Alguém me falou dele, ciciando entre dentes "Richard Yates luso", mas eu achei que a brincadeira não tinha sentido. Nem Raymond Carver poderia ser - não me parece que mão feminina e fantasma tenha escrito o livro. A surpresa por ver Pedro Vieira com jeito para mais do que a ilustração, o humorismo, a apresentação de programas de televisão, o recensionismo avulso, o designing gráfico e o ofício de livreiro, foi rapidamente atenuada pelo arranque fulgurante do seu primeiro romance, Última Paragem, Massamá (que eu erradamente tratei durante algum tempo por Última Estação, Queluz). Tem ritmo, tem verve e tem o estilo que já conhecíamos dos posts mais longos do seu blogue, agora em formato XL; e tem ideias lá dentro, muitas e boas. Não interessa se finalmente os subúrbios portugueses têm o seu Yates - com todas as implicações que esta afirmação merece ter - mas Vieira fez-se romancista. E é uma revelação que vale a pena.
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