Quarta-feira, 30 de Março de 2011
por Sérgio Lavos

Banco de Portugal empresta mil milhões ao FMI.

 

E daqui a uns tempos, o FMI irá, não ajudar Portugal, mas sim fazer um resgate que é, nas palavras de um colunista irlandês do The Independent, um adiar do problema para as gerações futuras. E um descalabro social sem precedentes. Curiosamente, a notícia linkada não refere qual a taxa de juro que o FMI irá pagar ao Banco de Portugal, e, depois de alguma pesquisa feita na Internet, não encontrei qualquer referência a essa parte da questão, e fiquei mesmo dúvida se será mesmo um empréstimo ou um financiamento directo, sem cobrança de juros (talvez o João Rodrigues possa explicar-me como funciona). Seja como for, resumindo, Portugal está a emprestar dinheiro a uma instituição para que esta possa emprestar de volta (daqui a pouco tempo, parece), com um juro que pode ir de 4.5 a 5%, e impondo condições que podem levar à absoluta destruição do tecido económico nacional. Maravilhoso. Ou sou eu que estou a ver mal o problema?

 

*Não reparei quando estava a escrever o post, e segui um link do Facebook, mas a notícia citada é de Dezembro de 2009. OK, uma notícia ultrapassada, e provavelmente os mil milhões já foram parar há muito aos cofres do FMI. Pois, parece que em 2009 estávamos em tempo de vacas gordas e que um compromisso da UE é para se levar a sério. Mas esperem, em 2009 o défice não estava já a crescer? A economia não tinha estagnado? Pouco mudou desde essa altura, a não ser o desemprego, que aumentou, e o poder de compra de quem ainda trabalha, que diminuiu. Pois.

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por Sérgio Lavos
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12 comentários:
Pedro Lourenço
Dava jeito, não?

Mas não é isso que está em causa.

O problema que se coloca é mesmo o contrário disso. Há muitos portugueses que já não conseguem pagar a casa, não por uma decisão voluntária, mas porque já não têm rendimentos para tal, fruto do desemprego, da extinção de prestações sociais para pagar juros extorsionários àqueles que foram os responsáveis por toda esta situação. 

A única solução para este problema é mesmo o não pagamento da divida e a nacionalização da banca que foi precisamente a receita adoptada pela Islândia. Mas para isso também é preciso fazer o que foi feito na Islândia. Para além de arredar a direita do poder, os islandeses perceberam que também tinham que mandar borda fora grande parte da esquerda.

Isto porque uma solução desse género não é só vantagens. Trará dificuldades e muitos que são privilegiados passariam a viver com dificuldades. Compreende-se que mesmo na esquerda, onde existem muitos dos atuais privilegiados, também não estejam dispostos a isso.

Qualquer outra solução só trará fome, miséria e imperialismo (FMI), mas para alguns, a maioria. A elite manterá grosso modo o seu estilo de vida. 

Porque é muito bonito eu fazer política a favor dos desprotegidos, sabendo que tenho uma rede de segurança e que se acabar por vir o FMI eu safo-me, mais ou menos incólume. A questão é que se vier o FMI muita daquela gente que atulamente consegue pôr a cabeça de fora da miséria, por via dos "malditos" RSI e outras prestações que o Estado vai aplicando, mergulham na pobreza extrema de um dia para o outro. E estamos a falar de milhões...

E as nossa elites, da direita à esquerda, continuarão a viver bem.


" Para além de arredar a direita do poder, os islandeses perceberam que também tinham que mandar borda fora grande parte da esquerda."


Mas não foi isso que se fez no PREC ? e quais foram os resultados ? 


No anos 80, fruto de um período revolucionário completamente tresloucado o FMI teve que  intervir 2 vezes em Portugal. Ainda me lembro de termos o leite racionado.

deixado a 31/3/11 às 14:44
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