Terça-feira, 26 de Abril de 2011
por Miguel Cardina

José Manuel Fernandes leu no seu antigo jornal uma reportagem baseada na tese de doutoramento de Raquel Varela sobre a acção do PCP em 1974-75 e não apreciou o teor da peça.  O ex-director do Público lançou-se então numa tosca busca googliana e - vileza suprema! perversão imunda! - descobriu que a historiadora também tem currículo político. Esta estranha ideia de que historiadores não podem ter activismos sociais ou políticos já foi muito bem escalpelizada pelo Zé Neves. É de facto curioso perceber como os nossos autoproclamados liberais, no momento em que deveriam sê-lo - o que neste caso passaria por se sentar numa poltrona, com um copo de uisque ao lado e a gravata ligeiramente desapertada, a ler atenta e criticamente o livro da Raquel Varela - optam por anatemizar o outro à boa maneira estalinista. Onde antes estavam a classe social e os inimigos do povo, hoje está a militância (desde que seja à esquerda). Há coisas fantásticas, não há?


por Miguel Cardina
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31 comentários:
Dazulpintado
A esquerda não suporta ser desmascarada.

deixado a 26/4/11 às 20:46
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Negar que o país se livrou da tentativa do PCP de usurpar o poder é um desrespeito pelas vítimas. Como negar o holocausto. Tem que haver uma razão para isso e, se formos procurar quem nega o holocausto, vamos encontrar um nazi. É natural que se vá à procura do passado político de quem nega os crimes do PCP pelas mesmas razões.

PS: E nem sequer sou do PCTP/MRPP, porque estes poderiam levantar ainda mais crimes cometidos pelos fascistas do PCP.

deixado a 26/4/11 às 22:10
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Anónimo
quais vítimas?
quais crimes?


LFM

Diz que ele ouviu dizer. Parece.

deixado a 29/4/11 às 23:44
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A cultura profunda do homem não é stalinista, Miguel; é maoista.
Superioridade moral e política que o iliba de acrescentar, aos seus próprios comentários históricos e políticos, a legenda «ex-militante destacado do PCTP-MRPP»...

deixado a 26/4/11 às 23:25
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Draguinho
Não tenho nada a ver com isso, mas o JMF nunca foi pctp/mrpp. E terá sido maoista, mas, o que sempre foi e é, é Estalinista da pior espécie.

deixado a 28/4/11 às 22:26
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Jonas
Portanto o problema não é a crítica de JMF ao conteúdo da tese. 


Apenas que quando alguém apresenta uma tese, por muito tendencial e ideológica que é, duvidar das militâncias da pessoa é algo que não se faz...


Quando não se consegue criticar os conteúdos vamos ao que podemos, neh?


Ainda mais deturpando, pois JMF não acha que historiadores "não podem ter activismos sociais ou políticos"... Foi mais que essa quando existe deveria ser claro.


Mas até parece que transparência é algo que interessa quando se está a tentar empurrar uma teoria...

deixado a 26/4/11 às 23:37
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Não, Jonas. O problema é que JMF não se deu sequer ao trabalho de ler a tese, como explicitamente afirma. E posteriormente a poder criticar. Com a legitimidade de quem leu e portanto debate interpretações sobre o passado. O que ele faz é desconsiderar a priori o trabalho historiográfico de alguém porque tem militância e activismo político.

deixado a 27/4/11 às 00:26
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andre

Seria muito interessante fazer a história não do 25 de Abri,  mas do 25 de Novembro de que ninguém nada sabe. Quem é que deu ordem para que os páras que saíssem de Tancos? há quem diga que foi o capitão Costa Martins (agente activo do KGB). Esta questão é ainda um mistério que convinha esclarecer.


Ora, na verdade, Cunhal de patriota não tinha nada, era apenas um agente do KGB na Península Ibérica. No pós-25 de Abril, Cunhal tinha como objectivo prioritário levar as colónias à independência e que ficassem na esfera  de influência da URSS. Para os Soviéticos, ou seja, para Cunhal, como obediente à URSS, apenas lhe interessava que Angola ( rica em todo tipo de matérias-primas) que esta passasse para a União Soviética, o que aliás veio a se verificar, nunca, mas nunca esteve nos interesses da URSS e de Cunhal tomar o poder em Portugal. O que a URSS e Cunhal estavam interessados era radicalizar a situação em Portugal para “assustar” os EUA, o que aliás veio a acontecer. EUA negociou Angola pelo regime democrático em Portugal. È aqui que entra Costa Martins e o 25 de Novembro. Não é por acaso que a independência de Angola se dá a 11 de Novembro e o golpe de direita extrema-direita em Portugal se dá no dia 25 do mesmo mês. Porque é que os comandos quando tomaram o meu quartel, defendido pelo capitão Sobral Costa, mandaram perfilar os soldados sargentos e praças e não prenderam nenhum activista comunista? Outros que nada tinham a ver com assuntos políticos-militares foram presos. Porquê? Porque estava no acordo entre a USA e a URSS. Passa pela cabeça de alguém que se os americanos não quisessem os cubanos alguma vez desembarcariam em Angola, tal como aconteceu? Ainda por cima, as tropas cubanas mal preparadas e mal armadas? O desembarque dos cubanos estava também nas negociações entre a URSS e a USA. Neste caso, como em tantos outros, a extrema-esquerda (UDP, etc.) fizeram apenas o papel de idiotas úteis. Quando Jaime Neves pediu a prisão dos comunistas, estava a pedir o impossível, porque fazia parte do acordo entre a URSS e USA.


 Em suma, Cunhal não queria que o PCP tomasse o poder em Portugal, apenas desejava radicalizar o país para que servisse moeda de troca para que a URSS ficasse com um país incomensuravelmente mais rico, Angola, capaz de salvar a crise do regime comunista que então já era muito grave.  Foi pelo internacionalismo proletário que Cunhal traiu a Revolução e traiu Portugal e os Angolanos.


deixado a 26/4/11 às 23:43
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Andr+e

Bom dia,

Antes de mais espero que não leve a mal a pergunta mas, eu gostaria de saber naquilo que o senhor se baseia?

Eu apenas estou interessado em saber por curiosidade, visto que já li vários comentários sobre essa época e cada um conta a sua versão.

Eu gosto de conhecer as mais diversas opiniões e preciso de ter uma base para sustentar os meus argumentos, daí a minha pergunta.


andre
 
 Neste espaço não poderei adiantar muito mais. Fico muito satisfeito por haver alguém que se interessa pela verdade dos factos. É tempo de ultrapassar as mentiras que foram criadas pelos partidos políticos e por certas personalidades. Apenas, poderei dizer-lhe que vivi esse período, como militar da FAP de 71 a 75, na área das comunicações, em estreito contacto com camaradas militares que realizavam a ponte áera de Luanda-Lisboa, Lisboa -Luanda. Pelo nome do capitão supra-citado, que fazia a segurança do quartel, saberá facilmente qual a unidade a que me refiro.
Se procurar nos jornais de 75, nomeadamente, "A Luta" de Artur Portela, encontrará o próprio Vasco Lourenço a enviar um recado aos esquerdistas que diz que nem a URSS nem a USA querem uma Cuba em Portugal. Nessa altura o negócio já estava fechado.

 


Andre
Boa noite,

Desde já agradeço pela sua resposta à minha pergunta e pela informação que o senhor pôde disponibilizar.

Caso o senhor me possa indicar mais algumas fontes que eu me possa informar aqui tem o meu email: something@live.com.pt (mailto:something@live.com.pt).

Mais uma vez obrigado

deixado a 28/4/11 às 20:21
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Maria Rita
André,está bem informado.Parabens por  este relato da realidade.Saltem para o terreno os social fascistas e os idiotas uteis para  contestar isto...

deixado a 27/4/11 às 12:09
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joão
Acho que o problema não é a historiadora ter uma ideologia ou praticar activismo político.

É a senhora historiadora deixar que que a ideologia que professa molde os seus trabalhos profissionais, ora omitindo factos, ora falseando dados objectivos, com o único objectivo de lavar a face da ideologia que adora.

Ou seja, o que lhe falta para ser uma historiadora séria, sobra-lhe em activismo político ao serviço de uma certa ideologia. Muito mau, mas habitual para quem ainda acredita em amanhãs que cantam.

deixado a 27/4/11 às 00:05
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Anónimo
também leste a tese?
que factos é que foram omitidos?
que dados objectivos (o que quer que isso seja..) é que foram falseados?

deixado a 28/4/11 às 01:31
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Anónimo
Quem é esta gente que "comenta" tanto por aqui? 
Que raio de trampa os move?


Se houvesse uma espécie de contador Geiger que em vez de medir a radioactividade medisse o ressabiamento, veríamos a agulha partir de cada vez que "fados" e "tonis" e "cunhas" e outros fenómenos do bas-fond comentarista por aqui passam a deixar os seus repetitivos (e de que maneira) arrazoados, tipo "samba numa nota só", teclados sabe-se lá em que cave bafienta da casa onde moram com as suas mães já desesperadas de que "o rapaz lhe desampare a loja de uma vez, que isto é só internet e bola e não há meio".


Seja aqui o meu desabafo publicado ou não, já me fez bem. Fosse eu "crente", agradecia ao senhor não me ter tornado numa destas criaturas. 
Bolas.

deixado a 27/4/11 às 00:29
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Muito obrigado pela publicidade.

Concordo perfeitamente em que um historiador possa ser membro de um partido político, dá mais cor a qualquer análise.

Eu, por exemplo, só leio críticas à actuação do Benfica na "A Bola" e só quando assinadas pelo Seabra.

deixado a 27/4/11 às 08:40
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criatura é a tua tia pá !


Anónimo
Tem toda a razão, retiro o "criatura".

deixado a 27/4/11 às 14:57
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João Cerqueira
Eu também não li a tese, nem tão pouco o livro.
Manda pois o bom senso que não me pronuncie categoricamente sobre o assunto.

No entanto, tendo  lido a notícia no Público, também achei estranho as ideias defendidas pela historiadora.
Afinal - e julgo que ninguém coloca isto em causa -, a seguir ao 25 de Abril todas as forças políticas, da extrema-direita à extrema-esquerda, pretendiam tomar o poder. Ou a bem, ou a mal.
Os comunistas não pois pretendiam tomar o poder em Portugal?
Buscavam alcançar o poder em todo o mundo, menos em Portugal?
Somos um país bizarro, mas nem tanto.

deixado a 27/4/11 às 01:21
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Pedro Moura
Bem visto Miguel.

Deixo uma nota sobre o 25 de Novembro;
foi uma acção preventiva da cia, comum nos 70´s,
contra a suposta maré vermelha.

Mario Soares, Ramalho Eanes, em outros,
conspiraram com Frank Carllucci, para iludir os crédulos
portugueses e criar o pânico, acenando com uma invasão soviética ou algo parecido.
Houve distribuição de armas a pessoas ligadas ao PS
antes da contra-revolução, estranho, não ?

Espero ver historiadores activistas, isentos por obrigação,
a desmontar tanta mentira na história recente de Portugal.

deixado a 27/4/11 às 02:09
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Para quê historiadores ?


Voce já pintou a manta e contou a história toda !!!


As coisas que você sabe !

deixado a 27/4/11 às 11:48
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D
Não me lembro de ter visto essa indignação aquando deste artigo no Público. 
http://jornal.publico.pt/noticia/31-05-2010/a-historia-de-rui-ramos-desculpabiliza-o--estado-novo-19425296.htm
O José Manuel Fernandes não pode atacar a minha amiga mas a São José Almeida e o Fernando Rosas podem atacar o Rui Ramos, esse perigoso neo-liberal. 
Quem é faccioso, quem é?
Um abraço, 


D

deixado a 27/4/11 às 08:59
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