JDGF
Finalmente, o dito mundo ocidental tem, agora, a consciência que as "ditaduras amigas" - Tunísia, Egipto, etc. não passavam de regimes tirânicos e opressivos, na essência política, pouco diferentes da ditadura iraniana...que tem o cunho teocrático.
Estes regimes autoritários arábico/muçulmanos têm merecido a maior complacência das democracias europeias porque servem estratégias políticas anti -qualquer coisa. Foi assim, no tempo da Guerra Fria, e continuou a ser assim, na actual etapa de luta contra o terrorismo...
Todavia, no tempo da Guerra Fria, as "vítimas" não foram exclusivamente os regimes arabes/muçulmanos. Este cinismo político existiu, também, na Europa: em Portugal, na Espanha, na Grécia e, vá lá, na Turquia, como "barreiras" ao avanço do comunismo.
Todas as ditaduras europeias cairam sem que o comunismo galgasse o "Ocidente". O que demonstrou ser este tipo de estratégia profundamente errada.
Todavia, continuou-se a "apostar" no mesmo cavalo, depois da desintegração do bloco comunista.
Só o pretexto mudou: a luta actual é contra o fundamentalismo islâmico, ao que parece a sede exclusiva do terrorismo...
Longe destes contextos bipolares, o povo tunisino e egipcio mostraram que o "mundo árabe/muçulmano", é um mundo jovem, educado e exigente que se assemelha-se - em muitos pontos - nas suas aspirações políticas e sociais às modernas sociedades cosmopolitas europeias...
A contestação política às tiranias deixou de ser marcada pelo anti-colonialismo, anti-imperialismo ou, menos visível, pelo anti-secularismo.
Quer em Tunes, quer no Cairo, não foram notórias, nem influentes as motivações religiosas. Terá, antes, surgido [emergido] uma abissal fractura político-social que destruiu a bizarra concepção da "excepção árabe".
Os novos movimentos no Norte de África e no Médio Oriente, traduzem uma inquestionável vontade de mudança no seio da sociedade civil, repudiando [lutando contra] o autoritarismo e a corrupção. Alimentam estes movimentos o recurso e o acesso às novas tecnologias de comunicação, anseio cada vez mais dificil de reprimir.
Enfim, tudo se passa como no denominado "Mundo Ocidental", aparentemente, o depositário e o usurário das tecnologias de informação e comunicação.
O denominador comum - para o Mundo - deixou de ser a "confiança", baseada na subserviência e em profundas perversões políticas, passou a ser a Liberdade.
Algo mudou e precisamos de compreender em que dimensão!