O previsível terramoto provocado pelas últimas revelações do WikiLeaks está a começar a ter proporções imprevisíveis, que seguramente irão agravar-se com as próximas informações sobre um "grande banco" americano. As reacções têm sido surpreendentes, e é curioso verificar como os E. U. A., suposto bastião da liberdade de expressão, e a China se aproximam: a Casa Branca proibiu o acesso dos seus funcionários ao site e a China bloqueou-o, pura e simplesmente (via Ana Cristina Leonardo). Também Joe Lieberman, o Democrata com coração de Republicano, exortou à perseguição de Julian Assange, num gesto certamente apreciado pelas gentes do Irão, a fazer lembrar outras fatwas. Se é verdade que podemos questionar a relevância do que agora foi revelado, sempre achei que os valores ocidentais se regiam pela garantia das liberdades, em qualquer situação. O trabalho de Assange, ainda que politicamente motivado, é essencial para se perceber até que ponto os valores de que tanto nos orgulhamos são mesmo para levar a sério. Pelo que se tem visto, há bastantes razões para desconfiar desta premissa. A exortação de Lieberman já levou a que a empresa onde o site estava alojado tenha terminado o contrato com Assange, e o mesmo parece vir a acontecer em França. Noutra frente, os detractores do australiano insistem na acusação pendente na Suécia e no suposto mandato (que não é) da Interpol, apelidando-o de violador para cima, quando a acusação se limita a ser "sex by surprise", um crime original, exclusivo daquele país, e que se prende com o facto de duas mulheres afirmarem que Assange teve sexo consensual com elas sabendo que o preservativo estava rasgado. Transformar isto em violação seria ridículo, se não fosse vergonhoso (veja-se este post histérico no Blasfémias, para se perceber do que falo).
Tempos difíceis, estes, para conceitos tão sagrados como liberdade de expressão e de imprensa (não nos esqueçamos de que o conteúdo dos telegramas foi publicado em vários jornais de referência). Só por isto, por se provar como é frágil a ideia de democracia, já valeu a pena o esforço de Assange.
Acho que devia haver uma pequena pausa para o decoro.
Divulgar telegramas secretos em que diplomatas dão opiniões pessoais sobre governantes (era engraçado saber o que é que o Sérgio Lavos e eu próprio diríamos nestas circunstâncias sobre, ele o Pinóquio eu o Seminarista) faz o estilo do Correio da Manhã.
A pessoas com senso e diríamos um pouco de educação pede-se uma análise mais ao estilo de, sei lá, The Washington Post ?
Quem é que não quer saber quem é o namorado daquele líder da direita de que não se pode dizer o nome ou se Edite Estrela é mesmo loira natural (num telegrama imaginário este facto seria amplamente comprovado) ou se a última aquisição parlamentar do BE é activo ou passivo?
Todos, mas isto é assunto do Carlos Castro .
Muito obrigado a ambos.
Penso que no fundo vindo de ruas diferentes concluímos na mesma avenida ou seja que a súmula do divulgado é pura chicana e pior ainda afecta apenas um dos concorrentes ao prémio "Maior Trafulha Internacional", prémio onde as monarquias da Rússia e China deviam ter assento por mérito próprio, mas aí já sabíamos que os senhores divulgadores não arriscavam uma pena de prisão por violarem uma sueca (dá para rir) mas sim a cabeça de cima.
Quando à greve dos controladores, se fosse eu ou o Reagan a mandar simplesmente estavam amanhã na cadeia.
Trabalhei em aviação, levantar-se da cadeira quando um avião se encontra em fase de aproximação á pista é crime.
Devia ser punido como tal.
Voltando à questão inicial, os jornais são rápidos a divulgar tudo aquilo que lhes vende papel e que não os afecte. Lembro-me que um dia um jornalista suicidou-se atirando-se da ponte Vasco da Gama.
Se fosse outra pessoa tinha dado para três edições.
Assim passou apenas no rodapé.
Posts via feedburner (temp/ indisponível)