Quem ontem ouviu Mira Amaral percebeu que também ele alinha pelo diapasão dos cortes salariais como resposta para enfrentar e superar a crise em que vivemos. Apesar da candura e do ar bem disposto com que o disse, percebia-se nele uma certa amargura de quem conhece os sacrifícios que propõe.
Para quem não saiba, Mira Amaral sempre foi um homem de vida dura e sacrificada. Já depois de ter sido três vezes ministro de Cavaco, foi explorado durante 18 longos meses enquanto exercia as funções de administrador na CGD. Em troca, esse injusto, despesista e gordo Estado só lhe paga 18 mil euros mensais de reforma. Porém, como não é homem fraco nem desistente, livrou-se da CGD e fez-se de novo à vida. Recusando sempre as cunhas, decidiu gastar uma pipa de massa em selos dos correios no envio do seu currículo. E como quem porfia sempre alcança, lá conseguiu um lugarzinho como presidente do BIC português. É agora assalariado de Américo Amorim e Isabel dos Santos. Farta-se de trabalhar em troca de um magro salário. Fartou-se de fazer horas extraordinárias aquando da compra do BPN pelo BIC.
Se é ele quem diz que é preciso cortar nos salários, eu atrevo-me a dar-lhe razão. Afinal, são palavras de quem não só sabe o que são salários baixos como de quem põe o seu próprio salário à disposição dos ditos cortes; além do mais, é um dos maiores conhecedores do que são e do que pesam os sacrifícios na vida das pessoas comuns.
Ouvi de raspão o que ele disse e parece-me que foi "deviam fechar umas centenas de inutilidades públicas e mandar os funcionários para casa recebendo o vencimento porque mesmo assim ficavam mais baratos".
Se estou certo, a autora do post está completamente enganada.
Uma novidade a PT tem cerca de oito mil pessoas nesta situação e claro que poupa muito dinheiro, lá não faziam nada e só gastavam telefonemas, lápis e borrachas para os garotos e cafés de borla.
Como se vê Mira Amaral inventa o ovo de Colombo.
Fado Alexandrino:
Mira Amaral foi muito eficaz como ministro e gestor público, de cuja acção recebe uma choruda reforma de 3900 euros aproximadamente.
Para a minha terra, como ministro da Indústria, em 1990, comprou uma lavaria de minério por 90 milhões de contos (450 milhões de euros) aos suecos. Depois de pronta e inaugurada mandou encerrar a mina, porque o cobre internacional foi baixando o preço e não se justificava a exploração.
A mina abriu recentemente, há 2 anos, e as instalações degradaram-se durante 2 décadas, o investimento rendeu zero.
A um político experiente e sabedor exige-se o acompanhamento da situação mundial e algum grau de previsão.
A não ser que estejam em jogo outros valores, como comissões de compra (como a dos submarinos, em que na Alemanha já foi gente dentro, mas cá está tudo na paz dos anjos).
Depois a culpa do défice e da dívida é TODA dos malandros dos trabalhadores que são pouco produtivos em Portugal.
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