Sexta-feira, 15 de Julho de 2011
por João Rodrigues

 

Sem querermos decretar convergências precipitadas ou anular a diversidade de registos, julgamos que alguns pontos comuns podem ser identificados e que essa identificação permite algum optimismo intelectual e quiçá político. Em primeiro lugar, os artigos deste livro tomam partido na divisão que marca o condicionado debate económico nacional. De facto, temos, por um lado, os que fingem que os problemas do nosso país podem ser pensados sem considerar as consequências da perda de instrumentos de política económica à escala nacional, que resultou de uma integração económica e financeira que não os compensou com novos instrumentos à escala europeia. Sabem que esta estratégia intelectual favorece o seu programa de orientar as políticas públicas para a redução directa e indirecta dos custos laborais (...) Por outro lado, temos os que, como os autores deste livro, reconhecem que a generalidade dos problemas económicos nacionais – da integração económica dependente, traduzida em perdas de competitividade, à formação de grupos económicos que operam essencialmente nos sectores de bens não-transaccionáveis e que pretendem capturar serviços públicos, passando pela instituição de uma economia desigual e de baixa pressão salarial – não podem ser pensados fora de uma Zona Euro que juntou, em pé de igualdade, economias com níveis de desenvolvimento muito distintos e que deu demasiado espaço a forças de mercado em detrimento da criação de mecanismos de solidariedade (...) Em segundo lugar, os economistas que participam neste livro tendem a convergir na constatação de que o liberalismo económico tende a destruir os mercados porque não consegue vislumbrar os seus limites, nem pensar em políticas e instituições que contrariem a miopia dos interesses da especulação financeira (...) Em terceiro, e último lugar, os economistas que aqui escrevem podem convergir na ideia de que Portugal tem de abandonar a atitude de “bom aluno” e, em aliança com as restantes periferias em dificuldades, pressionar o centro europeu a adoptar soluções decentes para a crise europeia.

 

Excertos da introdução


por João Rodrigues
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33 comentários:
Rui F

Não se alterou a tua posição sobre o J Cravinho, nem a minha sobre a corrupção no MOPT antes e depois dele.

Antes dele e depois dele, os ministros que passaram por lá nunca quiseram meter a mão no "esterco". Compreende-se: metiam-se na merda.

Também não me parece que o tribunal de contas tenha "atacado" gestões anteriores a ele. Compreende-se: Chovia dinheiro a pontapés da CEE e havia necessidade de "mostrar" que as obras íam-se fazendo ainda que as derrapagens chegassem muitas das vezes ao TRIPLO do previsto.
Era agradável dar uma imagem de bom aluno lá fora... mas a quem foram untadas as mãos? Quantas caixas de robalos não se comeram nessa altura? Que Godinhos e "gordinhos" circundavam?

deixado a 19/7/11 às 12:03
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