Terça-feira, 20 de Setembro de 2011
por Daniel Oliveira

 

A dívida astronómica do governo regional da Madeira, que nem o imposto extraordinário de Natal chega para pagar, não é novidade. Há anos que sabemos que Alberto João Jardim se eterniza no poder por não ter de fazer contas. As suas campanhas resumem-se a uma sucessão de inaugurações de obras sobre obras, não havendo na ilha já quase espaço para tanto betão e asfalto.

 

A forma despudorada como nos rouba e ainda goza também não é novidade. Quando o País se comovia e aceitava, como gesto natural de solidariedade com os compatriotas madeirenses, que, em tempo de crise, fossem canalizados para a ilha milhões, com vista à reconstrução depois da tragédia, o cacique madeirense não hesitou em gastar o dinheiro em outras obras e despesas. Perante a austeridade geral, riu-se de nós e explicou que tencionava continuar a esbanjar. Porque nada podemos fazer para o impedir.

 

A violação descarada das leis da República, de que troça, por conhecer o seu estatuto de inimputável, também não é novidade. O senhor absoluto da Madeira persegue opositores, cala jornalistas, insulta detentores de cargos públicos e ainda usa as forças de segurança para impedir protestos e os tribunais para calar criticas, incluindo de deputados que, em princípio, têm imunidade parlamentar. Financia imprensa que lhe faça propaganda, esmaga a que faça jornalismo, distribui negócios por amigos e empregos por familiares, impede deputados eleitos pelo povo de entrar na Assembleia Regional e recusa-se a aprovar a lei de incompatibilidades que vigora no resto do País.

 

A cumplicidade com que sempre foi contando também não é novidade. Quando o Presidente da República se deslocou à Madeira, foi impedindo de ir ao parlamento regional e aceitou receber deputados da oposição num quarto de hotel, como se estivesse numa qualquer ditadura do terceiro mundo. Deixou que assim fosse, porque a democracia e o Estado de Direito têm um offshore na Madeira, aceite por todos.

 

Durante anos o País sorriu com as alarvidades deste déspota local. Durante anos achou o seu desprezo pela lei, pela democracia, pelo Estado e por todos nós "politicamente incorrecto" e sinal de "rebeldia". Agora ele explica, com todas as palavras, que rebentou com centenas de milhões, violou a lei e nos mentiu para não ser apanhado. E ainda se diverte com isso. Queixamo-nos? Não sei porquê. Merecemos pagar cada cêntimo que nos roubou. Achámos que não era para o levar a sério. Agora pagamos a brincadeira. Muitos madeirenses corajosos, que há quase quatro décadas fazem frente ao Presidente num ambiente político sufocante, têm pago um preço bem mais alto pela sua ousadia. Nunca quisemos saber deles. Vem agora a fatura. É bem feita.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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60 comentários:
João Cerqueira
Existe uma diferença muito grande entre os países desenvolvidos, para onde toda a gente quer emigrar, e os outros: para além de terem adoptado uma sociedade de mercado onde o Estado apenas regula, regem-se por um forte princípio de responsabilidade individual - cada ser humano, rico ou pobre, é responsável pelo que faz, e ponto final.

Na Madeira fez-se tudo ao contrário: o Estado - à boa moda Socialista - fez obra pública com dinheiro alheio e o conceito de responsabilidade desapareceu.
Jardim é o grande responsável, sem dúvida.
Todos os governantes cubanos também são - por terem tolerado o ''despesismo''.
Mas a história não acaba aqui: todos os madeirenses que ao longo destes anos votaram nele são igualmente responsáveis pelo buraco financeiro. São responsáveis porque, sabendo muito bem que um dia a casa vinha abaixo, continuaram a votar no grande gastador.
Mas, em Portugal, este detalhe da responsabilidade do cidadão eleitor não irá ser muito valorizado.

deixado a 20/9/11 às 12:59
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Mike
Isso, isso puna-se o eleitor, e deixem andar o eleito que roubou e aldrabou...

Já sabia... A culpa é do povo e dos trabalhadores... Lá, como em todo o lado...


João Cerqueira
Mike,

Eu não disse isso.
O que escrevi foi o seguinte: são todos responsáveis - os que votaram no ABJ e ele próprio, claro - e ninguém pode sacudir a água do capote.


Mike
Errado,

Estás novamente a dizê-lo e com todas as letrinhas:

"são todos responsáveis - os que votaram no ABJ e ele próprio, claro - e ninguém pode sacudir a água do capote".

Ora, a culpa é SÓ do eleito, e demais comparsas, que aldrabou o povo e o roubou... O povo por ter sido enganado e manipulado, que culpa tem?

Que culpa têm os eleitores portugueses em terem sido aldrabados, por exemplo, no que toca ao 13º mês, e terem votado em quem lhes garantiu que nele não tocaria??? Que culpa tiveram em ter acreditado que em 2009 o deficit era de 5,9%???

A culpa é SEMPRE do BURLÃO e não do burlado...
A culpa é sempre do violador e NUNCA do violado...

Será que é difícil entender isto? e ainda vir dizer que não era isto que estavas a dizer? francamente... podes andar enganado, mas a mim não me enganas...

PS(cruz credo): penso que ao escreveres ABJ estavas a falar do jardim e não do Álvaro Braga Júnior...

deixado a 20/9/11 às 20:08
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João Cerqueira
Entretanto,  vendo esta iniciativa da PETA em defesa dos animais
http://clix.visao.pt/peta-lanca-site-porno-em-nome-da-defesa-dos-animais=f623286
ocorreu-me esta ideia para evitar novos buracos:

Um filme porno na Madeira, com o seguinte enredo - chega um grupo de inglesas à ilha, dois manganões madeirenses embebedam-nas com o vinho local e depois, dentro daqueles trenós madeirenses, seguem-se verdadeiros atentados contra a condição feminina, ou masculina.
No meio de tudo isto, passam legendas a protestar contra os buracos insulares.

deixado a 20/9/11 às 17:53
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André
O Jardim ser um Socialista é a anedota do ano e você é o rei da comédia, um palhaço portanto.


Albano
Faça-me um favor, olhe para o que escreveu e olhe-se ao espelho!

deixado a 21/9/11 às 09:41
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João Cerqueira
O senhor consegue produzir outro argumento que não o insulto?

deixado a 21/9/11 às 10:28
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