Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

 

O mundo de Helena Matos está a ficar cada vez mais concentracionário, a ponto de eu começar a ficar vagamente preocupado - no fim de contas, é bom continuarmos a ler este tipo de paranóia liberal-estalinista nos jornais do regime e nos blogues de direita, nunca niguém deverá desdenhar do poder do humor involuntário. A conversão sofrida - e "sofrida" é uma palavra que deverá ser usada em todos os seus possíveis sentidos - pela gente que andou, nos anos quentes do PREC, a lutar por um Portugal revolucionário, deixa marcas, e as sombras que agora julgam ver em cada esquina o resquício de um tempo de perseguição aos ferozes inimigos da revolução. Hábitos que não se esquecem, e a neurose conspirativa é uma coisa saudável e que pode aquecer o coração mais cínico. Mas, de que falo eu? Da tese exposta pela comentarista neste post. Portanto, é assim: os manifestantes que ocuparam as praças de dezenas de cidades espanholas fazem-no porque o PP de Rajoy se apresta a ganhar as eleições. Claro. Faz todo o sentido, e até há alguns freaks com capacidades divinitórias na Puerta de Sol que sem dúvida sabem com toda a segurança o resultado das eleições legislativas do próximo domingo, e vai daí dedicaram-se a evitar, a todo o custo, que o futuro aconteça. Não sei dizer se Helena Matos terá visto o filme Relatório Minoritário (ou lido o conto de Philip Dick) demasiadas vezes ou se nem o conhece. Sei que o tortuoso raciocínio que ela ensaia na análise da "revolução espanhola" (como é chamado o movimento) seria digno de vários estudos sobre a evolução da mentalidade dos burgueses que contribuíram para a revolução portuguesa - estudos que certamente passariam por alguma psicologia de pacotilha, complexo de Electra e esse tido de coisas - mas todos nós deveremos ter melhor coisas em que ocupar o nosso tempo. Entretanto, relembro a Helena Matos que, pouco antes das eleições que Aznar perdeu para Zapatero, houve um, como dizer, horrível atentado em Madrid. E que Aznar, quem sabe se um pouco, vá lá, precipitadamente, se apressou a culpar a ETA. Pior, há alguns indícios de que o fez com uma intenção vergonhosamente eleitoralista. Como a realidade, infelizmente, o desmentiu em pouco tempo, o PSOE acabou por arredar do poder o seu partido. Mas enfim, eu gostaria desde já dizer que respeito a fé de Helena Matos: se ela quer acreditar que foi meia-dúzia de okupas que derrotou Aznar nessas eleições, tudo bem, calo-me de imediato. E mais: saúdo a originalidade. Coisa tão rara deverá sempre ser louvada. Amén.


por Sérgio Lavos
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9 comentários:

Caro Cunha, a conhecida cobardia do povo português e a desinformação que grassa pelos meios de comunicação social, respondem à sua pergunta.

abraço 

deixado a 20/5/11 às 11:42
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