Sábado, 4 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

O previsível terramoto provocado pelas últimas revelações do WikiLeaks está a começar a ter proporções imprevisíveis, que seguramente irão agravar-se com as próximas informações sobre um "grande banco" americano. As reacções têm sido surpreendentes, e é curioso verificar como os E. U. A., suposto bastião da liberdade de expressão, e a China se aproximam: a Casa Branca proibiu o acesso dos seus funcionários ao site e a China bloqueou-o, pura e simplesmente (via Ana Cristina Leonardo). Também Joe Lieberman, o Democrata com coração de Republicano, exortou à perseguição de Julian Assange, num gesto certamente apreciado pelas gentes do Irão, a fazer lembrar outras fatwas. Se é verdade que podemos questionar a relevância do que agora foi revelado, sempre achei que os valores ocidentais se regiam pela garantia das liberdades, em qualquer situação. O trabalho de Assange, ainda que politicamente motivado, é essencial para se perceber até que ponto os valores de que tanto nos orgulhamos são mesmo para levar a sério. Pelo que se tem visto, há bastantes razões para desconfiar desta premissa. A exortação de Lieberman já levou a que a empresa onde o site estava alojado tenha terminado o contrato com Assange, e o mesmo parece vir a acontecer em França. Noutra frente, os detractores do australiano insistem na acusação pendente na Suécia e no suposto mandato (que não é) da Interpol, apelidando-o de violador para cima, quando a acusação se limita a ser "sex by surprise", um crime original, exclusivo daquele país, e que se prende com o facto de duas mulheres afirmarem que Assange teve sexo consensual com elas sabendo que o preservativo estava rasgado. Transformar isto em violação seria ridículo, se não fosse vergonhoso (veja-se este post histérico no Blasfémias, para se perceber do que falo).

 

Tempos difíceis, estes, para conceitos tão sagrados como liberdade de expressão e de imprensa (não nos esqueçamos de que o conteúdo dos telegramas foi publicado em vários jornais de referência). Só por isto, por se provar como é frágil a ideia de democracia, já valeu a pena o esforço de Assange.


por Sérgio Lavos
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Acho que devia haver uma pequena pausa para o decoro.


Divulgar telegramas secretos em que diplomatas dão opiniões pessoais sobre governantes (era engraçado saber o que é que o Sérgio Lavos e eu próprio diríamos nestas circunstâncias sobre, ele o Pinóquio eu o Seminarista) faz o estilo do Correio da Manhã.


A pessoas com senso e diríamos um pouco de educação pede-se uma análise mais ao estilo de, sei lá, The Washington Post ?


Quem é que não quer saber quem é o namorado daquele líder da direita de que não se pode dizer o nome ou se Edite Estrela é mesmo loira natural (num telegrama imaginário este facto seria amplamente comprovado) ou se a última aquisição parlamentar do BE é activo ou passivo?


Todos, mas isto é assunto do Carlos Castro .


deixado a 4/12/10 às 14:55
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Fado:


é óbvio que há muita palha nos telegramas, e por isso mesmo eu ponho em causa a relevância do que foi divulgado. Mas quanto a isto, duas coisas: o conteúdo dos telegramas foi entregue a jornais de referência no mundo inteiro, e a eles deveria gter cabido a filtragem desse conteúdo; por muita coscuvilhice que os telegramas contenham, acho que qualquer reacção que vise censurar a liberdade de informação e de expressão é pior do que o acto de divulgar. E olhe que opiniões pessoais dos embaixadores sobre líderes mundiais, quando emitidas por via oficial (é o caso), é assunto de interesse público. 

deixado a 4/12/10 às 16:51
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Carlos Marques
Se fossem conversas com o nosso PM, sobre assuntos de interesse público como forçar o fim de um telejornal incómodo, logo haveria quem se indignasse, ou tivesse as costumeiras e cirúrgicas "dúvidas", pela publicação, alegando até quebra de direitos cívicos.

Assim, como é contra os gringos, já vale tudo em nome da liberdade de expressão.

deixado a 4/12/10 às 17:11
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simon
Se fosse contra o Irão, a China, a Rússia, a Coreia do Norte... aqui-de-el-rei que era tudo mentira e nem os USA incorrem na difamação, "Assim, como é contra os gringos, já vale tudo em nome da liberdade de expressão." Carlos Marques
E ainda há destes apanhados de todo, nos tempos que correm da evolução.

deixado a 4/12/10 às 23:17
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