Terça-feira, 28 de Junho de 2011
por Daniel Oliveira

O PS prepara a sucessão de José Sócrates. Depois de seis anos no poder, com muitos lugares para distribuir, sempre - em todos os partidos - mais acessíveis a quem prescinda do seu sentido critico, reaprender o debate exige uma fisioterapia política sempre dolorosa. Depois de alguns anos com um secretário-geral ideologicamente vazio e com um estilo de liderança autocrático não é fácil encontrar o seu caminho. Amarrado a um memorando trágico para Portugal e em tudo contrário aos valores fundamentais da esquerda, não será fácil, para o PS, resolver a sua profunda crise de identidade - que, sendo justo, não lhe é exclusiva.

Neste momento, há dois candidatos à liderança.

Francisco Assis é um homem que, não galvanizando, está preparado para os serviços mínimos. Garantir um bloco central informal, deixar passar tudo, fazer de pequenas questões simbólicas cavalo de batalha e esperar que o PSD se estampe para lhe suceder na mesma tarefa. Assis tem um posicionamento ideológico claro: a terceira via que enterrou as social-democracias europeias por muitos e bons anos. Ninguém pode dizer que não sabe o que quer. Mas o que quer apenas aprofundará a crise de representação à esquerda.

António José Seguro é um homem que, não galvanizando, está preparado para surfar na indefinição absoluta. Garantir um bloco central informal, deixar passar tudo, fazer de coisas um pouco maiores cavalo de batalha e esperar que o PSD se estampe para suceder não se sabe bem para quê. Ninguém sabe o que Seguro pensa. Representa o mesmo vazio que enterrou o País por muitos e bons anos. Desde que nunca chegasse ao poder, seria um bom intervalo para o PS procurar uma alternativa um pouco melhor.

Entre um e o outro, se me perguntassem a mim, que nada tenho a ver com o assunto, escolheria o segundo. Porque quanto pior melhor? Pelo contrário. Porque, num momento em que a esquerda terá de encontrar novos caminhos para a defesa do Estado Social, mais vale um intervalo do que uma escolha errada. Porque Assis pode formatar o partido às suas convicções. E as suas convicções levam o PS para um beco sem saída. Porque Seguro adia o erro e permite que o PS se dedique a uma reflexão difícil antes de fazer um disparate de que se arrependerá por muitos anos.

Às vezes é preciso parar para pensar. E Seguro será esse compasso de espera.


por Daniel Oliveira
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33 comentários:
xxx
Acusa o PS de tudo mas deve ser o unico partido que pode criticar sem qualquer constrangimento. Os outros, incluindo o seu, é o que se sabe e a direita merece o seu respeito.

O acordo com a troika foi negociado porque houve uma coligação da esquerda com a direita para derrubar o governo.E a esquerda sabia que o resultado seria esse. É necessario alguma honestidade intelectual.

deixado a 28/6/11 às 10:43
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Leo

“num momento em que a esquerda terá de encontrar novos caminhos (…) mais vale um intervalo do que uma escolha errada.”



Ah grande São Tomás...


deixado a 28/6/11 às 10:57
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Ana
Assis ou Seguro?
Uma escolha difícil , mas os argumentos apresentados pelo DO neste post a favor de Seguro são de elevado risco. Para o DO. Seguro " desde que nunca chegasse ao poder, seria um bom intervalo para o PS procurar uma alternativa um pouco melhor" seria um intervalo e seria positivo para o País. O problema é que a dinâmica da situação europeia pode não dar tempo a esse intervalo. A Grécia segue para bancarrota dentro de 3 semanas ou não? Se for, quem se segue? Será que dentro de poucos meses não estamos a discutir a saída do Euro? Uma saída sem negociação e total desastrepara o País? Uma coisa é certa PSD+CDS não duram muito tempo, por um ou outro motivo (quase sempre externo), eles caem e ai, ficamos com o Intervalo e o Vazio?
Nos tempos de hoje a dinâmica não segue a velocidade da racionalidade, segue a velocidade da volatilidade.

deixado a 28/6/11 às 11:00
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Parar para pensar, por exemplo, por que motivo, enquanto o PS foi governo, isto nunca poderia ter acontecido:

http://lishbuna.blogspot.com/2011/06/olha-aqui-uma-historinha-tao-gira-de-um.html

deixado a 28/6/11 às 11:15
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pedro lourenço
desde o momento em que vi o assis quase chorar numa conferência de imprensa promovida pelo próprio, e em que apenas estava presente o próprio, para mandar um recado aos seus subordinados de bancada parlamentar, ameaçando que se demitia caso estes viabilizassem a taxação das mais valias nos dividendos, por alturas do escandalo da antecipação dos dividendos resultantes da venda da Vivo pela PT, confirmei aquilo de que já desconfiava, que o panhonha não é pessoa de bem...

não me admira que seguro tenha o apoio maioritário do partido. é um bom sinal para o PS.

assis tem o apoio dos interesses que sempre escolheu defender. 

assis pode na verdade personificar quase 40 anos de produção legislativa ininterrupta em favor dos interesses mais obscuros e corruptos e contrários ao da maioria da população e do interesse nacional, o que inevitavelmente nos trouxe até aqui. não será certamente o único, mas é porventura o mais estúpido ao ponto de jogar toda a reputação de que ainda gozava e de colocar o seu próprio pescoço no cepo de uma forma tão, mas tão descarada de defesa dos interesses de poucos contra o interesse comum, sem que pelo menos tenha zarpado para umas dessas empresas que certamente estariam dispostas a acolhê-lo quanto mais não seja como gratificação pelo excelente serviço prestado na política.

o facto de ainda se apresentar a eleições no ps e manter a sua posição no parlamento é reflexo da mais completa falta de pudor e descaramento, bem como de inimputabilidade de que hoje em dia larápios e lacaios como assis gozam na nossa política e sociedade em geral.

deixado a 28/6/11 às 11:24
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Zé da porrada
Assis é um homem acima da media em termos de inteligencia.Isto só não chega,está à direita de um Seguro e não ganha um debate a ninguem desde que  seja aguerrido.Seguro  na minha opinião é  um calculista com uma dose elevada de oportunismo.O apoio das bases a Seguro tem a ver com mais anos de partido e do controle do aparelho.Para gerir este periodo talvez seja prefererivel o Assis. Se Queremos um Ps a pensar à Bloco podemos engoli-los, mas uma boa parte do eleitorado foge para a direita e perpetuamos estes agentes  "POR CONTA DO CAPITAL,por muitos e bons anos.Não adianta querermos um Ps á nossa medida para a direita ampliar o seu eleitorado.Aceitem a diferença do Ps,como nós aceitamos a vossa e partindo desta permissa  negociemos tudo com perdas  e ganhos de ambos os lados. Não teria sido melhor para o pais se antes do Pec 4 chumbado o Bloco tivesse negociado algo dee subtantivo  para o trabalhadores? se o Ps neste caso não cedesse, o onus recaia eleitoralmente sobre si e nesta altura o Bloco estava com mais deputados que anteriormente. a Vontade de ir ao pote foi superior a todos interresses em defesa de quem trabalho. Os letrados peço desculpa pelo portugues

deixado a 28/6/11 às 22:18
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Zé da Porrada
Pedro Lourenço, pela amostra deves ter sido educado  sem valores e referências. Cospes odio por todos os poros... podemos não gostar de Assis,mas acho que não merece estes vomitos só porque pensa diferente.Ele foi eleito por Socialistas que gostam dele. Vamos apostar no voto uninuminal para acabarmos com este tipo  de gente como  Lourenço. 


pedro lourenço

zé, zé...

tanto carater gasto, duas respostas, tanto tempo perdido, isso para dizer o quê?

"o menino é malcriado"?

é isso?

posso estar enganado em relação ao seguro. agora o songamonga, às que já fez durante anos e anos no parlamento, pode enganar-te a ti, mas a mim não.

e pelos vistos também já não engana a malta do PS... 

deixado a 28/6/11 às 23:31
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Rui F

O Vasco Pulido Valente vaticina pelo menos 20 anos de oposição ao PS e consequentemente um passeio tranquilo para a Direita. Se calhar até nem está errado pelo menos a julgar pela “aflição” do Mário Soares, que tem perfeita consciência, que as purgas em democracia são geracionais.


Apesar que não ser totalmente verdade – observai a Baronia por trás de Passos Coelho - o PSD pode explicar “como foi”.


A verdade é que não se vislumbra neste PS (e nos Socialistas Europeus) suficientemente neoliberalizado, ideias transformadoras ou de ruptura que devolvam o espírito da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que caracteriza o Socialismo democrático. Vai ser muito complicado voltar a devolver à política o poder que passou para a finança.


A verdade é que a Esquerda está na encruzilhada e o desejável era mesmo haver uma sacudida valente para separar as águas.


 


deixado a 28/6/11 às 11:27
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Kid Karocho




São os 20 anos do VPV e os 1000 do III Reich.

Larga o whisky que o VPV também não...

deixado a 28/6/11 às 14:10
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Que post espectacular.

Vou ficar mortinho de ansiedade esperando por análise tão concreta sobre a sucessão no Bloco de Esquerda.

Entretanto Daniel Oliveira cada vez mais envelhecido e olhando sempre para o passado deixa aqui uma lágrima pelo que o "Dr." Alegre mais ele próprio e o senhor deputado na Europa podiam ter feito numa nova "esquerda" social-democrata.

Que pena, a Pátria nunca reconhece os seus verdadeiros heróis.


deixado a 28/6/11 às 12:17
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Em termos ideológicos estou tentado a concordar consigo mas Seguro é de um vazio incapaz e assustador, ainda com menos substância que Passos Coelho, apesar do trajecto dos dois poder ser comparável. Assis seria um provável líder de transição que sem galvanizar cumpriria os serviços mínimos. No entanto, a vitória não deverá fugir a Seguro e isso não é bom para o PS...
Saúde

deixado a 28/6/11 às 12:46
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Maria Rita
Não suporto José Seguro,mas considera-lo mais vazio do que PPC, é um insulto à inteligência.

deixado a 28/6/11 às 22:22
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pedro lourenço

isso do vazio ideológico agora parece que está na moda dizer-se sobre os políticos. ou se calhar os nossos políticos são todos uns "vazios" ideologicamente. talvez...

mas uma coisa é certa, eu já ouvi Seguro dizer que com ele o PS não viabiliza qualquer revisão constitucional que o PSD e PP queiram fazer.

não sei se o Assis é que bom, muito cheio ideologicamente. tenho para mim que a ideologia do Assis é quem paga mais ou quem oferece mais negócios ao seu negócio. E tenho a certeza que com Assis à frente do PS, a revisão constitucional era já amanhã...


Ninguém disse que Seguro é mais vazio ideologicamente que Assis, pelo contrário. Agora para mim, isso não é único aspecto que conta. E estou convencido que entre os dois ao nível da oposição a coisa não seria muito diferente. Ambos serão contra uma revisão constitucional drástica. Mas Seguro certamente ganhará e aí poderemos avaliar com tempo o conteúdo intelectual da figura que é quase inexistente. Foi isso que quis dizer. E por muito que me custe admitir tem ainda menos recursos para chegar a primeiro-ministro do que Passos Coelho. Mas isso dificilmente será provado porque Seguro nunca chegará a Primeiro-Ministro...
Saúde

deixado a 29/6/11 às 09:56
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PedroM
"com muitos lugares para distribuir, sempre - em todos os partidos"
Em todos os partidos??? Tirando o BE e o cacique Louçã, não é? Perca ou ganhe, o lugar é dele - perdão, o lugar é ele!

Já agora, Daniel, sabe qual é o objectivo de Louçã? Bater Alberto João Jardim em longevidade no cargo? Sair de lá só quando cair da cadeira como o outro?

deixado a 28/6/11 às 12:55
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Tomás Guevara
Não sou do BE e sei que louçã não precisa que o defendam.Mas é triste ver um fulano  utilizar termos como "o cacique louçã" ou fazer comparações com salazar.Pedro m tem algo a aprender para além do verniz democrático.Não será provavelmente um cacique,não será um salazar,mas é uma coisa mesquinha e pequenina.Ao gosto de uma direita revanchista  e pesporrenta?


PedroM
"Aquele que tem influência politica numa ou mais localidades, e costuma arrebanhar os eleitores, para votações políticas ou administrativas"
Em: lexico.pt/cacique/

Em relação a "cacique" estamos conversados.

As comparações com Salazar são em relação ao mesmo, como podem ser com Chávez: até ver, só sai de lá corrido. Perca ou ganhe. Os tiques autoritários não têm ideologia, ao contrário do que propagandeia.

deixado a 30/6/11 às 14:14
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Essa sua questão - «se me perguntassem a mim» - é absurda porque o Daniel não pertence ao espectro político do PS. Ainda por cima o Daniel responde de uma forma ideológica. É como um ateu a responder à pergunta «se fosse Cardeal em quem votaria para Papa» dizendo «seguramente não votaria em Ratzinger porque ele acredita em Deus».

deixado a 28/6/11 às 13:53
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xuxu
Absurdo.

O Daniel pertence ao espaço político do PS. Se o PS ainda tivesse tal. Está perfeitamente capaz de dar opiniões, pois é da "família". Mais que um Sócrates, Assis ou Seguro.

A verdade é que a terceira-via deu cabo dos partidos sociais democratas. Estes seguiram o caminho dos comunistas e dos anarquistas... estão mortos, só que ainda não perceberam.

O erro do Daniel é outro... é achar que a solução virá da actual partidocracia (seja PS ou BE - ou PC). Não virá. Virá de outro lado. De onde? Não sei, isso está a ser inventado agora. O que não falta são movimentos de cidadãos que na verdade têm um "backbone" realmente político (não oportunista - com o PS, ou fundamentalista como o BE/PC).

As ideologias zombies só atrapalham.


Pão Metálico
Este comentário é giro (giro, no sentido de bom, como dizia o grande Villas quando gostava de um músico).

Gostei.

deixado a 28/6/11 às 19:08
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Mike
Estão mortos e ainda não perceberam...

Muito me ri...

Vê lá se o morto não se levanta e te mostra o que é morrer

deixado a 28/6/11 às 20:37
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Tomás Guevara
xuxu,a menina acha mesmo?Eu estava a lê-la e estava a pensar.Uma zombie complexada.Mas pode continuar nas suas zomberias.Não me atrapalham nem acho que atrapalhe quem vê mais longe que o umbigo da menina

deixado a 28/6/11 às 21:58
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xxx
O DO auto-elegeu-se provedor da esquerda internacional. O voto foi secreto e em urna. Do peloponeso ao cabo espichel é um vê se te avias. Basta uma folha em branco e zás! Endireita, ou melhor, adireita o mundo de uma penada.
 

deixado a 28/6/11 às 17:55
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Absurdo. Ratzinger não acredita em Deus.

deixado a 28/6/11 às 21:20
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