Terça-feira, 19 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

Na semana em que a direcção da mui beata e piedosa Universidade Católica decide ensaiar um regresso à primeira metade do século XX, instituindo um código de vestimenta que faria as delícias de Diácono Remédios, ao aconselhar o uso de "formas de vestuário dignas e convenientes, adequadas ao local de trabalho próprio de uma universidade e de uma instituição da Igreja", o excelentíssimo abominável César das Neves, professor nessa instituição, soltou mais umas encarniçadas diatribes a favor do ultraliberalismo, ainda por cima dando como exemplo a Saúde - a velha história, falsa, de que gastamos mais e temos um pior Sistema Nacional de Saúde - e defendendo que os países europeus em risco deveriam simplesmente falir (como a Califórnia - a sério, foi deixada falir pelo governo americano???). A velha aliança entre o liberalismo económico e o conservadorismo nos costumes no seu melhor. Deus não joga aos dados com o cosmos, é bem verdade.
João Cerqueira
Sérgio Lavos,
Não me parece que haja qualquer coincidência entre as posições do economista e a norma quanto ao vestuário.
Quanto à indumentária, penso o seguinte: impor uma farda aos alunos - prática que revela um desejo de colocar todos ao mesmo nível, logo Socialista - é algo caricato, sobretudo para maiores de dez anos.
Todavia, não me parece que seja absurdo - ou reaccionário - a tentativa de uma escola privada alertar quanto a determinadas regras no vestuário.
Em Viana do Castelo, por esta altura do ano, ano após ano, descubro nas ruas jovens criaturas em tronco nu, passeando como se nos areais de uma praia estivessem. Assisti até à tentativa duma dessas criaturas de entrar no Modelo - tendo o segurança o impedido.
Talvez seja já prevendo o comportamento destes seres irracionais - os quais entram nas salas de aula dos liceus de boné e supõe que seja normal assistir nessa condição chapelada à lição - que surgem normas como a da Católica.
Mas, como vivemos num país livre, quem achar que assistir a uma aula na universidade envergando uma tanga tigrada e calçando chinelos é um direito adquirido, tem bom remédio - boicote a Católica.
L.
As regras de vestuário, não as que decorrem do senso comum mas as que são impostas por códigos e diretivas oficializadas através de documentos escritos como é o caso, só têm sentido se as situações atingirem extremos que ponham em causa o relacionamento entre as pessoas ou o normal funcionamento da atividade exercida nesse espaço (seja universidade, organismo público, empresa privada, etc). Como isso não se passa, nem há exemplos desses extremos que, por piada, se tende a caricaturar, o ridículo e descontextualizado passa assim para as normas. Não para a folha de papel em que estão impressas, mas para as mentes distorcidas e (mais das vezes) viciosas que lhe deram origem.
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