
Aparentemente, alguém na Jerónimo Martins pensou que divulgar um plano da empresa para garantir comida e apoio social a 1100 dos seus trabalhadores seria uma boa manobra promocional. Em tempos de crise económica, quem demonstrar as melhores credenciais sociais parte na posição da frente no ranking da boa vontade dos fregueses.
Aparentemente, ninguém na Jerónimo Martins parece ter parado para reparar que uma empresa ter nos seus quadros 1100 pessoas que, trabalhando, não conseguem sair da miséria mais absoluta, pagar as despesas de alimentação e saúde diz mais sobre os salários praticados pela mesma do que da incapacidade congénita dos seus trabalhadores (desculpem, queria dizer colaboradores) em gerir o seu dinheiro.
Segundo um dos responsáveis por este grupo retalhista, um dos mais lucrativos em Portugal, as 1100 pessoas em causa revelam um “elevado desconhecimento dos mais elementares princípios da gestão de um orçamento doméstico", e, como tal, decidiu tomar em mãos o assunto. Aumentar os salários que, de acordo com o sindicato, se ficam em média por uns indigentes 540 euros na empresa? Nada disso. Ensinar quem pouco mais ganha do que o preço do aluguer de uma pequena casa em Lisboa ou no Porto a saber gerir os seus rendimentos. É preciso topete.
Mas não deixa de ser sintomático constatar que nenhum dos vários jornais em que este plano é noticiado faz uma menção - breve que seja - ao valor médio do salário na Jerónimo Martins, nem pergunta a quem de direito como é que se gere sapientemente um orçamento familiar com essa quantia irrisória. Pelo contrário, o director do jornal I, o tal que quer que os seus colunistas escrevam de graça, deu-lhe nota 20. E este é o ponto mais relevante desta história. O clima social criado com a crise, aliado a um condicionamento ideológico, mediático e semântico onde não existem trabalhadores nem despedimentos, conduziu à desvalorização social do trabalho ao ponto em que uma empresa trocar salários dignos pelo racionamento de vales para as despesas de alimentação ou saúde passou não só a ser uma atitude normal, mas passível de ser explorada comercialmente pelo seu departamento de marketing.
Todas as crises revelam as suas oportunidades. Os empresários deste cantinho, fartos dos baixos salários que usaram como principal argumento concorrencial, entreviram na persistência da austeridade um momento chave de mudança cultural e social que lhes garante a oportunidade de tornar as suas “práticas sociais” num chamariz comercial. Supostamente, devemos estar todos agradecidos à magnifiência de quem, pagando miseravelmente a quem trabalha mais de 40 horas, num trabalho desgastante e por turnos, ainda instala uma sopa dos pobres dentro de portas.
Quando nenhum jornalista faz o seu papel e publica a história como ela vem contada no press release, vemos até que ponto essa mentalidade está enraízada. Mas, verdade seja dita, com o que as empresas de comunicação social hoje pagam aos seus “colaboradores”, não seria de espantar que quem assina a notícia apenas suspirasse por um plano igual na sua redacção.
Penso não haver dúvidas sobre a minha opinião acerca da "caridadezinha", aqui manifestada muitas vezes e ainda antes da mesma se mostrar "necessária". Era, como outros e eu aqui dissemos, previsível e a procissão ainda não saiu do adro.
Mas ao ler este post sinto uma certa náusea pelo pretensiosismo de que se reveste. Porquê? Porque tenho o péssimo hábito de me colocar nos sapatos dos outros e posso concluir que quem precisa de ajuda a agradece, pelo que é do mais puro bom senso pensar antes de escrever.
De acordo com a notícia, os casos que levaram à necessidade da constituição deste Fundo da Jerónimo Martins é o pão-nosso de cada dia e pouco tem a ver com salários baixos. Basta estar atento aos relatórios da Deco para saber que já há médicos, advogados, gestores e similares profissões na mesma situação de carência provocada pelo excessivo endividamento. Aliás, soube hoje da mãe de um colega do meu marido, quadro superior, que ficou no desemprego e vê a precariedade bater-lhe à porta pelas mesmas razões.
Ainda de acordo com a notícia, a Jerónimo Martins não pretende fazer simples caridade, ajuda a comprar a cana e ensina a pescar. Quantos mais empresários o fazem, é a questão que deixo.
Para terminar, não consigo entender esta "perseguição" canina ao grupo Jerónimo Martins, quando existe, no mesmo ramo de mercado, um explorador maior e sem qualquer consciência social. Denunciar e combater esta política de miséria é uma coisa, disparar ressentimentos e odiozinhos de estimação é outra.
Cara amiga Graça
As memórias podem ser curtas mas, pior do que isso, também existem as que se recusam a… existir. Como tu e outros disseram, durante uma “via-sacra” de meses a fio, isto e outras coisas “mais esquisitas”, eram previsíveis, não só no nosso País mas, à escala global. Ainda antes de ontem, “falei” de um plano “em marcha acelerada” para a construção da “Nova Ordem Mundial” e “cá está” a notícia da Standard & Poor’s (outro nome curioso para uma agência de “ratazanas”) que atinge os USA. “Coincidências”?
Durante a chamada “guerra fria”, o “camarada” Mao afirmava que os “States” eram um “tigre de papel”. Hoje, nesta “paz putrefacta” (em que as “guerras escaldantes” são “escolhidas a dedo”), a China (maior credora do “Tio Sam”) lança um aviso ao “polícia do Mundo”. Interpreto-o como uma “nuance” do “maoismo”… pode ser “Os USA são um tigre…sem papel”?
E qual é o nosso papel, como Povo, já que quanto ao “dos cardeais, bispos e sacerdotes” organizadores da “procissão”, sabemos que obedecem às ordens dos “Papas do Sacro Império Financeiro”? Vamos deixar que eles “papem tudo”, perdendo tempo com “pinchavelhos” que nada resolvem em relação aos problemas concretos com que muitos de nós poderemos ser confrontados, num futuro mais próximo do que esperávamos (ou dos quais pensávamos estar imunes)? É como os acidentes de automóveis… que só acontecem aos outros? Na actualidade, já temos demasiadas vítimas desses “acidentes”…
Cara amiga, desejo não ter razão mas, deixo uma questão muito simples, como exemplo:
Quem pensar que Obama “manda” nos USA, ponha o dedo no ar!
Aquele grande abraço.
Carlos
NOTA: Aproveito a oportunidade para enviar o mesmo tipo de abraço ao avô Mário.Cara amiga Graça
Por quem sois, senhora, mui grã de “esprito”, que me dirigis cousas e “loas” que eu, nunca antes, houvera imaginado (isto não saiu muito bem mas, o “aborto ortográfico” vai pôr tudo nos “eixos”).
Tens razão quando afirmas que isto por aqui está animado e eu acrescento, quase interactivo. Repara na sequência de respostas ao teu comentário inicial. Como não queres que eu mude e também, não “deixo” que sejas “excomungada” sozinha, lembrei-me de uma “coisinha interminada”, que tinha guardado na “gaveta” do Word:
«Eia, pois, “senhor”, os vossos servos, até ao “juízo final”»
Os tempos são dos “puritanos”, que abjuram todos os que não se mantiveram fieis ao primeiro voto, pós 25 de Abril ou os que, adquirindo o direito a votar, anos depois, não “juraram fidelidade ao partido, até que a morte os separasse”.
Mais uma vez, dirijo-me às “minhas” Esquerdas, por causa daquele “vício terrível” de querer “arrumar a minha casa”, antes de me “intrometer” na dos “vizinhos”. Sim, eu sei que há quem diga que a sua (dele) esquerda é a que lava mais branco, num esquema sectário/dogmático, que em nada o distingue do fanatismo religioso/futebolístico que fazem “escola” neste Mundo, em que os “donos” e os que se dizem de “oposição”, estão unidos em manter a acefalia das suas “seitas”. Eu governo, tu opões-te, ele não deve pensar, nós estamos instalados no sistema, vós dais uma ajuda para que nada mude, eles aceitam ser conduzidos ao altar do sacrifício final.
Neste esquema de “sectários-gerais”, o meu destino poderia ser a Sibéria, o Tarrafal, Auschwitz ou algum campo de concentração “neo-democrático”, construído perto de mim. O “Sacro Império Financeiro” encarregar-se-á disso, com a prestimosa e “ingénua” colaboração das pseudo oposições. A menos que…
Amiga, também, não me lembro quem foi o autor da frase que referiste mas, como não esqueces uma cara, talvez o vejas, um dia destes. Por aqui, há uns “heróis virtuais” e esperemos que não chegue o dia em que seja necessário “darem a cara”… porque, se calhar, “está bem, abelha!”
Beijocas e abraços dos que estão fartos deste “ninho de vespas”.
Carlos
Meu caro avô Mário (Pão Metálico)
Pelos vistos, as “oftalmas” voltaram a atraiçoar-me e a minha resposta à amiga Graça foi parar à tua “caixa de correio”.
Penso que nenhum de vocês se importará com esta troika, perdão, troca de endereços.
Renovo aquele grande abraço.
Carlos
Meu caro avô Mário (Pão Metálico)
O que designaste por não divergência ideológica entre avôs está a funcionar. Eu tenho a felicidade de “tocar nas chinchas” (são duas) todos os dias. Vamos às convergências:
1-Interessantíssima, no mínimo, a teoria que expressaste quando escreveste «É o que eu não me canso de dizer, quando Deus me lixou os olhos foi com boas intenções. Ele sabia que eu não iria ver com »bons olhos« a trampa que estava (está) para vir.»;
a)Se tiveres razão quanto à intervenção de Deus, espero que não nos retire o “software”...
b)Acordo total com a trampa (gostei do “euFMIsmo”) que está para vir.
2-Estou convencido que Mestre Bordalo adoptaria a tua sugestão do dedo médio, acrescentando esse “pormenor” ao célebre “manguito”;
3-As nossas caixas de mensagens são iguaizinhas, no que ao júbilo diz respeito.
Meu amigo, para além destes pontos de convergência temos os mais importantes, como a rejeição de qualquer tipo de ditadura e de censura. Pelo que ouvi dizer, já há apelos implícitos e explícitos nas caixas de comentários do Arrastão, no sentido de os seus autores impedirem a publicação de opiniões de “direita”. Triste, muito triste e de uma (in)coerência “de bradar aos céus”. Quem defende esta prática num blogue mostra bem o seu “projecto” para um País e não faz parte das “minhas” Esquerdas.
Aquele grande abraço, sempre renovado.
CarlosMeu caro avô Mário (Pão Metálico)
Se já não sabes o que me dizer, proponho-te a leitura do comentário da amiga Graça (deixado a 8/8/11 às 13:05), que é arrasador e simultaneamente, digno de “excomunhão” por parte dos “aspirantes a sectários-gerais”. Mas, como afirmas, ainda há muita malta velha disposta a pisar mais uvas e que não se borrará (outro “euFMIsmo”), nem na última, quanto mais à primeira. Atrevo-me a deixar-te isto:
http://www.youtube.com/watch?v=vQaxgLiW_
É uma espécie de “elo de ligação” entre quem tem ideologias diferentes mas, está disposto a lutar (ombro a ombro) pela Santa Liberdade, contra quem quer que seja a ameaçá-la.
Meu amigo, a tua hipótese de patuscada poderia resultar sem “porrada”, desde que as “santas claques” não pudessem participar e a alguns dirigentes, só fosse permitido abrir a boca para comerem.
Aquele grande abraço.
Carlos
NOTA: A pirralha e as “mini-pirralhinhas” (vide a resposta que enviei ao amigo António Cunha) pediram-me que te mandasse umas beijocas, extensivas à tua netinha. Aproveito e quando “tocares na chincha”, dá-lhe um beijinho da minha parte.
Meu caro António Cunha
Vai por aqui uma confusão, desde o tempo que os comentários demoram a serem “moderados” até às trocas de endereços…
Pelo pouco que tenho “ouvisto” no Arrastão, penso que há uma tendência para a “insultoideologia”, logo à primeira “vista”. No meio disto, perde-se a capacidade de “fazer humor”, mesmo com as pessoas que têm opiniões divergentes, ou antagónicas, às nossas.
Então, vamos lá a isto, ó meu “coelhinho do Seixal”:
1-O fado alexandrino (um abraço) disponibilizou-se para comprar e oferecer, dez EP’s para a Festa do Avante;
2-No ano passado “falámos” (tu e eu) das “carvoadas” (porque à mesa é que a gente se entende) mas, a ideia faliu;
3- Juntando o ponto 1 com o 2 (curiosamente dá 3, que é onde estou), passo para o;
4-Aceitam-se inscrições, para um convívio num restaurante á tua escolha (cada um paga o seu);
5-Quem não quiser utilizar a EP, oferece-a (não vale vender) a quem estiver interessado, ou necessitado;
6-Como alternativa à Quinta da Atalaia, talvez haja a possibilidade de assistir a um treino do “Glorioso” que, por acaso, também é “vermelhusco”.
Meu amigo, “falando” a sério, penso que é uma “parvoíce” andarmos a “comer-nos” uns aos outros. Os “grandes mestres da culinária” já têm a sua ementa preparada e se os pobres são o “aperitivo”, tu serás o “digestivo”… porque a gula deles (dos “mestres”) é mórbida.
Um grande abraço.
Carlos
Meu caro António Cunha
Menciona-se a Festa do Avante (os teus três dias “difíceis”, lembras-te?) e já ficas com uma “carga de nervos” tão grande que te esqueces que nos tratamos por “tu”… “Você é a tua tia, pá!”
Quando as “coisas” estiverem menos “nebulosas” por aqui, combinamos essa “peregrinação” ao “santuário da Trindade”, já que, ainda, não fui à “Catedral”. Entretanto, vai pensando na cláusula de rescisão do “mini-Cunha”, porque tenho a impressão que o Vieira não consegue aprender.
Beijocas da pirralha para o “priminho” e já agora, também, das “mini-pirralhas” que já “conhecem” os amigos do Arrastão.
Aquele grande abraço.
Carlos
Meu caro António Cunha
Podia responder-te com estas duas citações:
1-«Cunha, assim não vale, fico sem palavras e eu não gosto disso.» (Amiga Graça)
2-«É o que eu não me canso de dizer, quando Deus me lixou os olhos foi com boas intenções. Ele sabia que eu não iria ver com »bons olhos« a trampa que estava (está) para vir.» (Amigo avô Mário)
Porém, a minha “mania” de gostar de falar com as pessoas (até ao abuso da “palração”) impede-me de ficar por aqui. Em tempos, houve um “spot” radiofónico com o lema “Sorria à vida, para que a vida lhe sorria”. Adoptei-o e “gozo” com as coisas más que me aparecem, até porque nunca tive “jeito” para bater com a cabeça no “muro das lamentações”. Por isso, “disse” aqui, há mais de um ano, que tinha sido a concretização de um desejo. Sempre quis ir “às” do Niágara mas, como não tinha dinheiro, vieram “elas” até mim… e de “borla”. Nessa altura, o amigo avô Mário disponibilizou-se para me dar umas “dicas”, dado que ele já ia em sete operações à vista.
E agora, “vou-me embora, vou partir mas, tenho esperança” de voltar em Setembro (se não for antes) porque, no sítio onde estou (Nazaré), a Internet custa-me “os olhos da cara” e também, não quero tornar público que um “anti-comunista-troglodita”, como tu, pôs um “esquerdalho empedernido”, como eu, com a lágrima “ao canto do olho”.
Meu amigo, escreve-me sempre que quiseres (isto é válido para a “malta” toda), porque nomeei a pirralha como minha “assessora” para a recepção de mensagens…
Beijocas das pirralhas todas.
Aquele grande abraço.
Carlos
Meu caro António Cunha
Vai por aqui uma confusão, desde o tempo que os comentários demoram a serem “moderados” até às trocas de endereços…
Pelo pouco que tenho “ouvisto” no Arrastão, penso que há uma tendência para a “insultoideologia”, logo à primeira “vista”. No meio disto, perde-se a capacidade de “fazer humor”, mesmo com as pessoas que têm opiniões divergentes, ou antagónicas, às nossas.
Então, vamos lá a isto, ó meu “coelhinho do Seixal”:
1-O fado alexandrino (um abraço) disponibilizou-se para comprar e oferecer, dez EP’s para a Festa do Avante;
2-No ano passado “falámos” (tu e eu) das “carvoadas” (porque à mesa é que a gente se entende) mas, a ideia faliu;
3- Juntando o ponto 1 com o 2 (curiosamente dá 3, que é onde estou), passo para o;
4-Aceitam-se inscrições, para um convívio num restaurante á tua escolha (cada um paga o seu);
5-Quem não quiser utilizar a EP, oferece-a (não vale vender) a quem estiver interessado, ou necessitado;
6-Como alternativa à Quinta da Atalaia, talvez haja a possibilidade de assistir a um treino do “Glorioso” que, por acaso, também é “vermelhusco”.
Meu amigo, “falando” a sério, penso que é uma “parvoíce” andarmos a “comer-nos” uns aos outros. Os “grandes mestres da culinária” já têm a sua ementa preparada e se os pobres são o “aperitivo”, tu serás o “digestivo”… porque a gula deles (dos “mestres”) é mórbida.
Um grande abraço.
Carlos
Cara amiga Graça
Só volto hoje, porque, como está provado, o 7 de Agosto corresponde ao meu “dia nacional do disparate”. Porém, tenho a mais profunda convicção que, com o decorrer do tempo e com muitos “treinos”, sou capaz de fazer, infinitamente, “melhor”…
Como podes ver, a resposta que te era dirigida foi parar à “caixa do correio do avô Mário e ainda bem, porque proporcionou uma conversa que já não tínhamos, há muito tempo. A tal “estória” dos “males que vêm por bem”…
E pronto, deseja-me as melhoras ou as “pioras”.
Aquele grande abraço.
Carlos
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