A razão do meu voto no domingo resume-se depressa: votarei no único candidato que, podendo disputar uma segunda volta para a vencer, tem posições claras sobre o que realmente vai estar em causa nos próximos cinco anos. A saber: gratuitidade e universalidade do Serviço Nacional de Saúde; centralidade da Escola Pública no nosso sistema educativo; defesa de uma segurança social pública; oposição a leis laborais que deixem os trabalhadores entregues aos humores do empregador; e defesa dos poderes eleitos como os únicos com legitimidade democrática para determinar as nossas escolhas colectivas. Não é pouco. É, neste momento, tudo.
Defensor de Moura e Francisco Lopes têm posições claras sobre estas matérias, mas, como sabemos, não estariam em condições de disputar com Cavaco Silva uma vitória. E representam mais as suas bandeira partidária do que a vontade de unir o povo de esquerda num combate que marcará os próximos anos da nossa política.
Fernando Nobre nunca é claro sobre estas clivagens fundamentais, apostando no aproveitamento do descontentamento dos portugueses sem lhe querer dar qualquer rumo que não seja o do ódio estéril aos políticos e apresentando-se como homem providencial. Nunca candidatos com este discurso contaram com o meu voto. Não passariam a contar agora. José Manuel Coelho é entretenimento. Levo o meu voto a sério.
Cavaco Silva representa tudo o que a esquerda terá de combater nos próximos anos.
O voto em branco, o voto nulo e a abstenção são, nestas eleições, uma ajuda a Cavaco Silva.
O meu voto em Manuel Alegre é um voto coerente, racional e determinado. Mesmo que Cavaco fosse honesto, e ficámos com a certeza de que não o é. Mesmo que Cavaco tivesse um espírito democrático, e sempre soubemos que não o tem. Votarei Manuel Alegre porque não desisto de nenhum combate. Muito menos dos combates que determinarão muito do que será a vida concreta de cada um de nós nos próximos anos.
Vote em quem votar, se a esquerda ficar em casa no domingo não se poderá queixar das derrotas que se seguirão.
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
http://www.youtube.com/watch?v=soXJRmxEo
Este nosso “bate-papo”, demonstra algumas coisas interessantes:
1-A convergência das Esquerdas é possível, desde que se discutam as questões ideológicas, sem preconceitos ou, ainda pior (e penso que é este o motivo verdadeiro) sem calculismos eleitoralistas;
2-Mesmo quando fizemos referências históricas, a ideologia estava presente, embora haja quem “rejeite” a luta de classes (pois, o Capitalismo sucedeu ao Feudalismo, através de um “longo processo de colaboração negocial”, não foi?);
3-Esta conversa é interminável (ao bom estilo dialéctico) e opõe-se à que nunca foi iniciada pelos dirigentes (no pior sentido estático).
Penso que (mais uma “provocação”) existe um problema de “linha” política:
A-O Comité Central do PCP “colou-a” muito esticada e “emoldurou-a”;
B-A Mesa do BE “meteu-a no bolso” e quando a “tira”, atira ao próprio pé (falhando o “alvo”), como no caso das Presidenciais.
Ambos deveriam sentar-se à “mesa”, colocar a “linha” presa nas duas pontas (a de partida e a de chegada), com folga suficiente para discutirem o trajecto. Mais duas curvas para trás, mais (ou menos) uma curva para a frente, o essencial seria não se “esquecerem” do ponto de chegada.
Meu amigo e camarada, qualquer “bom sectário” (do PCP ou do BE) pode dar-nos uma resposta equivalente à que não “conseguiste” retribuir-me. O A.R.A e o cafc “dizem que são de Esquerda mas, não passam de meninos pequeno-burgueses sem futuro histórico, fazendo, objectivamente, o jogo da reacção, a soldo da CIA e do imperialismo norte-americano. Que tal?
E lá estou com o problema do espaço… Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Na sequência do “vídeo” que coloquei na resposta anterior (a questão dos tempos, em relação aos secretários-gerais do PCP que mencionaste), lamento mas, vou “desiludir-te” parcialmente, quanto ao que a um debate diz respeito. Entendo que o importante é ele existir e se chegarmos à conclusão que as “divergências” são superáveis, temos uma base sólida de convergência, no essencial. Assim, concordo contigo na generalidade (desilusão). Porém e sobre Álvaro Cunhal, só discuto com o Pacheco Pereira (através do telemóvel) e com a Zita Seabra (na Versalhes). “Toma lá”!
Considero que o tal “livrinho” do Engels é fundamental para quem pretende transformar a sociedade. Penso que é muito difícil (senão impossível) fazê-lo, sem se conhecer a origem das “coisas”.Talvez por isso, optaste pela minha “ingenuidade”. Nesse caso, a “maldade” fica para os que “censuram” essa obra. A “utopia” Comunista foi desvirtuada pelos que querem perpetuar o Capitalismo, como último modelo de sociedade. Porém, contaram com a “inestimável colaboração” de crápulas, como o “Zé dos bigodes” e de outros que, ainda hoje, vão “passeando os esqueletos”.
Camarada e amigo, é curioso verificar como os neo-liberais clamam por menos Estado, quando o Comunismo tem, como objectivo último, … a abolição do Estado. Nós sabemos quais são as mais de “sete diferenças”. Haverá alguém que se candidate a enumerar algumas delas? Penso que será difícil, porque isso implicaria um debate ideológico entre Esquerda e Direita, dando “de barato” que os dirigentes do BE e do PCP pretendem, pelo menos, a fase intermédia do Socialismo. Eu já tenho as minhas dúvidas…
Por hoje mas, só por hoje, terminei. Isto é que constitui uma “ameaça” verdadeira.
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
NOTA: Não me esqueci da tua primeira "provocação". Está, apenas, em "lista de espera".
Meu caro amigo Pereirinha
Um aviso prévio. Não admito que ofendam os meus amigos. Se voltares a chamar tosco ao camarada A.R.A, isto não vai “aquecer”. Vai “pegar fogo”!
Sobre Álvaro Cunhal, só estava a “gozar”. Pacheco Pereira escreveu uma “Biografia não autorizada” e Zita Seabra (que esteve, durante muitos anos, numa posição de “observadora privilegiada”) escreveu “Foi assim”. Portanto, cada um à sua maneira, são os meus “interlocutores preferidos”.
Regressando à parte séria, já “falámos” da opção Partido de massas, pós 25 de Abril, a propósito da (não) preparação ideológica dos militantes e do sectarismo subsequente. Coloco mais duas questões:
1-A nível nacional, há dois momentos, que considero cruciais, na deterioração das relações com o PS. O 1º de Maio de 1975 e as barricadas para tentar impedir a manifestação da Fonte Luminosa;
2- A nível internacional (mas, com reflexos internos), a ocultação da realidade da URSS, acompanhada de uma campanha (tipo “contra-informação”) como, por exemplo, a das revistas “Vida Soviética” e “Mulher Soviética”.
Será que vai dar para “aquecer”? Como “chamei” o PS no ponto 1, vou referir outro facto interessante. Apesar daqueles dois momentos de radicalização extrema, o PCP passou (posteriormente e durante alguns anos) a apelar a uma Maioria de Esquerda com o mesmo PS.
Meu amigo, eu continuo a acreditar que é possível uma sociedade sem classes, porque a Revolução não se cinge aos planos político e económico. A das mentalidades é fundamental e acontecerá, como a História se encarrega de o provar. Quando, não sei, porque a tanto não chega o “oráculo da Falagueira” (o Zé Mário Branco canta que é “quando toda a gente assim quiser”).
Comparo as achegas na conversa às abstenções nas eleições. Não há participação activa mas, repara no número de visitas ao Arrastão. Penso que, afinal, estamos, paulatinamente, a explicar a nossa orientação de voto e que não se limita à destas Presidenciais.
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Começo por dar-te uma “novidade”. Risquei várias palavras do meu dicionário e esmorecer, foi uma delas. Nem com o “andar da carruagem”, quanto mais por causa de uma mudança de página…
Por isso, acredito numa sociedade sem classes, na abolição do Estado, em suma no Comunismo, tal como foi idealizado pelos seus “pais”. Tenho a consciência que não é para “amanhã” e que, antes, há muito caminho para fazer, até porque o “comboio” se mantém na “linha” Capitalismo. As Esquerdas estão muito entretidas, a ver qual delas ocupa o lugar junto da “janela” e “esqueceram-se” de, pelo menos, tentar mudar a “agulha”.
Meu amigo, quando o “comboio” entrar na “linha” Socialismo, o caminho não será, necessariamente, mais rápido para chegar à “estação” Comunismo (nem com o TGV). A vida ensina-nos que dois (ou mais) passos atrás, são necessários para se dar um em frente, ou e segundo a versão Portuguesa, “devagar, porque tenho pressa”. E uma vez aqui chegados, volto à questão da deficiente (ou ausente) preparação ideológica, pois claro!
1-A História ensina-nos que há uma diferença enorme entre um Partido Comunista no poder e o início do estádio Socialista de uma sociedade:
a)Bastou aparecer o “Zé dos Bigodes” (que só não mandou matar Lenine, porque já estava morto) e o “comboio descarrilou”;
b)Quando os seus crimes foram denunciados pelo “Nikita”, a “linha” original não foi reaberta, construiu-se outra paralela e o “comboio estampou-se”.
2-A 4ª Internacional (com os Partidos e Movimentos Trotskistas) pretendia reabrir a “linha”, pondo o “comboio” nos “carris” mas, como não tinha um País “modelo” que a financiasse, foi “condenada” a uma espécie de “movimento cívico”.
O próximo “episódio” é dedicado àquelas questões Portuguesas (o espaço, que a tanto obriga, pois claro!).
Aquele grande abraço e até logo, camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Vamos, então, ao “episódio” seguinte:
Não tenho a mínima dúvida sobre o “papel” desempenhado por Mário Soares mas, não o confundo com os militantes do PS no pós 25 de Abril. Penso que basta relembrar Manuel Serra, a sua política de convergência com o PCP e como perdeu o Congresso de Dezembro de 1974, obtendo mais de 40% dos votos para a Comissão Nacional. Penso que ali, também, havia um povo de Esquerda.
Até Sá Carneiro se reclamava do Socialismo Democrático, tentando, mesmo, aderir à Internacional Socialista mas, o “Marocas” reclamou o “registo da patente”… etc.
Enfim, foi a época em que o povo de “Direita” só podia sentir-se, minimamente, representado pelo CDS.
Meu amigo, abandono o meu anterior “estatuto de ingénuo”, para te “dizer” que o 1º de Maio de 1975 e as barricadas para tentar impedir a manifestação da Fonte Luminosa, não resultaram de uma espécie de movimentos espontâneos do povo de Esquerda. Foram fruto de directivas do Comité Central do PCP.
O resultado destes acontecimentos foi o crescendo do antagonismo entre as bases dos dois Partidos, até se atingir qualquer coisa parecida com o ódio. Quem não sentiu isso no seu local de trabalho?
Dos cravos que nos uniam em Abril, passámos à situação em que só queríamos ter uma G3 desencravada, para nos matarmos uns aos outros.
Auto-crítica dos dirigentes partidários (alguns dessa época já se finaram, mas os “herdeiros” estão cá)? Não vou esperar sentado mas, deitado no meu caixão e já disse à camarada (com quem estou casado há 40 anos) que quero o meu braço direito junto à cabeça e com a mão fechada.
Agora, vou para a “caminha”, espero pela tua resposta e não vou esquecer-me da maioria de esquerda e do patriotismo que referiste…
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Quando as faltas são motivadas por uma “causa justa”, estão, automaticamente, justificadas (o SLB, também, é vermelho). Passemos, então, à fase de um tema de cada vez.
As questões da Maioria de Esquerda e do Patriotismo (ligadas à da manifestação da Fonte Luminosa) conduzem-nos a opiniões diferentes. Óptimo, porque significa que não temos dúvidas de as expor, embora possamos estar enganados.
Como sabes, tenho defendido uma convergência das Esquerdas, baseada num programa nos curto, médio e longo prazos. Esta ideia tem origem na experiência protagonizada por Allende, em 1970 (com a “sua” Unidade Popular).
Embora houvesse grandes diferenças em relação ao Chile, não tive dúvidas em concordar com o apelo do PCP. Se tivesse sido aceite pelo PS, não posso “adivinhar” como estaríamos hoje. O “Oráculo da Falagueira” não faz previsões sobre o que poderia ter acontecido no passado. Nessa época, só afirmou “tirem o cavalinho da chuva”, pois mesmo que Soares aceitasse (hipótese, meramente, académica), ver-se-ia confrontado com uma “revolta das bases”, promovida ou apoiada por outros dirigentes do PS. As “memórias da Fonte Luminosa” estavam muito frescas…
Meu amigo, quanto a mim, o acto de patriotismo deveria ter ocorrido, pelo menos, no início da contestação “soarista” a Vasco Gonçalves. Poderia não ter sucesso (as “memórias do 1º de Maio de 1975”) mas, as possibilidades seriam maiores. Penso que, nesse momento, deveria utilizar-se “os dois (ou mais) passos atrás”, ou, noutra versão Portuguesa, “vão-se os anéis mas, fiquem os dedos” (tipo Brest-Litovsky). O caminho seguido foi outro e “a direita ainda demasiado formatada pelos delfins do regime” (gostei dessa) aproveitou a “boleia” do PS, “viajando” para a Fonte Luminosa e os outros “destinos” que se seguiram, até ao “apeadeiro” 25 de Novembro (onde encaixo, entre outras, a tua referência à pretensão de ilegalizar o PCP). E recordo Melo Antunes…
Enquanto, aqui, falamos francamente, os “nossos” dirigentes mantêm o seu “silêncio dos (pseudo) inocentes”. Entretanto, a Pátria foi lesada, até ao ponto de termos perdido a Soberania. Por isso, tenho insistido na ideia da unidade de todos os patriotas (mesmo que sejam do FCP, ou do SCP), erguendo barricadas, em vez de continuarmos (nos sofás) a aplaudir os Gregos, os Egípcios, etc.
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Por um motivo que está à “vista”, optei por utilizar o “Word”, fazendo a cópia para a caixa de comentários. A partir do momento em que o Arrastão se transferiu para o Sapo, raramente, “acerto uma”. O espaço entre parágrafos, por exemplo, surge alterado quando o “escrito” é publicado. “Não bate a bota com a perdigota” mas, só pode ser mais uma das minhas deficiências.
Fazendo uso do “ponderado critério” que me outorgaste, aproveito esta tua nova oportunidade para te pedir que não utilizes o teu “espírito maldoso”. Expressões como “sapo”, “raramente, acerto uma”e “perdigota” nada têm a ver com qualquer facto político, passado ou recente. “Saíram-me, ingenuamente”. E eis senão quando, o “anjinho” foi-se embora e o “diabinho soprou-me ao ouvido”. O protagonista do facto mais recente ficou “queimado”, porque, logo no início, houve quem já estivesse “passado” demais e não desse “ouvidos” aos que diziam que já “cheirava a esturro”. O Povo… esse continua a “arder”.
Penso que não mudei o tema e se me permites, até lhe daria o título “Tentar aprender, aprender, aprender, sempre com os erros do passado (mesmo o mais recente), para não os repetir no futuro”. E voltamos à questão da necessidade de discussão, ao nível dos “tais” dirigentes.
Rejeito a “política da avestruz” e o ditado “O calado é o melhor”, cuja última consequência foi “venham mais cinco… anos gloriosos” de “Calado (quando lhe convém) Silva”. Bem, em termos musicais, sempre podem optar pela “Gaivota…azul”. Esta faz parte de Monte…choro e a outra pertenceu a Monte…rio.
Desculpa esta deambulação mas, na falta do di Maria, foi o melhor que consegui arranjar. Deixo uma “musiquinha” para alegrar alguma malta:
http://www.mandamusica.net/fafa-de-belem-v
Aquele grande abraço camarada.
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Não te preocupes com o “remoer”. Defendo essa atitude contra a dos “tais”, que parece terem feito um voto de silêncio, como se os Partidos se tivessem transformado em Ordens Religiosas.
Não contesto os factos, nem a respectiva ordem cronológica. Apenas coloco a questão se não teria sido possível evitar muitos radicalismos no campo das Esquerdas. Penso que a falta de preparação ideológica é responsável por isso e até convinha aos dirigentes partidários, pois tinham milhares de militantes à disposição das “ordens que vinham de cima”. E isto é válido para todos os Partidos…
Meu amigo, quanto a mim, o “busílis” fundamental é anterior e nem vou entrar nos porquês da criação da CEUD. Noutro comentário, mencionaste o nome Carlucci, que “Frank(amente)”, entendo constituir o cerne da questão (agora, temos o “cherne qu’está” em Bruxelas)…
Acrescento dois nomes ao do senhor embaixador do “Tio Sam”; Spínola e Kaulza. Este já era “candidato a Pinochet”, mesmo antes do 25 de Abril. E o general do monóculo, para além de um projecto de poder pessoal e “esquecendo” o 16 de Março de 1975:
1-Foi uma “vítima inocente” do 28 de Setembro, ou a “maioria silenciosa” contava com apoios, mantidos, até hoje, numa espécie de “inocente segredo de Estado”?
2-Com que apoios contava, efectivamente, no 11 de Março (tanto ao nível militar como político) e que, desde então se mantiveram em silêncio?
Eis uma parte que Mário Soares deveria esclarecer, num espírito auto-crítico e não no estilo “cow-boy” que o caracteriza. Tudo me leva a crer que, para ele, o 11 de Março se equipara ao Little Big Horn...
Não são achegas mas, mais “achas para a fogueira” sobre uma época que já devia estar isenta de tabus. Mais uma “provocação”, camarada. Não concebo um Partido Comunista (seja qual for a “sua Internacional”) que abdique da luta pelo Poder. Isso não significa “remakes” do assalto ao Palácio de Inverno, pois defendo a via eleitoral. O problema é que isso implica trabalho e as cadeiras de S. Bento são confortáveis…
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Encerremos, então, o “capítulo até à Fonte Luminosa” e passo, já, à tua “provocação oculta”; a “doença infantil do Comunismo”. Usei a palavra “já”, porque ela foi muito utilizada em “palavras de ordem” dessa época e é um bom exemplo prático do esquerdismo. Mas, houve outras com consequências muito trágicas.
Se não te importas (e os autores do Arrastão, também, não), vou abrir o “folhetim” descolonização, outro tema “tabu”, na medida em que, ainda hoje, as posições continuam extremadas. Para a maioria das pessoas, o MRPP era (e continua a ser) considerado esquerdista. Recorro ao meu espírito “ingénuo” e incluo o movimento do Arnaldo nesse espectro político, embora o teu espírito “maldoso” o coloque no plano oposto…
Meu amigo, (no pós-25 de Abril) palavras de ordem como “Nem mais um só soldado para as colónias” foram lançadas pelos “Meninos Reguilas Pintam Paredes”, acompanhadas de acções bem concretas, como as que se verificaram nos locais de embarque das unidades militares, que iam render as que se encontravam nas ex-colónias. Quanto a mim, foi um apelo criminoso aos sentimentos primários dos soldados Portugueses. Os que “lá estavam” só queriam regressar e os que “estavam cá”, não tinham vontade de ir, pese embora o facto de as hostilidades terem, praticamente, cessado. E que “dizer” da palavra de ordem “Soldado deserta com a tua arma”?
Camarada, criadas estas condições subjectivas, o resultado foi a tragédia a que assistimos e que penso não ser necessário referir.
Convenientemente, estas responsabilidades dos “arnaldinhos” (onde militava o “activíssimo social-democrata” de Bruxelas) foram apagadas, bem como a “coligação” objectiva do PS com o MRPP, via Carlucci, seguindo o princípio “o inimigo do meu inimigo, meu amigo é”. Chegado a este ponto, onde “fica” o PCP? Agora, é contigo, se quiseres mas, adianto que foi contra a deserção, mesmo durante a Guerra Colonial. Esta orientação teve (e tem) o meu acordo total.
O PCP(R)/UDP e o seu “deus com pés de barro” (Otelo), ficam para outro “capítulo”. A Internacional Comunista (com o hino) merece um “episódio provocatório” à parte.
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Aproveito esta pausa para introduzir o “episódio provocatório” sobre a Internacional Comunista. Ora, eu “disse” isto:
«Mais uma “provocação”, camarada. Não concebo um Partido Comunista (seja qual for a “sua Internacional”) que abdique da luta pelo Poder. Isso não significa “remakes” do assalto ao Palácio de Inverno, pois defendo a via eleitoral. O problema é que isso implica trabalho e as cadeiras de S. Bento são confortáveis…»
Com o teu habitual espírito livre, fizeste uma crítica ao PCP, com a qual concordo. Porém, faltou a “outra Internacional” (a IV), da qual o PSR se reclama (ou reclamava). Este ex-Partido (agora Associação, tal como a UDP) integra o Bloco de Esquerda e Francisco Louçã mantém a posição de líder. A aliança entre Trotskistas, Estalinistas, ex-Maoístas e outros movimentos “ex-istas”, também, se rendeu aos “encantos” dos recantos de S. Bento e ao regime par(a)lamentar.
Camarada, a Internacional (Hino) é comum a vários Partidos. Está com atenção e tenta descobrir as vozes da direcção do PS:
http://www.youtube.com/watch?v=1i0RbtJya
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Continuo a pensar que a preparação ideológica consiste em conhecer a “doutrina” e adaptá-la às circunstâncias novas, contribuindo para o seu desenvolvimento permanente, sem perder de vista o objectivo final. O militante que decora as “passagens”(conheci 1 do MRPP, 1 da FEC-ML e outro do MES) intimida os desconhecedores mas, equipara-se aos das “seitas” religiosas, com os versículos “na ponta da língua”, convencendo os “religiosos que só vão à missa”. Porém, há uma diferença de fundo. Enquanto as Religiões se baseiam numa verdade absoluta e imutável, o Marxismo consiste numa “revolução permanente” das ideias base.
Na minha “viagem” pela vida, cheguei à “estação” Faculdade de Direito de Lisboa, em 1969. Aí estava o “nosso Arnaldinho” e outras ilustres personalidades. Não é preciso “pôr mais nesta carta”, pois não? Só um “pormenor” em relação à entrevista de 2004; o “grande educador” teve lapsos de memória e não referiu a aliança objectiva com o PS, em que o MRPP serviu de “tropa de choque” contra o PCP.
Camarada, a questão da descolonização é, mesmo, muito complexa e há atribuições de responsabilidades (pela forma como decorreu e respectivas consequências) ao 25 de Abril, ao PCP e até a Mário Soares. São os das “verrugas na memória”, pois os movimentos de libertação das ex-colónias (personificados por Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Eduardo Mondlane) só recorreram à luta armada, após Salazar se recusar, sistematicamente, a qualquer negociação. Se bem me lembro, o PCP era, já nessa altura, um Partido “irmão” dos movimentos que tentaram a via pacífica para a descolonização. Mas, é tão conveniente “esquecer” a História, não é, meu amigo?
Mário Soares fica para a próxima mas, sabemos quem são os que o acusam de “entregar as províncias ultramarinas”. Fica uma pista (que não é a dos helicópteros da Jamba), chamada Angola e o reconhecimento da sua Independência.
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
NOTA: Conseguiste identificar a direcção do PS a cantar a Internacional?
Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)
Enquanto a pirralha não me “corta o pio”, vou continuar esta parte da descolonização, onde era quase impossível estarmos em desacordo (a menos que algum de nós resolvesse “fazer o papel de advogado do diabo). Portanto, resta relembrar alguns factos históricos que, como “disse”, foram “esquecidos” por aqueles que nós sabemos. Deixo-lhes a sugestão de afirmarem que o PCP, também, foi responsável pela queda do chamado Estado Português da Índia e que Vassalo e Silva era um militante na clandestinidade.
Os “saudosistas do Império” admitem que a guerra estava perdida na Guiné mas, garantem que, em Angola, já estava no “papo”. E em Moçambique, registava-se um “empate”?
“Vamos” para Angola (não “em força”), dado que era a única ex-colónia onde havia mais do que um Movimento de Libertação. A quem, eventualmente, estiver a “ouvir-nos”, permito-me aconselhar
uma “visita” à actuação da FNLA, ex-UPA e ex-UPLA, sob a liderança de Holden Roberto e por onde passou, inicialmente, Jonas Savimbi. Os massacres indiscriminados, pois claro e que “tanto jeito” deram a Salazar. Porém, eram dois “galos para um poleiro” e o “bom” do Jonas fundou o seu “galo negro”, vulgo UNITA. Teve os apoios que são conhecidos, o mais “lógico” dos quais veio da África do Sul do apartheid (estava a ver o “bum-bum a arder”). O mais “ilógico” veio da China mas, como o inimigo principal era o social-fascismo…
Chegou o momento de eu mandar “entrar em cena” o “padrasto da democracia” Portuguesa. Mário Soares “adoptou” o Malheiro de Angola e o filho João acabaria por se tornar “irmão de sangue”do “humanista da Jamba”, antes “vice-rei” do Huambo. Este “filme” foi realizado por “Padrinho Carlucci&CIA”, tendo como produtor o “Tio Sam”.
Meu bom amigo e camarada, desculpa alguns momentos em que uso uma espécie de “ironia mórbida”. Digamos que é fruto do estado a que chegou o nosso Portugal (onde está tudo paradinho mas, se fica em êxtase, a “bater palmas” aos Povos que estão em luta). Mais ou menos, como o “pessoal” que se masturba, enquanto vê um filme pornográfico. Queres continuar o “filme porno-político”, cuja sinopse deixei no parágrafo anterior, até ao momento em que Sá Carneiro (!?) começou a "colar os cacos" do "reizinho de Nafarros"?
Aquele grande abraço camarada.
Carlos
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