Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
por Daniel Oliveira

A razão do meu voto no domingo resume-se depressa: votarei no único candidato que, podendo disputar uma segunda volta para a vencer, tem posições claras sobre o que realmente vai estar em causa nos próximos cinco anos. A saber: gratuitidade e universalidade do Serviço Nacional de Saúde; centralidade da Escola Pública no nosso sistema educativo; defesa de uma segurança social pública; oposição a leis laborais que deixem os trabalhadores entregues aos humores do empregador; e defesa dos poderes eleitos como os únicos com legitimidade democrática para determinar as nossas escolhas colectivas. Não é pouco. É, neste momento, tudo.

 

Defensor de Moura e Francisco Lopes têm posições claras sobre estas matérias, mas, como sabemos, não estariam em condições de disputar com Cavaco Silva uma vitória. E representam mais as suas bandeira partidária do que a vontade de unir o povo de esquerda num combate que marcará os próximos anos da nossa política.

 

Fernando Nobre nunca é claro sobre estas clivagens fundamentais, apostando no aproveitamento do descontentamento dos portugueses sem lhe querer dar qualquer rumo que não seja o do ódio estéril aos políticos e apresentando-se como homem providencial. Nunca candidatos com este discurso contaram com o meu voto. Não passariam a contar agora. José Manuel Coelho é entretenimento. Levo o meu voto a sério.

 

Cavaco Silva representa tudo o que a esquerda terá de combater nos próximos anos.

 

O voto em branco, o voto nulo e a abstenção são, nestas eleições, uma ajuda a Cavaco Silva.

 

O meu voto em Manuel Alegre é um voto coerente, racional e determinado. Mesmo que Cavaco fosse honesto, e ficámos com a certeza de que não o é. Mesmo que Cavaco tivesse um espírito democrático, e sempre soubemos que não o tem. Votarei Manuel Alegre porque não desisto de nenhum combate. Muito menos dos combates que determinarão muito do que será a vida concreta de cada um de nós nos próximos anos.

 

Vote em quem votar, se a esquerda ficar em casa no domingo não se poderá queixar das derrotas que se seguirão.


por Daniel Oliveira
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cafc

Comunicado antecipado


Povo de Portugal e do Principado do Ilhéu da Pontinha:


Venho proferir a minha declaração de vitória nestas Presidenciais, revelando o grande objectivo estratégico que sempre tive presente, desde o início, muito antes dele ter início e agora que esse início acabou.


Os meus apelos à convergência das Esquerdas não passaram de uma manobra táctica e a Direita foi muito bem enganada. Uniu-se à volta de Cavaco e reelegeu-o. Bem feito, que é para não serem "totós"!


Nas próximas Presidenciais, Cavaco já não pode concorrer, quanto mais ser eleito (bem, espero que a Constituição, "coiso e tal"… estão a ver?). Esta é uma vitória só possível, devido à minha excepcional visão estratégica de dividir as Esquerdas (fingindo que as queria unir), convidando, implicitamente, à união da Direita, para ela ganhar hoje, perdendo o seu candidato natural para as próximas eleições.


Povo e "Pova" dos territórios que mencionei "lá em cima", não me agradeçam a clarividência. As fases que se seguem, têm a ver com outras "tretas" que andei a "dizer" só para "enganar o pessoal". Mais manobras tácticas, que escondem a minha brilhante e imparável estratégia:


1-"Empanturrar" a Direita de vitórias, até ter uma congestão;


2-Que essas vitórias sejam conseguidas pela Direita amiga do Grande Capital Financeiro, para que o Povo morra à fome e Portugal seja o "Principado (ou Acabado) Ilhéu da Pontinha da Europa".


Abraços do "Maquiavel da Porcalhota", disponível para esclarecer quaisquer dúvidas sobre este "Comunicado antecipado".


Carlos


Nota: Sou um "puto" que andou à "porrada" com um regime fascista. Tive ao meu lado patriotas e democratas, sem exigências de uma espécie de cartão de garantia democrática. Juntos, ganhámos Abril. Separados, vamos perdê-lo.


 


 


 


deixado a 21/1/11 às 18:21
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 “ Juntos , ganhamos Abril. Separados, vamos perde-lo “


Manão,


Acho que te enganaste no tempo do verbo.


JÁ o perdemos á muito tempooooooooooooooooo e todas as artimanhas para o pessoal de esquerda votar neste e não naquele, são apenas desculpas  esfarrapadas para nós mesmos descarregar-mos a consciência.


Se reparares e já reparaste como é obvio, não houve uma verdadeira candidatura de esquerda no sentido de unificar a esquerda, nem se pode culpar os mesmo de sempre porque esses, parece-me, que foram os únicos que jogaram limpo…


Manão, a gravidade é tal que se calhar ainda nem nos apercebemos, se não repara: Qual vai ser o papel do BE ( 3ª força politica) depois dos resultados que se adivinham???  Para não me acusarem de divisionista segunda-feira aprofundamos estes bitaites, concordas???


 


Para o bando beijos


Para ti aquele abraço


deixado a 21/1/11 às 20:38
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cafc

Meu caro mano Bolota


Sinceramente, penso que não me enganei no tempo do verbo mas, também, te dou alguma razão. Perdemos muitas coisas importantes que estavam na "bagagem de Abril" (isto, evidentemente, para quem é de Esquerda). Porém, ainda restam algumas de que não podemos desistir e pelas quais, temos a obrigação de lutar. Se assim fizermos, será possível reconquistarmos o que se perdeu.


Sobre uma verdadeira candidatura de Esquerda, ainda deves estar recordado do que fui "dizendo", durante meses a fio, acompanhado por, ou acompanhando, opiniões muito idênticas. O problema é que os dirigentes "possuidores dos livros", recusam ouvir os "analfabetos", que têm a "mania" de pensar pela sua própria cabecinha.


É o caso da direcção do Bloco de Esquerda (só uma pequena correcção, pois é a 4ª força política) e em relação à qual, como, também, te deves lembrar, não tenho poupado críticas. Mas, neste ponto, espero que dês primeiro a tua opinião, até porque tomaste a iniciativa e se te "interrompesse", ainda me chamavam malcriado dum (como é que se diz aí no Alentejo?)…


Beijos do bando das quatro.


Aquele grande abraço.


Carlos  


 


 


deixado a 24/1/11 às 16:12
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Manão,


Como costumo dizer, muito dificilmente durante o nosso prazo de validade este estado de coisas se alterarão politico/economicamente.

Se calhar esta discussão vai ser uma seca…mas a verdade é que não é de agora que a questão da desunião da esquerda se coloca e por uma razão simples: o PS é de esquerda??? Alguma vez foi de esquerda?? Ou foi de esquerda a espaços???

 

Hoje quando se discute alterar os valores das indemnizações em prejuízo de quem trabalha, dizer que ainda resta alguma coisa na bagagem de Abril, só vindo de ti/eu, empedernidos utópicos.

 

O BE, sendo o BE do Zé que faz falta, mais facilmente se funde a um PS do que mexer uma palha no sentido da união da esquerda. A forma cega e unilateral com que empurrou o Poeta para a 2 ª vitória de Cavaco, é disso exemplo.


Não sei se a minha resposta satisfaz mas….Importante , importante é que :

 

Para o bando beijos

Para ti aquele abraço



Quanto ao tempo do verbo, tens o direito de o colocar no tempo que muito bem entenderes e seja qual for o tempo, é o teu tempo e isso é que  importa.


deixado a 24/1/11 às 22:21
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cafc

Meu caro mano Bolota


No meu primeiro comentário, auto-intitulei-me “Maquiavel da Porcalhota”. Neste, vou “vestir a pele” de “Oráculo da Falagueira”:


1-O Bloco de Esquerda encerra uma série de contradições desde a sua constituição, a maior das quais resulta da coexistência de Partidos histórica e ideologicamente, antagónicos (PSR e UDP);


2-O crescimento rápido deveu-se ao descontentamento de militantes e eleitores do PS com as políticas de Sócrates, havendo já quem, no BE, se reclame da Social-Democracia, embora sem uma definição clara do que pretendem;


3- Quanto a mim, o BE sofre de uma “desideologização”, fruto desta súbita amálgama e nem o respectivo Programa esclarece este ponto, que considero fundamental para caracterizar uma força Política;


4-Nas próximas Legislativas, vamos assistir ao regresso do “voto útil”, ou seja, perante a ameaça do PSD de Passos Coelho ganhar as eleições (o que não acontecia com Manuela Ferreira Leite), os votos de muitos “bons filhos” vão “voltar a casa”;


5-Manuel Alegre (o “filho pródigo”) vai estar na primeira linha do “regresso” (na verdade, só fingiu umas desavenças com o “pai”), dando o exemplo e levando “à boleia” muitos dos que, graças aos esforços do BE, o consideram de esquerda;


6-Sócrates, derrotado, seguirá o “destino dos vencidos” e será substituído na liderança do PS;


7-Seja qual for o sucessor, será considerado à sua esquerda (segundo a “tradição”, o PS é de esquerda na oposição) e a ala Social-Democrata do BE “fará as malas”, juntando-se ao Garcia Pereira, rumo ao Largo do Rato.


Mano, agora continua tu, porque parece que o espaço está a acabar.


Beijos do bando das quatro.


Aquele grande abraço.


Carlos


deixado a 25/1/11 às 19:05
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A.R.A
CAFC & BOLOTA

Intrometendo-me na conversa sem pedir licença a ninguém creio que o problema das Esquerdas sempre foi o da desconfiança.

Enquanto a semantica do conceito "Esquerda" no foro politico for entendido como algo intrinsecamente distinto para os interveninentes partidarios que insistentemente se apossam do titulo de serem eles a "verdadeira esquerda", o que realmente interessa, ou seja, uma unificada vontade de implementar a teoria na prática, nunca saíremos deste circulo vicioso de vitorias na derrota, votos uteis e a cada vez mais descaracterizada, segundo a sua propria ideologia, forma como o unico partido de esquerda capaz de alcançar o poder abandona a sua social-democracia para uma autentica edificação do ideal da Terceira Via de modo cada vez mais neo-liberal (enquanto poder, claro está!).

Assim, seguindo as projecções futuristas do nosso grande "Oráculo", eu antevejo o seguinte:

PS- Enquanto maior partido da oposição, enveredará mais uma vez á esquerda onde, segundo me diz o meu mindinho, assistiremos a meteorica ascenção de Antonio Costa.

BE- Será inevitavel a deserção de muito do seu eleitorado para engrossarem as fileiras do PS e os erros de casting de Louçã, serão o bastante para um periodo um tanto conturbado para o futuro desta necessaria força politica.

PCP- A experiencia Francisco Lopes demonstra o cada vez maior endurecimento e inflexibilidade de um partido que sempre primou na sua quase centenaria Historia pelo vanguardismo, ostracizando qualquer visão inovadora na acção para a implementação de um possivel ideal comunista contemporaneo (atenção que não compactuo com revisionismos e ou oportunismos). Contudo, manterá fiel o seu eleitorado ... resta saber é até quando.

Pronto, já fui Zandinga o suficiente e de certeza que pelo menos o Bolota me dirá que não será bem assim, no que ao PCP diz respeito.

Aquelem Abraço Camaradas
A.R.A

 

deixado a 25/1/11 às 22:37
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cafc

Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)


Já deves saber que me “pélo” por debates ideológicos, coisa que penso estar arredada, há décadas, do interior dos Partidos que se reclamam de Esquerda. Quanto a mim, Marx e o quase sempre esquecido Engels foram “congelados” por uns e “cremados” por outros, conforme as respectivas conveniências. O que foi feito dos materialismos (histórico e dialéctico), se é que algum dirigente neo-ideólogo pragmático tem conhecimento dessas “coisas esquisitas”? Os mais “velhinhos”, talvez tenham os livros na prateleira e os mais “novinhos”, se calhar, sabem onde estão na Net. Porém, quem os leu, para já não “falar” do respectivo estudo?


Enquanto aguardo que o mano Bolota continue a minha parte relativa ao BE e te responda sobre o PCP, deixo duas breves ideias, deliberadamente “provocatórias”, sobre estes dois Partidos:


1-O BE é um Partido necessário mas, tem que haver uma clarificação do seu projecto (nem que “chovam picaretas”), sob pena de, salvaguardadas as devidas distâncias, se transformar numa espécie de PRD;


2-O PCP terá que analisar, seriamente, o aspecto vanguardista que tu mencionaste, tendo em conta que o Partido vanguarda da classe operária é um conceito Leninista (esta questão dá “pano para mangas” mas, acrescento a “heresia” de que o Vladimir foi o primeiro “revisionista” do Marxismo).


Meu amigo e camarada, o próprio Marx, quando questionado, disse que não era marxista mas, Socialista. Depois do 25 de Abril, até Freitas do Amaral chegou a afirmar que o CDS defendia o Socialismo Cristão. O PS de Soares passou, sucessivamente, de Partido Marxista a de “inspiração marxista” (não era Marx quem o separava do PCP mas, sim Lenine), até ao “socialismo na gaveta”. Depois, lá foi caminhando até à 3ª Via, juntando-se aos “irmãos” da Internacional Socialista.


Como referes, esta via é idêntica à de algumas faixas das estradas. É “reversível”, ou seja, circula-se nela num sentido (ou no contrário) conforme o trânsito existente. Com o “sinal verde” (no poder), o PS avança rumo às novas teorias capitalistas, enquanto vai dizendo aos “peões” que é a “esquerda moderna”. Com o “sinal vermelho” (na oposição), até pode pedir aos "peões" que impeçam a circulação nessa via desastrosa.


Aquele grande abraço camarada.


Carlos


 


deixado a 26/1/11 às 17:07
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A.R.A
CAFC

Enquanto o Bolota não nos liga cavaco (ups!) acredito que tocaste num ponto que para mim é o cerne de toda esta irracional desconfiança mutua no seio das Esquerdas: Debate Ideologico que, com o devido distanciamento temporal do periodo revolucionario, poderia (ou não) deslindar uma serie de equivocos que duram desde então e que impossibilitam qualquer unificação de forças na luta por um objectivo comum.

Realmente, debater ideologia, hoje em dia, é um exercicio tão estranho e escasso que, sendo o meu tópico preferido, já nem sei por onde começar ... olha, vou pegar em algo que afirmaste dizendo que Lenine foi o 1º revisionista do marxismo mas, devo-te acrescentar, para quem o revisionismo seria entendido como uma das manifestações de um capitalismo burguês e reaccionário, pois negava a revolução e a democracia proletária em troco de uma democracia burguesa que apenas mascarava a luta de classes.

Assim, quando afirmei (e creio que a achega "revisionista" foi nesse sentido) que não compactuava com revisionismos e ou oportunismos referia-me a uma possivel descaracterização ideologica, a luz do que aconteceu, por exemplo, com o PS.

Marx afirmava-se (e bem!) socialista pois na realidade o socialismo é a ponte transitoria do capitalismo para o comunismo e essa sempre foi a grande falacia estrutural de base dos partidos que mencionaste e que ao se desvirturarem ideologicamente, criaram este vazio de debate com o argumento que evoluiram e se modernizaram quando no fundo apenas demonstraram que os seus propositos sempre seguiram uma especifica agenda politica de conveniências que desembocou em compadrios de ocasião com o proposito de alcançar o poder pelo poder em si  e não por qualquer convicção inovadora de desenvolvimento para o país.

Assim, o revisionismo de Bernstein que originou a social-democracia deu azo a uma vertente moldavel e difusa que continua ainda no presente, qual castelo de areia, a ser o ponto de partida para muitos mal entendidos e equivocos afins do qual o "nosso" PS é o exemplo maior.

Quanto ao PCP, a meu ver, a ideologia é no presente vista como algo estanque que, a custa de um empobrecimento da sua ala intelectual, vai mantendo fiel um eleitorado em que uns por real convicção de que é este o caminho, outros por amor á ideia, ao partido e sua Historia vão mantendo bem alta a rubra bandeira.

Mas como eu, muitos mais não vão para novos ... se é que faço entender!

Aquele Abraço Camaradas
A.R.A

deixado a 26/1/11 às 21:00
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cafc

Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)


Desculpa mas, vou continuar a “moer-te o juízo”. Como o tens de sobra estou descansado, porque mesmo que tivesse essa intenção, estava votado ao mesmo fracasso dos votos da Esquerda desunida.


 


Fracasso este que vai dar seguimento à última parte do que “escrevinhei” há umas horas. Por razões conhecidas e por outras que a razão desconhece, tenho que escrever primeiro no Word e depois, tudo pode acontecer ao passar o texto para a caixa de comentários.


Penso que, no período revolucionário, se houve um equívoco, foi o de substituir o debate ideológico entre Partidos de Esquerda, pelo sectarismo. Foi, literalmente, um “contar de espingardas”, cujo epílogo de verificou em 25 de Novembro de 1975. O “mal” já estava feito e como diz o nosso Povo, “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Se houvesse o tal conceito de auto-crítica, talvez o nosso País não estivesse a “endireitar-se” desta maneira. Contudo, espero que as Esquerdas (incluindo, neste caso, o PS), ainda, o possam fazer, embora tardiamente. Se optarem pelo “nunca”, só nos resta esperar pelo “Sem-nada”.


Meu amigo, vou deixar a resposta à tua “provocação” para o fim desta troca de ideias. Já há tantos pontos nesta “ordem de trabalhos”, que se justifica a continuação da “assembleia” nos dias seguintes.


Aquele grande abraço camarada.


Carlos


NOTA: É impressão minha, ou estamos a tentar fazer o que os dirigentes partidários já deveriam ter feito?


 


 


 


deixado a 28/1/11 às 20:20
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A.R.A
CAFC

Só mais umas provocações que deixo a tua consideração:

- Será o que sectarismo existente não se deve a um deficiente estudo ideologico que distorce(u) toda a retorica partidaria?

- Será que esse quadro intermedio do PC de que falas não seria o .......... Vital Moreira
- É impressão minha, ou estamos a tentar fazer o que os dirigentes partidários já deveriam ter feito?
Na mouche!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Aquele grande Abraço Camarada
A.R.A

deixado a 28/1/11 às 23:19
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cafc

Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)


Vou continuar, sem esperar por ti, porque nem penses que tens o “exclusivo” das saudades.


Recordaste Rosa de Luxemburgo (e muito bem). Relembro Karl Liebknecht e a revolta espartaquista de 1919, cujo final foi o assassinato de ambos. Este Karl avançou sem o conhecimento prévio da Rosa, que não concordando, o apoiou. Uma semelhança com a tal hipótese da Revolução de Outubro mas, com resultados opostos…


O sistemático “esquecimento” de Engels (a que aludi, anteriormente) é, no mínimo, muito estranho ou sou eu que estou a ficar ingénuo?


Marx escreveu “O Capital”, uma obra muito “chata e comprida”. Quantos dirigentes partidários das Esquerdas se “deram ao luxo” de, pelo menos, a lerem?


Imbuído do “espírito-natalício-que-é-quando-um-homem-quiser”, deixo-lhes esta “prenda no sapatinho”. Também é “chata” mas, tem a vantagem de ser muitíssimo mais curta:


http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/marcos/hdh_engels_origem_propriedade_privada_estado.pdf (http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/marcos/hdh_engels_origem_propriedade_privada_estado.pdf)


Espero que não me acuses de passar da “ingenuidade” à “maldade” (por acaso, ou talvez não, estou à espera que o faças). Já não tenho grandes esperanças que os tais dirigentes recuperem o tempo perdido. Penso que, para eles, existe uma espécie de “Partidos em gestão corrente”. Depois do resultado (mais do que previsível) das Presidenciais, continuam nas respectivas “tocas”.


Provavelmente, também não leram “O que fazer?” (de Lenine) e talvez, façam confusão com “E agora o que é que vamos fazer?” (do Pedro Abrunhosa). Este, responde “talvez …”. Eles, vão ficar sem “mexer uma palha”, vendo (dos camarotes) o Grande Capital Financeiro e os seus fieis mandatários políticos continuarem, “de certeza a…” o Povo.


Aquele grande abraço camarada.


Carlos    


deixado a 29/1/11 às 20:36
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A.R.A
CAFC

Camarada e grande amigo, curiosamente, há uns anos tive exactamente a mesma conversa com um camarada (militante) onde ele identificava que o partido se estava a tornar algo como um clube de futebol onde se priveligiava a quantidade e não a qualidade e a minha resposta de então foi mais ou menos assim:
- A força do partido não reside unica e exclusivamente apartir de uma ala intelectual que, tendo a sua basilar importancia, torna inacessivel a mensagem ideologica com o depurar dos conceitos de uma forma inatingivel, tal a sua complexicidade, para o motor do partido que são as bases.
Alvaro Cunhal, tinha uma capacidade impar de ser 2 em 1; dos melhores intelectuais do comunismo (puro comunista como lhe chamaram) e um orador de excelencia capaz de simplificar a mensagem ideologica com uma retorica simples e directa; e isso ocializou tanto as bases a quem bastava ouvi-lo e "elitizou" a ala intelectual onde o unico contacto com as bases era feito na Festa/ Comicio do Avante nas tendas de debate.
Veio o Carvalhas, impar na sua intelectualidade mas fraco em passá-la para uma retorica mobilizadora, sucedido por Jeronimo, homem das bases, a quem sucede exactamente o inverso de Carvalhas com a agravante de apostar num dirigismo ortodoxo tanto na mensagem como na propria forma organizacional interna do partido sendo até bastante antagonico para com a ala intelectual aquando a sua entrada como secretario geral do partido.
De quem é a culpa? É do tempo.
Qual a solução? Só o tempo a poderá arranjar.
Resultado: Enfraquecimento da ala intelectual do partido com um resultante endurecimento de uma politica de cariz mais ortodoxo que alimentou as fileiras de militancia noutros partidos que , inicialmente, fragilizou a sua acção politica mas que gradualmente vai estabelizando o seu eleitorado.

Pessoalmente, gosto de ver um operario fabril como secretario geral do meu partido e um electricista como ex-canditato presidencial, abomino é a forma como lá chegaram.

Pronto, aqui tens a minha resposta "Oh esquerdalho de m.. eh pá, não consigo, pronto ganhaste!

Quanto ao sistematico esquecimento de Engels, creio que "estas a ficar ingenuo" pois Engels sofre do sindrome de Sherlock Holmes e Dr. Watson; ambos solucionavam intrincados casos mas só o 1º é que aparecia nas parangonas dos jornais.

Muitas vezes esquecido ou, na maioria das vezes, lembrado em associação, Engels escreveu (como mencionas e bem) um livro que pode ser comparado, em termos de importancia para a Cultura da Humanidade, com a teoria de Darwin ou até com a da teoria da mais valia de Marx onde o seu estudo baseado na obra antropologica de Morgan (A sosiedade antiga) explica de forma sublime a formação das sociedades estruturadas sobre o conceito de propriedade privada como ponto de apoio para a dominação do homem pelo próprio homem.

Em termos gerais, Marx tinha uma precepção mais pratica do mundo e Engels sem duvida emprestava uma maior erudição de apoio ao estudo.

Aquele Grande Abraço Camarada
A.R.A 


 

deixado a 31/1/11 às 12:48
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cafc

Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)


http://www.youtube.com/watch?v=soXJRmxEoP4 (http://www.youtube.com/watch?v=soXJRmxEoP4)


Este nosso “bate-papo”, demonstra algumas coisas interessantes:


1-A convergência das Esquerdas é possível, desde que se discutam as questões ideológicas, sem preconceitos ou, ainda pior (e penso que é este o motivo verdadeiro) sem calculismos eleitoralistas;


2-Mesmo quando fizemos referências históricas, a ideologia estava presente, embora haja quem “rejeite” a luta de classes (pois, o Capitalismo sucedeu ao Feudalismo, através de um “longo processo de colaboração negocial”, não foi?);


3-Esta conversa é interminável (ao bom estilo dialéctico) e opõe-se à que nunca foi iniciada pelos dirigentes (no pior sentido estático).


Penso que (mais uma “provocação”) existe um problema de “linha” política:


A-O Comité Central do PCP “colou-a” muito esticada e “emoldurou-a”;


B-A Mesa do BE “meteu-a no bolso” e quando a “tira”, atira ao próprio pé (falhando o “alvo”), como no caso das Presidenciais.


Ambos deveriam sentar-se à “mesa”, colocar a “linha” presa nas duas pontas (a de partida e a de chegada), com folga suficiente para discutirem o trajecto. Mais duas curvas para trás, mais (ou menos) uma curva para a frente, o essencial seria não se “esquecerem” do ponto de chegada.


Meu amigo e camarada, qualquer “bom sectário” (do PCP ou do BE) pode dar-nos uma resposta equivalente à que não “conseguiste” retribuir-me. O A.R.A e o cafc “dizem que são de Esquerda mas, não passam de meninos pequeno-burgueses sem futuro histórico, fazendo, objectivamente, o jogo da reacção, a soldo da CIA e do imperialismo norte-americano. Que tal?


E lá estou com o problema do espaço… Aquele grande abraço camarada.


Carlos


deixado a 31/1/11 às 16:32
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A.R.A
CAFC

Vou seguir o teu sistema de resposta pois assim é bem mais pratico e "supostamente" não terei problemas de espaço (digo eu!)

1- A convergencia das Esquerdas, no presente, sem calculismos eleitoralistas é uma utopia enquanto não houver vontade politica ou qualquer desconfiança por parte dos dirigentes em assumirem sem sectarismos o que realmente conta, ou seja, servirem em primeira instancia os valores de uma sociedade socialista (que ambos defendem) a constituição de Abril (que ambos defendem) o Estado Social (que ambos defendem) e tudo aquilo que os une, sabendo moderar as diferenças que os separam ... com uma coisa bizarra a que umas respostas mais acima apelidaste de Auto-Critica.

2- A luta de Classes sempre existiu (burguesia vs Nobreza) existe (povo vs burguesia capitalista) e sempre existirá. Já não clamo pela extinção de classes pois o tempo mostrou-me que tal seria castrar algo que nos é intrinseco como seres imperfeitos que somos, algo que chama-mos de ambição (seja ela qual for) e que tem sido o onus da razão para um sistema esclavagista encapotado que sobrevive à conta da ilusão que cria constantemente no ser humano em ambicionar sempre o não tem.
Clamo pela igualdade e justiça social que nunca será compativel com um sistema mercantilista e de capitalismo selvagem que faz negocio com as necessidades basicas do ser humano.

O teu ponto A e B são componentes do mesmo tipo sanguineo, resta é saber se juntos acabariam por serem AB+ ou AB-, o que no presente, com o autismo politico que ambos manifestam será bastante dificil de alcançar.

Como sobejamente sabes, eu sou bastante directo e pragmático (ou tosco!) no modo como analiso o mundo em meu redor e embora espere por uma convergencia, com estes dirigentes tanto no BE como no PC, é melhor esperar sentado e a debater a dialéctica ideologica com alguem que tambem espera por algo semelhante ou não passaremos de 2 Quixotes a lutar contra moinhos de vento que só nós 2 é que vemos ............ por enquanto.

Já viste que ao tempo que para aqui andamos "a bater papo" e ninguém quis dar uma achega na conversa?

Isto quer dizer muita coisa meu bom amigo, não achas?

Aquele Grande Abraço Camarada
A.R.A








deixado a 31/1/11 às 22:18
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A.R.A
CAFC

Estava a ver que isto nunca mais aquecia!!!!!!

« Porém e sobre Álvaro Cunhal, só discuto com o Pacheco Pereira (através do telemóvel) e com a Zita Seabra (na Versalhes). “Toma lá”!»
 
Não queres ser mais especifico?
 
Aquele Grande Abraço Camarada
A.R.A

deixado a 31/1/11 às 23:12
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cafc

Meu caro amigo Pereirinha


Um aviso prévio. Não admito que ofendam os meus amigos. Se voltares a chamar tosco ao camarada A.R.A, isto não vai “aquecer”. Vai “pegar fogo”!


Sobre Álvaro Cunhal, só estava a “gozar”. Pacheco Pereira escreveu uma “Biografia não autorizada” e Zita Seabra (que esteve, durante muitos anos, numa posição de “observadora privilegiada”) escreveu “Foi assim”. Portanto, cada um à sua maneira, são os meus “interlocutores preferidos”.


Regressando à parte séria, já “falámos” da opção Partido de massas, pós 25 de Abril, a propósito da (não) preparação ideológica dos militantes e do sectarismo subsequente. Coloco mais duas questões:


1-A nível nacional, há dois momentos, que considero cruciais, na deterioração das relações com o PS. O 1º de Maio de 1975 e as barricadas para tentar impedir a manifestação da Fonte Luminosa;


2- A nível internacional (mas, com reflexos internos), a ocultação da realidade da URSS, acompanhada de uma campanha (tipo “contra-informação”) como, por exemplo, a das revistas “Vida Soviética” e “Mulher Soviética”.


Será que vai dar para “aquecer”? Como “chamei” o PS no ponto 1, vou referir outro facto interessante. Apesar daqueles dois momentos de radicalização extrema, o PCP passou (posteriormente e durante alguns anos) a apelar a uma Maioria de Esquerda com o mesmo PS.


Meu amigo, eu continuo a acreditar que é possível uma sociedade sem classes, porque a Revolução não se cinge aos planos político e económico. A das mentalidades é fundamental e acontecerá, como a História se encarrega de o provar. Quando, não sei, porque a tanto não chega o “oráculo da Falagueira” (o Zé Mário Branco canta que é “quando toda a gente assim quiser”).


Comparo as achegas na conversa às abstenções nas eleições. Não há participação activa mas, repara no número de visitas ao Arrastão. Penso que, afinal, estamos, paulatinamente, a explicar a nossa orientação de voto e que não se limita à destas Presidenciais.  


Aquele grande abraço camarada.


Carlos


 


deixado a 1/2/11 às 14:36
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