Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010
por Andrea Peniche

 

Foi assim que, segundo o Tribunal de Contas, o Governo PS aplicou 2.2 mil milhões de euros para combater a crise: 61% para a banca, 36% para as empresas e 1% para o apoio ao emprego. Esta distribuição é tão justa e tem surtido tanto efeito que ainda o ano não acabou e já se anunciam mais 500 milhões de euros para continuar esse desígnio nacional de salvar o BPN. Na verdade, o BPN não deveria sequer ser colocado no mesmo saco dos outros bancos. Afinal, quando um banco nos custa cinco mil milhões de euros a gente acaba por se afeiçoar a ele. Além do mais, este é o banco em que Cavaco Silva nunca meteu um único dedo. E por isso disse de peito feito: «Nunca comprei nem vendi nada ao BPN». É a chamada verdade da mentira. Cavaco Silva nunca comprou nada ao BPN, mas o mesmo não se pode dizer relativamente à SLN, que por acaso até era proprietária do BPN e administrada pelo seu amigo e Conselheiro de Estado José Dias Loureiro. Mas isso são pormenores sem importância nenhuma, assim como os 147.500 euros que realizou em mais valias. Há que ser esperto e saber vender a tempo. E deve ser motivo de orgulho ter um presidente esperto. 

 

Está visto que os apoios às empresas foram insuficientes. Só isso justifica que estas não tenham conseguido realizar esse esforço inimaginável de aumentar o salário mínimo para 500 euros. E por isso é que nesse enorme esforço de concertação social foi conquistado um aumento de 33 cêntimos por dia, ou 10 euros por mês, para os trabalhadores e trabalhadoras que ganham o salário mínimo. Feitas as contas, dá para garantir que, numa casa de orçamento mínimo, este salário consiga cobrir o aumento anunciado do pão e que aí se continue a consumir, como se crise e amanhã não houvesse, até 16 moletes por dia.

 

As políticas de apoio à criação de emprego tiveram direito a 1%. É não só justo como suficiente. Afinal, Sócrates apresentou-se ao país anunciando que iria recuperar 150 mil empregos, nada tendo dito sobre aqueles que iria perder. O facto de haver 600 mil desempregados e desempregadas é apenas um pormenor. E, como se sabe, com esta gente todo o cuidado é pouco. Não se pode habituá-los a viver à gola do subsídio de desemprego porque para subsidiodependentes já nos basta o BPN.


por Andrea Peniche
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LAM
Mais do que isso é o que representa a compra de acções não cotadas em bolsa.
Se a compra de acções em empresas cotadas em bolsa, em pequenas quantidades, traduz uma aposta na valorização mais ou menos controlável da sua evolução, não implicando proximidade à estratégia dessas empresas nem à sua forma de gestão, no caso de não cotadas, como foi o caso de Cavaco Silva com o BPN, isso, não implicando uma ligação à gestão do banco, requer necessariamente uma relação de confiança e intimidade com os gestores e as suas estratégias.

 E, das duas uma, ou Cavaco é um anjinho com conhecimentos de economia e gestão não confiáveis sequer para ir comprar batatas à mercearia, ou é conhecedor, logo co-responsável, pelas trafulhices e crimes cometidas dos seus amigos do BPN/SLN. Não há 3ª hipótese.

deixado a 23/12/10 às 14:13
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SlowDriver
a primeira hipotese é que me parece mais credivel, nesta época natalicia, em que eu costumo andar mais credulo.

deixado a 23/12/10 às 15:59
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