrapassar a fase mais ou menos espontânea ou de tribo em que vivem e saber dar conteúdo político à manifestação da indignação e frustração das pessoas. Têm de ambicionar ganhar representação maioritária e, para isso, abandonar as tradicionais formas de participação, que apenas podem incluir os mesmos de sempre. Isto, sem embarcar na ingenuidade de pensarem que estão, a cada momento, a inventar a roda. Não desprezado os movimentos sociais e políticos tradicionais, como os sindicatos e os partidos. Na história, nunca se começa do zero.

 

Termino como acabei: vivemos tempos únicos. Quase tudo tem de ser reaprendido. Mas nada começa sem um passado. Os atores políticos e sociais que existem, e é com o que existe que se faz política, terão de se adaptar para combater o saque deste País. Começando por repensar a sua política de alianças, que podem ter de ser bem mais amplas do que alguma vez imaginaram. Quem não perceba que vivemos um momento de emergência nacional, e continue a tratar de si próprio, estará condenado à inutilidade.

 

Claro que aqui quase só disse o que não pode continuar a ser. Não sou diferente, nos meus vícios e defeitos, dos que critico. Também eu não sei bem o que nos espera. Também eu aprendi a fazer política num tempo diferente deste. Também estou, como todos os que querem travar a destruição do Estado Social, confuso e a tatear caminhos. Massaber da urgência é um bom ponto de partida para querer mudar de vida.

 


Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Sábado, 28 de Julho de 2012
por Daniel Oliveira

Vídeo que passará hoje no "Eixo do Mal". Da revista "Sábado", em 2009.

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 27 de Julho de 2012
por Pedro Vieira

 

 

rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

Miguel Relvas é, mesmo que muitos acreditem que tudo passará, um ministro a prazo. Já todos os jornalistas, todos os políticos da oposição e até todos os humoristas perceberam que a sua vida é um poço sem fundo de escândalos.Mas ele tem uma função: privatizar a RTP. E privatizar com uma agenda. Mudando o panorama mediático português e, com ele, o panorama político. Dando, provavelmente, espaço mediático a uma direita trauliteira e radical. E, no meio, tratando, da forma expedita que já lhe conhecemos, de negócios.

 

Acontece que Miguel Relvas, o político mais desprezado pelos portugueses, não tem legitimidade moral para vender nada que seja do Estado. Que seja património nosso. Com um outro ministro, eu, como cidadão, discutirei o disparate que é esta privatização. O disparate para o Serviço Público de Televisão e o disparate para o mercado publicitário e, por efeito, para televisões, rádios e jornais, levando a falências em catadupa e diminuindo, em vez de aumentar, o pluralismo da informação no nosso País. Valor que, já se percebeu, preocupa pouco este governo e os que o antecederam. Mas não é nada disto que se discute com Relvas. Com Relvas estamos sempre à espera de esquemas e negociatas. Nenhum negócio que tenha Miguel Relvas como ministro da tutela pode estar fora de suspeitas. Seria como pôr Dias Loureiro a tratar da privatização de parte da Caixa Geral de Depósitos.

 

Muitos têm dito que os ataques a Miguel Relvas resultam do processo de privatização da RTP. As teorias da conspiração valem o que valem. Mas aceitando que seja verdade, ficam as perguntas: não é importante sabermos da honestidade de quem vai tratar da venda do nosso património? Não é o respeito pela liberdade de imprensa fundamental num ministro que trata de assunto tão sensível para a saúde da nossa comunicação social? Serei, até ao último segundo, contra a privatização de um canal da RTP. Sempre foi e sempre será esta a minha posição. Mas neste momento é uma coisa mais comezinha que me faz escrever: serei contra a venda de um lápis que seja se o vendedor do que é meu for Miguel Relvas. E nem preciso de explicar porquê. Todos sabem o que lhe falta. Até ele.

 

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por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 26 de Julho de 2012
por Daniel Oliveira

 

Mais de metade dos portugueses não vai gozar férias este Verão. E da minoria que vai fazer férias, metade ficará em casa. Ou seja, só um quarto dos portugueses é que vai realmente de férias. Os números são do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT). Comparado com 2011, são menos 22% a passar férias fora de casa. E menos 33% do que em 2010. Curiosamente, há mais portugueses a tirar férias neste Verão do que no anterior. Mas muito mais a ficar em casa durante essas mesmas férias.

 

Durante uns anos as nossas elites fantasiaram um País nas suas cabeças: os portugueses iam de férias para Cancun e gastavam à tripa-forra. Confesso que nunca me deixei de espantar com esta possibilidade de viver no meio dos outros e não saber nada sobre eles. Mas isto explica porque tantas vezes se comenta e se governa um País imaginário. Estes números mostram o que qualquer pessoa minimamente atenta sabe: que uma parte razoável dos portugueses já estava, antes da crise, excluída da qualidade de vida que muitos julgavam ser generalizada. E que a crise alargou a muitos outros a impossibilidade de fazer o que devia ser natural.

 

Ir de férias não é um luxo. Sair de casa e da cidade onde se vive, estar com a família e recarregar baterias é, na sociedade que julgávamos estar a construir, um direito. Sim, repito: ir de férias, e não apenas as ter, é um direito. E saber que apenas um em cada quatro portugueses usará desse direito é razão para nos indignarmos.

 

Quando se diz que estamos a viver um recuo civilizacional não é apenas uma frase. Esse recuo mede-se na vida das pessoas. Na impossibilidade de terem filhos e saberem que lhes podem garantir o mínimo de conforto. Na incerteza de que haverá um Serviço Nacional de Saúde que garanta apoio médico a todos. Na lenta destruição de uma Escola Pública que garanta que os filhos dos mais pobres não estão condenados a herdar a condição social dos pais. Numa precariedade que impossibilita o mínimo de planeamento de vida e que torna certa a inexistência de uma reforma que garanta dignidade na velhice. E no regresso da ideia de que as pessoas não são mais do que máquinas de produção, peças de um mercado-de-trabalho, e que o descanso, os fins-de-semana e as férias são coisas de privilegiados.

 

Não me digam que não há dinheiro porque isso é falso. Quando se diz que Portugal é o País mais desigual da Europa diz-se que o dinheiro, mais do que ser pouco, está mal distribuído. Fosse outra a nossa organização social e, este Verão, a maioria dos portugueses poderia sair de casa para descansar e divertir-se com as suas famílias. Como é direito seu.

 

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por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

 

Em filosofia, apenas é considerado filósofo quem produz pensamento original, quem cria conceitos, quem tem um sistema. Todos os que não se enquadram neste modelo ou são considerados comentadores - na melhor da hipóteses - ou simples professores ou investigadores.

 

Aqui há umas semanas, um professor de filosofia convidado no Prós e Contras foi apresentado como "filósofo" - como o programa tratava de assuntos profundamente metafísicos - as consequências da descoberta da "partícula de Deus", e tal - a pensadora Fátima Campos Ferreira promoveu esse convidado para debater com os cientistas que estavam do outro lado da barricada. Tudo muito simplista, claro, mas compreensível na sociedade do espectáculo alimentada pela televisão em que vivemos. Curiosamente, dos cientistas presentes apenas um poderia ser considerado como tal - o investigador que trabalha no CERN. Os outros dois são professores de Física; e Carlos Fiolhais é também divulgador*. 

 

As palavras são importantes. No Negócios da Semana de ontem, apareceu lá um "economista", João Ermida. Não conheço bem o trabalho dele, mas julgo ter um ou outro livro publicado. Será mesmo economista? Pesquisei, e percebi que o percurso profissional foi feito sempre no sector financeiro. Ao começar a falar, corrigiu a apresentação feita por José Gomes Ferreira e disse que já não trabalhava no BPP - o que se compreende, ninguém gosta de se ver associado a tal instituição - a reputação é importante. 

 

João Ermida, economista porque se licenciou em economia. Tudo bem. Todos os dias aparecem economistas a falar na televisão, especialistas em que acreditamos mas que, se fossem escrutinados, veríamos que não acertam uma previsão. Especialistas da treta que se limitam a repetir a cassete da inevitabilidade das actuais políticas. E alguns, algumas vezes, simplesmente mentem. Ermida, por exemplo, afirmou em directo que a culpa das dificuldades financeiras de Espanha é da existência de regiões autónomas. Esquecendo-se do recente resgate directo a um sector bancário que andou anos a brincar com produtos financeiros pouco saudáveis. Mas claro, quem passou pelo BPP tenderá a omitir que a crise começou em 2008, e por culpa do sector financeiro. O remédio? Prosseguir o caminho, para ficar tudo na mesma, como Ermida defendeu. 

 

As palavras são realmente importantes.

 

*Terei sido injusto para Carlos Fiolhais e Gaspar Barreira. A carreira científica de ambos é incontestável. Mesmo que neste momento tenham ocupações mais burocráticas, sem dúvida que poderão ser considerados cientistas. Obrigado ao comentador que corrigiu esta percepção errada que eu tinha.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2012
por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos

O ano escolar ainda não começou, mas Nuno Crato já dá cartas na exemplificação dos valores que prometeu implementar antes de ser ministro:

Desemprego entre os professores subiu 151% só num ano.

 

Representantes da comunidade educativa unidos contra Crato.

 

Aplicação do MEC para concurso lança professores contratados "no desespero".

 

“Anomalia" obriga a contactar professores contratados que já concorreram.

Valha-nos o ensino privado, universidades prestigiantes como a Lusófona ou estabelecimentos exigentes como os colégios que conseguem ter as melhores classificações nos rankings anuais, exemplos de empreendedorismo, competência e rigor a toda a prova.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

"Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal". A frase de Pedro Passos Coelho pode até agradar a algumas pessoas. Querer ganhar eleições é visto por muitos como sinal de "eleitoralismo" e de falta de interesse pelos destinos do País. Lamento, mas é impossível estar interessado no futuro do País e, ao mesmo tempo, desprezar as eleições.

Há muitas pessoas que veem as eleições como um mal necessário. Aceitam a necessidade de legitimação formal, através do voto, do poder. Mas são incapazes de compreender porque é que a democracia é a melhor forma de governo de um País. Aceitam, na melhor das hipóteses, a superioridade moral da democracia. Recusam a sua superioridade prática.

Na realidade, e estas pessoas existem à esquerda e à direita, o seu desprezo prático pelas eleições resulta de um desprezo pelas pessoas. "O povo é estúpido", assim se resume o sentimento de quem acha que a melhor forma de defender as pessoas é estarmo-nos nas tintas para a opinião que elas têm.

Não é possível, a um político, fazer o melhor pelo seu País e estar-se a "lixar" para as eleições. Porque acho que os eleitores têm sempre razão? Não. E a prova disso é que foram poucas as vezes que votei no mesmo que a maioria. Se achasse que sim, teria de me remeter ao silêncio entre eleições, porque os governos eleitos resultam da vontade da maioria dos que se deram ao trabalho de votar. Nem a democracia se esgota em eleições, nem o voto é um cheque em branco, nem a democracia vale seja o que for se a minoria que não escolheu um governo deixar de lutar pelas suas convicções.

A importância das eleições não é meramente formal. Ela condiciona o poder. A vontade de ser reeleito, coisa vista como sinal de fraqueza, aumenta a exigência. Numa sociedade pouco politizada e pouco informada, essa exigência até pode ser pouca e por isso ser, muitas vezes, perversa. Mas a inexistência dessa vontade de corresponder à vontade dos cidadão cria governos voluntaristas, autoritários e autistas perante a realidade. E estes governos acabam por se tornar incompetentes.

É natural que Passos Coelho, como outros que o antecederam, se esteja nas tintas para eleições. Elas são um contrato. E no contrato que o primeiro-ministro firmou com os portugueses, através do que disse em campanha eleitoral, estavam várias coisas. "Nós não podemos aumentar a receita aumentando mais impostos". "Não faz sentido pedir às pessoas e às famílias para pagarem mais a crise e ao mesmo tempo o Estado estar a atribuir em milhões de euros prémios aos gestores". "Já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com muitas coisas e também com o 13º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate". "Não se pode ter o País a gerir a austeridade sem reformas estruturais e sem crescimento". "Tem havido sempre o mesmo esforço de tratar os portugueses à bruta e de lhes dizer: agora não há outra solução". "Acusava-nos o Partido Socialista de querermos liberalizar os despedimentos, que lata!" "Nós não olhamos para as classes que recebem mais de mil euros dizendo que aqui estão os ricos de Portugal, que paguem a crise". Estas foram algumas das coisas que Passos Coelho disse antes das últimas eleições. E elas, por o que defendem e por o que rejeitam, foram o seu compromisso para ser eleito. Será julgado, quando houver eleições, pela coerência entre o que disse o que fez.

Dizer que se está nas tintas para as eleições é dizer que se está nas tintas para este julgamento. É dizer que se está nas tintas para o compromisso que firmou com os portugueses. É, portanto, dizer que se está nas tintas para a opinião dos portugueses. Como se pode estar interessado em Portugal e nas tintas para os portugueses? Eu digo-vos como: ignorando que se governa na dependência absoluta de quem nos elegeu e julgando que o voto que nos foi confiado é incondional. Uma espécie de autorização para fazer com o poder delegado pelo voto tudo o que se quer, incluindo o contrário do que se prometeu fazer. É por isso natural que se minta descaradamente numa campanha eleitoral. Aquilo é um momento sem importância. É ali, e não quando estamos no governo, que ganhamos o voto dos cidadãos. Depois disso, que se lixe! Quem diz "que se lixem as eleições" pode querer passar a ideia de desapego ao poder. Mas, na realidade, despreza a democracia. E quem despreza a democracia deve ser desprezado pela democracia.

 

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por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 24 de Julho de 2012
por Sérgio Lavos

 

Este casal de reformados é que vai ficar contente com esta notícia.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

Com o respeito que me merecem os familiares de qualquer pessoa que morre, tenho de deixar clara uma coisa: a semana passada morreu José Hermano Saraiva, ministro da educação de uma ditadura e responsável por uma feroz repressão policial, com o devido apoio da polícia política, sobre os estudantes de Coimbra, punindo exemplarmente os que tiveram a ousadia de pedir liberdade e democracia. Esta nota biográfica, a que se acrescentarão outras, seguramente positivas, não é um pormenor. É a mais importante do percurso do cidadão em causa. Como historiador e divulgador, outros que escrevam o que entenderem escrever. Tenho a minha opinião, mas, ao contrário dos factos que antes referi, correspondem a uma visão subjetiva do que pode ser a História e a televisão. E essa subjectividade pode ser dispensada nestes momentos. A verdade é que não. Nenhum insulto, nenhum desrespeito. Apenas os factos se exigem. E eles só perturbam quem quer panegíricos. É que, perante a biografia de José Hermano Saraiva, parece-me difícil dizer, como disse o secretário de Estado da Cultura, que se tratava de um homem com um "espírito tolerante", ou, como disse Pedro Passos Coelho, que teve "um percurso cívico extraordinário". O que se pede é que, pelo menos, se fiquem, nos compreensíveis elogios que se fazem nestes momentos, por o que de bom havia para dizer sobre esta personalidade. Não reescrever a história é a primeira condição para prestar homenagem a um historiador.


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

Empresa de amigo de Vítor Gaspar contratada para assessorar privatização da EDP e da REN.

 

"A contratação da firma norte-americana esteve desde o início envolta em polémica. Não só por se tratar de uma empresa, alegadamente, sem experiência em privatizações e sem historial de conhecimento da área da energia, mas também porque o seu nome foi posto em cima da mesa pelo ministro das Finanças", escreve o Público. "E já depois de ter sido elaborada uma lista restrita, com nomes de assessores financeiros, que não incluía a Perella. A exclusão dos candidatos portugueses, como o BESI (que seria contratado pelos grupos que venceram as duas privatizações), o BCP e estrangeiros, levou alguns deles a questionar a opção governamental."

 

Os responsáveis pela assessoria do Estado nas duas privatizações foram a Caixa BI e a Perella Weinberg, empresa contratada por ajuste direto pela Parpública em agosto de 2011. Os compradores foram assessorados pelo BESI. Os mandados estavam sustentados na suspeita da prática de crimes de fraude fiscal qualificada, tráfico de influências, corrupção e abuso de informação privilegiada."

Vítor Gaspar, o tal brilhante ministro "não-político", na origem de mais um "não-assunto". Quem não gosta de ir ao pote do Estado?

 

 

“Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir” - D. Januário Torgal Ferreira, 16/07/2012.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

Se juntasse todas as reuniões que tive, as políticas, de movimentos cívicos em que me envolvi e das empresas onde trabalhei, numa única, sem pausas para refeições, cafés ou dormir, teria, segundo as minhas contas, mais de sete meses consecutivos de reunião. Ainda vou nos 43 anos.

 

Comecei o ativismo político e cívico cedo. Demasiado cedo. Por isso, quando comecei a trabalhar, também cedo, já vinha com muita tarimba de reunião. Chegado ao primeiro jornal onde trabalhei estava convencido que a "reunite" era problema de partidos e movimentos. Rapidamente descobri que não. Pelo contrário, as reuniões eram ainda mais longas, porque mal dirigidas, sem uma ordem de trabalhos, sem inscrições, sem tempo limite de intervenção, mais próximo de uma interminável conversa de café onde os apartes duram mais do que o que interessa. Inventou-se depois um nome para a reunião caótica: "brainstorming". Diz que dali nascem melhores ideias. Sendo certo que em encontros criativos eles são úteis, a maioria das vezes não são mais do que um termo pomposo para quem vai reunir sem saber bem para quê. Há também os "almoços de trabalho", que têm o condão de estragar a comida e a conversa. E, no Estado, há a mais maravilhosa das modalidades: "ir a despacho". Não consta que seja especialmente despachado.

 

Tentei fazer outra conta. Dos mais de sete meses de reunião que tive, quanto tempo foi realmente usado para apurar e tomar decisões e distribuir trabalho. Desconta-se o tempo sentado à frente de uma mesa à espera que todos chegueme a conversa inicial, para "quebrar o gelo", até que alguém comece realmente a reunião. Vai quase um mês à vida. Depois, há as intermináveis intervenções de quem se está a ouvir a si próprio sem contribuir com uma única ideia ou opinião que tenha qualquer utilidade para o que se tem de decidir. Vão, à vontade, mais três meses para o galheiro. Por fim, juntam-se as redundâncias, em que as pessoas se limitam a repetir o que já foi dito - de preferência, o que foi dito pelo chefe, líder ou superior hierárquico. Sendo simpático, mais dois meses são desperdiçados. Sobra, em tempo útil, um mês de reunião. Ou seja, meio ano da minha vida foi atirado para o lixo. Devo dizer que terei, para a perda de tempo, dado o meu contributo.

 

Defendo a criação de um movimento contra a reunite. Que imponha 12 regras para ganhar tempo de vida para ter conversas inúteis apenas com os amigos e para trabalhar:

1. As pessoas só se devem encontrar à volta de uma mesa para trabalhar se isso for indispensável. Caso isso seja dispensável, apenas devem garantir o mínimo de encontros para que se estabeleçam relações de proximidade e se impeçam excesso de conversas informais para resolver problemas que exigem alguma formalidade.

2. Todas os assuntos que se possam resolver por telefone, mail ou skype devem ser tratados sem qualquer reunião.

3. As reuniões devem começar à hora marcada, com quem estiver, incluindo quando quem a deve dirigir se atrasa.

4. Nenhuma intervenção deve exceder os cinco minutos.

5. Qualquer interveniente que comece por dizer "vou ser breve" ou "posso dar só uma achega?" deve ser imediatamente interrompido e perder a sua vez. Vai seguramente demorar uma eternidade.

6. Qualquer intervenção redundante deve ser interrompida.

7. Qualquer intervenção sem conteúdo concreto deve ser interrompida.

8. Reuniões sem ordem de trabalhos devem ser banidas.

9. Quem fale de qualquer assunto que esteja fora do ponto da ordem de trabalhos deve ser imediatamente interrompido.

10. Quem não tenha notas à sua frente, que garantam que sabe o que vai dizer e não vai perder tempo a improvisar, deve ser impedido de falar.

11. Quem vá para uma reunião sem propostas concretas deve ser impedido de intervir nas reuniões seguintes e quem dirige uma reunião sem a ter preparado antes deve ser despromovido para a função de servir os cafés.

12. Almoços ou jantares de trabalho devem ser banidos.

 

A verdade é esta: a esmagadora maioria das pessoas não sabe reunir. E não sabe reunir porque não sabe falar. E quem não sabe falar não sabe estruturar uma ideia.

 

Desculpem este meu desabafo. Mas, passadas tantas horas (pelo menos 5.200 horas da minha vida), sabendo que não posso reaver mais de meio ano perdido na minha vida, gostava de não perder mais meio. Talvez a regra geral contra a reunite deva ser esta: quem gosta de reuniões não deve poder entrar numa. A primeira condição para uma reunião ser produtiva é a de todos quererem sair dela o mais depressa possível.

 

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por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
por Sérgio Lavos

"Representantes da comunidade educativa unidos contra Crato. (...)

 

De hora a hora a hora um funcionário aparecia para chamar ora os representantes dos directores, ora os dos pais, ora os dos professores – e todos responderam o mesmo, que tinham pedido uma reunião em conjunto e que apenas subiriam se fossem recebidos em conjunto”, relatou Manuel Pereira, dirigente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE). Ao PÚBLICO, escusou-se a classificar a atitude de Nuno Crato, dizendo que “as atitudes ficam com quem as pratica”. Mas lamentou que o ministro “tenha perdido uma oportunidade única de perceber as preocupações que são transversais a toda a comunidade educativa”."

Um ministro que não quer ouvir os agentes da área sobre a qual legisla, que talvez preferisse dividir para reinar, governar sozinho. Um ministro de outro tempo, tão retrógado como haver exames nacionais na 4.ª classe. Bate certo.


por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos

"Submarinos: MP arquiva investigação sobre Bernardo Ayala. (...)

 

A compra dos submarinos por Portugal concretizou-se numa altura em que Paulo Portas era ministro da Defesa e Durão Barroso, atual presidente da Comissão Europeia, primeiro-ministro do Governo PSD/CDS-PP. Os dois submarinos "209 PN" foram entregues à Marinha portuguesa, que os batizou de 'Arpão' e 'Tridente', num negócio com um custo estimado em cerca de 880 milhões de euros para os cofres públicos portugueses. A investigação ao negócio dos submarinos surgiu no verão de 2006, a partir de uma certidão do processo Portucale, relativo à construção de um empreendimento turístico em Benavente que implicaria o abate ilegal de sobreiros. Escutas a conversas envolvendo o ex-diretor financeiro do CDS-PP, Abel Pinheiro, o atual líder do partido, Paulo Portas, e um administrador da Escom, do Grupo Espírito Santos, levantaram dúvidas sobre alegados "compromissos" com vista a favorecer o consórcio vencedor, em troca de financiamento partidário."

“Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir” - D. Januário Torgal Ferreira, 16/07/2012.


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

Um ano a engonhar.

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por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

 

Falemos dos objectivos do programa da troika. Será empobrecer o país, encolher salários, fazer com que Portugal caia bastantes lugares no ranking de desenvolvimento da OCDE? Se assim for, parabéns, em pouco tempo está a conseguir o desiderato. Portugal é o país da UE onde os salários mais caíram e onde a austeridade foi aplicada de forma mais desigual. As medidas estão a incidir quase exclusivamente sobre a classe média e baixa. Os privilégios de quem tem maiores rendimentos mantêm-se intocados (hoje a notícia é a manutenção dos subsídios para reformados do Banco de Portugal, o que certamente deverá ter deixado o reformado remediado Cavaco Silva a dar pulos de contentamento). E as consequências dos cortes na Saúde e na Educação certamente irão ser notícia nos próximos anos: a progressiva subida do país nos rankings de bem estar da OCDE vai sofrer certamente uma quebra abrupta. Conquistas do 25 de Abril, como um serviço universal de Saúde ou o acesso democratizado à educação, irão ser coisas do passado - e não é coincidência que por exemplo o ministro Nuno Crato esteja a recuperar práticas do Estado Novo para a área educativa.

 

A cada avaliação, a troika dá boa nota ao seu próprio programa. O que não deixa de ser um notável exercício de cinismo. Os grandes objectivos do programa não irão ser cumpridos. A meta do défice (4,5%) é uma miragem em que apenas tolos continuam a acreditar, tendo este crescido até aos 6,9% durante o primeiro semestre do ano. E a dívida pública, o grande problema da economia nacional, como não se cansam de repetir os evangelistas austeritários nas televisões e jornais, cresceu, imagine-se. Estamos neste momento nos 111,7%, acima dos 107,8% registados no quarto trimestre de 2011 e bastante acima dos 90% registados aquando da entrada da troika. Um portento de execução orçamental.

 

Está tudo a ruir. O "competentíssimo" Vítor Gaspar está a falhar todas as metas. O regresso aos mercados em 2013 é uma má piada. Mas a troika congratula-se com o sucesso do seu programa. Porquê? Apenas duas hipóteses. Ou não estão prontos a admitir os seus erros e a sua incompetência ou simplesmente o objectivo é outro: tornar Portugal a China da Europa, como Angela Merkel disse há uns tempos. Colaborando na tarefa, um Governo de idiotas ou de traidores dos portugueses? Venha o diabo e escolha.

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por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

O que se temia é cada vez mais provável: o FMI pode vir a pôr-se de fora da tragédia grega. A Grécia poderá declarar falência em Setembro e muito provavelmente será obrigada a sair do euro. E, bem vistas as coisas, é já a única solução racional que lhe resta. Tudo isto sem que o Syriza, que significaria o fim da Grécia, tivesse chegado ao poder.

 

O esforço inaudito dos gregos não serviu para coisa alguma. Era evidente que seria este o desfecho. Claro que quem se recusa a ver a impraticabilidade da aplicação de uma agenda recessiva para sair da crise, quem ainda acredita que é possível manter uma moeda única sem uma profunda reforma institucional e democrática da União e quem aproveita esta crise para, em vez de a ultrapassar, impor a sua agenda ideológica, continuará cego. Claro que oministro da economia alemão já não se assusta, segundo as suas próprias palavras, com a saída da Grécia do euro. O trabalho alemão está terminado - a transferência da dívida para outros está garantida e o saque do que ainda podia ser saqueado está feito.

 

A narrativa continuará a ser a de que foram os gregos que não aplicaram uma receita com futuro. Ela esbarra com o que se está a passar em Portugal. O escrupuloso cumprimento, com um humilhante zelo, do memorando da troika tem tido, em todos os indicadores, péssimos resultados. Não há como o dizê-lo com meiguice, Portugal arrisca-se a ser o próximo candidato à saída do euro. E depois de nós, outros virão. Aquilo a que estamos a assistir, se nada for feito, é o começo da derrocada do euro e do projeto europeu. A cegueira da inconsciência alemã (mas não só), satisfeita com os juros negativos que a desgraça dos outros lhe garante, dificilmente o compreenderá.

 

É arriscado fazer qualquer prognóstico sobre o que acontecerá na Europa e em Portugal nos próximos meses. Mas, como a evolução económica a que temos assistido, é possível que Portugal tenha, depois de Setembro, de fazer uma escolha: ou apresenta um plano de financiamento autónomo, que dê ao FMI garantias de sustentabilidade, ou assinaum novo memorando com a troika, ainda pior do que o anterior. Qualquer uma das duas opções implicará mais austeridade, mais crise, e ficar ainda mais longe do objetivo que a troika diz querer garantir: o pagamento da dívida.

 

Não nos espera, no campo das soluções que a troika defende, nenhuma solução com qualquer futuro. Mesmo para quem acredite que o pagamento integral da dívida é matematicamente possível (ou seja, quem acredita que a vontade é independente da realidade dos números), a recessão que as receitas da troika impõe só nos afastam desse mirífico objetivo.

 

Sem uma mudança, nos próximos dois meses, na Europa (tão improvável), restam a Portugal três alternativas: umarenegociação radical do memorando e uma reestruturação profunda do pagamento da dívida; a saída do euro,seguindo um caminho de enormes sacrifícios que, apesar de tudo, nos permitirá reconquistar alguma capacidade de decisão económica e política; ou adiar uma destas escolhas, para que ela venha num momento em que seja ainda mais difícil sair do buraco em que ainda nos estamos a enfiar.

 

Se nada fizermos, haverá um momento em que o ministro da economia alemã dirá, sobre Portugal, que a nossa saída do euro já não o assusta. Esse será o momento em que entrará na cabeça de tanta gente que a credibilidade económica de um país se mede em números, não em certidões de bom comportamento. Já não causamos dano? Então vamos à nossa vida. É assim que as coisas funcionam. Por isso, era enquanto poderíamos causar dano que deveríamos ter batido o pé. Temo que já seja tarde demais.

 

Nenhuma das escolhas que nos restam - renegociação ou saída do euro - é fácil. Nenhuma é segura. Nenhuma nos dá um futuro animador. Mas a ideia de que é possível continuar a ter como única estratégia a de ser bom aluno, à espera de um prémio que nunca virá, é irresponsável e infantil. Em Setembro poderemos ser confrontados com a inconsistência desta estratégia. Sei do que se lembrarão nessa altura: de um governo de salvação nacional dirigido pelos que nos deixaram chegar até aqui. No meio das tragédias, há quem se salve sempre.

 

Publicado no Expresso Online

 

 

 


por Daniel Oliveira
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Domingo, 22 de Julho de 2012
por Daniel Oliveira

Pedro Ramos de Almeida nasceu em Lisboa em 23 de Março de 1932. Licenciado em Direito, foi político, escritor e professor.

 

Membro do Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUD Juvenil) desde os 18 anos, foi preso em 1954, torturado e sujeito à tortura do sono, e condenado a quatro anos de prisão. O longo julgamento dos 55 membros da Comissão Central do MUDJuvenil, entre os quais o futuro presidente de Angola Agostinho Neto, envolveu dezenas de advogados e decorreu no Tribunal Plenário do Porto entre 1955 e 1957.

 

Enquanto estudante de Direito foi um dos líderes da luta dos estudantes das três Academias (Lisboa, Porto e Coimbra), em 1960, contra o célebre Decreto-Lei n.º 40900, aprovado pelo Governo em 1956, que visava controlar a actividade das associações de estudantes. Na iminência de nova prisão foi para Paris, como quadro clandestino do Partido Comunista Português.

 

Em 1962, como dirigente do PCP esteve em Praga (antiga Checoslováquia), onde representou o partido junto de revistas internacionais dos Partidos Comunistas.

 

A partir de 1964, viveu cinco anos em Argel, onde, como membro do Comité Central do PCP, tinha assento na Junta Revolucionária Portuguesa, órgão dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional. Foi responsável, nomeadamente, pela rádio Voz da Liberdade, que emitia para Lisboa através de Argel.

 

Entre 1969 e 1971 esteve na clandestinidade em Portugal, onde foi responsável pelo sector intelectual de Lisboa. Regressou a Portugal, nos finais de 1971, após o seu padrasto e advogado, Fernando Abranches Ferrão, ter tido a garantia de não haver processos contra ele, tendo começado a militar de imediato na CDE, organização da oposição que integrava comunistas e outros anti-fascistas.

 

À data do 25 de Abril de 1974 era dirigente do MDP/CDE.

 

Para além de inúmeros artigos para rádio, jornais e revistas, escreveu os seguintes livros:


Salazar, Biografia da Ditadura; O Assassínio do General Humberto Delgado. A Armadilha; Portugal e a Escravatura em África. Cronologia dos Sécs XVI-XVIII; História do Colonialismo Português em África. Cronologia do Séc XIX; A Questão do Vietname; O Processo do Salazarismo (Relatório sobre Portugal); Dicionário Político de Mário Soares; e País da Só Mudança (poesia).

 

Pedro Ramos de Almeida encontrava-se a escrever um livro sobre a história do MUD Juvenil.

 

Membro do Partido Comunista Português, era casado com Manuela Barreto e pai dos jornalistas João Ramos de Almeida (Público) e Nuno Ramos de Almeida (jornal "i") e irmão do médico pediatra José Miguel Ramos de Almeida.

 

Nota biográfica divulgada pela família.

 

Para o João e o Nuno, um abraço amigo.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

Andaram os dirigentes do criminoso centrão grego a prometer mundos e fundos ao povão com medo dos papões do Syriza para isto: o FMI ameaça fechar as torneiras, contrariando as "promessas" ao povo grego de que iriam continuar a financiar o país caso o Syriza não ganhasse. Tendo em mente que a Grécia está um ano adiantada em relação a nós, recapitulemos: com o primeiro e segundo resgates helénicos, os bancos internacionais (sobretudo alemães) recuperaram os empréstimos que tinham concedido durante os dez anos anteriores. A dívida pública neste momento está nas mãos da banca grega. A Alemanha e os países do Norte podem agora deixar cair a Grécia tranquilamente, nada lhes acontecerá. Portugal vai seguindo nos passos da Grécia: os países europeus estão cada vez menos expostos à nossa dívida, e se tivermos de sair do Euro, quem sofrerá são os nossos bancos - nós, o povo, já estamos a sofrer há um ano. Onde pára? Em Espanha, que já viu dinheiro a ser injectado sem necessidade de resgate directo ao Estado, e em Itália, cujo tecnocrata não-eleito, Mario Monti, se vai opondo como pode às políticas de Merkel. Somando tudo, o capitalismo predatório sairá sempre reforçado deste (breve?) abalo.


por Sérgio Lavos
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Sábado, 21 de Julho de 2012
por Sérgio Lavos

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) revelou nesta terça-feira que está a investigar a intervenção de alguns dos assessores financeiros do Estado nas privatizações da REN e da EDP, uma investigação que teve origem no processo “Monte Branco”. (...)

 

No mesmo comunicado, o DCIAP avançou que, com as mesmas, “pretende esclarecer e investigar a intervenção e conduta de alguns dos assessores financeiros do Estado nos processos de privatização da REN e EDP”. (...)

 

Diário Económico avançou na segunda-feira, na sua edição online, que o DCIAP e a Polícia Judiciária (PJ) estiveram na última sexta-feira nas instalações do Caixa BI, onde apreenderam documentos relacionados com processos de privatizações, acrescentando mais tarde que a Parpública também foi alvo de diligências por parte das autoridades. Já oJornal de Negócios, também na edição online, noticiou que as averiguações se estendiam ao BESI, que confirmou as diligências. 

 

Os jornais económicos referiram desde logo que estas buscas estão relacionadas com as operações de privatização da EDP e da REN e que as diligências, que também envolverão, segundo uma das publicações, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), terão tido origem numa denúncia feita sobre indícios de tráfico de influências.* 

 

“Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir” - D. Januário Torgal Ferreira, 16/07/2012.

 

*Daqui.

 


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

Paulo Morais sobre a quadrilha de aposentados que nos/se governa:

"O destino do país está na mão de aposentados. O presidente Cavaco Silva, a primeira figura do Estado, é reformado. A segunda personalidade na hierarquia protocolar, Assunção Esteves, é igualmente pensionista. Também nos governos nacional e regionais há ministros que recebem pensão de reforma, como Miguel Relvas ou até Alberto João Jardim. No Parlamento, há dezenas de deputados nesta situação. Mas também muitas câmaras são presididas por reformados, do Minho, ao Algarve, de Júlia Paula, em Caminha, a Macário Correia, em Faro.

 

É imensa a lista de políticos no activo que têm direito a uma pensão. Justificam este opulento rendimento com o facto de terem prestado serviço público ao longo de doze anos ou, em alguns casos, apenas oito. Esta explicação não convence, até porque uma parte significativa deste bando de reformados não só não prestou qualquer relevante serviço à nação como ainda utilizou os cargos públicos para criar uma rede clientelar em benefício próprio. Foi graças a esta teia que muitos enriqueceram e acederam a funções para que nunca estiveram curricularmente habilitados. A manutenção até hoje destes privilégios e prebendas é inaceitável, em particular nos tempos de crise que atravessamos. Sendo certo que a responsabilidade por este anacronismo não é de nenhum destes políticos e ex-políticos em particular - também é verdade que todos têm uma culpa partilhada por não revogarem este sistema absurdo que atribui tenças milionárias à classe que mais vem destruindo o país. Urge substituir este modelo pelo único sistema admissível que é o de que os titulares de cargos públicos, quando os abandonam, sejam indemnizados exactamente nos mesmos termos que qualquer outro trabalhador.

 

E que passem a reformar-se, como todos os restantes cidadãos, quando a carreira ou a idade o permita. É claro que dirigentes habituados a acumular reformas de luxo com bons salários jamais compreenderão os problemas dos que têm de viver com salários de miséria; ou sequer entenderão as dificuldades dos que sobrevivem apenas com pensões de valor ridículo. Não serão certamente estes reformados de luxo que conseguirão proceder às reformas estruturais de que Portugal tanto está a precisar."


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2012
por Sérgio Lavos

Via Facebook de Ana Nicolau

1) A TROIKA sugere no "memorandum" a VENDA do Negócio da SAÚDE da CGD;
2) O Governo nomeia António Borges para CONSULTOR para as VENDAS dos negócios Públicos;
3) A Jerónimo Martins (Grupo Soares dos Santos) CONTRATA o mesmo António Borges para Administrador (mantendo as suas funções de VENDEDOR dos negócios públicos);
4) O Grupo Soares dos Santos (Jerónimo Martins) anuncia a criação de um novo negócio: a SAÚDE (no início DESTA SEMANA);
5) A TROIKA exige a VENDA URGENTE do negócio da SAÚDE da CGD já este mês (notícia de HOJE).

Vamos ver então a quem será "vendido" o negócio da saúde da CGD. Está nas mãos do Governo provar que o bispo poderá não ter razão...


por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

Em 2013 os portugueses vão poder deduzir, em sede de IRS, 5% do IVA pago em reparação e manutenção do automóvel, restauração, alojamento e cabeleireiro e similares. Podem, com isto, poupar 250 euros por ano, no máximo. Excelente notícia. Uma boa medida para compensar os portugueses pelas perdas com o aumento do IVA e, acima de tudo, lutar contra a fraude, levando as pessoas a pedir facturas.

 

As contas, para o português médio que queira ter uma devolução de IRS de 250 euros e, com eles, resolver grande parte dos seus problemas financeiros, são simples de fazer. Para chegar a este astronómico montante de benefício só tem de gastar 1.800 euros com o seu carrinho, a comer em restaurantes, em hotéis e a tratar do cabelo. Eu ajudo: gaste200 euros, todos os meses, em pequenas reparações no seu veículo. Não há de ser difícil. Conheço alguns mecânicos excelentes para a função. Vá, todos os dias úteis, a um restaurante decente e pague pelo menos 30 euros. Somado, já vão 1.080 euros. Passe, pelo menos uma vez por mês, uma noite no Hotel Lapa Palace. E vão 1.445 euros. Por fim, esperemos que tenha cabeleira farta para ainda usar os 355 euros que lhe sobram a tratar do seu visual.

 

Vítor Gaspar pensa nos menos abonados e garantiu-lhes este bónus que os aliviará das suas provações. É verdade que os 1800 euros que têm de gastar por mês para receber os 250 no final do ano é, mais coisa menos coisa, o que o um casal médio português ganha mensalmente. Isso pode causar pequenos contratempos. A de não sobrar dinheiro para o resto, por exemplo. Ainda assim, ficam os parabéns pela medida. A pensar nos que mais sofrem com esta crise. Podem perder a casa, mas o Estado não se esquece deles quando procurarem um bom hotel.

 

Publicado no Expresso Online

 

 

 


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2012
por Daniel Oliveira

Para quem pede provas ao bispo Januário Torgal Ferreira, gostava de recordar que o último que as recolheu, de forma clara, rigorosa e sem margem para dúvidas, foi Ricardo Sá Fernandes. Estava lá tudo. Acabou ele processado. O corrupto, esse, saiu a sorrir do tribunal a dizer que continuaria a fazer tudo como antes. Acabou condenado, apenas no Supremo, mas a quem o acusou ninguém tirou o calvário judicial que teve como prémio. A ver se nos entendemos: a justiça já deixou bem claro que acha intolerável que os cidadãos contribuam para o combate à corrupção. Que isso é tarefa para ela não cumprir.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

 

O cidadão Januário Torgal Ferreira disse que "há jogos atrás da cortina e corrupção, este governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir". O porta-voz da Conferência Episcopal já veio recordar o óbvio: que o bispo falou em nome individual. Sobre matérias políticas, é assim, apesar de nem sempre assim acontecer, que se espera que os bispos falem: em seu nome. Sendo certo que por serem bispos não deixam de ser cidadãos e não perdem o direito à palavra.

 

Aguiar Branco, falando como ministro da Defesa - ou seja, em nome do Estado -, respondeu ao bispo. Não se limitou, como fez o ministro da Saúde, Paulo Macedo, a reagir ao seu conteúdo. Isso é o que se espera e nenhum bispo está acima do contraditório. Aguiar Branco preferiu discutir a legitimidade de Januário Torgal Ferreira falar sobre política. Disse o ex-candidato derrotado à liderança do PSD que "o senhor bispo deve obediência às regras da Igreja", que "causa embaraço à Igreja" e que espera "que faça uma opção: ou ser comentador político ou ser bispo das Forças Armadas".

 

Sem perder tempo com esta ideia de que opinar sobre a vida do País é exclusivo de comentadores, gostava de saberquando é que o senhor Aguiar Branco foi mandatado pela Igreja Católica Apostólica Romana para decidir o que deve ela tolerar ou não aos seus bispos? Para pedir a sua demissão? Para recordar as suas obediências à hierarquia religiosa? Esse mandato é extensível às restantes confissões religiosas? Dura enquanto ele for ministro ou é vitalício?

 

Por fim, gostaria que o advogado nos informasse qual é o artigo da Constituição que impede os bispos de darem as suas opiniões sobre a vida política? O que disse Aguiar Branco quando os bispos tomaram posição (com todo o direito) numa campanha para um referendo a uma lei (a da despenalização da IVG) em que o ministro participou ativamente? Mandou-os escolher entre o sacerdócio e a intervenção cívica? Não é a alteração de uma lei um tema tão político, ou tão ético, ou tão cívico, como a corrupção? A regra é os bispos dizerem amen às opiniões do senhor Aguiar Branco e só abrirem a boca com a sua devida bênção?

 

Devo dizer que prefiro, sobre corrupção, incompatibilidades, promiscuidades e tráfico de influências, intervenções estruturadas, fundamentadas e com os nomes dados aos bois, como esta (ver vídeo), de Paulo Morais. Quando escrevo sobre estes temas é assim que o tento fazer: dizer os nomes das pessoas. Claro que quando isto se faz somos acusados de enlamear e baixar o nível da política. Mas sou dos que acho que não o fazer é enlamear incertos, fazendo pagar o justo pelo pecador.

 

Acontece que, ao contrário de Paulo Morais, Torgal Ferreira é um homem sem experiência política. Mas vive neste País e, como a generalidade das pessoas honestas, indigna-se com o clima de saque em que vivemos. E dá voz a isso, dizendo o que a generalidade das pessoas sentem. Pode ser discutível a forma como o faz. Mas não é discutível o seu direito a fazê-lo. O senhor Aguiar Branco gostava que o País ficasse calado, deixando a liberdade de expressão como exclusivo dos comentadores políticos? Aguente-se! Até ver, ainda vivemos em democracia. E também vivemos num Estado laico, onde a Igreja não decide quem é ministro e o governo não decide que é bispo.

Publicado no Expresso Online

 

 

 


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2012
por Daniel Oliveira

Já está aberta a todos a subscrição da convocatória para um Congresso Democrático das Alternativas. Subscrevam e preencham a parte importante: em que é que estão disponíveis para colaborar na preparação do congresso de 5 de Outubro?


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos


por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que protestos como o de segunda-feira frente à Assembleia da República, em Lisboa, a pedir a demissão do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, são “manifestações ridículas”.


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

 

Conhecendo-se o impacto ambiental do eucalipto - consumo de água, maior facilidade de propagação de incêndios e efeitos nas espécies autóctones - as leis portuguesas exigiam algumas regas para a sua plantação. E, para impedir o recurso a atividades criminosas que beneficiavam o infrator, determinava-se que nas zonas atingidas por incêndios só se poderia replantar árvores da mesma espécie.

 

Segundo nova legislação que o governo apresenta agora, inédita na Europa, a arborização até cinco hectares e a rearborização até dez hectares poderá ser feita com qualquer espécie, sem necessidade de qualquer autorização. Volta-se à regra do deferimento tácito, um convite descarado à corrupção sem rasto.

 

Como o eucalipto é uma espécie com retorno financeiro rápido - mas enormes prejuízo para económicos e ambientais a longo prazo -, o fim de qualquer entrave à eucaliptalização do território garantirá que Portugal, um dos países com mais eucaliptos na Europa (ocupa uma área superior a 700 mil hectares, o que tem contribuído para as piores estatísticas de incêndios da Europa), destruirá muito rapidamente toda a sua floresta. Como nem a pequeníssima área agrícola é protegida pela nova lei, os melhores solos para a nossa agricultura também serão afectados. O processo dedesruralização do território entrará na sua derradeira fase. Grande parte do País será um enorme eucaliptal sem ninguém a viver lá.

 

A alteração das regras para a rearborização das áreas ardidas é apenas um prémio ao crime. Diria mesmo que é um convite ao crime.

 

Não é difícil perceber de onde surgiu esta criminosa ideia. A celulose tem espaço para crescer e exportar. A crise, quando se é governado por quem não tem objetivos a longo prazo, favorece uma má utilização dos recursos. O País precisa de exportar e a indústria aproveitou a dificuldades da nossa economia e um governo sem rumo para garantir para si própria uma liberdade absoluta. O seu poder nos sucessivos ministérios da agricultura é conhecido. Mas faltava encontrar em São Bento gente suficientemente irresponsável para permitir que a floresta portuguesa lhe fosse entregue sem freio.

 

Com esta irresponsabilidade o governo facilitará a desertificação das zonas rurais, a destruição do que sobra da nossa agricultura e a propagação crescente de incêndios - quer pela natureza deste tipo de plantação, quer pelo prémio ao crime. Muitos dos erros que foram cometidos no passado resultam da cegueira de quem governa a olhar para o dia seguinte. Este será, no futuro, apenas mais um exemplo.

 

Não sei se este governo se move, neste caso, por preconceito ideológico contra os limites ao mercado, por cedência aos mais poderosos interesses empresariais ou por desespero económico. Sei que, em todas áreas da nossa economia, há um padrão: o da irresponsabilidade sem limites. É só mais uma.

 

Publicado no Expresso Online

 

 


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O ministro da Defesa recorda que um bispo deve obediência à Igreja, que causa embaraço à Igreja e que tem de escolher se quer continua a ser bispo ou dar as suas opiniões. Quando é que o senhor Aguiar Branco foi mandatado pela Igreja, seja ela qual for, para decidir o que deve ela tolerar ou não aos seus bispos? Para pedir a sua demissão? Para recordar as suas obediências à hierarquia religiosa? Qual é o artigo da Constituição que impede os bispos de darem as suas opiniões sobre a vida política? O que disse Aguiar Branco quando os bispos tomaram posição (com todo o direito) sobre um referendo a uma lei (a da despenalização da IVG)? Mandou-os escolher entre o sacerdócio e a intervenção cívica? A regra é os bispos dizerem amen às opiniões do senhor Aguiar Branco?

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 17 de Julho de 2012
por Sérgio Lavos

 

Definitivamente: a direita não sabe (nem quer) conviver com a liberdade de expressão, a crítica e, em última análise, a democracia.

 

Dom Januário Torgal Ferreira voltou a dizer o que lhe vai na alma sobre a situação no país. Claro que num regime dominado por agências de comunicação e um exército de assessores do Governo contratados a peso de ouro (e a receberem os dois subsídios que o resto da Função Pública nem vai cheirar), isso é crime de lesa pátria. Se da primeira vez a lama foi apenas lançada por amigos de assessores na blogosfera, idiotas úteis de serviço e o Correio da Manhã, o antro pútrido do anti-jornalismo onde a direita se espoja e se alimenta, agora o ódio chegou aos partidos do pote (PSD e CDS) e ao próprio executivo. Desde o ex-presidente do Belenenses ao ministro da Defesa, toda a gente parece estar indignada com as palavras do bispo. Os assessores do Relvas que ainda escrevem em blogues descobrem-se tomados por um (muitas vezes execrado) anti-clericalismo (há quem clame pela assumpção de um Estado laico, uma lata apenas ao alcance de gente que terá esquecido o que é ter uma coluna vertebral, tendo em conta a recente negociação do Governo com o Vaticano a propósito do fim dos feriados religiosos) e vociferam, quais vestais violadas, confundido Estado com Governo. O dito ministro Aguiar-Branco convida o bispo a resignar, numa ousadia que visa calar as vozes críticas de um Governo que começa a cheirar tão mal como uma latrina. 

 

Eles mexem-se, mostram os dentes, enraivecem-se. É sinal de que Januário Torgal Ferreira tocou num ponto sensível: os interesses que rodeiam o Estado e que dele se alimentam. Os interesses que este Governo não só não tem a mínima intenção de eliminar como vai alimentando, das empresas privadas que laboram na área da Saúde às que beneficiam com os contratos das PPP's, passando pelas antigas empresas públicas vendidas ao Estado chinês que estão a receber de braços abertos várias pessoas ligadas ao PSD e ao CDS.

 

Passou um ano desde a tomada de posse deste Governo, e o ar já se tornou irrespirável. Esta direita, para além de estar a destruir o país com as suas políticas económicas, não gosta de contestação, de críticas, de denúncias. É anti-democrática. Ser corrupta é, como se costuma dizer, um pormenor. Apenas.


por Sérgio Lavos
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2006:

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2005:

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