O reverso do capitalismo explorador é a violência organizada com recurso a objectos simbólicos desse mesmo capitalismo explorador. Os motins em Inglaterra deixaram de ter alguma coisa a ver com contestação social e não têm qualquer motivação política pela qual valha a pena lutar, qualquer ideologia que os sustente. Os maiores prejudicados pela violência estão a ser as comunidades marginalizadas, os pequenos comerciantes e os pobres que estão a ver o pouco que têm ser destruído por gangs. A Revolução Blackberry aos burgueses revolucionários que a merecem: é toda vossa, a destruição e o enorme vazio ideológico que a impulsiona. Estão bem uns para os outros.
Minha cara Ana
O grande problema é que já não se plantam girassóis e o joio tomou conta dos campos da Europa (e não só). O “Sacro Império Financeiro” deu essas “ordens” e alguns sectores das Esquerdas já desistiram de o arrancar, permitindo que o trigo não cresça.
Revolução com base em ideologias? Como, se até esses sectores seguiram o “princípio da morte delas”, com uma adopção “pragmática” do modelo da “regulação dos mercados”? Entre o “capitalismo popular” da “dama de ferro” e este “capitalismo de rosto humano”, quem consegue descobrir as sete diferenças?
Uma sociedade desprovida de valores? Claro, porque uma espécie de “síndrome anti-fascista”, conduziu ao “apagão” de expressões como essa e entre muitas mais, a da repressão. Quanto a mim, “é preciso, imperioso e urgente”, reprimir tudo o que seja crime, qualquer que seja a sua origem (e não “compreendê-lo” ou “condená-lo”, conforme as conveniências pseudo ideológicas).
Amiga, estou, seguramente, a ficar velho mas, a Grande Revolução será a das mentalidades. Que nos conduzirá (aos de “baixo”) a diálogos sem preconceitos e a formas de luta consequentes (contra os de “cima”). Há mais de um ano, propus um movimento de desobediência cívica, seguindo o exemplo de Gandhi, ou de Martin Luther King, porque “tenho um sonho” e não quero que se transforme no pesadelo de “olho por olho e o Mundo ficará cego”.
Por enquanto, fico por aqui…
Aquele grande abraço.
Carlos
Minha cara Ana
Estou quase de acordo contigo mas, vou salientar dois pontos, onde tenho dúvidas sobre uma convergência total de opiniões:
Os mercados
Quando era pequenino, ensinaram-me que Deus está em toda a parte, cuida de nós e que nos fez à sua imagem e semelhança. Ora, se substituirmos Deus por mercados, só noto semelhanças. Porém, quando os homens se tornaram desobedientes foram “cuidados”, divinamente, com o dilúvio. A desobediência aos mercados será “cuidada” com o fogo? (e se pensas que estou a fazer comparações com o Apocalipse… acertaste). Este meu DNA, conduz-me muitas vezes a estes devaneios “pseudo-místicos” ou à ficção e por isso, talvez o trigo seja fruto de uma “Semente do diabo” (na linha de um “Doutor Fausto” ou de um “Retrato de Dorian Grey”) e seja inútil arrancar o joio. Então, só nos resta “cortar o mal pela raíz” capitalista.
Cara amiga, a “desregulação dos mercados” faz parte de um plano, cuidadosamente, elaborado pelo “Sacro Império Financeiro”, com o objectivo de instaurar a Sociedade “neo-esclavagista” do Século XXI. “Eles” é que regulam, já, a maior parte dos governos mundiais. Como questionei noutro “post”, quem acreditar, por exemplo, que é Obama quem “manda” nos USA, ponha o dedo no ar.
O Sonho
Considero que no seu expoente máximo (a Utopia) é algo que me sobrevive, enquanto os desejos podem ser concretizados ou “morrem” comigo. No resto, plenamente, de acordo e a Revolução das mentalidades é uma tarefa de muitas gerações. Com pequenos passos, com dois passos atrás e um à frente (como dizia o outro), tudo bem mas, não me peçam passos sistemáticos para trás, até porque não tenho vocação para caranguejo…
E já agora, podes fazer o “favor” de me tratares por “Tu” ou, também, já te esqueceste?
Aquele grande abraço.
CarlosMinha cara Ana
O teu comentário deixou-me “encabulado”, fruto do “Peter Pan” que há em mim. Se recorresse à minha parte adulta, poderia sentir-me “encavacado” mas, “sofro de uma alergia crónica” ao étimo…
Ai, esse Alentejo profundo, “esse Alentejo queimado” (Zeca Afonso) que ficou, para sempre no coração deste “filho de Lisboa”. Eu vi a miséria e a solidariedade entre os “miseráveis”, antes do 25 de Abril. Depois, vi a esperança nos olhos (brilhantes mas, já não de lágrimas) daquelas gentes. Quantas “estórias” para contar, desses tempos que lá passei, a cumprir o serviço militar obrigatório… duas das quais já dei testemunho no Arrastão. Outras? Quem sabe, talvez um dia surja a oportunidade, para que (pela parte ínfima que me toca) a memória persista e o Povo resista aos “remakes” do velho “canto das sereias”.
Amiga, se Deus existir (dúvida transformada em certeza por quem tem fé), que te abençoe, já que os mercados (a certeza de uma “fé nova”) nos amaldiçoaram. Regressando à ficção (tantas vezes ultrapassada pela realidade), que “a Força esteja contigo”… e connosco também.
Aquele grande abraço.
Carlos
NOTA: A “trupe” das pirralhas envia-te muitas beijocas.
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