Terça-feira, 10 de Maio de 2011
por Andrea Peniche

 

 

Era uma vez uma antiga escola primária no Porto, a escola da Fontinha, que estava abandonada há, pelo menos, cinco anos. Um grupo de pessoas (ES.COL.A – Espaço Colectivo Auto-Gestionado do Alto da Fontinha) decidiu ocupá-la, reabilitá-la, recuperar o acervo abandonado da biblioteca e desenvolver, em conjunto com a população, um projecto educativo com as crianças do bairro (aulas de inglês, história e geografia; ateliês de xadrez, guitarra e ioga). A população recebeu bem os novos inquilinos, participou nas assembleias onde se discutiu o projecto e empenhou-se naquela nova vida que a escola foi ganhando.

 

Como todas as histórias, esta também tem um carrasco. O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, não apreciou a ousadia e tratou de mandar despejar os ocupantes e acabar com essa esquerdice de desenvolver projectos sociais e educativos com as populações, de devolver os espaços públicos às pessoas. E, por isso, hoje de manhã, os ocupas foram despejados e alguns deles detidos.

 

Evidentemente que a Câmara Municipal tem justificação para o sucedido, afirmando que a acção de despejo se deveu ao facto de estarem a «desenhar um projecto específico com outras instituições da cidade» para aquele edifício, mas que apenas poderá ser revelado o seu conteúdo assim que estiver tudo delineado.

 

Eu, que já sei do que a casa gasta, vou ali buscar o meu banquinho. As promessas de Rui Rio provocam-me varizes e, por isso, o melhor é mesmo esperar sentada.

 

A Assembleia da Escola da Fontinha é hoje, às 18h30, no Largo da Fontinha.

 

Actualização: Há uma petição em defesa da manutenção do projecto ES.COL.A. Pode assiná-la aqui.


por Andrea Peniche
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14 comentários:
Rui Pires
indecoroso! ponho-me a pensar que o governo/estado, que parecem ser já a mesma coisa, adquiriu material de repressão aquando da cimeira da NATO no valor de 5 milhões. Mas que nem chegou a tempo e por isso podia ter sido devolvido, ou não? Se calhar até dá jeito para reprimir o POVO das coisas que não lhes dizem respeito. 


Aqui (www.youtube.com/watch?v=ALYWJYW5n5Q#t=21s) a deputada Helena Pinto questiona o uso que o ministro da administração lhes vai dar...

deixado a 10/5/11 às 15:13
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José Silva

Sei quem fez a doação ao Estado de uma Escola, já construída em 1912, com cláusula de reversão e que foi desactivada em 2007. Os terrenos circundantes foram herdados pelo meu Pai, que deles me fez doação. Já escrevi à Presidente da Câmara a reinvindicar essa Escola, sendo a Presidente da Câmara, do mesmo partido que o do Rui Rio, mandou um assessor escrever-me uma carta dizendo que a Escola podia ser utilizada para outros fins ligados à Educação e que eu tratasse do assunto por intermédio de um advogado. Eu queria alertar-vos para que vejam se na altura da construção da Escola da Fontinha, se não há qualquer escritura do género da minha. Penso que é possível que exista. Como não tenho simpatia pelo dr. Rui Rio, nem pela a Dra. Isabel Soares, aqui deixo duas quadras do Aleixo que se adaptam perfeitamente a qualquer um destes doutores:

Quadras Soltas

Uma mosca sem valor

pousa com a mesma alegria

na careca de um doutor

como em qualquer porcaria!

-

És um rapaz instruído

és um doutor em resumo

és o limão que espremido

não dá caroços nem sumo!

-

Ó gente de cor laranja

qu'aliada à rosa socialista

não dais ao povo a canja

inda menos sua conquista?

-

quereis governar este povo

para tornar Portugal melhor

e não trazeis nada de novo

não vejo em vós um valor!

-

António Aleixo & Eugénio dos Santos


deixado a 10/5/11 às 16:00
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Pedro Lourenço
Uma vergonha este desfecho.

Pessoas responsáveis, atentas, com vontade de fazer algo pela comunidade foram de uma forma vil e cobarde despejadas daquele local.

Parece-me importante referir que pouco tempo antes da escola ser ocupada e revitalizada foram furtados todos os fios de cobre da instalação elétrica, o que por si só comprova que o espaço não só estava abandonado como era alvo de destituição dos seus valores.

O projeto que estava a decorrer era a todos os níveis fenomenal porque englobava toda a vizinhança, pessoas de todos os quadrantes e contava com um plano de atividades muito preenchido e diversificado.

Era notável o envolvimento de muita gente na tomada de decisões e na gestão do espaço e era um embrião para uma forma diferente e fresca de se chamar as pessoas em geral para uma participação ativa e livre.

Se calhar por isso mesmo, hoje de manhã aconteceu o que é relatado neste post.

Tal como diz a Andrea, esperemos sentados pela abertura do espaço.

Mas o que deve ser refletido é a forma como a polícia atuou e completo silêncio e negação do diálogo da câmara municipal do Porto, enquanto responsável pelo espaço.

Se a câmara tem planos para abrir o espaço a instituições da cidade, porque não os comunicou atempadamente ao invés de enviar a polícia?

deixado a 10/5/11 às 16:13
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A ser verdade tudo o que se está a dizer é feio, e muito pouco inteligente o que se passou.

deixado a 10/5/11 às 17:15
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Anónimo
aplaudo sinceramente o sentido comentário do camarada-reacionário-mor antónio cunha

deixado a 11/5/11 às 06:10
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Morador
Sou morador da Rua da Fabrica e para mim e uma alegria estes Rastamens irem embora, são um mau exemplo para as crianças 1- fumam uns charros em frente aos miúdos. 2- não tomam banho 3- grandes festas a noite e não deixam ninguém dormir. Ide trabalhar javardos

deixado a 10/5/11 às 18:36
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anónimo

tu deves ser é morador da travessa da fábrica dos pentes, ó otário.

não fazes a minima ideia do que estás para aí a dizer

deixado a 11/5/11 às 01:00
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Albano
Lá vem o Sr. estragar uma história tão bonita!

deixado a 11/5/11 às 09:54
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João Moreira

Eles estavam a trabalhar. A reabilitar um espaço completamente desaproveitado e a educar miúdos de bairros sociais. Se fumam charros diante dos miúdos, fazem festas à noite, ou não tomam banho, qual o problema? Isso deteriora a qualidade do ensino que ministravam, ou a valia do projecto que os impediram de desenvolver porque «não pediram licença» a uma câmara que objectivamente se está marimbando para aquela comunidade (sim, que há 5 anos já Rui Rio era presidente da CMP!)? A mesquinhez é das coisas mais vis que um ser humano pode ser...

deixado a 11/5/11 às 13:36
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Sim, agora será muito melhor, fica de novo ao abandono durante sabe-se lá quanto tempo, tudo o que se fez de bom com a comunidade fica perdido e em vez de charro chuta-se heroína...muito melhor sem dúvida...Sr. Morador, dou-lhe os meus sinceros parabéns pelo seu comentário a todos os niveis inteligente!

deixado a 12/5/11 às 15:58
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Carlos Marques
Mas de que viviam estas pessoas? Já sabemos que não pagavam renda, mas comiam o quê? Boas intenções?

deixado a 10/5/11 às 19:04
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anónimo

e que comes tu, carlos? pagas a tua renda?

deixado a 11/5/11 às 01:01
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nome
Esta merda nao vai la com peticoes ou reunioes com a camera ou bla bla. E comecar a limpar esses fdps um a um, tiro na cabeca pa poupar balas que eles ainda sao muitos. E a esquerda parlamentar que se dedica mais a falar no parlamento do que a sair para a rua bem que podia pensar nos efeito nefastos que isso tem para a revolta popular, que e atenuada com o voto e promessas eleitorais. Se o voto e uma arma, porque entrega lo?


Dancemos a Ravachole!

deixado a 11/5/11 às 01:57
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Lee
Caro Morador,

ou será melhor Caro Escravo? Tão pouco interessa, pela sua resposta não vou ocupar estas linhas a escrever pra si... "burro velho não toma ensino"...

Lamento, numa época em que tanto precisamos da participação de todos, sendo neste caso de participação voluntária é uma VERGONHA o que fizeram...

Mas se a comunidade em causa acha que fica a perder, VÃO PRA RUA EXIGIR...


 

deixado a 11/5/11 às 07:44
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