Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
por Daniel Oliveira

A razão do meu voto no domingo resume-se depressa: votarei no único candidato que, podendo disputar uma segunda volta para a vencer, tem posições claras sobre o que realmente vai estar em causa nos próximos cinco anos. A saber: gratuitidade e universalidade do Serviço Nacional de Saúde; centralidade da Escola Pública no nosso sistema educativo; defesa de uma segurança social pública; oposição a leis laborais que deixem os trabalhadores entregues aos humores do empregador; e defesa dos poderes eleitos como os únicos com legitimidade democrática para determinar as nossas escolhas colectivas. Não é pouco. É, neste momento, tudo.

 

Defensor de Moura e Francisco Lopes têm posições claras sobre estas matérias, mas, como sabemos, não estariam em condições de disputar com Cavaco Silva uma vitória. E representam mais as suas bandeira partidária do que a vontade de unir o povo de esquerda num combate que marcará os próximos anos da nossa política.

 

Fernando Nobre nunca é claro sobre estas clivagens fundamentais, apostando no aproveitamento do descontentamento dos portugueses sem lhe querer dar qualquer rumo que não seja o do ódio estéril aos políticos e apresentando-se como homem providencial. Nunca candidatos com este discurso contaram com o meu voto. Não passariam a contar agora. José Manuel Coelho é entretenimento. Levo o meu voto a sério.

 

Cavaco Silva representa tudo o que a esquerda terá de combater nos próximos anos.

 

O voto em branco, o voto nulo e a abstenção são, nestas eleições, uma ajuda a Cavaco Silva.

 

O meu voto em Manuel Alegre é um voto coerente, racional e determinado. Mesmo que Cavaco fosse honesto, e ficámos com a certeza de que não o é. Mesmo que Cavaco tivesse um espírito democrático, e sempre soubemos que não o tem. Votarei Manuel Alegre porque não desisto de nenhum combate. Muito menos dos combates que determinarão muito do que será a vida concreta de cada um de nós nos próximos anos.

 

Vote em quem votar, se a esquerda ficar em casa no domingo não se poderá queixar das derrotas que se seguirão.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

94 comentários:
cafc

Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)


As ideologias, pois claro! Cuja morte foi “decretada” pelos inventores do “pragmatismo”, ou seja, os defensores do Capitalismo (quanto mais selvagem, melhor), sejam eles, clara e coerentemente, de Direita, ou os que, dizendo-se de Esquerda, se “tomaram de amores” pelas novas oportunidades (para si próprios e respectivas comanditas) de que podiam usufruir.


Velhos e novos pró-capitalistas usam a “receita” antiga mas, com “temperos inovadores”. O que interessa é manter o Povo afastado da Política e por isso, a Democracia representativa castrou a Democracia participativa. Votas nos dias e nos anos certos e o resto do tempo é para trabalhares e pagares impostos.


O problema maior reside no facto de, o BE e o PCP terem tomado lugar nesta “barca do inferno”. Daí, a dificuldade que sentes (sentimos) nesta coisa estranha de um debate ideológico. Mais difícil, ainda, quando ele se trava por escrito e com limitações (compreensíveis) de espaço.


Meu amigo, identificaste, de forma clara, aqueles a quem apelidei de “congeladores” do Marxismo, uma vez que os “cremadores” já se sabe quem são. E isto está ligado ao que, provocatoriamente, afirmei sobre o “revisionismo” de Lenine. A Revolução de Outubro não se enquadra nas premissas (e até, previsões) de Marx. E o Vladimir (ou terá sido Trotsky?) avançou com o que “tinha à mão”, pois o proletariado era, praticamente, inexistente nesse Estado feudal. A essência do Marxismo é a procura contínua de respostas aos novos problemas que o Capitalismo vai engendrando, sem esquecer qual é o objectivo essencial que pretendemos alcançar.


Muitas palavras ganham um novo significado, esquecendo-se o original, conforme as circunstâncias ou conveniências. Assim, revisionismo passou a ser utilizado no sentido que tu lhe deste. E aí, Bernstein é o maior exemplo de alguém que “cremou” o Marxismo.


 


Tenho a sensação que o espaço está a acabar e então, espero por ti para continuarmos. “Pegarei” em Bernstein, como um exemplo, passado comigo, sobre a não preparação ideológica e responder à tua “provocação” do “muitos mais não vão para novos”.


Aquele grande abraço camarada.


Carlos


deixado a 27/1/11 às 16:55
link | responder a comentário | início da discussão

Comentar post

pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador