Sábado, 25 de Dezembro de 2010
por Daniel Oliveira

Renato Texeira chama a atenção para o grave facto de eu ter elogiado o governo e "o governo" me ter elogiado a mim. Isto a propósito do desvio de recursos públicos para as escolas privadas. Quando alguém lhe chama a atenção para um pormenor - o conteúdo do que estava em debate -, o Renato tem resposta pronta: "não quis debater o tema específico (...) Tudo, rigorosamente tudo, o que venha do actual governo deve ser considerado matéria a abater. Não te parece simples?" Lá simples é, que isto de pensar e ter opinião sobre qualquer assunto, tentando manter uma posição ideológica coerente, é demasiada trabalheira quando se pode definir o inimigo e ter sempre a posição oposta a ele. Mesmo que para isso tenhamos de ser aliados dos que querem destruir tudo aquilo que defendemos. O que interessa é vigiar os desvios de cada um, mesmo que para isso nos desviemos tanto daquilo que dizemos defender que já nem sabemos bem de que lado estamos. O título do post do Renato é "jogo de espelhos". A minha dúvida é se, quando chegar ao fim a luta contra o único inimigo que lhe interessa e com tantos estranhos aliados que vai escolhendo, o Renato ainda se vai reconhecer em frente ao seu.


por Daniel Oliveira
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40 comentários:
LAM
Renato, não querendo entrar por generalizações (agora é o meu direito de discutir o tema específico), acima de tudo não entendo o voto de abstenção de BE e PCP nesta matéria.
Não creio que a esquerda, e neste caso uma esquerda alargada, não tenha posição própria sobre um assunto de tanta importância como este. Ou tem políticas e posições próprias sobre a matéria ou não tem, ou vota a favor ou vota contra, ou sim ou sopas. Daí que a abstenção, nesta matéria e até opiniões mais avalizadas, me pareça, essa sim, uma manobra oportunista.


Renato Teixeira
Não comeram a cenoura do Sócrates. Este, até às eleições e porque tem mais um ou dois PEC's para aprovar, deve ficar isolado na sua condição de primeiro-ministro que já ninguém quer e de quem ninguém terá saudades. Bem... quase ninguém. Ao fim de um ano de mandato de Passos Coelho, já imagino o título de uma das postas do Daniel: "Volta Sócrates, estás perdoado".


LAM
Não comiam a cenoura do Socrates, apresentavam proposta alternativa. Colarem-se, via abstenção, ao cds, não me parece a melhor maneira de defender os interesses políticos da esquerda, para além de que, (não conhecendo eu o conteúdo exacto da proposta), não creio que a cenoura apresentada pelo P.Portas fosse melhor ou que possa ter, no futuro, melhores desenvolvimentos. É que, se nada deve ser feito para procurar, um minuto que seja, qualquer acordo com o socratismo (de acordo), também nada deve ser feito, através de apoios ou votações dúbias, que iluda as pessoas sobre qualquer alternativa válida que possa vir da direita mais caceteira.


Renato Teixeira
Não aprovaram nada com o CDS. Mandaram juntos uma proposta do PS abaixo. Terá que acontecer muito mais vezes. Espera-se. Quem é oposição não que que se armar em governo sombra e não tem que ter sobre tudo propostas alternativas. Ora essa.

deixado a 27/12/10 às 00:26
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