Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

 

... e quer que Portugal entre numa nova era de pujança industrial. Depois do cluster do pastel de nata, o desígnio da exploração mineira. Está visto: afinal, o Governo quer fazer empobrecer o país até níveis dos anos 50. Mais precisamente, 1850, em plena Revolução Industrial. Muito bem.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Vejamos o resultado prático de medidas deste Governo para aumentar a receita e tornar lucrativas empresas públicas - para vender mais tarde, claro, mas isso é apenas um pormenor.

 

Nos últimos dias, foram tornados públicos os números relativos ao primeiro semestre da Carris, do Metro, da Transtejo e da STCP. Em Novembro passado, a Carris e o Metro aumentaram substancialmente o preço dos passes e dos bilhetes. O resultado imediato foi uma quebra brutal no número de passageiros comparativamente ao mesmo período do ano passado: a Carris perdeu 25 milhões de passageiros (menos 21.1%); a Transtejo 1.5 milhoes e o Metro 11.5 milhões de passageiros (cerca de 12.5%). Mais grave é a quebra na venda dos passes para a 3.ª idade. Depois do Governo ter decidido baixar o desconto de 50 para 25%, foram vendidos menos 41000 assinaturas, o que corresponde a uma quebra de 17%. A insensibilidade social desta decisão é gritante. Os idosos estão, de facto, a ser abandonados pelo Estado para o qual descontaram durante uma vida de trabalho. E o pior é que o resultado destas medidas socialmente criminosas não foi o equilíbrio financeiro das empresas públicas. Antes pelo contrário: a STCP perde seis milhões de passageiros e passa de lucro a prejuízo em menos de um ano

 

O imparável aumento do desemprego e a acentuada diminuição do rendimento disponível nas famílias, aliados à pornográfica subida no preço dos transportes decidida pelo Governo PSD/CDS, apenas poderiam ter como resultado o que se está a assistir. As pessoas escolhem cada vez mais ir para o trabalho a pé, de bicicleta ou partilhando o carro com colegas. Certamente que o Governo não estaria a pensar no contributo das suas políticas para a melhoria no estilo de vida dos portugueses - estamos a comer menos, porque temos menos dinheiro para alimentação, e a praticar mais exercício físico, porque os combustíveis precisam de continuar caros para engordar as contas em off-shores dos accionistas da Galp. O qualidade do ambiente também piorou: com mais gente a utilizar o transporte individual em vez do colectivo, certamente que a poluição não terá sido reduzida. E a cereja no topo do bolo, qual é? Estas empresas não estão a conseguir atingir o seu objectivo de equilíbrio financeiro, o que funciona claramente como espelho da austeridade além da troika aplicada por Coelho, Portas e Gaspar: um redondo e estrondoso falhanço. Estamos todos de parabéns.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Paulo Portas em duas escutas telefónicas relevantes no caso dos submarinos.

 

As escutas do Ministério Publico, consideradas relevantes pelo juiz de instrução Carlos Alexandre, revelam que Portas só queria falar do caso dos submarinos por telefone fixo ou em encontros presenciais.

por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

The Colbert Report
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Na América, a loucura está a atingir níveis nunca vistos no campo Republicano, após a nomeação de Paul Ryan para candidato a vice-presidente há umas semanas. Ryan é um espécimen especial no espectro político americano: um auto-denominado "libertário" que defende o fim do Obamacare e a descida dos impostos dos mais ricos, assim como a proibição do aborto em qualquer circunstância, incluindo a violação. Claro que o campo da extrema-direita do Tea Party delira, não tanto por causa das posições conservadoras no que diz respeito aos costumes (entrando em absoluta contradição com as ideias libertárias), mas sobretudo porque o corte nos impostos sobre os mais ricos, caso se concretizasse, poderia beneficiar em muito os milionários que financiam essa facção extremista.

 

Por cá, foi também recebido com êxtase comedido pelos nossos conservadores/liberais/direitistas: José Manuel Fernandes entusiasmou-se e os Insurgentes andam animadíssimos - Ryan vem preencher o vazio emocional deixado pela não nomeação de Ron Paul no ticket Republicano. Ryan é também conhecido pela confessa admiração por Ayn Rand, uma escritora de ficção científica que, nas palavras de Christopher Hitchens, "escreveu romances transcendentalmente maus", e uma suposta filósofa desprezada por toda a gente da filosofia, cuja principal contribuição para o pensamento ocidental foi a defesa do "objectivismo", a doutrina que advoga o egoísmo como máxima virtude do ser humano - como diz Hitchens, uma realidade concreta que dispensaria os inúmeros tomos escritos por Rand sobre ela. Uma das suas frases mais conhecidas é "o altruísmo é o Mal" - no kidding. Em termos político-económicos, defendia o Estado mínimo e a total liberdade económica - também conhecida por selvageria capitalista. A sua oposição a qualquer tipo de apoio social aos mais desfavorecidos redundou num irónico (e trágico) revés no fim da sua vida: doente de cancro, e sem possibilidade de pagar os caríssimos tratamentos, acabou por recorrer a apoios sociais - Medicare e Segurança Social - durante os últimos cinco anos da sua existência, o que só vem provar que a defesa do individualismo e do fim do Estado Social apenas resulta para quem é suficientemente rico para não precisar do Estado Social.

 

Stephen Colbert nunca teve tanto material para o seu programa, como se pode ver no vídeo. Deus abençoe os hipócritas em geral e os libertários em particular. Sem eles, isto não teria tanta piada.


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

Sobre a proposta de segmentação social através do ensino, apresentada agora pelo governo, vale a pena ler também este texto de José Soeiro e este post de Rui Bebiano.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

 

A notícia de ontem, que confirma o projecto de Nuno Crato que prevê a obrigatoriedade dos alunos com mais de duas reprovações seguirem o ensino vocacional, mostra até que ponto este Governo está empenhado em regressar a tempos antigos, quando um filho de criado estava destinado a ser apenas criado, por muitas capacidades que tivesse, e um filho do senhor doutor seria sempre também senhor doutor, fossem quais fossem as aptidões mostradas. É uma escolha claramente ideológica que reafirma uma visão do mundo retrógada, promovendo a desigualdade no acesso às oportunidades e uma sociedade classista e com uma reduzida mobilidade social. Esta crónica de André Macedo no DN é bastante elucidativa sobre as razões que motivam Crato, o economista:  

 

"O ministro da Educação quer desenvolver o ensino vocacional. Muito bem. Como seria bom que os estudantes pudessem escolher formações técnicas capazes de lhes transmitir (também) um saber profissional. Como seria excelente que estes cursos respondessem (também) às necessidades do mercado de trabalho. Como seria bom que não se desperdiçasse recursos atirando para cursos superiores pessoas que não os querem fazer. Já se pensou no tempo que poderíamos poupar? Na inteligência, energia e talento que um plano assim libertaria? Aposto que seríamos um país mais feliz e competitivo.

Mas se é assim tão evidente, porque nunca se deu este passo como deve ser? Porque será que a concretização se revela tão difícil? Porque será que as famílias e os alunos evitam esta escolha? A resposta está no projeto macabro de Nuno Crato. De acordo com o ministro, quem irá para estes cursos? Ora bem, além dos voluntários - coitadinho, tem 14 anos, mas não dá para mais... -, os que chumbarem duas vezes no ensino secundário também têm o destino traçado. É um castigo: és uma besta, vais já para jardineiro; sim, terás mais uma oportunidade para voltar ao ensino regular, mas para já ficas-te por aqui. Depois, se passares os exames do 9.º ou 12.º anos, logo veremos.

Não há dúvida: se a via profissional é apresentada como uma punição, é lógico que poucos - entre os bons e talentosos - quererão juntar-se a este gueto onde a qualidade será ridiculamente baixa. É lógico que só as famílias mais pobres ou desinformadas aceitarão este afunilamento precoce, cruel e estúpido das perspetivas. Os outros nem por um segundo pensarão em seguir este caminho (a segunda divisão!) que o próprio Governo se encarrega à partida de desvalorizar. O que isto revela de Nuno Crato é apenas um terrível cheiro a naftalina.

Na Alemanha, pátria do ensino vocacional, ninguém é chutado da "escola regular". Não se fecham portas. Não se elevam barreiras aos 14 anos em lado nenhum do mundo civilizado. Avaliam-se competências, oferecem-se alternativas. Não se apressam escolhas à reguada. A ligação às empresas é uma das maneiras de fazer isto com algum êxito: são as associações de empresários que, na Alemanha, ajustam a oferta de cursos profissionais às necessidades do mercado. Não há rigidez, há flexibilidade e oportunidade - a oportunidade de, na idade adequada, estagiar numa empresa. É por isso que 570 mil alunos alemães se inscreveram nestes cursos em 2011, contra os 520 mil que preferiram a universidade. Não foi porque lhes enfiaram orelhas de burro na adolescência.

Nuno Crato vive preocupado em exibir autoridade. Quer chumbar, punir, travar. Vê a escola como um centro de exclusão, não como espaço de desenvolvimento de competências sociais, culturais e técnicas - com regras, competição e exigência. Não tem um plano educativo desempoeirado: sofre de reumatismo ideológico. Engaveta os alunos. Encolhe o País. Reduz a riqueza. É matemático."

 

Adenda: em relação à segunda parte da crónica, encontrei no blogue Boas Intenções, mantido por uma portuguesa residente na Alemanha, objecções que me parecem importantes, sobretudo porque reforçam como é errado o modelo (?) proposto por Crato. Fica aqui o post:

 

"Este texto, hoje tão celebrado por essa internet fora, é mais um exemplo do mesmo - a análise é boa, a crítica é justa, a segunda parte é ou ignorância ou é demagogia. E, com um acesso tão facilitado à informação como aquele que temos hoje em dia*, não sei se há uma verdadeira distinção entre ignorância e demagogia - são duas facetas diferentes do vale-tudo argumentativo e da falta de exigência e honestidade intelectuais que tornam possível o triunfo dos Nunos Cratos desta vida.

(*os relatórios da OCDE por exemplo podem ser lidos em várias línguas e são muito claros quanto às consequências da separação das vias de ensino e aos resultados de diferentes modelos de separação das vias de ensino, independentemente da sua permeabilidade. No caso específico da Alemanha, o país da OCDE que em conjunto com a Áustria separa as crianças mais cedo, aos 10 anos, os números reais da permeabilidade entre vias de ensino são irrisórios, a desigualdade é preocupante e os indicadores sugerem uma muito reduzida mobilidade social, com muito poucas crianças cujos pais não tinham formação universitária a frequentarem cursos superiores - em 2012 mais de dois terços dos estudantes universitários alemães eram filhos de pais com educação superior e só 2% vinham de agregados familiares cujos pais tinham apenas concluído uma educação profissional ou a Hauptschule, a menos exigente das três vias de ensino. É este sistema que André Macedo pinta de cor de rosa como o paraíso do ensino vocacional)"

por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

"Centro de refugiados em Loures transformou-se 'num depósito de pessoas'. (...)

 

«A partir de Setembro de 2011 é que foi o descalabro completo, quando a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa [SCML] deixou de apoiar e de receber estas pessoas. Também os processos na Segurança Social, daqueles que já têm o estatuto de refugiado, são muito morosos. A protecção destas pessoas não é só admiti-las. Implica dar-lhes condições de dignidade para refazerem as suas vidas e um apoio mais continuado», frisou, à agência Lusa, a presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR). (...)

 

Com capacidade, no máximo para 50 utentes, o Centro de Acolhimento de Refugiados da Bobadela, em Loures, tem actualmente mais de uma centena, entre adultos e crianças.

 

Alguns dormem em colchões colocados directamente no chão em salas de formação. A sobrelotação e a falta de condições criam uma situação potencialmente perigosa também no aspecto sanitário.

«Há aqui uma questão de saúde pública que é gravíssima. Com todas estas pessoas, não se pode assegurar as condições de salubridade e de saúde pública. Há crianças que adoecem, há adultos que têm um episódio mais complicado de saúde e que precisam de ir para o hospital. Além de serem vítimas de stresse pós traumático e de apresentam sinais de grande instabilidade e revolta», vincou Teresa Tito de Morais. (...)

 

Para Teresa Tito de Morais a sobrelotação do CAR da Bobadela poderia ser evitada ou reduzida, caso um equipamento que está pronto, estivesse a funcionar, e tivesse sido cumprida uma promessa do ministro Pedro Mota Soares.

 

«Temos um centro [para crianças refugiadas], inaugurado a 15 de Maio [em Lisboa], pronto para receber um conjunto de crianças, mas que por falta de verbas não está a funcionar. Poderíamos transferir as crianças que estão aqui para o novo Centro e aliviávamos a tensão do CAR da Bobadela», considerou.

 

Além disso, referiu, «o senhor ministro da Solidariedade prometeu ao CPR que iria dar ordens para que os centros de reabilitação espalhados pelo país, recebessem os mais velhinhos, com 16,17 anos. Até hoje nada foi feito», lamenta.

 

No CAR da Bobadela encontram-se 25 crianças acompanhadas pelos pais e mais 23 menores sozinhos, que perderam os familiares. Estes últimos, com idades entre os oito e os 17 anos."


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

 

Fisco recebe ordens para estudar cortes nos benefícios fiscais dos casais com filhos deficientes.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

As séries da idade de ouro da televisão americana têm sido exibidas na RTP2. Com uma ou outra excepção: por exemplo, House, que passou na TVI sempre depois da meia-noite, depois do enlatado de telenovelas; ou Lost, que passou pela SIC em horário mais agradável*. Lembremos que a maioria destas séries é exibida nos EUA em horário nobre - apesar de as melhores serem menos vistas, sendo produzidas pelos canais por cabo. É claro que podiam passar na RTP1, e quase que aposto que algumas das que têm passado no 2.º canal teriam audiências bastante razoáveis. No entanto, a aposta existe e é da estação pública. Para bem e para o mal, podemos ver o melhor da ficção produzida em território americano - e muitas destas séries são melhores do que a maioria do cinema que actualmente sai de Hollywood - graças a uma consciência de programação para além dos critérios comerciais. Mad Men, Sete Palmos de Terra, Dexter, Os Sopranos, Californication, etc. etc.

 

*Pelos visto, não passou na SIC, mas sim na RTP1. Enganei-me, porque confesso que nunca acompanhei a série, tendo apenas visto alguns episódios que me emprestaram em DVD. De resto, esta informação apenas reforça o que eu escrevi.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

O Monty Python Flying Circus (Os Malucos do Circo na versão portuguesa) passava na RTP2, às 20h00, à hora do telejornal do canal 1. Lembro-me bem porque acabei por ver poucos episódios nessa passagem - havia apenas um televisor em casa, e o telejornal acabava sempre por ganhar nas preferências da família. Eu teria 11, 12 anos, mas um grupo de colegas na escola, fãs dos Python, levou-me a que tentasse também acompanhar a série. Ainda bem que fui pressionado pelo grupo. Se os mais geniais humoristas de sempre aparecessem agora, algum canal privado compraria a série? Resposta fácil: não. A britcom continua a passar na RTP2, agora como há 30 anos atrás. Poder-se-á dizer: mas agora há cabo e DVD's. Pois: um quarto dos portugueses* continua sem acesso à televisão por cabo - e muitos estão a desistir por causa das dificuldades financeiras - e os DVD's estão cada vez mais inacessíveis pelas mesmas razões.


(Dedico este sketch aos nossos governantes, em especial ao nosso querido ministro Miguel Relvas.)

 

*corrigido.

por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2012
por Miguel Cardina

 

Acho que foi o Ricardo Araújo Pereira que um dia disse que a melhor altura para os humoristas em Portugal foi durante o governo de Santana Lopes, uma vez que aí os textos se escreviam sozinhos. Parece que agora voltámos a esses tempos aúreos. Hoje, em visita a Timor-Leste, e depois de ter perdido o discurso que lhe escreveram à saída do avião, Miguel Relvas assegurou: "a língua é o petróleo desta relação, é o que nos dá força, é o combustível desta relação e nós temos de continuar nesse caminho”.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Marques Mendes diz que administradores da RTP deveriam demitir-se por se terem manifestado contra concessão. Já António Borges, conselheiro do governo, pode opinar à sua vontade, fazendo propostas em público e substituindo-se ao governo. Mas sem contraditório, claro está. Que às administrações das empresas do Estado não cabe zelar pelos interesses das empresas que dirigem. Ou julgam que foram nomeados para isso? Marques Mendes explica-se: "Acho que a administração da RTP devia ficar calada, porque este problema não é um problema da administração da RTP, é um problema do dono, o dono é o Estado. Têm o direito de discordar, mas aí então acho que lhe ficava bem e era eticamente bonito tomar a iniciativa de pedir a demissão» Fica então uma dúvida: o dono da RTP é António Borges? É que foi dele, e não do Estado, que a administração da RTP discordou. A não ser que consultores já representem o Estado.


por Daniel Oliveira
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por Miguel Cardina

 

Do facebook de Carla Luís


por Miguel Cardina
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por Miguel Cardina

Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas

É preciso fazer qualquer coisa de extraordinário. É preciso tomar as ruas e as praças das cidades, das nossas cidades e dos nossos campos. Juntar as vozes, as mãos. Este silêncio mata-nos. O ruído do sistema mediático dominante ecoa no silêncio, reproduz o silêncio, tece redes de mentiras que nos adormecem e aniquilam o desejo. É preciso fazer qualqu

er coisa contra a submissão e a resignação, contra o afunilamento das ideias, contra a morte da vontade colectiva. É preciso convocar de novo as vozes, os braços e as pernas de todas e todos os que sabem que nas ruas se decide o presente e o futuro. É preciso vencer o medo que habilmente foi disseminado e, de uma vez por todas, perceber que já quase nada temos a perder e que o dia chegará de já tudo termos perdido porque nos calámos e, sós, desistimos.

O saque (empréstimo, ajuda, regaste, nomes que lhe vão dando consoante a mentira que nos querem contar) chegou e com ele a aplicação de medidas políticas devastadoras que implicam o aumento exponencial do desemprego, da precariedade, da pobreza e das desigualdades sociais, a venda da maioria dos activos do Estado, os cortes compulsivos na segurança social, na educação, na saúde (que se pretende privatizar acabando com o SNS), na cultura e em todos os serviços públicos que servem as populações, para que todo o dinheiro seja canalizado para pagar e enriquecer quem especula sobre as dívidas soberanas. Depois de mais um ano de austeridade sob intervenção externa, as nossas perspectivas, as perspectivas da maioria das pessoas que vivem em Portugal, são cada vez piores.

A austeridade que nos impõem e que nos destrói a dignidade e a vida não funciona e destrói a democracia. Quem se resigna a governar sob o memorando da troika entrega os instrumentos fundamentais para a gestão do país nas mãos dos especuladores e dos tecnocratas, aplicando um modelo económico que se baseia na lei da selva, do mais forte, desprezando os nossos interesses enquanto sociedade, as nossas condições de vida, a nossa dignidade.

Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, Portugal, países reféns da Troika e da especulação financeira, perdem a soberania e empobrecem, assim como todos os países a quem se impõe este regime de austeridade.

Contra a inevitabilidade desta morte imposta e anunciada é preciso fazer qualquer coisa de extraordinário.

É necessário construir alternativas, passo a passo, que partam da mobilização das populações destes países e que cidadãs e cidadãos gregos, espanhóis, italianos, irlandeses, portugueses e todas as pessoas se juntem, concertando acções, lutando pelas suas vidas e unindo as suas vozes.

Se nos querem vergar e forçar a aceitar o desemprego, a precariedade e a desigualdade como modo de vida, responderemos com a força da democracia, da liberdade, da mobilização e da luta. Queremos tomar nas nossas mãos as decisões do presente para construir um futuro.

Este é um apelo de um grupo de cidadãos e cidadãs de várias áreas de intervenção e quadrantes políticos. Dirigimo-nos a todas as pessoas, colectivos, movimentos, associações, organizações não-governamentais, sindicatos, organizações políticas e partidárias, que concordem com as bases deste apelo para que se juntem na rua no dia 15 de Setembro.

Dividiram-nos para nos oprimir. Juntemo-nos para nos libertarmos!

Ana Carla Gonçalves, Ana Nicolau, António Costa Santos, António Pinho Vargas, Belandina Vaz, Bruno Neto, Chullage, Diana Póvoas, Fabíola Cardoso, Frederico Aleixo, Helena Pato, Joana Manuel, João Camargo, Luís Bernardo, Magda Alves, Magdala Gusmão, Marco Marques, Margarida Vale Gato, Mariana Avelãs, Myriam Zaluar, Nuno Ramos de Almeida, Paula Marques, Paulo Raposo, Ricardo Morte, Rita Veloso, Rui Franco, Sandra Monteiro, São José Lapa.

por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

Já o escrevi aqui várias vezes: este Governo lida mal com a liberdade de expressão. Num ano, as situações multiplicaram-se. Já houve de tudo: jornalistas despedidos, pressões e ameaças, muita desinformação vinda dos gabinetes dos assessores, avençados nas estações televisivas reclamando das opiniões contrárias, o jardim de Mário Crespo em plena carburação, a central de propaganda governamental chamada Correio da Manhã. Pacheco Pereira estranha o silêncio dos jornais sobre as eleições em Angola - não vá o parceiro de negócios chatear-se. E agora, o coro de vozes pedindo a demissão da administração da RTP por causa de um comunicado defendendo um plano de estabilização financeira da estação. O André Couto escreve o que pode ser escrito:

 

"Afinado coro, o das últimas horas, a pedir a demissão da Conselho de Administração da RTP, por este ter opinado contra a concessão da empresa a privados. Surgiram-me, entretanto, uma dúvida e uma certeza. A dúvida é a de não perceber se o anúncio do Mr. Goldman Sachs é, afinal, uma medida oficial, debatida e aprovada em Conselho de Ministros. Opinar sobre cenários durante um debate não me parece motivo de demissão, a menos que se lide mal com a liberdade de opinião. A certeza foi ter percebido o medo que estás por trás das sugestões de demissão: gestores públicos, sérios e honestos, que fazem empresas públicas entregarem lucro ao Estado e não aos privados com os quais pouco tem a ver? "Eh lá! É melhor correr com eles não vão as pessoas perceber que a gestão pública, se séria e honesta, como se supõe, reverte o lucro a favor do Estado e não dos interesses da malta..."."


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

Ivan Cavaleiro.

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por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

O pó levantado pela entrevista do consultor das corporações interessadas na concessão da RTP está longe de ter pousado, o que convém a um Governo que vê, mês após mês, a sua política orçamental a fracassar miseravelmente.

 

Com o desemprego imparável, a recessão a destruir o tecido económico português e o consumo a cair para níveis semelhantes à época do pós-guerra, o primeiro-ministro Coelho e o ministro Gaspar parecem ter-se enfiado no mesmo buraco onde estão Paulo Portas, o Álvaro e Miguel Relvas. O Borges da Goldman Sachs é o porta-voz para as privatizações e o ministro da Defesa Aguiar Branco pau para toda a obra, ora dando o peito às balas dirigidas a Paulo Portas ora anunciando, qual profeta, a decisão de sua excelência, dr. Relvas, sobre a RTP.

 

A única possibilidade de salvação deste Governo de estarolas criminosos será a troika que aí vem. O grande objectivo da política governativa era o controlo do défice e, por arrasto, da dívida pública; falhou, em grande. Os quatro vírgula cinco por cento são uma piada de mau gosto - sobretudo para os milhões de portugueses que estão a passar por dificulades inimagináveis. Cinco, seis, sete por cento, é o que teremos no fim do ano, quem sabe se um défice mais elevado do que no ano passado. Somos o que a Grécia era há um ano, e ainda vai piorar. Mas atenção, 2013 será o ano da inversão, prometeu-nos o Coelho do Pontal. Haverá ainda alguém que acredite nas mentiras deste Governo?


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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Domingo, 26 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

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Sábado, 25 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

RIP Neil Armstrong.

por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

Estrela Serrano explica:

"A estratégia é conhecida por “balão de ensaio” e tem vários níveis de sofisticação. É delineada nas altas esferas e é geralmente aplicada através de “fugas” de informação dirigidas a certos jornais “próximos” por intermédio de  jornalistas “de confiança”.

 

Esta estratégia, tudo o indica,  foi agora utilizada pelo Governo, a propósito da RTP, com algum grau de sofisticação. Mas há sempre alguma coisa que escapa ao controle e ajuda a perceber  mais do que aquilo que se diz.

 

Neste caso, importa analisar todos os pormenores do que veio a público e do que é possível perceber do que não veio,  porque eles fornecem sinais sobre o que verdadeiramente se prepara para a RTP. Vejamos:

 

- A notícia sobre a “hipótese em cima da mesa”, de concessão do serviço público a um privado e encerramento da RTP2, foi dada em primeira mão ao jornal Sol que a anunciou na sua edição electrónica ao fim do dia de ontem, antes de ser divulgada pela TVI no Jornal das 8 e hoje pela edição papel do jornal. 

 

- O Sol é  detido em 96,96% pela Newshold, grupo angolano cuja estrutura accionista é constituída por Pineview Overseas, S.A. (Sociedade Anónima sedeada na República do Panamá) e em 5% pela TWK – SGPS, Lda. (Sociedade por Quotas).

 

- A Newshold, dona do SOL, segundo notícias vindas a público  está a preparar a sua candidatura à privatização de uma frequência da RTP, tendo para isso criado uma nova empresa e começado a contratar colaboradores para a elaboração do projecto.  

 

- A notícia do SOL é assinada exclusivamente pelo vogal do conselho de administração do jornal, José António Lima, e não por  jornalistas que geralmente cobrem os temas televisão e media, o que sugere ter o assunto sido tratado apenas ao mais alto nível no seio do jornal por alguém em posição de deter e poder controlar a divulgação da informação conveniente.

 

- Do lado do Governo, o escolhido para a execução da estratégia não foi, desta vez, um assessor ou um dos comentadores televisivos a quem o Governo costuma dar “cachas”- Marcelo ou Marques Mendes. O governo subiu a parada e entregou o serviço ao seu conselheiro e ministro-sombra com o pelouro das privatizações, António Borges, que nada tem a perder e tudo tem a ganhar em fazer o papel do “balão” que não se importa de ser desmentido se o “ensaio” não der o resultado esperado.

 

- E é aqui que entra a TVI. Seria coincidência a mais que a TVI se lembrasse de entrevistar António Borges no dia em que a notícia do dia  era o buraco orçamental. Mas era preciso que António Borges – o escolhido pelo Governo para dar a cara - fosse a uma televisão fazer o spin, prevenindo a eventualidade de a notícia do Sol não corresponder ao que o Governo queria que fosse dito. A RTP estava fora de questão, a SIC ainda mais pelos motivos conhecidos: Balsemão é frontalmente contra a estratégia do Governo para a RTP. Então, quem melhor do que Judite de Sousa para conseguir entrevistar  em cima da hora uma figura de proa ligada ao Governo como António Borges?

 

E assim o “balão de ensaio” fez o seu caminho…

 

Veremos se o serviço público de televisão acaba concessionado a uma entidade de seu nome Pineview Overseas, S.A., com sede na cidade do Panamá, República do Panamá… de cujos “testas de ferro” não foi até hoje possível conhecer os nomes."


por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

As pessoas ficam incomodadas com o ultra-liberalismo de António Borges, mas a verdade é que o ultra-liberalismo de António Borges está sempre ser incomodado pela existência de pessoas.


por Bruno Sena Martins
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por Sérgio Lavos

 

No meio da enxurrada de trapalhadas governativas que emergiu ontem, houve uma notícia que passou despercebida mas que mostra bem como funciona a comissão liquidatária do país - por vezes também conhecida como Governo. Alguns dias depois de ter saído do país a equipa da Unesco que veio investigar qual o impacto ambiental da construção da barragem do Tua na paisagem protegida do Alto Douro, foi aprovado um incentivo à construção da barragem, no valor de 33 milhões de euros. Isto apesar de há uns meses a ministra Cristas ter garantido que o ritmo iria abrandar para não colocar em perigo a classificação de Património Mundial para a região. Nas costas da UNESCO, tudo volta ao mesmo, e parece que as máquinas voltaram a acelerar e o estaleiro está em plena carburação. 

 

Não sei o que é pior: se a política de construção de barragens errada e que beneficia as empresas do sector - neste caso, a recém sino-nacionalizada EDP; se a mentira deliberada do Estado português a um organismo internacional, a UNESCO; se a mentira da própria ministra Cristas ao povo português; se a construção em si, crime ambiental sem perdão que vai destruir uma das belas paisagens do país, a troco de quase nada - a electricidade que a barragem irá produzir não compensa os milhões que a EDP está a receber do Estado, num regime de PPP ainda pior do que o das SCUT. Uma vergonha inominável.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Mesmo vindo deste governo, que já mostrou há muito não ser dotado da capacidade de se envergonhar, custa-me acreditar que a proposta sobre a oferta da RTP com pagamento de renda por parte do Estado seja verdadeira. Ou estão a tentar piorar a coisa para a inaceitável privatização passar a parecer aceitável ou ensandeceram de vez.


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

O cangalheiro da economia portuguesa (António Borges) esteve numa televisão privada (a TVI) a explicar que o Estado - isto é, todos nós - não só irá abdicar do potencial encaixe financeiro obtido com a privatização de um dos canais públicos, como ainda vai pagar 140 milhões por ano (a taxa de televisão) a uma empresa privada (provavelmente detida por uma ditadura, Angola) para esta ter lucro com a emissão de lixo televisivo. Parece-me bem. Pode-se sempre inovar na área das PPP's, como sugeriu o Carlos Vaz Marques no Facebook.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012
por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

 

Pedro Passos Coelho quis, no dia 5 de Abri de 2011:

 

«deixar claro que os membros do Governo não podem recrutar ilimitadamente uma espécie de administração paralela nos seus gabinetes». «Um membro do Governo tem direito a escolher um chefe de gabinete, uma ou duas secretárias de confiança, um ou dois adjuntos. Acabou. O resto que tiver que recrutar tem que recrutar na administração»

 

Claro que, quando o PSD e o CDS se alçaram ao poder, aconteceu precisamente o contrário: foram recrutadas centenas de assessores, adjuntos e especialistas, a maioria ao sector privado, muitos deles jornalistas e/ou bloggers e bastantes membros das juventudes partidárias sem qualquer experiência profissional relevante. Mais: como revela hoje o DN, todos estes boys vindos do privado receberam subsídio de férias este ano. Um primeiro-ministro sério, honesto, rigoroso, diferente dos anteriores. Um exemplo. Estamos todos de parabéns.

 

 

“Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir” - D. Januário Torgal Ferreira, 16/07/2012. 


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

A continuada aposta do ministro da Educação no regresso ao passado teve ontem mais um desenvolvimento. A meta de 50% de alunos inscritos em cursos profissionais, significa, para quem possa estar distraído, que Nuno Crato quer que 50% dos alunos que frequentam o ensino obrigatório não tente sequer entrar no Ensino Superior. Isto, num país com uma das mais baixas taxas de licenciados da OCDE, mas também simultaneamente aquele onde ser licenciado faz realmente a diferença na hora de obter emprego (dados de 2007). A aposta no Ensino Profissional acentua a desigualdade no acesso à Educação e sinaliza uma aposta num ensino elitista que facilita a vida aos alunos vindos das classes sociais mais favorecidas - as escolas privadas com contrato de associação viram os seus subsídios serem generosamente reforçados em 2011, num período em que o desinvestimento na escola pública é evidente e quando o memorando da troika obrigava claramente a que esses apoios fossem reduzidos*. E, se olharmos bem para os cursos oferecidos, ainda se torna mais absurda e retrógada esta salazarenta política educativa: comércio, bens transacionáveis, restauração, indústria; precisamente as áreas da economia que mais estão a sofrer com a catastrófica política do Governo PSD/CDS. Será Crato um genial visionário, ou apenas um idiota preconceituoso e alienado do mundo em que vive?

 

*Acrescentada informação, seguindo sugestão de alguns comentadores.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

 

Sabendo que antes de se discutir nomes terá sempre de se discutir políticas, modelos e estratégias, e esperando que o Bloco de Esquerda faça isso democraticamente durante os próximos tempos, sinto-me à vontade para ter uma preferência para dar voz às propostas que saírem do colectivo: Ana Drago. Pela sua experiência política no BE; pela clareza das ideias; e sobretudo porque a política depende das pessoas que a fazem, e a deputada parece-me ser quem conseguirá melhor transmitir o que o Bloco tem a dizer a um país que está a ser arruinado pelas políticas de direita.   


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2012
por Daniel Oliveira

Dois anos de prisão para as Pussy Riots decidido pelos tribunais plenários ao serviço do ex-chefe do KGB

por Daniel Oliveira
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por Miguel Cardina

 

Cavaco Silva está de férias no Algarve mas interrompeu o seu merecido descanso para inaugurar um hospital privado, em Albufeira, pronto em cerca de um mês. Instado a comentar notícias como esta, que apontam para um corte de 200 milhões no SNS em 2013, o presidente lá explicou que está de férias no Algarve, em merecido descanso, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, haja paciência. E lá seguiu para o corte do bolo.


por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

Vários jornalistas me contactaram nos últimos dias para saber a minha opinião sobre a nova liderança do Bloco. A todos respondi o mesmo, declinando o pedido: não havendo qualquer candidato, nada tenho a dizer. Nos partidos em que os líderes são eleitos, e não nomeados, são eles que se apresentam a voto. Haver um militante que já anunciou que não se recandidatará ao cargo a manifestar publicamente as suas preferências pessoais não muda o facto de, até agora, não haver qualquer candidato a coordenador do Bloco. Também terei, como muitos militantes do Bloco, as minhas preferências. Mas esperarei por saber a vontade dos próprios para me pronunciar.

 

Também está em debate o modelo de direção. Também sobre esse assunto não quis prestar declarações avulsas. O ainda coordenador do Bloco de Esquerda decidiu expressar a sua opinião. É, como militante do partido, livre de o fazer. Mas como estamos a falar da futura coordenação, e não da atual, só o faz na mera condição de militante. Caberá à convenção do partido, e só a ela, tomar uma decisão. Como o debate foi, por quem passou a informação para os jornais e pelos dirigentes que resolveram pronunciar-se, deslocado para o domínio público, nenhum militante do partido deve estar inibido de dar a sua opinião. 

 

Como esse debate está já na praça pública – infelizmente manchado, no que a mim diz respeito, por uma incompreensível calúnia de que não pretendo, depois da reação clara, ponderada, mas justamente indignada, voltar a falar –, sinto-me, enquanto militante, no direito de também dizer de minha justiça. Até porque não gostava que ficasse a ideia, péssima para o partido, de que existem vias únicas e factos consumados que os militantes estão dispensados de discutir. Para isso já bastam as “inevitabilidades” que querem impor ao País. Como disse a minha camarada Ana Drago, há, como não podia deixar de haver, várias soluções em cima da mesa. E todas elas têm gente que com elas discorda e gente que com elas concorda. As opiniões de cada um não são, não podem ser, o mesmo que decisões fechadas. O atual coordenador do Bloco abriu o debate público com a sociedade portuguesa sobre o tema e, assim, aqui vai o meu contributo.

 

Considero que uma coordenação bicéfala não corresponde, neste momento, às necessidades do Bloco de Esquerda. Independentemente dos nomes referidos pelo militante que coordena o partido até Novembro, que, na verdade, só me poderiam agradar. Dizer que um modelo de liderança a dois é uma solução moderna e que não se pode dirigir o partido como se estivéssemos no século XIX faz pouco sentido. Não vejo como se pode defender como única solução aceitável para a liderança dos outros o que não aplicámos à nossa. Quando o Bloco elegeu formalmente o seu último coordenador já estávamos no século XXI. Se o Bloco viveu bem com um único coordenador, não vejo porque não pode, subitamente, continuar a viver. E tem por onde escolher.

 

O País vive um momento dramático. O Bloco passará por duas difíceis eleições – autárquicas e europeias – e por duros combates sociais. A sucessão de um líder marcante, com características próprias que moldaram a natureza do cargo de coordenador, ao fim de 13 anos de liderança – primeiro de facto, depois formal –, tornam o trabalho do futuro coordenador do Bloco especialmente complexo. Qualquer solução que lhe acrescente, à dificuldade natural desta sucessão e dos combates que se adivinham, sinais de fragilidade é uma injusta herança que se deixa a quem aceitar assumir tal responsabilidade.

 

O partido não deve passar a ideia de que o seu atual coordenador é insubstituível. E para não passar essa ideia deve eleger um coordenador que tenha as mesmas condições de trabalho que foram dadas ao seu antecessor. É o mínimo que se pode pedir. As dificuldades que se avizinham, que implicam escolhas difíceis, que, como é natural em qualquer partido, podem causar algumas fracturas internas, precisam de uma liderança que seja um factor de unidade. Mas uma unidade forte. E que se possa fortalecer aos olhos dos militantes e dos cidadãos. A solução bicéfala (ou tricéfala, se a ela acrescentarmos a liderança parlamentar, que obviamente ganha outra relevância na ausência de um coordenador único) gera confusão, descoordenação e enfraquece o partido.

 

A única forma de vir a ultrapassar esta confusão é a liderança bicéfala acabar por resultar numa escolha informal, por parte da comunicação social, do “líder mediático” do Bloco. Não me parece que um partido deva deixar para os jornalistas uma tarefa que deve ser sua. Estou, por fim, convencido que a maioria dos portugueses não compreenderá esta solução. Depois de uma pesada derrota eleitoral, e quando há tantos desafios pela frente, tudo o que Bloco dispensa é mais factores de confusão na passagem da sua mensagem.

 

Todos sabíamos que uma sucessão de um líder carismático, que esteve tantos anos à frente de um partido ainda jovem, seria difícil. Outros partidos passaram pelo mesmo e souberam resolver essa dificuldade. Qualquer solução encontrada, ainda mais num partido com muitas sensibilidades (o que é a sua riqueza), encontraria oposições e apoios. É natural que assim seja num partido democrático e isso não deve causar qualquer temor. Empurrar o problema com a barriga, optando por uma solução que fragiliza quem tenha de coordenar o partido nos próximos anos, é criar um problema mais grave.

 

Poderíamos preferir que os partidos não fossem representados por um rosto e que a política fosse menos personalizada. Mas as coisas não são assim e o Bloco não só não o ignorou até hoje como tomou, no passado, a decisão de encontrar esse rosto. Também no passado havia a possibilidade de se ter partilhado a coordenação do Bloco. Ou até de terem sido outros os coordenadores. Havia pessoas capazes de o fazer. Optou-se por ter um único coordenador e por ele ser Francisco Louçã. Porque se percebeu que mais vale um líder eleito pelos militantes do que um líder escolhido pelos media. Nada mudou desde então. A não ser a dificuldade em aceitar que as sucessões na liderança de um partido, podendo ter um parto difícil, são um ato natural. Porque, insisto, ninguém é insubstituível.

 

Sobre os nomes, nada direi. A não ser que, para coordenador, não faltam dirigentes com a capacidade de transmitir a mensagem do Bloco com eficácia. E que, já agora, o ajudem a entrar numa nova fase de crescimento e de credibilidade. Alguns deles foram referidos por quem lançou este debate e fico muito satisfeito por recolherem tanta simpatia e apoio, o que deveria ser a prova de que é possível uma sucessão sem dramas. Seria lamentável que as suas enormes capacidades fossem prejudicadas por uma solução que os enfraquecem à partida. Não pode faltar, muito menos agora, a coragem de fazer escolhas. E é por escolhas claras que me baterei na próxima convenção. 


por Daniel Oliveira
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por Bruno Sena Martins

 

No Planalto dos Macondes sobrevivi às latrinas (tentei evitá-las com uma terapêutica não medicinal de imodium, mas a farinha de milho lá impôs as suas regras), sobrevivi a arritmias trazidas por cada curva de uma estrada infinda (de um lado Fangio, do outro um cinto encravado, lá atrás - quais espectros - dois capotanços no meu cv), sobrevivi às noites de bater o dente com um casaco de primavera da HM vestido (a posição fetal é a que mais aquece, mas desgraçadamente aleija-me nos ombros), sobrevivi ao susto de um gravador esquecido em Pemba idas já 4 horas de caminho (conhecendo-me vago e despassarado viajo sempre com 2 gravadores, mas não me livrei da agonia de uma fé monoteísta na coisa-máquina). Sobrevivi, enfim, à água de côco em Pemba (a água de côco como toda a gente sabe é a cicuta dos fins inglórios). Apesar de muitíssimo bem-tratado (os limites da hospitalidade razoável, da generosidade de estranhos, you name it, foram largamente violentados pelos meus anfitriões em cabo Delgado), meio maltrapilho, é certo que piso Maputo ligeiramente enrijecido. Mas sejamos claros, (como alguém sagazmente adivinhava) isto não quer dizer que eu já esteja preparado arriscar para um Festival de Verão.

 

Nangade:

 'Kaúlza lança a operação Fronteira, a construção em Nangade, junto ao Rovuma, na fronteira com a Tanzânia, de uma vila com todos os requisitos da “vida moderna” (incluindo circuito interno de TV), a ligar ao Índico por estrada asfaltada. Nangade fica no meio de coisa nenhuma, num daqueles sítios de exílio interior a que os soldados portugueses se habituaram a chamar “cu de Judas”. (…) A nova Nangade nunca será construída, ficando entregue à voracidade da selva, como um insólito monumento aos improváveis sonhos do comandante-chefe de Moçambique (…).' Os Anos da Guerra, João de Melo.

 

Publicado em Avatares de um Desejo


por Bruno Sena Martins
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Domingo, 19 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

Jasus.

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por Sérgio Lavos
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Sábado, 18 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

Se o José Manuel "as armas de destruição maciça existem mesmo" Fernandes e a Helena "o BE complica-me com os nervos" Matos estão a ponto de rebentar com a denúncia ensaiada pelo historiador Manuel Loff do revisionismo do colunista Rui Ramos, só pode querer dizer que Loff está a fazer um excelente trabalho. Uma questão de credibilidade; e ainda bem que a Helena evoca aquela bela historieta do Eça - muito educativa. Aguardemos então as cenas dos próximos capítulos - esperando que entretanto o Público não se lembre de "dispensar" tão valioso colaborador. 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Alguém pode explicar à Helena Matos que actualmente o ANC é tão socialista quanto o PC chinês e o MPLA são comunistas? E digam-lhe também que neste momento o Governo em que ela votou anda vender monopólios naturais da economia portuguesa ao comunismo contra o qual ela tanto tem lutado - pelo que vai escrevendo, ainda não deve saber do destino da EDP e da REN.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012
por Miguel Cardina

Quando é que o jornal Público acaba com o "centralismo democrático" na direcção? Começa a ser cada vez mais difícil aguentar a sucessão de editoriais "discutíveis" aos quais não se pode associar um nome...


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

"Há 465 mil desempregados sem receber protecção social há 9 meses.

 

As "culpas" vão para a explosão do desemprego, mas também para a política social que cortou apoios a quem precisava."

Esta gente sem vergonha na cara e sem escrúpulos em virarem as costas aos que mais precisam certamente ficará na História. E esta não irá ser nada meiga, na hora de os julgar. E o pior é acharem que estão mesmo a salvar o país - a alienação desta gente é uma tragédia incomensurável.


por Sérgio Lavos
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