A razão do meu voto no domingo resume-se depressa: votarei no único candidato que, podendo disputar uma segunda volta para a vencer, tem posições claras sobre o que realmente vai estar em causa nos próximos cinco anos. A saber: gratuitidade e universalidade do Serviço Nacional de Saúde; centralidade da Escola Pública no nosso sistema educativo; defesa de uma segurança social pública; oposição a leis laborais que deixem os trabalhadores entregues aos humores do empregador; e defesa dos poderes eleitos como os únicos com legitimidade democrática para determinar as nossas escolhas colectivas. Não é pouco. É, neste momento, tudo.
Defensor de Moura e Francisco Lopes têm posições claras sobre estas matérias, mas, como sabemos, não estariam em condições de disputar com Cavaco Silva uma vitória. E representam mais as suas bandeira partidária do que a vontade de unir o povo de esquerda num combate que marcará os próximos anos da nossa política.
Fernando Nobre nunca é claro sobre estas clivagens fundamentais, apostando no aproveitamento do descontentamento dos portugueses sem lhe querer dar qualquer rumo que não seja o do ódio estéril aos políticos e apresentando-se como homem providencial. Nunca candidatos com este discurso contaram com o meu voto. Não passariam a contar agora. José Manuel Coelho é entretenimento. Levo o meu voto a sério.
Cavaco Silva representa tudo o que a esquerda terá de combater nos próximos anos.
O voto em branco, o voto nulo e a abstenção são, nestas eleições, uma ajuda a Cavaco Silva.
O meu voto em Manuel Alegre é um voto coerente, racional e determinado. Mesmo que Cavaco fosse honesto, e ficámos com a certeza de que não o é. Mesmo que Cavaco tivesse um espírito democrático, e sempre soubemos que não o tem. Votarei Manuel Alegre porque não desisto de nenhum combate. Muito menos dos combates que determinarão muito do que será a vida concreta de cada um de nós nos próximos anos.
Vote em quem votar, se a esquerda ficar em casa no domingo não se poderá queixar das derrotas que se seguirão.
Comunicado antecipado
Povo de Portugal e do Principado do Ilhéu da Pontinha:
Venho proferir a minha declaração de vitória nestas Presidenciais, revelando o grande objectivo estratégico que sempre tive presente, desde o início, muito antes dele ter início e agora que esse início acabou.
Os meus apelos à convergência das Esquerdas não passaram de uma manobra táctica e a Direita foi muito bem enganada. Uniu-se à volta de Cavaco e reelegeu-o. Bem feito, que é para não serem "totós"!
Nas próximas Presidenciais, Cavaco já não pode concorrer, quanto mais ser eleito (bem, espero que a Constituição, "coiso e tal"… estão a ver?). Esta é uma vitória só possível, devido à minha excepcional visão estratégica de dividir as Esquerdas (fingindo que as queria unir), convidando, implicitamente, à união da Direita, para ela ganhar hoje, perdendo o seu candidato natural para as próximas eleições.
Povo e "Pova" dos territórios que mencionei "lá em cima", não me agradeçam a clarividência. As fases que se seguem, têm a ver com outras "tretas" que andei a "dizer" só para "enganar o pessoal". Mais manobras tácticas, que escondem a minha brilhante e imparável estratégia:
1-"Empanturrar" a Direita de vitórias, até ter uma congestão;
2-Que essas vitórias sejam conseguidas pela Direita amiga do Grande Capital Financeiro, para que o Povo morra à fome e Portugal seja o "Principado (ou Acabado) Ilhéu da Pontinha da Europa".
Abraços do "Maquiavel da Porcalhota", disponível para esclarecer quaisquer dúvidas sobre este "Comunicado antecipado".
Carlos
Nota: Sou um "puto" que andou à "porrada" com um regime fascista. Tive ao meu lado patriotas e democratas, sem exigências de uma espécie de cartão de garantia democrática. Juntos, ganhámos Abril. Separados, vamos perdê-lo.
“ Juntos , ganhamos Abril. Separados, vamos perde-lo “
Manão,
Acho que te enganaste no tempo do verbo.
JÁ o perdemos á muito tempooooooooooooooooo e todas as artimanhas para o pessoal de esquerda votar neste e não naquele, são apenas desculpas esfarrapadas para nós mesmos descarregar-mos a consciência.
Se reparares e já reparaste como é obvio, não houve uma verdadeira candidatura de esquerda no sentido de unificar a esquerda, nem se pode culpar os mesmo de sempre porque esses, parece-me, que foram os únicos que jogaram limpo…
Manão, a gravidade é tal que se calhar ainda nem nos apercebemos, se não repara: Qual vai ser o papel do BE ( 3ª força politica) depois dos resultados que se adivinham??? Para não me acusarem de divisionista segunda-feira aprofundamos estes bitaites, concordas???
Para o bando beijos
Para ti aquele abraço
Meu caro mano Bolota
Sinceramente, penso que não me enganei no tempo do verbo mas, também, te dou alguma razão. Perdemos muitas coisas importantes que estavam na "bagagem de Abril" (isto, evidentemente, para quem é de Esquerda). Porém, ainda restam algumas de que não podemos desistir e pelas quais, temos a obrigação de lutar. Se assim fizermos, será possível reconquistarmos o que se perdeu.
Sobre uma verdadeira candidatura de Esquerda, ainda deves estar recordado do que fui "dizendo", durante meses a fio, acompanhado por, ou acompanhando, opiniões muito idênticas. O problema é que os dirigentes "possuidores dos livros", recusam ouvir os "analfabetos", que têm a "mania" de pensar pela sua própria cabecinha.
É o caso da direcção do Bloco de Esquerda (só uma pequena correcção, pois é a 4ª força política) e em relação à qual, como, também, te deves lembrar, não tenho poupado críticas. Mas, neste ponto, espero que dês primeiro a tua opinião, até porque tomaste a iniciativa e se te "interrompesse", ainda me chamavam malcriado dum (como é que se diz aí no Alentejo?)…
Beijos do bando das quatro.
Aquele grande abraço.
Carlos
Manão,
Como costumo dizer, muito dificilmente durante o nosso prazo de validade este estado de coisas se alterarão politico/economicamente.
Se calhar esta discussão vai ser uma seca…mas a verdade é que não é de agora que a questão da desunião da esquerda se coloca e por uma razão simples: o PS é de esquerda??? Alguma vez foi de esquerda?? Ou foi de esquerda a espaços???
Hoje quando se discute alterar os valores das indemnizações em prejuízo de quem trabalha, dizer que ainda resta alguma coisa na bagagem de Abril, só vindo de ti/eu, empedernidos utópicos.
O BE, sendo o BE do Zé que faz falta, mais facilmente se funde a um PS do que mexer uma palha no sentido da união da esquerda. A forma cega e unilateral com que empurrou o Poeta para a 2 ª vitória de Cavaco, é disso exemplo.
Não sei se a minha resposta satisfaz mas….Importante , importante é que :
Para o bando beijos
Para ti aquele abraço
Quanto ao tempo do verbo, tens o direito de o colocar no tempo que muito bem entenderes e seja qual for o tempo, é o teu tempo e isso é que importa.
Meu caro mano Bolota
No meu primeiro comentário, auto-intitulei-me “Maquiavel da Porcalhota”. Neste, vou “vestir a pele” de “Oráculo da Falagueira”:
1-O Bloco de Esquerda encerra uma série de contradições desde a sua constituição, a maior das quais resulta da coexistência de Partidos histórica e ideologicamente, antagónicos (PSR e UDP);
2-O crescimento rápido deveu-se ao descontentamento de militantes e eleitores do PS com as políticas de Sócrates, havendo já quem, no BE, se reclame da Social-Democracia, embora sem uma definição clara do que pretendem;
3- Quanto a mim, o BE sofre de uma “desideologização”, fruto desta súbita amálgama e nem o respectivo Programa esclarece este ponto, que considero fundamental para caracterizar uma força Política;
4-Nas próximas Legislativas, vamos assistir ao regresso do “voto útil”, ou seja, perante a ameaça do PSD de Passos Coelho ganhar as eleições (o que não acontecia com Manuela Ferreira Leite), os votos de muitos “bons filhos” vão “voltar a casa”;
5-Manuel Alegre (o “filho pródigo”) vai estar na primeira linha do “regresso” (na verdade, só fingiu umas desavenças com o “pai”), dando o exemplo e levando “à boleia” muitos dos que, graças aos esforços do BE, o consideram de esquerda;
6-Sócrates, derrotado, seguirá o “destino dos vencidos” e será substituído na liderança do PS;
7-Seja qual for o sucessor, será considerado à sua esquerda (segundo a “tradição”, o PS é de esquerda na oposição) e a ala Social-Democrata do BE “fará as malas”, juntando-se ao Garcia Pereira, rumo ao Largo do Rato.
Mano, agora continua tu, porque parece que o espaço está a acabar.
Beijos do bando das quatro.
Aquele grande abraço.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Já deves saber que me “pélo” por debates ideológicos, coisa que penso estar arredada, há décadas, do interior dos Partidos que se reclamam de Esquerda. Quanto a mim, Marx e o quase sempre esquecido Engels foram “congelados” por uns e “cremados” por outros, conforme as respectivas conveniências. O que foi feito dos materialismos (histórico e dialéctico), se é que algum dirigente neo-ideólogo pragmático tem conhecimento dessas “coisas esquisitas”? Os mais “velhinhos”, talvez tenham os livros na prateleira e os mais “novinhos”, se calhar, sabem onde estão na Net. Porém, quem os leu, para já não “falar” do respectivo estudo?
Enquanto aguardo que o mano Bolota continue a minha parte relativa ao BE e te responda sobre o PCP, deixo duas breves ideias, deliberadamente “provocatórias”, sobre estes dois Partidos:
1-O BE é um Partido necessário mas, tem que haver uma clarificação do seu projecto (nem que “chovam picaretas”), sob pena de, salvaguardadas as devidas distâncias, se transformar numa espécie de PRD;
2-O PCP terá que analisar, seriamente, o aspecto vanguardista que tu mencionaste, tendo em conta que o Partido vanguarda da classe operária é um conceito Leninista (esta questão dá “pano para mangas” mas, acrescento a “heresia” de que o Vladimir foi o primeiro “revisionista” do Marxismo).
Meu amigo e camarada, o próprio Marx, quando questionado, disse que não era marxista mas, Socialista. Depois do 25 de Abril, até Freitas do Amaral chegou a afirmar que o CDS defendia o Socialismo Cristão. O PS de Soares passou, sucessivamente, de Partido Marxista a de “inspiração marxista” (não era Marx quem o separava do PCP mas, sim Lenine), até ao “socialismo na gaveta”. Depois, lá foi caminhando até à 3ª Via, juntando-se aos “irmãos” da Internacional Socialista.
Como referes, esta via é idêntica à de algumas faixas das estradas. É “reversível”, ou seja, circula-se nela num sentido (ou no contrário) conforme o trânsito existente. Com o “sinal verde” (no poder), o PS avança rumo às novas teorias capitalistas, enquanto vai dizendo aos “peões” que é a “esquerda moderna”. Com o “sinal vermelho” (na oposição), até pode pedir aos "peões" que impeçam a circulação nessa via desastrosa.
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Desculpa mas, vou continuar a “moer-te o juízo”. Como o tens de sobra estou descansado, porque mesmo que tivesse essa intenção, estava votado ao mesmo fracasso dos votos da Esquerda desunida.
Fracasso este que vai dar seguimento à última parte do que “escrevinhei” há umas horas. Por razões conhecidas e por outras que a razão desconhece, tenho que escrever primeiro no Word e depois, tudo pode acontecer ao passar o texto para a caixa de comentários.
Penso que, no período revolucionário, se houve um equívoco, foi o de substituir o debate ideológico entre Partidos de Esquerda, pelo sectarismo. Foi, literalmente, um “contar de espingardas”, cujo epílogo de verificou em 25 de Novembro de 1975. O “mal” já estava feito e como diz o nosso Povo, “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Se houvesse o tal conceito de auto-crítica, talvez o nosso País não estivesse a “endireitar-se” desta maneira. Contudo, espero que as Esquerdas (incluindo, neste caso, o PS), ainda, o possam fazer, embora tardiamente. Se optarem pelo “nunca”, só nos resta esperar pelo “Sem-nada”.
Meu amigo, vou deixar a resposta à tua “provocação” para o fim desta troca de ideias. Já há tantos pontos nesta “ordem de trabalhos”, que se justifica a continuação da “assembleia” nos dias seguintes.
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
NOTA: É impressão minha, ou estamos a tentar fazer o que os dirigentes partidários já deveriam ter feito?
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Vou continuar, sem esperar por ti, porque nem penses que tens o “exclusivo” das saudades.
Recordaste Rosa de Luxemburgo (e muito bem). Relembro Karl Liebknecht e a revolta espartaquista de 1919, cujo final foi o assassinato de ambos. Este Karl avançou sem o conhecimento prévio da Rosa, que não concordando, o apoiou. Uma semelhança com a tal hipótese da Revolução de Outubro mas, com resultados opostos…
O sistemático “esquecimento” de Engels (a que aludi, anteriormente) é, no mínimo, muito estranho ou sou eu que estou a ficar ingénuo?
Marx escreveu “O Capital”, uma obra muito “chata e comprida”. Quantos dirigentes partidários das Esquerdas se “deram ao luxo” de, pelo menos, a lerem?
Imbuído do “espírito-natalício-que-é-quando-um-home
http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/m
Espero que não me acuses de passar da “ingenuidade” à “maldade” (por acaso, ou talvez não, estou à espera que o faças). Já não tenho grandes esperanças que os tais dirigentes recuperem o tempo perdido. Penso que, para eles, existe uma espécie de “Partidos em gestão corrente”. Depois do resultado (mais do que previsível) das Presidenciais, continuam nas respectivas “tocas”.
Provavelmente, também não leram “O que fazer?” (de Lenine) e talvez, façam confusão com “E agora o que é que vamos fazer?” (do Pedro Abrunhosa). Este, responde “talvez …”. Eles, vão ficar sem “mexer uma palha”, vendo (dos camarotes) o Grande Capital Financeiro e os seus fieis mandatários políticos continuarem, “de certeza a…” o Povo.
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
http://www.youtube.com/watch?v=soXJRmxEo
Este nosso “bate-papo”, demonstra algumas coisas interessantes:
1-A convergência das Esquerdas é possível, desde que se discutam as questões ideológicas, sem preconceitos ou, ainda pior (e penso que é este o motivo verdadeiro) sem calculismos eleitoralistas;
2-Mesmo quando fizemos referências históricas, a ideologia estava presente, embora haja quem “rejeite” a luta de classes (pois, o Capitalismo sucedeu ao Feudalismo, através de um “longo processo de colaboração negocial”, não foi?);
3-Esta conversa é interminável (ao bom estilo dialéctico) e opõe-se à que nunca foi iniciada pelos dirigentes (no pior sentido estático).
Penso que (mais uma “provocação”) existe um problema de “linha” política:
A-O Comité Central do PCP “colou-a” muito esticada e “emoldurou-a”;
B-A Mesa do BE “meteu-a no bolso” e quando a “tira”, atira ao próprio pé (falhando o “alvo”), como no caso das Presidenciais.
Ambos deveriam sentar-se à “mesa”, colocar a “linha” presa nas duas pontas (a de partida e a de chegada), com folga suficiente para discutirem o trajecto. Mais duas curvas para trás, mais (ou menos) uma curva para a frente, o essencial seria não se “esquecerem” do ponto de chegada.
Meu amigo e camarada, qualquer “bom sectário” (do PCP ou do BE) pode dar-nos uma resposta equivalente à que não “conseguiste” retribuir-me. O A.R.A e o cafc “dizem que são de Esquerda mas, não passam de meninos pequeno-burgueses sem futuro histórico, fazendo, objectivamente, o jogo da reacção, a soldo da CIA e do imperialismo norte-americano. Que tal?
E lá estou com o problema do espaço… Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha
Um aviso prévio. Não admito que ofendam os meus amigos. Se voltares a chamar tosco ao camarada A.R.A, isto não vai “aquecer”. Vai “pegar fogo”!
Sobre Álvaro Cunhal, só estava a “gozar”. Pacheco Pereira escreveu uma “Biografia não autorizada” e Zita Seabra (que esteve, durante muitos anos, numa posição de “observadora privilegiada”) escreveu “Foi assim”. Portanto, cada um à sua maneira, são os meus “interlocutores preferidos”.
Regressando à parte séria, já “falámos” da opção Partido de massas, pós 25 de Abril, a propósito da (não) preparação ideológica dos militantes e do sectarismo subsequente. Coloco mais duas questões:
1-A nível nacional, há dois momentos, que considero cruciais, na deterioração das relações com o PS. O 1º de Maio de 1975 e as barricadas para tentar impedir a manifestação da Fonte Luminosa;
2- A nível internacional (mas, com reflexos internos), a ocultação da realidade da URSS, acompanhada de uma campanha (tipo “contra-informação”) como, por exemplo, a das revistas “Vida Soviética” e “Mulher Soviética”.
Será que vai dar para “aquecer”? Como “chamei” o PS no ponto 1, vou referir outro facto interessante. Apesar daqueles dois momentos de radicalização extrema, o PCP passou (posteriormente e durante alguns anos) a apelar a uma Maioria de Esquerda com o mesmo PS.
Meu amigo, eu continuo a acreditar que é possível uma sociedade sem classes, porque a Revolução não se cinge aos planos político e económico. A das mentalidades é fundamental e acontecerá, como a História se encarrega de o provar. Quando, não sei, porque a tanto não chega o “oráculo da Falagueira” (o Zé Mário Branco canta que é “quando toda a gente assim quiser”).
Comparo as achegas na conversa às abstenções nas eleições. Não há participação activa mas, repara no número de visitas ao Arrastão. Penso que, afinal, estamos, paulatinamente, a explicar a nossa orientação de voto e que não se limita à destas Presidenciais.
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Começo por dar-te uma “novidade”. Risquei várias palavras do meu dicionário e esmorecer, foi uma delas. Nem com o “andar da carruagem”, quanto mais por causa de uma mudança de página…
Por isso, acredito numa sociedade sem classes, na abolição do Estado, em suma no Comunismo, tal como foi idealizado pelos seus “pais”. Tenho a consciência que não é para “amanhã” e que, antes, há muito caminho para fazer, até porque o “comboio” se mantém na “linha” Capitalismo. As Esquerdas estão muito entretidas, a ver qual delas ocupa o lugar junto da “janela” e “esqueceram-se” de, pelo menos, tentar mudar a “agulha”.
Meu amigo, quando o “comboio” entrar na “linha” Socialismo, o caminho não será, necessariamente, mais rápido para chegar à “estação” Comunismo (nem com o TGV). A vida ensina-nos que dois (ou mais) passos atrás, são necessários para se dar um em frente, ou e segundo a versão Portuguesa, “devagar, porque tenho pressa”. E uma vez aqui chegados, volto à questão da deficiente (ou ausente) preparação ideológica, pois claro!
1-A História ensina-nos que há uma diferença enorme entre um Partido Comunista no poder e o início do estádio Socialista de uma sociedade:
a)Bastou aparecer o “Zé dos Bigodes” (que só não mandou matar Lenine, porque já estava morto) e o “comboio descarrilou”;
b)Quando os seus crimes foram denunciados pelo “Nikita”, a “linha” original não foi reaberta, construiu-se outra paralela e o “comboio estampou-se”.
2-A 4ª Internacional (com os Partidos e Movimentos Trotskistas) pretendia reabrir a “linha”, pondo o “comboio” nos “carris” mas, como não tinha um País “modelo” que a financiasse, foi “condenada” a uma espécie de “movimento cívico”.
O próximo “episódio” é dedicado àquelas questões Portuguesas (o espaço, que a tanto obriga, pois claro!).
Aquele grande abraço e até logo, camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Vamos, então, ao “episódio” seguinte:
Não tenho a mínima dúvida sobre o “papel” desempenhado por Mário Soares mas, não o confundo com os militantes do PS no pós 25 de Abril. Penso que basta relembrar Manuel Serra, a sua política de convergência com o PCP e como perdeu o Congresso de Dezembro de 1974, obtendo mais de 40% dos votos para a Comissão Nacional. Penso que ali, também, havia um povo de Esquerda.
Até Sá Carneiro se reclamava do Socialismo Democrático, tentando, mesmo, aderir à Internacional Socialista mas, o “Marocas” reclamou o “registo da patente”… etc.
Enfim, foi a época em que o povo de “Direita” só podia sentir-se, minimamente, representado pelo CDS.
Meu amigo, abandono o meu anterior “estatuto de ingénuo”, para te “dizer” que o 1º de Maio de 1975 e as barricadas para tentar impedir a manifestação da Fonte Luminosa, não resultaram de uma espécie de movimentos espontâneos do povo de Esquerda. Foram fruto de directivas do Comité Central do PCP.
O resultado destes acontecimentos foi o crescendo do antagonismo entre as bases dos dois Partidos, até se atingir qualquer coisa parecida com o ódio. Quem não sentiu isso no seu local de trabalho?
Dos cravos que nos uniam em Abril, passámos à situação em que só queríamos ter uma G3 desencravada, para nos matarmos uns aos outros.
Auto-crítica dos dirigentes partidários (alguns dessa época já se finaram, mas os “herdeiros” estão cá)? Não vou esperar sentado mas, deitado no meu caixão e já disse à camarada (com quem estou casado há 40 anos) que quero o meu braço direito junto à cabeça e com a mão fechada.
Agora, vou para a “caminha”, espero pela tua resposta e não vou esquecer-me da maioria de esquerda e do patriotismo que referiste…
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
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